Marcadores

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Feroz

 



          Lembrei...

A vida é nostalgia! Ela amarela, vira ouro...

          Lembro, logo existo!

Sabe quando a gente escuta uma música, sente um cheiro? É assim... A memória chega cheinha de emoção! Tipo cachorro que entra na sala, gira duas vezes e deita…

O cachorro da memória acabou de chegar! Ou será que é a memória de um cachorro? Vai saber, né?

Cheirinho de pão de queijo...

E, de repente, a gente tá lá... Tão perdido que se encontra! O que é lembrança? O que é sonho? O que é fantasia?

Pensa comigo. O sonho é mais ou menos um fogo, sabe? Quando a gente olha pruma fogueira, a gente não sabe ao certo o que é a chama. Como ela acende? Como ela apaga? A gente só enxerga a luz que vem... A beleza... O calor...

O sonho aquece! A esperança ilumina!

Memórias... Sonhos... Mundo etéreo da fantasia... Tudo parece se misturar um pouco. Quando o polvilho doce e o azedo se misturam, não dá pra saber o que é o que... Mas dá pra saber que um bom pão de queijo vem aí!

É isso… A lembrança, a memória, é um pouco fantasia. E é dessa misturança que sai a mais saborosa fornada da emoção!

Não quero arengar com que gosta só de fatos, só da razão, só da ciência... Eu também gosto delas, mas só quando temperadas pelas especiarias da sensibilidade! Os fatos perdem a validade, mas os sonhos continuam. As boas histórias continuam!

A emoção dura!

Mas quem carrega esse lirismo todo no sangue se perde nas nuvens. Vive no mundo da Lua! Por isso que as raízes precisam ser fortes... Família! Comunidade! Gerações! Rochedos primordiais...

Mas, e o cheirinho do pão de queijo? Ele que voltou. O Feroz...

Filho do Danado, dizem. Filho do tinhoso... E eu me pego matutando: será que o Feroz era filho do Danado? Será que o Danado era filho do Feroz? Será que eles existiram mesmo? Vai saber… É desconfiança de quem vive no mundo da Lua...

Lembro que eram cachorros. Cachorros que vivem aquecendo o nosso coração e enchendo a nossa vida de amor, de esperança... De sonho!

Feroz… "Sabor Feroz"... Nunca teve um pingo de ferocidade! Era o cachorro mais gentil do mundo. Brincalhão. Desastrado. Bem parecido com o pai, o tal do Danado. Nunca foi feroz, não. Só faltava oferecer um cafezinho e um bolo de fubá pras visitas... Claro que ele ia fazer uma algazarra!

A especialidade dele era outra: roubar pão de queijo... Quando o convidado dava uma bobeira, zaz! Ia lá e levava. Era a coisa mais engraçada do mundo. E ninguém conseguia ficar bravo com o Feroz, porque ele era tão brincalhão, tão gentil…

Sabe aquela carinha de piedade? De bendito sois? Parecia desentendido... Até bobo... Pois é. Essa aparência escondia uma inteligência intrínseca, uma habilidade de relacionamento tão grande que de boba ela não tinha nada.

Bobo é um mundo que enxerga a gentileza como idiotice!

Bobo é quem enxerga a humildade como fraqueza!

O Feroz era assim... Deixou tantas boas coisas…

Toda a gentileza dele, todos os ensinamentos. Cachorro bom!

Pra quem torce o nariz, o Feroz também ensinava. Tudo ensina! A convivência com o Feroz nos ensinou a ser pessoas melhores. A amar os diferentes. O Feroz nos trouxe doçura — o sabor Feroz era doce, era gostoso, era chocolate...

E a vida é assim, não? Um dia o Feroz também virou estrela...

Ficou o ensino, a lição, a lembrança! Uma lembrança que às vezes parece meio turva na memória, que dança com o tempo, que se perde e se encontra nas areias dos desertos e dos oásis que vêm.

Uma lembrança que fica mais doce a cada grão de areia que cai na ampulheta da existência...

Mas a luz — a luz da lembrança, a luz da memória — continua... Continua a guiar a vida.

Iachad… Estar junto. Foi isso que o Feroz ensinou sorrindo, latindo... A gente junto, em volta da mesma fogueira, sentindo o mesmo calor, enxergando a mesma luz.

Feroz. Sabor Feroz. Sabor doce Feroz.

É uma estrela... Sempre... No Oriente!

Muito obrigado, Feroz.

André Naves Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social. Mestre em Economia Política. Comendador Cultural. Escritor e Professor. www.andrenaves.com | @andrenaves.def – Vice Presidente do Grupo Chaverim.

ACONTECE: Distorção

 

Por Juliana Rehfeld




Há um fenômeno, ou prática, comum, que abunda na comunicação no nosso cotidiano, estejamos nós em momento eleitoral ou não. Isso já está incorporado em todos os meios de comunicar e contamina praticamente todas as pautas. Refiro-me à DISTORÇÃO.

A origem da palavra é o latim distortio, (dis- que indica separação ou afastamento — e torquere — torcer ou retorcer) que significava "ato de torcer para lados opostos" ou virar algo para direções diferentes.

Sabem, esse termo é usado em muitas áreas, sempre com o sentido de alteração, desvio, deformação do original. Em medicina ou psicologia quer dizer deformação na percepção das coisas, em rádio, tecnologia e música quer dizer deformação desproporcional de onda, com ampliação sonora.

Minha questão aqui é a distorção de fatos justamente para amplificar notícias, criar percepções opostas à ideia original e reverberar…

Falamos hoje, na língua das redes sociais, em “desinformação”, “fake news”, “pós verdade”. Mas isso parece invenção, mentira e assim, a maioria descarta como lixo produzido por quem quer vender produto, algo “que não me atinge”…

Já a distorção parte de um fato, “uma verdade”, e tem suas “feições”, formas, significados, alterados para algo diferente, distante, chegando a seus opostos.

Mais um pouco de conceito, o Google diz: pós-verdade é um conceito que descreve um contexto no qual os fatos objetivos e as evidências perdem relevância na formação da opinião pública, sendo substituídos por apelos emocionais e crenças pessoais.

Principais Características

* Supremacia da emoção: Mensagens que geram forte impacto sentimental (como medo, raiva ou indignação) são aceitas mais facilmente do que dados comprovados.

