Marcadores

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ACONTECE: Elul, Mulheres e Novos Caminhos

por Regina P. Markus

Lua Laranja anunciando um mês de Elul Especial


A LUA CHEIA acontecerá no dia 28 de agosto de 2026, à 01h19. Este é o dia 15 de Elul. Sim, no calendário judaico a lua cheia chega sempre no dia 15, marcando o meio do mês civil. Assim, Rosh Rodesh e Rosh haShaná marcam o início de cada mês e o início do ano civil. O ano religioso começa no mês de Nissan (dia 15, Lua Cheia). É o primeiro dia de Pessach e marca a saída do Egito. Este ano ocorrerá uma Eclipse Lunar Parcial, visivel em todo território brasileiro. 

A Lua estará no Perigeu, o ponto mais próximo da Terra, e será iluminada pelo Sol diretamente à noite. No eclipse lunar parcial que ocorre na madrugada de 27 para 28 de agosto de 2026, a Terra vai cobrir mais de 93% a 96% da Lua. Como a cobertura é quase total, a parte sombreada ganhará um tom vermelho-acobreado ou alaranjado, criando um efeito de "quase Lua de Sangue" visível a olho nu em todo o Brasil.

Nesta semana especial, a Leitura da Torá também traz "insights" que foram sendo revelados por mestres, sábios e pessoas do povo ao longo de milênios. Será lida a Parashá Ki Tetse (כִּי־תֵצֵא) - "Quando você sair". A 49a parashá da Torá, e a sexta do livro de Devarim inicia com uma fala direta de HaShem a uma pessoa. Não há intermediários. E é nesta relação direta que são tratadas (1) Leis de Guerra, (2) Relações Familiares, (3) Justiça Social e Empatia, (4) Proteção aos Animais e Ecologia, (5) Combinação e Mistura, (6) Honestidade no Comércio e (7) Memória Histórica. Trata de colocar de forma organizada regras de conduta e obrigações em diferentes condições da vida. Junto às regras são apresentadas formas de avaliar e ajustar as condutas, quer através de conselhos quer através de punições. Algumas muito severas e outras aplicadas a diferentes grupos da sociedade da época. Ao longo de milênios, as interpretações mostram a importância de ter regras que possam ser iterpretadas e ajustadas. Vamos comentar principalmente as ligadas à mulher. O início do texto é direto:

21:10 "Quando saíres à guerra contra os teus inimigos, e o Eterno, teu Deus, os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares cativos",
21:11 "E vires entre os cativos uma mulher formosa, e te afeiçoares a ela, e a quiseres tomar por mulher",

E na continuação são ditadas regras e comentadas opções. A primeira abordagem exige que a esta mulher seja dado um período de luto quando ela raspará a cabeça e se vestirá com trajes vulgares e rasgados. Poderá ficar isolada em sua dor quando reingressar à sociedade estará numa fase de recuperação. 

Ao terminar vamos olhar o presente. Escutando o comentário de David Elmescany no Instagram dia 27 de agosto às 5h30 da manhã encontro um fato que sugere fortemente NOVOS CAMINHOS. @elmescany conta que o Irã ameaçou o mundo inteiro com o Estreito de Ormuz. No dia de ontem saíram 25 milhões de barris de petróleo que atravessaram o estreito em pequenos navios com rastreador desligado. Longe dali, os navios pequenos encostam em navio grande que recebe o petróleo do navio pequeno. Desta forma, sem tiro, sem manchete e sem discurso o petróleo de todos os países da região, a menos do Irã.

Lentamente, vemos que estamos entrando em uma nova era. A Lua Laranja apontando para a Mulher ontem, hoje e amanhã. O mês de Elul e o toque do Shofar confirmando que temos as portas da esperança abertas e vamos atravessar tendo feito um bom balanço. 

Shana Tová

Regina



Rashi (Rabino Schlomo Yitzhak) – 1040 a 1105, França e Alemanha

A Mulher Bonita na Guerra (Yfat Toar): A Torá permite que um soldado se case com uma cativa de guerra sob regras estritas. Rashi explica que a Torá abriu uma concessão apenas para aplacar a inclinação ao mal (yetzer hará) do soldado em combate.
Yehuda Halevi (século XII), aborda o tema em sua obra-prima clássica, o Kuzari.
O Equilíbrio contra o Ascetismo Extremo: Muitas leis de Ki Tetze lidam com prazeres físicos regulados (o soldado que deseja a cativa bonita, o homem com duas esposas, as leis de casamento e divórcio). 
Santificação, não Abnegação: Halevi usa a estrutura dessas leis para argumentar contra a filosofia ascética. No Kuzari, ele afirma que o judaísmo não exige que o homem anule seus desejos físicos ou viva em isolamento. A Torá, especialmente em Ki Tetze, molda e canaliza as paixões humanas (guerra, sexo, comércio, alimentação) inserindo-as em uma moldura de santidade. O servo de Deus serve ao Criador através do usufruto correto do mundo.


