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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Acontece: “Mea culpa”, meia culpa

 

Por Juliana Rehfeld




Começamos a nos preparar para "a virada do ano", a passagem para o ano de 5787. Escutamos o toque de shofar aqui e ali, definimos quem convidar ou que convite aceitamos para o jantar de entrada nos chamados "iamim noraim, dias terríveis", decidimos com que parte da família estaremos, já que as grandes famílias se dividem, e começamos a pedir desculpas, aos amigos e parentes, pelo que "pisamos na bola" no ano que passou. 

E, como todo ano, pisamos mesmo na bola. Produzimos menos do que nos propusemos, completamos menos projetos do que tínhamos planejado, adiamos aquele curso no qual pretendíamos nos inscrever, visitamos menos a família, nem fizemos a desejada viagem, aquela que sonhamos… "não deu"; não deu tempo ou não deu vontade, deu preguiça, faltou dinheiro, as prioridades foram outras… as justificativas estão sempre prontas para nos consolar, reduzir o peso de termos falhado. Elas, as justificativas, pulam da nossa boca, ou invadem nosso pensamento, prestativas e corajosas, e nos envolvem como se fossem inocentes e verdadeiras, não como fruto da nossa imaginação que tiramos do bolso quando confrontados com os resultados aquém do esperado, do prometido.

Mas ocorre muitas vezes que a exigência e as expectativas que nós mesmos nos colocamos eram demasiadas e possivelmente inalcançáveis, causadas por um desejo, uma pretensão de dar um ou mais passos maiores que as pernas, menos planejamento e mais impulso… e aí a culpa é até maior! "Como fui me meter nisso? Mergulhar de cabeça sem bóia? Avaliar tão mal as probabilidades?"

De qualquer lado que olhamos, a condenação é inexorável… Ah, a culpa judaica! Não é um conceito religioso mas é uma carga cultural atávica, isto é, que herdamos e que nos acompanha de geração em geração, nossa "yiddishe mama, introjetada", quase impossível de satisfazer…

A responsabilidade comum, coletiva, a necessidade de fazer "tikkun olam", repararmos sozinhos o mundo inteiro… não é à toa que muitos de nós, muitas vezes, "vestimos a carapuça", incorporamos culpas que nos são atribuídas por quem sistemática, e obstinadamente, nos persegue… como judeus somos mesmo culpados por tantos males que acontecem no mundo? Como sionistas, então, que defendem o direito de Israel existir e se defender, somos mesmo responsáveis por tudo de que nos acusam?

Anexamos um vídeo que justamente pergunta se sofremos de "Israel Derangement Syndrome", síndrome de distúrbio por causa de Israel… expressão politica emprestada dos conceitos da saúde mental… Israel tem sido acusado de praticamente produzir todos os males do mundo… uma insanidade, uma pandemia que precisa, diz o vídeo, ser tratada com doses significativas de um remédio chamado Realidade, que certamente traz efeitos colaterais a quem "é alérgico a fatos"!, com o que eu concordo. Aliás, é acreditar nessa terapia que nos move a editar esse veículo EshTaNaMidia.  

Há muito que criticar nas ações do governo de Israel hoje, mesmo nas recentes ações absurdas de cidadãos conhecidos como colonos em relação a concidadãos árabes palestinos, que foram notícia na última semana, e que me encheram de vergonha! Eles estão sendo investigados e julgados, espero que sejam exemplarmente punidos, mas a taxa de solução justa nestes casos vem diminuindo… isto não é satisfatório.

O fato é que vêm acontecendo ações indefensáveis que têm que ser impedidos de se repetir. Mas vêm sendo verbalizadas acusações absurdas sobre judeus, sionistas e Israel, o "Estado imaginário de Israel", que configuram um distúrbio da sociedade, da imprensa formadora de opinões incautas… o equilíbrio tem que ser perseguido, e informação, sem deformação, é remédio fundamental no tratamento do antissemitismo e anti sionismo oportunistas. 

Mas como é mesmo que vou lidar com a minha culpa este ano? 

É nisso que começo a pensar ao toque diário do shofar, neste mês de Elul. 

Shabat Shalom

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Melado...

 



Eu ainda me lembro... Acho... Memórias... Saudades e Sonhos...

Tem gosto, sabor! E ele muda! Curte. Ganha corpo. É queijo minas, aquele bem fresco, delicado, insosso. Com o tempo amarela! Ganha cor, sabor! Firma o perfume, escurece a casca, ganha força e beleza!

