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quarta-feira, 29 de abril de 2026

ACONTECE:A Vida surpreende - Emoções Novas neste 2026

 ACONTECE: A Vida surpreende - Emoções Novas neste 2026

Regina P Markus - 30 de abril de 2026


Salus Loch - que maneira maravilhosa de contar uma história da SHOÁ!
A foto é original e acompanhou Hannah Chevalier (82 anos) ao longo de sua vida!

Poucas vezes me lembro de chorar. Chorar de forma silenciosa e copiosa. Lágrimas que escorriam pelo rosto, comemorando a VIDA — Le Chaim. Foi no dia 26 de abril, no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto (MIJH), em São Paulo.  Fui convidada por  Hannah Chevalier , filha e genro, que são queridos amigos da Sinagoga Hebraica, para a tarde de autógrafos do livro  PITZI, a testemunha de pano , escrito por  Salus Loch .  Uma charmosa boneca que acompanhou a vida de Hannah, sobrevivente da Shoá, nascida em 1944. Nesses dias que separam a "comemoração" da liberdade da "comemoração" da responsabilidade, e em que há momentos de expectativa em Israel, resolvi compartilhar o porquê de tanta emoção. A vida é o caminho que escolhemos para viver, é a sorte de sermos distinguidas com forças para superar e alegria para criar. Entre no Blogger e leia um "aperitivo" do livro mais fascinante que li nos últimos anos. 

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O MIJH é um prédio especial localizado na Rua da Graça 160, Bom Retiro. Em 1900, era um edifício modesto que recebia imigrantes que desembarcavam no Porto de Santos, subiam de trem até a Estação da Luz, em São Paulo, e encontravam camas para descansar e passar os primeiros dias. Em 1912, foi fundada a primeira sinagoga do Estado de São Paulo, Kehilat Israel.

A imigração judaica estava presente neste edifício, que abrigava a todos. Não era necessário pagar. Com o estabelecimento da comunidade judaica, os que tinham passado os primeiros dias naquele espaço passaram a contribuir com doações de diferentes tipos. E as lembranças pessoais foram se transformando em material histórico de grande importância. Em 2016/2017 é aberta uma exposição permanente sobre a imigração resultante da Shoá. Espaço muito ativo, com cursos para todas as idades e classes sociais, com o propósito de divulgar a comunidade judaica a todos, inclusive a judeus.

A sessão começa com as boas-vindas da Coordenadora Educacional do MIJH, Ilana I. palavras que introduzem o autor, o livro e a Hannah Chevalier. Evitando o spoiler, comenta que foi o MIHJ que abriu espaço para Hannah contar sua história e inspirar grupos de crianças, jovens e adultos a viverem sem barreiras, mantendo a sua identidade.

Busco na internet informações sobre Saulus Loch que registram o que foi narrado. É um jornalista gaúcho não judeu, escritor, advogado e pesquisador brasileiro reconhecido mundialmente por seu trabalho na cobertura e no estudo da memória da Shoá. Percorreu o mundo ocidental e oriental em busca de fatos que confirmassem histórias do Holocausto e, mais ainda, iniciou a escrita de livros que contam, em forma de romance, a vida de um sobrevivente. PITZIL é o segundo.

A seguir, Ilana dá a palavra a Dona Hanna Chevalier. Hoje, aos 82 anos, uma senhora elegante, com voz firme e olhos atentos. Eu a conheço de longa data. Fui ao lançamento do livro a convite de sua filha e já havia ouvido a história em outras ocasiões. Hannah aparecia pouco entre os sobreviventes porque não viveu a Shoá; nasceu ao final da Shoá, na Bélgica.

  Nasceu em uma prisão e foi levada nas costas de sua mãe, como um embrulho, para enfrentar um pelotão de fuzilamento. Qual a idade? Quando nasceu? Como foi resgatada? Entra no jogo da vida o comandante alemão que pressentiu vida no embrulho nas costas da partizã belga. Ela não conheceu os pais, mas teve a sorte de que conseguiram resgatar seus nomes porque pertenciam ao Maquis. Estes eram grupos de resistência belgas, que operavam de forma isolada, com apenas um homem conhecendo todos os grupos. Desta forma, não havia possibilidade de cruzamento de informações.

