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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Reino Unido impõe sanções a assentamentos israelenses

 



O Secretário de Relações Exteriores, Ed Miliband, anunciou um pacote de medidas voltadas contra Israel. As medidas visam especificamente o comércio com assentamentos israelenses na Cisjordânia e, por extensão, com Israel de modo geral. 


O anúncio de Miliband segue-se a apelos de ativistas trabalhistas - incluindo mais de 140 parlamentares do Partido Trabalhista - para proibir o comércio com assentamentos israelenses, com militantes preparando uma moção a ser apresentada na conferência do partido ainda este mês.


Ao mesmo tempo, a política de Miliband enfrentou oposição do grupo "Labour Friends of Israel" (Amigos Trabalhistas de Israel), que alertou que as medidas correm o risco de se tornar um "boicote de facto" a Israel.


Um argumento semelhante foi levantado pelo grupo "Conservative Friends of Israel" (Amigos Conservadores de Israel); seu presidente parlamentar, Greg Smith, classificou o dia de hoje como "um dia sombrio na história da política externa britânica" e alertou que "isso apenas jogará gasolina na fogueira do ódio antijudaico, que tem se espalhado em ritmo alarmante nos últimos anos".


Segundo o presidente Isaac Herzog, a política do Reino Unido é "um grave erro de cálculo, uma decisão que ficará do lado errado da história". Herzog também ressaltou que as sanções afetarão negativamente os próprios palestinos: "Isso prejudicará diretamente - infelizmente - os palestinos, privando-os de negócios e empregos."


Atualmente, cerca de 20.000 palestinos trabalham em diversas empresas israelenses na Cisjordânia, e as sanções afetarão diretamente o seu sustento.


As sanções de hoje marcam a oitava vez que o Reino Unido anuncia medidas punitivas contra Israel desde o início da guerra, desencadeada pela invasão e pelo massacre perpetrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Nenhuma medida comparável foi tomada pelo Reino Unido contra os palestinos no mesmo período. Com essa abordagem unilateral, a Grã-Bretanha compromete sua capacidade de atuar como um mediador imparcial em qualquer possível processo de paz entre Israel e os palestinos.


Contexto: Nos dias anteriores à sua eleição como líder trabalhista em julho, Burnham pediu "desculpas" publicamente pelo fato de o governo trabalhista (do qual ele não fazia parte) ter "errado" em relação a Gaza na resposta inicial ao massacre do Hamas em 7 de outubro.


Burnham criticou o governo Starmer - que estava deixando o cargo - por não ter pressionado Israel mais fortemente, nos primeiros dias da guerra, para que aceitasse um cessar-fogo. As duas questões que precipitaram disputas públicas entre Londres e Jerusalém foram as licitações para construção na área E1 e a situação humanitária em Gaza.


Quanto à área E1, o Reino Unido, juntamente com muitos governos aliados, alegou que o assentamento dividiria efetivamente a Cisjordânia em duas partes e impediria irreversivelmente o estabelecimento de um Estado palestino contíguo, alegações que não se sustentam empiricamente. A área E1 situa-se a oeste de Maaleh Adumim - localidade incluída no território israelense em todos os planos de paz propostos nas últimas três décadas -, e o corredor de terra restante tem cerca de 25 km de largura. A título de comparação, a inclusão de Tulkarem em um futuro Estado palestino - prevista em todos os planos de paz propostos - deixa o centro de Israel com um corredor de apenas 15 km, sem que ninguém alegue que isso divide o Estado em dois ou impede a continuidade territorial. Em segundo lugar, todas as propostas apresentadas desde o Plano de Partilha da ONU de 1947 (inclusive este) previram um Estado palestino com território não contíguo, tendo a Faixa de Gaza como um exclave.


Dados sobre a situação humanitária em Gaza, referentes apenas às últimas semanas, demonstraram de forma definitiva que não há escassez de alimentos ou suprimentos médicos. Alegações feitas no início desta semana pelo Ministro das Relações Exteriores, Miliband, em um vídeo nas redes sociais - no qual ele descreve ter tomado conhecimento, em uma reunião com ONGs, de restrições a suprimentos médicos -, foram refutadas por autoridades israelenses. Estas ressaltaram que não houve qualquer tipo de restrição a suprimentos médicos desde a entrada em vigor do cessar-fogo, há um ano; além disso, o Reino Unido é membro ativo do mecanismo CMCC, que supervisiona a transferência desses suprimentos.


Além dessas duas questões, a motivação principal para a reformulação da política britânica é a necessidade declarada de preservar a solução de dois Estados e de agir contra as partes que trabalham contra ela.


A proliferação dos chamados "postos avançados" (outposts) na Cisjordânia, especialmente após o massacre de 7 de outubro, parece ter o objetivo de tornar mais onerosas futuras retiradas israelenses do território. No entanto, não está totalmente claro como, na eventualidade de um tratado de paz, esses postos poderiam efetivamente cumprir esse propósito. Israel já se retirou de assentamentos muito maiores e mais populosos no passado - tanto no Sinai e em Gaza quanto no norte da Cisjordânia, em 2005. Além disso, nas negociações sobre o status final ao término do processo de Oslo, o país ofereceu retirar-se de assentamentos ainda maiores para viabilizar um acordo de paz baseado na solução de dois Estados; no entanto, essas retiradas nunca se concretizaram - não devido à oposição dos colonos, mas sim à rejeição palestina.


O argumento de que os assentamentos devem ser boicotados - sob a alegação de que qualquer reivindicação de que judeus vivam na Cisjordânia compromete a perspectiva de dois Estados - é substancialmente enfraquecido pela insistência em financiar a UNRWA, a agência da ONU voltada para os palestinos.