É o tempo... Quanto mais caminha, mais a saudade apura. Mais melada...

Tempo... O ingrediente de Ouro! D´Ouro!

Já viu os jardins de Monet? A gente sabe da boniteza, mas não entende a razão... A gente sempre para na frente. Embasbaca. Olha. E de novo. Passo pra trás. Passo pra frente. E aquela forma vai mudando, vai brilhando, vai vivendo! É uma outra imagem... Mais deliciosa. Mais verdadeira.

Pensa na memória... Ela é assim. Desse jeitinho! Quanto mais a gente caminha no tempo, mais a saudade vai curando... Perfume de mel, de queijo e melado!

É aí que ela ganha... Fica mais nítida, mais precisa... Não nos fatos, mas no sentir.

Fecho os olhos... É minha avó! Cadeira de balanço... Como eu gostava de brincar! E ela lia. Lia para mim. A coleção do Mico Maneco. Eu adorava aquelas historinhas. Ele adorava melado. Melado no pão. Melado no queijo. Melado no queixo. Queijo e melado.

Eu não sabia... Eu só ouvia... Depois, comecei a escutar! É o tempo que abre o coração. O queijo minas ganha perfume com o tempo... Aquelas brincadeirinhas viraram valores! Princípios! Humanidade!

Virei gente ali... Ouvindo histórias de mico, melado e queijo! Melado escorrendo pelo queixo... Pinga valor! Era a minha avó! No tom de quem vive. De geração em geração. Da minha avó para mim. Dos ancestrais dela para ela. Uma corrente invisível, perfumada, colorida. Semente!

De semente para gente... De palavra para valor... A gente planta e confia.

Tinha uma lenda. Será que inventei? Sonhei? Vó? Foi você que eu escutei? Ela é minha agora. Então ela é nossa! É de quem quiser, de quem vier...

Era uma menininha. Lembra do jardim de Monet? Ela não tava lá... Ela andava perdida. Era um deserto. Chorava... Guerra. Miséria. Fome. Desesperança. Mundo cinza, fedorento, sujo...

E ela? Pequena. Insignificantemente pequena. Não era ninguém. Nada. O que ela podia fazer?

Ela plantava flores. Pintava o caminho. Escrevia poesia...

Colorir o caminho... Diminuir os efeitos nefastos de tudo. Não resolver a guerra... Plantar. Pintar. Perfumar. A moça plantava poesia... Era só o que podia, mas tudo o que precisava fazer.

E do deserto nasceram flores, nasceram cores! É o tempo... O mesmo do queijo, do queixo, da palavra e do valor! É o tempo que perfuma o bolor... Que faz da dor, o crescimento! A pérola nasce da ostra dolorida! O grão de areia irrita. A dor pressiona. Com o tempo, nasce a pérola.

A pérola da convivência. Do encontro. Do queijo que cura...

A pérola nasce do atrito. Do conflito. Do outro que chega. Do outro que incomoda... Que gera beleza. Era isso! A moça não tava só enfeitando o caminho... Ela tava convidando!

Cor, perfume, beleza... Convite... Desde quando flor cresce sozinha? Precisa de sol, de chuva, de insetos, de mãos. De encontros! De convivência!

É assim, desse jeitinho, sentindo isso, que a gente tenta entender o Altíssimo. Não é cabeça. Não é cálculo. É coração. É enxergar. Perceber com a alma e com o coração. Aquela Luz que não se vê, mas que se enxerga. Aquela Voz que não se ouve, mas que se escuta. A moça que plantava cores não sabia de teologia. Seu coração já era o caminho...

E a lenda termina com ela grávida! A menininha que plantava cores, perfumes e flores... Um dia estava grávida! Uma vida!

Ela esperava! Beleza! Esperança! Pérola!

Esperança! Não é só o esperar do ventre. É o esperar daquele que plantou, regou, confiou — e agora vê a semente virar flor, a flor virar fruto, o fruto virar vida.

O tempo curou as saudades e a dor e transformou tudo em pérola.

E, de repente, estou de volta com minha avó. Melado. Queijo. Queixo. Mico Maneco. No fim, tudo é plantio. Sem que ninguém desconfiasse... De geração em geração. Até aqui. Até além.