E o suspense foi aberto – para que pudéssemos ouvir a voz da boneca de pano, Pitzi, contar, passo a passo, o que “mamãe” viveu. E assim era como Hannah escutava a voz de Pitzi. Ela, muito cedo, tornou-se mãe zelosa da boneca que foi um presente do oficial alemão que a salvou. Sim, é como estão imaginando, este homem acompanhou Hannah por muitos anos em um orfanato no Mosteiro Jesuíta em Charlesroi. Père Joseph Valentier, o comendador do mosteiro, dirigia também um orfanato, criado durante a guerra, para abrigar crianças de todas as origens que foram deixadas sozinhas ou ficaram órfãs por causa do nazismo.

Hannah era especial; foi levada ao mosteiro pela Sra. Ivonne Nèvejean, uma belga cristã que salvou mais de 4.000 crianças e cujo legado hoje está registrado no Yad haShem, em Israel. A forma como o oficial alemão burlou toda a segurança para entregar a bebê salva da lama à senhora Yvone precisa ser ouvida, lida e sentida através das palavras da boneca Pitzi. 

E os milagres continuam. Vamos manter à disposição dos nossos leitores as chamadas para as próximas falas de Hannah.
Encerro por hoje com a citação que aparece no livro:




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Seguimos atentos neste momento de espera em Israel e acompanhando as muitas manifestações de apoio.


1 - ATUALIZAÇÃO DE NOTÍCIAS 🚨🇬🇧 O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou o ataque a faca no bairro de Golders Green, em Londres, afirmando durante um discurso no Parlamento que a onda de esfaqueamentos foi "muito perturbadora". Ele observou: "Há agora uma investigação policial em andamento e acredito que todos precisamos fazer tudo o que pudermos para apoiar essa investigação e estar absolutamente determinados em nossa intenção de combater todos esses crimes, do tipo que temos visto com muita frequência recentemente". De acordo com a BBC, o estado de saúde das duas vítimas judias feridas é descrito como grave.


2 -JERUSALEM POST - 28 de abril de 2026 - 
    As negociações entre os EUA e Israel devem discutir transferências de verbas da ajuda militar para uma parceria conjunta de defesa. Conversas começam em maio.










quinta-feira, 23 de abril de 2026

Acontece: Israel, que pulsa forte apesar de…

 Por Juliana Rehfeld



Já marcamos, na semana passada, Yom HaShoah, no qual lembramos o pior crime contra a humanidade, o Holocausto. O crime que de jamais imaginável, passou a inesquecível embora tantos tentem negar e apagar do calendário. O crime que tem seus perpetradores diretos apontados, julgados pelas leis humanas, já há décadas auto declarados, penitentes e compensadores, mas jamais perdoados, por todos os herdeiros tanto das perdas como da culpa. Mas é principalmente o crime que torna a humanidade toda culpada mas impune porque os sinais de que poderia vir ou mesmo os sinais de que estava ocorrendo foram ignorados, escondidos para debaixo dos tapetes em que as nações pisavam. As pessoas e os países se omitiram e quando se deram conta de que não se podiam mais calar, a humanidade como espécie sangrou. Os que viveram isto pessoalmente já quase todos morreram, deixando como herança a obrigação de não se deixar cair no esquecimento para que aquilo jamais se possa repetir… mas, mesmo com tantos mecanismos criados para prevenir ou impedir que crimes contra a humanidade se repitam, eles continuam a ocorrer. E o silêncio que os encobre também se reconstruiu, e ele se sobrepõe às gritarias que desviam atenção e enganam, desinformam, permitem que os crimes se acumulem…

Nesta semana, Yom HaZikaron e Yom Ha’atzmaut, dia da lembrança pelos tombados nas guerras e pelo terrorismo, e dia da Independência do Estado de Israel. A semana em que esses dias imensos se seguem é sempre uma “montanha russa” de emoções misturadas, desencontradas mas que se encontram no nosso coração humano. A sirene para o país na véspera. Mergulhamos no luto da perda de tantos e tantas que trazemos no coração e na mente para que suas pegadas e a chama intensa de suas vidas não se apaguem, permanecemos firmes no propósito de testemunhar que estiveram presentes, construíram obras e laços, e deixaram legados. A sirene toca por dois minutos, paralisa o país inteiro, envolve tudo e todos em um silêncio proposital, imposto mas consensuado, tácito e cúmplice, pois compartilhado. O dia segue, triste. Mas, logo no momento seguinte da véspera da data de independência, começamos a comemorar aqueles legados, o bastão passado na corrida de revezamento de gerações que é esta vida neste mundo, e celebramos a construção que sucedeu as perdas, a dificílima construção de um país, a realização de tantos sonhos nacionais e pessoais, a “volta por cima enquanto sacudimos a poeira das quedas”, o lugar de encontro de tantas culturas e raizes diversas, Israel, que pulsa forte apesar de… 

