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quinta-feira, 9 de julho de 2026

ACONTECE: A semana - eleições, Copa e percepções

 

Por Juliana Rehfeld



A semana de Israel foi marcada por três tendências centrais: a Campanha eleitoral cada vez mais intensa, mas sem um favorito claro para formar a próxima coalizão; a continuação da guerra em Gaza e da pressão militar contra o Hezbollah, porém com menor intensidade no norte e a sociedade focada nos reféns; na investigação do 7 de outubro e no debate sobre o serviço militar dos haredim, temas que provavelmente definirão a eleição.  Inevitavelmente, mais do mesmo.

Fora de Israel, também mais do mesmo, a semana foi marcada por debates sobre antissemitismo, segurança das comunidades judaicas e divisões políticas, especialmente na América do Norte e na Europa.

Nos Estados Unidos ocorreu a divulgação de uma pesquisa nacional mostrando um sentimento crescente de isolamento político entre os judeus americanos. Os principais resultados incluem:

* 63% consideram o antissemitismo um problema sério nos EUA;

* A maioria afirma não se sentir adequadamente representada por nenhum dos dois grandes partidos;

* O apoio a Israel continua importante para muitos judeus americanos, mas há diferenças marcantes entre religiosos e seculares e entre diferentes gerações.

Também chamou atenção a preparação de manifestações em Nova York contra a visita do ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.

Na Austrália, a enviada especial do governo para o combate ao antissemitismo voltou a defender maior fiscalização da cobertura jornalística sobre Israel nas emissoras públicas, reacendendo, é claro, o debate sobre liberdade de imprensa e discurso de ódio. 

Saio da semana porque quero relembrar a abrangente pesquisa feita exatamente um ano atrás, em julho de 2025, pelo IBI - Instituto Brasil Israel - sobre a percepção dos brasileiros sobre judeus, judaísmo e Israel, que mostrou que o conhecimento médio dos brasileiros sobre judaísmo e Oriente Médio é limitado. O levantamento apontou cinco conclusões centrais:

1. A maioria dos brasileiros não possui conhecimento aprofundado sobre judaísmo ou sobre o conflito israelense-palestino;

2. Muitos não diferenciam judeus, Israel, sionismo e governo israelense;

3. A opinião pública é mais moderada do que o debate nas redes sociais faz parecer;

4. É possível, para uma parcela significativa dos entrevistados, reconhecer o direito de Israel à autodefesa e, ao mesmo tempo, criticar aspectos de sua atuação militar;

5. A qualidade da informação disponível ao público é um fator importante para a formação dessas percepções.

Deixo aqui o acesso a esta pesquisa, na página oficial do seu lançamento (Instituto Brasil-Israel), que reúne a descrição do estudo e os links para download: Instituto Brasil-Israel – Pesquisa "Percepções e narrativas da população brasileira sobre os judeus, o Estado de Israel e o conflito entre Israel e Hamas".

E voltando à semana, falando do principal evento global que continuou esta semana, a Copa do Mundo de Futebol, demos a informação de que o único jogador judeu a participar da seleção dos Estados Unidos foi Matt Turner, goleiro americano. Descobrimos também, nos últimos dias, o jogador Gilson Benchimol - de Cabo Verde, cujo sobrenome indica provável descendência de judeus marroquinos que se estabeleceram em Cabo Verde no século XIX . Mas ele, que joga no FC Akron Tolyatti (ou Akron Togliatti), clube da Premier League Russa, a primeira divisão do futebol da Rússia, não forneceu nenhuma evidência de sua identificação com o judaísmo.

Por fim quero comentar o que só vi esta semana, a positiva reação da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, às manifestações pró-Palestina com que foi recebida - ou quase barrada - a delegação israelense que veio ajudar no resgate de vítimas do terremoto. Ela reforçou que numa hora de tragédia e emergência, é mais importante a humanidade do que qualquer posição política. Postamos aqui um vídeo sobre isso, e torço para que esta opinião seja cada vez mais frequente.

Shabat Shalom

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Imagina na Copa!

 

Imagina na Copa!

Tô aqui de volta! Que honra. Escrever para o Iachad é a minha alegria. Sabe um drible? Um gol? É minha obra. Ouço bem, tintim por tintim, tudo o que é falado nos nossos encontros. Estudo bastante. Reflito mais ainda. Quando vejo, zaz! Ela tá lá: minha crônica, minhas palavras... Meus pensamentos no “papel”! Sou feliz com isso... Contente!

Mas hoje... Honestidade, mesmo? Tá difícil escrever... Meus pensamentos só voltam pro mesmo lugar. É um beco sem saída. Estou preso num deserto sem bússola... Quando me dou por mim, voltei pro mesmo lugar. Perambulando em círculos... Círculos... Perdido... Deserto... Noruega, 2 a 1. A gente não perdeu. Perder é normal. Todo mundo perde! Tenho uma teoria, até: no fundo, no fundo mesmo, todo mundo gosta de perder às vezes... A vitória é mais doce quando temperada pela derrota...

Mas ontem, não! Não foi apenas uma derrota. Foi uma derrota sem dignidade. A gente desistiu de ganhar! A gente perdeu de WO mesmo estando em campo... Sem dignidade... Estrutura interior! Aquele brio que faz a gente ficar de pé mesmo depois de cada tropicão! O Brasil não caiu lutando. Caiu sem raça, sem luta!

Mas, foi o time que perdeu... Será que a gente, enquanto sociedade, comunidade, coletividade, não pode aprender nada? Só cai sem dignidade, quem não tem disciplina, quem não se esforça, quem constrói “nas coxas”... A disciplina, na medida em que gera o trabalho, é essencial ao progresso. Ela que nos livra dos vícios, das paixões...

