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terça-feira, 5 de maio de 2026

VOCÊ SABIA? - Será esta a Arca de Noé?

 

Arqueólogos anunciam grandes novidades e descobertas bombásticas se aprofundam com as novas pesquisas: será esta a Arca de Noé?

Por Itanira Heineberg



Um mistério que navega há séculos e permanece indecifrável...

Mito simbólico de purificação?

Obediência a D’us? Significado espiritual? Ou a Salvação, uma prova física?

Você Sabia que novas descobertas em um sítio montanhoso turco — incluindo formações de túneis subterrâneos, vestígios do que podem ser vigas estruturais e solo contendo três vezes mais matéria orgânica do terreno ao redor — estão alimentando afirmações ousadas de que os restos da arca bíblica estão logo abaixo da superfície?

Pesquisadores turcos e dos EUA investigam uma formação rochosa que possui o formato de um navio. Amostras de solo e rocha sugerem que a área pode ter abrigado uma estrutura construída, indicando atividade humana no local da formação Durpinar, Monte Ararat.

A Arca de Noé, descrita no Gênesis como um refúgio contra o Dilúvio, permanece um mistério entre fé e arqueologia. Busca-se sua localização no Monte Ararat (Turquia) e a viabilidade técnica de abrigar animais. Embora pesquisadores encontrem formações rochosas intrigantes, procuram-se provas definitivas, com muitos historiadores considerando a narrativa um relato de eventos geológicos reais.

O Monte Ararat, na Turquia, é o local bíblico, mas expedições ao longo de décadas não produziram evidências arqueológicas inquestionáveis.

Fotos de satélite e pesquisadores identificaram formações em forma de barco que alguns acreditam ser a arca, mas estudos geológicos geralmente indicam formações naturais.

A Bíblia detalha um navio de proporções gigantescas (140 metros). Especialistas debatem como uma embarcação de madeira dessa magnitude suportaria o peso e a movimentação em mar revolto.

Apesar de estimar-se que poderiam caber milhares de espécies, fica o mistério na logística de alimentação, limpeza e sobrevivência de pares de todos os animais terrestres por meses.



Em 1959 geologistas encontraram uma formação na montanha que lembraria  a base de uma embarcação incrustada na rocha na região da Turquia, Monte Ararat.

Andrew Jones, um dos pesquisadores no sítio, afirmou recentemente aos jornalistas da Fox News que acredita ter finalmente encontrado os restos mortais decadentes da Arca de Noé.

Jones afirma que não se trata uma formação natural, pois revela a dimensão da arca conforme a Bíblia, a localização está correta e a parte interna apresenta três vezes mais solo orgânico do que o exterior. Ele acredita que realmente tenham encontrado a Arca de Noé - um objeto distinto e com certeza não uma parte da montanha.

O mistério aparece agora como realidade, com a presença de vigas de suporte de parede, túneis ocultos com 4 metros de profundidade e dois metros de altura, uma arquitetura realizada por homens, versus a probabilidade de ser uma formação natural.



 

Profissionais da Turquia e dos Estados Unidos vão criar robôs com a finalidade de explorarem os túneis e tirarem fotos de seus interiores.

Mais um passo em busca da descoberta final deste grande mistério bíblico!

Abaixo apresentamos um vídeo contando as descobertas do grupo de pesquisadores de Jones para o canal Fox News. É possível assistir em português também.



Quando o mundo parece estar inevitavelmente condenado a um trágico fim, o último verso da primeira leitura da Torá revela a existência de um homem que asseguraria a sobrevivência dos habitantes da terra: “Mas Noé encontrou favor aos olhos de D’us" (Gênese 6:8). O cataclisma estava sendo preparado, porém, como ensina o Talmud, “o remédio para o mal sempre precede o próprio mal”. A esperança renasce no horizonte quando D’us concentra Seu amor sobre um homem, Noé, e sua família. É a partir deles que o Todo Poderoso decide reconstruir o futuro de Seu mundo. Mas quem era Noé? Sua história, relatada no livro Gênese, da Torá, serve como prova explícita de que um único homem justo e bondoso pode salvar toda a humanidade.




FONTES:

https://unitedwithisrael.org/watch-scientists-say-they-may-have-finally-found-noahs-ark/

https://www.clickideia.com.br/portal/conteudos/c/64/28260

https://www.morasha.com.br/curiosidades/no-dia-17-de-sivan-a-arca-de-noach-noe-parou-sobre-o-pico-do-monte-ararat-isto-ocorreu-sete-meses.html

https://www.morasha.com.br/profetas-e-sabios/noe-o-pai-da-humanidade.html


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Iachad (juntos - יחד) - Chaverim e a Revolução pela Amizade e pela Convivência



Imagine um chaveiro...