* Relevância da crença: As pessoas tendem a acreditar e compartilhar informações que confirmam o que elas já pensam (viés de confirmação), ignorando provas em contrário.

* Descarte de especialistas: Há uma desconfiança generalizada em relação a fontes oficiais, à imprensa tradicional e ao método científico.

Bem, há mais de 20 anos se fala na “guerra assimétrica” entre Israel e Hezbollah, ou Hamas, e outros movimentos extremistas antissemitas que preferem ser vistos como Resistência, e que consiste na ensurdecedora disseminação de pós verdades pela mídia, todas as mídias. E aí, lembramos prontamente de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, chamado pela mídia brasileira (ironicamente justamente pela mídia de esquerda) de genocida, antissemita mestre da lavagem cerebral, que em 1934 disse “A propaganda jamais apela à razão, mas sempre à emoção e ao instinto.” E disse mais: “depois que a propaganda conscientizou todo um povo a respeito de uma ideia, a organização pode obter o máximo de benefícios com a ajuda apenas de um punhado de pessoas”.

Pois é, os políticos bebem nessa fonte, os antissemitas bebem nessa fonte, e nós, cidadãos do mundo contemporâneo, somos afogados numa crescente tsunami de distorções e pós-verdades para as quais não temos bóias ou barcos adequados ou suficientes… Israel tem fragorosamente perdido essa guerra assimétrica e, em tempos de guerra real, e dramática, pós 7 de outubro, pergunto-me se essa derrota tem alguma possibilidade de “virada”, de superação, de sobrevivência… tenho que, quero acreditar que temos alguma chance!

Então, na situação complexa em que vive Israel, social e geopoliticamente, há muitos fatos e verdades inconvenientes, de difícil digestão para nós judeus e para os cidadãos israelenses… mas, sem escondê-los debaixo do tapete, ou fingir que não existem, precisamos investigá-los, entendê-los de forma realista, e lidar com eles como “merecem” - criticando ou justificando - e isso, é claro, é muito cansativo… mas cabe-nos, de maneira transparente e responsável, defender o que este oceano de pós-verdades vem tentando, sorrateira e mal intencionadamente, alcançar: a destruição do Estado. E nem tão sorrateiramente mais, cada vez mais de modo eloquente. O que está em risco é muito precioso, então não dá pra descansar, ou deixar pra lá… pra depois…

Exemplos de distorções, de pós verdades, de inversões e mesmo de invenções não faltam. E eles têm sido cada vez mais populares e seu poder de enganar os incautos, os que não conhecem Israel e os judeus reais, apenas os "imaginários" formam a crescente massa de manobra a nos empurrar para um mar que não promete se abrir desta vez…

Já comentei aqui a distorção que o super aplaudido documentário Naza faz com o conceito preventivo de “dano colateral”… Israel por um lado respondeu querendo retirar a cidadania dos cineastas (medida que não faz jus à democracia lá vigente) mas, de outro lado, divulgou um vídeo com fatos e depoimentos reais sobre isso. 

Na sexta-feira passada cometeu- se, na minha opinião e na de muitos outros, um “atentado à justiça”, ou, nas palavras do Estadão, “a desmoralização do prêmio Nobel da Paz”: foi escolhida para o prêmio Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, mas também conhecida ativista contra Israel há muitos anos e que deveria, por isso, ter sido impossibilitada de atuar como juíza nessa causa. O filho do prêmio Nobel Elie Wiesel, Elisha, declarou que “o Prêmio Nobel da Paz foi morto” com essa premiação.

Podia ter sido pior, caso ganhasse outra candidata ao prêmio, Francesca Albanese, ainda Relatora Especial das Nações Unidas (ONU) para os Territórios Palestinos Ocupados, apesar de inúmeros pedidos de destituição e acusações de parcialidade e antissemitismo. E muitos, muitos outros eventos da ONU, posturas de países europeus, etc..etc..

Tenho encontrado mensagens cada vez mais assustadoras contra judeus e Israel, e são assustadoras pela profusão e pelo volume, temos muito trabalho pela frente: cada um/uma de nós no nosso entorno, onde for possível… as manifestações distorcidas vem crescendo até porque nós silenciamos! Existem hoje muitas fontes de fatos, no Brasil e fora, nas quais podemos buscar fatos para podermos contar verdades, não fiquemos parados. Parafraseando um ditado popular: “se você dormir a tsunami te leva”.

Shabat Shalom


quinta-feira, 8 de outubro de 2026

VOCÊ SABIA? - Angela Buchdahl, uma Rabina inusitada

Por Itanira Heineberg


“Are you Jewish?”                                                      

“Você é judia?”

 

“Você não parece judia!”                                         

“Sua mãe não é judia!!!”

Estas e outras inquirições duvidosas acompanharam a rabina Angela W. Buchdahl durante sua vida, conforme relata em seu esplendoroso livro.

 

Coração de uma Estranha: A História de Fé, Identidade e Pertencimento de uma Rabina Inusitada

 

Você Sabia que Angela Warnick Buchdahl, nascida em 8 de julho de 1972,  na Coreia do Sul, uma rabina americana nascida em Seul, foi a primeira americana de ascendência asiática a liderar uma grande sinagoga nos EUA?

Aos cinco anos Warnick mudou-se com a família para Tacoma, em Washington, onde seu pai, um judeu reformista americano, e sua mãe, uma budista coreana, a criaram na fé judaica. Musicalmente talentosa, ela não só cantava como também aprendeu a tocar vários instrumentos, incluindo piano e flauta, e aos 14 anos tornou-se professora de música em sua sinagoga local.

Frequentou acampamentos de verão do movimento reformista e, depois de passar um tempo em Israel em um programa para jovens aos 16 anos, decidiu se tornar rabina. Formou-se em Estudos Religiosos pela Universidade de Yale em 1994, onde conheceu seu futuro marido, Jacob Buchdahl, que se tornou advogado.

Warnick completou seus estudos rabínicos e cantoriais no Hebrew Union College – Jewish Institute of Religion, na cidade de Nova York. Ela foi contratada como cantora litúrgica em 1999 e ordenada rabina em 2001, tornando-se a primeira mulher a ocupar ambos os cargos.

