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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

VOCÊ SABIA? - Angela Buchdahl, uma Rabina inusitada

Por Itanira Heineberg


“Are you Jewish?”                                                      

“Você é judia?”

 

“Você não parece judia!”                                         

“Sua mãe não é judia!!!”

Estas e outras inquirições duvidosas acompanharam a rabina Angela W. Buchdahl durante sua vida, conforme relata em seu esplendoroso livro.

 

Coração de uma Estranha: A História de Fé, Identidade e Pertencimento de uma Rabina Inusitada

 

Você Sabia que Angela Warnick Buchdahl, nascida em 8 de julho de 1972,  na Coreia do Sul, uma rabina americana nascida em Seul, foi a primeira americana de ascendência asiática a liderar uma grande sinagoga nos EUA?

Aos cinco anos Warnick mudou-se com a família para Tacoma, em Washington, onde seu pai, um judeu reformista americano, e sua mãe, uma budista coreana, a criaram na fé judaica. Musicalmente talentosa, ela não só cantava como também aprendeu a tocar vários instrumentos, incluindo piano e flauta, e aos 14 anos tornou-se professora de música em sua sinagoga local.

Frequentou acampamentos de verão do movimento reformista e, depois de passar um tempo em Israel em um programa para jovens aos 16 anos, decidiu se tornar rabina. Formou-se em Estudos Religiosos pela Universidade de Yale em 1994, onde conheceu seu futuro marido, Jacob Buchdahl, que se tornou advogado.

Warnick completou seus estudos rabínicos e cantoriais no Hebrew Union College – Jewish Institute of Religion, na cidade de Nova York. Ela foi contratada como cantora litúrgica em 1999 e ordenada rabina em 2001, tornando-se a primeira mulher a ocupar ambos os cargos.

Em seguida, atuou como rabina associada e cantora litúrgica no Templo Reformista de Westchester, em Scarsdale, Nova York.

Em 2006 Warnick atuou na Sinagoga Central da cidade de Nova York como Chazan Principal (cantora) e em 2014 a Congregação do templo a escolheu como Rabina Sênior.

Além de exercer suas funções oficiais, começou a escrever artigos e a falar publicamente sobre suas experiências como judia asiático-americana e seu desafio de aceitar sua herança mista.

Em seu instigante livro, em parte autobiografia, em parte coletânea de sermões, “Coração de uma Estranha” conta a história da rabina/cantora Angela Buchdahl.

Filha de uma mãe budista coreana e de um pai judeu americano, Buchdahl narra os muitos caminhos que percorreu para se tornar a rabina sênior da Sinagoga Central, uma das comunidades judaicas mais proeminentes e inovadoras dos Estados Unidos.

Embora o livro narre os eventos de sua vida, fica claro desde as primeiras páginas que “Coração de uma Estranha” não é uma autobiografia comum.

Cada capítulo é temático.

Primeiramente, aborda uma pessoa ou um episódio da vida de Buchdahl. Esses temas variam desde as primeiras experiências espirituais em caminhadas com sua mãe até os encontros de Buchdahl na infância com a música folclórica judaica, passando pelo amor por seu marido, Jacob, até os desafios que enfrentou na administração de sua congregação.

A cada uma dessas reflexões pessoais, há um sermão, centrado em uma única palavra hebraica, que resume o tema principal da prédica.

Um exemplo, Buchdahl escreve comoventemente sobre a experiência de dar à luz seu primeiro filho, Gabriel. Ela relata o medo que sentiu, ciente do fardo sagrado que carregava ao cuidar daquele bebê. A maternidade a obrigou a encarar sua imperfeição e a ensinou a depender do apoio dos outros. Essa história é acompanhada por uma meditação sobre ruach, que ela traduz como  “vento”, mas depois ensina que pode significar espírito e respiração. Ela conta a história de quando andava de bicicleta num dia de vento — como era fácil quando o vento estava a seu favor, mas como era difícil quando pedalava contra ele. Esse vento, ela nos lembra, é como Deus. Não podemos vê-lo, mas o sentimos. Esse ensinamento já seria poderoso por si só, mas, aliado à história de sua maternidade em desenvolvimento, torna-se ainda mais impactante. Embora ela não se aprofunde muito na espiritualidade ao segurar seu bebê, o fato de essa história ser seguida por uma meditação sobre Deus mostra que sua experiência de parto foi profundamente espiritual. A inclusão do sermão permite que ela capture o humor e o pathos da história original e, em seguida, revele camadas adicionais de significado, de modo que possa filosofar sem perder o foco.

Segundo Marc Katz, para aqueles que admiram Buchdahl à distância, seu livro responde a muitas perguntas. O que a levou a amar a música? O que significa se sentir ao mesmo tempo parte integrante e fora da comunidade judaica? Como ela foi parar na Sinagoga Central? Como ela lida com a política em uma sinagoga rica e ideologicamente diversa do Upper East Side?

Talvez o capítulo mais fascinante seja sobre um episódio de 2022, quando um homem entrou numa sinagoga em Colleyville, Texas, fez os fiéis reféns e exigiu falar com Buchdahl — que ele acreditava, num delírio antissemita, ser poderosa o suficiente para libertar um prisioneiro detido nas proximidades sob acusações de terrorismo. Embora Buchdahl já tenha falado sobre esse dia em entrevistas e sermões, o livro oferece muito mais detalhes sobre seus sentimentos.

Coração de uma Estranha é um retrato comovente da jornada rabínica de uma mulher com uma história rica. O título é, de fato, apropriado. Ele não apenas revela como Buchdahl lida com suas duas identidades, tornando-a mais sensível àqueles que podem se sentir como forasteiros, mas também como o livro nos permite entrar em seu coração.

Coração de uma Estranha nos mostra os valores, as lutas, os anseios e a Torá que guiam uma das mestras mais influentes do judaísmo.

 

E neste novo século onde a diversidade humana desabrocha apesar da intolerância de muitos, do antissemitismo e do racismo em todos os continentes, mas com a compensação daqueles que procuram conhecer seus semelhantes, suas histórias e crenças para entendê-los melhor e melhor os aceitar fugindo dos preconceitos, Angela Buchdal, seu livro e sua reflexão sobre o ser e o viver têm muito a nos ensinar sobre nós mesmos e nossas escolhas e nos trazem uma mensagem auspiciosa de esperança para os dias que estamos vivenciando.