Sabe? Daqueles que a gente carrega e às vezes perde?

Cada chave com um desenho diferente, cada uma abrindo uma porta do mundo e, às vezes, do coração...

O Chaverim, para mim, sempre foi isso... De certa forma, um chaveiro de gente. Um chaveiro da gente! Gente que abre... Que destranca... Gente que constrói pertencimento!

Quando eu tomei conhecimento dele, ali, naquela primeira vez... Eu achava que ia ser só uma palestra... Mais uma! Era só mais um convite... Bem... Essa “palestra” em que eu mais escuto que falo, já dura mais de década!

Cheguei lá meio à toa. Ganhei uma família. Várias! Eu tava lá, assistindo a um laboratório de amizade, acolhimento e humanidade.

É uma revolução pela convivência. Pela amizade!

Sim... Em hebraico, “Chaverim” significa “amigos”. Mas O Chaverim significa muito mais... É o canto pela união daquilo que o mundo insiste em separar!

É curioso como, para enfrentar o antissemitismo, muita gente pensa que basta ensinar história, denunciar o ódio, explicar contextos. Sempre tive minhas dúvidas... Não me entenda mal, por favor! Claro que isso é necessário! É que não basta...

O antissemitismo — como todo preconceito — se dissolve é na convivência. Odiar de longe é sempre mais fácil; é no encontro que o erro se desmancha.

E é isso que o Chaverim faz, há mais de trinta anos... 30 anos! Não são 30 dias. Não é uma iniciativa de agora. Quando o mundo nem sonhava com pertencer, acolher e conviver, ele já tava lá...

Criando encontros. Laços. Vínculos tão verdadeiros que nenhuma desinformação consegue romper!

Sabe o mais legal? É muito divertido perceber como essa caminhada — tão judaica e tão brasileira — acaba por ressaltar uma obviedade: a gente é muito igual!

Quem tem mãe ou avó mineira sabe do que eu tô falando... Ela sempre manda levar um casaquinho, uma matulinha... Toda vez! Ela fala que a gente precisa comer mais... Sabe uma Yiddish Momme?

Quem já viu mesa grande em Minas, Goiás ou no sertão paulista reconhece de longe aquelas conversas paralelas, aquele falatório... Tá todo mundo em uma estação diferente, mas ninguém perde o fio da meada. E nas reuniões?

E os temperos? A abundância asquenazi convivendo, sem conflito, com o calor dos sabores sefaradis — tudo isso fala ao Brasil profundo.

Até o trânsito...

Acho que por isso o Chaverim seja tão importante no combate ao antissemitismo. Ele aproxima. Ele mostra a Humanidade... Ele destrói a lógica do “outro” e inaugura a lógica do “nós”.

Janusz Korczak dizia que educar é acordar almas adormecidas. E, por muito tempo, nossa sociedade — estruturada num capacitismo quase inconsciente — tentou manter muitas almas dormindo.

O Chaverim é o som do shofar que desperta. Acorda talentos, acorda habilidades, acorda autoestima. E acorda também a sociedade para uma obviedade: a inclusão não é favor; é ética e inovadora!

A gente nunca tenta “consertar” ninguém... Ia ser o cúmulo da arrogância, né? Quem sou eu na fila do pão pra achar que sei consertar alguém (seja lá o que isso signifique...). A gente luta pra remover barreiras.

Ali se constrói pertencimento. Ali se dá as mãos — e quando a gente se dá as mãos, as limitações de uns são sempre complementadas pelas forças de outros.

É por isso que eu digo que o Chaverim é um chaveiro... De pérolas!

Cada pessoa que chega ali é uma chave. E cada chave abre uma pérola escondida, que tá lá dentro da nossa alma, quietinha, só esperando um ambiente de sorriso e acolhimento pra brilhar.

Sabe o som do shofar que desperta as almas?

Esse é o pulo do gato! Pra mim, o Chaverim deveria ser conhecido por toda a sociedade. Deveria ser abraçado por escolas públicas, universidades, empresas, órgãos privados e públicos... Em tempos de ódio, o Chaverim também é um antídoto!

Uma revolução da Amizade!

A comunidade judaica não só está no Brasil. Ela é parte do Brasil! E o Chaverim é a prova disso: judaico, brasileiro e universal, comunitário e acolhedor, identitário e aberto!

No fim das contas, o antissemitismo — assim como qualquer preconceito — não resiste ao encontro. E o Chaverim é encontro puro. Encontro como método. Encontro como cura.

Ali, cada chave abre um peito. Cada peito revela uma pérola. E cada pérola reacende nossa fé na humanidade.