Em seguida, atuou como rabina associada e cantora litúrgica no Templo Reformista de Westchester, em Scarsdale, Nova York.

Em 2006 Warnick atuou na Sinagoga Central da cidade de Nova York como Chazan Principal (cantora) e em 2014 a Congregação do templo a escolheu como Rabina Sênior.

Além de exercer suas funções oficiais, começou a escrever artigos e a falar publicamente sobre suas experiências como judia asiático-americana e seu desafio de aceitar sua herança mista.

Em seu instigante livro, em parte autobiografia, em parte coletânea de sermões, “Coração de uma Estranha” conta a história da rabina/cantora Angela Buchdahl.

Filha de uma mãe budista coreana e de um pai judeu americano, Buchdahl narra os muitos caminhos que percorreu para se tornar a rabina sênior da Sinagoga Central, uma das comunidades judaicas mais proeminentes e inovadoras dos Estados Unidos.

Embora o livro narre os eventos de sua vida, fica claro desde as primeiras páginas que “Coração de uma Estranha” não é uma autobiografia comum.

Cada capítulo é temático.

Primeiramente, aborda uma pessoa ou um episódio da vida de Buchdahl. Esses temas variam desde as primeiras experiências espirituais em caminhadas com sua mãe até os encontros de Buchdahl na infância com a música folclórica judaica, passando pelo amor por seu marido, Jacob, até os desafios que enfrentou na administração de sua congregação.

A cada uma dessas reflexões pessoais, há um sermão, centrado em uma única palavra hebraica, que resume o tema principal da prédica.

Um exemplo, Buchdahl escreve comoventemente sobre a experiência de dar à luz seu primeiro filho, Gabriel. Ela relata o medo que sentiu, ciente do fardo sagrado que carregava ao cuidar daquele bebê. A maternidade a obrigou a encarar sua imperfeição e a ensinou a depender do apoio dos outros. Essa história é acompanhada por uma meditação sobre ruach, que ela traduz como  “vento”, mas depois ensina que pode significar espírito e respiração. Ela conta a história de quando andava de bicicleta num dia de vento — como era fácil quando o vento estava a seu favor, mas como era difícil quando pedalava contra ele. Esse vento, ela nos lembra, é como Deus. Não podemos vê-lo, mas o sentimos. Esse ensinamento já seria poderoso por si só, mas, aliado à história de sua maternidade em desenvolvimento, torna-se ainda mais impactante. Embora ela não se aprofunde muito na espiritualidade ao segurar seu bebê, o fato de essa história ser seguida por uma meditação sobre Deus mostra que sua experiência de parto foi profundamente espiritual. A inclusão do sermão permite que ela capture o humor e o pathos da história original e, em seguida, revele camadas adicionais de significado, de modo que possa filosofar sem perder o foco.

Segundo Marc Katz, para aqueles que admiram Buchdahl à distância, seu livro responde a muitas perguntas. O que a levou a amar a música? O que significa se sentir ao mesmo tempo parte integrante e fora da comunidade judaica? Como ela foi parar na Sinagoga Central? Como ela lida com a política em uma sinagoga rica e ideologicamente diversa do Upper East Side?

Talvez o capítulo mais fascinante seja sobre um episódio de 2022, quando um homem entrou numa sinagoga em Colleyville, Texas, fez os fiéis reféns e exigiu falar com Buchdahl — que ele acreditava, num delírio antissemita, ser poderosa o suficiente para libertar um prisioneiro detido nas proximidades sob acusações de terrorismo. Embora Buchdahl já tenha falado sobre esse dia em entrevistas e sermões, o livro oferece muito mais detalhes sobre seus sentimentos.

Coração de uma Estranha é um retrato comovente da jornada rabínica de uma mulher com uma história rica. O título é, de fato, apropriado. Ele não apenas revela como Buchdahl lida com suas duas identidades, tornando-a mais sensível àqueles que podem se sentir como forasteiros, mas também como o livro nos permite entrar em seu coração.

Coração de uma Estranha nos mostra os valores, as lutas, os anseios e a Torá que guiam uma das mestras mais influentes do judaísmo.

 

E neste novo século onde a diversidade humana desabrocha apesar da intolerância de muitos, do antissemitismo e do racismo em todos os continentes, mas com a compensação daqueles que procuram conhecer seus semelhantes, suas histórias e crenças para entendê-los melhor e melhor os aceitar fugindo dos preconceitos, Angela Buchdal, seu livro e sua reflexão sobre o ser e o viver têm muito a nos ensinar sobre nós mesmos e nossas escolhas e nos trazem uma mensagem auspiciosa de esperança para os dias que estamos vivenciando.

E completando nosso texto sobre esta pessoa exemplar, convidamos a todos para melhor conhecer e desfrutar de sua simpatia e sorriso franco, para o vídeo abaixo:




FONTES:

https://www.britannica.com/biography/Angela-Warnick-Buchdahl

https://jwa.org/encyclopedia/article/buchdahl-angela

https://centralsynagogue.org/about-us/our-clergy/angela-w-buchdahl

https://www.washingtonpost.com/books/2025/10/18/rabbi-angela-buchdahl-memoir/

https://www.hartman.org.il/person/angela-buchdahl/

https://www.jewishbookcouncil.org/book/heart-of-a-stranger-an-unlikely-rabbis-story-of-faith-identity-and-belonging

 

 

 


ACONTECE: A Vida em Uma Semana

A VIDA EM UMA SEMANA



Regina P. Markus - 8 de outubro de 2026

Neste ano, a festa de Simchat Torá e o dia 7 de outubro ficaram muito próximos.  No ano de 2023, coincidiram. Terminar a leitura da Torá, dançar e expressar toda a alegria de estar pronto para recomeçar, e, ao mesmo tempo, lembrar o que aconteceu em 2023 foi muito forte. O presidente de Israel, Isaac Herzog, discursou na cerimônia da Tribo da Nova. O "Jerusalem Post" relata: "Enquanto estamos aqui juntos, neste lugar terrível onde a dança se transformou em luto, um lugar onde lindas e livres meninas e meninos que dançavam – mesmo depois de três anos ainda é difícil compreender como nos foram tirados com maldade e barbárie". O sobrevivente Elchana Bohbot rezou o Yizkor. "Que o povo de Israel se lembre das almas puras de seus filhos e filhas, vítimas do festival de 7 de outubro." "Lembraremos nossos irmãos e irmãs, crianças inocentes, jovens e adultos, que foram sequestrados e assassinados em cativeiro. Lembraremos a coragem dos civis e dos membros das forças de segurança e de resgate que arriscaram suas vidas. Continuaremos a obra dos anjos e vocês estarão sempre em nossos corações. Que fiquem gravados no coração de Israel pelas gerações futuras."


