por Regina P. Markus
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| Lua Laranja anunciando um mês de Elul Especial |
A LUA CHEIA acontecerá no dia 28 de agosto de 2026, à 01h19. Este é o dia 15 de Elul. Sim, no calendário judaico a lua cheia chega sempre no dia 15, marcando o meio do mês civil. Assim, Rosh Rodesh e Rosh haShaná marcam o início de cada mês e o início do ano civil. O ano religioso começa no mês de Nissan (dia 15, Lua Cheia). É o primeiro dia de Pessach e marca a saída do Egito. Este ano ocorrerá uma Eclipse Lunar Parcial, visivel em todo território brasileiro.
A Lua estará no Perigeu, o ponto mais próximo da Terra, e será iluminada pelo Sol diretamente à noite. No eclipse lunar parcial que ocorre na madrugada de 27 para 28 de agosto de 2026, a Terra vai cobrir mais de 93% a 96% da Lua. Como a cobertura é quase total, a parte sombreada ganhará um tom vermelho-acobreado ou alaranjado, criando um efeito de "quase Lua de Sangue" visível a olho nu em todo o Brasil.
Nesta semana especial, a Leitura da Torá também traz "insights" que foram sendo revelados por mestres, sábios e pessoas do povo ao longo de milênios. Será lida a Parashá Ki Tetse (כִּי־תֵצֵא) - "Quando você sair". A 49a parashá da Torá, e a sexta do livro de Devarim inicia com uma fala direta de HaShem a uma pessoa. Não há intermediários. E é nesta relação direta que são tratadas (1) Leis de Guerra, (2) Relações Familiares, (3) Justiça Social e Empatia, (4) Proteção aos Animais e Ecologia, (5) Combinação e Mistura, (6) Honestidade no Comércio e (7) Memória Histórica. Trata de colocar de forma organizada regras de conduta e obrigações em diferentes condições da vida. Junto às regras são apresentadas formas de avaliar e ajustar as condutas, quer através de conselhos quer através de punições. Algumas muito severas e outras aplicadas a diferentes grupos da sociedade da época. Ao longo de milênios, as interpretações mostram a importância de ter regras que possam ser iterpretadas e ajustadas. Vamos comentar principalmente as ligadas à mulher. O início do texto é direto:
21:10 "Quando saíres à guerra contra os teus inimigos, e o Eterno, teu Deus, os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares cativos",
21:11 "E vires entre os cativos uma mulher formosa, e te afeiçoares a ela, e a quiseres tomar por mulher",
E na continuação são ditadas regras e comentadas opções. A primeira abordagem exige que a esta mulher seja dado um período de luto quando ela raspará a cabeça e se vestirá com trajes vulgares e rasgados. Poderá ficar isolada em sua dor quando reingressar à sociedade estará numa fase de recuperação.
Ao terminar vamos olhar o presente. Escutando o comentário de David Elmescany no Instagram dia 27 de agosto às 5h30 da manhã encontro um fato que sugere fortemente NOVOS CAMINHOS. @elmescany conta que o Irã ameaçou o mundo inteiro com o Estreito de Ormuz. No dia de ontem saíram 25 milhões de barris de petróleo que atravessaram o estreito em pequenos navios com rastreador desligado. Longe dali, os navios pequenos encostam em navio grande que recebe o petróleo do navio pequeno. Desta forma, sem tiro, sem manchete e sem discurso o petróleo de todos os países da região, a menos do Irã.
Lentamente, vemos que estamos entrando em uma nova era. A Lua Laranja apontando para a Mulher ontem, hoje e amanhã. O mês de Elul e o toque do Shofar confirmando que temos as portas da esperança abertas e vamos atravessar tendo feito um bom balanço.
Shana Tová
Regina
Rashi (Rabino Schlomo Yitzhak) – 1040 a 1105, França e Alemanha
• A Mulher Bonita na Guerra (Yfat Toar): A Torá permite que um soldado se case com uma cativa de guerra sob regras estritas. Rashi explica que a Torá abriu uma concessão apenas para aplacar a inclinação ao mal (yetzer hará) do soldado em combate.
Yehuda Halevi (século XII), aborda o tema em sua obra-prima clássica, o Kuzari.
O Equilíbrio contra o Ascetismo Extremo: Muitas leis de Ki Tetze lidam com prazeres físicos regulados (o soldado que deseja a cativa bonita, o homem com duas esposas, as leis de casamento e divórcio).
