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quinta-feira, 21 de maio de 2026

ACONTECE: Chag Shavuot Sameach

 Por Juliana Rehfeld



A semana teve momentos emocionantes e tensos, como a terceira rodada das negociações entre Israel e o Líbano sobre o cessar fogo e desarmamento do  Hezbollah, o desempenho de Israel na competição musical Eurovision, a decisão da Knesset de dissolver o atual mandato e antecipar eleições e também a chegada de mais uma flotilha, vinda da Turquia, em direção a Gaza, para citar apenas algumas notícias. Nisso tudo há “mais do mesmo” mas há evoluções importantes: desde sexta passada aumentaram as perspectivas de acordos de longo prazo para pacificar o norte de Israel; na final de domingo a canção Michelle, apresentada em Viena, embora vaiada além de aplaudida, provou que foi vencida uma forte tentativa de boicote à participação de Israel com persistência e resiliência do cantor e da banda mas, sobretudo, pelo empenho dos que votaram em massa fora da Europa para marcar o apoio; o incômodo sobre a questão do alistamento dos ultra-ortodoxos levou a uma proposta de dissolução do atual parlamento e esta proposta acabou de ser aceita por unanimidade, sendo que o relativo enfraquecimento da coalizão governista pode abrir caminho à queda de Netanyahu; a última flotilha foi mais uma vez interceptada mas de maneira mais cautelosa e evitando motivos de crítica, informando de maneira transparente que não seria permitida a entrada mas que seriam plenamente aceitas e distribuídas as ofertas humanitárias recebidas por terra, mostrando que o governo podia ser mais flexível e preocupado com as repercussões mesmo que firme no fracasso e na denúncia das reais intenções dos “ativistas”.

E agora estamos em Shavuot que, em hebraico, significa Semanas. Desde Pessach viemos contando 7 semanas, “Sefirat ha Omer, diariamente por 49 dias, para chegarmos a hoje 6 de Sivan no calendário lunar-solar judaico. E agora celebramos “o aniversário da Torá”. A rigor o que marcou a transformação de um bando de fugitivos da escravidão perambular pelo deserto em um povo com passado e destino comuns, valores e leis compartilhados, foi este recebimento - e aceitação - da Torá, dos mandamentos. É evidente que não é uma fotografia do momento que realiza a transformação, mas é o momento em que se olha para o percurso que se vem traçando e para o plano do caminho a seguir, que dá o nome de transformação ao processo todo.

E esse processo é vivo, está em curso a cada ciclo em celebramos juntos Pessach, com a família cada vez mais numerosa e barulhenta, e contamos juntos, paramos a cada Shabat para descansar e refletir sobre este percurso, e confirmamos nossa aderência aos valores que nossos antepassados aceitaram no Sinai. Mais tarde, já em Canaã, nesta época colhiam-se os primeiros frutos das plantações - e esses “bikurim”, os mais bonitos e melhores eram oferecidos a Deus, no Templo, como agradecimento. E a história, o processo da chegada a aquele momento era contado aos pequenos para que fossem crescendo como parte do caminho… nós trazemos na memória, no nosso “inconsciente coletivo” e nas repetidas celebrações , as raizes que nos é essencial passar para a frente, para os que trouxemos a este mundo, e aqui deixaremos… porque esse processo é vivo? Porque nunca o repetimos igual, pelo contrário, o que acontece a nossa volta é parte fundamental da reflexão e do debate interno, a cada Shabat ou Chag, as perguntas que se acumulam, as dúvidas que nos surgem, são respondidas cada vez à luz do momento histórico. E frequentemente, familiar e coletivamente…

A história é longa, as mudanças geográficas e sociais foram imensas, mas seguimos o fio da meada, o que nos permite nos reconhecermos e identificarmos com aqueles antepassados que estavam no Sinai em Shavuot... nossa realidade é tão mais complexa quanto o acervo de emoções que vivemos, de lições que aprendemos - ou percebemos que não aprendemos -, das cicatrizes que adquirimos, das dores que acumulamos, e muito, das realizações das quais nos orgulhamos… Ainda no Sinai, às portas de Canaã reforça-se o compromisso da aliança com Deus com todos que lá estão e “com aqueles que não estão aqui conosco”. Somos nós. 

Daí a nossa responsabilidade de, a cada vez, ouvir a história, ressignificá-la à luz da nossa realidade, do nosso tempo, readequar o plano do próprio caminho  a seguir e compartilha-lo com a família e na comunidade. 

Que sigamos com os ouvidos atentos a nossa volta, com empenho na renovação da nossa pessoal aliança com os valores em que acreditamos, com dedicação e criatividade para repassar as lições aprendidas a próxima geração, para que afinal, o relato das semanas seja cada vez melhor, mais bonito e feliz.

Chag Shavuot Sameach

Shabat Shalom

VOCÊ SABIA? - A Torah de Dom Pedro II

 

A TORAH DE Dom Pedro II adquirida em suas viagens ao Oriente Médio - e o fogo no Museu. Foi um milagre?

Por Itanira Heineberg


 

Você Sabia que os manuscritos do livro sagrado do Judaísmo, escritos em Hebraico Bíblico, adquiridos pelo segundo imperador do Brasil, que faziam parte do acervo do Museu Nacional e tinham sido transferidos para a seção de Obras Raras da Biblioteca do Horto para restauração (seção localizada próxima ao museu, na Quinta da Boa Vista), salvaram-se do incêndio que devastou o edifício histórico no ano de 2018?