Em Israel, um minuto de silêncio e todos em pé


Em Berlim, o Arco de Brandenburgo 

No Brasil, muitas cerimônias, de Norte a Sul, lembraram o 7 de outubro. Há ainda muita desinformação e atos de vandalismo. Estive no ato organizado pela vereadora Cristina Monteiro e por Gerson Pires na Câmara Municipal de São Paulo (6/10), que homenageou o Major Rafael Rozenszajn. Um momento de lembrança, reflexão e oração. A cerimônia foi interrompida por alguns minutos por 4 pessoas que exibiram bandeiras. A ação efetiva da guarda municipal permitiu que a cerimônia continuasse, agora com um alerta de que a ameaça persiste em todo o mundo. No dia 7/10, os Amigos do Instituto Weizmann do Brasil receberam o presidente, Prof. Alon Chen, para um café da manhã. Escutar de viva voz os muitos danos causados no dia 15 de junho de 2025, em um ataque realizado pelo Irã, e como, em pouco mais de um ano, laboratórios de ponta foram reconstruídos, foi impressionante. O impacto direto destruiu completamente o Ullmann Building of Life Sciences (Prédio Ullmann de Ciências da Vida) e afetou gravemente o Wolfson Building for Biological Research, além de outras estruturas em construção. O ataque causou incêndios que duraram horas e destruiu cerca de 45 a 50 laboratórios de ponta, pulverizando décadas de amostras biológicas e pesquisas críticas sobre o câncer, neurociência e cardiologia. Rapidamente foi iniciado um projeto de reconstrução, e uma proposta que permitisse tirar o positivo de uma situação calamitosa. As equipes desalojadas foram recebidas por equipes que não haviam sido atingidas, independentemente das linhas de pesquisa e das áreas de interesse. Hoje já estão sendo colhidos os frutos desta rápida integração. Avanços de grande relevância em Inteligência Artificial, Ecologia, Ciências Biomédicas, Fisiologia e Neurociências foram alcançados ao colocar jovens brilhantes, com formações diferentes, a trabalhar lado a lado em espaços muito apertados. Doenças, Agricultura, Astronomia foram algumas das grandes áreas destacadas. 

Memória e História são as bases da sobrevivência do Povo Judeu. Declarar que o futuro é um espaço temporal em que a esperança, a criatividade e a alegria serão construídas com trabalho conjunto e com o reconhecimento dos momentos de grandes descobertas é uma das principais razões da longa sobrevivência. Nesta mesma semana, a Assembleia Nobel no Instituto Karolinska anunciou os vencedores nas categorias de Medicina e Fisiologia (4/10),  Física (6/10) e Química (7/10). Os nomes anunciados comprovam que a busca do conhecimento é uma característica dos judeus, onde quer que estejam, e que, atualmente, o Estado de Israel tem um lugar importante e destacado. 

Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia

Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel

Karl Deisseroth transformou proteínas sensíveis à luz em interruptores para controlar células nervosas e mapear circuitos cerebrais. Peter Hegemann descobriu a proteína canal rodopsina em uma alga unicelular. Georg Nagel participou da descoberta da rodopsina e do entendimento dos canais iônicos fotossensíveis. Mudando a linguagem: descobriram moléculas que se localizam nas membranas celulares e respondem diretamente à luz. Não é apenas a luz que sinaliza pelos olhos e pela pele, mas também a que consegue penetrar os ossos da cabeça e controlar a vida e a morte de neurônios específicos. Estes trabalhos contaram com a colaboração de institutos de pesquisa e universidades israelenses. 

Karl Deisseroth colabora diretamente com o Instituto Weizmann, em Israel. O Prof. Ofer Yitzhar realizou seu pós-doutorado em Michigan sobre esta temática inovadora. Peter Hagemann dividiu o Prêmio Harvey (2016) concedido pelo Technion de Haifa na área de Saúde Humana com Karl Deisseroth. Ao aceitar o prêmio em Israel, Hegemann fez um discurso de forte impacto institucional, relembrando o papel histórico de Berlim (sua base na Universidade Humboldt) como antigo centro científico global onde Einstein trabalhou, lamentando formalmente o subsequente desastre do regime nazista e os severos danos causados ao povo judeu e à própria ciência alemã. Embora mais focado na bancada de pesquisa e biofísica pura do que na neuropsiquiatria clínica, Nagel participa ativamente de redes de pesquisa que integram cientistas de Israel no desenvolvimento de novas ferramentas optogenéticas para aplicação em biomedicina, Nagel é um biofísico que estudou com afinco a mecânica de canais iônicos fotossensíveis presentes em óvulos de sapos e como algas fotossensíveis poderiam inserir estes canais iônicos naturalmente. Ao ler a frase, todos pensam em ficção. Mas, estes estudos abrem a porta para aplicações muito importantes.


Prêmio Nobel de Física



O Prêmio Nobel de Física de 2026 foi concedido ao físico de partículas belga-americano Francis Halzen, professor da Universidade de Wisconsin-Madison. Diferentemente da maioria das edições recentes, Halzen recebeu a láurea sozinho — algo que não ocorria na categoria de Física desde 1992. A honraria foi entregue em reconhecimento às suas contribuições fundamentais para o desenvolvimento do Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. Halzen é um caçador de “partículas fantasmas”. Os neutrinos são partículas subatômicas fundamentais presentes em todo o Universo, mas são conhecidos como "partículas fantasmas". Como quase não possuem massa e não têm carga elétrica, eles conseguem atravessar planetas inteiros, galáxias e até os nossos corpos sem colidir com a matéria nem mudar de rota. 

