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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ACONTECE: Por que toca o Shofar?

 


Por Juliana Rehfeld

Enquanto escuto o som do Shofar em Elul e ouço governantes e repórteres “trombeteando” as notícias deste nosso mundo… nesta última semana as situações de guerras e políticas tiveram pioras significativas: apesar de Putin voltar a mencionar um possível acordo com a Ucrânia, os duros combates - e as mortes -, continuam; a guerra entre EUA e Irã voltou a escalar em torno de Ormuz, subindo os preços de petróleo a ponto da Europa prever riscos à sua energia; apesar de haver cessar-fogo entre Israel e Hezbolah surgiram novos pontos de tensão no sul do Líbano que o Irã já inseriu em suas ameaças militares; em Gaza o cessar-fogo continua extremamente frágil com ataques e mortes; apesar de Netanyahu se referir a “apenas pequeno grupo de arruaceiros” na Cisjordânia ainda há ocorrências de violência por colonos contra árabes palestinos…

“Quando fordes à guerra, em vossa terra, contra o inimigo que vos oprime, tocareis as trombetas…”

— BaMidbar (no deserto) ou Números 10:9, Deus ordena a Moisés que faça duas trombetas de prata (חֲצוֹצְרוֹת, ḥaṣoṣərōt). Elas tinham várias funções: convocar a comunidade; dar sinais para levantar acampamento; anunciar a presença de toda a comunidade diante da Tenda do Encontro e, explicitamente, dar o sinal de guerra.

Mas havia também uma dimensão religiosa, o toque não era simplesmente um “alarme militar”. O versículo continua dizendo que, ao tocar as trombetas durante a guerra, Israel seria lembrado perante Deus e seria salvo de seus inimigos.

Já o shofar - שׁוֹפָר — era, e é, um instrumento natural feito de chifre de animal, geralmente Cordeiro, ou outro animal Casher como ovelha ou antílope, mas não vaca, utilizado em contextos religiosos, de convocação e ele também em ações militares.

Jericó — os sacerdotes tocam shofarot enquanto o povo marcha ao redor da cidade (Josué 6).

Gideão — os 300 homens usam shofarot para produzir confusão no acampamento midianita (Juízes 7).

A associação de instrumentos de sopro e guerras é muito mais ampla do que a tradição judaica. Ao longo da história, trombetas, cornetas e instrumentos semelhantes tiveram uma função essencialmente prática no campo de batalha: transmitir ordens a distância, quando a voz humana não alcançava as tropas; na Antiguidade e para gregos e romanos vários instrumentos davam o sinal para reunir, avançar e atacar.

Na Idade Média, as trombetas eram sinais de guerra; Na Europa medieval, passaram a estar fortemente associadas à cavalaria e à autoridade militar. Antes de uma batalha, os toques podiam: reunir os combatentes; anunciar a chegada de um comandante; ordenar o avanço; coordenar movimentos; anunciar retirada ou cessação dos combates.

A trombeta tornou-se também um símbolo visual e sonoro do poder militar. Reis, nobres e comandantes eram frequentemente acompanhados por trombeteiros.

Entre os séculos XVI e XIX, as cornetas e trombetas tornaram-se particularmente importantes na cavalaria.

Nos séculos XVIII e XIX, isso ficou ainda mais sistematizado.

Exércitos europeus desenvolveram regulamentos de sinais por corneta ou trompete.

Um dos exemplos mais conhecidos é “The Last Post”, associado às forças britânicas e posteriormente às cerimônias militares de homenagem aos mortos.

Outro é “Reveille”, tradicionalmente usado para marcar o despertar ou início das atividades militares.

Com o passar da história a transformação histórica mais interessante foi da comunicação prática ao símbolo:

Originalmente: 🎺 “Faça isto!”  Depois: 🎺 “O exército está se mobilizando.”

E finalmente: 🎺 “Atenção: estamos diante de algo solene, militar ou decisivo.”

Já o Shofar, embora possa ter antigamente sido usado para conduzir rebanhos, não é possível afirmar que essa fosse uma função tradicional documentada do shofar… a associação bíblica entre pastor e rebanho não depende do shofar. A metáfora do pastor vem da própria atividade pastoril — conduzir, proteger e cuidar do rebanho — enquanto o shofar adquiriu suas próprias funções de sinalização, convocação e ritual. O toque do Shofar tem seus próprios sinais padrão, o significado religioso dos diferentes toques foi desenvolvido pela tradição rabínica, enquanto o uso do shofar como sinal de convocação, alarme e guerra aparece no texto bíblico.

Na tradição judaica, os três sons básicos são:

Tekiah (תקיעה) — um toque longo, contínuo:

    TAAAAA

Shevarim (שברים) — três toques quebrados, mais curtos:

    TAA–TAA–TAA

Teruah (תרועה) — uma sequência de toques muito rápidos e entrecortados:

    TATATATATATA

Há ainda combinações desses sons, especialmente nos toques de Rosh Hashaná, mas por que esses toques? 

