VOCALISTA DO KISS, Gene
Simmons, é filho de uma sobrevivente.
Por Itanira Heineberg
Você sabia
que Gene Simmons, vocalista do Kiss, é filho de uma sobrevivente do Holocausto?
“Gene
Simmons (1949) é o vocalista, baixista e fundador do grupo norte-americano de
hard rock “Kiss”. A canção “Rock and Roll All Nite”, um dos maiores sucessos da
banda, se tornou um clássicos da história do rock.”⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O astro do
rock, nascido em Israel, disse que sua mãe nunca falava sobre o que passou
durante o Holocausto, incluindo o período em que passou por Campos de
Concentração nazistas.
O jornal
alemão "Bild am Sonntag" forneceu mais de 100 páginas com informações
e documentos no 75º aniversário de sua libertação.
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Flora Klein,
nativa da Hungria, tinha 19 anos quando as tropas americanas libertaram o campo
de Mauthausen em 5 de maio de 1945. Ela morreu aos 93 anos nos Estados Unidos.
Em sua
declaração ao antigo Escritório de Restituição em Koblenz, Klein escreveu: “Em
novembro de 1944, fui trazida para o campo de concentração de Ravensbruck. Eu
morava lá no bloco 21 e trabalhei no campo colhendo batatas, fora do
acampamento. Usei roupas velhas de civis com uma cruz feita com tinta óleo
branca, pintada nas costas, em um campo cercado por arame farpado, e guardado
pela SS”.
Klein foi
transferida para o subcampo de Venusberg do Campo de Concentração de
Flossenburg, em janeiro de 1945, e chegou a Mauthausen em março daquele mesmo
ano.
“Ela era
forte”, disse Simmons ao Bild em uma entrevista publicada enquanto lia os
documentos que recebeu. "Ela lutou tudo isso sozinha."
Simmons
também encontrou o nome de sua avó entre os documentos. Ester Blau morreu nas
câmaras de gás nazistas.
Sua mãe se
casou com um carpinteiro, Jechiel Weitz, em 1946 e um ano depois eles imigraram
para Israel. Simmons nasceu Chaim Weitz, em Haifa, em 1949. Seus pais se
divorciaram mais tarde, e a mãe de Simmons o levou para Nova York em 1958.
Simmons
alertou que as pessoas não devem esquecer sobre o Holocausto:
“Isso pode
acontecer de novo e de novo. É por isso que você tem que falar sobre tudo ”,
disse ele.
Há três festas de peregrinação, festas em que são feitas peregrinações para Jerusalém. Quando eram feitas peregrinações para o Templo. Nestas festas são honrados fatos históricos e também há momentos especiais para honrar os falecidos. Nestas festas a peregrinação para o Templo de Jerusalém ganhava cores religiosas e também valorizações do dia-a-dia. Pessach, Shavuot e Sucot - esta seria a ordem quando seguimos o calendário. Pessach acontece em março/abril, Shavuot em maio/junho e Sucot em setembro/outubro. Pessach é comemorado durante 8 dias, Sucot por 7 dias, seguida de Simchat Torah, e Shavuot é uma festa de um dia em Israel e dois dias na Galut. Curta, mas cheia de significado. A tradução de Shavuot é "semanas", e representa as 7 semanas (49 dias) entre a saída do Egito (primeiro dia de Pessach) e o recebimento dos 10 Mandamentos ao pé do Monte Sinai. Shavuot tem vários nomes, é a festa em que se colhe os primeiros frutos (Bikurim), e quando se come alimentos com leite e muito queijo.
Ao longo da vida acostumamos que todas as festas judaicas são caracterizadas por alimentos especiais. Alimentar o corpo e a alma, que são entidades muito importantes, e que para conviver em harmonia devem ser satisfeitas cada uma à sua maneira. Em Shavuot é costume ESTUDAR. Passar a noite na sinagoga e estudar em conjunto com colegas e amigos vários textos. Assistir curtas palestras, dançar e comer! A noite é uma criança que vai até o raiar do dia.