Eu disse uma vez, e repito agora: hoje, sou um pouco o Chaverim.
E o Chaverim é um pouco da minha essência. É impossível passar por lá e sair o mesmo...

Muito obrigado, Chaverim...

Realmente... Pra iluminar o mundo, basta despertar uma alma...

Só uma...

De cada vez!

André Naves, vice-presidente do Chaverim.

 


quarta-feira, 29 de abril de 2026

ACONTECE: A Vida surpreende - Emoções Novas neste 2026

Por Regina P Markus - 30 de abril de 2026


Salus Loch - que maneira maravilhosa de contar uma história da SHOÁ!
A foto é original e acompanhou Hannah Chevalier (82 anos) ao longo de sua vida!

Poucas vezes me lembro de chorar. Chorar de forma silenciosa e copiosa. Lágrimas que escorriam pelo rosto, comemorando a VIDA — Le Chaim. Foi no dia 26 de abril, no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto (MIJH), em São Paulo. Fui convidada por Hannah Chevalier, filha e genro, que são queridos amigos da Sinagoga Hebraica, para a tarde de autógrafos do livro PITZI, a testemunha de pano, escrito por  Salus LochUma charmosa boneca que acompanhou a vida de Hannah, sobrevivente da Shoá, nascida em 1944. Nesses dias que separam a "comemoração" da liberdade da "comemoração" da responsabilidade, e em que há momentos de expectativa em Israel, resolvi compartilhar o porquê de tanta emoção. A vida é o caminho que escolhemos para viver, é a sorte de sermos distinguidas com forças para superar e alegria para criar. Entre no Blogger e leia um "aperitivo" do livro mais fascinante que li nos últimos anos. 

O MIJH é um prédio especial localizado na Rua da Graça 160, no Bom Retiro. Em 1900, era um edifício modesto que recebia imigrantes que desembarcavam no Porto de Santos, subiam de trem até a Estação da Luz, em São Paulo, e encontravam camas para descansar e passar os primeiros dias. Em 1912, foi fundada a primeira sinagoga do Estado de São Paulo, Kehilat Israel.

A imigração judaica estava presente neste edifício, que abrigava a todos. Não era necessário pagar. Com o estabelecimento da comunidade judaica, os que tinham passado os primeiros dias naquele espaço passaram a contribuir com doações de diferentes tipos. E as lembranças pessoais foram se transformando em material histórico de grande importância. Em 2016/2017 é aberta uma exposição permanente sobre a imigração resultante da Shoá. Espaço muito ativo, com cursos para todas as idades e classes sociais, com o propósito de divulgar a comunidade judaica a todos, inclusive a judeus.

A sessão começa com as boas-vindas da Coordenadora Educacional do MIJH, Ilana, com palavras que introduzem o autor, o livro e a Hannah Chevalier. Evitando o spoiler, comenta que foi o MIHJ que abriu espaço para Hannah contar sua história e inspirar grupos de crianças, jovens e adultos a viverem sem barreiras, mantendo a sua identidade.

Busco na internet informações sobre Saulus Loch que registram o que foi narrado. É um jornalista gaúcho não judeu, escritor, advogado e pesquisador brasileiro reconhecido mundialmente por seu trabalho na cobertura e no estudo da memória da Shoá. Percorreu o mundo ocidental e oriental em busca de fatos que confirmassem histórias do Holocausto e, mais ainda, iniciou a escrita de livros que contam, em forma de romance, a vida de sobreviventes. PITZIL é o segundo.

A seguir, Ilana dá a palavra a Dona Hannah Chevalier. Hoje, aos 82 anos, uma senhora elegante, com voz firme e olhos atentos. Eu a conheço de longa data. Fui ao lançamento do livro a convite de sua filha e já havia ouvido a história em outras ocasiões. Hannah aparecia pouco entre os sobreviventes porque não viveu a Shoá; nasceu ao final da Shoá, na Bélgica.

Nasceu em uma prisão e foi levada nas costas de sua mãe, como um embrulho, para enfrentar um pelotão de fuzilamento. Qual a idade? Quando nasceu? Como foi resgatada? Entra no jogo da vida o comandante alemão que pressentiu vida no embrulho nas costas da partizã belga. Ela não conheceu os pais, mas teve a sorte de que conseguiram resgatar seus nomes porque pertenciam ao Maquis. Estes eram grupos de resistência belgas, que operavam de forma isolada, com apenas um homem conhecendo todos os grupos. Desta forma, não havia possibilidade de cruzamento de informações.