Uma agência que trata os palestinos que vivem na Cisjordânia ou em Gaza como “refugiados” do que hoje é Israel. No entanto, o apoio à UNRWA tornou-se um pilar central da posição deste governo sobre o conflito desde 2024.


Em vez de abordar a verdadeira razão pela qual uma solução de dois Estados não foi alcançada - ou seja, que em todas as oportunidades para estabelecer seu Estado, os palestinos rejeitaram a paz e buscaram o confronto violento - a reaproximação busca adotar uma postura firme contra uma causa imaginária para esse impasse. E, ao fazer isso, intencionalmente ou não, o governo está efetivamente recompensando o negacionismo e, implicitamente, premiando o ataque de 7 de outubro.


Comentaristas israelenses tendem a ver a anunciada medida britânica como uma dádiva para a direita e a extrema-direita na acirrada campanha eleitoral israelense, que antecede a primeira eleição geral desde o massacre de 7 de outubro, daqui a sete semanas. O impacto real na eleição provavelmente será limitado.


Mas reforçará dois importantes argumentos da direita, em um momento bastante delicado para os opositores israelenses do projeto de assentamentos. A questão da violência dos colonos na Cisjordânia começou a ganhar destaque na mídia israelense nas últimas semanas e colocou os colonos em desfavor da opinião pública. As medidas do Reino Unido contra todos os assentamentos - e especialmente a provável inclusão de Jerusalém Oriental no embargo comercial - efetivamente desfazem essa situação. Na medida em que a questão dos assentamentos se resume a gangues armadas que assediam pastores palestinos (e interferem nas operações das Forças de Defesa de Israel na Cisjordânia), ela se torna um tema de oposição para grande parte do centro político israelense. Se a questão for a de israelenses que vivem no que é considerado território soberano israelense na capital de Israel ou que fazem negócios com empresas que operam tanto no território israelense anterior a 1967 quanto nos assentamentos na Linha Verde, que serão anexados a Israel em qualquer plano de paz proposto, esse mesmo amplo centro político se posiciona do outro lado.


A conexão entre os assentamentos e a solução de dois Estados, ou entre os assentamentos e a guerra iniciada em 7 de outubro, não se manifesta internamente em Israel da mesma forma que parece se manifestar em Whitehall. A invasão de Israel e o pior massacre do povo judeu desde o Holocausto não ocorreram em uma região disputada e repleta de assentamentos. Ocorreram em Gaza, onde não havia presença militar israelense, nem um único assentamento ou colono desde 2005. A inevitável conclusão empírica dos israelenses é que, onde os colonos e as Forças de Defesa de Israel permaneceram, nenhum massacre ou invasão desse tipo ocorreu, e onde eles partiram, duas décadas de lançamento de foguetes culminaram no massacre de 7 de outubro e na longa guerra subsequente.


Em resposta às sanções do Reino Unido, é quase certo que o país será removido do Centro Internacional de Apoio a Gaza (ainda geralmente referido por seu antigo nome, CMCC), o órgão multinacional sediado em Kiryat Gat, Israel, que coordena os esforços de estabilização e ajuda humanitária em Gaza, em consonância com o cessar-fogo de outubro de 2025.


O CMCC é a organização internacional que supervisiona o fornecimento de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, e sua equipe inclui pessoal civil e militar de diversos países, como Suíça, Japão, Austrália, Canadá, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Chipre, Grécia, Nova Zelândia e outros.


Israel já expulsou anteriormente funcionários da Espanha e da Holanda por medidas diplomáticas menos extremas do que as anunciadas hoje em Londres, portanto, é improvável que Israel continue a hospedar o Reino Unido nas instalações.


A irritação de Israel com o Reino Unido em relação à participação específica no CMCC já havia sido acirrada no início da semana, quando o Secretário de Relações Exteriores, Miliband, fez alegações falsas sobre Israel estar bloqueando o fornecimento de suprimentos médicos para Gaza, apesar da participação ativa do Reino Unido nos grupos de trabalho relevantes do CMCC que supervisionam o fornecimento desses suprimentos.


Outras respostas diretas de Israel estão sendo consideradas em Jerusalém. Entre elas, o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental, que funciona como uma embaixada de fato junto à Autoridade Palestina, apesar de estar localizado fora de qualquer território governado pela AP. Para efeito de comparação, o Reino Unido não possui embaixada em Israel em Jerusalém, mas sim em Tel Aviv.


Israel também pode suspender a exportação de certos sistemas de armas para o Reino Unido. Atualmente, o Reino Unido adquire de Israel o Sistema de Proteção Ativa Trophy para seu tanque Challenger 3, sistemas de defesa antimíssil, tecnologia de guerra eletrônica e uma variedade de dispositivos não tripulados e autônomos.


Tanto o Reino Unido quanto Israel são participantes importantes no programa multinacional de desenvolvimento do caça F-35, e mesmo em medidas anteriores tomadas pelo Reino Unido contra Israel, a ação nesse tipo específico de cooperação em defesa foi limitada. Há rumores de que Israel poderia pedir aos EUA que considerassem o Reino Unido em violação de seus compromissos com o programa devido à limitada remoção das licenças de exportação de peças do F-35, embora não esteja claro se os EUA concordariam com isso.


Propostas mais extremas incluíram um apelo do líder do Otzma Yehudit, Itamar Ben-Gvir, para responder reconhecendo a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas (Falkland Islands). É muito improvável que essa retórica de linha dura seja adotada pelos tomadores de decisão em Jerusalém.