Não tem atalho, nem conversa... Não tem choro nem vela! Não tem dom que resista à falta de treino. Nenhum talento sobrevive na preguiça. A disciplina é o que determina a Liberdade de cada um de nós — liberdade pra gente avançar, progredir, vencer e perder com dignidade.

A verdade é que perder com dignidade é uma forma de vitória. É a vitória de quem continua com Esperança quando tudo vira desesperança. É a vitória de quem olha nos olhos do adversário e sabe que, apesar de derrotado, ainda continua de pé! O Brasil de ontem não conseguiu nem isso. Perdeu em todos os sentidos... É nessas horas que eu olho pra Cabo Verde. Eles sim, perderam dignamente. Lutando! De pé! Altivos!

A vida precisa de Dignidade! De Sal! Mas, cuidado! Sal demais deixa tudo intragável! Sal demais é soberba, é presunção, é achar que o mundo deve algo pra gente! Esse exagero estraga tudo. A humildade não. Ela é o sal na medida! Quem aprende a vencer com os pés no chão, quando chega a hora, cai de pé. Quem vive de joelhos, quando tropeça, não levanta mais!

Um verdadeiro líder se preocupa com gerações. Não com o próximo jogo, não com a próxima eleição, não com o próximo contrato. Com gerações! O Brasil acumula derrotas... Humilhações... Isso não é azar, não é coincidência, não é injustiça divina. É falta de projeto. É falta de quem olhe para além do próprio umbigo.

Um líder sabe que um plano pode ser aquele plantio enfadonho e impopular, mas que traz uma colheita de glórias, vitórias e louros. Em outras palavras: a recompensa de fazer o que deve ser feito é o fato de que você fez o que devia ser feito. Não tem troféu nem aplauso! O ato justo já é, em si mesmo, sua própria recompensa. É por isso que aqueles que só fazem quando estão no palco falham quando as luzes se apagam.

O Brasil de ontem parecia um time que jogava pra câmera, não pra camisa. O Brasil queria fazer “stories”... Passou longe de fazer história! Cadê o trabalho duro, o treino sem testemunhas, a disciplina? Faça o seu melhor! Faça! Não vai ter aplauso. Não vai ter holofote. Ninguém tá olhando. Faça! Faça porque deve ser feito. Faça porque a obra é a oração do homem que trabalha. Faça porque amar a D'us não é da boca pra fora! É verbo conjugado com mãos, com pés, com suor.

Eu podia terminar aqui com algum lugar comum... Dizendo que o Brasil vai se levantar, que a esperança é a última que morre, que amanhã vai ser outro dia... Mas, não! Já passou a época da ingenuidade. A vitória só virá quando entendermos que Disciplina não é prisão — é Liberdade. A vida, como dizem, é para quem levanta...

E levanta trabalhando!

André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador Cultural e autor dos livros "Caminho: A beleza é enxergar" e "Beethoven enxergou o Luar". Presidente do “Chaverim” www.chaverim.org.br

 www.andrenaves.com @andrenaves.def


quarta-feira, 1 de julho de 2026

VOCÊ SABIA? - DO HOLOCAUSTO NA LITUÂNIA PARA AS GOLEIRAS DO FUTEBOL

 

Por Itanira Heineberg


Você Sabia que o goleiro americano  Matt Turner é o único jogador judeu da seleção dos EUA na Copa do Mundo de 2026?

Este guarda-redes nascido em 24 de junho de 1994, no ano da primeira Copa da FIFA no país,  não é apenas o único judeu na seleção dos EUA, mas pode muito bem ser o único jogador judeu em todo o torneio.

Turner, natural de Nova Jersey, descobriu sua herança judaica ao encontrar os documentos de emigração de sua bisavó paterna e parte da família que os ajudou a fugir da Lituânia durante o Holocausto. A revelação permitiu que ele obtivesse um passaporte lituano, o que facilitou a busca por oportunidades no futebol europeu, e também aumentou a sua identidade judaica.

Matt e seu pai obtiveram passaportes europeus em 2020; a bisavó paterna de Turner fugiu da perseguição religiosa durante a Segunda Guerra Mundial e, com outros  judeus, emigrou da Lituânia.

 A família de seu pai é judia e anglicizou seu sobrenome de "Turnovski" para "Turner" em Ellis Island quando imigrou, enquanto a família de sua mãe é católica.


Lituânia, 1939, antes da Segunda Guerra 





Escola Hebraica de Eyshishok

Foto de estudantes e professores marcando a inauguração oficial da escola hebraica de Eyshishok, na Lituânia. Em setembro de 1941, o Einsatzkommando 3, juntamente com forças colaboradoras lituanas, realizou o massacre dos judeus de Eyshishok, assassinando a maioria dos moradores daquela cidade.



Atualmente o mundo parece esquecer o Holocausto, os horrores do 7 de Outubro de 2023, o ódio infundável aos judeus, o antissemitismo grassante no mundo atual.

A História se perpetua além do passado, Inquisição na Península Ibérica, pogroms no Leste Europeu, atentados nas ruas de Paris e em sinagogas americanas.

E aqui está Matt Turner, um jogador judeu, herói de seu time, defendendo seu país  nesta Copa de Futebol de 2026.

Até quando os crimes contra os judeus se perpetrarão e quando poderemos viver despreocupados, esquecendo quando acontecerá o novo ataque, onde, e quantos de nossos irmãos serão mortos?

O Holocausto na Lituânia resultou na destruição quase total de judeus lituanos e poloneses, que viviam em Generalbezirk Litauen do Reichskommissariat Ostland dentro da RSS da Lituânia controlada pelos nazistas.

Dos aproximadamente 210 mil judeus, estima-se que 195 mil tenham sido assassinados antes do final da Segunda Guerra Mundial, a maioria deles entre junho e dezembro de 1941.