Rambam (Maimônides, 1138, Córdoba, Andaluzia –1204, Fustat, antigo Cairo,  Egito) 

Analisa a lei da "mulher formosa capturada na guerra" (Eshet Yefat Toar) sob duas perspectivas complementares: a racionalista/filosófica (em sua obra Guia dos Perplexos) e a jurídica/haláquica (no seu código de leis Mishnê Torá).
 
1. A Perspectiva Filosófica (O Guia dos Perplexos)
No Guia dos Perplexos (Parte 3, Capítulo 41), o Rambam explica que as restrições impostas pela Torá sobre a cativa servem como um mecanismo pedagógico para refrear as paixões brutas do ser humano em momentos de caos.
Concessão à Fraqueza Humana: O Rambam concorda com o princípio talmúdico de que "a Torá falou apenas contra a inclinação ao mal" (lo dibrá Torá ela negued ietser hará). Ele afirma que, no calor da guerra, o ímpeto e o desejo do soldado são quase incontroláveis. Se a Torá proibisse a mulher completamente, o soldado violaria a lei.
Educação pelo Desprazer: Ao obrigar a mulher a raspar a cabeça, deixar as unhas crescerem (ou cortá-las de forma a ficarem feias) e chorar por seus pais durante 30 dias na casa do soldado, a Torá sabota deliberadamente o desejo dele. O Rambam argumenta que essas ações removem a atração estética inicial, forçando o homem a vê-la em seu estado mais vulnerável e triste, o que geralmente faz com que ele desista do casamento por pura perda de interesse físico. 
2. A Perspectiva Jurídica (Mishnê Torá)
No Mishnê Torá (nas Leis de Reis e Suas Guerras, Capítulo 8), o Rambam codifica detalhadamente os limites legais dessa mitsvá, trazendo duas decisões de extremo impacto ético:
Apenas uma Relação sob Concessão: O Rambam decreta que o soldado só tem permissão de ter uma única relação inicial com a mulher enquanto ela ainda é gentia, movido puramente pelo ápice de seu impulso no campo de batalha. Depois dessa primeira vez, ela se torna proibida para ele até que todo o processo de um mês de resguardo e conversão seja concluído. [2, 3] 
A Proibição do Abuso Contínuo: Ele enfatiza rigorosamente que o soldado não pode tomá-la como escrava sexual ou abusar dela repetidamente. Se, após o período de teste, o soldado não quiser se casar legalmente com ela, ou se ela se recusar terminantemente a abandonar a idolatria após 12 meses de paciência, ele é obrigado a libertá-la totalmente. Ela sai livre e o homem não pode vendê-la, funcionando como uma proteção legal à dignidade da mulher. 

Ramban (Nachmânides, Rabino Moshe ben Nachman) – 1194 - Catalunha e 1270 (Terra de Israel, Acre ou Jerusalém)

Além de concordar que o processo serve para esfriar o desejo físico do soldado, o Ramban destaca a dignidade da mulher. Ela deve ter tempo para chorar a perda de sua antiga vida e de seus pais pagãos. Esse período de isolamento e pranto permite que ela separe o passado e o futuro através de um período de luto em que o dia a dia delineia fronteiras. Mente e alma são preparadas para entrar de forma digna e voluntária na Casa de Israel.


Ben Ish Chai (Rabino Yosef Chaim de Bagdá, Iraque) -século XIX (1835-1909)

Foca seus comentários no refinamento ético e nos paralelos místicos baseados nos ensinamentos do Arizal (Cabalá de Safed do Rav Isaac Luria). A guerra é descrita como o combate contra o mal (Yetzer Hará) e não um combate físico. Neste caso a “Mulher Formosa” (Eshet Yefat Toar) é uma centelha de santidade (Nitsotsót Kedushá). 

E muitos outros poderiam ser aqui colocados.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Parque de animais no deserto reinventa o conceito de zoológico

 

O Midbarium de Beersheva é um parque único onde animais resgatados circulam livremente, enquanto as crianças interagem com eles através de jogos interativos.

 

Simulação de crianças em uma parede de escalada ao lado do habitat do íbex. Foto cortesia da Midbarium.

“Isto não é um zoológico!”, disse Moran Levy, coordenador digital do Midbarium Desert Animal Park , ao ISRAEL21c no início da nossa visita. 

