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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Fé

 



         Oi Pessoal! Como vocês estão? Tudo bem?

         Aqui é a Ana Rosa. Hoje deixei o André descansando um pouco... Descansando? Talvez eu não esteja sendo clara. Estamos voltando de Jacareí, na Ayrton Senna. Céu bonito. Sol forte. Ele aqui do meu lado... Vocês sabem que ele não dirige? Adora falar que só anda de “UberAna”...

         Ele e eu... A estrada... O Sol... Essa é a felicidade! Ontem mesmo ele pegou um livro enorme do Flávio Josefo e ficou lendo. Adora estudar essas questões meio aleatórias e desconexas... Da novela vai pra Filosofia, do Mesa Redonda vai pra Religião...

         Mas deixa eu contar essa! Terminou a novela (na verdade, eu nem lembro qual... Fico mais dormindo que assistido!). Ele pegou o livro do Flávio e leu algumas coisas. Vocês conhecem Antígona, do Sófocles? De repente ele parou com o Flávio, deixou lá aberto, e correu pra Antígona.

         Passou uns minutinhos, eu tava no sofá, “mais pra lá do que pra cá”, e ele veio me acordar. Ele adora fazer isso! Tava no Jornal Nacional. Eles mostravam o sepultamento do Ran Gvili. Ele sentou, assistiu e começou a falar...

         Disse da Moral Absoluta que emana do Altíssimo, e falou também da necessidade universal do sepultamento. É que, segundo ele, todos somos parte de um único corpo social e, a partir dele desenvolvemos nossas individualidades.

         Ou seja, pro André, no sofá, depois da novela, a sociedade não é a junção dos indivíduos. É o contrário, os indivíduos são “pedacinhos” sociais especializados. Não sei se concordo... Nem sei se entendi direito...

         Na verdade, essa dúvida que vai me motivar a perseguir o entendimento. Vou meditar, pensar, refletir e acabar formando minha Fé. Mas não aquela que representa o descanso mental! Não, pelo contrário! A Fé que representa o esforço de ir, pedra por pedra, construindo meu templo.

         Fé é esforço, pessoal!

         É o esforço da Liberdade! Sabe, aquele comichão que faz a gente se mexer, buscar, trabalhar? Essa é a Fé!

         Fé não é aquela acomodação boba. Não é ficar deitado em berço esplêndido. Fé é Liberdade, é Disciplina!

         E agora a gente tá aqui na estrada... Sol... Johny Cash tocando... Essa é a Felicidade!

         Essa é a Fé!

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social e em Economia Política.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

 


Acontece: Democracia em risco

 

Por Juliana Rehfeld

12/02/2026


Esta semana foi quente no clima, em notícias e comentários, apesar das olimpíadas de inverno invadirem nosso verão brasileiro…

Os incêndios na Patagônia, a situação de iminentes ataques ao Irã, discussões sobre atentado ucraniano contra ministro russo, etc... mas culminou com as muitas reações às gravações do caso Jeffrey Epstein, e particularmente pelos absurdos ataques antissemitas nisso tudo! 

A mídia teve um prato cheio neste material mas faltou análise crítica sobre abusos jornalísticos delirantes que repetem slogans velhos e gastos falando em conspirações…

Não quero dar voz aqui aos absurdos publicados mas, sim, às críticas.

Eu tenho críticas severas ao movimento Judeus e Judias pela Democracia (D), críticas a sua própria existência pois acho que ao se darem este nome jogam para fora deste apoio todos os demais judeus… e judias… Acham que excluem alguns mas estão errados e certamente dão a errada munição aos inimigos: “vejam, entre os, de maneira geral, odiosos judeus há alguns que se salvam!” Minha opinião é a de que no nome do movimento falta o verbo SER - judeus e judias SÃO pela democracia, até pela própria interpretação liberal da Torá, que nós do Eshtamid, entre tantos outros, fazemos.