Diminuto mas dividido Estado, que sangra e canta ao mesmo tempo, produz maravilhas enquanto gera más notícias, provoca orgulho enquanto pede reflexão, é um milagre mas exige explicação, uma potência que no entanto precisa de defesa e apoio, um lar nacional no qual a família briga incessantemente. Mas sim, sangra e canta ao mesmo tempo. Por dentro e por fora, na comunidade expandida, na diáspora comprometida, no povo compartilhado pela história e destino comuns.

Nossa construção coletiva desde a saída do Egito à formação do povo no recebimento da Torá no deserto. A jornada marcada pela contagem de 7 semanas do Omer, que se repete enquanto continuarmos a mantê-la significativa. escreveu Jonathan Sacks z’l : “ O tempo não é uma série de eternas recorrências na qual nada finalmente muda. O tempo cíclico é profundamente conservador enquanto o tempo com aliança, compromissado, é profundamente revolucionário; e ambos têm expressão na contagem do Omer”

O conservador e o revolucionário convivem na nossa história, nos nossos lutos e nas nossas celebrações.

Israel. Difícil para céticos ou cardíacos, um desafio para a torcida crítica, uma convocação ao alistamento de argumentos, um paciente em permanente emergência, um jovem sobrevivente e por cuja sobrevivência sangramos e cantamos ao mesmo tempo. 

Shabat Shalom

quarta-feira, 22 de abril de 2026

VOCÊ SABIA? - Gafanhotos: cápsulas de Proteínas com patas

 

Por Itanira Heineberg




Você Sabia que, talvez a melhor notícia que eu tenha lido ultimamente nestes dias de guerras, incertezas, mortes e muitas Fake News, seja a criação de uma indústria que transforma os gafanhotos, estes agressivos e destruidores insetos - uma praga bíblica que permanece praga até hoje, em uma proteína perfeita?

São 72% de proteína pura, zero desperdício em sua produção, uso reduzido de água, um substituto para a carne bovina, com tudo de bom, sem o mal da gordura saturada e do colesterol e livres de açúcar?

Aleluia! Que notícia agradável aos nossos ouvidos cansados de tiroteios, bombas, mísseis e perda de vidas humanas.

Gafanhotos peregrinos são mencionados no Antigo Testamento: uma das dez pragas do Egito infligidas por Deus ao faraó para obrigá-lo a libertar os judeus mantidos em escravidão. Segundo o texto, enxames de gafanhotos devoravam toda a vegetação, causando a ruína do Egito. Em Levítico, um dos cinco livros do Pentateuco, uma passagem afirma que algumas espécies de gafanhotos são kosher.   

A empresa israelense Hargol FoodTech pretende se tornar a primeira a vender gafanhotos em larga escala como alimentos sustentáveis.

Para Dror Tamir, CEO da Hargol, "os gafanhotos são a solução", conforme garantiu à AFP durante uma visita às instalações da empresa, situada na parte das Colinas de Golã ocupada por Israel desde 1967 e posteriormente anexada. Quase 25 mil colonos israelenses vivem neste território. Preocupado com o impacto do gado no meio ambiente, Tamir criou a empresa há seis anos e meio e gostaria que fosse "a primeira do mundo a produzir gafanhotos em grande escala comercial para fornecer uma fonte de proteína mais saudável e sustentável".

Por trás de sua ideia de fazer o maior número possível de pessoas comer este inseto há memórias de infância, quando ouviu histórias de gafanhotos que destruíram na década de 1950 os campos do kibutz onde foi criado. Mas, acima de tudo, lembranças de que os judeus de origem iemenita os degustavam com prazer. Ciente de que esses insetos podem ser repulsivos, a Hargol (gafanhoto em hebraico) transforma o animal em pó para fazer barras energéticas, jujubas, falafels (bolinhos de grão de bico) e biscoitos.

Com uma população global que pode chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050, alimentar o planeta se tornará um desafio, diz Ram Reifen, professor de nutrição da Universidade Hebraica de Jerusalém .

Os gafanhotos são ricos em proteínas, zinco e ferro – minerais que muitas pessoas ao redor do mundo não consomem em quantidade suficiente – e emitem muito poucos gases de efeito estufa.