Por outro lado, a legislação interna dos EUA impõe limitações à realização de negócios com empresas que cooperam com boicotes a Israel. Essas normas variam de estado para estado, mas qualquer medida abrangente para proibir o comércio com empresas israelenses que atuam nos assentamentos (o que engloba a maioria das empresas israelenses, especialmente se Jerusalém Oriental for considerada um "assentamento") poderia ter implicações significativas para as empresas britânicas nos EUA, particularmente nos dois grandes estados da Flórida e do Texas.


Perspectivas futuras: É praticamente impossível distinguir produtos fabricados em Israel daqueles produzidos em assentamentos - independentemente de como estes sejam definidos - , uma vez que as cadeias de suprimentos normalmente envolvem atores de ambos os locais. Fazer essa distinção em relação a serviços é ainda mais difícil. Uma política que vá além do simbolismo levará inevitavelmente a uma redução do comércio com Israel como um todo; muitas empresas britânicas, buscando evitar problemas jurídicos, proteger-se-ão interrompendo negócios com o país.


Se o anúncio for puramente simbólico e, no final das contas, não tiver qualquer efeito sobre as relações comerciais com Israel, servirá apenas para intensificar a retórica contra o país e promover a demonização do direito de autodefesa de Israel, tratando-o como um ato criminoso. É precisamente essa retórica - e o ambiente permissivo que a acompanha - que tem andado lado a lado com o aumento drástico da violência e do assédio antissemitas enfrentados pela comunidade judaica britânica nos últimos três anos.


Embora essa medida possa parecer mais drástica do que outros anúncios feitos nos últimos três anos, ela dá continuidade a uma orientação consistente da política do Reino Unido desde a eclosão da guerra em 7 de outubro - uma orientação que busca limitar a capacidade de autodefesa de Israel e aproveitar a violência dos últimos três anos para consolidar ganhos políticos reais para os palestinos. É pouco provável que qualquer futuro governo israelense atribua um papel de destaque ao Reino Unido em um eventual processo de paz, caso este venha a ocorrer. Esse pronunciamento antecipado e a nova mudança de rumo - ocorridos um mês antes da eleição parcial em Holborn & St Pancras, onde uma cadeira do Partido Trabalhista está ameaçada pelo Partido Verde, que fez das críticas a Israel um ponto central de sua campanha - indicam como o novo governo busca incorporar posturas firmes contra Israel à sua atuação interna, em vez de correr o risco de perder mais votos para candidatos independentes ou do Partido Verde.


Fonte da matéria original aqui


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VOCÊ SABIA? - Karl Landsteiner, o Pai da Medicina Transfusional

 Por Itanira Heineberg






Você Sabia que antigamente as transfusões de sangue entre pessoas frequentemente causavam a morte dos pacientes?

E você sabia que foi Karl Landsteiner, cientista judeu, quem descobriu o sistema ABO de grupos sanguíneos em nos anos 1900 e 1901, o que tornou as transfusões de sangue seguras?


Pai da Medicina Transfusional

O experimento: Landsteiner misturou hemácias e soro de diferentes pessoas e percebeu que o sangue se aglutinava (grudava) em alguns casos.

O sistema ABO: Ele identificou três grupos iniciais (A, B e O). O quarto grupo (AB) foi descoberto logo depois com seus alunos.

Fator Rh: Em 1940, ele também ajudou a descobrir o fator Rh, completando a base da tipagem sanguínea moderna.

Em 1902, Alfred von Decastello, um dos colegas de Landsteiner, e seu aluno Adriano Sturli descobriram o quarto grupo sanguíneo, AB, que inclui os antígenos A e B nas hemácias, mas não possui anticorpos anti-A ou anti-B no plasma.

Essa descoberta completou o sistema de grupos sanguíneos ABO como o conhecemos hoje. Essa descoberta inovadora mudou o processo de transfusão de sangue, tornando-o muito menos arriscado ao garantir a compatibilidade entre doador e receptor. 


A primeira transfusão de sangue bem-sucedida foi realizada por Reuben Ottenberg, um médico judeu, utilizando o sistema de grupos sanguíneos ABO no Hospital Mount Sinai, em Nova York, em 1907.




Este hospital foi fundado em 1852 como The Jew’s Hospital, porque médicos judeus não conseguiam trabalhar nos outros hospitais por antissemitismo.

Posteriormente, o primeiro teste de tipagem sanguínea foi estabelecido em 1910, o que levou à criação de um serviço oficial de bancos de sangue na década de 1930.

As descobertas subsequentes de Landsteiner sobre o grupo sanguíneo 'AB' como receptor universal e o grupo sanguíneo 'O' como doador universal impactaram significativamente a área da medicina transfusional.

A identificação desses grupos explicou por que algumas transfusões eram bem-sucedidas enquanto outras falhavam: tipos sanguíneos incompatíveis podiam desencadear aglutinações.

Em 1930, Karl Landsteiner foi agraciado com o 'Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina' e foi chamado de 'Pai da Medicina Transfusional' devido aos seus trabalhos pioneiros.



Quem foi Karl Landsteiner, o biólogo judeu nascido na Áustria em 1868 e falecido em 1943, receptor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1930 por suas descobertas?

Sua infância e educação moldaram significativamente sua carreira científica.

Karl Landsteiner foi um biólogo, médico e imunologista judeu austro-americano. Seu pai, Leopold Landsteiner, era um jornalista e editor proeminente, mas faleceu quando Karl tinha apenas seis anos de idade.

Filho único de uma próspera e influente família judia, Karl foi criado exclusivamente pela mãe Fanny, com ela mantendo um forte vínculo afetivo.

Aluno exemplar desde cedo, ingressou aos 12 anos na escola secundária (Staatsgymnasium) e, aos 17 anos (em 1885) entrou na Escola de Medicina da Universidade de Viena.

Landsteiner nasceu e cresceu no seio do judaísmo.