A Torá diz:

“Será para vós um dia de toque [יוֹם תְּרוּעָה]”

— Números 29:1

E a sequência cria um contraste muito expressivo:

som contínuo → som quebrado → som entrecortado → som contínuo

Na interpretação religiosa posterior, isso pode ser ouvido como uma espécie de movimento:

inteireza → ruptura → lamento → restauração.

São os momentos pelos quais afinal passamos ciclicamente e, de maneira intensa, imersa, no período que começa em Rosh Há Shaná .

O clamor do Shofar ao longo de Elul é um lembrete, um convite para deixarmos de ouvir as trombetas das guerras e demais batalhas com as quais lidamos diariamente para mergulhar nesta revisão, análise crítica, arrependimento e replanejamento - e dela sair restaurado (a) e reintegrado para “estar à altura” e “merecer” o privilégio - “dádiva” divina? - de percorrer mais um ciclo em vida…

Até que mergulhemos nos Iamim Noraim na semana que vem e ainda estamos invadidos pelas notícias, há vida além de Netanyahu, Trump, Irã e Gaza! 

A NASA publicou esta semana seu guia de observação do céu para setembro. Vênus estará particularmente brilhante, e haverá uma série de encontros aparentes entre a Lua e outros astros durante o mês, para nossa busca e contemplação! 

Shabat Shalom



quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Do coma à causa!

 



Sabe?

A vida capota, né mesmo? A mãe do Forrest Gump falava que era uma caixa de chocolates... Eu adoro essa visão cheia de sabor! Tudo parece que sempre volta, mas diferente... Diferente... Mas volta... Ah... Volta!

E se ela for um caleidoscópio, cheio de cores, mas totalmente imprevisível? A gente nunca sabe o que vem pela frente! Chocolates, caleidoscópio, carrossel... Não sei... Parece tudo isso junto. Tudo junto e misturado!

Mas tem um detalhe que é mais importante! Ela também é ciranda: todo mundo, de mãos dadas, girando, cantando... Lá a gente mesmo canta... O que a gente quiser!

Mas... tem horas em que a vida parece que perde o alumbramento! Tudo parece tédio! Escuridão! Prisão! Uma masmorra modorrenta, soturna, mofada... Cadê o tempo? Tudo perde o sentido...

Quero te contar... Eu já tive lá. Fui aprisionado nas profundezas de um coma! E foi exatamente lá que eu comecei a escutar o que o barulho do dia a dia nos esconde. ESCUTAR! ENXERGAR!

Sabe um rio barrento? Um barranco todo enlameado? Chuva... Cinza... Esperança? Desesperança? Nesses momentos, eu ouvia... Sussurros. Um idioma novo! Carinhoso! Curativo! Era eu! Identidade! Existir... Resistir!

Beep! Beep! Beep!

Os sons ritmados e constantes dos monitores hospitalares tornaram-se o relógio da minha sobrevivência. Tatuaram-se em brasa na minha personalidade. Cicatrizes sonoras que ainda ecoam na minha mente.

UTI... Eu lutava numa encruzilhada definitiva. Ou soltar as amarras e me deixar levar pelo repouso e pela calma, ou continuar lutando.

CONTINUAR LUTANDO!

E não é que tudo começou a clarear? Bem aos poucos... Dia após dia... E os dias viraram semanas... E depois... Por una Cabeza, o entendimento veio!

Por uma Cabeza...

Eu sabia que podia... Mas escolhi! Escolhi o serviço. Escolhi a Humanidade. Porque a Vida é Trabalho. Vida é Serviço. Vida é Liberdade.

A vida tinha parado naquela quinta-feira de Carnaval. O desgoverno de um caminhão arremessou o nosso carro numa ribanceira. Asfalto que rasgou a minha juventude. Que levou dois dos meus melhores amigos... Um para o túmulo, o outro para a inconsciência...

Minha primeira lembrança? Dia 22 de abril — o aniversário do nosso Brasil. Dia do Descobrimento! Uma festa do povo! Do Brasil! Renasci, paralisado, reaprendendo a respirar, a comer, a viver! Reaprender a EXISTIR!

Por uma Cabeza...

Um tempão depois, ainda em frangalhos e meio que me arrastando, trupicando, centro caótico de São Paulo, eu era a presa perfeita. Na lógica do Datena, eu deveria ter sido engolido pela violência ou, na melhor das hipóteses, passado batido pela indiferença da multidão.

É aí que a vida parece mesmo uma caixa de chocolates! Um caleidoscópio, colorido e imprevisível!

Invés do abuso, da violência, da bandidagem, só achei a alma decente, honesta e trabalhadora do povo brasileiro. Todos os dias tinham mãos estendidas de pessoas anônimas que, mesmo lutando suas próprias batalhas diárias para sobreviver, pararam para me dar um ombro amigo! Nunca pediram absolutamente nada!