Mas aqui quero colocar o link de um artigo que o movimento, ou parte das mulheres desse movimento, publicou na mídia em resposta a estas demonstrações antissemitas. O artigo se chama Democracia em Risco, e o subtítulo é “O antissemitismo revela uma capacidade singular de atravessar campos políticos distintos e de se adaptar a diferentes linguagens ideológicas. Ele se mantém como estrutura explicativa em cenários marcados pela deterioração do espaço público, pela perda de confiança nas instituições e pela crise da imaginação democrática”. 

O artigo expressa minha visão, por isso o publico aqui. 

Não há muitas manifestações desse calibre na mídia, sobretudo na brasileira, o que mostra quão longo é o caminho do combate a esse antissemitismo e da informação.

Shabat Shalom

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

VOCÊ SABIA? - Kiryat Shmona

 Por Itanira Heineberg

10/02/2026


'Nós voltamos, mas a cidade não': moradores de cidade fronteiriça no norte do país alertam para o risco de colapso após a guerra.


Kiryat Shmona após o fatídico e destruidor 7 de outubro de 2023

Você Sabia que meses após a expulsão dos terroristas, os moradores de Kiryat Shmona dizem que a cidade está vazia, os comércios estão fechando e os serviços essenciais estão falhando? E que, sem um plano de recuperação claro do governo, os moradores temem que Kiryat Shmona desapareça para sempre?

Mas em Israel, um país sempre na vanguarda de ajudar o mundo em suas tragédias, o socorro nunca tarda.

Então aqui vem a melhor pergunta para esta página:

Você Sabia que a breve criação de uma Universidade na região será em 2026 um passo importante na reabilitação e fortalecimento de Kiryat Shmona?



Israel aprovou a Universidade de Kiryat Shmona, a primeira nova universidade da Galileia em décadas.

A antiga Faculdade Acadêmica de Tel Hai se tornará universidade em 2026-27, com um investimento de 570 milhões de shekels, novos programas de doutorado, uma faculdade de engenharia e uma escola de veterinária. Os líderes consideram a iniciativa um motor para a recuperação e o crescimento do Norte.

Como é possivel repovoar o norte de Israel com jovens que desejam criar um futuro promissor? A resposta é simples... Anexando a uma excelente escola de nível médio uma Universidade. E com este espírito foi aprovada a Universidade do Galil. O orçamento é de 570 milhões de shekels e oferece programas de doutorado, faculdades de Inteligência Artificial Engenharia, e Veterinária.

 

A auspiciosa medida surge em meio a protestos de moradores de Kiryat Shmona — que retornaram à cidade após a Guerra das Espadas de Ferro — devido ao abandono e à falta de apoio governamental .

 

O Conselho para o Ensino Superior (CHE) aprovou oficialmente  a transformação do Colégio Acadêmico de Tel-Hai na Universidade de Kiryat Shmona, na Galileia. O reconhecimento da instituição como universidade entrará em vigor no ano letivo de 2026-2027, marcando 20 anos desde que o governo decidiu pela primeira vez criar uma universidade na Galileia.

O Tel-Hai College foi fundado em 1957 como uma faculdade regional e reconhecido como instituição acadêmica em 1997. A decisão do governo de elevar a instituição ao status de universidade foi tomada originalmente em 2005, quando Ariel Sharon era primeiro-ministro.

“Desde o início, determinei que a universidade seria parte integrante da cidade e serviria como um pilar para o crescimento, a renovação e o fortalecimento de sua resiliência social", disse ele. "Assim, a transferência do Campus Leste de Tel-Hai para a jurisdição de Kiryat Shmona foi concluída, e ficou definido que todos os futuros prédios da universidade serão localizados dentro da própria cidade. A Universidade de Kiryat Shmona será uma alavanca para o desenvolvimento regional e criará um futuro acadêmico e econômico para a juventude do Norte, mantendo, ao mesmo tempo, um alto padrão de qualidade acadêmica.

O professor Ami Moyal, presidente do Comitê de Planejamento e Orçamento, acrescentou: “A criação de uma universidade sólida em Kiryat Shmona é uma iniciativa de planejamento e orçamento de importância nacional. Espera-se que uma instituição acadêmica de pesquisa no norte sirva como motor de crescimento socioeconômico, fortaleça a resiliência da região por meio de pesquisa aplicada conectada às necessidades locais e amplie as oportunidades de mobilidade social para os jovens da Galileia e do Norte.”