As memórias, as saudades e os sonhos são a mesma pintura. O mesmo jardim de Monet. Elas são o queijo minas que curou e perfumou. Queijo e melado. Dor e pérola. Memória e esperança.

Tudo isso sou eu. Tudo isso somos nós.

Até aqui... E além!


André Naves. Vice-Presidente do Chaverim (www.chaverim.org.br). Autor de “Caminho – a Beleza é Enxergar” e “Beethoven Enxergou o Luar”. www.andrenaves.com - @andrenaves.def

 

 


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Acontece: Elul, o mês da Esperança e da Reconciliação


Por Regina P. Markus - 12/08/2026 __ 30 de Av de 5786


Elul - Ler, Escrever, Chamar


Esta noite será o início do mês de Elul: o último mês do calendário civil judaico. O mês em que se faz o balanço pessoal e se prepara para o início de um novo ciclo. E é considerado o mês da esperança. Também é o mês das relações pessoais. O Cântico dos Cânticos de Salomão 6:3 - Ani le Dodi ve Dodi Li - Eu Sou de Meu Amado e Meu Amado é Meu - é um acrônimo da palavra Elul e é cantado nesta época com alegria, porque o encerramento de um ciclo é o início de outro, e, apesar de muitas coisas serem repetidas e repetidas e repetidas, o novo ciclo é um espaço de tempo aberto para a esperança. Eu ser de meu amado e meu amado ser meu não significa a perfeição, a falta de conflitos, ou mesmo sermos regidos pelas mesmas ideias. O que une as duas pessoas é o AMOR. É o sentimento de completude. E, neste mês é dito que o Rei Está no Campo - Ha Melech Ba Sadê. E é HaShem que vaga pelos campos e é nutrido pela esperança dos que amam. A esperança dos que conseguiram chegar e seguirão em frente independentemente do que vier.

Neste mês é tocado o Shofar, um berrante usado para orientar boiadas em suas andanças, sob a regência de um pastor. Pastorear é cuidar de forma muito especial. Dirigir um grupo e, ao mesmo tempo, ir em busca de cada indivíduo. Insistir no fato de que o todo é formado por partes diferentes e de que cada uma delas é muito importante. 

Entre as muitas evoluções positivas que ocorreram nesta antevéspera do Ano Novo Judaico de 5787, podemos citar a reabertura da praia de Zikim, uma das comunidades que foram massacradas em 7 de outubro de 2023. O investimento foi da ordem de milhões de dólares e o resultado é aquele que buscamos após cada tragédia pessoal ou coletiva: A Sobrevivência, A Construção do Futuro.


Praia de Zikim restaurada


Outro fato relevante foi ouvir o Hino Nacional de Israel, a Hatikva, nos Emirados Árabes Unidos. A jovem israelense Mila Ben David, de 16 anos, conquistou a medalha de ouro no Campeonato Mundial Juvenil de jiu-jitsu. Palavras que emocionam não bastam. Fechem os olhos e imaginem um futuro em que este fato representaria apenas um evento esportivo! Estar lado a lado, conviver e amar!

E foi nesta antevéspera de Elul que o Prof. Haim Sompolinsky, físico teórico e neurocientista, foi agraciado com a medalha DIRAC, concedida pelo Centro Internacional de Física Teórica Abdus Salam (ICTP), em Trieste, Itália. O anúncio foi feito pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Prof. Sompolinsky é professor emérito no Centro Edmond e Lily Safra de Ciências do Cérebro e do Instituto Racah de Física. Mudar a forma de entender a memória, o pensamento e as reações instintivas é o início de uma nova era no mundo das comunicações. Uma imagem vale mais do que mil palavras! Esta é uma forma de expressar que as palavras são mais difíceis de entender. Certamente, quando pudermos compreender como transformamos as palavras em imagens dentro de nosso cérebro, consigamos potencializar a capacidade de transformar o futuro!

E é neste futuro maravilhoso, apesar de problemas recorrentes, que sonhamos para 5787.

Rosh Chodesh Sameach!!! 

Regina




   

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ACONTECE: Saudades do deserto

 Por Juliana Rehfeld


É grande hoje a procura pelo novo, pela aventura, por emoções que façam os sentidos reconhecerem que se está vivo, que está presente o privilégio de continuar vivo. Esportes radicais, lugares distantes, passeios a cantos extremos, natureza inóspita. Os mais jovens buscam isso cada vez mais, até porque estão mais aptos a enfrentar os riscos… mas acontece que são os mais entediados. Entediados com… o que mesmo? Com a rotina, com a disciplina necessária, com as mesmas trajetórias, as mesmas notícias, as mesmas pessoas, mesmas palavras… estão todos mal-acostumados ao stress. Então a necessidade de mais stress é imperiosa. 