Em 1890, aos 22 anos, pouco antes de se formar em medicina, Karl Landsteiner e sua mãe se converteram oficialmente ao catolicismo romano, sendo ambos batizados na Igreja Católica.

Historiadores apontam que a conversão ocorreu principalmente devido ao crescente antissemitismo em Viena na época.

A mudança de religião facilitava a progressão em carreiras acadêmicas e médicas, que eram frequentemente obstaculizadas para cidadãos de origem judia no Império Austro-Húngaro.

Como podemos verificar não foi uma religião ou outra que levou a ciência a salvar vidas e mudar o conhecimento e possibilidades de usar e tratar o sangue humano, mas a integridade e amor à vida de um médico, Dr. Karl Landsteiner.



FONTES:

https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1930/landsteiner/biographical/

https://www.nobelprize.org/about/publications

https://www.rockefeller.edu/our-scientists/karl-landsteiner/2554-nobel-prize/

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11458791/

https://circulatingnow.nlm.nih.gov/2013/08/09/the-blood-donor-evolution/

https://archives.med.nyu.edu/node/3582

https://transfusionregistry.org/history/

https://erytro.com.br/blog/historia-da-hemoterapia-no-mundo-e-no-brasil/


terça-feira, 8 de setembro de 2026

ACONTECE: Shaná Tová 5787

por Regina P. Markus


ANO DOCE, ANO do AMOR, ANO da AMIZADE


Estamos a poucos dias de Rosh HaShaná. Estes são dias de preparo para entrar em um Novo Ano. De acordo com a tradição judaica, a Criação do Mundo começou no dia 25 de Elul. O conceito é que "Do Nada começou algo". Os dias que precedem o Ano Novo que se inicia na noite de 11 de setembro (1 Tishrei) são dias de preparação. Dias de lembrar e de programar. Dias em que o Shofar toca para acordar e recordar. Muitos vão pensar que errei a forma verbal da frase anterior. Deixo o recado, o Shofar é algo acima do tocador e daqueles que escutam. É o símbolo da continuidade. E só pode haver continuidade quando todos escutam o chamado!

No dia de Rosh HaShaná em Israel e nos dois dias de Rosh HaShaná fora de Israel aprendemos formas especiais de buscar dentro de cada um a sua verdade e ajustar com os muitos coletivos os nossos desejos e esperanças. É um período de grande simbolismo. O fato da comemoração ser feita em um único dia em Israel e em dois dias no resto do mundo indica algo especial. O calendário judaico é lunar e o dia 1 de Tishrei é determinado pela chegada da Lua Nova em Jerusalém. A notícia pode demorar a chegar, mas quando é importante, deve atingir a todos.

Dez dias após Rosh HaShaná chega o dia de Iom Kipur. Traduzido por muitos como "O Dia da Espiação". É um dia de "Esperança". O dia em que as relações pessoais são avaliadas e retomadas. Um dia de meditação e de limpeza interior.

Todos estes eventos são milenares, e a cada ano, buscamos identificar o que os torna únicos. Este ano de 5787 é único porque pela primeira vez desde 2014 não há r4f4ns isra4l4ns4s em G4z4.  

"Por que tantos 4s? Para lembrar que a nossa responsabilidade cresce em etapas: começa em nós (1), expande-se para o casal (2), estende-se aos filhos (3) e se completa com nossa comunidade (4)." Este ano agradeceremos a esta condição única e almejaremos que não mais se repita.

Em 5786 ocorreu um outro fato que não poderia ser imaginado anos atrás. A companhia israelense Rafael assinou um acordo preliminar para transformar a fábrica da Volkswagen localizada em Osnabrück, na Alemanha, em um centro de produção do Iron Dome. Um equipamento que protege contra ataques aéreos. Este é um equipamento usado para proteger vidas.


E vamos terminando o último ACONTECE do ano com a saudação tradicional.

Saudação que almeja o Doce, o Amor e a Esperança

Shaná Tová u Metuká.


                                    שָׁנָה טוֹבָה וּמְתוּקָה 



 


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ACONTECE: Por que toca o Shofar?

 


Por Juliana Rehfeld

Enquanto escuto o som do Shofar em Elul e ouço governantes e repórteres “trombeteando” as notícias deste nosso mundo… nesta última semana as situações de guerras e políticas tiveram pioras significativas: apesar de Putin voltar a mencionar um possível acordo com a Ucrânia, os duros combates - e as mortes -, continuam; a guerra entre EUA e Irã voltou a escalar em torno de Ormuz, subindo os preços de petróleo a ponto da Europa prever riscos à sua energia; apesar de haver cessar-fogo entre Israel e Hezbolah surgiram novos pontos de tensão no sul do Líbano que o Irã já inseriu em suas ameaças militares; em Gaza o cessar-fogo continua extremamente frágil com ataques e mortes; apesar de Netanyahu se referir a “apenas pequeno grupo de arruaceiros” na Cisjordânia ainda há ocorrências de violência por colonos contra árabes palestinos…

“Quando fordes à guerra, em vossa terra, contra o inimigo que vos oprime, tocareis as trombetas…”

— BaMidbar (no deserto) ou Números 10:9, Deus ordena a Moisés que faça duas trombetas de prata (חֲצוֹצְרוֹת, ḥaṣoṣərōt). Elas tinham várias funções: convocar a comunidade; dar sinais para levantar acampamento; anunciar a presença de toda a comunidade diante da Tenda do Encontro e, explicitamente, dar o sinal de guerra.

Mas havia também uma dimensão religiosa, o toque não era simplesmente um “alarme militar”. O versículo continua dizendo que, ao tocar as trombetas durante a guerra, Israel seria lembrado perante Deus e seria salvo de seus inimigos.

