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quinta-feira, 19 de março de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Aulas do Professor Perder

 



Talvez tenha sido melhor ter perdido...

A palmatória não existe mais faz tempo mas todo mundo tem meio que um medo ancestral mesmo que ela habite o desconhecido...

Derrota: a tia palmatória!

A derrota é uma professora... Sabe aquela tia, que a gente sempre tem medo quando criança, mas que depois, olhando pra trás, a gente lembra com saudades? É ela!

Sempre que a gente perde, a gente tem de vestir as sandálias da humildade... Daí a gente percebe que ela é uma professora que nos pega pela mão e ensina que as certezas são falhas.

A gente aprende a duvidar é na falha!

Só na derrota que a gente aprende a ESCUTAR! A gente tá por baixo, lambendo as feridas, fechados pra balanço... É aí que nossa arrogância volta pra casinha e a gente olha pro OUTRO. É só nessa hora que a gente tem ouvidos de ouvir e olhos de ver...

É no deserto que as miragens se desfazem, deixando apenas o que é essencial!

         Ontem teve um momento assim... Gente jovem reunida... De repente, um balde de água fria! Será que nossa pretensão tupiniquim vai dar espaço pr´uma nova forma de encarar as coisas?

As Artes estão umbilicalmente unidas à Educação e à Palavra.

O que eu quero dizer com isso? São Palavras de um Povo! Educação Coletiva! Aquela do barro, do dia a dia, da poeira da história e do suor do Trabalho!

Sempre que a gente tem a unidade de um povo diverso e plural, a partir de suas ricas individualidades e potencialidades, percebemos que nossas limitações só podem ser superadas coletivamente, a gente encontra, igual um tesouro perdido, a Criatividade.

Essa Criatividade, que brota do chão da vida, precisa ser bem adubada. Quando ela é polida e refinada pela Educação, finalmente e se materializa em Arte.

Acho que eu tô filosofando demais... Vou dar um exemplo, com a licença de vocês: vamos observar o cinema brasileiro... Será que a gente não tá sofrendo de um monocromatismo poético?

A gente se acostumou a uma zona de conforto do lirismo, quando a gente insiste em percorrer sempre os mesmos atalhos narrativos, tratando de temas correlatos com uma paleta de cores que teima em ignorar a vastidão de nossos contrastes. Sabe a bola de segurança, que sempre vai agradar a patota, mas nunca vai levantar voo de verdade? É uma pipa sem linha...

 Falta a ousadia, a chutzpah, que, por exemplo, transborda na arte de nossos vizinhos.

O fato é que o cinema argentino dá um banho no brasileiro... É sempre uma aula nova sobre como tratar de temas múltiplos. Mas que fique bem claro, no futebol a situação é bem outra!

Eles falam do cotidiano caleidoscópico sem perder a ternura, jamás!

Eu aplaudo de pé sempre que assisto, por exemplo, aO Abraço Partido... No fim, o bairro do Once, com toda a sua efervescência caótica e multicultural onde a imigração judaica cruza e dialoga com a imigração asiática e latino-americana, parece até o Bom Retiro....

E o Um Conto Chinês, então? A partir de um recorte jornalístico tão impactante, ele é capaz de extrair profunda poesia existencial... Uma vaca que, de repente, cai do céu.... Tem base isso?

Tá lá toda a potência da indignação em A Revolta dos Tolos, e, até mesmo ao revisitarem dores históricas profundas em Argentina, 1985, recontando a tragédia da ditadura, eles o fazem com uma graça e um lirismo tão lindos...

Choro... Sempre choro...

É exatamente isso que falta no Brasil.

Talvez tenha sido bom perder esta premiação importante!

A derrota ilumina o cansaço!

Mas o que o nosso cinema poderia começar a fazer de diferente? Eu não sei... Talvez isso me dê algum gabarito para palpitar...

Esses dias, na última sexta-feira, depois que o Sol já tinha se recolhido, e a Lua saído pra aproveitar a noite, peguei o telefone e liguei para uma grande amiga. Queria conversar, saber como estava o marido dela no hospital... Graças a D´us estava tudo muito bem!

E, se estava tudo bem, tive o prazer de poder falar com ele também. E, como o afeto sempre encontra caminhos surpreendentes, conversa vai, conversa vem, fomos desaguar nas memórias do livro Cazuza, do Viriato Corrêa.

Eu li essa obra há mais de trinta, quase uns quarenta anos...

A Ana Rosa também leu.

Livros são sagrados! A minha sogra guardou o exato exemplar que pertenceu à Ana Rosa. Ontem, quando fomos almoçar lá, resgatei esse tesouro das estantes e hoje mesmo já comecei a reler.

Histórias fantásticas recheadas de memórias... É o Brasil profundo, o interior do Maranhão narrado através da vida e das peripécias daquele menino Cazuza — e que fique claro: refiro-me ao personagem de Viriato Corrêa, e não ao cantor!

É a literatura tão rica, tão humana, que faz até a gente se perguntar: será que o Brasil não pode pegar essa aparente derrota, somada à inegável pujança e técnica da nossa indústria cinematográfica, e mudar a temática?

Não seria a hora de mudar os nossos horizontes, enriquecendo nossas narrativas para deixá-las mais plurais, mais leves, mais divertidas e, exatamente por isso, muito mais reflexivas?

As artes brasileiras precisam respirar esses novos ventos. Podem e devem ser um propulsor, um verdadeiro potencializador da nossa gigantesca aquarela humana.

Mas, pra que essa transformação ocorra, precisamos resgatar o poder das Palavras! Palavras que sejam capazes de forjar uma Visão, ensinando que o olhar humanizado não apenas vê as circunstâncias, mas enxerga o propósito e a beleza por trás delas.

Ou seja, no fim nós somos caminhantes em um mundo muitas vezes hostil, muitas vezes delicioso. A gente não sobrevive pela força solitária, mas porque a gente aprende, coletivamente, a ler os sinais do tempo, a conhecer o valor da partilha e a entender que só é possível Enxergar o Futuro quando permanece acesa a chama da Esperança.

E não me refiro à espera passiva; falo do esperançar militante, a recusa em desistir apesar dos obstáculos, movidos pela certeza mística de que há uma força maior caminhando ao nosso lado — D'us conosco.

A Palavra é, assim, pensamento vivo, Reflexão contínua e Escolha diária. É o Compromisso de construir uma sociedade e uma arte alicerçadas na Responsabilidade, na Ética e na Dignidade de cada ser humano.