O grande trunfo de Halzen foi idealizar e liderar um projeto ousado que muitos cientistas consideravam improvável: transformar o Polo Sul em um detector gigante. O Observatório IceCube: Construído na Antártida, o observatório consiste em um quilômetro cúbico de gelo glacial perfeitamente transparente, equipado com milhares de sensores de luz altamente sensíveis enterrados a profundidades extremas.

O Clarão de Luz: Muito raramente, um neutrino de altíssima energia colide com o núcleo de um átomo no gelo, gerando uma partícula carregada secundária que emite um minúsculo rastro de luz azul (conhecido como radiação Cherenkov). Os sensores capturam esse brilho e permitem rastrear exatamente de onde a partícula veio. 

Por que isso revoluciona a Astronomia?

Ao contrário da luz ou dos raios cósmicos normais, que podem ser bloqueados por poeira cósmica ou desviados por campos magnéticos ao longo do caminho, os neutrinos de alta energia viajam em linha reta a partir de seus pontos de origem.

Eles funcionam como "mensageiros diretos" dos eventos mais violentos e misteriosos do cosmos fora do nosso Sistema Solar, como as vizinhanças de buracos negros supermassivos e as explosões de estrelas distantes, inaugurando uma era totalmente nova na astrofísica.


Prêmio Nobel de Química



O Prêmio Nobel de Química 2026 foi concedido ao francês Henri B. Kagan (95 anos) e ao japonês Kenso Soai (76 anos). Solucionaram um mistério científico de mais de 100 anos. Por que moléculas "idênticas", como duas mãos de uma mesma pessoa, poderiam promover efeitos opostos, ou mesmo uma bloquear o efeito da outra? 

As mãos são apenas imagens especulares, e como as luvas são feitas para cada uma das mãos, estas moléculas combinam com as receptoras biológicas de forma diferente. Henri Kagan (1986): Deu o primeiro passo decisivo ao descobrir os chamados efeitos não lineares na síntese orgânica assimétrica. Ele demonstrou, matematicamente e na prática, que uma quantidade muito pequena e impura de um catalisador assimétrico poderia gerar um produto final com altíssima pureza de um único lado, rompendo o "empate" esperado nas reações de laboratório. Kenso Soai (1995–2003): Desenvolveu a famosa Reação de Soai. Ele criou um sistema de autocatálise, no qual o próprio produto da reação atua como catalisador de si mesmo. Partindo do zero absoluto (sem nenhuma preferência molecular inicial), pequenas flutuações estatísticas do acaso criavam uma vantagem microscópica para um dos lados; a molécula então passava a fazer cópias de si mesma, amplificando o resultado até atingir quase 100% de pureza quiral, exatamente como aconteceu na evolução da vida na Terra. Imaginem as muitas aplicações nas indústrias químicas e farmacêuticas e na agricultura!!

Nascido em dezembro de 1930 em Boulogne-Billancourt (perto de Paris), Kagan tinha apenas 9 anos de idade quando a guerra estourou. Para escapar do envio aos campos de concentração e do Holocausto, a família Kagan fugiu em direção ao sul do país. Eles conseguiram sobreviver escondendo-se em um pequeno vilarejo na Zona Livre (no sul da França) sob nomes falsos e identidades assumidas durante os anos de ocupação alemã. Com o fim do conflito e a libertação da França, a família pôde retomar a vida normal, permitindo que Henri prosseguisse com seus estudos em Paris, vindo a se graduar na Sorbonne e na École Nationale Supérieure de Chimie de Paris na década de 1950.


CONCLUINDO

Como aconteceram coisas esta semana! Estarei eu preparada para iniciar a Leitura de Bereishit - o primeiro trecho de Gênesis? Como tudo começa! Como um fato pode levar a muitos outros e como os fantasmas podem estar presentes no nosso mundo! Em alguns trechos, imagino que o Sopro de HaShem e todos os anjos, seguidos de luz, seriam as partículas visíveis. E agora vou procurar, com mais afinco, trechos que representem a luz fantasma, que é muito fraquinha, mas consegue atravessar as muitas muralhas e paredes que se interpõem na nossa vida! 

A Ciência, como atividade humana, e a Espiritualidade ficaram mais próximas esta semana!


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ACONTECE: Pesos e Medidas

 Por Juliana Rehfeld


A semana passada foi relatada pela Regina num texto sensível sobre Sucot e o evento da 81a Assembleia da ONU que, mais uma vez, não traria - e não trouxe- novidades sobretudo em termos de solucionar os problemas mundiais… Aliás, a ONU tem se transformado em palco para governantes se apresentarem e ganharem pontos em seus países, a preocupação tem sido eleitoral e “eleitoreira” mais do que voltada a buscar diálogos e conciliações para construir paz… E a mídia relata seletivamente o que acha que “venderá mais”. Aliás, o palco ali é justamente preparado para seguir e confirmar narrativas… e aparecer. Todos reportaram a grande retirada de delegações quando Benjamin Netaniahu iniciou. Ele mesmo pediu aos que chamou de “covardes morais” que saíssem, já é praxe esse boicote à sua fala. Mas este ano foi evidente o espetáculo midiático, a encenação que se produziu: durante o discurso imediatamente anterior, da Colômbia, o plenário medianamente ocupado foi sendo preenchido com delegados e - confirmou-se depois - com estagiários “figurantes” para que a “debandada” de público parecesse enorme. Encenação para confirmação da narrativa contra Israel… Netaniahu estava lá para tentar não perder a próxima eleição em casa? SIM! Ele merece protesto? As ruas de Israel e muitos de nós temos dito que SIM, mas contra qual outro mau ou tirano governante no mundo - e não há poucos -  se faz tal encenação? É notória a discriminação. 

Sucot começou na sexta, e assim também a Festa dos Tabernáculos, organizada anualmente pela International Christian Embassy Jerusalem (ICEJ), teve início na sexta e foi até ontem em Israel. O evento deste ano carregou o tema bíblico "The Lord Roars from Zion" (O Senhor Ruge de Sião). A celebração começou com uma abertura marcante no deserto, no oásis de Kfar HaNokdim, antes dos peregrinos subirem para as principais noites de adoração no International Convention Center (ICC) em Jerusalém. Mesmo diante do cenário desafiador e dos anos de conflito na região, a resposta dos delegados internacionais foi expressiva: mais de 3.000 participantes presenciais, cristãos locais e estrangeiros vindos de mais de 70 a 90 nações. Houve uma forte mobilização de delegações vindas de países que adotaram posturas críticas ou sanções recentes contra Israel — como Reino Unido, Irlanda, Holanda e Noruega — cujo propósito explícito foi demonstrar solidariedade direta com a população israelense. Outros grupos expressivos vieram de locais como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, África do Sul e nações do Pacífico como Fiji e Tonga. 