Como era bom quando éramos crianças e como é bom agora também estar junto em tikun Shavuot. Um dos temas de estudo são os 10 mandamentos ) עשר הדיברות) "Esser ha Dibrot"; tradução literal, "as 10 Falas". Na Torah está escrito que as primeiras Tábuas da Lei, que foram quebradas ao pé do Monte Sinai, foram gravadas por D'us. As segundas tábuas da Lei foram ditadas por D'us. Em cada uma das Tábuas foram gravadas 5 "Falas": as cinco primeiras são as que se referem à nossa obrigação com D'us e as 5 últimas, nossa obrigação com os humanos. Para todos, é muito evidente quem é quem... apenas as "Falas" 4 e 5 podem deixar alguma dúvida. A fala 4 refere-se ao Shabat, que é o sétimo dia e é o dia do descanso. Os sábios explicam que, assim com D'us descansou após criar os Céus e a Terra e todas as vidas e belezas que compõem nosso mundo, assim devemos descansar para honrar a D'us e nos maravilhar com a Criação. A fala 5 é sobre "Honrar Pai e Mãe". Como comentei no Acontece da última semana, dar aos seres vivos a possibilidade de procriar é uma forma para que a Neshamá (alma) progrida para as próximas gerações. Honrar Pai e Mãe é como devemos honrar a Criação. Gosto aqui de lembrar que Bará (Criar) em hebraico é da mesma raiz que Baruch (abençoar). As Falas de 6 a 10 referem-se a regras para os homens conviverem em sociedade. Portanto em Shavuot são marcadas duas importantes características do Povo Judeu: indivíduos que se relacionam com D'us e cidadãos que se relacionam entre si.
Shavuot também é a festa em que lemos a Meguilá de Ruth, o livro que conta a história de uma mulher moabita e sua jornada para integrar o povo judeu. História descrita pelo profeta Samuel que deixa claro que chegar ao judaísmo como adulto de forma integral não só é possível, como é difícil de distinguir daqueles que nascem. Muitos devem estar pensando: por quê? Quais os argumentos que teria para chegar a esta conclusão? Posso aqui citar muitos sábios que fizeram esta análise, mas se perguntar a qualquer judeu o que define o seu judaísmo, sabemos que os mais à direita consideram judeu aquele que é filho de mãe judia. Aí fazemos a pergunta: serão o Rei David e o Rei Salomão judeus? A resposta é sim, e não há dúvida sobre esta afirmativa. Olhando na linhagem feminina dos Reis David e Salomão encontramos Ruth, a moabita, a bisavó de David. Assim, a história mostra a inclusão e o pertencimento dos que seguem as heranças deixadas pelas gerações anteriores.
A Meguilá de Ruth nos conta como após ficar viúva ela seguiu a sogra, Naomi, para a Terra de Israel. Shavuot também é conhecida como Festa das Primícias, Chag Bikurim. Este momento do calendário agrícola também está ligado à história de Ruth. Naomi e Ruth eram pobres quando chegaram a Israel e Ruth ia aos campos colher os produtos que haviam caído na terra durante a colheita. É um costume judaico que os donos dos campos não recolhem os frutos caídos, estes devem ser deixados para aqueles que passam necessidades. Ruth colhia nos campos de Boaz, e este se encantou com sua beleza e bondade e providenciou que ela pudesse recolher uma quantidade grande de frutos e grãos. Era costume entre os israelitas que viúvas casassem com parentes próximos para dar continuidade à família. O marido de Naomi, Elimelech, e seus dois filhos haviam morrido em Moab. Quando Ruth contou a Naomi sobre Boaz, esta disse que ele era o parente mais próximo. Ruth pediu Boaz em casamento e... ACONTECE... é Ruth, a moabita, a matriarca de David e Salomão.
Finalizo lembrando que Shavuot é um momento único no ano. Deixo aqui o convite para que cada um conte um pouco de suas experiências com estes tópicos do ponto de vista do judaísmo e também da vivência ligada a fatos tão importantes quanto a inclusão e relacionamentos familiares.
Toda esta reflexão escrita nesta semana de Shavuot chegará após o Chag. Aqui ficamos com um momento para refletir e preparar para os próximos anos e, principalmente, para entender que o judaísmo tem muitas leituras inclusivas e reflexivas que permitem mostrar que a individualidade não é um fator de isolamento, mas um fator de composição e harmonização.