Já o shofar - שׁוֹפָר — era, e é, um instrumento natural feito de chifre de animal, geralmente Cordeiro, ou outro animal Casher como ovelha ou antílope, mas não vaca, utilizado em contextos religiosos, de convocação e ele também em ações militares.

Jericó — os sacerdotes tocam shofarot enquanto o povo marcha ao redor da cidade (Josué 6).

Gideão — os 300 homens usam shofarot para produzir confusão no acampamento midianita (Juízes 7).

A associação de instrumentos de sopro e guerras é muito mais ampla do que a tradição judaica. Ao longo da história, trombetas, cornetas e instrumentos semelhantes tiveram uma função essencialmente prática no campo de batalha: transmitir ordens a distância, quando a voz humana não alcançava as tropas; na Antiguidade e para gregos e romanos vários instrumentos davam o sinal para reunir, avançar e atacar.

Na Idade Média, as trombetas eram sinais de guerra; Na Europa medieval, passaram a estar fortemente associadas à cavalaria e à autoridade militar. Antes de uma batalha, os toques podiam: reunir os combatentes; anunciar a chegada de um comandante; ordenar o avanço; coordenar movimentos; anunciar retirada ou cessação dos combates.

A trombeta tornou-se também um símbolo visual e sonoro do poder militar. Reis, nobres e comandantes eram frequentemente acompanhados por trombeteiros.

Entre os séculos XVI e XIX, as cornetas e trombetas tornaram-se particularmente importantes na cavalaria.

Nos séculos XVIII e XIX, isso ficou ainda mais sistematizado.

Exércitos europeus desenvolveram regulamentos de sinais por corneta ou trompete.

Um dos exemplos mais conhecidos é “The Last Post”, associado às forças britânicas e posteriormente às cerimônias militares de homenagem aos mortos.

Outro é “Reveille”, tradicionalmente usado para marcar o despertar ou início das atividades militares.

Com o passar da história a transformação histórica mais interessante foi da comunicação prática ao símbolo:

Originalmente: 🎺 “Faça isto!”  Depois: 🎺 “O exército está se mobilizando.”

E finalmente: 🎺 “Atenção: estamos diante de algo solene, militar ou decisivo.”

Já o Shofar, embora possa ter antigamente sido usado para conduzir rebanhos, não é possível afirmar que essa fosse uma função tradicional documentada do shofar… a associação bíblica entre pastor e rebanho não depende do shofar. A metáfora do pastor vem da própria atividade pastoril — conduzir, proteger e cuidar do rebanho — enquanto o shofar adquiriu suas próprias funções de sinalização, convocação e ritual. O toque do Shofar tem seus próprios sinais padrão, o significado religioso dos diferentes toques foi desenvolvido pela tradição rabínica, enquanto o uso do shofar como sinal de convocação, alarme e guerra aparece no texto bíblico.

Na tradição judaica, os três sons básicos são:

Tekiah (תקיעה) — um toque longo, contínuo:

    TAAAAA

Shevarim (שברים) — três toques quebrados, mais curtos:

    TAA–TAA–TAA

Teruah (תרועה) — uma sequência de toques muito rápidos e entrecortados:

    TATATATATATA

Há ainda combinações desses sons, especialmente nos toques de Rosh Hashaná, mas por que esses toques? 

A Torá diz:

“Será para vós um dia de toque [יוֹם תְּרוּעָה]”

— Números 29:1

E a sequência cria um contraste muito expressivo:

som contínuo → som quebrado → som entrecortado → som contínuo

Na interpretação religiosa posterior, isso pode ser ouvido como uma espécie de movimento:

inteireza → ruptura → lamento → restauração.

São os momentos pelos quais afinal passamos ciclicamente e, de maneira intensa, imersa, no período que começa em Rosh Há Shaná .

O clamor do Shofar ao longo de Elul é um lembrete, um convite para deixarmos de ouvir as trombetas das guerras e demais batalhas com as quais lidamos diariamente para mergulhar nesta revisão, análise crítica, arrependimento e replanejamento - e dela sair restaurado (a) e reintegrado para “estar à altura” e “merecer” o privilégio - “dádiva” divina? - de percorrer mais um ciclo em vida…

Até que mergulhemos nos Iamim Noraim na semana que vem e ainda estamos invadidos pelas notícias, há vida além de Netanyahu, Trump, Irã e Gaza! 

A NASA publicou esta semana seu guia de observação do céu para setembro. Vênus estará particularmente brilhante, e haverá uma série de encontros aparentes entre a Lua e outros astros durante o mês, para nossa busca e contemplação! 

Shabat Shalom



quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Do coma à causa!

 



Sabe?

A vida capota, né mesmo? A mãe do Forrest Gump falava que era uma caixa de chocolates... Eu adoro essa visão cheia de sabor! Tudo parece que sempre volta, mas diferente... Diferente... Mas volta... Ah... Volta!

E se ela for um caleidoscópio, cheio de cores, mas totalmente imprevisível? A gente nunca sabe o que vem pela frente! Chocolates, caleidoscópio, carrossel... Não sei... Parece tudo isso junto. Tudo junto e misturado!

Mas tem um detalhe que é mais importante! Ela também é ciranda: todo mundo, de mãos dadas, girando, cantando... Lá a gente mesmo canta... O que a gente quiser!

Mas... tem horas em que a vida parece que perde o alumbramento! Tudo parece tédio! Escuridão! Prisão! Uma masmorra modorrenta, soturna, mofada... Cadê o tempo? Tudo perde o sentido...

Quero te contar... Eu já tive lá. Fui aprisionado nas profundezas de um coma! E foi exatamente lá que eu comecei a escutar o que o barulho do dia a dia nos esconde. ESCUTAR! ENXERGAR!