No fim, precisamos que as nossas palavras, as nossas telas, os nossos livros resgatados da estante e as nossas vidas sejam sempre um exercício sagrado de Escuta.

Pois é somente quando a gente Escuta as vozes silenciadas, e contamos as histórias que nos unem, que nos tornamos capazes de semear a Justiça.

Ou seja, precisamos voltar a nos guiar por aquela voz suave e discreta que não se ouve, mas se escuta... Por aquela Luz que não se vê, mas que se enxerga...


André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

 

 


Acontece: Os judeus brasileiros atuando

ACONTECE: Os judeus brasileiros acompanhando a Guerra no Oriente Médio

Regina P. Markus - 18/03/2026




1 – BATE-PAPO - VOZES DO AGORA





Este foi um encontro memorável. Ana Beatriz Pedrosa Alkimin, brasileira, judia e negra é uma importante “ativista” de direitos humanos. Coloco a palavra “ativista” entre aspas porque Ana desenvolve uma atividade baseada em dados, leis e regras das Nações Unidas e suas subsidiárias e de muitos países. Um dos temas que foca é discriminação e, segundo o meu entendimento, considera o antissemitismo como uma forma de discriminação. É pedagoga formada pela USP com muitos estudos no exterior. Sua fala focou na apresentação de dados. 

Mahsima Nadim é persa, iraniana. Morou em Teerã até 2023, quando imigrou para o Brasil. Sua imagem no palco chamava atenção pelo cuidado pessoal, elegância e tranquilidade. Com uma voz calma, relatou fatos de sua vida que levaram muitas das presentes às lágrimas. Viveu no Irã antes da chegada dos aiatolás, em 1979. Tinha uma família estruturada, com posses, frequentava escola, festas e gostava de ler e conversar. Tinha pouco ou nenhum contato com muçulmanos, e a maioria dos habitantes eram zoroastras. Uma religião da antiguidade que era professada no Império Persa. Uma religião que admitia a diversidade. Por isso, tantos grupos étnicos diferentes moravam na Pérsia com liberdade para manterem tradições e costumes. Mahsima discorreu sobre a passagem de um regime de liberdade para um regime de autoritarismo imposto por um grupo minoritário que obrigou a conversão dos habitantes do Irã. Em 1979 a chegada do grupo islâmico liderado pelo Aiatolá Khomeini impôs a adoção do islamismo xiita e mudou completamente o modo de vida da população. A morte e a tortura viraram rotina e as mulheres foram obrigadas a usar vestimentas que escondem sua identidade. Mahsima conta que sua família ainda mora em Teerã, e apresenta um irmão recém-chegado ao país. Vale buscar conhecer melhor esta linda e elegante mulher. Fiquei muito impressionada quando falou sobre a origem da palavra Irã. Eu imaginava que o nome Pérsia havia sido substituído por volta de 1979, mas Mahsima explicitamente conta que este foi o nome dado pelo último Xá (imperador).
Ao assumir o trono em 1925, o monarca era oficialmente conhecido como Xá da Pérsia. Dez anos após, 1935, Reza Shah Pahlavi determinou que a comunidade internacional passasse a usar o nome Irã. Pérsia é um nome grego que foi usado por séculos para designar o Grande Império do Oriente. Os habitantes locais já chamavam suas terras de Irã ou Irani. O nome deriva de Ariana e a tradução seria Terra dos Arianos. O termo Pérsia refere-se a uma etnia específica e o termo Irã a todas as etnias que habitam a vasta região. Foi interessante ver a reação da plateia. Alguns poucos, mas perceptíveis, momentos de silêncio e a seguir uma linda salva de palmas. Era como se todas estivessem aprendendo algo novo. 
A mulher teve um papel importante no Irã. Tadj ol-Molouk (esposa do primeiro Xá e mãe do último) foi uma figura revolucionária. Ela foi a primeira rainha na história do Irã a aparecer em público sem véu. Em 1936, compareceu a uma cerimônia de formatura com suas filhas, todas com os rostos descobertos. Isso causou choque na sociedade conservadora da época e representou um grande símbolo do "Novo Irã" que seu marido desejava construir. Ela não era apenas uma figura cerimonial. Tadj ol-Molouk era conhecida por sua forte personalidade e influência sobre seu marido, Reza Shah. Após a abdicação e o exílio dele em 1941, ela permaneceu uma figura central na corte, frequentemente aconselhando seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, durante os primeiros e instáveis anos de seu reinado. Curiosamente, ela também pertencia à família Ayromlou (o mesmo clã de sua sogra). Essa família fazia parte dos "imigrantes do Cáucaso", que eram muito leais à coroa e ocupavam altos cargos no exército, o que ajudou a consolidar o poder da dinastia Pahlavi em seus primórdios. 

(O texto acima foi construído com auxílio de inteligência artificial para não incorrer em erros de interpretação e datas.)

Ela falou muito sobre os tempos atuais, o que é ver a morte de 40.000 pessoas em um só dia e não viver dia algum sem que pessoas sejam mortas. Como muitas mulheres, foi presa por problemas de vestimentas, e com a gentileza que caracterizou sua fala, expressou o estranhamento do apoio de uma parte importante de brasileiros a este regime ditatorial e violento. Foi memorável e o mais interessante foi unir cultura, educação e registro de dados confiáveis. As falas de Ana Beatriz e Mahsima foram muito diferentes, mas ambas deixam uma mensagem comum: a educação de um conglomerado humano é feita não apenas por métodos formais, mas também pela vivência e por dirigentes que respeitam a diversidade.

A fala de Carol Maluf foi em um tom alto, de revolta e de muita intensidade. Carol imigrou do Líbano no início da década de 1980, ainda criança. Também trouxe muitos fatos interessantes. Conta que não tinha vontade alguma de falar sobre o Oriente Médio nas escolas em que estudou. Os brasileiros consideravam todos os que vinham daquela região “turquinhos”. E ela cansou de contar que no Líbano a maioria da população era de cristãos maronitas seguida por cristãos grego-ortodoxos e melquitas. Curdos, armênios, assírios, caldeus e judeus. A população mulçumana era, em sua maioria, sunita. Os judeus habitavam o Líbano desde os tempos bíblicos. Chama atenção que na época dos mamelucos (1250-1557) os judeus eram considerados um povo protegido (dhimmis). Gozavam de liberdade cultural e religiosa e contribuíam de forma significativa com a economia do império. O desconhecimento sobre a história do Líbano era tão grande que professores em um colégio de primeira linha em São Paulo estranhavam que ela não falasse árabe. E a jovem se cansou de dar explicações e passou 30 anos sem falar sobre o Oriente Médio. Há três anos, após a invasão do Hezbollah no sul do Líbano, passou a dar palestras e se manifestar de forma proativa.