Drama familiar
épico de autoria de Tom Stoppard, a peça Leopoldstadt engloba 50 anos de
história em 5 emocionantes atos em uma duração de mais de duas horas.
Você sabia
que o último trabalho do dramaturgo Sir Tom Stoppard foi aclamado por público e
crítica e conquistou o prêmio Olivier (Olivier Award) entregue anualmente pela
Society of London Theatre, reconhecendo sua excelência no teatro profissional?
Stoppard retorna
à Broadway com sua nova apresentação, uma obra profunda e comovente.
A peça
acontece em Viena, no bairro judeu de Leopoldstadt, e tem seu início em 1899, no
seio de uma família judia, e prolongando-se até a metade do século XX com um
elenco de 38 atores sob a direção de Patrick Marber.
Tom Stoppard nascido Tomás Straussler em 1937
“Sir Tom
Stoppard é um dramaturgo e roteirista britânico nascido na República Tcheca.
Ele escreveu para cinema, rádio, teatro e televisão, encontrando destaque em
peças de teatro. Seu trabalho cobre os temas de direitos humanos, censura e
liberdade política, muitas vezes mergulhando nas temáticas filosóficas mais
profundas da sociedade. Stoppard foi dramaturgo do National Theatre e é um dos
dramaturgos de sua geração com maior atuação internacional.Stoppard foi nomeado cavaleiro por sua
contribuição ao teatro pela Rainha Elizabeth II em 1997.”
Stoppard
nasceu em Zlin, uma cidade de fabricantes de calçados, na região da Morávia,
Tchecoslováquia. Filho de Martha Becková e de Eugen Sträussler, um médico da
empresa de calçados Bata, Tom nasceu em uma família de judeus não praticantes.
Durante a ocupação nazista, o patrono da cidade, Jan Antonín Baťa, enviou seus
funcionários judeus, a maioria médicos, para sucursais de sua empresa fora do
continente europeu. E assim, em 15 de março de 1939, dia em que os nazistas invadiram
a Tchecoslováquia, a família Sträussler refugiou-se na Cingapura, onde Bata possuía
uma fábrica.
Aos 4 anos de
idade Tom perdeu seu pai durante a ocupação japonesa da Cingapura e em 1941
ele, sua mãe e irmão fugiram para Darjeeling, na Índia.
Em 1945 sua
mãe casou-se com o major do exército britânico Kenneth Stoppard, que deu aos
meninos seu sobrenome inglês e mudou a família para a Inglaterra em 1946.
Stoppard passou
pelos bancos da Dolphin School em Nottinghamshire e mais tarde estudou na
Pocklington School em East Riding, Yorkshire, que ele detestou.
Assim sendo,
abandonou os estudos aos 17 anos e passou a trabalhar como jornalista para o
Western Daily Press em Bristol, esquecendo a universidade, fato este do qual
ele se arrependeu mais tarde mas que nunca lhe fez falta em sua brilhante
carreira de pensador, jornalista, escritor e roteirista.
Sua produção
rica, variada e numerosa atesta uma vida criativa e inquisitiva, numa busca
constante pela verdade, pela história e pelo ser humano.
Leopoldstadt,
a peça, é inspirada no sofrimento pessoal e político da sua família sob o nazismo.
Stoppard sabia
ser judeu mas pouco conhecia sobre o passado de sua linhagem. No início dos
anos 90, conversando com uma prima, veio a descobrir a trajetória de horror dos
seus familiares e despertou para sua própria história. Da segurança da utópica
Viena para a tragédia do Holocausto, da destruição das vidas dos cultos e bem preparados
judeus ali estabelecidos, mais austríacos do que judeus, para os campos de
concentração e extermínio alemães.
Apresentamos
aqui um vídeo muito bem montado sobre o tema, sua profundidade e clareza e uma
lição para o mundo sobre a morte dos 6 milhões de judeus que até hoje grande
parte da população global insiste em desconhecer.
O despertar do
dramaturgo desperta o mundo também.
A peça tem
afetado profundamente a plateia, que se emociona com a descoberta do Holocausto
tão perto de nossos dias e ainda assim está quase esquecido.