Mais de 95% da população judaica da Lituânia foi massacrada durante os três anos de ocupação alemã – uma destruição mais completa que a de qualquer outro país afetado pelo Holocausto.

Os historiadores atribuem isto à colaboração massiva no genocídio por parte dos paramilitares locais não-judeus, embora as razões para esta colaboração ainda sejam debatidas. O Holocausto resultou na maior perda de vidas de todos os tempos em tão curto período de tempo na história da Lituânia.

Celebremos Matt Turner, um sobrevivente do Holocausto e esperemos que seu momento de glória permaneça para sua futura geração.



 Atualmente ele defende o Olympique Lyonnais e a Seleção dos Estados Unidos, sendo conhecido por sua trajetória improvável (só começou a jogar futebol aos 14 anos) até o estrelato internacional.

 

Perfil e Características

Altura: 1,91 m

Posição: Goleiro

Pé preferencial: Direito

Características: Reconhecido pela excelente envergadura, reflexos rápidos e ótima saída de bola.


Matt Turner e Weston McKennie, meio de campo, comemoram a vitória dos Estados Unidos sobre o Paraguai na partida do Grupo D da Copa do Mundo de 2026 no Estádio de Los Angeles, em 12 de junho de 2026.




Turner é casado com a ex- cheerleader (líder de torcida) da NFL, Ashley Herron desde 2022.

Eles têm um filho, Easton (nascido em 2022), e uma filha, Everley (nascida em 2023).

Voltemos um pouco ao esporte conhecido como futebol no Brasil.

Sempre admirei esta modalidade como uma atividade de equipe, um por todos, todos por um. Isto apesar dos comentários desonrosos que ouvia na minha infância: esporte da periferia, jogadores ignorantes, refrega de negros, gente que não quer trabalhar.

Gostava de ver os meninos de minha rua correndo apaixonadamente atrás de uma bola, que às vezes nem bola decente era! Engalfinhavam-se na conquista da pelota e no fim da disputa, voltavam para casa sorridentes, suados, comentando os melhores lances do dia, muitas vezes uns nos braços dos outros.

Ao trabalhar na Escola Graduada de São Paulo como professora, ao final do dia acadêmico, fui durante muitos anos a coach, ou técnica de futebol para meninos de 6 a 9 anos, uma vez por semana. Foi uma experiência deliciosa em companhia de minha querida colega Eloisa Pasquini, que sabia apitar melhor do que eu e com quem aprendi muito sobre as regras e pequenas regras do futebol oficial.

Uma delas, de que nunca gostei, foi o impedimento - o nada simpático Off side. Até hoje fico triste quando um belo goal é eliminado por impedimento.

E assim, recordando meus momentos de futebol, fiquei imaginando o que teria levado Turner a chegar à posição de goleiro.




Como a maioria dos meninos americanos, ele deve ter sido iniciado desde os verdes anos ao Teeball, ao baseball e ao basquete, mas só aos 14 entrou num campo de futebol, ou soccer, como o esporte é lá chamado.

A bola correndo solta no campo é ESPERANÇA!

Mas uma bola que entra vitoriosamente no gol significa tristeza, tragédia para o time que não a protegeu.

Então me ocorreu a ideia de Matt imponente, à frente de seu território, com o objetivo de não permitir que o mal, o sofrimento, o crime, entrem em sua área!

Ele ali é o defensor dos males do mundo - sua missão é não permitir que os dissabores da humanidade adentrem seu quintal.

 Uma homenagem aos seus antecedentes?

 Uma vontade de vingar o seu povo?

Uma resposta ao antissemitismo e uma barreira contra o mesmo ainda que metaforicamente?                      




ACONTECE: Os caminhos do Passado e do Futuro

Por Regina Pekelman Markus - 1/07/2026 - 16/Tamuz/5786 





O calendário judaico aponta a data de 17 de Tamuz com determinação. Muitos eventos ocorreram nesta data e nas datas vizinhas. 

No passado bíblico e mishnaico:

1 - Tempos de Moisés: é reportado como o dia em que foram quebradas as primeiras "Tábuas da Lei". Parte dos que esperavam, incomodados pela demora e incentivados por uma liderança interessada em voltar ao Egito, construiu o Bezerro de Ouro. 

2 - Cerco a Jerusalém pelos Assírios (Babilônicos): As oferendas diárias, chamadas de Tamid, foram interrompidas por falta de ovelhas. A palavra Tamid é normalmente traduzida como "eterno". Algo que se repete ao longo dos tempos e garante que muitas gerações presenciarão o mesmo fato.

3 - Tempo dos Romanos: Em 70, Tito ordenou a queda das muralhas de defesa de Jerusalém, iniciando o processo de conquista da capital do Estado Judeu.

4 - Um oficial romano chamado Apostomos queimou publicamente um rolo da Torá.

5 - Uma estátua idólatra foi colocada no recinto sagrado do Templo. 

Estes eventos estão listados no Talmud Taanit 28b. Caminhando pela estrada do tempo, encontramos outros eventos que ocorreram nesta data.

Na Idade Média, este também foi um dia negativo entre os judeus.

1242: Após uma farsa jurídica orquestrada pela Igreja Católica sob o comando do Rei Luís IX, mais tarde conhecido como São Luís, 24 carroças contendo milhares de manuscritos e volumes do Talmud foram queimados em praça pública em Paris.

Séc. XV - Início da Inquisição na Espanha (1478) e em Portugal (1496) - Os dias de jejum eram de grande perigo para os cristãos-novos. Uma interessante herança da época são as mesas com gavetas, das quais costumavam sair pratos prontos quando pessoas de fora das famílias chegavam.