“Excesso de informação e informações erradas. Algumas são desinformações básicas – Israel invadiu o Líbano – mas Israel vem ajudar a guerra civil! A Guerra civil é interna – entre os civis libaneses.”

Há uma grande confusão por causa dos direitos dos cristãos. Havia um pacto entre os povos libaneses de que o presidente seria cristão maronita, o vice-presidente seria muçulmano, o primeiro-ministro sunita e o chefe da câmara xiita. A inversão da população desde a década de 80, quando se diz que era invasão de Israel, nada mais é que a invasão de Yasser Arafat, um estudante de esquerda que fomentava movimentos estudantis. Arafat é preso e expulso do Egito. Vai para a Jordânia, onde cria a Organização de Libertação da Palestina. É um movimento paramilitar terrorista. A Jordânia se recusa a permitir que fiquem em solo jordaniano e aloca a OLP nos territórios da Samaria e Judeia. Carol segue com uma força incrível comentando os tempos de hoje no Líbano e enfatizando que as relações entre o Líbano e Israel precisam ser avaliadas no contexto libanês e não no contexto da mídia internacional.
Mona Dorf finaliza a noitada, chamando a atenção para o fato de que este foi um momento especial, um momento de mulheres que pertencem ao mundo e que na calada do dia a dia transformam. E a plateia aplaudia e continuava sentada, respirando! O ar entra e sai, e é hora de voltar à realidade.

2 – RUN 4 THEIR LIVES




O movimento Run for Their Lives (R4TL) teve início pouco depois dos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Foi fundado por um grupo de israelenses que viviam na região da Baía de São Francisco, na Califórnia. Foi criado como uma forma de canalizar a frustração e não esquecer os que foram feitos reféns em Gaza pelo Hamas. O movimento foi criado em parceria com o Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas. O que começou como um grupo de corrida local rapidamente se tornou uma iniciativa internacional de base, com mais de 200 grupos em todo o mundo. 
O movimento consiste em caminhadas ou corridas semanais — geralmente aos domingos — e é descrito como um esforço humanitário apolítico que envolve participantes judeus e não judeus. 

Em todo o mundo os participantes utilizavam o mesmo slogan: #BringThemHomeNow. 
O grupo de São Paulo é liderado pelas irmãs Betty Grobman e Cintia Grobman Amato. Ativistas entusiastas que lideram caminhadas por muitos parques de São Paulo. A primeira atividade foi em novembro de 2024 e quatro pessoas fizeram uma caminhada no Parque do Povo.

Eu passei a participar das atividades em 2024 e lá tive o prazer de encontrar Itanira e Johny. Caminhadas energizantes, que algumas vezes foram acompanhadas pelas redes sociais.

Neste mês de março foi realizada a última caminhada em todo o mundo. Foram mais de 200 cidades que agradeceram a volta de todos os reféns. Como dizem nossos livros e também nossos sábios e também nossa cultura – nunca deixamos o passado para trás, por mais doloroso que seja, porque a lembrança do passado é essencial para que a VIDA possa ser transmitida de geração em geração. Caminhamos no Jardim da Luz, iniciando no portão em frente à Estação da Luz. Local onde desembarcou a maioria dos judeus que chegavam no porto de Santos. Muitos dos que estavam caminhando contavam a história de seus antepassados que lá chegavam. Imaginem homens mulheres e algumas vezes famílias chegando num país completamente diferente e que precisavam de um repouso. Nossa comunidade, ao longo dos milênios, sempre procurou prover o necessário. E assim surgiu um abrigo na Rua da Graça, 160, onde poderiam descansar por uma ou algumas noites. Conta a inteligência artificial do Google que “A Sinagoga da Rua da Graça, oficialmente conhecida como Sinagoga Kehilat Israel, é a sinagoga mais antiga do estado de São Paulo, fundada em 1912 por imigrantes judeus vindos da Bessarábia. Ela hoje abriga o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto."

Caminhamos até o Memorial e lá cantamos, escutamos e brindamos o sucesso da volta de todos que foram sequestrados e feitos reféns. Vivos e mortos. Lembramos dos que se recuperaram e superaram e daqueles que ainda estão no processo. Lembramos dos grandes avanços feitos em tecnologias que permitiram recuperação física e mental. E do carinho que envolve os que se juntam. Entregamos ao Memorial toda a memorabília usada nas caminhadas que integrarão o acervo do memorial  na área dedicada ao 07/10, como plaquinhas, faixas, cartazes, bandeiras, pulseiras e as fotos dos 2 anos de todas as caminhadas. Brindamos e rezamos. Os risos de alguns se misturavam com as lágrimas de outros. Eu tinha a sensação de que a emoção era a mesma, era genuína e intensa e as demonstrações evidenciavam as diferenças individuais. E aquele grupo de união, de dignidade, era composto de judeus de diferentes origens e notações e também não judeus. Tinha até duas senhoras que caminharam e ficaram muito tocadas ao ver imagens do Holocausto! Caminhar pela Dignidade – e pela possibilidade de criar um ambiente diverso para aproximar os diferentes. 


Betty e Cintia estão puxando o cordão para a próxima etapa!!! Vamos nessa!




"Os Filhos de Breves", lá no Marajó, registram este dia 18 de Março, Dia Nacional da Imigração Judaica, tocando Hatikva, o Hino de Israel.

Video cedido pela Professora Iria Chocron, moradora do Marajó e pesquisadora da presença judaica no Norte do Brasil, desde o início do século 18.

Regina Pekelmann Markus - 18/03/2026





sexta-feira, 13 de março de 2026

Acontece: Guerra, Paz e Futuro

 

Por Juliana Rehfeld

13/03/2026




Há uma escalada evidente na guerra com o Irã, embora de um lado Trump faça de conta que há uma óbvia e breve vitória dos EUA e Israel e de outro, Netanyahu anuncie novas etapas de ataques precisos a líderes e importantes fortalezas bélicas iranianas, para o que estão usando agentes infiltrados em Teerã, debaixo de enorme risco. 

No que concerne à outra frente de guerra, o Hezbollah abriu fogo direto e Israel diz que já que o governo do Líbano, embora queira declaradamente, não tem condições de controlar o grupo terrorista, é ele mesmo quem tem que garantir território vizinho seguro. 

Em termos geopolíticos, muitos analistas dizem que é a maior crise militar regional desde a guerra do Iraque, em 2011… e alguns dizem que o Oriente Médio está no momento mais perigoso desde 1973.