É incrível
que uma história tão trágica e devastadora seja tão pouco conhecida e por
muitos ainda desacreditada. Estamos vivendo tempos que não nos permitem
esquecer as agruras do nazismo na Alemanha, do racismo e do antissemitismo.
“Tom
Stoppard é infinitamente intrigado por questões de destino, acaso,
coincidência, tanto na história quanto no amor, e no épico e de tirar o fôlego
LEOPOLDSTADT, ele examina as consequências de todo um povo preso em um destino
comum.” - Washington Post
Entre
o por do sol do dia 18 de maio e o por do sol do dia 19 de maio Iom
Yerushalayim (dia de Jerusalém) é comemorado. A data foi instituída para
lembrar a reunificação da Cidade de Jerusalém e a chegada dos israelenses no
Monte do Templo em 1967. Foi o dia 28 de Iyar de 5727 no calendário judaico e 5
de junho de 1967 no calendário gregoriano.
No
Shabat (dia 20 de maio) será iniciado o quarto livro da Torá, BAMIDBAR (No
Deserto) que foi traduzido com o nome de NÚMEROS. É aqui que são descritas as
gerações do povo de Israel, nominando pessoas - na maioria das vezes nominando
homens, mas em muitos casos mulheres também são citadas. A história do que
ocorreu no DESERTO há milênios e do que aconteceu no Estado de Israel há 55
anos. E se quiser acrescentar mais um evento que acontece esta semana, como em
todos desde Pessach, estamos no período de contagem do OMER, dos 49 dias entre
Pessach e Shavuot. Um período em que nos preocupamos em contar os dias, e a
cada dia abençoar mais um ciclo completo da Terra ao redor do Sol.
Um
ponto que chama a minha atenção de forma especial é que os nomes são escritos
como listas extensas e não há menção específica dos números. Não há contagem de
pessoas, há nominação. Quando o censo é muito grande e requer determinar em
curto espaço de tempo um número de pessoas, estas fazem doação de uma quantia
fixa de moedas e o número pode ser estimado. Por outro lado, o tempo é marcado
de muitas formas, e sempre numérica. Hoje sabemos que transformar pessoas em
números é acabar com a diversidade e a individualidade. Por outro lado, marcar
o tempo de forma precisa, que possa ser entendida ao longo de milênios, é a
maneira de registrar a história e conseguir unir gerações.
Portanto
nesta semana ACONTECEM duas datas históricas significativas que têm a distância
de milênios e que representam a força do Povo Judeu. Se por um lado a caminhada
no deserto estabeleceu raízes, por outro lado os quase dois milênios nos quais
os olhos se voltavam para Jerusalém todos os dias ao proferir as rezas da manhã
e da noite fizeram com que a árvore desse flores maravilhosas e frutos fortes,
e, mais ainda, soubesse ultrapassar as intempéries.
Os
dias de hoje são de tensão, de muitas falsas notícias e do criar estórias que
foram repetidas tantas vezes que se confundem com a história. Neste momento
lembro de algumas aulas que recebíamos no primário ao escutar sobre judaísmo.
Vejo em minha frente a pessoa que falava, uma professora frente a muitos alunos
reunidos em um pátio ao pé de uma jabuticabeira. E a conversa girava em torno
de Adão, que era considerado "shalem", completo. A pergunta para a
meninada era que palavra era semelhante a "shalem" e a resposta foi
em uníssono "shalom". Aí veio uma das explicações mais lindas que
escutei, e que se aplica maravilhosamente bem para os dias de hoje e que também
escutei em podcast do Live Kabbalah conduzido pelo Rabino Shaul Youdkevitcha:
Adão era um ser completo, como está escrito em Bereshit - "zahar u nekeva
hu iiê" - feminino e masculino ele era. Sendo completo seria um. Assim,
chega a Eva, e a completude era alcançada quando os dois se uniam. Mas, como
eram dois indivíduos, divergências ocorriam! E para que pudessem voltar a ser
completos e se reconhecerem como uno, deveria haver entendimento. Assim, dizia
a professora lá na década de 1950, Shalom é uma forma de negociação em que um
lugar comum bom, ou aceitável para todas as partes pode ser encontrado, e se
isso for verdade, então vão nascer frutos, filhotes e filhos.