Essa mensagem é transmitida diversas vezes durante nossa jornada pelo parque em Beersheva, a 40 quilômetros (25 milhas) de Gaza. 

Redefinindo os zoológicos

O Midbarium não é um zoológico convencional, mas sim um parque de animais interativo e único. 

A maioria dos 100 animais que vivem em Midbarium são animais resgatados que não podem ser devolvidos à natureza, trazidos para o parque de outros abrigos para animais em Israel, bem como de outras partes do mundo. 

“Temos uma clínica aqui que trata animais, como uma estação de trânsito. Se necessário, transferimos os animais para tratamento adicional ou os mantemos aqui. Se for possível soltá-los na natureza, também o fazemos”, explica Levy. 

Há, por exemplo, pelicanos com asas irreparavelmente danificadas, um hipopótamo que foi intimidado por outros hipopótamos e leões brancos que não teriam chance de sobreviver na natureza. A maioria das espécies do Midbarium são adaptadas ao deserto ( midbar significa "deserto" em hebraico). 


O recinto dos leões brancos em Midbarium. Foto de Natalie Selvin.


Cada espécie vive em um habitat semelhante ao seu habitat natural. Os quatro principais habitats do parque — Canyon, Arava (planícies gramadas), Oasis e Savanna — estão interligados por trilhas. 

Cada recinto é enorme, com poucos animais, o que lhes permite circular livremente e sem restrições de espaço físico. "Os animais têm vastas áreas abertas só para eles", diz Levy. 

O parque também é ecológico e atrai animais selvagens de fora de Midbarium, como patos e gansos. "Eles podem ir para onde quiserem, mas escolhem vir para cá; aqui encontram água e comida", diz ela, referindo-se ao grande lago no meio do parque. 

 

Interativo

O parque conta com 15 “experiências” interativas, concebidas principalmente para crianças, que as ensinam a “se colocar no lugar” dos animais. 

A tecnologia de captura de movimento permite caçar como um crocodilo, imitar o padrão de corrida de uma zebra ou voar — em uma rede ventilada — como uma águia, o que posso garantir que é muito legal, pois já experimentei pessoalmente.  

 

Uma instalação interativa no Midbarium que permite caçar como um crocodilo. 


“Há uma forte ênfase na acessibilidade, para que pessoas com necessidades especiais também possam desfrutar dessas [instalações interativas]”, observa Levy. 

O recinto das girafas possui um elevador que leva você até a altura aproximada do topo da cabeça do animal. Enquanto você sobe, uma voz automatizada, transmitida pelo alto-falante dentro do elevador, informa, sem parar, fatos sobre girafas. 

Só o recinto dos babuínos já fará você sentir que valeu a pena o investimento. O jogo interativo não só envolve literalmente fazer caretas de macaco para imitar o medo, a felicidade ou a raiva de um babuíno, como os próprios animais são fascinantes.


Entrada para a instalação interativa do recinto dos babuínos. 

“Aqui existe um governante do sexo masculino, e é basicamente ele quem decide tudo; quem acasala com as fêmeas, cria os filhos e decide o que e quando o resto do 'harém' come”, diz Michal, um guia do parque. 

Michal acrescenta que há outro babuíno macho no bando que eventualmente se cansará do líder e o desafiará. Esses incidentes às vezes levam a lutas mortais.

Ah, e também há uma área onde você pode acariciar cabras domésticas.


Um recinto onde os visitantes podem interagir com cabras domésticas no Midbarium. 


Começo difícil

O parque de animais de 37 acres substituiu o antigo Zoológico do Negev, que fechou em outubro de 2022. 

A inauguração oficial do Midbarium estava prevista para novembro de 2023, mas os ataques de 7 de outubro e a guerra subsequente frustraram esses planos. 

O parque, que custou 60 milhões de dólares, permaneceu fechado por quase um ano, enquanto a equipe, gravemente reduzida em termos de pessoal, cuidava e alimentava os animais sob a ameaça constante de disparos de foguetes e sirenes de ataque aéreo. 

 

“Isso também teve um grande impacto na importação de animais [do exterior], porque não havia voos, nem navios, nada; estávamos no meio de uma verdadeira crise”, diz Levy.

Ela acrescenta que, embora o parque tenha permanecido aberto consistentemente nos últimos meses, existe sempre o receio de que a guerra recomece com a mesma intensidade de antes.

“Não sabemos o que acontecerá amanhã”, observa Levy. 

 

Artigo traduzido do original publicado No Israel21C. Confira aqui.

VOCÊ SABIA? - O renascimento da praia de Zikim

 

Por Itanira Heineberg


Praia de Zikim, Israel


Você Sabia que Israel reabriu a linda praia por onde milicianos terroristas do Hamas entraram com intenções destruidoras no país em 7 de outubro de 2023 e a arrasaram?