Uma análise sensata que li e que Trump e Netanyahu deveriam considerar, vem de Eil Zir Cohen, ex-chefe do departamento "Tevel" do Mossad: “Não precisamos de uma imagem de vitória no Irã, mas sim de uma nova realidade de segurança. Regimes não entram em colapso apenas por causa de bombardeios aéreos, mas sim quando perdem a capacidade de controlar as pessoas e pagar seus apoiadores. Como comprovado na Síria, a queda de um regime é um processo longo e não um evento "repentino". Israel e os EUA devem criar uma realidade na qual, mesmo que o regime iraniano sobreviva à guerra, permaneça empobrecido e incapaz de financiar o terrorismo.” 

Apesar do enfraquecimento notório do poderio militar iraniano o que não parece diminuir é o poder interno - tanto da Guarda revolucionária Islâmica como da divisão Forças Basij - de esmagar ou eliminar opositores ao regime como os quase 50 mil apenas no ano passado estimados por ativistas e ONGs…  e com o filho de Khamenei no poder, isto só piora. Em Teerã hoje, um grande contingente das Forças Basij é visível nas ruas e nos postos de controle. O regime também está recrutando crianças. A imprensa israelense traz evidências que revelam que o regime está recrutando civis pagos para preencher as ruas com marchas de apoio.

De qualquer forma é de dentro que virá a mudança efetiva… um dado que me surpreendeu é que o Irã apresenta hoje a maior taxa de conversão de muçulmanos ao cristianismo (pela evangelização), tendo alcançado 1 milhão de convertidos desde 2011 - sendo que especialistas estimam que existam cerca de 10 milhões de cristãos em todo o mundo que vieram de origem muçulmana, e o número continua crescendo. 

Ainda haverá muita luta e sacrifícios até que a tranquilidade envolva esta sofrida população… 

E enquanto eu pensava nisso recebi mais uma reportagem extremamente triste neste mesmo sentido de como os conflitos armados afetam jovens que dificilmente conseguem reconstruir uma vida em paz. A guerra em Gaza ainda não acabou totalmente, não só no campo, não só pelos milhares de feridos, mas também porque persistem suicídios de jovens soldados israelenses que lá lutaram o que continua a me mostrar que a humanidade ainda sacrifica futuros ao tentar consertar passados pela beligerância… e para nós, judeus, este tema é ainda mais complexo: 

Há um princípio ético central da doutrina militar israelense que se chama “Tohar ha Neshek - Pureza das armas”. Ele entrelaça as demandas de usar força apenas quando necessário, não ferir civis intencionalmente e manter responsabilidade moral mesmo durante a guerra. Esse conceito foi desenvolvido no movimento sionista e incorporado ao código ético das IDF.

O filósofo israelense Asa Kasher, que ajudou a escrever o código de ética militar israelense, define o princípio assim: Um soldado deve usar sua arma apenas para cumprir a missão e preservar a dignidade humana, mesmo em guerra. 

A guerra em Gaza exacerbou dilemas éticos extremos porque os combatentes operaram dentro de áreas civis, usaram hospitais, escolas e túneis e misturaram-se com a população.

Como manter “pureza das armas” em guerra urbana densa?

Psicólogos militares israelenses dizem que muitos soldados não sofrem apenas de PTSD - Síndrome Pós Traumática. Eles sofrem algo chamado “Moral Injury - ferimento moral”, que acontece quando um soldado participa de situações moralmente ambíguas ou testemunha sofrimento de civis e/ou sente que violou valores pessoais ou religiosos. 

E atualmente uma frase do filósofo Yeshayahu Leibowitz voltou a circular no profundo debate que se trava na sociedade israelense: “O verdadeiro teste moral de um povo não é em tempos de paz, mas em tempos de guerra.”

Tomara que não demorem os dias em que governos autoritários sejam depostos antes que massacrem o futuro de seus cidadãos, e governos mesmo democráticos consigam soluções que permitam a seus cidadãos que vivam em paz com os valores éticos e tenham preservados sua sanidade e seu sorriso… 

Shabat Shalom

terça-feira, 10 de março de 2026

VOCÊ SABIA? - Ciro, o Grande

 

Por Itanira Heineberg

10/03/2026


539 AC - Judeus são liberados de seu primeiro êxodo

Após tomar a Babilônia, Ciro o Grande da Pérsia (hoje Irã), pôs fim ao cativeiro dos Judeus.


Ciro concede a liberdade a exilados judeus presos na Babilónia nesta gravura do século XIX, da autoria do ilustrador francês Gustave Doré.


Você sabia que Nabucodonosor II, rei da Babilônia, conquistou Jerusalém  em 586 AC?  

Esta campanha resultou na destruição total da cidade e do Templo de Salomão, iniciando o exílio babilônico. A população foi deportada e o rei Zedequias capturado após o cerco que durou de 18 a 30 meses.

E... Você sabia que algumas décadas mais tarde, Ciro, o Conquistador, mais conhecido como o Libertador, liberou os judeus de seu cativeiro na Babilônia?




A cultura persa era frequentemente comparada com a austeridade de Atenas e Esparta.

Ciro II, (foto acima) conhecido como Ciro o Grande, foi o responsável pela criação do Império Persa Aqueménida, um vasto domínio que se estendeu desde a Ásia Menor até o Vale do Rio Indo – o maior império do seu tempo. Através de uma série de campanhas militares brilhantes, Ciro conquistou todos os grandes estados do Próximo Oriente (exceto o Egito) em pouco mais de 10 anos (entre 550 e 539 a.C.). Conquistou a Média, no noroeste do Irão, o reino da Lídia, governado por Creso, na atual Turquia, as cidades gregas da Ásia Menor e o Império Babilónico, na Mesopotâmia.

Sob Ciro, o Império Persa tornou-se a potência hegemônica do Oriente. Apesar de ter começado o seu reinado como um rei vassalo do Império Medo, que viria a conquistar mais tarde, Ciro era feroz e eficaz em combate. No entanto, também ficaria para a história como um líder e libertador humano, que respeitava os costumes, leis e religiões dos povos cujas terras conquistava. Esta faceta do seu reinado foi elogiada no mundo antigo e definiu a sua caracterização ao longo dos séculos.




Ciro conquistou assim a Babilônia, incorporando a Mesopotâmia ao Império Aquemênida. A vitória foi estratégica, sem resistência,  libertando os judeus do exílio. Ciro e suas tropas persas desviaram o curso do rio Eufrates para um canal, permitindo que marchassem pelo leito do rio e entrassem na cidade na noite de 12 de outubro de 539 a.C., surpreendendo os babilônios que estavam em festa. Ele então adotou a política de tolerância religiosa e cultural registrada no Cilindro de Ciro.