Imagine você então como seria passar 40 anos no deserto… mesmo que você tenha tido que sair fugindo às pressas de sua casa, sido perseguido(a) por soldados montados e equipados com espadas… mesmo que tenha presenciado o mar se abrir à sua frente e tenha podido olhar para trás após a travessia só para vê-lo fechar-se sobre seus perseguidores… mesmo que logo que você tenha sentido fome, do céu tenha caído uma refeição e que isso continuasse todos dias acompanhando você enquanto se deslocava. 

Como era mesmo? 

O maná caía durante a noite, como uma fina camada sobre o solo (Êxodo 16). Cada família saía cedo para recolher apenas a quantidade necessária para aquele dia. Antes do calor do sol aumentar, o maná derretia. Por isso, não era possível deixar para depois. Às sextas-feiras recolhiam o dobro, pois no Shabat não havia maná.

Pela manhã, preparavam o maná. A Torá diz que podia ser moído, pilado, cozido ou assado, e tinha sabor agradável, comparado a bolo com mel ou azeite. Alimentavam os animais e cuidavam dos pertences. As mulheres cuidavam da casa e das crianças, embora certamente muitas atividades fossem compartilhadas.

Durante o dia o povo vivia em um enorme acampamento organizado: no centro ficava o Tabernáculo (Mishkan). Ao redor dele acampavam os levitas. Mais externamente, as outras doze tribos, cada uma em sua posição fixa. Havia diversas atividades: julgamentos de conflitos (primeiro por Moisés e depois também pelos anciãos), ensino da Torá, sacrifícios diários no Tabernáculo, confecção e manutenção das tendas, cuidado com rebanhos de ovelhas, cabras e gado, que eles trouxeram do Egito.

Quando a nuvem se movia… esse era talvez o momento mais marcante da vida no deserto.

A nuvem sobre o Tabernáculo indicava quando Deus ordenava partir.

Então: desmontavam todas as tendas; os levitas desmontavam cuidadosamente o Tabernáculo; cada tribo saía em uma ordem específica; caminhavam até o próximo local; montavam novamente todo o acampamento.

Às vezes permaneciam meses no mesmo lugar; outras vezes apenas alguns dias.

À tarde continuavam os trabalhos cotidianos. Havia instrução religiosa. Algumas pessoas levavam ofertas ao Tabernáculo.

À noite jantavam. A coluna de fogo substituía a nuvem, simbolizando a presença divina. Descansavam aguardando o novo dia.

Como era viver assim? Imagine uma cidade de talvez 2 a 3 milhões de pessoas, mas formada apenas por tendas.

Era uma vida sem agricultura, sem cidades, sem comércio desenvolvido, dependente diariamente do maná e da água provida por Deus, organizada em torno do Mishkan.

Ao mesmo tempo, era uma longa escola espiritual. O objetivo não era apenas atravessar um deserto físico, mas transformar um povo de ex-escravos em uma nação capaz de viver segundo a Torá.

Não há registro de sensação de tédio, até porque durante essa rotina de vez em quando alguém se rebelava e podia ser fulminado por um raio, ou a terra se abria e muitos eram engolidos pelo buraco… 

Havia, para a maioria, uma sensação de proteção, de que tudo daria certo no final… para a geração que iniciou a fuga, não deu. Morreram todos antes de chegar à terra prometida. O último, Moisés, que ao longo das décadas no deserto “segurou as pontas” por todos, negociou com Deus para que não fossem todos destruídos, ele próprio não entrou em Canaã… pôde apenas contempla-lá do alto do monte Nebo, na atual Jordânia… e morreu aos 120 anos. 

A nossa rotina diária, como se diz, a “de ter de matar um leão a cada dia pra sobreviver” é mais arriscada, nada garantida, até porque se não vivemos em locais onde há guerras sem fim, vivemos próximos a centros nos quais a violência só cresce e não temos tido sucesso em reduzi-la mesmo rezando muito…

À nossa volta tudo está sempre acontecendo, coração palpita, até demais, corremos o tempo todo, e mesmo no arrastado trânsito ouvimos notícias surpreendentes e alarmantes no rádio ou no fone ligado ao celular. Difícil esconder-se do que acontece. 