E o suspense foi aberto – para que pudéssemos ouvir a voz da boneca de pano, Pitzi, contar, passo a passo, o que “mamãe” viveu. E assim era como Hannah escutava a voz de Pitzi. Ela, muito cedo, tornou-se mãe zelosa da boneca que foi um presente do oficial alemão que a salvou. Sim, é como estão imaginando, este homem acompanhou Hannah por muitos anos em um orfanato no Mosteiro Jesuíta em Charlesroi. Père Joseph Valentier, o comendador do mosteiro, dirigia também um orfanato, criado durante a guerra, para abrigar crianças de todas as origens que foram deixadas sozinhas ou ficaram órfãs por causa do nazismo.

Hannah era especial; foi levada ao mosteiro pela Sra. Ivonne Nèvejean, uma belga cristã que salvou mais de 4.000 crianças e cujo legado hoje está registrado no Yad haShem, em Israel. A forma como o oficial alemão burlou toda a segurança para entregar a bebê salva da lama à senhora Yvone precisa ser ouvida, lida e sentida através das palavras da boneca Pitzi. 

E os milagres continuam. Vamos manter à disposição dos nossos leitores as chamadas para as próximas falas de Hannah.
Encerro por hoje com a citação que aparece no livro:





Seguimos atentos neste momento de espera em Israel e acompanhando as muitas manifestações de apoio.


1 - ATUALIZAÇÃO DE NOTÍCIAS 🚨🇬🇧 O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou o ataque a faca no bairro de Golders Green, em Londres, afirmando durante um discurso no Parlamento que a onda de esfaqueamentos foi "muito perturbadora". Ele observou: "Há agora uma investigação policial em andamento e acredito que todos precisamos fazer tudo o que pudermos para apoiar essa investigação e estar absolutamente determinados em nossa intenção de combater todos esses crimes, do tipo que temos visto com muita frequência recentemente". De acordo com a BBC, o estado de saúde das duas vítimas judias feridas é descrito como grave.


2 -JERUSALEM POST - 28 de abril de 2026 
As negociações entre os EUA e Israel devem discutir transferências de verbas da ajuda militar para uma parceria conjunta de defesa. Conversas começam em maio.


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Acontece: Israel, que pulsa forte apesar de…

 Por Juliana Rehfeld



Já marcamos, na semana passada, Yom HaShoah, no qual lembramos o pior crime contra a humanidade, o Holocausto. O crime que de jamais imaginável, passou a inesquecível embora tantos tentem negar e apagar do calendário. O crime que tem seus perpetradores diretos apontados, julgados pelas leis humanas, já há décadas auto declarados, penitentes e compensadores, mas jamais perdoados, por todos os herdeiros tanto das perdas como da culpa. Mas é principalmente o crime que torna a humanidade toda culpada mas impune porque os sinais de que poderia vir ou mesmo os sinais de que estava ocorrendo foram ignorados, escondidos para debaixo dos tapetes em que as nações pisavam. As pessoas e os países se omitiram e quando se deram conta de que não se podiam mais calar, a humanidade como espécie sangrou. Os que viveram isto pessoalmente já quase todos morreram, deixando como herança a obrigação de não se deixar cair no esquecimento para que aquilo jamais se possa repetir… mas, mesmo com tantos mecanismos criados para prevenir ou impedir que crimes contra a humanidade se repitam, eles continuam a ocorrer. E o silêncio que os encobre também se reconstruiu, e ele se sobrepõe às gritarias que desviam atenção e enganam, desinformam, permitem que os crimes se acumulem…

Nesta semana, Yom HaZikaron e Yom Ha’atzmaut, dia da lembrança pelos tombados nas guerras e pelo terrorismo, e dia da Independência do Estado de Israel. A semana em que esses dias imensos se seguem é sempre uma “montanha russa” de emoções misturadas, desencontradas mas que se encontram no nosso coração humano. A sirene para o país na véspera. Mergulhamos no luto da perda de tantos e tantas que trazemos no coração e na mente para que suas pegadas e a chama intensa de suas vidas não se apaguem, permanecemos firmes no propósito de testemunhar que estiveram presentes, construíram obras e laços, e deixaram legados. A sirene toca por dois minutos, paralisa o país inteiro, envolve tudo e todos em um silêncio proposital, imposto mas consensuado, tácito e cúmplice, pois compartilhado. O dia segue, triste. Mas, logo no momento seguinte da véspera da data de independência, começamos a comemorar aqueles legados, o bastão passado na corrida de revezamento de gerações que é esta vida neste mundo, e celebramos a construção que sucedeu as perdas, a dificílima construção de um país, a realização de tantos sonhos nacionais e pessoais, a “volta por cima enquanto sacudimos a poeira das quedas”, o lugar de encontro de tantas culturas e raizes diversas, Israel, que pulsa forte apesar de… 

Diminuto mas dividido Estado, que sangra e canta ao mesmo tempo, produz maravilhas enquanto gera más notícias, provoca orgulho enquanto pede reflexão, é um milagre mas exige explicação, uma potência que no entanto precisa de defesa e apoio, um lar nacional no qual a família briga incessantemente. Mas sim, sangra e canta ao mesmo tempo. Por dentro e por fora, na comunidade expandida, na diáspora comprometida, no povo compartilhado pela história e destino comuns.