"O que tememos é a falta de fontes de proteína", explica Tamir, porque a pecuária, que consome muita água, será um problema crescente. Antes de serem processados, assados ou fritos, os gafanhotos contêm mais de 70% de proteínas, mas também aminoácidos e outros nutrientes. "Eles têm tudo de bom, sem o mal", como gordura saturada e colesterol, e, portanto, poderiam substituir outras fontes de proteína, como a carne bovina. Ainda segundo Temir, cerca de 2,5 bilhões de pessoas consomem insetos regularmente, principalmente gafanhotos. "Mas quando se trata de atingir os consumidores norte-americanos e europeus, é muito difícil superar o fator 'que nojo'", declara Tamir.




Judeus no Iêmen e no norte da África os consomem há décadas, mas os judeus asquenazes (originários da Europa Central e Oriental) nunca os comeram.

Segundo o rabino Eliezer Simcha Weisz, membro do conselho do Rabinato, o problema é que a literatura rabínica europeia "indicou explicitamente que não temos tradição de comê-los". Uma razão plausível é a falta de gafanhotos na Europa.

O assunto está sendo debatido "amplamente" no Rabinato e a emissão de um certificado pode levar tempo, relata o rabino, que especifica no entanto que "o fato de a Torá dizer que é comestível parece indicar que pode ser o alimento do futuro".

Enquanto aguarda autorização das autoridades rabínicas, Dror Tamir decidiu enriquecer a gama de produtos propondo um pote de gafanhotos com mel. "De acordo com o Novo Testamento, João Batista costumava comer gafanhotos com mel", explica o empresário.

O gafanhoto é o único inseto considerado kosher. Trechos específicos da Torá afirmam que quatro tipos de gafanhotos do deserto - o vermelho, o amarelo, o cinza manchado e o branco - são comestíveis.

Esta máquina biológica mais eficiente do planeta também provê um fertilizante orgânico para as plantações: suas fezes.

O inseto em consideração, dono de mandíbulas poderosas e arrasadoras, será responsável pela criação de 3 indústrias, a partir de sua potência alimentar, ou seja:

-  os maiores, em sua forma original, crocantes e temperados serão um snack gourmet, já à venda na Arábia Saudita por 400 dólares o quilo

- farinha para o falafel e barrinhas de proteína com chocolate e frutas

- azeite de gafanhoto - ômega 3, “ouro líquido” - o produto mais exclusivo da linha.

A seguir teremos um vídeo muito bem feito, mostrando cada etapa do processo, desde a captura dos enxames até sua chegada às lojas, supermercados e casa de especiarias. É uma longa trajetória, onde tudo acontece com elegância e precisão, cada máquina obedecendo sua função, muita tecnologia e planejamento, uma solução para o futuro das gerações do porvir.




Recomendo que assistam ao vídeo pois ele lhes trará grande alegria e mais confiança no ser humano.

Enquanto alguns homens não se envergonham nem se arrependem de matar seus semelhantes em guerras ignóbeis de conquistas de territórios e poder, é bom nos voltarmos para aqueles que, preocupados com a população crescente do mundo, se dedicam a supri-lo com proteínas indispensáveis aos seus habitantes num movimento altruísta e generoso, ou seja, Tikum Olam, consertar o mundo.

 

FONTES:

https://www.bbc.com/news/magazine-21847517#:~:text=Em%20outros%20canais%20da%20BBC

https://exame.com/negocios/mais-proteina-na-dieta-empresa-recomenda-comer-gafanhotos/

https://umsoplaneta.globo.com/financas/negocios/noticia/2022/02/21/em-israel-gafanhotos-estao-sendo-transformados-em-guloseimas.ghtml

https://www.uol.com.br/nossa/noticias/afp/2020/08/03/empresa-israelense-gafanhoto-alimento.htm?cmpid=copiaecola

https://gq.globo.com/Noticias/noticia/2020/08/empresa-israelense-planeja-vender-gafanhoto-como-alimento-sustentavel.html

https://clickgafanhotos petroleoegas.com.br/bilhoes-de-gafanhotos-criados-para-alimentacao-humana-formam-uma-nova-industria-global-enquanto-a-china-transforma-praga-agricola-em-proteina-lucrativa-btl96

https://www.folhape.com.br/noticias/empresa-israelense-quer-transformar-gafanhotos-em-alimentos/149437/

https://www.bbc.com/news/magazine-21847517

https://hargol.com/


sexta-feira, 17 de abril de 2026

Acontece: Yom Haatzmaut - Dia da Independência

 



YOM HAATZMAUTH - Dia da Independência de Israel. 