Nesta
semana, olhando para Jerusalém e lembrando da fala de André Lajst ,
do StandWithUs Brasil, o Estado de Israel abriu várias frentes desde antes da
criação do Estado de Israel (1948) para negociar com a população árabe. A PAZ,
quando não é boa para ambas as partes e quando é feita na base de pressões
externas e tensões induzidas, pode não ser alcançada porque nunca vai virar
shalem (completude). É uma cidade de nomes e números impressionantes! Uma
cidade que vive de tecnologia e ciência de ponta, que vive o passado e o
futuro. E, voltando para o mundo privado, já contei que meu marido, ao ter um
mal estar muito grande nas ruelas da Cidade Velha de Jerusalém, foi atendido
por um transeunte árabe, que estava indo para uma pequena mesquita, onde era um
dos líderes. Foi treinado em primeiros socorros no Exército de Defesa de
Israel, e servia a grupos de primeiros socorros em Israel. Atitudes que salvam
e unem! Gestos que completam e constroem a paz.
Acontece...
esta é uma semana em que muitos fatos continuarão acontecendo, nossa esperança
é que possam desencadear novas formas de buscar entendimento, buscando os fatos
como são, isolando o terror que quer acabar com o Estado Judeu e acolhendo a
todos que queiram completar o quebra cabeça que vem sendo tão bem conduzido no
campo da economia, ciência e comércio exterior.
HAVA NAGILA (הבהנגילה) ou LET US REJOICE ou ALEGREMO-NOS
A longa trajetória de uma simples canção...
Por Itanira Heineberg
Crianças dançando
no Kibbutz Ginegar, 1947. (Kluger Zoltan/Israel GPO)
Você sabia
que a outrora obscura canção Hassídica Hava Nagila tornou-se uma das mais
conhecidas melodias judaicas no mundo com a adesão e o encantamento por parte de
vários intérpretes globais, assim como do famoso cantor jamaicano Harry
Belafonte?
Hava Nagila –
“vamos nos alegrar” - uma canção simples e desconhecida no início do século XX
tornou-se a favorita para festas religiosas, casamentos, bar e bat mitzvás, e
eventos internacionais de judeus e não judeus.
Com suas estrofes
fortes e curtas associadas à música alegre e contagiante, Hava Nagila foi
gravada centenas de vezes por muitos cantores, de Neil Diamond a Barry Sisters,
de Harry Belafonte a Ben Folds. E apesar de sua popularidade, poucas são as
pessoas que conhecem a história deste sucesso global da canção judaica. Vejamos
suas palavras:
Hava nagila,
hava nagilaLet us rejoice, let us rejoiceAlegremo-nosalegremo-nos
Hava nagila
ve-nismehaLet us rejoice and be gladAlegremo-nos e sejamos felizes
Hava
neranena, hava neranenaLet us sing, let us singCantemos e cantemos
Hava neranena
ve-nismehaLet us
sing and be gladCantemos e
sejamos felizes
Uru, uru
ahimAwake, awake brothersAcordai, acordai irmãos
Uru ahim
be-lev sameahAwake brothers with a joyful heartAcordai irmãos com um coração alegre
As palavras se inspiram no verso bíblico “This is the
day that God has made. We will rejoice and be glad in it” – “Ze ha-yom asah
adonai, nagila ve-nismeha bo” (Psalms 118:24). (Este
é o dia feito por D’us, Alegremo-nos e sejamos felizes com ele).
Hava Nagila, assim
como outras canções modernas israelenses, teve sua origem na Europa do Leste
onde era cantada como um nigun (melodia sem palavras) entre os Hassídicos
Sadigorer, entre 1798-1850.
No final do
século XIX, um grupo de Judeus Sadigorer imigrou para Jerusalém trazendo com
eles o nigun até que Avraham Zvi Idelsohn, o pai da Musicologia Judaica, e seu
aluno cantor Moshe Nathanson sugeriram os versos acima para completar o nigun. E
a canção se espalhou rapidamente.