Este documento, que é considerado por muitos como a primeira declaração dos direitos humanos, foi gravado em escrita cuneiforme, relata a conquista, descreve a libertação de povos deportados e a restauração de cultos religiosos.

Esse édito é registrado na Bíblia como um ato de graça divina, visto pelos hebreus como uma oportunidade de redenção.

Uma das primeiras ações de Ciro foi permitir que os judeus, exilados desde o reinado de Nabucodonosor II, retornassem à sua terra natal, a Judeia, e reconstruíssem o templo.




De lá para cá, muita água passou pelo velho Eufrates ...

A biografia da Pérsia/Irã abrange mais de 3.000 anos, começando com tribos nômades que se estabeleceram no sul do Irã por volta de 2000 a.C..

Os primeiros anos da Pérsia foram marcados pela migração e estabelecimento de tribos indo-europeias (ou arianas) no planalto iraniano, um processo que ocorreu por volta do início do segundo milênio a.C.. Esses povos, inicialmente nômades, fixaram-se na região que hoje corresponde ao Irã, com destaque para a área sul, conhecida como Pars ou Persis, que deu origem ao nome "Pérsia".

Inicialmente, duas tribos principais se destacaram na região: os medos, que se estabeleceram ao norte, e os persas, que se fixaram ao sul, na região montanhosa de Zagros.

Essas tribos eram predominantemente formadas por pastores e agricultores, vivendo de forma descentralizada antes da formação do grande império.

A sociedade era dividida em várias tribos, e a unificação persa só começou a tomar forma com a dinastia Aquemênida, sendo consolida com Ciro, o Grande, por volta de 550 a.C..

A seguir:

- Império Aquemênida (c. 550–330 a.C.): Fundado por Ciro, o Grande, consolidado por Dario I, abrangeu da Grécia ao Egito. Conhecido pelas Guerras Médicas contra os gregos.

- Conquista Macedônica (334–330 a.C.): Alexandre, o Grande, conquistou o império, introduzindo influência grega.

-Império Parta e Sassânida (247 a.C.–651 d.C.): O império foi restaurado, com os sassânidas estabelecendo o zoroastrismo como religião oficial e a maior glória persa pré-islâmica.




O zoroastrismo, uma das religiões monoteístas mais antigas do mundo, surgiu na antiga Pérsia (atual Irã) com base nos ensinamentos do profeta Zaratustra (ou Zoroastro), provavelmente entre os séculos XVII e VI a.C.. O profeta reformou o politeísmo indo-iraniano existente, focando na adoração de um único Deus.

- Conquista Islâmica (Século VII): Árabes conquistaram o território, introduzindo o islamismo, mas a cultura persa e a língua foram preservadas.

- Idade Média e Invasões: Passou por domínio turco e a devastadora invasão mongol no século XIII.

- Dinastias Modernas (Séculos XVI–XX): Safávidas tornaram o xiismo a religião oficial. No início do século XX, o país foi disputado por Rússia e Grã-Bretanha.

- Irã Moderno: Em 1935, Reza Shah Pahlavi oficializou o nome Irã. A Revolução Islâmica de 1979 transformou o país em uma República Islâmica.

 

Data importante 651 da nossa era - Conquista árabe do Império Sassânida

No final da Antiguidade, a guerra com Heráclio, do Império Bizantino, enfraqueceu os persas o suficiente para que os árabes assumissem o controle.

Início da Invasão (633): Sob o comando do califa Abu Bakr e do general Khalid ibn al-Walid, os exércitos islâmicos iniciaram ataques à Mesopotâmia (atual Iraque), que era o centro administrativo sassânida.

Após uma série de batalhas decisivas em 651 aconteceu o fim do império persa com a morte do  último rei sassânida, Yazdegerd III, assassinado enquanto fugia em direção ao leste, consolidando o domínio do Califado Ortodoxo sobre o território.




Mais água sob as pontes do Eufrates ...

Conquista islâmica, Idade Média, Dinastias Modernas, 1935, Irã Moderno com Reza Shah Pahvlavi até 1979.

 A Revolução de 1979 derrubou a monarquia do Shah e transformou o Irã em um estado teocrático, a República Islâmica, sob a liderança de Khomeini.

Os aiatolás são líderes religiosos xiitas de alto escalão que governam o Irã como uma teocracia desde 1979. O Líder Supremo, atualmente Ali Khamenei, é a autoridade máxima, controlando as forças armadas, o judiciário e a política externa, sobrepondo-se ao presidente eleito. O regime baseia-se na aplicação rigorosa da Sharia (lei islâmica).

As águas do Eufrates não se acalmam, não silenciam ...

Grande mudanças no país em março de 2026:

A morte de Ali Khamenei, no poder desde 1989, mergulhou o Irã em uma fase volátil e incerta.

O sistema, uma mistura de teocracia e República, funciona com o Líder Supremo e o Conselho de Guardiões (clérigos) controlando os três poderes, o exército e a aprovação de candidatos.

A influência social se apresenta em leis conservadoras, incluindo a obrigatoriedade do hijab, restrições à liberdade das mulheres e forte repressão a protestos.

O regime é caracterizado pela oposição total a Israel e aos Estados Unidos.

Mas o governo iraniano não se satisfaz com estes inimigos, ele incita e alimenta financeiramente grupos terroristas em vários países do mundo com o objetivo de fazer sua religião dominar e acabar com todos os infiéis, ou seja, todos aqueles que não se converterem ao Islã.

No momento em que escrevo, o mundo, seus governantes e seus habitantes estão em grande alerta, preocupados com o Irã e sua capacidade de enriquecer urânio, produzir a bomba atômica e direcioná-la com exatidão sobre seus inimigos.

Que este regime teocrático, ditador e intolerante com as religiões e diversidades do mundo seja substituído por outro, mais complacente com seus vizinhos e seu próprio povo para que todas as nações de boa vontade possam atingir uma paz mais duradora, estável e conciliatória num ambiente amigável e sem conflitos para todos os participantes desta grande empreitada.