"Este é um evento histórico, fruto da estreita cooperação entre o Conselho para o Ensino Superior — liderado pelo Ministro da Educação e Presidente do CHE, Yoav Kisch — juntamente com o Comitê de Planejamento e Orçamento, a Administração Momentum e a Divisão de Orçamento do Ministério das Finanças — uma parceria que possibilita um planejamento responsável, financiamento dedicado e desenvolvimento faseado de uma universidade que terá um impacto a longo prazo na região e em todo o sistema acadêmico."




Após quase dois anos de guerra, evacuação e ensino remoto, 4.800 estudantes retornaram ao campus, trazendo vida e energia de volta aos campi de Tel-Hai.


Repovoando a Galileia em 2026.





FONTES:

https://www.ynetnews.com/article/rytigfth11e

https://www.facebook.com/telhai.col/

bras-il.com/nova-universidade-sera-criada-na-galileia/?srsltid=AfmBOopVOfOOld3LPuwaqO9iKdh3pcYVhjCNMbJFz7w03qV4GR5RsFf4

https://www.telhai.ac.il/en


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Refletindo sobre "Os Tempos"

Por Regina P. Markus

05/02/2026



Esta semana comemoramos Tu B'Shvat (15 de Shvat), o Ano Novo das Árvores. Esta data no calendário judaico é citada na Mishná (Tratado Rosh Hahaná 1:1). É um momento em que se contam os anos para os dízimos dos frutos e as leis que proíbem de comer frutos nos três primeiros anos de produção de uma árvore. Por que esperar 3 anos antes de colher os frutos? Assim como nós humanos, as árvores precisam desenvolver mecanismos de defesa quando uma parte do corpo é cortada. Qualquer um que já seguiu o desenvolvimento de uma árvore percebeu que leva vários anos para que frutos comecem a ser produzidos. E se estes forem colhidos assim que aparecerem, surge uma seiva no local de retirada. Parece que a árvore está sangrando. Anos depois, o fruto pode ser colhido sem nenhuma manifestação da árvore. É o sistema de coagulação sendo desenvolvido. Assim como em humanos, leva anos!

Consultando a IA, temos a informação clássica de que a Mishná, compilação das leis orais, foi escrita no ano 200 da Era Comum (E.C.) pelo Rabino Yehudá haNassi. É formada por seis volumes, conhecidos como ordens, e é a base do Talmud. Cada livro dedica-se a um aspecto das regras do judaísmo: (1) leis agrícolas e orações; (2) Shabat e feriados; (3) casamento, divórcio e contratos; (4) leis civis e penais; (5) doações e Templo; (6) leis de pureza e rituais. Poderia também ter apenas escrito com o que estudamos nas escolas judaicas, mas fica o registro do conhecimento universal do sistema.

Plantar árvores, comer refeições saudáveis e apresentar lindos arranjos de frutas e vegetais para que todos, inclusive as crianças, apreciem estes alimentos é uma antiga tradição. E fica sempre o destaque que estas regras não entram nas leis de cashrut, apresentadas no livro 6, porque devem pertencer a toda a humanidade. 

Ao ler com mais cuidado a Torá, encontramos em Dvarim (Deuteronômio 8:7-9) as seguintes palavras "Porque o Eterno, teu D'us, te traz a uma boa terra... terra de trigo e cevada, de figueira e de romeira; terra de oliveira que dá azeite, e de tamareira. E seguindo a leitura, encontramos as regras do plantio e da colheita e entre elas a regra do Sétimo Ano "Shemitá" no qual a terra deve descansar.

7 espécies - Shivat Haminin

Aqui, faço um retorno aos nossos dias, com o olhar voltado para Eretz Israel. 