Idelsohn, um
sionista apaixonado, dedicou-se a coletar a música folclórica das comunidades
judaicas de todo o mundo usando um fonógrafo para preservar as melodias das
mais diversas comunidades: iemenitas, russas, alemãs, marroquinas e todas as
outras que encontrou em Jerusalém.
Ele procurou criar
um novo estilo de música nacional moderna para unificar seu povo no retorno à pátria
histórica. Assim sendo, fez arranjos e compôs muitas novas canções em hebraico
baseadas em melodias tradicionais.
“Essas
canções modernas com raízes antigas rapidamente se tornaram populares como
novas canções folclóricas hebraicas, cantadas em kibutzim, moshavs e impressas
em cancioneiros na comunidade judaica do pré-estado de Israel e além. Entre
eles estava Hava Nagila.”
“Idelsohn
transcreveu a melodia de Sadigorer em 1915 enquanto servia como mestre de banda
no Exército Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1918, ele escolheu a
música para um concerto de celebração em Jerusalém depois que o exército
britânico derrotou os turcos. Organizando a melodia em quatro partes, Idelsohn
acrescentou um texto hebraico derivado dos Salmos, como já vimos no texto acima.”
E a canção
passou a ser cantada por todos os presentes.
Aos poucos
cantores não judeus foram descobrindo a música que a todos empolgava e a
incorporavam aos seus shows e gravações, difundindo-a cada vez mais para todos
os cantos do mundo. Mas talvez o músico não judeu que mais a associou à sua
vida e às suas atividades tenha sido o pop star internacional Harry Belafonte, estrela
jamaicana de renome, encantado com o otimismo da composição e a alegria do
ritmo e da letra de Hava Nagila. Em 1950 ele a incorporou à conclusão de suas
apresentações musicais e em 1959 Hava Nagila, com sua alegria e revigorante mensagem,
transformou-se num best-selling musical durante sua apresentação no concerto
presencial no Carnegie Hall, NYC.
Assistamos
agora a este pequeno vídeo ilustrando a história de Hava Nagila:
E para
finalizar, temos um vídeo contagiante que mostra o encontro de Harry Belafonte
e Danny Kaye para perpetuarem esta famosa música judaica, a pedido de Danny.
Danny Kaye,
nascido David Daniel Kaminsky, foi um famoso humorista da Broadway, um ator
judeu nascido na América filho de um humilde alfaiate de origem ucraniana-judia
e sempre muito orgulhoso de suas raízes.
Aconteceu no mês passado no Polin Museum (Museu sobre os Judeus Poloneses) em Varsóvia, na Polônia, em homenagem aos 80 anos do Levante do Gueto, uma exposição especial: baseada no depoimento de 12 civis sobreviventes do Gueto de Varsóvia. Como? Sobreviventes ? Após o fim da revolta dos combatentes do Levante do Gueto de 19 de abril a 8 de maio de 1943 e a destruição de tudo, culminada em 8/5/1943 com o incêndio da Grande Sinagoga de Varsóvia, ficaram escondidos em bunkers cerca de 50 mil judeus. Devido às condições miseráveis a maioria morreu. Poucos sobreviveram a isso. Stefania Milenbach aos 22 anos de idade, foi uma delas, ficou no gueto de abril a dezembro de 1943, quando saiu carregada por cima do muro porque não tinha mais forças e permaneceu na Polônia até 1950 quando foi para Israel e depois para o Brasil.
Em 1947 ela escreveu, sob o pseudônimo de Stella Fidelseid, um ensaio sobre sua experiência naquele inferno: "Sobrevivi nos escombros".
No Brasil ela se casou com Mordcha e teve uma filha, Anette.
Conheci a Anette Wajnsztejn no primeiro ano do ginásio do colégio de Aplicação, em 1967… estive muitas vezes na casa da Anette e conheci dona Stefania: presença forte, rosto marcante, inesquecível, olhar único, eloquente mas silencioso.
Sua filha só veio a conhecer sua história por ocasião do projeto da Fundação Shoá de Steven Spielberg em 1997. Ela e sua filha Marina, neta de Stefania, visitaram a Polônia, e particularmente Auschwitz, em 2013, um ano antes da abertura do Polin Museum.