 


FONTES:

https://www.historiadomundo.com.br/hebreus/cativeiro-babilonia.htm#:~:text=Fim%20do%20Cativeiro%20da%20Babil%C3%B4nia&text=O%20Cativeiro%20da%20Babil%C3%B4nia%20acabou,sagrados%20foram%20compilados%20e%20preservados.

https://www.nationalgeographic.pt/historia/seria-ciro-grande-realmente-conquistador-tolerante_5990

https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-16107/mapa-do-imperio-persa-aquemenida-cerca-de-500-ac/

https://estiloadoracao.com/templo-de-zorobabel-segundo-templo/

https://www.thoughtco.com/timeline-of-the-ancient-rulers-of-persia-120250

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/persas.htm

https://super.abril.com.br/historia/o-que-e-um-aiatola-e-a-mesma-coisa-que-o-presidente-do-ira/

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/02/regime-dos-aiatolas-ira-segue-de-pe-mas-proximos-dias-determinarao-sobrevivencia-entenda-sucessao-khamenei.ghtml


quinta-feira, 5 de março de 2026

ACONTECE: Lembrando a História e Vivendo a História!

 Regina Pekelmann Markus - 05 de março de 2026

LIBERDADE DA MULHER - COMO CONHECIDO EM ISRAEL
publicado em 5/03/26 - Jerusalem Post

No sábado 28 de fevereiro, conhecido como Shabat Zachor, foi iniciada a Operação Rugido do Leão. Neste Shabat que precede a festa de Purim o olhar do judaísmo volta-se para a Pérsia. Há aproximadamente 2500 anos Xerxes I (486-465 AEC) abria as portas de Jerusalém para o Povo Judeu. A missão era restaurar o Templo Sagrado no Monte do Templo, também conhecido como Monte de Tzion. No dia 28 de fevereiro de 2026, também Shabat Zachor, foi iniciada pelo Exército de Defesa de Israel uma operação que tem por objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar o mundo com armamentos nucleares e com objetos voadores de curto e longo alcance. Hoje estamos no 5º dia da Operação “Rugido do Leão”. Este Acontece versará sobre o passado histórico, a começar pela descrição da Meguilat Ester, passando por acontecimentos de grande relevância na Ásia, Europa, África e América, até um comentário sobre o que acontece hoje. E como dia 8 de março é quando comemoramos o Dia Internacional da Mulher, vamos tratar de mulheres. Aproveitem a leitura.

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O nome original em persa antigo para o Rei  Achashverosh (אֲחַשְׁוֵרוֹשׁ) é Khashayãršā (Raxaverxe). O nome deriva da palavra Rxaya ("rei") e arxen ("herói"), significando algo como "Rei de todos os homens" ou "Herói entre os reis". Em consultas a diferentes bancos de Inteligência Artificial (IA) surge a explicação sobre o nome Achashverosh em hebraico. Como tudo no mundo da IA, as respostas vão sendo adaptadas de acordo com o tipo de pergunta e com o histórico do usuário. Isto vale tanto para aprender sobre os mundos de ontem, quanto para receber notícias recentes.

Vou exemplificar com o nome AchashveRosh que é considerado uma adaptação fonética do nome persa. Alguns historiadores afirmam que o nome quer dizer Irmão (Ach) do cabeça/chefe (Rosh). E o “Cabeça” seria Nabucodonosor, que saqueou o Templo de Jerusalém, levando seus tesouros para a Babilônia e dispersando o Povo Judeu (Exílio Babilônico). Estas conclusões, segundo a IA, estão baseadas no Talmud (Tratado Megalá 11a). A afinidade entre Xerxes I e Nabucodonosor não deve ser interpretada como um parentesco biológico, mas sim como uma afinidade espiritual e comportamental. 

Exatamente como estamos vendo hoje na Guerra contra os Ayatolás do Irã que iniciou-se no dia 28 de fevereiro de 2026, as “meias verdades” têm que ser pesquisadas. É descrita na Mishná e no Talmud Megalá 11b uma grande festa, que durou 180 dias, realizada no terceiro ano do Reinado de Xerxes I. Havia expandido o Império Persa, que se tornou o maior império do planeta. E, no banquete de encerramento, mandou trazer as peças de ouro e pedras preciosas que Nabucodonosor havia saqueado. A Menorá, candelabro de ouro maciço de 7 braços, milhares de utensílios de ouro e prata, como talheres, pratos, travessas, a mesa de acácia maciça coberta de ouro onde era partirdo o pão, o altar de ouro onde era queimado o incenso, as colunas de bronze chamadas Yaquin e Boaz, que flanqueavam a entrada; elas foram quebradas para que o bronze fosse transportado mais facilmente, e o mar da fundição, um enorme reservatório de bronze sustentado por doze bois esculpidos. 

Esta longa festividade acabou com a presença de Vashti, a rainha que chega ao banquete sem ser convidada.

Sim, esta foi uma etapa da vida de Xerxes I que foi um imperador que soube evoluir dentro de seu tempo de vida. Viveu 53 ou 54 anos. Filho primogênito de Dario, o Grande, com sua segunda esposa, Atosa, filha de Ciro. Sobe ao trono em 486 AEC, após a morte de seu pai e falece em agosto de 465 AEC em Persépolis. 

Anos passaram e muitas águas rolaram. Mantendo o foco, AchashveRosh apaixona-se pela Rainha Esther. E quando esta revela a sua origem, e o que Haman (rash, rash, rash) iria fazer com o líder e professor Mordechai (que era seu tio) e com todo o Povo de Israel, o Rei Xerxes I tem a oportunidade de impedir, com uma canetada, que a história continue a ser escrita da forma que os antissemitas da época desejavam. 

Para achar esta última parte descrita pela IA, tive que consultar com vários tipos de perguntas e diferentes tipos de IA, até que ao perguntar: “Em que banquete Achashverrosh usou os objetos saqueados do Templo – com Vashti ou com Ester?”

A resposta foi reveladora: Quando Ester se tornou rainha, o banquete oferecido em sua honra (Mishtê Ester) foi posterior a esses eventos e não há o mesmo registro enfático do uso dos utensílios do Templo como houve no banquete inicial com Vashti.

Chegando nos dias de hoje, continuamos a ver que múltiplas visões sobre o que acontece agora em Israel, no mundo árabe e islâmico. Algumas versões, totalmente falsas e muitas criadas para reforçar e expandir o sentimento "antixxemita" ao redor do mundo, são divulgadas nas redes eletrônicas e por jornalistas respeitados. Muitos dos nossos também ajudam a divulgar estas mensagens e a somar pontos para que se tornem referências na IA. Devemos ter sempre em mente que estas mensagens não podem ser transmitidas, mas devem ser copiadas antes de receberem as críticas.

E o que aconteceu nestes dias? Um dado muito importante é conhecer o potencial de fogo do Irã dos ayatolás. 