 

🚩Praia de Zikim, em Israel - 7.10.2023


Madrugada de sábado e feriado, um dos lugares mais calmos e tranquilos que existem.

Um local onde as famílias se reuniam para um churrasco e curtiam momentos compartilhados na Praia.

Naquele dia os terroristas do Hamas desembarcam e simplesmente massacram 40 pessoas no seu caminho.


A batalha na praia de Zikim, em 7 de outubro, envolveu o primeiro uso em combate do veículo blindado de combate Eitan.

 

Zikim foi um dos principais locais do massacre do Hamas no dia 7 de outubro.

Lá, adolescentes de 15 e 16 anos que estavam acampando, além de pescadores, foram surpreendidos e assassinados pelos terroristas do Hamas.

Assistamos a um vídeo por André Lajst onde ele conta como foi o ataque e mostra os lugares onde as pessoas tentaram se proteger e morreram fuziladas pelos assassinos do Hamas.

Clique aqui 

Agora, passados longos meses de espera, banhistas retornam às praias ao norte de Gaza com sentimentos de alívio e perda após os assassinatos ocorridos há mais de dois anos.

Agora pode-se ver um mundo diferente, nas areias limpas e macias da praia de Zikim ou em suas águas azul-celeste e turquesa, onde pessoas caminham com o sentimento de vitória.

Olhando para além da alta cerca de ferro que marca o fim da praia, os contornos do que restou do resort Beit Lahia, em Gaza, são claramente visíveis a menos de 3 quilômetros ao sul, ao longo da costa – assim como os vigilantes destroieres israelenses no mar.

Em 7 de outubro de 2023, homens armados do Hamas usaram lanchas rápidas para desembarcar em Zikim com o objetivo de capturar a base de treinamento militar próxima.


Na violência que se seguiu, 17 civis foram mortos na praia, incluindo pescadores, adolescentes em um acampamento e um grupo que havia realizado uma festa no local na noite anterior. 

A praia, com seus chuveiros, abrigos e torre de salva-vidas destruídos pelo fogo, foi interditada ao público pelos militares israelenses.

Os trabalhos de reconstrução das instalações começaram em 2025 nesta praia ao sul de Israel, próxima à fronteira, ao norte da faixa de Gaza, e a mesma foi totalmente reaberta ao público após passar por uma ampla reconstrução de cerca de 20 milhões de shekels (aproximadamente US$ 5,5 a 6 milhões), aplicados em novas instalações, áreas de descanso e gramados.

A reabertura, outubro de 2025,  foi aprovada pelo Comando Sul das Forças de Defesa de Israel (FDI) após avaliações de segurança, mantendo postos militares e forte presença de tropas na região para garantir a segurança dos visitantes.

O local mescla o clima de renovação e retorno à normalidade com a forte lembrança histórica do trauma vivido no local.

A partir da reabertura do sítio ao público, imagens e fotos das principais agências de notícias mostram banhistas aproveitando a faixa de areia renovada, guarda-sóis brancos, grama sintética e a presença de torres de vigilância militar e patrulhas nas proximidades.



Na praia de Zikim, ainda resta um abrigo antibombas daquela época, onde foi erguido um pequeno santuário em homenagem a Yulia Chaban, de 24 anos, que morreu ali com seu namorado, Abed Ziyadne, de 26 anos.

Mais um vídeo desta vez mostrando a reabertura oficial da praia de Zikim ao sul de Ashkelon, uma feliz e esperada inauguração com famílias, soldados, e muita segurança com postos militares operando desde as 7 da manhã até às 6 da tarde.

Veremos a diferença do pós o massacre e das belas cenas atuais. Uma zona vulnerável com sinais de vitória apesar do ataque mortal no dia 7 de outubro de 2023. Clique aqui para assistir.

16 de outubro de 2025


Velas e flores em homenagem às vítimas mortas nos ataques do Hamas de 7 de outubro são exibidas dentro de um abrigo antibombas na praia do kibutz de Zikim, no sul de Israel, a praia israelense mais próxima da Faixa de Gaza.

Praia de Zikim e a fronteira com a Faixa de Gaza. Ao longe, podem ser vistos os altos edifícios da Cidade de Gaza.


Mais uma vez Israel mostra sua força de lutar por sua existência, reconstruindo suas perdas e olhando para o futuro com decisão e esperança de manter seu país uma das maiores democracias do planeta.