Nossa construção coletiva desde a saída do Egito à formação do povo no recebimento da Torá no deserto. A jornada marcada pela contagem de 7 semanas do Omer, que se repete enquanto continuarmos a mantê-la significativa. escreveu Jonathan Sacks z’l : “ O tempo não é uma série de eternas recorrências na qual nada finalmente muda. O tempo cíclico é profundamente conservador enquanto o tempo com aliança, compromissado, é profundamente revolucionário; e ambos têm expressão na contagem do Omer”

O conservador e o revolucionário convivem na nossa história, nos nossos lutos e nas nossas celebrações.

Israel. Difícil para céticos ou cardíacos, um desafio para a torcida crítica, uma convocação ao alistamento de argumentos, um paciente em permanente emergência, um jovem sobrevivente e por cuja sobrevivência sangramos e cantamos ao mesmo tempo. 

Shabat Shalom

quarta-feira, 22 de abril de 2026

VOCÊ SABIA? - Gafanhotos: cápsulas de Proteínas com patas

 

Por Itanira Heineberg




Você Sabia que, talvez a melhor notícia que eu tenha lido ultimamente nestes dias de guerras, incertezas, mortes e muitas Fake News, seja a criação de uma indústria que transforma os gafanhotos, estes agressivos e destruidores insetos - uma praga bíblica que permanece praga até hoje, em uma proteína perfeita?

São 72% de proteína pura, zero desperdício em sua produção, uso reduzido de água, um substituto para a carne bovina, com tudo de bom, sem o mal da gordura saturada e do colesterol e livres de açúcar?

Aleluia! Que notícia agradável aos nossos ouvidos cansados de tiroteios, bombas, mísseis e perda de vidas humanas.

Gafanhotos peregrinos são mencionados no Antigo Testamento: uma das dez pragas do Egito infligidas por Deus ao faraó para obrigá-lo a libertar os judeus mantidos em escravidão. Segundo o texto, enxames de gafanhotos devoravam toda a vegetação, causando a ruína do Egito. Em Levítico, um dos cinco livros do Pentateuco, uma passagem afirma que algumas espécies de gafanhotos são kosher.   

A empresa israelense Hargol FoodTech pretende se tornar a primeira a vender gafanhotos em larga escala como alimentos sustentáveis.

Para Dror Tamir, CEO da Hargol, "os gafanhotos são a solução", conforme garantiu à AFP durante uma visita às instalações da empresa, situada na parte das Colinas de Golã ocupada por Israel desde 1967 e posteriormente anexada. Quase 25 mil colonos israelenses vivem neste território. Preocupado com o impacto do gado no meio ambiente, Tamir criou a empresa há seis anos e meio e gostaria que fosse "a primeira do mundo a produzir gafanhotos em grande escala comercial para fornecer uma fonte de proteína mais saudável e sustentável".

Por trás de sua ideia de fazer o maior número possível de pessoas comer este inseto há memórias de infância, quando ouviu histórias de gafanhotos que destruíram na década de 1950 os campos do kibutz onde foi criado. Mas, acima de tudo, lembranças de que os judeus de origem iemenita os degustavam com prazer. Ciente de que esses insetos podem ser repulsivos, a Hargol (gafanhoto em hebraico) transforma o animal em pó para fazer barras energéticas, jujubas, falafels (bolinhos de grão de bico) e biscoitos.

Com uma população global que pode chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050, alimentar o planeta se tornará um desafio, diz Ram Reifen, professor de nutrição da Universidade Hebraica de Jerusalém .

Os gafanhotos são ricos em proteínas, zinco e ferro – minerais que muitas pessoas ao redor do mundo não consomem em quantidade suficiente – e emitem muito poucos gases de efeito estufa.

"O que tememos é a falta de fontes de proteína", explica Tamir, porque a pecuária, que consome muita água, será um problema crescente. Antes de serem processados, assados ou fritos, os gafanhotos contêm mais de 70% de proteínas, mas também aminoácidos e outros nutrientes. "Eles têm tudo de bom, sem o mal", como gordura saturada e colesterol, e, portanto, poderiam substituir outras fontes de proteína, como a carne bovina. Ainda segundo Temir, cerca de 2,5 bilhões de pessoas consomem insetos regularmente, principalmente gafanhotos. "Mas quando se trata de atingir os consumidores norte-americanos e europeus, é muito difícil superar o fator 'que nojo'", declara Tamir.