E completando nosso texto sobre esta pessoa exemplar, convidamos a todos para melhor conhecer e desfrutar de sua simpatia e sorriso franco, para o vídeo abaixo:




FONTES:

https://www.britannica.com/biography/Angela-Warnick-Buchdahl

https://jwa.org/encyclopedia/article/buchdahl-angela

https://centralsynagogue.org/about-us/our-clergy/angela-w-buchdahl

https://www.washingtonpost.com/books/2025/10/18/rabbi-angela-buchdahl-memoir/

https://www.hartman.org.il/person/angela-buchdahl/

https://www.jewishbookcouncil.org/book/heart-of-a-stranger-an-unlikely-rabbis-story-of-faith-identity-and-belonging

 

 

 


ACONTECE: A Vida em Uma Semana

A VIDA EM UMA SEMANA



Regina P. Markus - 8 de outubro de 2026

Neste ano, a festa de Simchat Torá e o dia 7 de outubro ficaram muito próximos.  No ano de 2023, coincidiram. Terminar a leitura da Torá, dançar e expressar toda a alegria de estar pronto para recomeçar, e, ao mesmo tempo, lembrar o que aconteceu em 2023 foi muito forte. O presidente de Israel, Isaac Herzog, discursou na cerimônia da Tribo da Nova. O "Jerusalem Post" relata: "Enquanto estamos aqui juntos, neste lugar terrível onde a dança se transformou em luto, um lugar onde lindas e livres meninas e meninos que dançavam – mesmo depois de três anos ainda é difícil compreender como nos foram tirados com maldade e barbárie". O sobrevivente Elchana Bohbot rezou o Yizkor. "Que o povo de Israel se lembre das almas puras de seus filhos e filhas, vítimas do festival de 7 de outubro." "Lembraremos nossos irmãos e irmãs, crianças inocentes, jovens e adultos, que foram sequestrados e assassinados em cativeiro. Lembraremos a coragem dos civis e dos membros das forças de segurança e de resgate que arriscaram suas vidas. Continuaremos a obra dos anjos e vocês estarão sempre em nossos corações. Que fiquem gravados no coração de Israel pelas gerações futuras."


Em Israel, um minuto de silêncio e todos em pé


Em Berlim, o Arco de Brandenburgo 

No Brasil, muitas cerimônias, de Norte a Sul, lembraram o 7 de outubro. Há ainda muita desinformação e atos de vandalismo. Estive no ato organizado pela vereadora Cristina Monteiro e por Gerson Pires na Câmara Municipal de São Paulo (6/10), que homenageou o Major Rafael Rozenszajn. Um momento de lembrança, reflexão e oração. A cerimônia foi interrompida por alguns minutos por 4 pessoas que exibiram bandeiras. A ação efetiva da guarda municipal permitiu que a cerimônia continuasse, agora com um alerta de que a ameaça persiste em todo o mundo. No dia 7/10, os Amigos do Instituto Weizmann do Brasil receberam o presidente, Prof. Alon Chen, para um café da manhã. Escutar de viva voz os muitos danos causados no dia 15 de junho de 2025, em um ataque realizado pelo Irã, e como, em pouco mais de um ano, laboratórios de ponta foram reconstruídos, foi impressionante. O impacto direto destruiu completamente o Ullmann Building of Life Sciences (Prédio Ullmann de Ciências da Vida) e afetou gravemente o Wolfson Building for Biological Research, além de outras estruturas em construção. O ataque causou incêndios que duraram horas e destruiu cerca de 45 a 50 laboratórios de ponta, pulverizando décadas de amostras biológicas e pesquisas críticas sobre o câncer, neurociência e cardiologia. Rapidamente foi iniciado um projeto de reconstrução, e uma proposta que permitisse tirar o positivo de uma situação calamitosa. As equipes desalojadas foram recebidas por equipes que não haviam sido atingidas, independentemente das linhas de pesquisa e das áreas de interesse. Hoje já estão sendo colhidos os frutos desta rápida integração. Avanços de grande relevância em Inteligência Artificial, Ecologia, Ciências Biomédicas, Fisiologia e Neurociências foram alcançados ao colocar jovens brilhantes, com formações diferentes, a trabalhar lado a lado em espaços muito apertados. Doenças, Agricultura, Astronomia foram algumas das grandes áreas destacadas. 

Memória e História são as bases da sobrevivência do Povo Judeu. Declarar que o futuro é um espaço temporal em que a esperança, a criatividade e a alegria serão construídas com trabalho conjunto e com o reconhecimento dos momentos de grandes descobertas é uma das principais razões da longa sobrevivência. Nesta mesma semana, a Assembleia Nobel no Instituto Karolinska anunciou os vencedores nas categorias de Medicina e Fisiologia (4/10),  Física (6/10) e Química (7/10). Os nomes anunciados comprovam que a busca do conhecimento é uma característica dos judeus, onde quer que estejam, e que, atualmente, o Estado de Israel tem um lugar importante e destacado. 

Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia

Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel

Karl Deisseroth transformou proteínas sensíveis à luz em interruptores para controlar células nervosas e mapear circuitos cerebrais. Peter Hegemann descobriu a proteína canal rodopsina em uma alga unicelular. Georg Nagel participou da descoberta da rodopsina e do entendimento dos canais iônicos fotossensíveis. Mudando a linguagem: descobriram moléculas que se localizam nas membranas celulares e respondem diretamente à luz. Não é apenas a luz que sinaliza pelos olhos e pela pele, mas também a que consegue penetrar os ossos da cabeça e controlar a vida e a morte de neurônios específicos. Estes trabalhos contaram com a colaboração de institutos de pesquisa e universidades israelenses. 

Karl Deisseroth colabora diretamente com o Instituto Weizmann, em Israel. O Prof. Ofer Yitzhar realizou seu pós-doutorado em Michigan sobre esta temática inovadora. Peter Hagemann dividiu o Prêmio Harvey (2016) concedido pelo Technion de Haifa na área de Saúde Humana com Karl Deisseroth. Ao aceitar o prêmio em Israel, Hegemann fez um discurso de forte impacto institucional, relembrando o papel histórico de Berlim (sua base na Universidade Humboldt) como antigo centro científico global onde Einstein trabalhou, lamentando formalmente o subsequente desastre do regime nazista e os severos danos causados ao povo judeu e à própria ciência alemã. Embora mais focado na bancada de pesquisa e biofísica pura do que na neuropsiquiatria clínica, Nagel participa ativamente de redes de pesquisa que integram cientistas de Israel no desenvolvimento de novas ferramentas optogenéticas para aplicação em biomedicina, Nagel é um biofísico que estudou com afinco a mecânica de canais iônicos fotossensíveis presentes em óvulos de sapos e como algas fotossensíveis poderiam inserir estes canais iônicos naturalmente. Ao ler a frase, todos pensam em ficção. Mas, estes estudos abrem a porta para aplicações muito importantes.


Prêmio Nobel de Física



O Prêmio Nobel de Física de 2026 foi concedido ao físico de partículas belga-americano Francis Halzen, professor da Universidade de Wisconsin-Madison. Diferentemente da maioria das edições recentes, Halzen recebeu a láurea sozinho — algo que não ocorria na categoria de Física desde 1992. A honraria foi entregue em reconhecimento às suas contribuições fundamentais para o desenvolvimento do Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. Halzen é um caçador de “partículas fantasmas”. Os neutrinos são partículas subatômicas fundamentais presentes em todo o Universo, mas são conhecidos como "partículas fantasmas". Como quase não possuem massa e não têm carga elétrica, eles conseguem atravessar planetas inteiros, galáxias e até os nossos corpos sem colidir com a matéria nem mudar de rota. 