FONTES:

https://exame.com/mundo/israel-ira-reabrir-praia-por-onde-hamas-entrou-7-de-outubro/

https://es.wikipedia.org/wiki/Archivo:119285_zikim_beach_PikiWiki_Israel.jpg

https://www.710360.kan.org.il/en/zikim-beach/migunit-z

https://www.theguardian.com/world/2025/oct/16/i-can-breathe-again-israel-zikim-beach-open-for-first-time-since-7-october-attack

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/10/11/antes-e-depois-de-assassinatos-em-base-de-israel-vitimas-gravam-video-se-escondendo-de-tiros-depois-aparecem-mortas-em-imagens-do-hamas.ghtml

https://www.jpost.com/israel-hamas-war/article-798929

https://www.timesofisrael.com/as-zikim-reopens-for-first-time-since-massacre-beach-vibes-cant-keep-traumas-at-bay/

 


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Acontece: “Mea culpa”, meia culpa

 

Por Juliana Rehfeld




Começamos a nos preparar para "a virada do ano", a passagem para o ano de 5787. Escutamos o toque de shofar aqui e ali, definimos quem convidar ou que convite aceitamos para o jantar de entrada nos chamados "iamim noraim, dias terríveis", decidimos com que parte da família estaremos, já que as grandes famílias se dividem, e começamos a pedir desculpas, aos amigos e parentes, pelo que "pisamos na bola" no ano que passou. 

E, como todo ano, pisamos mesmo na bola. Produzimos menos do que nos propusemos, completamos menos projetos do que tínhamos planejado, adiamos aquele curso no qual pretendíamos nos inscrever, visitamos menos a família, nem fizemos a desejada viagem, aquela que sonhamos… "não deu"; não deu tempo ou não deu vontade, deu preguiça, faltou dinheiro, as prioridades foram outras… as justificativas estão sempre prontas para nos consolar, reduzir o peso de termos falhado. Elas, as justificativas, pulam da nossa boca, ou invadem nosso pensamento, prestativas e corajosas, e nos envolvem como se fossem inocentes e verdadeiras, não como fruto da nossa imaginação que tiramos do bolso quando confrontados com os resultados aquém do esperado, do prometido.

Mas ocorre muitas vezes que a exigência e as expectativas que nós mesmos nos colocamos eram demasiadas e possivelmente inalcançáveis, causadas por um desejo, uma pretensão de dar um ou mais passos maiores que as pernas, menos planejamento e mais impulso… e aí a culpa é até maior! "Como fui me meter nisso? Mergulhar de cabeça sem bóia? Avaliar tão mal as probabilidades?"

De qualquer lado que olhamos, a condenação é inexorável… Ah, a culpa judaica! Não é um conceito religioso mas é uma carga cultural atávica, isto é, que herdamos e que nos acompanha de geração em geração, nossa "yiddishe mama, introjetada", quase impossível de satisfazer…

A responsabilidade comum, coletiva, a necessidade de fazer "tikkun olam", repararmos sozinhos o mundo inteiro… não é à toa que muitos de nós, muitas vezes, "vestimos a carapuça", incorporamos culpas que nos são atribuídas por quem sistemática, e obstinadamente, nos persegue… como judeus somos mesmo culpados por tantos males que acontecem no mundo? Como sionistas, então, que defendem o direito de Israel existir e se defender, somos mesmo responsáveis por tudo de que nos acusam?

Anexamos um vídeo que justamente pergunta se sofremos de "Israel Derangement Syndrome", síndrome de distúrbio por causa de Israel… expressão politica emprestada dos conceitos da saúde mental… Israel tem sido acusado de praticamente produzir todos os males do mundo… uma insanidade, uma pandemia que precisa, diz o vídeo, ser tratada com doses significativas de um remédio chamado Realidade, que certamente traz efeitos colaterais a quem "é alérgico a fatos"!, com o que eu concordo. Aliás, é acreditar nessa terapia que nos move a editar esse veículo EshTaNaMidia.  

Há muito que criticar nas ações do governo de Israel hoje, mesmo nas recentes ações absurdas de cidadãos conhecidos como colonos em relação a concidadãos árabes palestinos, que foram notícia na última semana, e que me encheram de vergonha! Eles estão sendo investigados e julgados, espero que sejam exemplarmente punidos, mas a taxa de solução justa nestes casos vem diminuindo… isto não é satisfatório.

O fato é que vêm acontecendo ações indefensáveis que têm que ser impedidos de se repetir. Mas vêm sendo verbalizadas acusações absurdas sobre judeus, sionistas e Israel, o "Estado imaginário de Israel", que configuram um distúrbio da sociedade, da imprensa formadora de opinões incautas… o equilíbrio tem que ser perseguido, e informação, sem deformação, é remédio fundamental no tratamento do antissemitismo e anti sionismo oportunistas. 