Sabe um rio barrento? Um barranco todo enlameado? Chuva... Cinza... Esperança? Desesperança? Nesses momentos, eu ouvia... Sussurros. Um idioma novo! Carinhoso! Curativo! Era eu! Identidade! Existir... Resistir!

Beep! Beep! Beep!

Os sons ritmados e constantes dos monitores hospitalares tornaram-se o relógio da minha sobrevivência. Tatuaram-se em brasa na minha personalidade. Cicatrizes sonoras que ainda ecoam na minha mente.

UTI... Eu lutava numa encruzilhada definitiva. Ou soltar as amarras e me deixar levar pelo repouso e pela calma, ou continuar lutando.

CONTINUAR LUTANDO!

E não é que tudo começou a clarear? Bem aos poucos... Dia após dia... E os dias viraram semanas... E depois... Por una Cabeza, o entendimento veio!

Por uma Cabeza...

Eu sabia que podia... Mas escolhi! Escolhi o serviço. Escolhi a Humanidade. Porque a Vida é Trabalho. Vida é Serviço. Vida é Liberdade.

A vida tinha parado naquela quinta-feira de Carnaval. O desgoverno de um caminhão arremessou o nosso carro numa ribanceira. Asfalto que rasgou a minha juventude. Que levou dois dos meus melhores amigos... Um para o túmulo, o outro para a inconsciência...

Minha primeira lembrança? Dia 22 de abril — o aniversário do nosso Brasil. Dia do Descobrimento! Uma festa do povo! Do Brasil! Renasci, paralisado, reaprendendo a respirar, a comer, a viver! Reaprender a EXISTIR!

Por uma Cabeza...

Um tempão depois, ainda em frangalhos e meio que me arrastando, trupicando, centro caótico de São Paulo, eu era a presa perfeita. Na lógica do Datena, eu deveria ter sido engolido pela violência ou, na melhor das hipóteses, passado batido pela indiferença da multidão.

É aí que a vida parece mesmo uma caixa de chocolates! Um caleidoscópio, colorido e imprevisível!

Invés do abuso, da violência, da bandidagem, só achei a alma decente, honesta e trabalhadora do povo brasileiro. Todos os dias tinham mãos estendidas de pessoas anônimas que, mesmo lutando suas próprias batalhas diárias para sobreviver, pararam para me dar um ombro amigo! Nunca pediram absolutamente nada!

Só compartilharam a sua Humanidade. A nossa Humanidade!

HUMANIDADE!

E não é que o trauma é um professor? Severo e implacável. Sabe o que ele me ensinou? Uma lição surpreendente, mas completamente óbvia: toda superação é coletiva. Nesse mundo ninguém se salva sozinho!

Claro que o esforço individual é importantíssimo, fundamental, mas ele depende de tanta gente, de tanta coisa...

Foi essa caminhada que me fez... Eu parei de "ver" o mundo com os olhos e passei a "enxergar" com a alma.

ENXERGAR!

No fim, minha sobrevivência deu luz a uma dívida impagável de gratidão. Nada de uma dívida chata, dessas que a gente se sacrifica pra pagar. Pelo contrário! É um prazer enorme! Quando a gente fala "muito obrigado" tá reconhecendo uma obrigação de trabalhar, de construir, um mundo estruturalmente mais inclusivo, digno e justo!

Eu escolhi dizer "Muito obrigado" para o Povo brasileiro!

Para o Povo!

Para todos... Juntos...

Iachad!

 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ACONTECE: Elul, Mulheres e Novos Caminhos

por Regina P. Markus

Lua Laranja anunciando um mês de Elul Especial


A LUA CHEIA acontecerá no dia 28 de agosto de 2026, à 01h19. Este é o dia 15 de Elul. Sim, no calendário judaico a lua cheia chega sempre no dia 15, marcando o meio do mês civil. Assim, Rosh Rodesh e Rosh haShaná marcam o início de cada mês e o início do ano civil. O ano religioso começa no mês de Nissan (dia 15, Lua Cheia). É o primeiro dia de Pessach e marca a saída do Egito. Este ano ocorrerá uma Eclipse Lunar Parcial, visivel em todo território brasileiro. 

A Lua estará no Perigeu, o ponto mais próximo da Terra, e será iluminada pelo Sol diretamente à noite. No eclipse lunar parcial que ocorre na madrugada de 27 para 28 de agosto de 2026, a Terra vai cobrir mais de 93% a 96% da Lua. Como a cobertura é quase total, a parte sombreada ganhará um tom vermelho-acobreado ou alaranjado, criando um efeito de "quase Lua de Sangue" visível a olho nu em todo o Brasil.

Nesta semana especial, a Leitura da Torá também traz "insights" que foram sendo revelados por mestres, sábios e pessoas do povo ao longo de milênios. Será lida a Parashá Ki Tetse (כִּי־תֵצֵא) - "Quando você sair". A 49a parashá da Torá, e a sexta do livro de Devarim inicia com uma fala direta de HaShem a uma pessoa. Não há intermediários. E é nesta relação direta que são tratadas (1) Leis de Guerra, (2) Relações Familiares, (3) Justiça Social e Empatia, (4) Proteção aos Animais e Ecologia, (5) Combinação e Mistura, (6) Honestidade no Comércio e (7) Memória Histórica. Trata de colocar de forma organizada regras de conduta e obrigações em diferentes condições da vida. Junto às regras são apresentadas formas de avaliar e ajustar as condutas, quer através de conselhos quer através de punições. Algumas muito severas e outras aplicadas a diferentes grupos da sociedade da época. Ao longo de milênios, as interpretações mostram a importância de ter regras que possam ser iterpretadas e ajustadas. Vamos comentar principalmente as ligadas à mulher. O início do texto é direto:

21:10 "Quando saíres à guerra contra os teus inimigos, e o Eterno, teu Deus, os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares cativos",
21:11 "E vires entre os cativos uma mulher formosa, e te afeiçoares a ela, e a quiseres tomar por mulher",

E na continuação são ditadas regras e comentadas opções. A primeira abordagem exige que a esta mulher seja dado um período de luto quando ela raspará a cabeça e se vestirá com trajes vulgares e rasgados. Poderá ficar isolada em sua dor quando reingressar à sociedade estará numa fase de recuperação. 