O grande trunfo de Halzen foi idealizar e liderar um projeto ousado que muitos cientistas consideravam improvável: transformar o Polo Sul em um detector gigante. O Observatório IceCube: Construído na Antártida, o observatório consiste em um quilômetro cúbico de gelo glacial perfeitamente transparente, equipado com milhares de sensores de luz altamente sensíveis enterrados a profundidades extremas.

O Clarão de Luz: Muito raramente, um neutrino de altíssima energia colide com o núcleo de um átomo no gelo, gerando uma partícula carregada secundária que emite um minúsculo rastro de luz azul (conhecido como radiação Cherenkov). Os sensores capturam esse brilho e permitem rastrear exatamente de onde a partícula veio. 

Por que isso revoluciona a Astronomia?

Ao contrário da luz ou dos raios cósmicos normais, que podem ser bloqueados por poeira cósmica ou desviados por campos magnéticos ao longo do caminho, os neutrinos de alta energia viajam em linha reta a partir de seus pontos de origem.

Eles funcionam como "mensageiros diretos" dos eventos mais violentos e misteriosos do cosmos fora do nosso Sistema Solar, como as vizinhanças de buracos negros supermassivos e as explosões de estrelas distantes, inaugurando uma era totalmente nova na astrofísica.


Prêmio Nobel de Química



O Prêmio Nobel de Química 2026 foi concedido ao francês Henri B. Kagan (95 anos) e ao japonês Kenso Soai (76 anos). Solucionaram um mistério científico de mais de 100 anos. Por que moléculas "idênticas", como duas mãos de uma mesma pessoa, poderiam promover efeitos opostos, ou mesmo uma bloquear o efeito da outra? 

As mãos são apenas imagens especulares, e como as luvas são feitas para cada uma das mãos, estas moléculas combinam com as receptoras biológicas de forma diferente. Henri Kagan (1986): Deu o primeiro passo decisivo ao descobrir os chamados efeitos não lineares na síntese orgânica assimétrica. Ele demonstrou, matematicamente e na prática, que uma quantidade muito pequena e impura de um catalisador assimétrico poderia gerar um produto final com altíssima pureza de um único lado, rompendo o "empate" esperado nas reações de laboratório. Kenso Soai (1995–2003): Desenvolveu a famosa Reação de Soai. Ele criou um sistema de autocatálise, no qual o próprio produto da reação atua como catalisador de si mesmo. Partindo do zero absoluto (sem nenhuma preferência molecular inicial), pequenas flutuações estatísticas do acaso criavam uma vantagem microscópica para um dos lados; a molécula então passava a fazer cópias de si mesma, amplificando o resultado até atingir quase 100% de pureza quiral, exatamente como aconteceu na evolução da vida na Terra. Imaginem as muitas aplicações nas indústrias químicas e farmacêuticas e na agricultura!!

Nascido em dezembro de 1930 em Boulogne-Billancourt (perto de Paris), Kagan tinha apenas 9 anos de idade quando a guerra estourou. Para escapar do envio aos campos de concentração e do Holocausto, a família Kagan fugiu em direção ao sul do país. Eles conseguiram sobreviver escondendo-se em um pequeno vilarejo na Zona Livre (no sul da França) sob nomes falsos e identidades assumidas durante os anos de ocupação alemã. Com o fim do conflito e a libertação da França, a família pôde retomar a vida normal, permitindo que Henri prosseguisse com seus estudos em Paris, vindo a se graduar na Sorbonne e na École Nationale Supérieure de Chimie de Paris na década de 1950.


CONCLUINDO

Como aconteceram coisas esta semana! Estarei eu preparada para iniciar a Leitura de Bereishit - o primeiro trecho de Gênesis? Como tudo começa! Como um fato pode levar a muitos outros e como os fantasmas podem estar presentes no nosso mundo! Em alguns trechos, imagino que o Sopro de HaShem e todos os anjos, seguidos de luz, seriam as partículas visíveis. E agora vou procurar, com mais afinco, trechos que representem a luz fantasma, que é muito fraquinha, mas consegue atravessar as muitas muralhas e paredes que se interpõem na nossa vida! 

A Ciência, como atividade humana, e a Espiritualidade ficaram mais próximas esta semana!


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ACONTECE: Pesos e Medidas

 Por Juliana Rehfeld


A semana passada foi relatada pela Regina num texto sensível sobre Sucot e o evento da 81a Assembleia da ONU que, mais uma vez, não traria - e não trouxe- novidades sobretudo em termos de solucionar os problemas mundiais… Aliás, a ONU tem se transformado em palco para governantes se apresentarem e ganharem pontos em seus países, a preocupação tem sido eleitoral e “eleitoreira” mais do que voltada a buscar diálogos e conciliações para construir paz… E a mídia relata seletivamente o que acha que “venderá mais”. Aliás, o palco ali é justamente preparado para seguir e confirmar narrativas… e aparecer. Todos reportaram a grande retirada de delegações quando Benjamin Netaniahu iniciou. Ele mesmo pediu aos que chamou de “covardes morais” que saíssem, já é praxe esse boicote à sua fala. Mas este ano foi evidente o espetáculo midiático, a encenação que se produziu: durante o discurso imediatamente anterior, da Colômbia, o plenário medianamente ocupado foi sendo preenchido com delegados e - confirmou-se depois - com estagiários “figurantes” para que a “debandada” de público parecesse enorme. Encenação para confirmação da narrativa contra Israel… Netaniahu estava lá para tentar não perder a próxima eleição em casa? SIM! Ele merece protesto? As ruas de Israel e muitos de nós temos dito que SIM, mas contra qual outro mau ou tirano governante no mundo - e não há poucos -  se faz tal encenação? É notória a discriminação. 

Sucot começou na sexta, e assim também a Festa dos Tabernáculos, organizada anualmente pela International Christian Embassy Jerusalem (ICEJ), teve início na sexta e foi até ontem em Israel. O evento deste ano carregou o tema bíblico "The Lord Roars from Zion" (O Senhor Ruge de Sião). A celebração começou com uma abertura marcante no deserto, no oásis de Kfar HaNokdim, antes dos peregrinos subirem para as principais noites de adoração no International Convention Center (ICC) em Jerusalém. Mesmo diante do cenário desafiador e dos anos de conflito na região, a resposta dos delegados internacionais foi expressiva: mais de 3.000 participantes presenciais, cristãos locais e estrangeiros vindos de mais de 70 a 90 nações. Houve uma forte mobilização de delegações vindas de países que adotaram posturas críticas ou sanções recentes contra Israel — como Reino Unido, Irlanda, Holanda e Noruega — cujo propósito explícito foi demonstrar solidariedade direta com a população israelense. Outros grupos expressivos vieram de locais como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, África do Sul e nações do Pacífico como Fiji e Tonga. 

A mensagem de abertura do festival foi ministrada pelo apóstolo brasileiro Renê Terra Nova (Diretor Nacional da ICEJ no Brasil).

Muitas orações focadas na paz de Israel e no apoio às comunidades afetadas na fronteira de Gaza (com projetos de reconstrução em kibutzim como Nir Oz). Os momentos mais marcantes foram o tradicional "chamado das nações", onde os delegados lotaram o ICC de Jerusalém carregando as bandeiras e cores de seus respectivos países em um ato de adoração conjunta e a tradicional marcha pelas ruas de Jerusalém, onde os peregrinos estrangeiros caminham para abençoar e demonstrar afeto diretamente aos moradores locais. 