Só compartilharam a sua Humanidade. A nossa Humanidade!

HUMANIDADE!

E não é que o trauma é um professor? Severo e implacável. Sabe o que ele me ensinou? Uma lição surpreendente, mas completamente óbvia: toda superação é coletiva. Nesse mundo ninguém se salva sozinho!

Claro que o esforço individual é importantíssimo, fundamental, mas ele depende de tanta gente, de tanta coisa...

Foi essa caminhada que me fez... Eu parei de "ver" o mundo com os olhos e passei a "enxergar" com a alma.

ENXERGAR!

No fim, minha sobrevivência deu luz a uma dívida impagável de gratidão. Nada de uma dívida chata, dessas que a gente se sacrifica pra pagar. Pelo contrário! É um prazer enorme! Quando a gente fala "muito obrigado" tá reconhecendo uma obrigação de trabalhar, de construir, um mundo estruturalmente mais inclusivo, digno e justo!

Eu escolhi dizer "Muito obrigado" para o Povo brasileiro!

Para o Povo!

Para todos... Juntos...

Iachad!

 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ACONTECE: Elul, Mulheres e Novos Caminhos

por Regina P. Markus

Lua Laranja anunciando um mês de Elul Especial


A LUA CHEIA acontecerá no dia 28 de agosto de 2026, à 01h19. Este é o dia 15 de Elul. Sim, no calendário judaico a lua cheia chega sempre no dia 15, marcando o meio do mês civil. Assim, Rosh Rodesh e Rosh haShaná marcam o início de cada mês e o início do ano civil. O ano religioso começa no mês de Nissan (dia 15, Lua Cheia). É o primeiro dia de Pessach e marca a saída do Egito. Este ano ocorrerá uma Eclipse Lunar Parcial, visivel em todo território brasileiro. 

A Lua estará no Perigeu, o ponto mais próximo da Terra, e será iluminada pelo Sol diretamente à noite. No eclipse lunar parcial que ocorre na madrugada de 27 para 28 de agosto de 2026, a Terra vai cobrir mais de 93% a 96% da Lua. Como a cobertura é quase total, a parte sombreada ganhará um tom vermelho-acobreado ou alaranjado, criando um efeito de "quase Lua de Sangue" visível a olho nu em todo o Brasil.

Nesta semana especial, a Leitura da Torá também traz "insights" que foram sendo revelados por mestres, sábios e pessoas do povo ao longo de milênios. Será lida a Parashá Ki Tetse (כִּי־תֵצֵא) - "Quando você sair". A 49a parashá da Torá, e a sexta do livro de Devarim inicia com uma fala direta de HaShem a uma pessoa. Não há intermediários. E é nesta relação direta que são tratadas (1) Leis de Guerra, (2) Relações Familiares, (3) Justiça Social e Empatia, (4) Proteção aos Animais e Ecologia, (5) Combinação e Mistura, (6) Honestidade no Comércio e (7) Memória Histórica. Trata de colocar de forma organizada regras de conduta e obrigações em diferentes condições da vida. Junto às regras são apresentadas formas de avaliar e ajustar as condutas, quer através de conselhos quer através de punições. Algumas muito severas e outras aplicadas a diferentes grupos da sociedade da época. Ao longo de milênios, as interpretações mostram a importância de ter regras que possam ser iterpretadas e ajustadas. Vamos comentar principalmente as ligadas à mulher. O início do texto é direto:

21:10 "Quando saíres à guerra contra os teus inimigos, e o Eterno, teu Deus, os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares cativos",
21:11 "E vires entre os cativos uma mulher formosa, e te afeiçoares a ela, e a quiseres tomar por mulher",

E na continuação são ditadas regras e comentadas opções. A primeira abordagem exige que a esta mulher seja dado um período de luto quando ela raspará a cabeça e se vestirá com trajes vulgares e rasgados. Poderá ficar isolada em sua dor quando reingressar à sociedade estará numa fase de recuperação. 

Ao terminar vamos olhar o presente. Escutando o comentário de David Elmescany no Instagram dia 27 de agosto às 5h30 da manhã encontro um fato que sugere fortemente NOVOS CAMINHOS. @elmescany conta que o Irã ameaçou o mundo inteiro com o Estreito de Ormuz. No dia de ontem saíram 25 milhões de barris de petróleo que atravessaram o estreito em pequenos navios com rastreador desligado. Longe dali, os navios pequenos encostam em navio grande que recebe o petróleo do navio pequeno. Desta forma, sem tiro, sem manchete e sem discurso o petróleo de todos os países da região, a menos do Irã.

Lentamente, vemos que estamos entrando em uma nova era. A Lua Laranja apontando para a Mulher ontem, hoje e amanhã. O mês de Elul e o toque do Shofar confirmando que temos as portas da esperança abertas e vamos atravessar tendo feito um bom balanço. 