Menos, no Shabat. Se tivermos o privilégio e a teimosia de desacelerar, parar mesmo para encontrar a turma, presencial ou virtualmente, entoar “nigunim”, melodias, que nos reconectam ao calor e ao silêncio do deserto, que nos desafiavam mas também confortavam, onde sentíamos que tudo daria certo, no final…

Shabat Shalom

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

VOCÊ SABIA? - Sinagoga Basílica, uma joia arqueológica

 

Por Itanira Heineberg




A ALBÂNIA, um dos países mais pobres da Europa, uma democracia de pouco mais de 30 anos de existência, guarda em seu território uma joia judaica arqueológica de valor inestimável, bem zelada e preservada - mas de pouco conhecimento por parte de seus cidadãos.







Você Sabia que a Sinagoga-Basílica de Sarandë é um dos sítios arqueológicos mais fascinantes da Albânia, documentando a transição religiosa e cultural da região entre os séculos IV e VI?




Muito importante ressaltar que este complexo localizado no coração da cidade costeira de Sarandë (antiga Onchesmos) representa a primeira evidência arqueológica de uma comunidade judaica antiga na Albânia.



A história dos judeus no país remonta a cerca de 2.000 anos.

De acordo com o historiador Apostol Kotani (Albânia e os judeus), "Os judeus podem ter chegado pela primeira vez à Albânia já em 70 d.C. como prisioneiros em navios romanos que foram arrastados para a costa sul do país. Descendentes desses cativos construiriam a primeira sinagoga na cidade portuária do sul de Sarandë no século V.”


As maravilhas arqueológicas de Sarandë


Descoberta na década de 1980, escavada e restaurada no início dos anos 2000, a sinagoga de Sarandë data do século V e pertencia a uma comunidade próspera e proeminente, como indica sua localização no coração da cidade velha. Os visitantes podem agora admirar os mosaicos, incluindo uma menorá e o que parece ser a Arca da Aliança.

No século VI, a sinagoga foi transformada em basílica.

Os visitantes podem encontrar informações mais detalhadas e fotografias no Museu Arqueológico da cidade.



Vejamos agora o histórico do Sítio Arqueológico:

O monumento passou por fases distintas ao longo de sua existência:

Séculos II a IV (Origens): O local inicialmente abrigava residências privadas romanas, identificadas por fundações de vilas e mosaicos primitivos.

Século V (A Sinagoga): Uma próspera comunidade de judeus (que teriam chegado à costa albanesa por volta de 70 d.C.) construiu uma grande sinagoga. Esta fase continha várias salas decoradas com mosaicos que exibiam símbolos puramente judaicos, como a Menorá (candelabro de sete braços), o Shofar (chifre de carneiro) e o Etrog (fruta cítrica).

Século VI (Conversão em Basílica Cristã): Durante o Império Bizantino, a estrutura foi expandida e convertida em uma Basílica Paleocristã (igreja cristã primitiva). Novos mosaicos foram sobrepostos, retratando animais, árvores, vasos e representações bíblicas sem referências estritamente judaicas.

Destruição: Estima-se que o complexo foi totalmente destruído por invasões eslavas e bávaras entre os anos de 580 e 585 d.C.



Em 2003, uma cooperação internacional entre o Instituto de Arqueologia de Tirana e o Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém retomou os trabalhos no local. Foi essa escavação conjunta que confirmou a identidade judaica do templo primitivo ao limpar os mosaicos enterrados.




Ao preparar nossa recente viagem à Albânia descobri a existência das ruínas desta sinagoga e estava ansiosa por visitar o sítio.

Mas desde o primeiro contato em terra firme, ouvia dizer que não havia sinagogas ou ruínas no país. O motorista de táxi, as moças e moços da recepção dos hotéis, nosso maravilhoso guia que nos acompanhou durante 6 dias, todos negavam a minha história.

Já no penúltimo dia, ou melhor, penúltima noite de nosso périplo pelo país, num momento de quase fúria, após um dia cansativo de muitas caminhadas e visitas a castelos e temperaturas de 42 graus, arrisquei a IA e descobri que estávamos perto do lugar sagrado, Sarandë, uma linda cidade.