Judeus no Iêmen e no norte da África os consomem há décadas, mas os judeus asquenazes (originários da Europa Central e Oriental) nunca os comeram.

Segundo o rabino Eliezer Simcha Weisz, membro do conselho do Rabinato, o problema é que a literatura rabínica europeia "indicou explicitamente que não temos tradição de comê-los". Uma razão plausível é a falta de gafanhotos na Europa.

O assunto está sendo debatido "amplamente" no Rabinato e a emissão de um certificado pode levar tempo, relata o rabino, que especifica no entanto que "o fato de a Torá dizer que é comestível parece indicar que pode ser o alimento do futuro".

Enquanto aguarda autorização das autoridades rabínicas, Dror Tamir decidiu enriquecer a gama de produtos propondo um pote de gafanhotos com mel. "De acordo com o Novo Testamento, João Batista costumava comer gafanhotos com mel", explica o empresário.

O gafanhoto é o único inseto considerado kosher. Trechos específicos da Torá afirmam que quatro tipos de gafanhotos do deserto - o vermelho, o amarelo, o cinza manchado e o branco - são comestíveis.

Esta máquina biológica mais eficiente do planeta também provê um fertilizante orgânico para as plantações: suas fezes.

O inseto em consideração, dono de mandíbulas poderosas e arrasadoras, será responsável pela criação de 3 indústrias, a partir de sua potência alimentar, ou seja:

-  os maiores, em sua forma original, crocantes e temperados serão um snack gourmet, já à venda na Arábia Saudita por 400 dólares o quilo

- farinha para o falafel e barrinhas de proteína com chocolate e frutas

- azeite de gafanhoto - ômega 3, “ouro líquido” - o produto mais exclusivo da linha.

A seguir teremos um vídeo muito bem feito, mostrando cada etapa do processo, desde a captura dos enxames até sua chegada às lojas, supermercados e casa de especiarias. É uma longa trajetória, onde tudo acontece com elegância e precisão, cada máquina obedecendo sua função, muita tecnologia e planejamento, uma solução para o futuro das gerações do porvir.




Recomendo que assistam ao vídeo pois ele lhes trará grande alegria e mais confiança no ser humano.

Enquanto alguns homens não se envergonham nem se arrependem de matar seus semelhantes em guerras ignóbeis de conquistas de territórios e poder, é bom nos voltarmos para aqueles que, preocupados com a população crescente do mundo, se dedicam a supri-lo com proteínas indispensáveis aos seus habitantes num movimento altruísta e generoso, ou seja, Tikum Olam, consertar o mundo.

 

FONTES:

https://www.bbc.com/news/magazine-21847517#:~:text=Em%20outros%20canais%20da%20BBC

https://exame.com/negocios/mais-proteina-na-dieta-empresa-recomenda-comer-gafanhotos/

https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2022/02/21/em-israel-gafanhotos-estao-sendo-transformados-em-guloseimas.ghtml

https://www.uol.com.br/nossa/noticias/afp/2020/08/03/empresa-israelense-gafanhoto-alimento.htm?cmpid=copiaecola

https://gq.globo.com/Noticias/noticia/2020/08/empresa-israelense-planeja-vender-gafanhoto-como-alimento-sustentavel.html

https://clickgafanhotos petroleoegas.com.br/bilhoes-de-gafanhotos-criados-para-alimentacao-humana-formam-uma-nova-industria-global-enquanto-a-china-transforma-praga-agricola-em-proteina-lucrativa-btl96

https://www.folhape.com.br/noticias/empresa-israelense-quer-transformar-gafanhotos-em-alimentos/149437/

https://www.bbc.com/news/magazine-21847517

https://hargol.com/


sexta-feira, 17 de abril de 2026

Acontece: Yom Haatzmaut - Dia da Independência

 



YOM HAATZMAUTH - Dia da Independência de Israel. 

5 de Iyar -  do anoitecer de 21/04 ao anoitecer de 22/04/2026

Regina P. Markus - equipe do ETNM


Estamos no mês de Iyar, o mês da esperança, o mês em que a primavera acontece em Israel. Uma estação linda marcada pelas flores e por algumas oliveiras muito especiais. Um mês em que se comemora o dia da Independência do atual Estado de Israel. Este é o terceiro estado judaico dentro das fronteiras da Terra Prometida. Para muitos isto é encarado como uma questão de fé e para outros nem vale mencionar. Quero hoje sair desta armadilha do A versus o Z, do início e do Fim.  Vou usar o olhar de Albert Einstein e de Chaim Weizmann, dois judeus que nasceram e viveram há mais de 1 século e que foram decisivos no estabelecimento do Estado de Israel. São também dois cientistas de destaque que alteraram o curso da história através de suas descobertas e que se respeitavam.