Ao terminar vamos olhar o presente. Escutando o comentário de David Elmescany no Instagram dia 27 de agosto às 5h30 da manhã encontro um fato que sugere fortemente NOVOS CAMINHOS. @elmescany conta que o Irã ameaçou o mundo inteiro com o Estreito de Ormuz. No dia de ontem saíram 25 milhões de barris de petróleo que atravessaram o estreito em pequenos navios com rastreador desligado. Longe dali, os navios pequenos encostam em navio grande que recebe o petróleo do navio pequeno. Desta forma, sem tiro, sem manchete e sem discurso o petróleo de todos os países da região, a menos do Irã.

Lentamente, vemos que estamos entrando em uma nova era. A Lua Laranja apontando para a Mulher ontem, hoje e amanhã. O mês de Elul e o toque do Shofar confirmando que temos as portas da esperança abertas e vamos atravessar tendo feito um bom balanço. 

Shana Tová

Regina



Rashi (Rabino Schlomo Yitzhak) – 1040 a 1105, França e Alemanha

A Mulher Bonita na Guerra (Yfat Toar): A Torá permite que um soldado se case com uma cativa de guerra sob regras estritas. Rashi explica que a Torá abriu uma concessão apenas para aplacar a inclinação ao mal (yetzer hará) do soldado em combate.
Yehuda Halevi (século XII), aborda o tema em sua obra-prima clássica, o Kuzari.
O Equilíbrio contra o Ascetismo Extremo: Muitas leis de Ki Tetze lidam com prazeres físicos regulados (o soldado que deseja a cativa bonita, o homem com duas esposas, as leis de casamento e divórcio). 
Santificação, não Abnegação: Halevi usa a estrutura dessas leis para argumentar contra a filosofia ascética. No Kuzari, ele afirma que o judaísmo não exige que o homem anule seus desejos físicos ou viva em isolamento. A Torá, especialmente em Ki Tetze, molda e canaliza as paixões humanas (guerra, sexo, comércio, alimentação) inserindo-as em uma moldura de santidade. O servo de Deus serve ao Criador através do usufruto correto do mundo.


Rambam (Maimônides, 1138, Córdoba, Andaluzia –1204, Fustat, antigo Cairo,  Egito) 

Analisa a lei da "mulher formosa capturada na guerra" (Eshet Yefat Toar) sob duas perspectivas complementares: a racionalista/filosófica (em sua obra Guia dos Perplexos) e a jurídica/haláquica (no seu código de leis Mishnê Torá).
 
1. A Perspectiva Filosófica (O Guia dos Perplexos)
No Guia dos Perplexos (Parte 3, Capítulo 41), o Rambam explica que as restrições impostas pela Torá sobre a cativa servem como um mecanismo pedagógico para refrear as paixões brutas do ser humano em momentos de caos.
Concessão à Fraqueza Humana: O Rambam concorda com o princípio talmúdico de que "a Torá falou apenas contra a inclinação ao mal" (lo dibrá Torá ela negued ietser hará). Ele afirma que, no calor da guerra, o ímpeto e o desejo do soldado são quase incontroláveis. Se a Torá proibisse a mulher completamente, o soldado violaria a lei.
Educação pelo Desprazer: Ao obrigar a mulher a raspar a cabeça, deixar as unhas crescerem (ou cortá-las de forma a ficarem feias) e chorar por seus pais durante 30 dias na casa do soldado, a Torá sabota deliberadamente o desejo dele. O Rambam argumenta que essas ações removem a atração estética inicial, forçando o homem a vê-la em seu estado mais vulnerável e triste, o que geralmente faz com que ele desista do casamento por pura perda de interesse físico. 
2. A Perspectiva Jurídica (Mishnê Torá)
No Mishnê Torá (nas Leis de Reis e Suas Guerras, Capítulo 8), o Rambam codifica detalhadamente os limites legais dessa mitsvá, trazendo duas decisões de extremo impacto ético:
Apenas uma Relação sob Concessão: O Rambam decreta que o soldado só tem permissão de ter uma única relação inicial com a mulher enquanto ela ainda é gentia, movido puramente pelo ápice de seu impulso no campo de batalha. Depois dessa primeira vez, ela se torna proibida para ele até que todo o processo de um mês de resguardo e conversão seja concluído. [2, 3] 
A Proibição do Abuso Contínuo: Ele enfatiza rigorosamente que o soldado não pode tomá-la como escrava sexual ou abusar dela repetidamente. Se, após o período de teste, o soldado não quiser se casar legalmente com ela, ou se ela se recusar terminantemente a abandonar a idolatria após 12 meses de paciência, ele é obrigado a libertá-la totalmente. Ela sai livre e o homem não pode vendê-la, funcionando como uma proteção legal à dignidade da mulher. 

Ramban (Nachmânides, Rabino Moshe ben Nachman) – 1194 - Catalunha e 1270 (Terra de Israel, Acre ou Jerusalém)

Além de concordar que o processo serve para esfriar o desejo físico do soldado, o Ramban destaca a dignidade da mulher. Ela deve ter tempo para chorar a perda de sua antiga vida e de seus pais pagãos. Esse período de isolamento e pranto permite que ela separe o passado e o futuro através de um período de luto em que o dia a dia delineia fronteiras. Mente e alma são preparadas para entrar de forma digna e voluntária na Casa de Israel.


