Por Itanira Heineberg
Você Sabia que, talvez a melhor notícia que eu tenha lido
ultimamente nestes dias de guerras, incertezas, mortes e muitas Fake News, seja
a criação de uma indústria que transforma os gafanhotos, estes agressivos e
destruidores insetos - uma praga bíblica que permanece praga até hoje, em uma proteína
perfeita?
São 72% de proteína pura, zero desperdício em sua
produção, uso reduzido de água, um substituto para a carne bovina, com tudo de
bom, sem o mal da gordura saturada e do colesterol e livres de açúcar?
Aleluia! Que notícia agradável aos nossos ouvidos
cansados de tiroteios, bombas, mísseis e perda de vidas humanas.
Gafanhotos peregrinos são mencionados no Antigo
Testamento: uma das dez pragas do Egito infligidas por Deus ao faraó para
obrigá-lo a libertar os judeus mantidos em escravidão. Segundo o texto, enxames
de gafanhotos devoravam toda a vegetação, causando a ruína do Egito. Em
Levítico, um dos cinco livros do Pentateuco, uma passagem afirma que algumas
espécies de gafanhotos são kosher.
A empresa israelense Hargol FoodTech pretende se tornar a
primeira a vender gafanhotos em larga escala como alimentos sustentáveis.
Para Dror Tamir, CEO da Hargol, "os gafanhotos são a
solução", conforme garantiu à AFP durante uma visita às instalações da
empresa, situada na parte das Colinas de Golã ocupada por Israel desde 1967 e
posteriormente anexada. Quase 25 mil colonos israelenses vivem neste
território. Preocupado com o impacto do gado no meio ambiente, Tamir criou a
empresa há seis anos e meio e gostaria que fosse "a primeira do mundo a
produzir gafanhotos em grande escala comercial para fornecer uma fonte de
proteína mais saudável e sustentável".
Por trás de sua ideia de fazer o maior número possível de
pessoas comer este inseto há memórias de infância, quando ouviu histórias de
gafanhotos que destruíram na década de 1950 os campos do kibutz onde foi
criado. Mas, acima de tudo, lembranças de que os judeus de origem iemenita os
degustavam com prazer. Ciente de que esses insetos podem ser repulsivos, a
Hargol (gafanhoto em hebraico) transforma o animal em pó para fazer barras
energéticas, jujubas, falafels (bolinhos de grão de bico) e biscoitos.
Com uma população global que pode chegar a 10 bilhões de
pessoas em 2050, alimentar o planeta se tornará um desafio, diz Ram Reifen,
professor de nutrição da Universidade Hebraica de Jerusalém .
Os gafanhotos são ricos em proteínas, zinco e ferro –
minerais que muitas pessoas ao redor do mundo não consomem em quantidade
suficiente – e emitem muito poucos gases de efeito estufa.
"O que tememos é a falta de fontes de
proteína", explica Tamir, porque a pecuária, que consome muita água, será
um problema crescente. Antes de serem processados, assados ou fritos, os
gafanhotos contêm mais de 70% de proteínas, mas também aminoácidos e outros
nutrientes. "Eles têm tudo de bom, sem o mal", como gordura saturada
e colesterol, e, portanto, poderiam substituir outras fontes de proteína, como
a carne bovina. Ainda segundo Temir, cerca de 2,5 bilhões de pessoas consomem
insetos regularmente, principalmente gafanhotos. "Mas quando se trata de
atingir os consumidores norte-americanos e europeus, é muito difícil superar o
fator 'que nojo'", declara Tamir.
Judeus no Iêmen e no norte da África os consomem há
décadas, mas os judeus asquenazes (originários da Europa Central e Oriental)
nunca os comeram.
Segundo o rabino Eliezer Simcha Weisz, membro do conselho
do Rabinato, o problema é que a literatura rabínica europeia "indicou
explicitamente que não temos tradição de comê-los". Uma razão plausível é
a falta de gafanhotos na Europa.
O assunto está sendo debatido "amplamente" no
Rabinato e a emissão de um certificado pode levar tempo, relata o rabino, que
especifica no entanto que "o fato de a Torá dizer que é comestível parece
indicar que pode ser o alimento do futuro".
Enquanto aguarda autorização das autoridades rabínicas,
Dror Tamir decidiu enriquecer a gama de produtos propondo um pote de gafanhotos
com mel. "De acordo com o Novo Testamento, João Batista costumava comer
gafanhotos com mel", explica o empresário.
O gafanhoto é o único inseto considerado kosher. Trechos
específicos da Torá afirmam que quatro tipos de gafanhotos do deserto - o
vermelho, o amarelo, o cinza manchado e o branco - são comestíveis.
Esta máquina biológica mais eficiente do planeta também
provê um fertilizante orgânico para as plantações: suas fezes.
O inseto em consideração, dono de mandíbulas poderosas e
arrasadoras, será responsável pela criação de 3 indústrias, a partir de sua
potência alimentar, ou seja:
- os maiores, em sua
forma original, crocantes e temperados serão um snack gourmet, já à venda na Arábia
Saudita por 400 dólares o quilo
- farinha para o falafel e barrinhas de proteína com chocolate
e frutas
- azeite de gafanhoto - ômega 3, “ouro líquido” - o
produto mais exclusivo da linha.
A seguir teremos um vídeo muito bem feito, mostrando cada
etapa do processo, desde a captura dos enxames até sua chegada às lojas, supermercados
e casa de especiarias. É uma longa trajetória, onde tudo acontece com elegância
e precisão, cada máquina obedecendo sua função, muita tecnologia e
planejamento, uma solução para o futuro das gerações do porvir.
Recomendo que assistam ao vídeo pois ele lhes trará grande alegria e mais confiança no ser humano.
Enquanto alguns homens não se envergonham nem se
arrependem de matar seus semelhantes em guerras ignóbeis de conquistas de
territórios e poder, é bom nos voltarmos para aqueles que, preocupados com a
população crescente do mundo, se dedicam a supri-lo com proteínas indispensáveis
aos seus habitantes num movimento altruísta e generoso, ou seja, Tikum Olam, consertar
o mundo.
FONTES:
https://www.bbc.com/news/magazine-21847517#:~:text=Em%20outros%20canais%20da%20BBC
https://exame.com/negocios/mais-proteina-na-dieta-empresa-recomenda-comer-gafanhotos/
https://clickgafanhotos petroleoegas.com.br/bilhoes-de-gafanhotos-criados-para-alimentacao-humana-formam-uma-nova-industria-global-enquanto-a-china-transforma-praga-agricola-em-proteina-lucrativa-btl96
https://www.bbc.com/news/magazine-21847517