Séc. XVII Em 1666, Sabbatai Tsvi causou uma comoção mundial, atraindo seguidores que viajaram até ele de toda a Europa, Ásia e África. Em um ato ousado, Zevi declarou que o dia 17 de Tamuz e o 9 de Av (seu aniversário) deixariam de ser dias de jejum e passariam a ser datas de grandes celebrações e festividades. Shabbatai Tsvi é obrigado pelo sultão otomano a converter-se ao islamismo. Há muitas lendas atrás desse nome, e as datas colaboram para os mitos.

Séc. XX - 1944: O Gueto de Kovno, na Lituânia, foi completamente destruído. Os nazistas ocuparam o Gueto, deportaram sua população, incluindo crianças, para campos de concentração e de extermínio. Queimaram e destruíram prédios para eliminar os judeus restantes. E, quando o Exército Vermelho chegou à região, encontrou cerca de 3.000 judeus. A população antes da guerra era de 40.000 adultos!

Séc. XX - 1970: O regime líbio confiscou todos os bens dos judeus que viviam no país.


2026

O Povo Judeu e o Estado de Israel adotam o conceito de que o homem é um parceiro importante na sustentação e na evolução do mundo em que vivemos. Ser parceiro é ter uma parte relevante a cumprir na construção do mundo (Tikun Olam). O Estado de Israel foi o primeiro a enviar uma equipe de resgate para a Venezuela. Equipe treinada e que já atuou em outros terremotos ao redor do mundo. Como acontece há milênios, o que importa é salvar uma vida. "Quem Salva UMA Vida Salva a Humanidade".

As comunidades judaicas no Brasil também se organizaram para participar do processo. Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pará já estão dentro, e vários outros vão chegando.



E chegamos ao evento mais importante entre Pessach e 17 Tamuz - a assinatura de um documento que visa orientar o caminho a ser seguido por Israel e Líbano para chegarem a uma relação de BOA VIZINHANÇA. Estavam presentes na reunião Nada Hamadech Moawad, embaixadora do Líbano nos EUA; Yechiel Leiter, embaixador de Israel nos EUA; Marcelo Rubio, secretário de Estado dos EUA, que atuou como mediador direto e anfitrião do encontro; e Daniel Holler, conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, que assinou o documento. O Presidente do Líbano, Joseph Aun, e o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acompanharam a reunião pela internet, sem direito a voz e voto.

O resultado foi surpreendente. Deixaram registrado que no Líbano apenas o exército oficial terá direito a posse de armas. Não serão tolerados grupos armados de cidadãos não libaneses ou de pessoas pertencentes a grupos estruturados. Todos os nomes relevantes foram mencionados. Também ficou acordado que os exércitos de Israel e Líbano estarão presentes em zonas tampão. Estas zonas foram redefinidas, de modo que haverá uma faixa importante em que cidadãos armados não serão admitidos.

Israel dará apoio logístico ao Líbano, e já se retirou de zonas que o exército libanês tem condição de assumir. 

Como disse a embaixadora Nada Hamadech Moawad, esta é uma oportunidade para que Israel e Líbano tenham uma relação de vizinhos.

No último fim de semana foram desarmadas importantes milícias e eliminados túneis que continham grande quantidade de armamentos e outros suprimentos importantes para manter o estado bélico.

Será tudo flores? Claro que não! As relações entre os EUA e a Arábia Saudita foram alteradas de forma significativa nas últimas semanas. O espaço aéreo saudita foi fechado para aviões americanos. Teremos que acompanhar o desdobramento do alinhamento entre a Arábia Saudita e o Irã.

A VIDA EM ISRAEL

Este é um tema muito difícil de tratar em poucas palavras ou de apresentar um panorama geral. Vamos fechar o ACONTECE, ACONTECENDO com o fato de HOJE.

Linhas Regulares Civis que estão operando Israel:

  • Lufthansa: Voltou a operar em 1 de julho com duas frequências diárias a partir de Frankfurt. Os voos de Munique estão programados para retornar em 1 de agosto. 
  • ITA Airways: Retomou em 1 de julho com dois voos diários partindo de Roma. 
  • airBaltic: Reiniciou, em 1 de julho, sua rota saindo de Riga, com três voos semanais. 
  • Austrian Airlines: Já havia retomado o serviço a partir de Viena no início de junho e ampliou as frequências em julho. 
  • Air Europa: Renovou suas operações diretas de Madri no final de junho. 
  • LOT Polish Airlines: Retomou as rotas para Israel em 31 de maio. 
  • Empresas do Golfo: Companhias como Etihad Airways e flydubai restabeleceram voos regulares (com restrições a voos noturnos em alguns períodos).
  • Outras operadoras internacionais: Ethiopian Airlines, Hainan Airlines, TUS Airways, Smartwings e Bluebird Airways já voltaram a voar para o destino há mais tempo.
  • Companhias israelenses: El Al, Israir e Arkia estão operando com horários ampliados. 

Entrar e sair de Israel é possível e os atletas internacionais estão lá. Inclusive os brasileiros. 25.ª Macabíada!



 


















Um dos momentos mais emocionantes foi protagonizado pelo veterano das Forças de Defesa de Israel (IDF), Evyatar Zeituni, ferido nos ataques de 7 de outubro de 2023. Ele passou a chama para o campeão paralímpico Asaf Yasur e para a judoca olímpica Inbar Lanir, que acenderam a pira juntos.

A delegação brasileira desfilou com uma pegada muito especial e todos estão encantados com o alojamento! Que tal colocarem nos comentários o que estão seguindo nas Macabíadas!

E se quiser assistir, entre na TV JUDAICA! 

E assim, vamos atravessando o dia 17 de Tamuz, passaremos por 9 de Av e chegaremos em Rosh Hashaná.

Uma sequência que, todo ano, nos surpreende, mas que, este ano, foi especialmente chocante!