Shana Tová

Regina



Rashi (Rabino Schlomo Yitzhak) – 1040 a 1105, França e Alemanha

A Mulher Bonita na Guerra (Yfat Toar): A Torá permite que um soldado se case com uma cativa de guerra sob regras estritas. Rashi explica que a Torá abriu uma concessão apenas para aplacar a inclinação ao mal (yetzer hará) do soldado em combate.
Yehuda Halevi (século XII), aborda o tema em sua obra-prima clássica, o Kuzari.
O Equilíbrio contra o Ascetismo Extremo: Muitas leis de Ki Tetze lidam com prazeres físicos regulados (o soldado que deseja a cativa bonita, o homem com duas esposas, as leis de casamento e divórcio). 
Santificação, não Abnegação: Halevi usa a estrutura dessas leis para argumentar contra a filosofia ascética. No Kuzari, ele afirma que o judaísmo não exige que o homem anule seus desejos físicos ou viva em isolamento. A Torá, especialmente em Ki Tetze, molda e canaliza as paixões humanas (guerra, sexo, comércio, alimentação) inserindo-as em uma moldura de santidade. O servo de Deus serve ao Criador através do usufruto correto do mundo.


Rambam (Maimônides, 1138, Córdoba, Andaluzia –1204, Fustat, antigo Cairo,  Egito) 

Analisa a lei da "mulher formosa capturada na guerra" (Eshet Yefat Toar) sob duas perspectivas complementares: a racionalista/filosófica (em sua obra Guia dos Perplexos) e a jurídica/haláquica (no seu código de leis Mishnê Torá).
 
1. A Perspectiva Filosófica (O Guia dos Perplexos)
No Guia dos Perplexos (Parte 3, Capítulo 41), o Rambam explica que as restrições impostas pela Torá sobre a cativa servem como um mecanismo pedagógico para refrear as paixões brutas do ser humano em momentos de caos.
Concessão à Fraqueza Humana: O Rambam concorda com o princípio talmúdico de que "a Torá falou apenas contra a inclinação ao mal" (lo dibrá Torá ela negued ietser hará). Ele afirma que, no calor da guerra, o ímpeto e o desejo do soldado são quase incontroláveis. Se a Torá proibisse a mulher completamente, o soldado violaria a lei.
Educação pelo Desprazer: Ao obrigar a mulher a raspar a cabeça, deixar as unhas crescerem (ou cortá-las de forma a ficarem feias) e chorar por seus pais durante 30 dias na casa do soldado, a Torá sabota deliberadamente o desejo dele. O Rambam argumenta que essas ações removem a atração estética inicial, forçando o homem a vê-la em seu estado mais vulnerável e triste, o que geralmente faz com que ele desista do casamento por pura perda de interesse físico. 
2. A Perspectiva Jurídica (Mishnê Torá)
No Mishnê Torá (nas Leis de Reis e Suas Guerras, Capítulo 8), o Rambam codifica detalhadamente os limites legais dessa mitsvá, trazendo duas decisões de extremo impacto ético:
Apenas uma Relação sob Concessão: O Rambam decreta que o soldado só tem permissão de ter uma única relação inicial com a mulher enquanto ela ainda é gentia, movido puramente pelo ápice de seu impulso no campo de batalha. Depois dessa primeira vez, ela se torna proibida para ele até que todo o processo de um mês de resguardo e conversão seja concluído. [2, 3] 
A Proibição do Abuso Contínuo: Ele enfatiza rigorosamente que o soldado não pode tomá-la como escrava sexual ou abusar dela repetidamente. Se, após o período de teste, o soldado não quiser se casar legalmente com ela, ou se ela se recusar terminantemente a abandonar a idolatria após 12 meses de paciência, ele é obrigado a libertá-la totalmente. Ela sai livre e o homem não pode vendê-la, funcionando como uma proteção legal à dignidade da mulher. 

Ramban (Nachmânides, Rabino Moshe ben Nachman) – 1194 - Catalunha e 1270 (Terra de Israel, Acre ou Jerusalém)

Além de concordar que o processo serve para esfriar o desejo físico do soldado, o Ramban destaca a dignidade da mulher. Ela deve ter tempo para chorar a perda de sua antiga vida e de seus pais pagãos. Esse período de isolamento e pranto permite que ela separe o passado e o futuro através de um período de luto em que o dia a dia delineia fronteiras. Mente e alma são preparadas para entrar de forma digna e voluntária na Casa de Israel.


Ben Ish Chai (Rabino Yosef Chaim de Bagdá, Iraque) -século XIX (1835-1909)

Foca seus comentários no refinamento ético e nos paralelos místicos baseados nos ensinamentos do Arizal (Cabalá de Safed do Rav Isaac Luria). A guerra é descrita como o combate contra o mal (Yetzer Hará) e não um combate físico. Neste caso a “Mulher Formosa” (Eshet Yefat Toar) é uma centelha de santidade (Nitsotsót Kedushá). 