Número de Mísseis Lançados pelo Irã em Israel por dia.
28/02 e 1, 2, e 3 de março. Os números foram menores nos dias 4 e 5. 

O número de mísseis lançados vem baixando dia a dia, e continuam sendo interceptados. Mas os alvos mudaram, ao invés de atacar alvos militares específicos, o regime islâmico está focando cidades, residências sem muita especificação. A maioria dos mísseis é abatida, mas os estilhaços podem produzir estragos.

Houve também uma ampliação dos alvos. Nos últimos dois dias foram atingidos os estados muçulmanos e árabes que estão na região do Golfo Pérsico. 

Perguntando para a IA quais os alvos atingidos pelo Estado Islâmico nos últimos dois dias, a resposta foi a seguinte:

Nos últimos dois dias (4 e 5 de março de 2026), o Irã realizou uma série de ataques de retaliação em larga escala contra alvos em múltiplos países do Oriente Médio: 

Principais Alvos Atingidos

Israel: 

Mísseis balísticos e drones foram lançados contra o centro de Israel e o Aeroporto Ben Gurion. Destroços de mísseis caíram em Ein Keren, Jerusalém, numa área não habitada e o Hezbolah, um proxy do Irã, atacou o norte de Israel. 

Bases dos Estados Unidos da América: 

Localizadas no Kwait, Catar, Iraque, Bahrein.

Infraestrutura e Cidades do Golfo: 

Nos Emirados Árabes Unidos foram atacadas as cidades de Abu Dahbi, Bahrein, Catar e Doha. 

Setor de Energia e Marítmo: 

Instalação de Petróleo da Aramco na Arábia Saudita foi alvejada. Em Omã, um navio petroleiro e um cargueiro foram atingidos por mísseis no Estreito de Ormuz.

OUTROS PAÍSES: No Azerbaijão foi atingido um terminal de aeroporto e no Iraque foram atingidos grupos de curdos (como o Komala) na fronteira ocidental.

Contexto da Escalada

O Irã declarou que estas ações são em legítima defesa e foram executadas após a morte do Líder Supremo, Ali Khamenei, e o bombardeio de infraestruturas críticas pela coalizão EUA-Israel (Operações Rugido do Leão e Fúria Épica). Embora o ritmo dos lançamentos de mísseis iranianos tenha diminuído devido à destruição de seus locais de lançamento, o uso de drones aumentou significativamente nos últimos dias.

Quando entro por bancos de dados de IA produzidos pela Al Jazeera e outras mídias ligadas ao Irã, as informações são diferentes. A que mais chocou o mundo foi uma que mostrou uma escola de meninas com muitos corpos alinhados em camas e embrulhados em mortalhas brancas. Eram corpos pequenos, de crianças ou adolescentes magras. Dias depois foi revelado que este massacre tinha sido realizado na África. Chocou que mídias cristãs condenem Israel por fatos que não têm nenhuma ligação com o Estado ou o Povo de Israel. Seriam resquícios de pensamentos e atitudes inculcados no inconsciente coletivo na época da inquisição? A resposta não temos, mas o que sim podemos fazer é deixar de reproduzir imagens falsas e combater de forma gentil e apropriada aos antixxemitas de plantão.

A VIDA no moderno Estado de Israel segue! E nada melhor para exemplificar com o nascimento de um bebê no Hospital Subterrâneo Sheba dedicado aos atendimentos de emergência nestes dias de bombardeio. Uma nova vida! Mais um israelense! Ao escutar o choro, de muitos leitos e de muitos corredores veio o grito Baruch ha Shem, em hebraico, árabe e muitos idiomas cristãos, "Bendito seja o NOME". A vida continua de geração em geração!


Não importam as circunstâncias, a Vida Segue.
Um bebê nasceu de cesareana na sala de operação subterrânea do Centro Médico Sheba


Encerrando, deixo o meu grande abraço, parabéns, solidariedade a todos os israelenses que estão bravamente enfrentando mais um descendente de Amaleque. E sonho com um desfecho como o proporcionado por Xerxes I.

Regina P. Markus, 5 de março de 2026. 



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Acontece: Alinhamento e celebração

Por Juliana Rehfeld

26/02/2026




Esta semana continua o tenso impasse político e militar entre EUA e Irã com um alerta geral em Israel para o que pode ser um forte ataque a seu território. O atual Irã, dos extremistas aiatolás desde 1979, de um governo duro e fanático que restringe os direitos da população e mantém sua fraca condição econômica a ponto de levar, mesmo apavorados, milhares de cidadãos às ruas… este Irã, inimigo ferrenho dos valores e Estados do Ocidente e com potencial de desenvolver devastadoras armas nucleares… este Irã nada tem a ver com o grande e poderoso império persa do século V A.E.C quando lá reinava Achashverosh (Xerxes?) e onde moravam judeus expulsos de Jerusalém no século anterior por Nabucodonosor. Naquele império persa em cuja capital, Susa, segundo  diz o Tanach em Ketuvim (Escritos), morava Esther com sua família, Mordechai, e também Haman… e onde se passou a história de Purim que comemoramos no início da próxima semana. 

Aquele império Persa era o maior do mundo até então, estendia-se da Índia até a Grécia, incluindo Mesopotâmia, Egito, Anatólia (hoje a parte asiática da Turquia) e o Levante (hoje Israel, Líbano, Jordânia, Síria e territórios).

Escavações arqueológicas mostram luxo impressionante, em um império multicultural, multilíngue e multirreligioso. Havia palácios monumentais, jardins reais, administração imperial, arquivos oficiais. 

Era um império próspero com agricultura irrigada, comércio internacional intenso, uso de moeda padronizada (dárico de ouro) e grandes obras públicas. A religião dominante da elite era o Zoroastrismo (associado a Zaratustra) que durou até meados do século VII D.E.C. quando entrou o islamismo. 

Mas o império era relativamente tolerante. Ciro o Grande, sucessor dos assírios e babilônios, fundador desta grande Pérsia, até teria permitido que os judeus retornassem a Jerusalém e reconstruíssem o Templo. Os judeus na Pérsia viviam como minoria étnica espalhada pelo império, mas com liberdade religiosa.

A corte real era marcada por protocolo rígido, banquetes luxuosos, um harém real e muitas conspirações políticas.

A meguilá (livro) de Ester descreve um banquete de 180 dias — isso combina com o estilo grandioso de Xerxes, conhecido por ostentação e poder imperial.

Fiz esse mergulho na história para pensar se houve evolução do passado até o presente, ou somos contemporâneos a tristes retrocessos… Este entre vários outros exemplos.