Mas como é mesmo que vou lidar com a minha culpa este ano? 

É nisso que começo a pensar ao toque diário do shofar, neste mês de Elul. 

Shabat Shalom

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Melado...

 



Eu ainda me lembro... Acho... Memórias... Saudades e Sonhos...

Tem gosto, sabor! E ele muda! Curte. Ganha corpo. É queijo minas, aquele bem fresco, delicado, insosso. Com o tempo amarela! Ganha cor, sabor! Firma o perfume, escurece a casca, ganha força e beleza!

É o tempo... Quanto mais caminha, mais a saudade apura. Mais melada...

Tempo... O ingrediente de Ouro! D´Ouro!

Já viu os jardins de Monet? A gente sabe da boniteza, mas não entende a razão... A gente sempre para na frente. Embasbaca. Olha. E de novo. Passo pra trás. Passo pra frente. E aquela forma vai mudando, vai brilhando, vai vivendo! É uma outra imagem... Mais deliciosa. Mais verdadeira.

Pensa na memória... Ela é assim. Desse jeitinho! Quanto mais a gente caminha no tempo, mais a saudade vai curando... Perfume de mel, de queijo e melado!

É aí que ela ganha... Fica mais nítida, mais precisa... Não nos fatos, mas no sentir.

Fecho os olhos... É minha avó! Cadeira de balanço... Como eu gostava de brincar! E ela lia. Lia para mim. A coleção do Mico Maneco. Eu adorava aquelas historinhas. Ele adorava melado. Melado no pão. Melado no queijo. Melado no queixo. Queijo e melado.

Eu não sabia... Eu só ouvia... Depois, comecei a escutar! É o tempo que abre o coração. O queijo minas ganha perfume com o tempo... Aquelas brincadeirinhas viraram valores! Princípios! Humanidade!

Virei gente ali... Ouvindo histórias de mico, melado e queijo! Melado escorrendo pelo queixo... Pinga valor! Era a minha avó! No tom de quem vive. De geração em geração. Da minha avó para mim. Dos ancestrais dela para ela. Uma corrente invisível, perfumada, colorida. Semente!

De semente para gente... De palavra para valor... A gente planta e confia.

Tinha uma lenda. Será que inventei? Sonhei? Vó? Foi você que eu escutei? Ela é minha agora. Então ela é nossa! É de quem quiser, de quem vier...

Era uma menininha. Lembra do jardim de Monet? Ela não tava lá... Ela andava perdida. Era um deserto. Chorava... Guerra. Miséria. Fome. Desesperança. Mundo cinza, fedorento, sujo...

E ela? Pequena. Insignificantemente pequena. Não era ninguém. Nada. O que ela podia fazer?

Ela plantava flores. Pintava o caminho. Escrevia poesia...

Colorir o caminho... Diminuir os efeitos nefastos de tudo. Não resolver a guerra... Plantar. Pintar. Perfumar. A moça plantava poesia... Era só o que podia, mas tudo o que precisava fazer.

E do deserto nasceram flores, nasceram cores! É o tempo... O mesmo do queijo, do queixo, da palavra e do valor! É o tempo que perfuma o bolor... Que faz da dor, o crescimento! A pérola nasce da ostra dolorida! O grão de areia irrita. A dor pressiona. Com o tempo, nasce a pérola.

A pérola da convivência. Do encontro. Do queijo que cura...

A pérola nasce do atrito. Do conflito. Do outro que chega. Do outro que incomoda... Que gera beleza. Era isso! A moça não tava só enfeitando o caminho... Ela tava convidando!

Cor, perfume, beleza... Convite... Desde quando flor cresce sozinha? Precisa de sol, de chuva, de insetos, de mãos. De encontros! De convivência!

É assim, desse jeitinho, sentindo isso, que a gente tenta entender o Altíssimo. Não é cabeça. Não é cálculo. É coração. É enxergar. Perceber com a alma e com o coração. Aquela Luz que não se vê, mas que se enxerga. Aquela Voz que não se ouve, mas que se escuta. A moça que plantava cores não sabia de teologia. Seu coração já era o caminho...

E a lenda termina com ela grávida! A menininha que plantava cores, perfumes e flores... Um dia estava grávida! Uma vida!

Ela esperava! Beleza! Esperança! Pérola!

Esperança! Não é só o esperar do ventre. É o esperar daquele que plantou, regou, confiou — e agora vê a semente virar flor, a flor virar fruto, o fruto virar vida.

O tempo curou as saudades e a dor e transformou tudo em pérola.

E, de repente, estou de volta com minha avó. Melado. Queijo. Queixo. Mico Maneco. No fim, tudo é plantio. Sem que ninguém desconfiasse... De geração em geração. Até aqui. Até além.