Com muito sol, calor e alegria percorremos as ruas das ruínas, imaginando onde estaria a bimah, onde ficariam as pessoas durante as orações. Enfim, havíamos chegado ao lugar por nós tão esperado.

Queríamos desfrutar desta oportunidade de ver um pouco mais deste país,

Desta Albânia que protegeu seus judeus durante a Segunda Guerra Mundial com base no código de honra tradicional chamado besa.

O país foi um dos raros lugares na Europa onde a população judaica aumentou durante o Holocausto devido aos refugiados abrigados.





Hoje a população judaica no país reduziu-se a cem pessoas pois, com o fim do regime comunista, os judeus albaneses emigraram para Israel.




 

FONTES:

https://jguideeurope.org/en/region/albania/sarande/

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq5y9nr3n79o

https://blog.ehri-project.eu/2024/01/24/the-rescue-of-jews-in-albania/

IA



Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Bnei Anussim

 


Bnei Anussim

Saudades...

Saudades...

Saudades...

Pra última flor do Lácio, pro português quadradinho das gramáticas, saudade é um ente abstrato. Não existe o plural de saudade!

Que loucura isso! Não existe plural...

Justo as saudades! Quer coisa mais coletiva, mais ancestral, que isso? Nossas saudades...

Mas aqui é minha crônica! Linguagem do conforto, da fogueira, do café, do bolo de fubá...

Aqui as saudades são ancestrais. Vêm de antepassados e vão sendo construídas passo a passo, fagulha a fagulha... De geração em geração!

Acho que até fiquei um tiquinho confuso...

Claro que eu sou um indivíduo. Tenho minhas características únicas, cores e sons, luzes e trevas. Sou gente! Nada do que é humano me é estranho, dizem...

Mas foi o caminho de minha história que me trouxe até aqui.

Até aqui...

Eu sou fruto da união de algumas famílias. Quem não é, não é?

Os Naves, que vieram da Espanha. Aliás, bem pertinho de Oviedo ainda tem o vilarejo Naves. Interessante isso, né?

Porque os Naves... bem, eu não sei qual é o nome original, mas eram armadores. Originalmente, armadores. Construtores de caravelas. Desbravadores. Mas caíram nas tramas da inveja, da intriga! Massacrados! Aniquilados! Fogueiras da Inquisição. Fogueiras da destruição! Convertidos à força! Forçados... Expropriados... Degradados!

De descobridores a refugiados...

Essa fogueira começou numa tragédia, num massacre, mas terminou aqui, nessas reticências...

E tem o outro lado também... A outra turma! Meu outro eu! Os Logaldi Bartholomeu! Arberesh! Albaneses expulsos quando o Império Otomano dominou. Desembarcaram na Itália. Séculos se passaram... De repente, Brasil!

Do refúgio às reticências...

Minhas raízes! O italiano sempre foi o idioma de dominadores, de invasores! Nada como o doce som do Arberesch falado na Calábria!  Não tinha o sabor ancestral do raki... Era só um vinho importado, um modismo autoritário, sem tradição, sem vida, sem alma nem história!

Refugiados no Brasil!

Silva e Logaldi Bartholomeu. Brasil e Europa. Tudo se cruzou, se emaranhou, se amalgamou... Eis-me aqui! Das tragédias abrem-se as cortinas para o Futuro!

Promessa!

É uma enormidade de fatos e coincidências, desastres e delícias, de histórias que nos embalaram até essa letra! Esse "A"!

Já pensou se de repente um ancestral meu tivesse resolvido tomar outro caminho, outra escolha? E se ele tivesse morrido de morte matada? Ou de morte morrida? Ou se tivesse ganhado fortuna?

A história faz parte de quem eu sou. Faz parte dessas palavras que vocês estão lendo. De tudo o que falo, de tudo o que sei, de tudo o que sou...

Taí a beleza da vida! Esse é o milagre! O MILAGRE!

No fim, a gente é muito mais do que somente coletivo. A gente é histórico. É ancestral. A gente foi sendo construído, transmitido, aos poucos... Passo a passo... Tradição a tradição... De geração em geração!

Bnei Anussim... Filhos dos Forçados... Filhos da Força!

No fim, a gente é História, mas isso não é uma condenação. É uma promessa, uma possibilidade! Se somos frutos da nossa história, temos a possibilidade de quebrar ciclos. De começar do zero uma nova linhagem geracional. Mais limpa. Mais iluminada. Mais potente.