• Santificação, não Abnegação: Halevi usa a estrutura dessas leis para argumentar contra a filosofia ascética. No Kuzari, ele afirma que o judaísmo não exige que o homem anule seus desejos físicos ou viva em isolamento. A Torá, especialmente em Ki Tetze, molda e canaliza as paixões humanas (guerra, sexo, comércio, alimentação) inserindo-as em uma moldura de santidade. O servo de Deus serve ao Criador através do usufruto correto do mundo.
Rambam (Maimônides, 1138, Córdoba, Andaluzia –1204, Fustat, antigo Cairo, Egito)
Analisa a lei da "mulher formosa capturada na guerra" (Eshet Yefat Toar) sob duas perspectivas complementares: a racionalista/filosófica (em sua obra Guia dos Perplexos) e a jurídica/haláquica (no seu código de leis Mishnê Torá).
1. A Perspectiva Filosófica (O Guia dos Perplexos)
No Guia dos Perplexos (Parte 3, Capítulo 41), o Rambam explica que as restrições impostas pela Torá sobre a cativa servem como um mecanismo pedagógico para refrear as paixões brutas do ser humano em momentos de caos.
• Concessão à Fraqueza Humana: O Rambam concorda com o princípio talmúdico de que "a Torá falou apenas contra a inclinação ao mal" (lo dibrá Torá ela negued ietser hará). Ele afirma que, no calor da guerra, o ímpeto e o desejo do soldado são quase incontroláveis. Se a Torá proibisse a mulher completamente, o soldado violaria a lei.
• Educação pelo Desprazer: Ao obrigar a mulher a raspar a cabeça, deixar as unhas crescerem (ou cortá-las de forma a ficarem feias) e chorar por seus pais durante 30 dias na casa do soldado, a Torá sabota deliberadamente o desejo dele. O Rambam argumenta que essas ações removem a atração estética inicial, forçando o homem a vê-la em seu estado mais vulnerável e triste, o que geralmente faz com que ele desista do casamento por pura perda de interesse físico.
2. A Perspectiva Jurídica (Mishnê Torá)
No Mishnê Torá (nas Leis de Reis e Suas Guerras, Capítulo 8), o Rambam codifica detalhadamente os limites legais dessa mitsvá, trazendo duas decisões de extremo impacto ético:
• Apenas uma Relação sob Concessão: O Rambam decreta que o soldado só tem permissão de ter uma única relação inicial com a mulher enquanto ela ainda é gentia, movido puramente pelo ápice de seu impulso no campo de batalha. Depois dessa primeira vez, ela se torna proibida para ele até que todo o processo de um mês de resguardo e conversão seja concluído. [2, 3]
• A Proibição do Abuso Contínuo: Ele enfatiza rigorosamente que o soldado não pode tomá-la como escrava sexual ou abusar dela repetidamente. Se, após o período de teste, o soldado não quiser se casar legalmente com ela, ou se ela se recusar terminantemente a abandonar a idolatria após 12 meses de paciência, ele é obrigado a libertá-la totalmente. Ela sai livre e o homem não pode vendê-la, funcionando como uma proteção legal à dignidade da mulher.
Ramban (Nachmânides, Rabino Moshe ben Nachman) – 1194 - Catalunha e 1270 (Terra de Israel, Acre ou Jerusalém)
Além de concordar que o processo serve para esfriar o desejo físico do soldado, o Ramban destaca a dignidade da mulher. Ela deve ter tempo para chorar a perda de sua antiga vida e de seus pais pagãos. Esse período de isolamento e pranto permite que ela separe o passado e o futuro através de um período de luto em que o dia a dia delineia fronteiras. Mente e alma são preparadas para entrar de forma digna e voluntária na Casa de Israel.
Ben Ish Chai (Rabino Yosef Chaim de Bagdá, Iraque) -século XIX (1835-1909)
Foca seus comentários no refinamento ético e nos paralelos místicos baseados nos ensinamentos do Arizal (Cabalá de Safed do Rav Isaac Luria). A guerra é descrita como o combate contra o mal (Yetzer Hará) e não um combate físico. Neste caso a “Mulher Formosa” (Eshet Yefat Toar) é uma centelha de santidade (Nitsotsót Kedushá).
E muitos outros poderiam ser aqui colocados.