5 de Iyar -  do anoitecer de 21/04 ao anoitecer de 22/04/2026

Regina P. Markus - equipe do ETNM


Estamos no mês de Iyar, o mês da esperança, o mês em que a primavera acontece em Israel. Uma estação linda marcada pelas flores e por algumas oliveiras muito especiais. Um mês em que se comemora o dia da Independência do atual Estado de Israel. Este é o terceiro estado judaico dentro das fronteiras da Terra Prometida. Para muitos isto é encarado como uma questão de fé e para outros nem vale mencionar. Quero hoje sair desta armadilha do A versus o Z, do início e do Fim.  Vou usar o olhar de Albert Einstein e de Chaim Weizmann, dois judeus que nasceram e viveram há mais de 1 século e que foram decisivos no estabelecimento do Estado de Israel. São também dois cientistas de destaque que alteraram o curso da história através de suas descobertas e que se respeitavam.

Voltando à armadilha do A versus o Z, Einstein sempre olhava para debates deste tipo como situações que impediam o entendimento dos processos. Estes sempre têm várias faces. E cada tipo de olhar distingue uma realidade. Assim, é abraçada a ideia de que o caos, a confusão, a multiplicidade de opiniões existem. E a relevância relativa de todas as opiniões determinaria o futuro.  

O CAOS É DETERMINISTA - apesar deste fato já ter sido debatido, foi Einstein que escreveu um trabalho de divulgação científica introduzindo cálculos matemáticos complexos que permitiam relativizar o futuro de acordo com os dados.

Albert Einstein era tão aberto a controvérsias que não recebeu o Prêmio Nobel em 1921, quando foi nominado, mas sim em 1922. Isto porque muitos tinham dúvidas da Teoria da Relatividade e acabaram premiando seus achados e estabelecimento da Lei que regular o efeito fotoelétrico. E Einstein segue no seu estilo próprio e contundente. A  Conferência Nobel em 1923 foi intitulada "IDEIAS FUNDAMENTAIS E PROBLEMAS DA TEORIA DA RELATIVIDADE". 

Como bom judeu, não deixou passar a oportunidade de tornar visível a sua descoberta. E também como bom judeu não deixou a sua descendência desprotegida. No documento que atesta o divórcio com Mila Maric, que data de 1919, havia uma cláusula que doava todos os recursos financeiros do Prêmio Nobel que poderia vir a receber. 

O ESTADO DE ISRAEL É O LAR NACIONAL JUDAICO

Einstein se envolve com o sionismo desde seus primórdios e une sua capacidade científica com a formação dos alicerces do Estado de Israel. Foi um dos incentivadores e ativistas para a formação da Universidade Hebraica de Jerusalém (1918), ministrou uma conferência sobre Relatividade em 1923. No dia da Inauguração Oficial em 1 de abril de 1925 estava na América do Sul, em visita ao Brasil e à Argentina. Einstein viajou com Chaim Weizmann pelo mundo em busca de fundos para o estabelecimento das raízes do estado judaico moderno. Doou todo o seu acervo de livros e de correspondências, bem como rascunhos e outros escritos. 

Há muito para escrever e contar destes primeiros tempos. A saga dos chalutzim que emigraram para o Mandato Britânico da Palestina. Em 1917, Arthur James Balfour, Primeiro-Ministro britânico (1902-1905) e Secretário dos Assuntos Estrangeiros (1916-1919), encaminhou uma carta para o Lord Lionel Walter Rothschild, líder das comunidades judaicas no Reino Unido, para ser transmitida à Federação Sionista. Apoia o estabelecimento de um Lar Nacional para o Povo Judeu nas terras do Mandato Britânico da Palestina. Tinha uma ressalva de que nada deveria prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas.

HOJE é importante mencionar que na Declaração de Independência do Estado de Israel (1948) também há menção a que todos os habitantes da terra são bem-vindos e serão considerados cidadãos. Naquela época muitas pessoas de diferentes origens conviviam naquelas terras. 

HOJE devemos considerar que o Exército de Israel é formado por cidadãos israelenses de diferentes origens. Árabes israelenses sunitas e cristãos representam 26% dos cidadãos israelenses. Beduínos, drusos, circasianos, bahá'íes e armênios. E muitos destes cidadãos servem ao Exército de Defesa de Israel. Homens e Mulheres. Posições de destaque em comunicação e também em forças de combate e segurança.