Um momento, uma tomada de decisão! Única! E, de repente, a gente tá com o timão da vida... Vontade, desejo e paixão! Crescer, caminhar, estar ao lado dos outros, perceber a comunidade. É isso que faz o que nós somos!

Responsabilidade...

É por isso que é melhor a gente não fugir das tragédias. Elas acontecem... Fazem parte desse mundo. E, acreditem, elas nos tornam pessoas melhores — comunidades melhores, pessoas históricas e coletivas, ancestrais e coletivas, melhores.

Pensa no paradoxo... Talvez a maior de todas as tragédias seja nunca ser purificado por uma tragédia. A ostra só produz pérolas quando incomodada pelo grão de areia...

Armadores ibéricos que construíam caravelas foram queimados nas fogueiras, enquanto os que restaram foram jogados no mar, para as Américas. Albaneses perseguidos por impérios atravessaram mares e montanhas e acabaram no Brasil. Nessas reticências...

A gente sente na pele o eco de fogueiras que nunca viu, mas que queimaram algo dentro de nós... Traumas históricos. Saudades ancestrais...

Mas olha... Eu acho que todos nós somos, de alguma forma, não importa se nossos ancestrais foram judeus ibéricos e albaneses, otomanos, africanos escravizados, indígenas massacrados, migrantes famintos... Todos nós somos filhos dos que foram forçados — pela história, pela tragédia, pela crueldade dos impérios e das inquisições de cada tempo.

E estamos aqui e agora, todos nós, portadores do mesmo tesouro, pescadores das mesmas pérolas, proprietários da mesma oportunidade: quebrar o ciclo. Começar de novo. Sob Aquela Luz que sempre continua brilhando. Silenciosa. Discreta.

Como a saudade que não tem plural no dicionário, mas que em nós se faz multidão, o todo é muito maior do que a soma das partes, juntos pelo amálgama do Amor.

Juntos por Amor!

Naves. Logaldi. Bartholomeu. Silva. Fogueiras. Caravelas. Oceanos. Pérolas. Brasil!

Tudo isso sou eu. Tudo isso somos nós.

Bnei Anussim.

Filhos dos Forçados...

Filhos da Força!

André Naves Defensor Público Federal. Escritor. Presidente do Chaverim (www.chaverim.org.br) www.andrenaves.com | Instagram: @andrenaves.def

 


quinta-feira, 30 de julho de 2026

ACONTECE: AMOR, AMAR, o sentimento que garante a longevidade

ACONTECE: AMOR, AMAR, o sentimento que garante a longevidade



Israel em São Paulo, Posts FB

Por Regina Pekelmann Markus

Esta foi uma semana de LUA CHEIA. Calor, vento, chuvas acontecendo em pleno inverno paulista. No calendário judaico, um calendário lunar, a lua cheia ocorre no dia 15 de cada mês. No sábado seguinte ao dia 15 de Av, sempre coincide com a leitura da parashá ÉKEV (עֵקֶב). No hemisfério norte é verão. Noites quentes que antecedem Rosh HaShaná (Cabeça do Ano), o início do calendário civil judaico. O dia 15 de Av é muito especial porque é o dia do AMOR, o dia da continuidade, o dia em que somar 1+1 com AMOR resulta em 3. E esta matemática especial, que foge à aritmética comum, encontra eco na Torá, entre sábios como Rashi (1040-1105) e Ramban (Nachmanides, 1194-1270), e também na ciência física (Albert Einstein, 1879-1955). Em 2026, presenciamos o funeral e sepultamento do senador republicano americano Lindsey Graham (28 e 29 de julho de 2026), após morte súbita em 11 de julho de 2026 aos 71 anos. E o Estado de Israel segue em direção à longevidade, batendo recordes em esportes, educação e em um padrão de convivência único. 

1+1 = 3 na Torá 

O início da Parashat Ékev descreve um pacto entre HaShem e um ser humano. O esforço humano (1) será abençoado (1) e o resultado será infinito (3). Nesta leitura, escutaremos Moshé relatar o recebimento dos Dez Mandamentos 40 anos depois. As primeiras tábuas foram feitas por HaShem (1); as segundas, uma obra conjunta. O material foi esculpido por Moshé e a escrita foi feita por HaShem. Os sábios chegam à conclusão de que unir o esforço humano ao divino é mais produtivo e nós comprovamos que é mais duradouro. A longevidade deste texto, aliada ao fato de manter uma ligação precisa com os dias de hoje, confere à Torá a dimensão do infinito, da eternidade. 