Há uns 5 anos Anette se deparou com foto em tamanho real, parede inteira no Museu do Holocausto de Washington na qual reconheceu sua mãe, inesperado e emocionante.
E, em 2022 Anette recebeu uma mensagem de Facebook de Barbara Engelking, uma socióloga polonesa, não judia, que dá aulas sobre o holocausto e para isso usa fontes como o relato de Stefania, aliás, Stella. Ela contou do projeto dessa exposição para homenagear os 80 anos do Levante do Gueto de Varsóvia e a convidou para escrever sobre sua mãe e participar desse evento tão importante.
Várias reportagens internacionais falaram da exposição, da solenidade e das autoridades da Polônia e de Israel . Foram feitas instalacoes em vários pontos de Varsóvia onde se localizavam bunkers,e lá foram contadas partes da história. Monumentos e murais feitos em homenagem a cada um dos doze sobreviventes. Seguem links para isso tudo.
Anette me contou: "além da emoção pelas fotos e monumentos, fiquei impressionada com a estrutura do Museu, a multiplicidade de eventos e instalações preparados em torno da exposição. Senti uma atmosfera bem diferente do que na minha visita anterior, o anti-semitismo parece menor , a reação à presença de judeus não é de distanciamento como foi 10 anos atrás , talvez justamente pelo empenho de pessoas como Barbara Engelking cujo objetivo é informar para prevenir que se repita."
Este filme de 2000 é a estreia do roteirista e diretor
Joseph Cedar. Embora nascido em Nova York, ele cresceu em uma comunidade
ortodoxa de religiosos nacionalistas em Israel desde os seis anos de idade. Um
ex-paraquedista de infantaria com background de Ieshiva, Cedar retornou
brevemente a Nova York para estudar cinema na NYU's Tisch School of Arts. Em
relação à sua decisão de fazer carreira na indústria cinematográfica
israelense, em vez de Hollywood, Cedar disse ao The Jerusalem Post: “Tenho um
filme americano na cabeça, mas não é a hora certa. [Para trabalhar na América],
eu teria que abrir mão do controle sobre meus filmes que eu tenho em Israel”.
As experiências de vida de Cedar, incluindo viver em um assentamento por mais
de um ano enquanto escrevia este filme, dão a ele uma perspectiva altamente
relevante sobre as questões que ele levanta, como a ideia de “pertencer” a uma
comunidade e o conflito entre o indivíduo e o grande esquema de uma missão
ideológica.
Embora o filme seja de 2000, o que hoje vem ocorrendo em
Israel, com a ascensão ao governo dos grupos nacionalistas religiosos, nas
figuras de Ben Gvir e Smotrich nos dá a dimensão do que é retratado no filme já
naquele então e permite que pensemos em sua atualidade.
O filme se passa em uma yeshiva em um assentamento da
Cisjordânia, onde um triângulo amoroso envolvendo a filha do rabino ameaça
empurrar um dos pretendentes para uma ação violenta em relação ao Monte do
Templo, onde estão as mesquitas de Al Aqsa e o Domo da Rocha. Através de uma
trama que narra a formação de um terrorista judeu, este filme investiga
questões de lealdade, a tensão entre o poder político e o pessoal e o valor de
um indivíduo. Com esses temas, o filme explora a linha entre a devoção e
fanatismo e o que poderia levar alguém a atravessá-lo, e o preço que um
indivíduo deve pagar por causa de um grupo maior dentro do grande esquema de
uma missão ideológica.
Em uma yeshiva em um assentamento na Cisjordânia, as
tentativas do rabino Meltzer de bancar o casamenteiro tiveram resultados
desastrosos. Ele deseja que seu pupilo Pini se case com sua filha contestadora
e de pensamento independente, Michal. No entanto, Michal está ligada ao belo
Menachem, que comanda uma unidade do exército israelense composta inteiramente
por religiosos nacionalistas, alunos de Meltzer. Quando Pini percebe que saiu
do lado perdedor do triângulo amoroso, ele decide perpetrar uma ação drástica e
violenta. Ele coopta Itamar, outro pupilo do rabino Meltzer e soldado da
unidade de Menachem, em uma trama para explodir o Monte do Templo. O Rabino
Meltzer já está sob escrutínio do Mossad (agência de inteligência israelense)
devido aos seus ensinamentos radicais que defendem a recuperação do Monte do
Templo. Mas, quando questionado, ele insiste que seus alunos entendem aquilo
que ele diz apenas no plano das ideias e não da concretude. Apesar da
intervenção do Mossad e do militar, parece que, em última análise, apenas
Menachem e Michal podem ser capazes de impedir a terrível trama de seu amigo.