A atual guerra, iniciada em 7 de outubro de 2023 pelo grupo Hamas e continuada em diferentes etapas, gerou um grau alto de antissemitismo e uma tentativa de dissociar o sionismo das raízes e aspirações do povo judeu. As duas andam par e passo! Lado a lado, e muitas vezes formando uma argamassa própria para construir o futuro.

Neste mês de Iyar, o mês da esperança para muitos que estão recebendo a primavera, e também para muitos do hemisfério sul que convivem com um outono frutífero, desejo a todos nós:



Regina P Markus




quinta-feira, 16 de abril de 2026

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Almoço no Oásis

 



SanFran, 20 anos depois... Ou seriam trinta?

De repente o calendário parece que vai se confundindo... Sabe fumaça? Imagina ele sendo enterrado pelas areias de uma ampulheta...

20? 30? Mais? Menos? Será que importa...

La Bohème
La bohème
On était jeunes
On était fous

E de repente o tempo sai da ampulheta... Ele tá nas mesas...

Ontem a gente tava lado a lado, aprendendo como andar, saindo da casca do ovo! Éramos Esperança! Planos! Futuro! Hoje a gente continua se encontrando todo mês... Pensa em beduínos que se reencontram depois da duna...

Os planos? Cada um deles, igual as fumaças do meu velho Gitanes, tomaram rumos inesperados. Possibilidades inimaginadas que se realizam! Quando a gente tinha certezas, do alto de nossa ignorância arrogante, D´us dava risadas! Os caminhos Dele nos levarão a oásis nunca imaginados!

Sim! E eu gosto de pensar assim: nós somos beduínos! A gente sabe que o oásis não é acaso, é travessia. Duna depois de duna, passo após passo, a Esperança no coração e o trabalho na mão.

Esperança sem esforço é miragem. Trabalho sem Esperança é sede.

ESPERANÇAR!

Chega o pastel... Quem compartilha é irmão. E o legal é que a verdade é uma pedra preciosa... Se a gente joga na cara do outro, machuca... Não o irmão! Claro que ele também sente a dor da verdade, mas ele sempre estará lá. O legal dos irmãos é isso... Eles sempre brigam, mas nunca brigam!

— E o Gitanes do Stevie? Ele se achava o Sartre da turma...

— Pior que o Sartre fumava Galoise... Nem isso fazia certo!

— Não importava... Aquela fumaça era minha promessa! Minha possibilidade! Eu enxergava beleza e possibilidade naquela dança cinzenta subindo devagar, tomando rumos imprevisíveis até sumir no ar do mundo.

POSSIBILIDADES!

— Eu nunca fui fumante! Fui da fumaça! Gostava do perfume, do desenho, da coreografia quase sensual daquele corpo leve que se erguia e, antes de desaparecer, nos ensinava o mistério: nem tudo o que existe precisa ser tocado para ser real. Há coisas que não se veem. Se sentem.

— Fumaça é liberdade! Liberdade pro imprevisível. Pra pergunta. Pro Futuro. Eu ainda sou o Sartre da turma.

Hahaha.

— Viver é escolher. E escolher é assumir o peso e a beleza do que ainda não aconteceu. É aguentar o tranco!

— O Acorde de Tristão...

— Não me venha com Wagner! Antissemita! Oportunista! Materialista!

— Não, não, não! A música, não. A música é maior que o homem que a escreveu. O acorde de Tristão abre um portal e, ao mesmo tempo, recusa o fechamento. Ele fica suspenso, interminado, como se dissesse: “Você ainda não terminou de ser”. “Você pode!”

Pensa nisso... Será que isso não é o que somos nós.
Ser humano é não estar pronto. É poder ser tudo: sorriso, lágrimas, trabalho, preguiça, disciplina, displicência, arco-íris, trovão.

É carregar possibilidades... É a fumaça... Memória! Lá vai fumaça...

— Enxergar o futuro... Enxergar não é ver com os olhos. É perceber com a Alma... Com o coração! Com a ação da coragem! É ter humildade pra ver o que ainda pode florescer.

— Pra isso, só tendo uma certeza! D’us conosco! Não é slogan vazio! É com presença! Com trabalho! Com dever! Com disciplina! Se engana quem só vê texto na Torá! Ela é pensamento! É ato. É reflexão. É escolha.

É COMPROMISSO!