O dia 7 de outubro de 2023 entrou para a história do 3º Estado de Israel como um momento de grande vulnerabilidade. Uma invasão feita pelo Hamas a partir de pessoas que já estavam dentro de Israel e aquelas que vieram da Faixa de Gaza. Kibutzim, moshavim e cidades foram invadidos. E também entraram no Festival Nova. Nova é um festival de música que reúne fãs do mundo inteiro. No verão de 2023 este festival ocorreu em Israel. Aquele foi um dia em que atrocidades foram cometidas e reféns foram levados de Israel. Os cidadãos israelenses após o choque inicial reagiram de forma a acolher os sobreviventes, deslocar pessoas para lugares seguros e muito mais. 

A seguir vieram os ataques do Hezbollah, da Jirad Islâmica e dos Houtis. Combater as várias frentes, prover vida segura aos atingidos. Iniciar reconstrução e desenhar um futuro que superasse estes momentos foi de grande importância. Paralelamente, era necessário recuperar os vivos e os mortos de todas as nacionalidades que haviam sido levados para Gaza. "Bring Them Home" foi um mote nacional e internacional. Uniu judeus e justos de todo o planeta. Finalmente, no dia 26 de janeiro de 2026, após 843 dias, os restos mortais de Ran Givili Z'L foram recuperados pelo Exército de Defesa de Israel (IDF). Encerra-se um capítulo da história.

O Irã, governado por ayatolás desde 1979, declarado inimigo de Israel, atacou com drones de longa distância durante 12 dias (12 a 24 de junho de 2025). A maioria dos drones foi abatida antes de chegar em território israelense. Os danos materiais que ocorreram foram importantes, mas minimizados pela capacidade de defesa. 

Chegamos então ao período em que comemoramos a volta de todos os reféns, inclusive de dois que estiveram em Gaza desde 2014. Mas ainda há a ameaça do Irã continuar atacando. 

E como chegarmos à PAZ? Na última reunião do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça, concentrada no tema "Um Espírito de Diálogo", o presidente dos EUA, Donald Trump, oficializou a criação do Conselho da Paz, um órgão internacional desenhado para supervisionar a reconstrução e a segurança da Faixa de Gaza e as fronteiras israelenses e egípcias. Na oportunidade Jared Kushner apresentou um projeto de longo prazo para reconstrução de Gaza. A grande imprensa focou na proposta de construção de uma infraestrutura hoteleira de alto luxo para dar sustentabilidade econômica, aproveitando as belezas naturais da região. Destaco aqui que a linha do tempo para a reconstrução inicia-se com a construção de habitações, escolas, hospitais e equipamentos sociais e de recreação nas áreas em que o Hamas não mais atua. Assim, inicialmente é proposto criar condições de vida e reativar a agricultura local para prover autosustentabilidade básica. É importante lembrar que esta zona era o pomar de Israel antes de 2005, quando lá habitavam árabes e judeus. Oxalá, estes projetos possam ser discutidos e implementados de forma harmônica, permitindo que as populações possam ter uma vida livre do ódio fomentado.

O FUTURO

Ao chegar em Israel pelo Aeroporto Ben Gurion, vemos fotos aclamando a vida dos que voltaram. Recuperação, família, integração! Estas são palavras do momento.

Israel está sendo integrado na sociedade e as comunidades judaicas ao redor do mundo encontrando os pontos de união com a sociedade israelense. 

Fica cada dia mais evidente que a sociedade israelense é formada por várias etnias. Algo que salta aos olhos é a quantidade de judeus israelenses de todas as idades que estão aprendendo árabe. Tive a oportunidade de interagir com árabes israelenses que estavam muito orgulhosos de ver seu idioma sendo entendido e apreciado por pessoas do dia a dia. 

Israel continuará sendo um "melting pot". Um conglomerado de pessoas que mantém a sua própria identidade ao mesmo tempo que ganham pertencimento em uma nação que sabe ser um diferencial na humanidade.

Ser um povo entre as nações é uma característica antiga do Povo Judeu. Ser uma nação que congrega povos é uma forma nova de encarar o único Estado Judeu no mundo. 


Le Dor va Dor - de geração em geração


Boa Semana!








quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Roda viva

 



        "Shabat Shalom"!

Hora do descanso!

Desligo o computador. Vejo meu próprio rosto refletido na tela escura... É hora...