Voltando à armadilha do A versus o Z, Einstein sempre olhava para debates deste tipo como situações que impediam o entendimento dos processos. Estes sempre têm várias faces. E cada tipo de olhar distingue uma realidade. Assim, é abraçada a ideia de que o caos, a confusão, a multiplicidade de opiniões existem. E a relevância relativa de todas as opiniões determinaria o futuro.  

O CAOS É DETERMINISTA - apesar deste fato já ter sido debatido, foi Einstein que escreveu um trabalho de divulgação científica introduzindo cálculos matemáticos complexos que permitiam relativizar o futuro de acordo com os dados.

Albert Einstein era tão aberto a controvérsias que não recebeu o Prêmio Nobel em 1921, quando foi nominado, mas sim em 1922. Isto porque muitos tinham dúvidas da Teoria da Relatividade e acabaram premiando seus achados e estabelecimento da Lei que regular o efeito fotoelétrico. E Einstein segue no seu estilo próprio e contundente. A  Conferência Nobel em 1923 foi intitulada "IDEIAS FUNDAMENTAIS E PROBLEMAS DA TEORIA DA RELATIVIDADE". 

Como bom judeu, não deixou passar a oportunidade de tornar visível a sua descoberta. E também como bom judeu não deixou a sua descendência desprotegida. No documento que atesta o divórcio com Mila Maric, que data de 1919, havia uma cláusula que doava todos os recursos financeiros do Prêmio Nobel que poderia vir a receber. 

O ESTADO DE ISRAEL É O LAR NACIONAL JUDAICO

Einstein se envolve com o sionismo desde seus primórdios e une sua capacidade científica com a formação dos alicerces do Estado de Israel. Foi um dos incentivadores e ativistas para a formação da Universidade Hebraica de Jerusalém (1918), ministrou uma conferência sobre Relatividade em 1923. No dia da Inauguração Oficial em 1 de abril de 1925 estava na América do Sul, em visita ao Brasil e à Argentina. Einstein viajou com Chaim Weizmann pelo mundo em busca de fundos para o estabelecimento das raízes do estado judaico moderno. Doou todo o seu acervo de livros e de correspondências, bem como rascunhos e outros escritos. 

Há muito para escrever e contar destes primeiros tempos. A saga dos chalutzim que emigraram para o Mandato Britânico da Palestina. Em 1917, Arthur James Balfour, Primeiro-Ministro britânico (1902-1905) e Secretário dos Assuntos Estrangeiros (1916-1919), encaminhou uma carta para o Lord Lionel Walter Rothschild, líder das comunidades judaicas no Reino Unido, para ser transmitida à Federação Sionista. Apoia o estabelecimento de um Lar Nacional para o Povo Judeu nas terras do Mandato Britânico da Palestina. Tinha uma ressalva de que nada deveria prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas.

HOJE é importante mencionar que na Declaração de Independência do Estado de Israel (1948) também há menção a que todos os habitantes da terra são bem-vindos e serão considerados cidadãos. Naquela época muitas pessoas de diferentes origens conviviam naquelas terras. 

HOJE devemos considerar que o Exército de Israel é formado por cidadãos israelenses de diferentes origens. Árabes israelenses sunitas e cristãos representam 26% dos cidadãos israelenses. Beduínos, drusos, circasianos, bahá'íes e armênios. E muitos destes cidadãos servem ao Exército de Defesa de Israel. Homens e Mulheres. Posições de destaque em comunicação e também em forças de combate e segurança.

A atual guerra, iniciada em 7 de outubro de 2023 pelo grupo Hamas e continuada em diferentes etapas, gerou um grau alto de antissemitismo e uma tentativa de dissociar o sionismo das raízes e aspirações do povo judeu. As duas andam par e passo! Lado a lado, e muitas vezes formando uma argamassa própria para construir o futuro.

Neste mês de Iyar, o mês da esperança para muitos que estão recebendo a primavera, e também para muitos do hemisfério sul que convivem com um outono frutífero, desejo a todos nós:



Regina P Markus




quinta-feira, 16 de abril de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Almoço no Oásis

 



SanFran, 20 anos depois... Ou seriam trinta?

De repente o calendário parece que vai se confundindo... Sabe fumaça? Imagina ele sendo enterrado pelas areias de uma ampulheta...

20? 30? Mais? Menos? Será que importa...

La Bohème
La bohème
On était jeunes
On était fous

E de repente o tempo sai da ampulheta... Ele tá nas mesas...