— Com o quê?

— Com a responsabilidade. Com a dignidade. Com a escuta. Com a Justiça!

Sem escuta não tem Justiça.

Sem Justiça não tem Dignidade.

Tira a Dignidade... Tudo vira máquina, engrenagem! A vida não foi feita para ser mecanismo. Foi feita para ser encontro.

— A vida é a arte do encontro...

— O piano do Vinícius tinha perfume de whisky... Ele tocava bebendo... A música dele é um brilho embriagado de beleza. O piano perfumado era parte da inspiração.

— Igualzinho a fumaça do meu Gitanes... Ou a mesa da minha avó, um café coado, todo mundo falando ao mesmo tempo... Uma baderna boa!

— Memória é perfume! É fumaça! Fumaça é isso: possibilidade! O subir. O ir. O não se deixar prender...

SILÊNCIO...

— Passou um anjo!

— Quem sabe a vida todinha não é isso? Caminhar pelo deserto, pagando boletos, sorrindo e sabendo que a próxima duna pode ser a última antes do oásis... Por Esperança! Por amor ao que ainda não veio!

— Então, beduínos no deserto?

— Beduínos do Afeto. Beduínos da Palavra. Beduínos que sabem que o Oásis sempre chega!

— Ao Pão!

— Ao Encontro!

— À Memória.

— À Esperança.

— Ao Trabalho!

— Oásis sem caminho é fantasia. Mas caminho com Esperança é destino em construção...

CONSTRUÇÃO!

André Naves

Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

quinta-feira, 9 de abril de 2026

ACONTECE: Antissemitismo - por que ele persiste?




A guerra, afinal, acabou ou não? Ormuz abriu, fechou ou reabriu? Trump ameaçou de novo? Voltou atrás? O Paquistão intermediou, ou foi a China que empurrou o Paquistão a se meter por que faz de tudo para irritar seu real grande inimigo, a Índia? Milhões de dúvidas em meio a milhares de narrativas da mídia e das redes, dos podcasts… balbúrdia desconexa de palavras que muitas vezes nada contam…

Como engolir uma quebra de trégua iraniana que usa como motivo ataques de Israel ao Líbano quando o próprio governo libanês expulsou o embaixador iraniano e tenta extirpar o câncer Hezbollah que consome o país há mais de 40 anos? Como engolir equiparação de sul do Líbano com Gaza? E, como tolerar a exportação daquele conflito para comunidades em longínquos cantos do mundo como São Paulo ou Rio de Janeiro, onde há lugares em que se você tiver cidadania americana ou israelense é impedido de entrar porque é responsabilizado por uma guerra que muito provavelmente você nem aprova, e antes da qual não te perguntaram coisa alguma? E como não denunciar locais que quiseram imitar isso para lucrar com a publicidade e com “vaquinha”? 

Como escreveu Tony Blair, no Sunday Times, “há uma estranha aliança entre setores da esquerda e o islamismo radical”, é o que temos visto em muitos países e especialmente, porque nos afeta diretamente, aqui no Brasil. As pessoas criticam ataques ao Irã, mas não criticam o Irã pelo que vem fazendo há 50 anos com sua própria população e por financiar organizações terroristas. O dono do bar que fechou a entrada dos mencionados cidadãos é militante do PSOL, o mesmo do atual Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, e cuja plataforma “se baseia no socialismo democrático, com foco no combate à extrema-direita, defesa de direitos humanos, justiça social e sustentabilidade ambiental”. O partido defende “o fortalecimento de serviços públicos, a reforma tributária progressiva, a valorização do trabalho e o combate às opressões (racismo, machismo, LGBTfobia)”. Mas o combatente militante carioca hostiliza quem ele acusa de representar quem ataca o Irã que, como sabemos, tem uma plataforma e uma ação diária, diametralmente oposta à do seu partido… e outros estabelecimentos seguem essa farsa porque “rende”…

Como lembra o jornalista João Pereira, a esquerda vem fazendo esta aliança da mesma forma que os direitistas nazistas da Alemanha a fizeram com o radicalismo islamico nas décadas de 1920–40, durante o Mandato Britânico na Palestina, representado pelo principal líder religioso e político árabe palestino, o Mufti Haj al Husseini que fugiu para a Alemanha e se encontrou com Hitler. Aquela colaboração política e ideológica foi uma aliança estratégica útil para ambos, que levou à produção de propaganda pró-nazista em árabe (rádio no Mandato), incentivou muçulmanos a lutar ao lado do Eixo, apoiou a formação de unidades muçulmanas nas SS (nos Bálcãs). Embora tenha sido uma aliança oportunista e limitada mostra que “ideologia muitas vezes não resiste ao ao ódio e ao preconceito”. 