E muitos outros poderiam ser aqui colocados.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Parque de animais no deserto reinventa o conceito de zoológico

 

O Midbarium de Beersheva é um parque único onde animais resgatados circulam livremente, enquanto as crianças interagem com eles através de jogos interativos.

 

Simulação de crianças em uma parede de escalada ao lado do habitat do íbex. Foto cortesia da Midbarium.

“Isto não é um zoológico!”, disse Moran Levy, coordenador digital do Midbarium Desert Animal Park , ao ISRAEL21c no início da nossa visita. 

Essa mensagem é transmitida diversas vezes durante nossa jornada pelo parque em Beersheva, a 40 quilômetros (25 milhas) de Gaza. 

Redefinindo os zoológicos

O Midbarium não é um zoológico convencional, mas sim um parque de animais interativo e único. 

A maioria dos 100 animais que vivem em Midbarium são animais resgatados que não podem ser devolvidos à natureza, trazidos para o parque de outros abrigos para animais em Israel, bem como de outras partes do mundo. 

“Temos uma clínica aqui que trata animais, como uma estação de trânsito. Se necessário, transferimos os animais para tratamento adicional ou os mantemos aqui. Se for possível soltá-los na natureza, também o fazemos”, explica Levy. 

Há, por exemplo, pelicanos com asas irreparavelmente danificadas, um hipopótamo que foi intimidado por outros hipopótamos e leões brancos que não teriam chance de sobreviver na natureza. A maioria das espécies do Midbarium são adaptadas ao deserto ( midbar significa "deserto" em hebraico). 


O recinto dos leões brancos em Midbarium. Foto de Natalie Selvin.


Cada espécie vive em um habitat semelhante ao seu habitat natural. Os quatro principais habitats do parque — Canyon, Arava (planícies gramadas), Oasis e Savanna — estão interligados por trilhas. 

Cada recinto é enorme, com poucos animais, o que lhes permite circular livremente e sem restrições de espaço físico. "Os animais têm vastas áreas abertas só para eles", diz Levy. 

O parque também é ecológico e atrai animais selvagens de fora de Midbarium, como patos e gansos. "Eles podem ir para onde quiserem, mas escolhem vir para cá; aqui encontram água e comida", diz ela, referindo-se ao grande lago no meio do parque. 

 

Interativo

O parque conta com 15 “experiências” interativas, concebidas principalmente para crianças, que as ensinam a “se colocar no lugar” dos animais. 

A tecnologia de captura de movimento permite caçar como um crocodilo, imitar o padrão de corrida de uma zebra ou voar — em uma rede ventilada — como uma águia, o que posso garantir que é muito legal, pois já experimentei pessoalmente.  

 

Uma instalação interativa no Midbarium que permite caçar como um crocodilo. 


“Há uma forte ênfase na acessibilidade, para que pessoas com necessidades especiais também possam desfrutar dessas [instalações interativas]”, observa Levy. 

O recinto das girafas possui um elevador que leva você até a altura aproximada do topo da cabeça do animal. Enquanto você sobe, uma voz automatizada, transmitida pelo alto-falante dentro do elevador, informa, sem parar, fatos sobre girafas. 

Só o recinto dos babuínos já fará você sentir que valeu a pena o investimento. O jogo interativo não só envolve literalmente fazer caretas de macaco para imitar o medo, a felicidade ou a raiva de um babuíno, como os próprios animais são fascinantes.


Entrada para a instalação interativa do recinto dos babuínos. 

“Aqui existe um governante do sexo masculino, e é basicamente ele quem decide tudo; quem acasala com as fêmeas, cria os filhos e decide o que e quando o resto do 'harém' come”, diz Michal, um guia do parque. 

Michal acrescenta que há outro babuíno macho no bando que eventualmente se cansará do líder e o desafiará. Esses incidentes às vezes levam a lutas mortais.

Ah, e também há uma área onde você pode acariciar cabras domésticas.


Um recinto onde os visitantes podem interagir com cabras domésticas no Midbarium. 


Começo difícil

O parque de animais de 37 acres substituiu o antigo Zoológico do Negev, que fechou em outubro de 2022. 

A inauguração oficial do Midbarium estava prevista para novembro de 2023, mas os ataques de 7 de outubro e a guerra subsequente frustraram esses planos. 

O parque, que custou 60 milhões de dólares, permaneceu fechado por quase um ano, enquanto a equipe, gravemente reduzida em termos de pessoal, cuidava e alimentava os animais sob a ameaça constante de disparos de foguetes e sirenes de ataque aéreo. 

 

“Isso também teve um grande impacto na importação de animais [do exterior], porque não havia voos, nem navios, nada; estávamos no meio de uma verdadeira crise”, diz Levy.

Ela acrescenta que, embora o parque tenha permanecido aberto consistentemente nos últimos meses, existe sempre o receio de que a guerra recomece com a mesma intensidade de antes.

“Não sabemos o que acontecerá amanhã”, observa Levy. 