Vou feliz até a sala. Ligo o som. “Marcïa Baila”, dos “Les Rita Matsuoko”. Ana Rosa sorri e dança. O jantarzinho especial já perfuma o ar. Vamos acender as velas? A Luz dança...  Fé demais não cheira bem... Nem de menos... Ela tem sua medida... Não é um incêndio! É uma prática de constância.

Sentamos. Vamos pro sofá. Eu confesso, sem a menor culpa intelectual, que sou noveleiro. Ligo no Plin-Plin. "Coração Acelerado". Acompanho os desencontros de Agrado Garcia e João Raul. Me divirto, torço, julgo.

Fico pensando no "Vale a Pena Ver de Novo". Por que reprisamos histórias cujos finais já conhecemos? Talvez porque a vida exige a repetição para que a alma finalmente enxergue o que os olhos apenas viram.

Na primeira vez que tomamos conhecimento de qualquer coisa, nosso coração ainda é duro. É pedra bruta, gritando de imediato, sem nem pensar, quem é o vilão e quem é o herói. Somos juízes implacáveis das circunstâncias alheias. Mas o tempo... ah, o tempo é o grande alquimista.

Daqui a alguns anos, ao rever a mesma cena, o vilão de hoje poderá me parecer um herói debochado... Talvez uma alma ferida. O erro imperdoável da Odete Roitman talvez seja só uma gracinha fora de hora. A repetição tira nossa armadura, sabe aquela arrogância?

A Natureza também é sábia pra quem quer enxergar: o Sol nasce todo dia, as estações giram em círculos... Se engana quem pensa que seja falta de criatividade do Criador. É paciência com a criatura!

D'us repete a lição até que a aprendamos.

Às vezes, a gente se assusta com novidade... Sabe como é, né? No escuro, todos os gatos são pardos... Daí, a gente que não entende vai lá e reclama! A vida é assim... Parece uma prosa concreta. Pedra da realidade. Mundão áspero, injusto. Mas só depois, quando a gente cai em si, olha para trás no retrovisor dourado da memória, é que a gente se reconcilia.

É nessa hora que a festança começa!

É aí que a gente CONCORDA!

Vamos pensar, juntos, na palavra CONCORDAR?

É cum (com) + cordis (coração). Concordar é colocar os corações juntos. É alinhar o compasso do meu peito com o ritmo da existência. É ser harmonia na realidade.

Quando a nossa juventude é uma tempestade impetuosa, a gente só quer que a realidade concorde conosco. Depois que o mundo gira e o outono d´alma vem, aprendemos a concordar com a vida. Enxergamos Unidos. Fazemos uma sociedade com D'us, aceitando que Ele é o Roteirista e nós, atores que, aos poucos, compreendem a complexidade da trama.

O Tempo, dizem, gasta as coisas... Tem caboclo que até fala na traça do tempo... Na poeira da memória! Coisa de mané incauto! Eu prefiro dizer que o tempo amarela, doura! É o amarelo que transforma tudo em ouro! Tempo é o Midas que deu certo!

Ele vai lá e arredonda as quinas cortantes das nossas certezas. Ele derrete a cera dos nossos ouvidos e abranda a dureza do nosso coração, transformando a pedra da lei na carne da compaixão.

Aqui, vendo a novela abraçadinho com a Ana, posso afirmar: a repetição é polimento. A gente “revive” a mesma cena, “ressente” a mesma dor, “rerri” da mesma piada, até que um dia, num estalinho, a gente não apenas vê a circunstância.... A gente enxerga...

E concorda!

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social e em Economia Política.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

 

        

ACONTECE: Coincidências

 

Por Juliana Rehfeld

Esta semana, coincidências. Isso, em uma história de mais de 5700 anos, não é tão difícil assim de acontecer… 

Em 27/jan - dia da lembrança do Holocausto - celebramos 81 anos da libertação do complexo de concentração e extermínio Auschwitz-Birkenau pelo exército “vermelho” (ucranianos!) revelando à humanidade quão desumano foi este período, até onde a desumanidade da humanidade pode chegar… embora este não tenha sido o primeiro campo libertado e relatos de violência extrema e abundante tivessem surgido nas notícias, foi a entrada neste complexo que trouxe a concretude da “fábrica de matança” nazista, “foi o ponto de virada moral e histórico, quando a negação deixou de ser plausível”. Trouxe imagens que, mesmo já repetidamente expostas desde então em prosa e vídeo, mais nos assombravam até hoje… ou, corrigindo, até 7 de outubro de 2023, quando eventos mais horríveis ainda foram filmados e exibidos com orgulho pelo Hamas.