E no momento, mais uma vez, atiram-se pedras no bode expiatório de plantão, nos judeus, de qualquer país, qualquer partido, qualquer torcida no futebol… isso contém antissemitismo claro. 

E o antissemitismo começou a ser discutido, ou mais corretamente, tornou-se motivo de gritaria, por causa do Projeto de Lei 1424/26 de 26/3/2026, apresentado pela deputada Tábata Amaral. A maior queixa dos críticos é que propõe que se passe a usar uma clara definição de antissemitismo e adota a da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, considerada - pela esquerda - ampla demais, ou incluindo casos relacionados à Israel. Alega-se que ele impede críticas “justas” a Israel, quando na verdade o maior problema, a meu ver,  é o oposto: hostilizam-se judeus na diáspora como críticas ao governo de Israel.

O PL ainda inclui exemplos internacionais para orientar educação, políticas públicas e combate ao preconceito. E faz algo muito importante: relembra, para fins educativos, que antissemitismo é crime de racismo, inafiançável, reforçando o entendimento de 2003 do STF. Aproveito para pedir que se informem e votem sobre ele no link: https://www.camara.leg.br/enquetes/2612333 

É importante também acompanhar e apoiar a atuação da Frente Parlamentar Brasil–Israel, grupo informal dentro do Congresso Nacional que reúne parlamentares interessados em fortalecer as relações entre o Brasil e Israel. Desta forma poderemos, de maneira mais efetiva, contribuir para a educação,  e o combate à desinformação e ao próprio antissemitismo. 


Juliana Rehfeld

terça-feira, 7 de abril de 2026

VOCÊ SABIA? - Pessach, a Festa da Inclusão

 



Você sabia que a comemoração de Pessach, festa da Liberdade, é também, e definitivamente, a festa da Inclusão?

E um alerta para a conquista da Liberdade para todos os seres humanos, sem distinções?

Com grande surpresa e encantamento descobri ou me apercebi da veracidade desta afirmação no texto elucidativo e convincente de André Naves, nosso editor companheiro quinzenal desta Newsletter.

Assim sendo, aqui segue sua mensagem de Pessach para nós!


Pessach, a festa da Inclusão



“Ainda que me faltem condições e autoridade para discorrer sobre o tema, já que toda a tradição e sabedoria culturais judaicas foram-me castradas violentamente pelos tribunais inquisitoriais, além de sepultadas pelas poeiras dos séculos e do olvido, arriscar-me-ei a tecer um singelo e humilde comentário acerca de um pequeno, mas fundamental, aspecto da simbologia trazida pela festividade de Pessach.

Pessach é a Festa da Liberdade e também da Inclusão!

É um lembrete perene, e daí sua necessária repetição, de que não há espaço para fermentação e expansão do “eu”. Ao contrário, nossa individualidade, a festa nos lembra, só se completa quando nosso “eu” se dissolve num harmônico “nós”. Ou seja, todos temos nossa essência individual que deve ser potencializada e celebrada, mas nossa dignidade só se perfaz coletivamente, com a pressuposição de que estamos todos juntos, em um mesmo caminho, e devemos cuidar uns dos outros.

Assim como o povo judeu, em sua jornada rumo a Jerusalém, era formado pelas mais diversas individualidades que, com suas diferentes capacidades, atuou mediante o cuidado coletivo mútuo de maneira a potencializar as características e possibilidades pessoais de cada um, nós, em nosso labor constante de aperfeiçoamento devemos buscar apoio nas melhores capacidades coletivas.

Nenhum de nós é tão pequeno que não possa contribuir. Nenhum de nós é tão poderoso que não precise de algum auxílio!

Somos diferentes, somos diversos, somos únicos. Somente com a união de nossas melhores capacidades conseguiremos, com sucesso, alcançar nossos objetivos finais!

Chag Pessach Sameach!”

ANDRÉ NAVES


Especialista em Direitos Humanos e Sociais.

Defensor Público Federal. Escritor, Palestrante e Professor. Conselheiro do Chaverim, grupo de assistência às pessoas com Deficiência. Comendador Cultural.

Colunista do Instituto Millenium, além de diversos outros meios de comunicação. www.andrenaves.com