As memórias, as saudades e os sonhos são a mesma pintura. O mesmo jardim de Monet. Elas são o queijo minas que curou e perfumou. Queijo e melado. Dor e pérola. Memória e esperança.

Tudo isso sou eu. Tudo isso somos nós.

Até aqui... E além!


André Naves. Vice-Presidente do Chaverim (www.chaverim.org.br). Autor de “Caminho – a Beleza é Enxergar” e “Beethoven Enxergou o Luar”. www.andrenaves.com - @andrenaves.def

 

 


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Acontece: Elul, o mês da Esperança e da Reconciliação


Por Regina P. Markus - 12/08/2026 __ 30 de Av de 5786


Elul - Ler, Escrever, Chamar


Esta noite será o início do mês de Elul: o último mês do calendário civil judaico. O mês em que se faz o balanço pessoal e se prepara para o início de um novo ciclo. E é considerado o mês da esperança. Também é o mês das relações pessoais. O Cântico dos Cânticos de Salomão 6:3 - Ani le Dodi ve Dodi Li - Eu Sou de Meu Amado e Meu Amado é Meu - é um acrônimo da palavra Elul e é cantado nesta época com alegria, porque o encerramento de um ciclo é o início de outro, e, apesar de muitas coisas serem repetidas e repetidas e repetidas, o novo ciclo é um espaço de tempo aberto para a esperança. Eu ser de meu amado e meu amado ser meu não significa a perfeição, a falta de conflitos, ou mesmo sermos regidos pelas mesmas ideias. O que une as duas pessoas é o AMOR. É o sentimento de completude. E, neste mês é dito que o Rei Está no Campo - Ha Melech Ba Sadê. E é HaShem que vaga pelos campos e é nutrido pela esperança dos que amam. A esperança dos que conseguiram chegar e seguirão em frente independentemente do que vier.

Neste mês é tocado o Shofar, um berrante usado para orientar boiadas em suas andanças, sob a regência de um pastor. Pastorear é cuidar de forma muito especial. Dirigir um grupo e, ao mesmo tempo, ir em busca de cada indivíduo. Insistir no fato de que o todo é formado por partes diferentes e de que cada uma delas é muito importante. 

Entre as muitas evoluções positivas que ocorreram nesta antevéspera do Ano Novo Judaico de 5787, podemos citar a reabertura da praia de Zikim, uma das comunidades que foram massacradas em 7 de outubro de 2023. O investimento foi da ordem de milhões de dólares e o resultado é aquele que buscamos após cada tragédia pessoal ou coletiva: A Sobrevivência, A Construção do Futuro.


Praia de Zikim restaurada


Outro fato relevante foi ouvir o Hino Nacional de Israel, a Hatikva, nos Emirados Árabes Unidos. A jovem israelense Mila Ben David, de 16 anos, conquistou a medalha de ouro no Campeonato Mundial Juvenil de jiu-jitsu. Palavras que emocionam não bastam. Fechem os olhos e imaginem um futuro em que este fato representaria apenas um evento esportivo! Estar lado a lado, conviver e amar!

E foi nesta antevéspera de Elul que o Prof. Haim Sompolinsky, físico teórico e neurocientista, foi agraciado com a medalha DIRAC, concedida pelo Centro Internacional de Física Teórica Abdus Salam (ICTP), em Trieste, Itália. O anúncio foi feito pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Prof. Sompolinsky é professor emérito no Centro Edmond e Lily Safra de Ciências do Cérebro e do Instituto Racah de Física. Mudar a forma de entender a memória, o pensamento e as reações instintivas é o início de uma nova era no mundo das comunicações. Uma imagem vale mais do que mil palavras! Esta é uma forma de expressar que as palavras são mais difíceis de entender. Certamente, quando pudermos compreender como transformamos as palavras em imagens dentro de nosso cérebro, consigamos potencializar a capacidade de transformar o futuro!

E é neste futuro maravilhoso, apesar de problemas recorrentes, que sonhamos para 5787.

Rosh Chodesh Sameach!!! 

Regina




   

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ACONTECE: Saudades do deserto

 Por Juliana Rehfeld


É grande hoje a procura pelo novo, pela aventura, por emoções que façam os sentidos reconhecerem que se está vivo, que está presente o privilégio de continuar vivo. Esportes radicais, lugares distantes, passeios a cantos extremos, natureza inóspita. Os mais jovens buscam isso cada vez mais, até porque estão mais aptos a enfrentar os riscos… mas acontece que são os mais entediados. Entediados com… o que mesmo? Com a rotina, com a disciplina necessária, com as mesmas trajetórias, as mesmas notícias, as mesmas pessoas, mesmas palavras… estão todos mal-acostumados ao stress. Então a necessidade de mais stress é imperiosa. 