Na véspera, em 26/jan, o último corpo de um refém israelense mantido em Gaza, identificado como o primeiro-sargento Ran Gvili, foi recuperado pelas Forças de Defesa de Israel e trazido de volta. Acabou uma guerra, encerramos um processo de luta que, no entanto, nunca terminará…

As datas ficam marcadas como fechamento de um pesadelo mas o luto, a dor da perda, nunca terminará. O assombro em relação ao que o ser humano é capaz de fazer persiste mas nos unimos, nós que somos parte desta história, por herança ou empatia, ou simplesmente consciência, e dizemos Nunca Mais! E por um tempo, acreditamos nisso!




Penso no que ambas as datas trazem com força que é o resgate de corpos. É fundamental, para todas as culturas, mas sobretudo para a judaica, concretizar estas mortes e resgatar os corpos. E assim honrar a vida dos mortos. No Holocausto isso evidentemente não foi possível, pela quantidade e pelo método das câmaras de gás e cremação, e isso foi tratado de modo magistral na construção desde 1953 do Museu Yad Vashem, no Monte da Recordação em Jerusalém. Há uma torre de 21 metros de altura lembrando as chaminés mas uma claraboia no alto faz entrar a luz que simboliza a teimosa esperança de que Nunca Mais. E uma pira eterna (Esh Tamid) localizada no centro da Sala da Memória queima em memória das vítimas do Holocausto. A pira eterna é sempre usada para simbolizar a eterna presença de Deus. E muitos se perguntam se ele estava presente no Holocausto enquanto muitos se perguntam onde estava o homem…




O museu e seu nome são uma belíssima e comovente tradução arquitetônica moderna de um versículo bíblico, Isaías. 56.5 - 

‎וְנָתַתִּי לָהֶם בְּבֵיתִי וּבְחֹמֹתַי יָד וָשֵׁם טוֹב מִבָּנִים וּמִבָּנוֹת שֵׁם עוֹלָם אֶתֶּן־לוֹ אֲשֶׁר לֹא יִכָּרֵת

Venatatti lahem beveti uvchomotay yad vashem tov mibanim umivanot shem olam etten-lo asher lo yikkaret.

“Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará." 

Nunca apagaremos o nome de quem foi morto no genocídio nazista, ou na barbárie de 7 de outubro e sua sequência.

Resgatar os corpos concretiza o “ninguém será deixado para trás”, que é uma obrigação moral, religiosa e nacional. O resgate de reféns é mandamento religioso (Pidyon Shvuyim), um enterro digno é dever sagrado (Kavod HaMet). Por isso para Israel, trocas desproporcionais são aceitáveis e há grande pressão pública por cada indivíduo. 

O corpo não é um objeto descartável. Ele foi a “morada” de uma vida, de uma história, de uma neshamá.

Resgatar o corpo é afirmar: essa pessoa importa, até o fim.

Enterrar permite à família fazer shivá - os sete dias de despedida por toda a família, com a presença da comunidade, fazendo um fechamento, uma “cura” da dor com apoio da comunidade. 

Então, resgatar o corpo de reféns mortos não é só um ato religioso ou político — é um ato civilizatório.

É afirmar que mesmo diante da barbárie, há limites que não aceitamos cruzar.