A mensagem de abertura do festival foi ministrada pelo apóstolo brasileiro Renê Terra Nova (Diretor Nacional da ICEJ no Brasil).

Muitas orações focadas na paz de Israel e no apoio às comunidades afetadas na fronteira de Gaza (com projetos de reconstrução em kibutzim como Nir Oz). Os momentos mais marcantes foram o tradicional "chamado das nações", onde os delegados lotaram o ICC de Jerusalém carregando as bandeiras e cores de seus respectivos países em um ato de adoração conjunta e a tradicional marcha pelas ruas de Jerusalém, onde os peregrinos estrangeiros caminham para abençoar e demonstrar afeto diretamente aos moradores locais. 

Mas isso, com exceção da especificamente religiosa, a mídia, a grande imprensa, não considera notícia, você ouviu falar?

Já em 30 de setembro só se falou de um acontecimento: o ataque do co-piloto da FlyDubai ao piloto indiano que mesmo muito ferido permitiu a entrada na cabine de passageiros e tripulantes que afinal, evitaram sua iminente queda. Atacar o piloto e tentar destruir os equipamentos são sinais evidentes de tentativa de derrubar o avião. Mas a mídia continua a se referir ao fato como briga entre pilotos, num avião em que 160 dos 174 passageiros eram israelenses… será? Claro que tudo deve ser investigado, mas porque um cidadão de Omã resolve se suicidar ou acertar as contas com seu colega justo num avião lotado de israelenses!! Coincidência. Graças a Deus essa coincidência “coincidiu” com a percepção dos ruídos na cabine, e a presença de outros pilotos a bordo! Esta pergunta a mídia não faz…

E,  finalmente, em 1/10 estreiou no Brasil, e logo no mundo todo, o documentário “Naza”, já famoso por ter sido aplaudido longamente no Festival de Veneza em 10/09. A apresentação é ambiciosa, pretende que ele “traz a verdade” sobre “a guerra em Gaza” incluindo depoimentos de autoridades e militares. Depoimentos anônimos. A direção é de um ativista e jornalista israelense que já fez um documentário anterior, polêmico e premiado com Oscar, de nome Yuval Abraham. Ele certamente sabe cair no gosto da grande narrativa mundial sobre os conflitos em, e de, Israel. Aquela guerra de narrativas que Israel repetidamente perde… São depoimentos que acabam levando o público a concluir que Israel usou IA e “matou civis sistematicamente, inclusive crianças” - o nome NaZa vem de “Nezek Agavi” que significa “dano colateral”. A apresentação do filme afirma que o dano colateral foi “aceito e usado para ampliar ataque a civis” quando especialistas nesta área - que ouvi essa semana- explicam que são pessoas, e não IA, que avaliam o que há em volta de um alvo, calculam o dano colateral possível - para evitá-lo no modo de ataque -  entregam os dados a analistas jurídicos e só se decidir-se de fato atacar o alvo, avisa-se a população “colateral” a evacuar! Que exército faz isso? E isso é necessário porque o Hamas e a Jihad Islâmica usam hospitais, bairros residenciais e escolas como escudos para se defender. Os militares israelenses, em qualquer parte dessas operações, são verificados e sujeitos a julgamento e possível prisão em caso de conduta errada… li e acompanhei tudo isso esta semana, o que faço? Vou assistir ou boicoto como acho que deveríamos todos?

Por que esse filme é tão falado? 

Porque não se falou quase nada de filmes como: “Gritos antes do Silêncio”, 2024, sobre as mulheres estupradas e mortas em 7 de outubro; “Crianças de 7/10”, 2025; “Vamos dançar de novo”, 2024, e #Nova, 2024/2025 sobre o festival Nova, e o brasileiro “Ainda é 7 de Outubro”, de Sabrina Abreu, 2024 sobre a experiência de brasileiros afetados pelo massacre…. São todos filmes difíceis, precisamos de estômago para assistir, não são populares e, com certeza, na contramão das narrativas conhecidas. Esses, diferentes de Fauda do qual já falamos aqui, não são ficção, são documentários sobre danos reais, centrais, físicos e morais, irreversíveis… que não foram prevenidos ou evitados, que o mundo está preferindo que sejam esquecidos, mas que todos devemos assistir. 

Fim

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

VOCÊ SABIA? - Fauda

Da Conciliação ao Apoio Ferrenho a Israel, Série “Fauda” ou “Caos” em quinta temporada

Por Itanira Heineberg


Você Sabia que a  série "Fauda" regressa à Netflix após os ataques de 7 de outubro e torna-se campeã de audiência no Líbano, país com o qual Israel não mantém relacionamento diplomático: o show mais assistido na Netflix, noite após noite?

O mesmo sucesso está se repetindo na Jordânia, Marrocos, na Europa - a série vindo a ser a mais visitada em 43 países em um único dia.

E a mais vista em Israel.




Lior Raz, um dos criadores da série, diz à Netflix que espera que o público compreenda a importância da paz, a necessidade de pensar de outra forma e como a guerra está a destruir o mundo.

 

Logo no início de Fauda, nas primeiras temporadas, a série procurou retratar histórias humanas de ambos os lados do conflito israelo-palestiniano.

 

Já a nova temporada, criada por Avi Issacharoff e Lior Raz, decorre dois anos após os ataques de 7 de outubro de 2023, levados a cabo pelo grupo islamita Hamas no sul de Israel.

 

Acompanhamos a história de Doron Kavillio, comandante de uma unidade militar israelita de operações encobertas, perseguindo um operativo do Hamas que julgava ter morto.

Doron ruma também a Marselha, França, depois de descobrir que um velho amigo se lançou numa missão de vingança não autorizada.

Raz, que interpreta Doron, disse ao site oficial da Netflix que a quinta temporada "não é sobre tentar mostrar o que aconteceu".