A celebração de Purim, como até uma comediante israelense informa enquanto pede a Trump para não atacar justo neste dia, é a única que traz apenas elementos lúdicos e alegria, “sem choro, rememoração, rezas e súplicas, ou longas refeições “. De fato é o dia em que, fantasiados, comemoramos a vitória da coragem de Esther que influenciou seu marido, o rei, contra o plano do ministro Haman de destruir a comunidade judaica que, na pessoa do primo Mordechai, se recusou a se curvar para o ministro e ainda desbaratou uma conspiração para matar Achashverosh.

É claro que celebramos isso de maneira leve e festiva mas sempre é bom falar sobre a importância de manter-se alerta para os sinais de risco de genocídio. Porque em tempos de crescentes e concomitantes antissemitismo e ignorância histórica às vezes basta acenderem um fósforo onde o retrocesso cultural impera para que a nossa paz seja interrompida e na maioria das vezes não poderemos contar com a esposa do rei…

No mais, esta semana traz um raro alinhamento de 6 planetas (Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), com destaque próximo a 28 de fevereiro. Vênus e Júpiter serão visíveis a olho nu, enquanto outros podem exigir binóculos ou telescópios. O melhor momento é logo após o pôr do sol, olhando para a direção do horizonte onde o sol se pôs.

A natureza nos dá um lindo e raro exemplo de alinhamento e harmonia como que para dizer aproveite, celebre e busque estes momentos. Celebremos, fantasiados, inebriados pelas maravilhas a nossa volta mas sem nos despir da percepção de que é necessário batalhar pela harmonia entre os humanos…

Shabat Shalom

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

VOCÊ SABIA? - Einstein Hospital Israelita

 

TRANSFORMAR O  MUNDO

MAIS PACÍFICO, MAIS JUSTO, MAIS ÉTICO

MAIS HUMANO...  E COM MUITO AMOR E BONDADE


Por Itanira Heineberg
24/02/2026



Você Sabia que nos últimos 70 anos (1955 – 2025), o Hospital Israelita Albert Einstein tem acolhido a população de São Paulo em um envolvente abraço carinhoso com objetivo de atender a saúde e bem estar de todos, oferecendo os melhores serviços médicos da atualidade, sempre atendendo a todas as camadas da sociedade?

E que este desafiante projeto cresceu, ramificou, teve sucesso, conquistou seus pacientes e em 2024 , esta cultura inovadora rendeu ao Hospital Einstein o cume do Prêmio Valor Inovação, destacando-o como a organização mais inovadora do país entre todos os setores?




O desejo e obstinação dos sonhadores de um grande e generoso hospital enfrentaram o descrédito e desconfiança de muitos que desaprovavam o empreendimento apostando na falta de coerência do mesmo pela escolha do local, distante da cidade, do outro lado do rio, e pelos altos custos de uma obra bastante grandiosa.

Mas ainda assim, os valentes idealizadores desta empreitada, já antes de sua inauguração, estavam observando e ajudando os moradores menos privilegiados do entorno, em especial as crianças em situação de vulnerabilidade social. Dr. Guido Faiwichow e suas voluntárias, chamadas por ele carinhosamente de “anjos de cor de rosa”, bancaram financeiramente a manutenção de serviços de farmácia, entrega de leite em pó, enxovais para bebês, pesagem e medição das crianças, consultas médicas e orientação para as mães, iniciando-se desta forma a criação da Pediatria Assistencial, que com seus serviços gratuitos, passou a ser procurada por moradores de outras partes da cidade e até de outros Estados. 




Vale a pena ler a revista Voluntariar, uma publicação do Voluntariado Einstein Hospital Israelita, onde as voluntárias pioneiras da entidade que se iniciou em 1955, “fizeram das tripas, coração”, vendendo tijolinhos não físicos, cotas simbólicas de papel, em todas as lojas e bancos do bairro do Bom Retiro para seus comerciantes, frequentadores e fregueses.

Juntas, nesses primeiros anos, elas levantaram recursos através de atividades criativas, tais como chás e jantares beneficentes, bazares, desfiles de moda, bingos, leilões de carros e de obras de arte e shows com artistas famosos como Elis Regina e Roberto Carlos.

As grandes idealizações não pararam por aí, tudo era motivo para angariar fundos, modernizar, descobrir, serem sustentáveis, incrementar... prognosticar o futuro.

O pioneirismo e a aposta em tecnologia sempre nortearam o Einstein. Desde o início, estiveram nas fronteiras do conhecimento e atualizados com as novidades. Foram  os primeiros a adquirir um aparelho de ressonância magnética no país — e o segundo também. Criaram a primeira UTI privada em um momento em que isso ainda era inédito. Sonhadores, idealizadores, visionários, fantasistas, devaneadores... Assim sempre serão lembrados seus criadores, aqueles que acreditaram num sonho maior, porém não impossível.

A leitura desta revista é altamente recomendável. Ali se encontra o amor do ser humano pelo seu semelhante. Poderia escrever mais sobre esta obra de caridade, abnegação e perseverança.

Mas me limitarei a quatro vídeos que mais me encantaram, optando por não entrar na vasta área de educação superior e pós graduação oferecida pela entidade:


Programa Einstein na Comunidade Paraisópolis



 Residencial Israelita Albert Einstein


 - Jornada do Voluntariado junto com Einstein nos hospitais públicos


 

- Depoimento de Telma Sobolh, voluntária há  40 anos e atual presidente do Voluntariado Einstein, idealizadora do Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis (PECP), responsável pela presença de unidades físicas totalmente dedicadas à região com a mesma excelência do hospital original.





Atenção às Famílias sendo uma constante nestas décadas dedicadas à missão de fazer justiça social, ou, aperfeiçoar o mundo.


 

“Tudo isso só foi possível graças a uma equipe dedicada e comprometida, composta por colaboradores, parceiros, prestadores de serviços e voluntários, que dedicam seu tempo para fazer a diferença e transformar vidas.”

 

FONTES:

https://voluntarios.einstein.br/revista-voluntariar-2025-2026/

https://voluntarios.einstein.br/paraisopolis/

https://ensino.einstein.br/pos-graduacao/especializacao/especializacao-a-distancia?O=OrderByScoreDESC&utm_source=bing&utm_medium=cpc&utm_campaign=apis3_prf_bing_pos-ead_aon_institucional_search&utm_term=pos-graduacao-albert-einstein-ead&utm_content=pos-ead-search-prf-institucional-geral

https://ensino.einstein.br/einstein-prepara