Mas isso, com exceção da especificamente religiosa, a mídia, a grande imprensa, não considera notícia, você ouviu falar?

Já em 30 de setembro só se falou de um acontecimento: o ataque do co-piloto da FlyDubai ao piloto indiano que mesmo muito ferido permitiu a entrada na cabine de passageiros e tripulantes que afinal, evitaram sua iminente queda. Atacar o piloto e tentar destruir os equipamentos são sinais evidentes de tentativa de derrubar o avião. Mas a mídia continua a se referir ao fato como briga entre pilotos, num avião em que 160 dos 174 passageiros eram israelenses… será? Claro que tudo deve ser investigado, mas porque um cidadão de Omã resolve se suicidar ou acertar as contas com seu colega justo num avião lotado de israelenses!! Coincidência. Graças a Deus essa coincidência “coincidiu” com a percepção dos ruídos na cabine, e a presença de outros pilotos a bordo! Esta pergunta a mídia não faz…

E,  finalmente, em 1/10 estreiou no Brasil, e logo no mundo todo, o documentário “Naza”, já famoso por ter sido aplaudido longamente no Festival de Veneza em 10/09. A apresentação é ambiciosa, pretende que ele “traz a verdade” sobre “a guerra em Gaza” incluindo depoimentos de autoridades e militares. Depoimentos anônimos. A direção é de um ativista e jornalista israelense que já fez um documentário anterior, polêmico e premiado com Oscar, de nome Yuval Abraham. Ele certamente sabe cair no gosto da grande narrativa mundial sobre os conflitos em, e de, Israel. Aquela guerra de narrativas que Israel repetidamente perde… São depoimentos que acabam levando o público a concluir que Israel usou IA e “matou civis sistematicamente, inclusive crianças” - o nome NaZa vem de “Nezek Agavi” que significa “dano colateral”. A apresentação do filme afirma que o dano colateral foi “aceito e usado para ampliar ataque a civis” quando especialistas nesta área - que ouvi essa semana- explicam que são pessoas, e não IA, que avaliam o que há em volta de um alvo, calculam o dano colateral possível - para evitá-lo no modo de ataque -  entregam os dados a analistas jurídicos e só se decidir-se de fato atacar o alvo, avisa-se a população “colateral” a evacuar! Que exército faz isso? E isso é necessário porque o Hamas e a Jihad Islâmica usam hospitais, bairros residenciais e escolas como escudos para se defender. Os militares israelenses, em qualquer parte dessas operações, são verificados e sujeitos a julgamento e possível prisão em caso de conduta errada… li e acompanhei tudo isso esta semana, o que faço? Vou assistir ou boicoto como acho que deveríamos todos?

Por que esse filme é tão falado? 

Porque não se falou quase nada de filmes como: “Gritos antes do Silêncio”, 2024, sobre as mulheres estupradas e mortas em 7 de outubro; “Crianças de 7/10”, 2025; “Vamos dançar de novo”, 2024, e #Nova, 2024/2025 sobre o festival Nova, e o brasileiro “Ainda é 7 de Outubro”, de Sabrina Abreu, 2024 sobre a experiência de brasileiros afetados pelo massacre…. São todos filmes difíceis, precisamos de estômago para assistir, não são populares e, com certeza, na contramão das narrativas conhecidas. Esses, diferentes de Fauda do qual já falamos aqui, não são ficção, são documentários sobre danos reais, centrais, físicos e morais, irreversíveis… que não foram prevenidos ou evitados, que o mundo está preferindo que sejam esquecidos, mas que todos devemos assistir. 

Fim

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

VOCÊ SABIA? - Fauda

Da Conciliação ao Apoio Ferrenho a Israel, Série “Fauda” ou “Caos” em quinta temporada

Por Itanira Heineberg


Você Sabia que a  série "Fauda" regressa à Netflix após os ataques de 7 de outubro e torna-se campeã de audiência no Líbano, país com o qual Israel não mantém relacionamento diplomático: o show mais assistido na Netflix, noite após noite?

O mesmo sucesso está se repetindo na Jordânia, Marrocos, na Europa - a série vindo a ser a mais visitada em 43 países em um único dia.

E a mais vista em Israel.




Lior Raz, um dos criadores da série, diz à Netflix que espera que o público compreenda a importância da paz, a necessidade de pensar de outra forma e como a guerra está a destruir o mundo.

 

Logo no início de Fauda, nas primeiras temporadas, a série procurou retratar histórias humanas de ambos os lados do conflito israelo-palestiniano.

 

Já a nova temporada, criada por Avi Issacharoff e Lior Raz, decorre dois anos após os ataques de 7 de outubro de 2023, levados a cabo pelo grupo islamita Hamas no sul de Israel.

 

Acompanhamos a história de Doron Kavillio, comandante de uma unidade militar israelita de operações encobertas, perseguindo um operativo do Hamas que julgava ter morto.

Doron ruma também a Marselha, França, depois de descobrir que um velho amigo se lançou numa missão de vingança não autorizada.

Raz, que interpreta Doron, disse ao site oficial da Netflix que a quinta temporada "não é sobre tentar mostrar o que aconteceu".

 

"Trata-se de tentar contar uma história, de perceber como conseguiríamos inserir as nossas personagens nessas situações e nessa história que aconteceu de fato".

 

"Por isso, para nós, era importante ser muito rigorosos em relação ao que aconteceu na realidade, mas também colocar as nossas personagens nesta situação imprevisível".

 

Raz acrescentou que esperava que os espectadores percebessem "como a paz é importante, como temos de pensar de forma diferente e como a guerra está a destruir o mundo".

"Está a destruir a nossa região, está a destruir o nosso país e, seguramente, os países deles. Sabemos que as pessoas veem esta série em todo o mundo, no mundo árabe, em Israel, e verão que o preço da guerra é pesado e que precisamos ter esperança para resolver esta situação".

 

Os ataques do Hamas a Israel, a 7 de outubro, mataram cerca de 1.200 pessoas e outras 251 foram feitas reféns e levadas em péssimas condições e abusos para a Faixa de Gaza.

Enquanto a dor e as lágrimas inundavam drasticamente os israelenses e os judeus na Diáspora, o que se via nas ruas e avenidas das grandes capitais e cidades do mundo eram comemorações de alegria, gritos de vitória, apoio total às barbáries cometidas contra Israel e seu povo.

Algo inusitado e incompreensível para quem compreendia o que tinha realmente acontecido.

Em resposta, Israel iniciou uma campanha aérea contra Gaza e lançou, simultaneamente, uma invasão terrestre do território.

E para tentar esclarecer o mundo sobre o terrível e desumano atentado, o seriado  FAUDA alcançou algo muito desejado mas também talvez quase impossível:

Fazer com que  milhares de pessoas ao redor do mundo entendessem o dia 7 de outubro após quase 3 anos de desinformações, discussões e acusações falsas sobre o inaceitável massacre.