Uma boa semana para todos.

Regina P Markus



quinta-feira, 25 de junho de 2026

ACONTECE: Quem fala do Paquistão?

Por Juliana Rehfeld

25/06/2026




Aqui usamos este espaço semanal para trazer informações e refletir sobre Israel e sobre judaísmo de ângulos diferentes daqueles que a “grande mídia” produz, seja porque esta não apresenta fatos a que temos acesso em fontes confiáveis porém “deixadas de lado”, seja porque as páginas oferecidas ao grande consumo  distorcem informações e/ou analisam de maneira preconceituosa assuntos judaicos. Esta é a forma pela qual acreditamos, e escolhemos há cerca de 10 anos, que melhor combate a desinformação sobre esses assuntos e o antissemitismo “por manada”, aquele fenômeno que carrega o ódio gratuito, comprado e redistribuído por pressa, falta de filtro ou falta de cuidado, tão simples e comum nos tempos de correria em que vive a maioria das pessoas.

Reproduzimos então aqui notícia e artigo que NÃO “EshTaNaMidia” ou “EshTaNaMidia” mas não deveria estar, não da forma mal intencionada ou descuidada que foi oferecida ao público. 

Hoje estão disponíveis muitas fontes mais ou menos conhecidas, com maior ou menor investimento, que “garimpam” e “separam o joio do trigo” na imprensa e em redes sociais, e buscam fatos e reflexões honestas ou mais profundas sobre aquele diminuto e jovem país que, apesar disso, é um dos assuntos diários porque “vende” ou “rende”… repete-se o bordão “No jews, no news”, sem judeus não há notícias… ou, “se inserir protesto contra Israel no mais estapafúrdio contexto, já aparecem muitos adeptos“ …

Temos exemplo de conhecido partido brasileiro que em sua plataforma condena o Estado de Israel; há veículos de comunicação, de variados portes, que carregam “quase como sobrenome” as expressões “Israel genocida ou com apartheid”… isso em diversos países países, inclusive Israel. 

O governo de Israel historicamente investiu pouco, ou mal, nessa tarefa de informar o mundo externo sobre seus pilares fundacionais, suas instituições, suas políticas sociais, sua pluralidade, sua diversidade social e política, até porque, como Estado jovem estava mais ocupado em se consolidar, em organizar sua estrutura social, política e econômica. E por isso no mundo da Diáspora Judaica - dispersão geográfica dos judeus - desde os primórdios do Estado, ou antes até da sua declaração de Independência, começou a atividade de Hasbará -  (הַסְבָּרָה, hasbará em hebraico) que significa literalmente “explicação”, “esclarecimento” ou “informação”. É o que fazemos nós hoje aqui nesse espaço. 

E essa informação é muito importante porque esta palavra, apesar de ser neutra, mesmo para muitos que dominam o hebraico, adquiriu uma conotação “qualitativa”…  opositores de Israel usam “hasbará” para se referir ao que consideram propaganda, manipulação da informação ou campanhas coordenadas de influência. NÃO É O QUE SIGNIFICA. E, embora haja muitos, demasiados, opositores, multidões desinformadas ou incautas e apressadas, não é o que quero fazer! 

O foco aqui é mostrar os fatos e as fotos de cidadãos de Israel ou judeus da diáspora que sofrem atentados terroristas que não são veiculados na mídia.  Mas eu não pinto tons de rosa onde há o vermelho do sangue de soldados e soldadas israelenses ou civis em Gaza ou Cisjordânia, derramado por guerra extensa demais, esticada por decisões políticas moralmente condenáveis, embora legais…. 

Na minha opinião, ações do atual governo, sobretudo posicionamento de ministros de extrema direita do governo atual, estão jogando no lixo décadas de Hasbará… e torna para mim mais importante e difícil explicar a diferença entre o que faço aqui como Hasbará e uma simples defesa incondicional do país… 

E neste sentido, quero ainda aqui mostrar o “dois pesos, duas medidas” da mídia e veículos de informação, o viés antissionista e na minha visão, carregado de antissemitismo dessa mídia parcial, voltar ao bordão “No jews, no news”, sem judeus não há notícias… ou, “se inserir protesto contra Israel no mais estapafúrdio contexto, já aparecem muitos adeptos“. Quem fala do Paquistão original, hoje Paquistão e Bangladesh? O ChatGPT quando consultado sobre países jovens fala espontaneamente como cito a seguir: 

Muitos países considerados “antigos” são, juridicamente, bem recentes. Por exemplo:

* Alemanha foi reunificada em 1990.

* Israel existe desde 1948.

* Índia tornou-se independente em 1947.

* Paquistão foi criado em 1947.

Na minha opinião, a resposta “Israel existe desde 1948”, distinta daquela sobre Índia e Paquistão é complicada, mas, sim, o Estado de  Israel existe desde 1948… E você pergunta: como foi criado o Paquistão?

E ele responde detalhadamente, leia no link 

mas eu destaco de maneira honesta: 

“Paralelo histórico

A criação do Paquistão em 1947 e a de Israel em 1948 ocorreram em contexto semelhante de descolonização britânica e debates sobre autodeterminação nacional. Contudo, os processos, fundamentos políticos e consequências foram bastante diferentes. Ambos, porém, resultaram em grandes deslocamentos populacionais e conflitos que continuam influenciando a política internacional até hoje”

Hein? Ambos resultaram em grandes deslocamentos populacionais?? 

Cruzaram a fronteira  entre Índia e Paquistão na época de “10 a 14 milhões de pessoas”.  E “a maioria destes deslocamentos não foi voluntária”. Mas foi rápida! E violenta: “estima-se que 200 mil a 1 milhão (!) de pessoas tenham morrido no processo”.