 

"Trata-se de tentar contar uma história, de perceber como conseguiríamos inserir as nossas personagens nessas situações e nessa história que aconteceu de fato".

 

"Por isso, para nós, era importante ser muito rigorosos em relação ao que aconteceu na realidade, mas também colocar as nossas personagens nesta situação imprevisível".

 

Raz acrescentou que esperava que os espectadores percebessem "como a paz é importante, como temos de pensar de forma diferente e como a guerra está a destruir o mundo".

"Está a destruir a nossa região, está a destruir o nosso país e, seguramente, os países deles. Sabemos que as pessoas veem esta série em todo o mundo, no mundo árabe, em Israel, e verão que o preço da guerra é pesado e que precisamos ter esperança para resolver esta situação".

 

Os ataques do Hamas a Israel, a 7 de outubro, mataram cerca de 1.200 pessoas e outras 251 foram feitas reféns e levadas em péssimas condições e abusos para a Faixa de Gaza.

Enquanto a dor e as lágrimas inundavam drasticamente os israelenses e os judeus na Diáspora, o que se via nas ruas e avenidas das grandes capitais e cidades do mundo eram comemorações de alegria, gritos de vitória, apoio total às barbáries cometidas contra Israel e seu povo.

Algo inusitado e incompreensível para quem compreendia o que tinha realmente acontecido.

Em resposta, Israel iniciou uma campanha aérea contra Gaza e lançou, simultaneamente, uma invasão terrestre do território.

E para tentar esclarecer o mundo sobre o terrível e desumano atentado, o seriado  FAUDA alcançou algo muito desejado mas também talvez quase impossível:

Fazer com que  milhares de pessoas ao redor do mundo entendessem o dia 7 de outubro após quase 3 anos de desinformações, discussões e acusações falsas sobre o inaceitável massacre.

Os episódios 7 e 8 da quinta temporada trouxeram à tona o horror daquela manhã e a reação foi enorme: uma nota de 9,3 no IMDb e um dia apenas após seu lançamento na Netflix a série já figurava entre as 10 mais assistidas em 43 países.

Mas o fato mais impactante não está em nenhum ranking.

Está, sim, nas redes sociais, onde pessoas de diferentes países dizem, chocadas, que só agora entendem o que o Hamas fez naquele dia. Isto sim é surpreendente e significativo.

Porque quase 3 anos se passaram, com vídeos reais, depoimentos, assassinatos, sequestros, famílias destruídas e atrocidades filmadas pelos próprios terroristas, tudo lá desde o primeiro dia e mesmo assim milhões de pessoas deram suas opiniões, marcharam com cartazes, acusaram injustamente, condenaram Israel sem realmente entender o que havia acionado aquela guerra. Não tentaram descobrir o que a havia desencadeado.

Aí está algo surpreendente: uma história verdadeira contada numa série de televisão, acorda as multidões.

Valorizemos a intenção e força desta iniciativa, o poder de relatar fatos, a vontade de sacudir as multidões e fazê-las finalmente entender o que vivenciaram e não alcançaram perceber.

Esta notícia sobre o quase milagre de FAUDA, o realizar que o mundo, em seus cantos diversos aos poucos entenda o que está acontecendo, encheu-me de alegria, uma euforia inusitada, uma conquista da família, um sonho há muito esperado.

Mas artigos sobre Greta Thunberg e sua devoção cega ao movimento BDS, fotos da placa da  Rua Estado de Israel sendo substituída por placa Rua Palestina Livre, um ataque à mão armada a uma sinagoga no Canadá em Yom Kipur, me devolveram ao meu estado de ansiedade anterior.

Desde o nascimento de nossa primeira filha, tinha certeza que sua geração não passaria pelo que seus avós passaram na Alemanha de Hitler. E eis que vejo as cenas se repetirem, e o Brasil aderindo a elas com determinação e autoridade.

Lembrei então de um ditado ou provérbio, “count your blessings”, expressão muitas vezes por mim repetida em situações de crise aos meus filhos, netos e bisnetas: contar nossas bençãos.

Não procurar aquilo que nos falta, mas olhar e descobrir  o que está em nosso meio copo, apreciar as bênçãos recebidas até hoje, valorizá-las e por elas agradecer.

Assim refletindo, se FAUDA nos trouxe compreensão maior e mais verdadeira de nossa história e o apoio dos até então mal - informados sobre o terrível massacre de 7 de outubro, festejemos esta admirável conquista aspirando por mais FAUDAS, que mais encantamentos surjam a este povo que resistiu por 3 Mil anos e ainda está presente lutando com suas próprias iniciativas, fé e resiliência para entregar PAZ a Todos.

 

Palavras do Diretor de Fauda:

“Quero que o público estrangeiro olhe nos olhos do meu personagem e enxergue o que sentimos naqueles dias. Como eles se sentiriam se isso acontecesse em seus países? Quero que as pessoas abram os olhos... ”

 

Que alcancemos o reconhecimento desta luta, o reconhecimento deste Israel que nada mais almeja do que viver em paz no pequenino pedaço de terra que lhe foi oficialmente reconhecido pela ONU em 1948.




FONTES:

https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/nova-temporada-de-fauda-faz-reviver-o-dia-7-de-outubro-e-ja-e-a-mais-vista-em-israel-e-no-libano

https://veja.abril.com.br/cultura/serie-fauda-troca-conciliacao-por-apoio-ferrenho-a-israel-em-nova-temporada/

https://diariodeseries.com.br/fauda-5-temporada-guerra-israel-hamas/#google_vignette

https://www.bbc.com/portuguese/extra/IkTCzu5CAd/Israel_historico_fronteiras

ACONTECE: Sucot e os caminhos do momento

 

Fonte da imagem


Por Regina P Markus - 24/09/2025 - 13 Tishrei 5787


Sucot, lembrando os 40 anos no deserto. Caminhando sem conhecer o rumo, mas com  determinação e sem parar. Recebendo comida e sendo guiados ao longo do tempo. Chegar a um ponto em que tudo vai mudar e o futuro será uma promessa em forma de Leite e Mel. Na última segunda-feira foi Iom Kipur, e ao pôr do sol de amanhã, dia 25 de setembro, começa Sucot. Saímos de momentos muito pessoais para momentos coletivos. Deixamos de ser apenas indivíduos para sentir que pertencemos a um grupo, a um povo. E ao fazer esta transição, em muitos estudos ao longo dos séculos, encontramos o conceito de "povo entre as nações". 