Em 26/jan o país inteiro acompanhou o caminho do caixão de Ran Gvili, que tinha só 24 anos e morreu em combate no próprio dia 7/outubro/23, desde a entrada a partir de Gaza até sua cidade onde foi enterrado. E o presidente Herzog pediu perdão à família, e às demais famílias de reféns e de mortos no fatídico dia 7 porque o governo não conseguiu protegê-los e mantê-los vivos. Netanyahu rezou o “Sheheianu”, celebrando que chegamos vivos para ver este “momento de fechamento”... ele que é formalmente acusado por muitos como o grande responsável pelo não preparo contra o ataque, pela demora e o fracasso nas negociações e no resultado final - vide vídeo de uma acusação formal na Knesset. 

Se para nós - envolvidos na história por herança, empatia ou simplesmente consciência - libertar campos e resgatar corpos concretiza a violência que o povo judeu tem sofrido na modernidade, isso ainda não parece suficiente para uma opinião pública honesta, forjada por uma imprensa, ou mídia, perversa por desinformação,  omissão e irresponsabilidade. E esta é a pior das coincidências… coincidem e se empilham os danos à verdade cometidos por essa mídia. 

Ainda há meios de comunicação que põem em dúvida os fatos de 7 de outubro, ou que os minimizam em relação à resposta de Israel em Gaza. E há importantes meios de comunicação que foram esta semana incapazes de dizer que seis milhões de mortos no Holocausto eram judeus, disseram que eram pessoas, omitindo a principal razão por aquilo ter sido um genocídio, e ainda desinformando que de fato houve muitos mais mortos do que os seis milhões… 

E onde estão as multidões que protestaram contra os ataques a civis palestinos em Gaza - por um exército em resposta a um atentado bárbaro e em cuidados busca por reféns - onde estão eles e elas quando o governo iraniano incentiva atirar na sua própria população que protesta por direitos de expressão e melhores condições de vida? Algumas informações mencionam 30 mil civis mortos! O silêncio das mídias e dos protetores dos direitos humanos está ensurdecedor. 

E penso que nada mudará enquanto não esperarmos as tragédias acontecerem para aí perguntarmos onde estava Deus? Desinformação, omissão e silêncios seletivos são claros sinais de perseguição e desrespeito, racismo mesmo. E onde estão os homens, onde estamos nós, que não vemos e ouvimos estes sinais? E se os percebemos, o que fazemos com isso? É fundamental observar, vigiar e ao perceber, “botar a boca no trombone”! Há muitos veículos e instrumentos para isso. Vamos usar! 

Shabat Shalom

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

VOCÊ SABIA? - Uma gota, uma criança salva da assustadora poliomielite no século XX.

 

Por Itanira Heineberg





Você Sabia que Albert Sabin (1906–1993) foi um médico e pesquisador judeu que desenvolveu a vacina oral contra a poliomielite (paralisia infantil) na década de 1950, lançada nos anos 1960? E que, diferente da vacina injetável de Salk, a VOP (Vacina Oral Poliomielite), conhecida como "gotinha", é feita com vírus atenuado, facilitando a imunização em massa e erradicando a doença em quase todo o mundo?

No Brasil a versão oral contribuiu para a extinção total da doença.


Albert Sabin, médico judeu que erradicou a poliomielite com uma gota.


Sabin nasceu em uma família de judeus em 1906, na cidade de Białystok, então parte da Rússia (atualmente Polônia), e emigrou em 1921 para os Estados Unidos com sua família. Sabin estudou medicina na Universidade de Nova Iorque e desenvolveu um intenso interesse em pesquisa, especialmente na área de doenças infecciosas. Em 1931, completou o doutorado em medicina. Passou uma temporada trabalhando em Londres em 1934, como representante do Conselho Americano de Pesquisas. De volta aos Estados Unidos, tornou-se pesquisador do Instituto Rockfeller de Pesquisas Médicas. Nesse instituto, demonstrou o crescimento do vírus da poliomielite em tecidos humanos.

De posse de tantos conhecimentos e pesquisas e do trabalho de Jonas Salk em busca da cura para a poliomielite, Sabin dedicou-se com entusiasmo ao estudo da doença que assustava o século. E assim ele chegou a uma nova vacina, uma vacina oral, usando vírus enfraquecidos - o que permitiu criar imunidade intestinal e impedir a circulação do vírus. Como seu colega, Sabin procurou salvar vidas e melhorar os resultados na área de saúde nas comunidades do mundo.