Os episódios 7 e 8 da quinta temporada trouxeram à tona o horror daquela manhã e a reação foi enorme: uma nota de 9,3 no IMDb e um dia apenas após seu lançamento na Netflix a série já figurava entre as 10 mais assistidas em 43 países.

Mas o fato mais impactante não está em nenhum ranking.

Está, sim, nas redes sociais, onde pessoas de diferentes países dizem, chocadas, que só agora entendem o que o Hamas fez naquele dia. Isto sim é surpreendente e significativo.

Porque quase 3 anos se passaram, com vídeos reais, depoimentos, assassinatos, sequestros, famílias destruídas e atrocidades filmadas pelos próprios terroristas, tudo lá desde o primeiro dia e mesmo assim milhões de pessoas deram suas opiniões, marcharam com cartazes, acusaram injustamente, condenaram Israel sem realmente entender o que havia acionado aquela guerra. Não tentaram descobrir o que a havia desencadeado.

Aí está algo surpreendente: uma história verdadeira contada numa série de televisão, acorda as multidões.

Valorizemos a intenção e força desta iniciativa, o poder de relatar fatos, a vontade de sacudir as multidões e fazê-las finalmente entender o que vivenciaram e não alcançaram perceber.

Esta notícia sobre o quase milagre de FAUDA, o realizar que o mundo, em seus cantos diversos aos poucos entenda o que está acontecendo, encheu-me de alegria, uma euforia inusitada, uma conquista da família, um sonho há muito esperado.

Mas artigos sobre Greta Thunberg e sua devoção cega ao movimento BDS, fotos da placa da  Rua Estado de Israel sendo substituída por placa Rua Palestina Livre, um ataque à mão armada a uma sinagoga no Canadá em Yom Kipur, me devolveram ao meu estado de ansiedade anterior.

Desde o nascimento de nossa primeira filha, tinha certeza que sua geração não passaria pelo que seus avós passaram na Alemanha de Hitler. E eis que vejo as cenas se repetirem, e o Brasil aderindo a elas com determinação e autoridade.

Lembrei então de um ditado ou provérbio, “count your blessings”, expressão muitas vezes por mim repetida em situações de crise aos meus filhos, netos e bisnetas: contar nossas bençãos.

Não procurar aquilo que nos falta, mas olhar e descobrir  o que está em nosso meio copo, apreciar as bênçãos recebidas até hoje, valorizá-las e por elas agradecer.

Assim refletindo, se FAUDA nos trouxe compreensão maior e mais verdadeira de nossa história e o apoio dos até então mal - informados sobre o terrível massacre de 7 de outubro, festejemos esta admirável conquista aspirando por mais FAUDAS, que mais encantamentos surjam a este povo que resistiu por 3 Mil anos e ainda está presente lutando com suas próprias iniciativas, fé e resiliência para entregar PAZ a Todos.

 

Palavras do Diretor de Fauda:

“Quero que o público estrangeiro olhe nos olhos do meu personagem e enxergue o que sentimos naqueles dias. Como eles se sentiriam se isso acontecesse em seus países? Quero que as pessoas abram os olhos... ”

 

Que alcancemos o reconhecimento desta luta, o reconhecimento deste Israel que nada mais almeja do que viver em paz no pequenino pedaço de terra que lhe foi oficialmente reconhecido pela ONU em 1948.




FONTES:

https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/nova-temporada-de-fauda-faz-reviver-o-dia-7-de-outubro-e-ja-e-a-mais-vista-em-israel-e-no-libano

https://veja.abril.com.br/cultura/serie-fauda-troca-conciliacao-por-apoio-ferrenho-a-israel-em-nova-temporada/

https://diariodeseries.com.br/fauda-5-temporada-guerra-israel-hamas/#google_vignette

https://www.bbc.com/portuguese/extra/IkTCzu5CAd/Israel_historico_fronteiras

ACONTECE: Sucot e os caminhos do momento

 

Fonte da imagem


Por Regina P Markus - 24/09/2025 - 13 Tishrei 5787


Sucot, lembrando os 40 anos no deserto. Caminhando sem conhecer o rumo, mas com  determinação e sem parar. Recebendo comida e sendo guiados ao longo do tempo. Chegar a um ponto em que tudo vai mudar e o futuro será uma promessa em forma de Leite e Mel. Na última segunda-feira foi Iom Kipur, e ao pôr do sol de amanhã, dia 25 de setembro, começa Sucot. Saímos de momentos muito pessoais para momentos coletivos. Deixamos de ser apenas indivíduos para sentir que pertencemos a um grupo, a um povo. E ao fazer esta transição, em muitos estudos ao longo dos séculos, encontramos o conceito de "povo entre as nações". 

A construção da Sucá já começou. Uma cabana decorada com frutos e bandeirinhas coloridas. Teto de palmas e três paredes. Uma mesa onde todos são convidados e são servidas comidas para todos os gostos, com respeito especial para quem não pode comer determinados alimentos. Sucot é uma festa inclusiva! 

Saltando para esta semana, fica a sensação de que estamos atravessando tempos tão nebulosos quanto os de tempestades no deserto. A areia sobe escondendo os fatos e criando imagens que acabam sendo confundidas com a realidade. A mídia controlada por grupos interessados cria versões incorretas dos fatos. A cada dia fica mais evidente que as pessoas de Gaza não encontram apoio dos dirigentes. Apesar dos milhões gastos, não há dinheiro para construir abrigos ou moradias temporárias, e estes foram incentivados a ocupar prédios danificados e inseguros. 

Esta semana também está em curso a 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O encerramento será dia 28 de setembro e para apimentar o encontro, em janeiro de 2027 deverá tomar posse um novo "Secretário Geral". Discorrer hoje sobre os discursos e reuniões paralelas seria parcial. Os discursos dos chefes de estado até hoje seguem o esperado, quer no que se refere aos problemas gerais de clima e economia e ao que se refere aos pontos específicos envolvendo o Oriente Médio e os Países do Golfo. Será que falar leva a ações? Entre no Blogger para ler o texto de Alex Pipkin, gaúcho, formado em administração e marketing pela UFRGS, empresário, que apresenta um dos melhores textos sobre o tema do antissemitismo. "O antissemitismo moderno dispensou a necessidade de inventar o crime do judeu. Basta-lhe apagar a atrocidade cometida contra ele, converter seu direito de defesa em culpa e transformar sua sobrevivência em acusação. É sempre a guerra dos verbos.".  Vale conferir o texto integral no nosso Blogger. 

Estando dentro de nossa suká sempre aberta para todos e para o futuro, termino mencionando um avanço muito importante na arte de navegar. A Marinha Israelense inicia operações com navios robóticos. Dispensam o pessoal embarcado e poderão agilizar as rotas comerciais. Não deixem de ler a matéria do Jerusalem Post.

Os 40 anos no deserto, há mais de 3000 anos, fizeram e continuam fazendo história.

Chag Sameach

Regina


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A GUERRA DOS VERBOS



Por Alex Pipkin, doutor em Administração e Consultor Empresarial

Israel combate duas guerras. Uma contra seus inimigos terroristas; outra contra quem conta a primeira.