No caso de Israel, em 1947 os árabes não aceitaram ter um Estado árabe, declararam guerra ao novo vizinho e provocaram a saída (majoritária) ou expulsão (minoritária) de 700 mil árabes para Cisjordânia (administrada pela Jordânia) , para Gaza (administrada pelo Egito) e Líbano e Síria. Não só não foram integrados como hoje se intitulam 3 gerações de “refugiados palestinos” totalizando 5,9 milhões de registrados como tal pela exclusiva agência da ONU chamada de UNRWA

E pergunto: quem fala do Paquistão? 

Shabat Shalom

quinta-feira, 18 de junho de 2026

ACONTECE: Poder X Influência: Onde está a bola?

 

Israel vencendo a Copa de 1964 da Confederação Asiática de Futebol


Há uma explicação preguiçosa que as pessoas repetem: Israel simplesmente “não pode se qualificar” para a Copa do Mundo.

Isso é tecnicamente verdade da mesma forma que dizer que um lutador “perdeu porque foi nocauteado” é verdade. Descreve o resultado, não o sistema que o produziu.

A história real é mais desconfortável — e muito mais reveladora sobre como o esporte internacional realmente funciona quando a política entra em campo. Apropriadamente, nossa história começa com o Irã.

A ascensão do futebol iraniano nas décadas de 1950 e 1960 acompanhou de perto a modernização mais ampla do Irã sob o Xá. Na década de 1950, a seleção nacional ainda era inconsistente e regionalmente menor, mas sua participação nas primeiras competições asiáticas marcou uma mudança: o esporte estava se tornando parte de como o Irã se apresentava internacionalmente, mesmo antes de ter a infraestrutura ou consistência de um poder de futebol.

No início da década de 1960, os resultados melhoraram o suficiente para tornar o futebol politicamente visível. Vitórias e derrotas contra rivais regionais como Iraque, Índia e Paquistão começaram a atrair a atenção da principal liderança política, incluindo críticas diretas quando os resultados decepcionaram. Em meados da década de 1960, o futebol havia ultrapassado o wrestling como o esporte mais popular do Irã.

As relações Irã-Israel nesta fase eram estruturalmente contraditórias. Oficialmente, não havia laços diplomáticos formais, e Teerã evitou cuidadosamente o reconhecimento aberto. Mas, na prática, as relações eram extensas: cooperação de inteligência, exportações de petróleo, comércio, rotas aéreas e trocas técnicas continuaram. Israel manteve uma presença em Teerã, enquanto o Irã simultaneamente se alinhou (pelo menos retoricamente) com posições árabes em fóruns internacionais, especialmente nas Nações Unidas.

Esse relacionamento de pista dupla criou uma tensão política que acabaria se espalhando para o esporte. Após a Guerra dos Seis Dias de 1967, o sentimento público dentro do Irã mudou mais fortemente em favor das posições árabes e palestinas. A retórica anti-Israel aumentou na imprensa e no discurso público, enquanto o estado tentou equilibrar a opinião doméstica com seus laços estratégicos silenciosos com Israel. O futebol, agora uma obsessão nacional de massa, tornou-se uma das poucas arenas onde essa contradição poderia surgir indiretamente.

Essa contradição tornou-se visível na Copa da Ásia de 1968 em Teerã, onde Irã e Israel se encontraram em uma final que tinha um significado muito além do esporte. A partida se desenrolou em um clima moldado pela raiva regional pós-1967, pela simpatia pública iraniana pelos árabes e pelo crescente desconforto com a proximidade percebida do Xá com Israel.

Embora o Irã e Israel ainda cooperassem nos bastidores, a atmosfera pública havia mudado. A partida foi acompanhada por expressões nacionalistas e anti-Israel nas arquibancadas, e depois a violência teve como alvo partes da comunidade judaica do Irã. A mudança chave não foi apenas o jogo em si, mas a percepção de que o futebol havia se tornado um recipiente para conflitos de identidade política dentro do Irã—não apenas uma rivalidade esportiva.

Esse evento também desencadeou um efeito a longo prazo: crescente insegurança entre os judeus iranianos e o início de pressões de emigração mais visíveis, mesmo que a cooperação oficial Irã-Israel continuasse.

Nos anos que se seguiram, o futebol iraniano entrou em sua “idade de ouro”, vencendo várias Copas da Ásia e não se classificando para as primeiras Copas do Mundo. Isso culminou na decisão do Irã de sediar os Jogos Asiáticos de 1974 em Teerã, uma vitrine elaborada projetada para projetar uma imagem de um estado moderno, voltado para o exterior e cada vez mais influente sob Shah Mohammad Reza Pahlavi.

Como um dos principais parceiros regionais do Xá na época, Israel foi convidado a participar da competição. Quatro anos antes, o então estado judeu de 22 anos se classificou para a Copa do Mundo realizada no México (como parte da Confederação Asiática de Futebol), a primeira e única participação de Israel no evento global de futebol.

Mas os Jogos de 1974 também expuseram até que ponto o esporte se tornou politizado na Ásia. O conflito árabe-israelense moldou cada vez mais a participação esportiva, e a presença de Israel no esporte asiático já estava sob pressão de boicotes e oposição diplomática. Durante os Jogos, várias delegações se recusaram a competir contra atletas israelenses em diferentes esportes, transformando o evento em um palco para protestos políticos coordenados, em vez de uma competição unificada.