Ontem a gente tava lado a lado, aprendendo como andar, saindo da casca do ovo! Éramos Esperança! Planos! Futuro! Hoje a gente continua se encontrando todo mês... Pensa em beduínos que se reencontram depois da duna...

Os planos? Cada um deles, igual as fumaças do meu velho Gitanes, tomaram rumos inesperados. Possibilidades inimaginadas que se realizam! Quando a gente tinha certezas, do alto de nossa ignorância arrogante, D´us dava risadas! Os caminhos Dele nos levarão a oásis nunca imaginados!

Sim! E eu gosto de pensar assim: nós somos beduínos! A gente sabe que o oásis não é acaso, é travessia. Duna depois de duna, passo após passo, a Esperança no coração e o trabalho na mão.

Esperança sem esforço é miragem. Trabalho sem Esperança é sede.

ESPERANÇAR!

Chega o pastel... Quem compartilha é irmão. E o legal é que a verdade é uma pedra preciosa... Se a gente joga na cara do outro, machuca... Não o irmão! Claro que ele também sente a dor da verdade, mas ele sempre estará lá. O legal dos irmãos é isso... Eles sempre brigam, mas nunca brigam!

— E o Gitanes do Stevie? Ele se achava o Sartre da turma...

— Pior que o Sartre fumava Galoise... Nem isso fazia certo!

— Não importava... Aquela fumaça era minha promessa! Minha possibilidade! Eu enxergava beleza e possibilidade naquela dança cinzenta subindo devagar, tomando rumos imprevisíveis até sumir no ar do mundo.

POSSIBILIDADES!

— Eu nunca fui fumante! Fui da fumaça! Gostava do perfume, do desenho, da coreografia quase sensual daquele corpo leve que se erguia e, antes de desaparecer, nos ensinava o mistério: nem tudo o que existe precisa ser tocado para ser real. Há coisas que não se veem. Se sentem.

— Fumaça é liberdade! Liberdade pro imprevisível. Pra pergunta. Pro Futuro. Eu ainda sou o Sartre da turma.

Hahaha.

— Viver é escolher. E escolher é assumir o peso e a beleza do que ainda não aconteceu. É aguentar o tranco!

— O Acorde de Tristão...

— Não me venha com Wagner! Antissemita! Oportunista! Materialista!

— Não, não, não! A música, não. A música é maior que o homem que a escreveu. O acorde de Tristão abre um portal e, ao mesmo tempo, recusa o fechamento. Ele fica suspenso, interminado, como se dissesse: “Você ainda não terminou de ser”. “Você pode!”

Pensa nisso... Será que isso não é o que somos nós.
Ser humano é não estar pronto. É poder ser tudo: sorriso, lágrimas, trabalho, preguiça, disciplina, displicência, arco-íris, trovão.

É carregar possibilidades... É a fumaça... Memória! Lá vai fumaça...

— Enxergar o futuro... Enxergar não é ver com os olhos. É perceber com a Alma... Com o coração! Com a ação da coragem! É ter humildade pra ver o que ainda pode florescer.

— Pra isso, só tendo uma certeza! D’us conosco! Não é slogan vazio! É com presença! Com trabalho! Com dever! Com disciplina! Se engana quem só vê texto na Torá! Ela é pensamento! É ato. É reflexão. É escolha.

É COMPROMISSO!

— Com o quê?

— Com a responsabilidade. Com a dignidade. Com a escuta. Com a Justiça!

Sem escuta não tem Justiça.

Sem Justiça não tem Dignidade.

Tira a Dignidade... Tudo vira máquina, engrenagem! A vida não foi feita para ser mecanismo. Foi feita para ser encontro.

— A vida é a arte do encontro...

— O piano do Vinícius tinha perfume de whisky... Ele tocava bebendo... A música dele é um brilho embriagado de beleza. O piano perfumado era parte da inspiração.

— Igualzinho a fumaça do meu Gitanes... Ou a mesa da minha avó, um café coado, todo mundo falando ao mesmo tempo... Uma baderna boa!

— Memória é perfume! É fumaça! Fumaça é isso: possibilidade! O subir. O ir. O não se deixar prender...

SILÊNCIO...

— Passou um anjo!

— Quem sabe a vida todinha não é isso? Caminhar pelo deserto, pagando boletos, sorrindo e sabendo que a próxima duna pode ser a última antes do oásis... Por Esperança! Por amor ao que ainda não veio!

— Então, beduínos no deserto?

— Beduínos do Afeto. Beduínos da Palavra. Beduínos que sabem que o Oásis sempre chega!

— Ao Pão!

— Ao Encontro!

— À Memória.

— À Esperança.

— Ao Trabalho!

— Oásis sem caminho é fantasia. Mas caminho com Esperança é destino em construção...

CONSTRUÇÃO!

André Naves

Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
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