Imagine você então como seria passar 40 anos no deserto… mesmo que você tenha tido que sair fugindo às pressas de sua casa, sido perseguido(a) por soldados montados e equipados com espadas… mesmo que tenha presenciado o mar se abrir à sua frente e tenha podido olhar para trás após a travessia só para vê-lo fechar-se sobre seus perseguidores… mesmo que logo que você tenha sentido fome, do céu tenha caído uma refeição e que isso continuasse todos dias acompanhando você enquanto se deslocava. 

Como era mesmo? 

O maná caía durante a noite, como uma fina camada sobre o solo (Êxodo 16). Cada família saía cedo para recolher apenas a quantidade necessária para aquele dia. Antes do calor do sol aumentar, o maná derretia. Por isso, não era possível deixar para depois. Às sextas-feiras recolhiam o dobro, pois no Shabat não havia maná.

Pela manhã, preparavam o maná. A Torá diz que podia ser moído, pilado, cozido ou assado, e tinha sabor agradável, comparado a bolo com mel ou azeite. Alimentavam os animais e cuidavam dos pertences. As mulheres cuidavam da casa e das crianças, embora certamente muitas atividades fossem compartilhadas.

Durante o dia o povo vivia em um enorme acampamento organizado: no centro ficava o Tabernáculo (Mishkan). Ao redor dele acampavam os levitas. Mais externamente, as outras doze tribos, cada uma em sua posição fixa. Havia diversas atividades: julgamentos de conflitos (primeiro por Moisés e depois também pelos anciãos), ensino da Torá, sacrifícios diários no Tabernáculo, confecção e manutenção das tendas, cuidado com rebanhos de ovelhas, cabras e gado, que eles trouxeram do Egito.

Quando a nuvem se movia… esse era talvez o momento mais marcante da vida no deserto.

A nuvem sobre o Tabernáculo indicava quando Deus ordenava partir.

Então: desmontavam todas as tendas; os levitas desmontavam cuidadosamente o Tabernáculo; cada tribo saía em uma ordem específica; caminhavam até o próximo local; montavam novamente todo o acampamento.

Às vezes permaneciam meses no mesmo lugar; outras vezes apenas alguns dias.

À tarde continuavam os trabalhos cotidianos. Havia instrução religiosa. Algumas pessoas levavam ofertas ao Tabernáculo.

À noite jantavam. A coluna de fogo substituía a nuvem, simbolizando a presença divina. Descansavam aguardando o novo dia.

Como era viver assim? Imagine uma cidade de talvez 2 a 3 milhões de pessoas, mas formada apenas por tendas.

Era uma vida sem agricultura, sem cidades, sem comércio desenvolvido, dependente diariamente do maná e da água provida por Deus, organizada em torno do Mishkan.

Ao mesmo tempo, era uma longa escola espiritual. O objetivo não era apenas atravessar um deserto físico, mas transformar um povo de ex-escravos em uma nação capaz de viver segundo a Torá.

Não há registro de sensação de tédio, até porque durante essa rotina de vez em quando alguém se rebelava e podia ser fulminado por um raio, ou a terra se abria e muitos eram engolidos pelo buraco… 

Havia, para a maioria, uma sensação de proteção, de que tudo daria certo no final… para a geração que iniciou a fuga, não deu. Morreram todos antes de chegar à terra prometida. O último, Moisés, que ao longo das décadas no deserto “segurou as pontas” por todos, negociou com Deus para que não fossem todos destruídos, ele próprio não entrou em Canaã… pôde apenas contempla-lá do alto do monte Nebo, na atual Jordânia… e morreu aos 120 anos. 

A nossa rotina diária, como se diz, a “de ter de matar um leão a cada dia pra sobreviver” é mais arriscada, nada garantida, até porque se não vivemos em locais onde há guerras sem fim, vivemos próximos a centros nos quais a violência só cresce e não temos tido sucesso em reduzi-la mesmo rezando muito…

À nossa volta tudo está sempre acontecendo, coração palpita, até demais, corremos o tempo todo, e mesmo no arrastado trânsito ouvimos notícias surpreendentes e alarmantes no rádio ou no fone ligado ao celular. Difícil esconder-se do que acontece. 

Menos, no Shabat. Se tivermos o privilégio e a teimosia de desacelerar, parar mesmo para encontrar a turma, presencial ou virtualmente, entoar “nigunim”, melodias, que nos reconectam ao calor e ao silêncio do deserto, que nos desafiavam mas também confortavam, onde sentíamos que tudo daria certo, no final…

Shabat Shalom