7 de outubro. A fronteira violada, civis massacrados, famílias sequestradas, reféns arrastados para Gaza. Só então veio a guerra. A cronologia deveria ser banal, mas os fatos têm um defeito terrível quando se pretende fabricar uma narrativa. Eles preservam a autoria.

Descobriu-se, então, um método eficiente de mentir sem necessariamente falsificar fatos. Basta editar a causalidade.

Israel bombardeia, Israel mata, Israel destrói. Do outro lado, palestinos morrem, crianças sofrem, famílias fogem. O Hamas vai perdendo seus verbos até evaporar do texto. Sem sujeito, extingue-se a culpa.

A engrenagem informativa ajuda. Relatos produzidos dentro de Gaza atravessam fontes locais, organizações internacionais e redações até chegar ao público com uma assepsia que sua origem jamais autorizaria. Em junho de 2026, o USAID OIG, órgão independente de fiscalização da agência americana, informou que sua investigação já havia resultado no encaminhamento de 108 funcionários ou ex-funcionários da UNRWA por participação no 7 de outubro e/ou vínculos com a ala militar do Hamas.

A BBC exibiu um documentário sem informar que seu jovem narrador era filho de uma autoridade da administração do Hamas, omissão considerada materialmente enganosa pelo regulador britânico Ofcom. O New York Times colocou Mohammed al-Mutawaq na primeira página de 25 de julho de 2025 como o rosto da fome em Gaza. Posteriormente, acrescentou que o menino tinha problemas preexistentes que afetavam o cérebro e o desenvolvimento muscular. A informação capaz de alterar a leitura da fotografia chegou depois da fotografia.

A manchete chega hoje. O contexto amanhã. A correção depois. A indignação jamais se corrige.

Quando a omissão deixa de ser episódica, o problema já não cabe na desculpa do erro de edição. Quem escolhe o sujeito distribui responsabilidade. Quem o retira da frase distribui inocência.

António Guterres acaba de afirmar que jamais testemunhou, como secretário-geral da ONU, uma escala de mortes e destruição como em Gaza. Sob seu mandato, o mundo assistiu a pilhas de corpos, fome e desespero no Iêmen, na Etiópia, no Sudão e na Ucrânia, tragédias documentadas pela própria organização que ele comanda, (imagem acima). 

Não se trata de contabilidade de cadáveres, mas de contabilidade moral. Por que a memória do mundo adquire precisão cirúrgica e comoção seletiva quando Israel ocupa o banco dos réus?

Pode-se criticar Israel. Pode-se defender a autodeterminação e um Estado palestino. Mas desejar que Israel desapareça e batizar isso de “crítica” é o velho antissemitismo submetido a um banho semântico.

Estou cansado. E preocupado. Sou defensor da liberdade de expressão, inclusive quando ela protege ideias que desprezo. Mas liberdade não é salvo-conduto para incitar a eliminação violenta de Israel, perseguir ou expulsar judeus. Quando a retórica ultrapassa a opinião e entra no terreno do crime, não basta reprovar moralmente. A lei precisa ser aplicada.

Mudaram as redações, as universidades, os organismos internacionais e o vocabulário. O velho preconceito apenas contratou uma nova agência de relações públicas.

O antissemitismo moderno dispensou a necessidade de inventar o crime do judeu. Basta-lhe apagar a atrocidade cometida contra ele, converter seu direito de defesa em culpa e transformar sua sobrevivência em acusação. É sempre a guerra dos verbos.

O problema é que o verbo adulterado na manchete não termina na manchete.

Mais cedo ou mais tarde, encontra um judeu para culpar.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A mentira sobre os assentamentos israelenses

 


Indispensável artigo para The Spectactor da sempre brilhante Natasha Hausdorff, advogada britânica especializada em direito internacional, direito dos conflitos armados e questões de segurança nacional e minha fellow JDCorps (Jewish Diplomatic Corps),  flagship program do World Jewish Congress - representação máxima das comunidades judaicas em mais de 100 países.


A mentira sobre os assentamentos israelenses


Por Natasha Hausdorff


Há poucas expressões nas relações internacionais que sejam repetidas com maior confiança ou submetidas a menor escrutínio do que “assentamentos israelenses ilegais”. Ela aparece em resoluções da ONU, declarações de governos, relatórios de ONGs e boletins de notícias como se fosse um fato estabelecido. Acrescente as palavras “segundo o direito internacional” e, aparentemente, qualquer discussão adicional se torna desnecessária.


O problema não é apenas que isso seja retórica política disfarçada de direito, mas que, na verdade, é contrário ao verdadeiro direito internacional, quando devidamente aplicado. A afirmação baseia-se em uma série de proposições sobre as fronteiras de Israel, a natureza jurídica da ocupação e o significado de dispositivos da Quarta Convenção de Genebra — proposições que se consolidaram como ortodoxia por meio da repetição. Elas foram endossadas pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pelo Conselho de Segurança da ONU e por maiorias da Corte Internacional de Justiça (CIJ). Mas a repetição institucional não transforma um raciocínio jurídico defeituoso em direito.


Para compreender o problema, é preciso voltar no tempo. Após o colapso do Império Otomano, em 1922, a comunidade internacional estabeleceu o Mandato para a (região da) Palestina. O Mandato determinava expressamente a facilitação da imigração judaica e incentivava o “estreito assentamento dos judeus na terra”. Seja qual for a opinião política que se tenha hoje sobre o Mandato, esse era o marco jurídico internacional estabelecido para o território.


O argumento sobre os assentamentos parte da premissa anterior de que Israel é a potência ocupante em território estrangeiro.


Quando Israel se tornou um Estado independente, em 1948, outra regra universal tornou-se crucial: uti possidetis juris, uma expressão latina pouco atraente, mas com consequências significativas. Ela significa que, quando um novo Estado emerge de um território administrativo preexistente, ele, por padrão, herda as fronteiras daquele território como suas fronteiras internacionais.


A doutrina teve origem na América Latina e posteriormente foi aplicada durante a descolonização da África e da Ásia e à dissolução de Estados, incluindo a União Soviética e a Iugoslávia. Seu propósito é óbvio. A independência não pode resultar em um vácuo territorial no qual toda fronteira esteja novamente em disputa. Como a CIJ reconheceu, a regra proporciona estabilidade e segurança e impede disputas fratricidas pela terra.


No entanto, quando se trata de Israel, o entendimento predominante é simplesmente deixar de aplicar essa regra elementar, sem nenhuma razão discernível. Israel foi o único Estado a surgir, em 1948, do território remanescente do Mandato, a oeste do rio Jordão. Isso ocorreu depois da separação da Transjordânia do Mandato, para criar o Estado árabe da Jordânia (que também fazia parte da região da Palestina). O plano de partilha da ONU de 1947, que propunha um Estado árabe adicional no território, jamais foi implementado, pois foi rejeitado pelo lado árabe, que optou pela guerra.