 

Artigo traduzido do original publicado No Israel21C. Confira aqui.

VOCÊ SABIA? - O renascimento da praia de Zikim

 

Por Itanira Heineberg


Praia de Zikim, Israel


Você Sabia que Israel reabriu a linda praia por onde milicianos terroristas do Hamas entraram com intenções destruidoras no país em 7 de outubro de 2023 e a arrasaram?

 

🚩Praia de Zikim, em Israel - 7.10.2023


Madrugada de sábado e feriado, um dos lugares mais calmos e tranquilos que existem.

Um local onde as famílias se reuniam para um churrasco e curtiam momentos compartilhados na Praia.

Naquele dia os terroristas do Hamas desembarcam e simplesmente massacram 40 pessoas no seu caminho.


A batalha na praia de Zikim, em 7 de outubro, envolveu o primeiro uso em combate do veículo blindado de combate Eitan.

 

Zikim foi um dos principais locais do massacre do Hamas no dia 7 de outubro.

Lá, adolescentes de 15 e 16 anos que estavam acampando, além de pescadores, foram surpreendidos e assassinados pelos terroristas do Hamas.

Assistamos a um vídeo por André Lajst onde ele conta como foi o ataque e mostra os lugares onde as pessoas tentaram se proteger e morreram fuziladas pelos assassinos do Hamas.

Clique aqui 

Agora, passados longos meses de espera, banhistas retornam às praias ao norte de Gaza com sentimentos de alívio e perda após os assassinatos ocorridos há mais de dois anos.

Agora pode-se ver um mundo diferente, nas areias limpas e macias da praia de Zikim ou em suas águas azul-celeste e turquesa, onde pessoas caminham com o sentimento de vitória.

Olhando para além da alta cerca de ferro que marca o fim da praia, os contornos do que restou do resort Beit Lahia, em Gaza, são claramente visíveis a menos de 3 quilômetros ao sul, ao longo da costa – assim como os vigilantes destroieres israelenses no mar.

Em 7 de outubro de 2023, homens armados do Hamas usaram lanchas rápidas para desembarcar em Zikim com o objetivo de capturar a base de treinamento militar próxima.


Na violência que se seguiu, 17 civis foram mortos na praia, incluindo pescadores, adolescentes em um acampamento e um grupo que havia realizado uma festa no local na noite anterior. 

A praia, com seus chuveiros, abrigos e torre de salva-vidas destruídos pelo fogo, foi interditada ao público pelos militares israelenses.

Os trabalhos de reconstrução das instalações começaram em 2025 nesta praia ao sul de Israel, próxima à fronteira, ao norte da faixa de Gaza, e a mesma foi totalmente reaberta ao público após passar por uma ampla reconstrução de cerca de 20 milhões de shekels (aproximadamente US$ 5,5 a 6 milhões), aplicados em novas instalações, áreas de descanso e gramados.

A reabertura, outubro de 2025,  foi aprovada pelo Comando Sul das Forças de Defesa de Israel (FDI) após avaliações de segurança, mantendo postos militares e forte presença de tropas na região para garantir a segurança dos visitantes.

O local mescla o clima de renovação e retorno à normalidade com a forte lembrança histórica do trauma vivido no local.

A partir da reabertura do sítio ao público, imagens e fotos das principais agências de notícias mostram banhistas aproveitando a faixa de areia renovada, guarda-sóis brancos, grama sintética e a presença de torres de vigilância militar e patrulhas nas proximidades.



Na praia de Zikim, ainda resta um abrigo antibombas daquela época, onde foi erguido um pequeno santuário em homenagem a Yulia Chaban, de 24 anos, que morreu ali com seu namorado, Abed Ziyadne, de 26 anos.

Mais um vídeo desta vez mostrando a reabertura oficial da praia de Zikim ao sul de Ashkelon, uma feliz e esperada inauguração com famílias, soldados, e muita segurança com postos militares operando desde as 7 da manhã até às 6 da tarde.

Veremos a diferença do pós o massacre e das belas cenas atuais. Uma zona vulnerável com sinais de vitória apesar do ataque mortal no dia 7 de outubro de 2023. Clique aqui para assistir.

16 de outubro de 2025


Velas e flores em homenagem às vítimas mortas nos ataques do Hamas de 7 de outubro são exibidas dentro de um abrigo antibombas na praia do kibutz de Zikim, no sul de Israel, a praia israelense mais próxima da Faixa de Gaza.

Praia de Zikim e a fronteira com a Faixa de Gaza. Ao longe, podem ser vistos os altos edifícios da Cidade de Gaza.


Mais uma vez Israel mostra sua força de lutar por sua existência, reconstruindo suas perdas e olhando para o futuro com decisão e esperança de manter seu país uma das maiores democracias do planeta.