No futebol, Israel entrou no torneio considerado um dos times mais fortes na disputa pela medalha de ouro, uma visão também mantida pelo técnico do Irã, Frank O'Farrell. No entanto, seu caminho para a final foi incomum: avançou em parte porque tanto a Coreia do Norte quanto o Kuwait se recusaram a enfrentá-lo por razões políticas. Como um jornalista egípcio baseado no Kuwait colocou para seu colega israelense:

“Eu só posso tomar café com você, mas jogar futebol — não podemos. Temos instruções, há um governo, tomamos a decisão de não comparecer contra Israel. É proibido, é proibido.” ¹

Para Israel, este foi um ponto de virada: mesmo quando estava fisicamente presente no esporte asiático, estava sendo sistematicamente excluído da própria competição. Para o Irã, revelou uma contradição que o regime não podia mais controlar totalmente - hospedar Israel em Teerã enquanto operava simultaneamente em um ambiente esportivo asiático, onde a política de boicote estava se tornando a norma.

No momento em que o torneio de futebol chegou à sua etapa final, o Irã e Israel novamente se viram posicionados para um confronto que não era mais acidental. Relatórios e decisões sobre agendamento, atribuições de arbitragem e colocações em grupo criaram a percepção de que o estabelecimento esportivo do Irã não era neutro. O simbolismo do Irã como anfitrião, Israel como participante e o contexto político árabe mais amplo fizeram com que a sensação final fosse predeterminada em seu significado, mesmo antes do início.

“Os judeus iranianos nos ofereceram sua hospitalidade, nos presentearam e até nos encorajaram durante todo o torneio”, disse Shiyeh Feigenboym, que jogou pela seleção israelense de futebol. “No entanto, antes da final, eles nos notificaram que não poderiam comparecer. Eles marcaram casas judaicas e, consequentemente, estavam ausentes da final.” ²

A final de 1974 tornou-se assim o clímax de uma longa escalada: da modernização do Irã e da ascensão do futebol, à cooperação secreta Irã-Israel, à polarização política pós-1967, à ruptura de 1968 e, finalmente, aos Jogos Asiáticos, onde o próprio esporte se tornou uma arena proxy para o alinhamento regional.

Jogadores e jornalistas descreveram a final Irã-Israel não como um jogo, mas como um ambiente saturado de significado político.

“Cinco minutos após o jogo, Shalom Schwarz fez uma pausa no lado esquerdo e me passou a bola a cerca de 20 metros do gol. Eu dei um tiro poderoso, e a bola atingiu a barra transversal”, contou Feigenboym. “Em última análise, perdemos por 1 a 0 devido a um gol contra de Yitzhak Shum. Depois do jogo, os jogadores me disseram: 'Ouça, se seu chute tivesse entrado no início, eles teriam nos linchado.' Esse foi o sentimento predominante.”

Duas semanas depois, em 14 de setembro de 1974, assim como os Jogos Asiáticos estavam chegando ao fim, a Confederação Asiática de Futebol expulsou o futebol israelense. A mudança impediu Israel de participar de competições oficiais da Confederação de Futebol Asiático e a impediu de sediar partidas sob a estrutura da organização, incluindo o cancelamento das eliminatórias da Copa das Nações Asiáticas programadas para serem realizadas em Israel em 1975.

Isso seguiu uma tendência familiar durante grande parte do período pós-1948, depois que Israel humilhou os cinco exércitos árabes atacantes em sua Guerra de Independência naquele ano. Muitos estados árabes e muçulmanos se recusaram a reconhecer Israel diplomaticamente, o que estabeleceu a linha de base para seu isolamento regional. Isso se traduziu em um boicote mais amplo da Liga Árabe que restringiu os laços comerciais e de investimento, incluindo pressão secundária e terciária sobre as empresas que fazem negócios com Israel.

Paralelamente, Israel foi amplamente excluído das estruturas regionais - econômicas, de transporte, culturais e acadêmicas - porque a participação em tais sistemas dependia do reconhecimento político que a maioria dos estados detinha.

Israel acabou sendo colocado na União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) na década de 1990. Isso muitas vezes é mal interpretado como geografia. Não é. É governança. As confederações da FIFA não são continentes. São ecossistemas administrativos projetados para garantir dispositivos previsíveis, ciclos de qualificação funcionais e estruturas de competição politicamente sobreviventes.

Israel se moveu não porque a Europa estava “mais próxima”, mas porque a Europa era estável o suficiente para hospedar sua participação sem colapsos constantes. Essa solução veio com um custo oculto que quase nunca é declarado claramente.

Uma vez que Israel entrou na UEFA, não mudou apenas os oponentes. Isso mudou a probabilidade. Na qualificação para a Copa do Mundo da UEFA, Israel agora compete na mais densa concentração de seleções nacionais de elite do mundo: França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália, Portugal, Holanda, Croácia e Bélgica. E abaixo deles, há um segundo nível de nações que seria dominante em qualquer outra confederação.

Na maioria das regiões, uma equipe pode construir um caminho de qualificação através de oponentes de classificação inferior, equilíbrio regional e transtornos ocasionais. Na Europa, não há um “nível inferior” estável para confiar. Cada grupo é uma luta de faca. Uma única janela ruim pode acabar com tudo.

Então, quando as pessoas perguntam por que Israel não está na Copa do Mundo, muitas vezes estão fazendo a pergunta errada. A verdadeira questão é: Por que a rota de Israel foi colocada no sistema mais competitivo do esporte?

O futebol internacional é construído sobre uma contradição: trata a identidade nacional como fixa (você representa seu país), mas trata a estrutura competitiva como ajustável (você joga onde a governança permite). Portanto, os resultados não são apenas sobre talento; eles são sobre colocação. E a colocação é história.

É por isso que o futebol israelense é bom considerando todas as coisas (é o esporte mais popular em Israel), mas países como Iraque, Catar, Jordânia, Cabo Verde, Costa do Marfim e Haiti se qualificam para a Copa do Mundo, enquanto o estado judeu não.

A mudança de Israel da Confederação Asiática de Futebol para a União das Associações Europeias de Futebol resolveu um problema, mas criou outro: a ausência aparentemente eterna de Israel na Copa do Mundo.