A consequência é desconfortável para aqueles que começam a história jurídica de Israel em 1967, depois da Guerra dos Seis Dias. Aplicando a regra ordinária do uti possidetis, Israel assumiu as fronteiras do Mandato, as únicas linhas existentes no mapa. A Judeia e Samaria — posteriormente rebatizadas de Cisjordânia após sua tomada pela Jordânia — não se tornaram território soberano jordaniano simplesmente porque a Jordânia as ocupou entre 1948 e 1967. Tampouco as linhas de armistício de 1949 se tornaram fronteiras internacionais, como os próprios acordos de armistício deixaram explícito. Eram linhas militares de cessar-fogo, e Egito e Jordânia insistiam que elas jamais constituiriam algo além disso.


Isso é importante porque todo o argumento sobre os assentamentos parte da premissa anterior de que Israel é a potência ocupante em território soberano estrangeiro. Um Estado não pode ocupar seu próprio território soberano. A Crimeia ilustra o ponto: a ocupação russa não extingue o título ucraniano. Se as forças ucranianas recuperassem a Crimeia amanhã, a Ucrânia não se tornaria subitamente a potência ocupante apenas porque a Rússia controlou a península durante uma década. O título de soberania vem primeiro.


Em 2024, quando a CIJ afirmou, em uma opinião consultiva não vinculante repleta de imprecisões, que “a presença continuada de Israel no Território Palestino Ocupado é ilegal”, ela não tratou do uti possidetis, das fronteiras herdadas do Mandato nem das reivindicações concorrentes de soberania. Simplesmente presumiu a resposta para a questão territorial e, a partir dessa premissa, construiu suas conclusões jurídicas.


Mas suponhamos, para fins de argumentação, que deixemos tudo isso de lado e tratemos a Judeia e Samaria como território ocupado. Mesmo assim, o slogan “assentamentos ilegais” subverte o direito. A disposição invariavelmente invocada é o Artigo 49(6) da Quarta Convenção de Genebra:


“A Potência Ocupante não poderá deportar ou transferir partes de sua própria população civil para o território que ocupa.”


Isso é verdade até mesmo para estudiosos do mundo moderno de língua inglesa, cuja própria ignorância bíblica frequentemente os torna incapazes de compreender um passado não tão distante no qual não apenas a Bíblia, mas especialmente a versão King James, dominava todos os aspectos da sociedade.


A King James Version foi uma força singularmente unificadora no mundo anglo-americano durante mais de três séculos. Com exceções notáveis, como os católicos, ela era lida por conservadores e liberais; republicanos e democratas; anglicanos e não conformistas; metodistas e mórmons; colonos e súditos; homens e mulheres; brancos e negros; ricos e pobres; jovens e idosos. Ela oferecia um suprimento ilimitado de metáforas, arquétipos e advertências amplamente compreensíveis, que as pessoas utilizavam no espaço público para debater os acontecimentos de suas épocas e enfrentar as vicissitudes de suas vidas pessoais. Ela formava, para colocar de maneira simplista, um banco de memes que atravessava sem dificuldade divisões sociais, étnicas e políticas. Quando Abraham Lincoln, em seu Segundo Discurso de Posse, lembrou ao povo americano que “ai do mundo por causa das ofensas, pois é necessário que as ofensas venham; mas ai daquele homem por quem vem a ofensa”, ele podia presumir que todos compreendiam o que queria dizer.


Observe o que o artigo não diz: Ele não diz que civis de determinada nacionalidade ou etnia não podem viver em território ocupado. Ele regulamenta a conduta da potência ocupante: deportação ou transferência de população.


O contexto histórico do Artigo é importante. A disposição surgiu após os horrores da Segunda Guerra Mundial, quando populações foram deslocadas à força e potências ocupantes implantaram populações em territórios conquistados. Seu objetivo era impedir programas estatais de transferência populacional, e não criar territórios dos quais civis de determinada nacionalidade ou origem fossem proibidos de viver em razão de sua identidade. Judeus israelenses nunca foram deportados para a Judeia. Eles se mudam voluntariamente. Algumas comunidades são mais recentes. Outras representam o restabelecimento de comunidades judaicas, como Gush Etzion, cujos habitantes haviam sido anteriormente expulsos durante a ocupação jordaniana (de 1948 a 1967).


Há outro problema: a prática internacional. Em um estudo global sobre atividades de assentamento em territórios ocupados, o professor Eugene Kontorovich constatou que houve numerosos movimentos substanciais de populações civis em ocupações prolongadas — situações reais de transferência estatal nos termos do Artigo 49(6), em outras palavras — que não receberam nenhuma condenação internacional nem qualquer observação quanto à sua ilegalidade. Dois pesos e duas medidas vêm à mente. O norte de Chipre, o Saara Ocidental e outros territórios disputados ou ocupados envolveram o tipo de movimento demográfico que supostamente aciona esse Artigo.


Isso não significa que os abusos reais em outros lugares devam ser ignorados. Significa que o direito internacional não pode ser uma coisa para Israel e outra para todos os demais. Uma regra jurídica citada seletiva (e incorretamente) sempre que judeus constroem casas além de uma linha de armistício que não é e nunca foi uma fronteira não representa a aplicação da lei, mas sim uma postura política. Além disso, os Acordos de Oslo, que concederam aos palestinos autogoverno nas Áreas A e B da Cisjordânia, deixaram a Área C sob administração israelense e deliberadamente reservaram os assentamentos, as fronteiras e Jerusalém para negociações sobre o status final.


Há uma tentativa de encobrir as verdadeiras construções ilegais nesses territórios disputados pela Autoridade Palestina, muitas vezes realizadas com financiamento internacional, na Área C. Ed Miliband, em uma declaração na terça-feira repleta de falsidades, afirmou — ou, muito provavelmente, simplesmente repetiu — uma mentira sobre as comunidades beduínas da aldeia de Khan Al Ahmar. Ele afirmou que esses beduínos viviam naquela terra havia gerações. Fotografias aéreas que remontam à Luftwaffe desmentem essa afirmação. Na realidade, os beduínos de Khan al Ahmar e dos outros postos avançados ilegais na região, instalados ali como peões políticos, nunca fizeram eles próprios essa afirmação. Essa é a verdadeira construção ilegal em larga escala, motivada politicamente. Ela viola o direito internacional, os Acordos de Oslo e qualquer confiança que Israel possa ter de que futuros acordos que celebrar serão respeitados pela comunidade internacional.


As consequências vão muito além das disputas jurídicas. A expressão “assentamentos ilegais” está sendo cada vez mais usada para significar algo muito mais perturbador: que judeus não deveriam viver em determinados lugares porque são judeus. Considere o que está sendo exigido. Um futuro Estado palestino é rotineiramente imaginado como exigindo a remoção de centenas de milhares de judeus de suas casas. 


A presença judaica em Hebron, berço da civilização judaica, é inexplicavelmente apresentada como um crime internacional. O mesmo ocorre com o Bairro Judeu de Jerusalém ou com as comunidades judaicas restabelecidas depois que seus habitantes (judeus) foram expulsos.


O direito internacional não pode ser uma coisa para Israel e outra para todos os demais.