A construção da Sucá já começou. Uma cabana decorada com frutos e bandeirinhas coloridas. Teto de palmas e três paredes. Uma mesa onde todos são convidados e são servidas comidas para todos os gostos, com respeito especial para quem não pode comer determinados alimentos. Sucot é uma festa inclusiva! 

Saltando para esta semana, fica a sensação de que estamos atravessando tempos tão nebulosos quanto os de tempestades no deserto. A areia sobe escondendo os fatos e criando imagens que acabam sendo confundidas com a realidade. A mídia controlada por grupos interessados cria versões incorretas dos fatos. A cada dia fica mais evidente que as pessoas de Gaza não encontram apoio dos dirigentes. Apesar dos milhões gastos, não há dinheiro para construir abrigos ou moradias temporárias, e estes foram incentivados a ocupar prédios danificados e inseguros. 

Esta semana também está em curso a 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O encerramento será dia 28 de setembro e para apimentar o encontro, em janeiro de 2027 deverá tomar posse um novo "Secretário Geral". Discorrer hoje sobre os discursos e reuniões paralelas seria parcial. Os discursos dos chefes de estado até hoje seguem o esperado, quer no que se refere aos problemas gerais de clima e economia e ao que se refere aos pontos específicos envolvendo o Oriente Médio e os Países do Golfo. Será que falar leva a ações? Entre no Blogger para ler o texto de Alex Pipkin, gaúcho, formado em administração e marketing pela UFRGS, empresário, que apresenta um dos melhores textos sobre o tema do antissemitismo. "O antissemitismo moderno dispensou a necessidade de inventar o crime do judeu. Basta-lhe apagar a atrocidade cometida contra ele, converter seu direito de defesa em culpa e transformar sua sobrevivência em acusação. É sempre a guerra dos verbos.".  Vale conferir o texto integral no nosso Blogger. 

Estando dentro de nossa suká sempre aberta para todos e para o futuro, termino mencionando um avanço muito importante na arte de navegar. A Marinha Israelense inicia operações com navios robóticos. Dispensam o pessoal embarcado e poderão agilizar as rotas comerciais. Não deixem de ler a matéria do Jerusalem Post.

Os 40 anos no deserto, há mais de 3000 anos, fizeram e continuam fazendo história.

Chag Sameach

Regina


[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]


A GUERRA DOS VERBOS



Por Alex Pipkin, doutor em Administração e Consultor Empresarial

Israel combate duas guerras. Uma contra seus inimigos terroristas; outra contra quem conta a primeira.

7 de outubro. A fronteira violada, civis massacrados, famílias sequestradas, reféns arrastados para Gaza. Só então veio a guerra. A cronologia deveria ser banal, mas os fatos têm um defeito terrível quando se pretende fabricar uma narrativa. Eles preservam a autoria.

Descobriu-se, então, um método eficiente de mentir sem necessariamente falsificar fatos. Basta editar a causalidade.

Israel bombardeia, Israel mata, Israel destrói. Do outro lado, palestinos morrem, crianças sofrem, famílias fogem. O Hamas vai perdendo seus verbos até evaporar do texto. Sem sujeito, extingue-se a culpa.

A engrenagem informativa ajuda. Relatos produzidos dentro de Gaza atravessam fontes locais, organizações internacionais e redações até chegar ao público com uma assepsia que sua origem jamais autorizaria. Em junho de 2026, o USAID OIG, órgão independente de fiscalização da agência americana, informou que sua investigação já havia resultado no encaminhamento de 108 funcionários ou ex-funcionários da UNRWA por participação no 7 de outubro e/ou vínculos com a ala militar do Hamas.

A BBC exibiu um documentário sem informar que seu jovem narrador era filho de uma autoridade da administração do Hamas, omissão considerada materialmente enganosa pelo regulador britânico Ofcom. O New York Times colocou Mohammed al-Mutawaq na primeira página de 25 de julho de 2025 como o rosto da fome em Gaza. Posteriormente, acrescentou que o menino tinha problemas preexistentes que afetavam o cérebro e o desenvolvimento muscular. A informação capaz de alterar a leitura da fotografia chegou depois da fotografia.

A manchete chega hoje. O contexto amanhã. A correção depois. A indignação jamais se corrige.

Quando a omissão deixa de ser episódica, o problema já não cabe na desculpa do erro de edição. Quem escolhe o sujeito distribui responsabilidade. Quem o retira da frase distribui inocência.

António Guterres acaba de afirmar que jamais testemunhou, como secretário-geral da ONU, uma escala de mortes e destruição como em Gaza. Sob seu mandato, o mundo assistiu a pilhas de corpos, fome e desespero no Iêmen, na Etiópia, no Sudão e na Ucrânia, tragédias documentadas pela própria organização que ele comanda, (imagem acima). 

Não se trata de contabilidade de cadáveres, mas de contabilidade moral. Por que a memória do mundo adquire precisão cirúrgica e comoção seletiva quando Israel ocupa o banco dos réus?

Pode-se criticar Israel. Pode-se defender a autodeterminação e um Estado palestino. Mas desejar que Israel desapareça e batizar isso de “crítica” é o velho antissemitismo submetido a um banho semântico.

Estou cansado. E preocupado. Sou defensor da liberdade de expressão, inclusive quando ela protege ideias que desprezo. Mas liberdade não é salvo-conduto para incitar a eliminação violenta de Israel, perseguir ou expulsar judeus. Quando a retórica ultrapassa a opinião e entra no terreno do crime, não basta reprovar moralmente. A lei precisa ser aplicada.

Mudaram as redações, as universidades, os organismos internacionais e o vocabulário. O velho preconceito apenas contratou uma nova agência de relações públicas.

O antissemitismo moderno dispensou a necessidade de inventar o crime do judeu. Basta-lhe apagar a atrocidade cometida contra ele, converter seu direito de defesa em culpa e transformar sua sobrevivência em acusação. É sempre a guerra dos verbos.

O problema é que o verbo adulterado na manchete não termina na manchete.

Mais cedo ou mais tarde, encontra um judeu para culpar.

[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]