Pode-se argumentar que isso é efetivamente um boicote sem a declaração formal.


Juliana Rehfeld


Análise a partir do artigo "The Real Reason Israel Doesn't Go to the World Cup", de Vanessa Berg, publicado hoje, 18/06, no The Future of Jewish.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

VOCÊ SABIA? - Judeus de cores diferentes?

 

Por Itanira Heineberg


Você Sabia que a Índia abriga comunidades judaicas antigas que foram historicamente divididas em "judeus pretos" e "judeus brancos"? E essa distinção não se baseia necessariamente na raça, mas sim na época de chegada e na miscigenação local?

Os anais dos judeus na Índia remontam à História Antiga.

O judaísmo foi uma das primeiras religiões estrangeiras a chegar à Índia na história, segundo registros. Os judeus indianos são uma minoria religiosa da Índia, mas, ao contrário de muitas partes do mundo, têm vivido historicamente no país sem qualquer exemplo de antissemitismo por parte da população local.

A República da Índia é a segunda nação mais populosa do mundo, com mais de 1,2 bilhão de habitantes. O país possui um rico legado histórico de distintos grupos judaicos antigos. Hoje, a população judaica da Índia é de aproximadamente 4.500 pessoas.

Judeus de Cochin, ou Judeus Pretos/Nativos, estabelecidos na costa do Malabar há mais de mil anos, eram chamados de "pretos" devido à sua pele mais escura e maior integração com as populações locais.



 Kochi, Cochin, ao sul do país.


Os judeus de Cochin, uma pequena e singular comunidade no sudoeste da Índia, têm sua identidade e época de chegada ao país desconhecidas: algumas lendas especulam que marinheiros que traziam suprimentos de Malabar para o Rei Salomão, há quase 3.000 anos, podem ter fundado o primeiro assentamento judaico ali, enquanto outras sugerem que judeus da terra de Israel vieram para a Índia após a destruição do primeiro (século VI a.C.) ou segundo (século I d.C.).

A primeira evidência de uma comunidade judaica em Malabar é muito mais recente e data dos séculos IX e XI d.C., na forma de inscrições em placas de cobre que concediam diversos privilégios às comunidades judaicas e cristãs locais por governantes locais.

Uma comunidade significativa de judeus viveu em Cranganore até 1341 d.C., quando uma enchente devastadora assoreou o porto da cidade, e, durante os séculos seguintes, muitos deles se mudaram para Cochin (atual Kochi) e cidades próximas.

No início do século XVI d.C., judeus sefarditas exilados da Península Ibérica (Espanha e Portugal) se estabeleceram em Cochin, chegando diretamente de suas terras natais ou após residirem na Turquia e na Síria, onde muitos outros judeus sefarditas exilados também se estabeleceram.

Com o aumento do número desses judeus estrangeiros, eles formaram sua própria comunidade de judeus Paradesi (“estrangeiros”), separada da comunidade judaica local.

Essa distinção entre judeus Paradesi (também chamados de judeus “brancos” de Cochin) e judeus nativos de Malabar (chamados por pessoas de fora de judeus “negros” de Cochin) foi mantida por centenas de anos, e os judeus Paradesi geralmente se casavam apenas dentro de sua própria comunidade ou com outros judeus estrangeiros que se estabeleceram na Índia, como os judeus iraquianos (“bagdadis”).

Além disso, os judeus de Cochin mantiveram relações com os judeus iemenitas, e alguns judeus iemenitas também se juntaram às comunidades de Kerala.

A comunidade judaica de Cochin tem sido pequena durante séculos, com cerca de 2400 membros na Índia por volta de 1954 d.C., pouco antes da maioria deles imigrar para Israel.

Dentro dos judeus de Cochin, os judeus Paradesi sempre foram uma pequena minoria, representando aproximadamente menos de 10% dessa comunidade em 1948 d.C., e sua migração mais gradual para Israel começou principalmente na década de 1970.


Sinagoga Paradesi (Kochi): Fundada em 1568, é a sinagoga mais antiga em atividade na Commonwealth (Comunidade das Nações).

Situada em Jew Town (Mattancherry), destaca-se por seus pisos de azulejos chineses pintados à mão e lustres belgas. Atualmente, é o único templo da comunidade ainda com culto ativo em Kerala.




A estrutura consiste em um edifício retangular de paredes brancas com telhado de telhas e portões de ferro forjado decorados com a Estrela de Davi. Uma torre do relógio em estilo holandês, com quatro relógios apresentando quatro estilos numéricos diferentes — hebraico, romano, malaiala e arábico — foi adicionada pelo principal comerciante da Companhia Holandesa das Índias Orientais na Índia, Ezekiel Rahabi, em meados do século XVIII.

Muita informação até agora, mas isto não é nada em comparação com tudo o que podemos encontrar sobre estes judeus da Índia em livros de história, revistas, jornais, sites, etc.

Até onde contar esta história milenar?

Assim, para finalizar este infindável tema, com um pouco de charme e imagens mais atuais, abaixo segue um vídeo interessante sobre estes judeus que em busca de liberdade e segurança percorreram terras e mares até chegarem ao sul da Ásia num atraente país localizado no subcontinente indiano. Clique para assistir:

 

https://www.instagram.com/reel/DXjvu-3DL-c/?igsh=MmI1cWZsenZlazQ2

 

 

FONTES:

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5020127/

https://www.reddit.com/r/Judaism/comments/1q1kkjd/sixteenth_century_drawing_of_cochin_jews_from/?tl=pt-br

https://jewishvirtuallibrary.org/india-virtual-jewish-history-tour

https://www.britannica.com/topic/Paradesi-Synagogue

https://revista.brasil-europa.eu/131/Cochim-Judeus_do_Malabar.html