Ben Ish Chai (Rabino Yosef Chaim de Bagdá, Iraque) -século XIX (1835-1909)

Foca seus comentários no refinamento ético e nos paralelos místicos baseados nos ensinamentos do Arizal (Cabalá de Safed do Rav Isaac Luria). A guerra é descrita como o combate contra o mal (Yetzer Hará) e não um combate físico. Neste caso a “Mulher Formosa” (Eshet Yefat Toar) é uma centelha de santidade (Nitsotsót Kedushá). 

E muitos outros poderiam ser aqui colocados.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Parque de animais no deserto reinventa o conceito de zoológico

 

O Midbarium de Beersheva é um parque único onde animais resgatados circulam livremente, enquanto as crianças interagem com eles através de jogos interativos.

 

Simulação de crianças em uma parede de escalada ao lado do habitat do íbex. Foto cortesia da Midbarium.

“Isto não é um zoológico!”, disse Moran Levy, coordenador digital do Midbarium Desert Animal Park , ao ISRAEL21c no início da nossa visita. 

Essa mensagem é transmitida diversas vezes durante nossa jornada pelo parque em Beersheva, a 40 quilômetros (25 milhas) de Gaza. 

Redefinindo os zoológicos

O Midbarium não é um zoológico convencional, mas sim um parque de animais interativo e único. 

A maioria dos 100 animais que vivem em Midbarium são animais resgatados que não podem ser devolvidos à natureza, trazidos para o parque de outros abrigos para animais em Israel, bem como de outras partes do mundo. 

“Temos uma clínica aqui que trata animais, como uma estação de trânsito. Se necessário, transferimos os animais para tratamento adicional ou os mantemos aqui. Se for possível soltá-los na natureza, também o fazemos”, explica Levy. 

Há, por exemplo, pelicanos com asas irreparavelmente danificadas, um hipopótamo que foi intimidado por outros hipopótamos e leões brancos que não teriam chance de sobreviver na natureza. A maioria das espécies do Midbarium são adaptadas ao deserto ( midbar significa "deserto" em hebraico). 


O recinto dos leões brancos em Midbarium. Foto de Natalie Selvin.


Cada espécie vive em um habitat semelhante ao seu habitat natural. Os quatro principais habitats do parque — Canyon, Arava (planícies gramadas), Oasis e Savanna — estão interligados por trilhas. 

Cada recinto é enorme, com poucos animais, o que lhes permite circular livremente e sem restrições de espaço físico. "Os animais têm vastas áreas abertas só para eles", diz Levy. 

O parque também é ecológico e atrai animais selvagens de fora de Midbarium, como patos e gansos. "Eles podem ir para onde quiserem, mas escolhem vir para cá; aqui encontram água e comida", diz ela, referindo-se ao grande lago no meio do parque. 

 

Interativo

O parque conta com 15 “experiências” interativas, concebidas principalmente para crianças, que as ensinam a “se colocar no lugar” dos animais. 

A tecnologia de captura de movimento permite caçar como um crocodilo, imitar o padrão de corrida de uma zebra ou voar — em uma rede ventilada — como uma águia, o que posso garantir que é muito legal, pois já experimentei pessoalmente.  

 

Uma instalação interativa no Midbarium que permite caçar como um crocodilo. 


“Há uma forte ênfase na acessibilidade, para que pessoas com necessidades especiais também possam desfrutar dessas [instalações interativas]”, observa Levy. 

O recinto das girafas possui um elevador que leva você até a altura aproximada do topo da cabeça do animal. Enquanto você sobe, uma voz automatizada, transmitida pelo alto-falante dentro do elevador, informa, sem parar, fatos sobre girafas. 

Só o recinto dos babuínos já fará você sentir que valeu a pena o investimento. O jogo interativo não só envolve literalmente fazer caretas de macaco para imitar o medo, a felicidade ou a raiva de um babuíno, como os próprios animais são fascinantes.


Entrada para a instalação interativa do recinto dos babuínos. 

“Aqui existe um governante do sexo masculino, e é basicamente ele quem decide tudo; quem acasala com as fêmeas, cria os filhos e decide o que e quando o resto do 'harém' come”, diz Michal, um guia do parque. 

Michal acrescenta que há outro babuíno macho no bando que eventualmente se cansará do líder e o desafiará. Esses incidentes às vezes levam a lutas mortais.

Ah, e também há uma área onde você pode acariciar cabras domésticas.


Um recinto onde os visitantes podem interagir com cabras domésticas no Midbarium. 


Começo difícil

O parque de animais de 37 acres substituiu o antigo Zoológico do Negev, que fechou em outubro de 2022. 

A inauguração oficial do Midbarium estava prevista para novembro de 2023, mas os ataques de 7 de outubro e a guerra subsequente frustraram esses planos. 

O parque, que custou 60 milhões de dólares, permaneceu fechado por quase um ano, enquanto a equipe, gravemente reduzida em termos de pessoal, cuidava e alimentava os animais sob a ameaça constante de disparos de foguetes e sirenes de ataque aéreo. 

 

“Isso também teve um grande impacto na importação de animais [do exterior], porque não havia voos, nem navios, nada; estávamos no meio de uma verdadeira crise”, diz Levy.

Ela acrescenta que, embora o parque tenha permanecido aberto consistentemente nos últimos meses, existe sempre o receio de que a guerra recomece com a mesma intensidade de antes.

“Não sabemos o que acontecerá amanhã”, observa Levy. 

 

Artigo traduzido do original publicado No Israel21C. Confira aqui.