HaHesder
O cenário para uma boa parte deste filme é um yeshiva
hesder, daí o nome do filme em hebraico (em inglês o filme recebeu o nome de
Time of Favor). Em hebraico, hesder significa “arranjo”. Homens israelenses são
geralmente obrigados a servir três anos no exército, mas os homens
ultraortodoxos que estudam na yeshiva são normalmente isentos do serviço
militar. Matricular-se em um yeshiva hesder é um arranjo que permite que homens
religiosos desempenhem seus deveres do serviço militar e estudo religioso
simultaneamente. No programa hesder, os homens são oficialmente soldados nas forças
de defesa de Israel por cinco anos.
Haesder foi um fenômeno de bilheteria israelense que ganhou
cinco prêmios de a Academia de Cinema de Israel em 2000. Embora o filme seja
fictício, há um número surpreendentemente inesperado de cruzamentos entre as pessoas e colocações do
filme e fatos históricos. As pesquisas para o filme ainda estavam em andamento
quando, em 5 de novembro de 1995, o primeiro-ministro Yizhak Rabin foi
assassinado durante uma manifestação pela paz em apoio aos Acordos de Oslo. O
assassino, Yigal Amir, discordava veementemente dos Acordos de Oslo, que exigia
a retirada israelense de partes da Faixa de Gaza e Cisjordânia e afirmou o
direito palestino de autogoverno nessas áreas. Embora ele vá passar o resto da
sua vida na prisão, Yigal Amir acredita até hoje que seu assassinato de Rabin
foi justificado de acordo com sua interpretação da lei judaica. Amir afirma ter
colocado em prática din rodef (“lei do perseguidor”), um conceito talmúdico
que, em uma leitura controversa, sanciona o assassinato de um judeu para
impedi-lo de entregar a terra judaica para não-judeus e que foi muito usado por
rabinos do movimento estimulando o assassinato de Rabin. Amir, um radical de
direita, estudou por cinco anos na Yeshivat Kerem B'Yavneh, a primeira yeshiva
hesder. Em 28 de setembro de 2000, Ariel Sharon visitou o complexo Al Aqsa no
Monte do Templo. Embora ele não tenha entrado em qualquer mesquita muçulmana,
atiradores de pedras palestinos atacaram a polícia israelense assim que ele
saiu. Fontes palestinas citam repetidamente esta ocasião como o estopim da Segunda Intifada, uma campanha
mortal do terrorismo palestino (embora se saiba que a liderança palestina
estava planejando estrategicamente esta Intifada desde a retirada das
negociações de paz de Camp David). O fato de que este evento poderia ser
considerado para justificar a morte de centenas de civis israelenses demonstra
que a visão do Rabino Meltzer de orar no Monte do Templo é um ideal que, se
praticamente tentado, provavelmente teria consequências terríveis e sangrentas.
Em outra peculiaridade histórica, o rabino radical Meltzer, que clama por uma
tomada judaica do Monte do Templo é interpretado pelo ator e diretor israelense
Assi Dayan. O próprio pai deste ator, General Moshe Dayan, era na verdade um
herói da Guerra dos Seis Dias de 1967, na qual os israelenses finalmente
ganharam o controle de toda Jerusalém. Ironicamente, seguindo este importante
reunificação, foi o próprio General Dayan quem deu o controle administrativo do
Monte do Templo ao Conselho Muçulmano e ordenou que as bandeiras israelenses
fossem removidas do Domo da Rocha. Como um kibbutznik secular e pragmático, Moshe
Dayan acreditava que o Monte do Templo era mais importante para o judaísmo
historicamente do que como um local sagrado. Quando ele viu rabinos reunidos no
Monte do Templo imediatamente após Israel assumir a jurisdição, ele teria dito:
“O que é isto? O Vaticano?"