Nenhuma exigência semelhante seria tolerada em outro lugar. Reconheceríamos imediatamente a perversidade de afirmar que a paz entre dois povos exige que um território seja “limpo” de uma das etnias. No entanto, uma vez que a proposição é revestida da linguagem de “assentamentos” e “direito internacional”, os políticos a repetem.


As consequências afetam a Grã-Bretanha. Quando casas judaicas são descritas como inerentemente ilegais, empresas que atendem judeus passam a ser consideradas “cúmplices”, instituições de caridade que apoiam comunidades judaicas tornam-se suspeitas, judeus que compram imóveis supostamente passam a participar de um crime internacional; então o vocabulário se desloca sem esforço da diplomacia internacional para campanhas de exclusão dentro do próprio país. É assim que a instrumentalização do direito internacional contribui para o ódio aos judeus. Ela fornece aos preconceitos antigos uma aparência de respeitabilidade revestida de terminologia jurídica moderna. O judeu já não é simplesmente acusado de estar em algum lugar ao qual não pertence. Ele é um “colono ilegal”. Sua casa não é apenas indesejada; é um “crime de guerra”. A exclusão torna-se uma virtude.


Essa instrumentalização da lei também é desastrosa para a paz. A paz não será alcançada ensinando aos palestinos que toda casa judaica além de uma linha arbitrária de cessar-fogo é um crime, assim como não será alcançada fingindo que os judeus não têm história, direitos ou reivindicações legítimas sobre o território. As negociações exigem o reconhecimento de reivindicações que precisam ser conciliadas.


O direito internacional foi criado para fornecer regras por meio das quais as disputas pudessem ser resolvidas. Ele não foi criado para fornecer às campanhas políticas um vocabulário intimidatório. O ponto de partida deveria, portanto, ser a própria lei, aplicada de maneira consistente: o Mandato, o uti possidetis juris, o verdadeiro status das linhas de armistício de 1949, o texto da Convenção de Genebra, os acordos posteriores, incluindo os Acordos de Oslo, e a prática dos Estados em outras partes do mundo.


Faça-se isso, e a supostamente simples proposição de que “os assentamentos israelenses são ilegais segundo o direito internacional” torna-se incoerente. Talvez seja por isso que ela seja repetida com tanta insistência. É muito mais fácil fazer essa declaração vazia do que confrontar o que a lei realmente diz.


Artigo original em inglês: https://spectator.com/article/the-israeli-settlements-lie/


Pesquisa, tradução, adaptação, legendas e comentários: By@Krok

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ACONTECE: E chove...

Por Juliana Rehfeld



Acontece que tem chovido muito, ultrapassando médias e máximas históricas, até recebi uma figurinha que anexo aqui, mostrando como vista de um apartamento um parque, um barco, uma arca, e casais de animais subindo a rampa para entrar. Estamos assistindo a um dilúvio nestes dias terríveis, “Iamim Noraim”. E penso na coincidência de termos esta chuva justo ao lermos a Parashá Haazinu (Escutem”) - lindíssimo poema conhecido como Cântico de Moisés no finalzinho da Torá. Ele começa com: 


“Escutem, ó céus, e eu falarei;

e ouça a terra as palavras da minha boca.

Que minha instrução caia como a chuva,

que minha palavra flua como o orvalho;

como a chuva fina sobre a relva,

e como as gotas sobre a vegetação.”


Moisés, falando ora em nome Deus, ora em seu nome, em tom de despedida,  segundo Jonathan Sacks “expressa, em forma poética, a relação entre o Deus da justiça e o Seu povo, muitas vezes rebelde. A ideia central da canção reside na lógica da aliança, na qual uma das partes pode processar a outra pelo descumprimento dos deveres acordados na própria aliança. Esse tipo de processo (conhecido no hebraico bíblico como riv) é frequentemente mencionado pelos profetas posteriores, geralmente como uma acusação de Deus contra os israelitas, mas ocasionalmente como o oposto.” Há um movimento neste poema que nos lembrou, no grupo de estudos da Parashá, o movimento de “encolhimento" de Deus, o conceito judaico de צמצום (tzimtzum), o “encolhimento” ou “retração” de Deus para abrir espaço para a criação. Essa ideia é uma formulação posterior da Cabala, especialmente associada ao Isaac Luria (Ari), no século XVI. E a imagem é que o Ein Sof (o Deus infinito) “contrai” ou “retira” sua presença para que possa existir um espaço no qual o mundo criado — e, portanto, o ser humano — possa existir.

Então, em Haazinu, nas portas da entrada na Terra Prometida, e à beira de sua própria morte, Moisés invoca esta criação, o céu e a terra, como testemunhas do relato da história dos israelitas, onde aparece uma tensão entre a grandeza infinita de Deus e o espaço concedido à humanidade para escolher, agir e assumir responsabilidade. 

Tensão entre a Vontade e o Poder Divino e o Livre Arbítrio, a liberdade humana. 

E esta liberdade humana produziu até aqui uma longa história, repleta de guerras por alimento, depois, e até hoje, por territórios mas também repleta de descobertas e construções que nos permitiram crescer e multiplicarmo-nos e espalharmo-nos pelo planeta, e explorarmos para além dele; história também repleta de criações de arte em desenho, pintura, música, literatura que tanto vêm nos emocionando, a nossos antepassados e a nós, há milhares de anos. São legados, de geração em geração, “Le dor va dor”, que absorvemos e com os quais interagimos desde que começamos a respirar até o dia em que paramos de fazê-lo, por vontade divina, por parada na operação da fantástica máquina que somos. E por mais que tenhamos aprendido sobre esta máquina, a ponto de consertá-la de inúmeros defeitos e prolongar consideravelmente sua operação, não sabemos quando e de que forma ela, enfim, cessará de modo irreversível… 

A cada ano que vivemos somos gratos por isso, pelo que foi bom e produtivo, choramos pelo que não foi nada disso, pelas terríveis notícias que nos bombardeiam diariamente pelos nossos ultramodernos dispositivos, e nestes dias cada vez mais chuvosos pensamos no que fizemos e também no que não fizemos, e em como podemos, no ano que vem, se nele estivermos, fazer mais e melhor, para nós, nossa família e comunidade, e ״לכל יושבי תבל”, col ioshvei tevel, todos os habitantes do mundo. 

E se estas tão numerosas gotas que caem são de fato ensinamentos divinos, cada vez mais abundantes e críticos porque merecemos por termos errado muito, ou são cada vez mais abundantes porque nossas descobertas e engenhocas têm alterado as condições climáticas e a capacidade deste planeta de nos conter… 

E com estas reflexões, e orações, em jejum ou não, esperamos que ao som do último toque do shofar no Iom Kipur - “Neilá”, fechamento - os “portões celestiais” se fechem deixando-nos deste lado, em vida e que os portões do ano judaico de 5787 se abram e nos deixem adentrar um novo período repleto de oportunidades de continuar nossa história pessoal e a deste complexo mundo em que estamos. 

Shabat Shalom, 

Hatimá Tová (boa inscrição no livro da vida do próximo ano), 

Shaná Tová Umetuká (um ano bom e doce).