FONTES:

https://exame.com/mundo/israel-ira-reabrir-praia-por-onde-hamas-entrou-7-de-outubro/

https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:119285_zikim_beach_PikiWiki_Israel.jpg

https://www.710360.kan.org.il/en/zikim-beach/migunit-z

https://www.theguardian.com/world/2025/oct/16/i-can-breathe-again-israel-zikim-beach-open-for-first-time-since-7-october-attack

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/10/11/antes-e-depois-de-assassinatos-em-base-de-israel-vitimas-gravam-video-se-escondendo-de-tiros-depois-aparecem-mortas-em-imagens-do-hamas.ghtml

https://www.jpost.com/israel-hamas-war/article-798929

https://www.timesofisrael.com/as-zikim-reopens-for-first-time-since-massacre-beach-vibes-cant-keep-traumas-at-bay/

 


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Acontece: “Mea culpa”, meia culpa

 

Por Juliana Rehfeld




Começamos a nos preparar para "a virada do ano", a passagem para o ano de 5787. Escutamos o toque de shofar aqui e ali, definimos quem convidar ou que convite aceitamos para o jantar de entrada nos chamados "iamim noraim, dias terríveis", decidimos com que parte da família estaremos, já que as grandes famílias se dividem, e começamos a pedir desculpas, aos amigos e parentes, pelo que "pisamos na bola" no ano que passou. 

E, como todo ano, pisamos mesmo na bola. Produzimos menos do que nos propusemos, completamos menos projetos do que tínhamos planejado, adiamos aquele curso no qual pretendíamos nos inscrever, visitamos menos a família, nem fizemos a desejada viagem, aquela que sonhamos… "não deu"; não deu tempo ou não deu vontade, deu preguiça, faltou dinheiro, as prioridades foram outras… as justificativas estão sempre prontas para nos consolar, reduzir o peso de termos falhado. Elas, as justificativas, pulam da nossa boca, ou invadem nosso pensamento, prestativas e corajosas, e nos envolvem como se fossem inocentes e verdadeiras, não como fruto da nossa imaginação que tiramos do bolso quando confrontados com os resultados aquém do esperado, do prometido.

Mas ocorre muitas vezes que a exigência e as expectativas que nós mesmos nos colocamos eram demasiadas e possivelmente inalcançáveis, causadas por um desejo, uma pretensão de dar um ou mais passos maiores que as pernas, menos planejamento e mais impulso… e aí a culpa é até maior! "Como fui me meter nisso? Mergulhar de cabeça sem bóia? Avaliar tão mal as probabilidades?"

De qualquer lado que olhamos, a condenação é inexorável… Ah, a culpa judaica! Não é um conceito religioso mas é uma carga cultural atávica, isto é, que herdamos e que nos acompanha de geração em geração, nossa "yiddishe mama, introjetada", quase impossível de satisfazer…

A responsabilidade comum, coletiva, a necessidade de fazer "tikkun olam", repararmos sozinhos o mundo inteiro… não é à toa que muitos de nós, muitas vezes, "vestimos a carapuça", incorporamos culpas que nos são atribuídas por quem sistemática, e obstinadamente, nos persegue… como judeus somos mesmo culpados por tantos males que acontecem no mundo? Como sionistas, então, que defendem o direito de Israel existir e se defender, somos mesmo responsáveis por tudo de que nos acusam?

Anexamos um vídeo que justamente pergunta se sofremos de "Israel Derangement Syndrome", síndrome de distúrbio por causa de Israel… expressão politica emprestada dos conceitos da saúde mental… Israel tem sido acusado de praticamente produzir todos os males do mundo… uma insanidade, uma pandemia que precisa, diz o vídeo, ser tratada com doses significativas de um remédio chamado Realidade, que certamente traz efeitos colaterais a quem "é alérgico a fatos"!, com o que eu concordo. Aliás, é acreditar nessa terapia que nos move a editar esse veículo EshTaNaMidia.  

Há muito que criticar nas ações do governo de Israel hoje, mesmo nas recentes ações absurdas de cidadãos conhecidos como colonos em relação a concidadãos árabes palestinos, que foram notícia na última semana, e que me encheram de vergonha! Eles estão sendo investigados e julgados, espero que sejam exemplarmente punidos, mas a taxa de solução justa nestes casos vem diminuindo… isto não é satisfatório.

O fato é que vêm acontecendo ações indefensáveis que têm que ser impedidos de se repetir. Mas vêm sendo verbalizadas acusações absurdas sobre judeus, sionistas e Israel, o "Estado imaginário de Israel", que configuram um distúrbio da sociedade, da imprensa formadora de opinões incautas… o equilíbrio tem que ser perseguido, e informação, sem deformação, é remédio fundamental no tratamento do antissemitismo e anti sionismo oportunistas. 

Mas como é mesmo que vou lidar com a minha culpa este ano? 

É nisso que começo a pensar ao toque diário do shofar, neste mês de Elul. 

Shabat Shalom

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Melado...

 



Eu ainda me lembro... Acho... Memórias... Saudades e Sonhos...