1+1 = 3 para os Sábios
(fonte: IA - texto RPM)
Rashi (Rabi Schlomo Yitzchaki)
Rashi nasceu em 1040 e faleceu em 1105 em Troyes, na França. Estudou durante a juventude na academias talmúdicas de Worms e Mainz, na Alemanha. Retornou a Troyes para fundar sua própria academia. 
Há muitos comentários de Rashi sobre esta parashá, mas no dia do AMOR, escolho a metáfora do contrato de casamento. As primeiras tábuas foram esculpidas e escritas por HaShem. O povo passivo. União pouco duradoura, sem futuro! Nas segundas tábuas, Moshé suou a camisa e trabalhou de fato, pois, após esculpir, subiu a montanha. A soma dos esforços de cada parceiro, recheada de AMOR, faz com que 1+1 resulte em 3. Notem que cada um colabora com o que sabe e com o que pode. O AMOR é o amálgama que une sem apagar a individualidade.   
Ramban (Rabi Moshe Ben Narrman, Narrmanides)
Ramban nasceu em Girona, na Catalunha, Espanha, 89 anos após a morte de Rashi (1194), e morreu na cidade de Akko (Acre, 1270), após ter ajudado a reconstruir a comunidade judaica de Jerusalém. Um dos trechos mais bonitos é o Kli Yakar - o valor do suor versus o presente. Ao ganhar as primeiras "Tábuas",  o homem não soube dar o devido valor ao presente. Mas, quando ocorre o trabalho conjunto, cria-se o conceito de Teshuvá. Um preparo para o dia de Yom Kipur. Teshuvá: saber olhar para o passado para construir um futuro infinito. A imperfeição é capaz de abrir espaço para o novo, para o imprevisto. 

1+1 = 3 para Albert Einstein

Hoje vou considerar que Albert Einstein dispensa apresentações! Vamos direto ao tema.
O conceito de que o todo é maior que as partes decorre do fato de que elementos básicos podem interagir, gerando um resultado inesperado. Duas partículas têm uma massa. Quando unidas, as partes da massa liberam uma quantidade colossal de energia. 
Einstein usou o mesmo conceito básico de Ékev na chamada "curvatura do espaço-tempo". Dizia que a luz das estrelas atrás do Sol chegaria à Terra mais lentamente quando o Sol estivesse à sua frente. A massa do Sol afetaria a trajetória da Luz. A comprovação deste fato ocorreu em Sobral, no Ceará, durante um eclipse total do Sol em 29 de maio de 1919. Comparando a luz destas estrelas à noite e no momento do eclipse, obtida por meio de fotografias de alta precisão feitas por astrônomos ingleses, comprovou-se que o desvio seguia a equação de Einstein. Há muitos artigos sobre o tema. Deixo alguns links [1, 2].

ESTA SEMANA em 2026

Um fato marcante foi o enterro do senador Lindsey Graham nos Estados Unidos da América. Amigo declarado e atuante de Israel e importante articulador internacional. Em 28 de julho, foi homenageado no Capitólio, antes do serviço fúnebre na Catedral Nacional de Washington. O primeiro-ministro de Israel e o presidente ucraniano viajaram aos Estados Unidos para prestar homenagem. O fato fala mais do que mil palavras.

No dia seguinte, foram feitas as homenagens póstumas no estado da Carolina do Sul, que Graham representou por mais de 20 anos. A última viagem oficial de Graham a Israel ocorreu em fevereiro de 2026. Esteve com o primeiro-ministro e o ministro das Relações Exteriores. Vale lembrar que, de Israel, voou diretamente para os Emirados Árabes Unidos e para a Arábia Saudita.

Incidentes durante o cortejo fúnebre mostram que há grupos organizados que querem eliminar o AMOR do futuro, assim como fizeram no passado recente. Mas, o nascimento de crianças ao redor do mundo, de pais que estiveram reféns e que sofreram meses e anos de tortura a partir de 7 de outubro de 2023, comprova que o AMOR cria o futuro!!!

E a revoada de pássaros no Vale do Hulle, no norte de Israel, mostra que migrações mantendo identidade são verdades da VIDA!







Shabat Shalom😍😍😍💞💞

Regina