A vacina oral de Sabin foi fundamental para reduzir drasticamente os casos de poliomielite, que em 1988 ainda somavam cerca de 350.000 casos anuais no mundo.

No Brasil, centenas de escolas, hospitais, clínicas e instituições brasileiras levam o seu nome. O cientista recebeu do governo brasileiro, em 1967, a Grã-Cruz do Mérito Nacional.

Abaixo temos o médico Albert Sabin em palestra no Instituto Fernandes Figueira – IFF/Fiocruz, durante visita ao Brasil no dia 28 de junho de 1961 — Foto: Arquivo Nacional



A ligação de Sabin com o Brasil vinha de duas décadas antes e havia sido coroada por um casamento. Desde que desenvolveu, em 1960, sua famosa vacina para combater a paralisia infantil, aplicada oralmente e por isso chamada popularmente de "gotinha", o cientista esteve no Brasil por diversas vezes ministrando palestras, oferecendo consultorias e contribuindo para os esforços de erradicação da doença. Em 1971, em uma festa em sua homenagem realizada no Rio, conheceu a brasileira Heloisa Dunshee de Abranches (1917-2016). Um ano depois, estavam casados.

Sabin faleceu em 1993, mas seu legado persiste como um dos pilares da saúde pública moderna e da erradicação de doenças.


Unidade Hospitalar Albert Sabin em Atibaia


Mais uma vez o Judaísmo se fez presente em sua constante preservação e apreço pela vida humana. Tanto Salk como Sabin, cientistas dedicados e desprendidos, abriram mão de lucros para que a vacina descoberta e eficaz, não patenteada, fosse produzida de forma econômica e distribuída de graça, mundialmente.

Assim como aconteceu no Brasil, tanto a vacina inativada de Jonas Salk como a atenuada de Albert Sabin contribuíram e seguem contribuindo para a erradicação do vírus causador da paralisia infantil em todo o mundo. Graças à vacinação, os casos de pólio reduziram 99% em todo o globo, caindo de 350 mil em 1988 para apenas 29 notificações em 2018.

Atualmente a doença permanece endêmica apenas no Afeganistão e no Paquistão. 



Em novembro de 2024, o Ministério da Saúde do Brasil oficializou a substituição da vacina oral poliomielite (VOP), conhecida popularmente como a "gotinha, pela Vacina Inativada Poliomielite (VIP), que é exclusivamente injetável.

Essa mudança marca o fim do uso da gotinha no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para reforços e visa tornar a vacinação ainda mais segura e alinhada com as recomendações internacionais.

Aqui estão os detalhes principais da mudança:

O que mudou no esquema vacinal (2024)

Fim da Gotinha: A vacina VOP (atenuada) não é mais utilizada.

Apenas Injeção (VIP): A vacina utilizada agora é a VIP (inativada), composta por vírus mortos, sendo mais segura.

Novo Esquema: A vacinação contra a paralisia infantil é realizada apenas com a vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses de vida, com um reforço injetável aos 15 meses.

Reforço de 4 anos: A dose de reforço que era aplicada aos 4 anos de idade com a gotinha foi retirada do calendário, pois o esquema de 3 doses + 1 reforço aos 15 meses é suficiente.

 

FONTES:

https://butantan.gov.br/butantan-educa/salk-x-sabin-conheca-a-corrida-cientifica-por-tras-das-duas-vacinas-que-derrotaram-a-paralisia-infantil

https://www.scielo.br/j/hcsm/a/9tFSfwSZjFX6NpSvxq9NZws/?format=html&lang=pt

https://bvsms.saude.gov.br/26-8-dia-do-nascimento-de-albert-sabin/

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8888238/

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/07/10/como-sabin-foi-colaborar-na-erradicacao-da-polio-no-brasil-e-acabou-saindo-pela-porta-dos-fundos.ghtml

https://butantan.gov.br/butantan-educa/salk-x-sabin-conheca-a-corrida-cientifica-por-tras-das-duas-vacinas-que-derrotaram-a-paralisia-infantil