Tem gosto, sabor! E ele muda! Curte. Ganha corpo. É queijo minas, aquele bem fresco, delicado, insosso. Com o tempo amarela! Ganha cor, sabor! Firma o perfume, escurece a casca, ganha força e beleza!

É o tempo... Quanto mais caminha, mais a saudade apura. Mais melada...

Tempo... O ingrediente de Ouro! D´Ouro!

Já viu os jardins de Monet? A gente sabe da boniteza, mas não entende a razão... A gente sempre para na frente. Embasbaca. Olha. E de novo. Passo pra trás. Passo pra frente. E aquela forma vai mudando, vai brilhando, vai vivendo! É uma outra imagem... Mais deliciosa. Mais verdadeira.

Pensa na memória... Ela é assim. Desse jeitinho! Quanto mais a gente caminha no tempo, mais a saudade vai curando... Perfume de mel, de queijo e melado!

É aí que ela ganha... Fica mais nítida, mais precisa... Não nos fatos, mas no sentir.

Fecho os olhos... É minha avó! Cadeira de balanço... Como eu gostava de brincar! E ela lia. Lia para mim. A coleção do Mico Maneco. Eu adorava aquelas historinhas. Ele adorava melado. Melado no pão. Melado no queijo. Melado no queixo. Queijo e melado.

Eu não sabia... Eu só ouvia... Depois, comecei a escutar! É o tempo que abre o coração. O queijo minas ganha perfume com o tempo... Aquelas brincadeirinhas viraram valores! Princípios! Humanidade!

Virei gente ali... Ouvindo histórias de mico, melado e queijo! Melado escorrendo pelo queixo... Pinga valor! Era a minha avó! No tom de quem vive. De geração em geração. Da minha avó para mim. Dos ancestrais dela para ela. Uma corrente invisível, perfumada, colorida. Semente!

De semente para gente... De palavra para valor... A gente planta e confia.

Tinha uma lenda. Será que inventei? Sonhei? Vó? Foi você que eu escutei? Ela é minha agora. Então ela é nossa! É de quem quiser, de quem vier...

Era uma menininha. Lembra do jardim de Monet? Ela não tava lá... Ela andava perdida. Era um deserto. Chorava... Guerra. Miséria. Fome. Desesperança. Mundo cinza, fedorento, sujo...

E ela? Pequena. Insignificantemente pequena. Não era ninguém. Nada. O que ela podia fazer?

Ela plantava flores. Pintava o caminho. Escrevia poesia...

Colorir o caminho... Diminuir os efeitos nefastos de tudo. Não resolver a guerra... Plantar. Pintar. Perfumar. A moça plantava poesia... Era só o que podia, mas tudo o que precisava fazer.

E do deserto nasceram flores, nasceram cores! É o tempo... O mesmo do queijo, do queixo, da palavra e do valor! É o tempo que perfuma o bolor... Que faz da dor, o crescimento! A pérola nasce da ostra dolorida! O grão de areia irrita. A dor pressiona. Com o tempo, nasce a pérola.

A pérola da convivência. Do encontro. Do queijo que cura...

A pérola nasce do atrito. Do conflito. Do outro que chega. Do outro que incomoda... Que gera beleza. Era isso! A moça não tava só enfeitando o caminho... Ela tava convidando!

Cor, perfume, beleza... Convite... Desde quando flor cresce sozinha? Precisa de sol, de chuva, de insetos, de mãos. De encontros! De convivência!

É assim, desse jeitinho, sentindo isso, que a gente tenta entender o Altíssimo. Não é cabeça. Não é cálculo. É coração. É enxergar. Perceber com a alma e com o coração. Aquela Luz que não se vê, mas que se enxerga. Aquela Voz que não se ouve, mas que se escuta. A moça que plantava cores não sabia de teologia. Seu coração já era o caminho...

E a lenda termina com ela grávida! A menininha que plantava cores, perfumes e flores... Um dia estava grávida! Uma vida!

Ela esperava! Beleza! Esperança! Pérola!

Esperança! Não é só o esperar do ventre. É o esperar daquele que plantou, regou, confiou — e agora vê a semente virar flor, a flor virar fruto, o fruto virar vida.

O tempo curou as saudades e a dor e transformou tudo em pérola.

E, de repente, estou de volta com minha avó. Melado. Queijo. Queixo. Mico Maneco. No fim, tudo é plantio. Sem que ninguém desconfiasse... De geração em geração. Até aqui. Até além.

As memórias, as saudades e os sonhos são a mesma pintura. O mesmo jardim de Monet. Elas são o queijo minas que curou e perfumou. Queijo e melado. Dor e pérola. Memória e esperança.

Tudo isso sou eu. Tudo isso somos nós.

Até aqui... E além!


André Naves. Vice-Presidente do Chaverim (www.chaverim.org.br). Autor de “Caminho – a Beleza é Enxergar” e “Beethoven Enxergou o Luar”. www.andrenaves.com - @andrenaves.def