Ao saberem do triste ocorrido, jornais israelenses entraram em contato com a comunidade judaica brasileira para saber do estado dos preciosos documentos.

Também designados como Pergaminhos Ivriim, os manuscritos datam de 400 a 1.000 anos atrás e foram comprados no século XIX por Dom Pedro II, um estudioso da cultura hebraica.

Estes documentos foram tombados pelo Iphan em 1998 devido à sua importância arqueológica e bibliográfica. O cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, Osias Wurman, disse à emissora alemã Deutsche Welle que os pergaminhos estão entre os dez documentos mais antigos do judaísmo. O material estava sendo restaurado, e por isso foi salvo da tragédia.

Os nove rolos de pergaminho da Torah estão em hebraico bíblico e, segundo historiadores, foram escritos no Iêmen no séc. XIII.

No séc. XIX, D. Pedro II adquiriu estes documentos como parte dos seus estudos e pesquisas sobre a cultura hebraica.

D. Pedro d’Alcântara, tido como “rei sábio”, foi criado para as letras e as artes. Amado e elogiado, criticado e censurado, foi um homem culto e uma figura ímpar que merece um lugar de destaque na galeria dos grandes vultos da Humanidade. Ele aprendeu hebraico após encontrar um dicionário abandonado nos jardins do Palácio. Chegou a estudar com eruditos como o judeu-sueco Akerblom.

O imperador traduziu partes do Velho Testamento para o latim e estudou profundamente os Profetas e os Salmos diretamente nos textos originais.

Em uma recepção a judeus da região da Alsácia, Pedro II conversou com eles em hebraico. Ao notar que os convidados não dominavam o próprio idioma, repreendeu-os com a célebre frase: "Que judeus são vocês que não sabem a língua do seu povo?”

Durante sua segunda viagem à Europa (1876-1877), o imperador adquiriu a coleção de pergaminhos hebraicos. A relíquia histórica é uma das peças que ajudam a contar a trajetória de sua aproximação com o judaísmo. Em 1876, Dom Pedro II realizou o sonho de visitar a Terra Santa. Acompanhado por uma comitiva, ele percorreu regiões do Oriente Médio, visitando locais históricos e estudando as raízes do Cristianismo e do Judaísmo.

Ele manteve contato e amizade com vários intelectuais judeus da sua época. Após ser deposto e enviado ao exílio em 1889, encontrou grande alívio e consolo em suas traduções do hebraico.

Fato louvável e meritoso, em especial em nossos tristes dias de intolerância e preconceito racial no mundo, o imperador repudiava o antissemitismo e elogiava o povo judeu em suas correspondências. Ele foi fundamental para o reconhecimento e o avanço da liberdade de culto não católico no Brasil, assinando decretos de abertura religiosa no final do século XIX.

A Torah reúne os livros que Moisés teria recebido de Deus. Na religião Judaica, uma Torah precisa ser aberta e fechada ao menos três vezes por semana, então, é um documento que precisa de constante cuidado. Esta é a razão de estar em restauração no Horto durante o trágico acidente.

A coleção em pauta era originalmente composta por onze rolos, mas atualmente é constituída por nove fragmentos. É um texto massorético (texto hebraico padrão e tradicional da Bíblia) representando uma raridade bibliográfica e arqueológica.

Tombada pelo IPHAN em 1998, a Torá está sob curadoria da Biblioteca Central do Museu Nacional/UFRJ.

Assistamos agora a um elucidativo vídeo mostrando a Torah do imperador, explicando sobre sua manutenção, cuidados e materiais antigos usados em sua confecção.

 




 

FONTES:

https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/antigos-manuscritos-da-tora-escapam-de-incendio-no-museu-nacional-cnkhg9i74pjzqlnd1t22mze1i/

https://www.cartacapital.com.br/sociedade/pergaminhos-da-tora-escapam-de-incendio-no-museu-nacional/

https://periodicos.unb.br/index.php/emtempos/article/view/19846

https://www.dw.com/pt-br/pergaminhos-da-tor%C3%A1-escapam-de-inc%C3%AAndio-no-museu-nacional/a-45355030

https://www.morasha.com.br/hoje-no-brasil/judaismo-na-corte-de-d-pedro-ii.html

 


sexta-feira, 15 de maio de 2026

ACONTECE: IOM Yerushalaim – Dia de Jerusalém

 



Por Regina P Markus – 13/05/2026

Esta semana no dia 28 de Iyar é comemorado o dia de Jerusalém. Inicia no dia 14 de maio ao por do sol e termina no dia 15, também ao por do sol. É sempre bom lembrar que no calendário judaico é o por do sol que determina o início e o fim de um dia. Uma data comemorada em Israel com muita dança e canções. Povo lotando as ruas da cidade antiga, da cidade milenar. Para nós, chama a atenção que esta data é muito recente, faz parte de Israel moderna. Celebra a reunificação de Jerusalém em 7 de junho de 1967. Este é o dia da Dança com Bandeiras - rikudei galim em hebraico. Este foi o primeiro dia em que Jerusalém antiga, o Monte Moriá, também conhecido como Monte do Templo, e o Muro Ocidental, que data do Templo de Jerusalém, passaram a pertencer a Israel. Este é o momento ideal para voltar os olhos para Tzion e pesquisar sobre a história desta cidade milenar. Uma cidade que tem os olhos voltados para o futuro e um dos maiores parques de inovação do mundo.

O Dia de Jerusalém foi estabelecido por lei aprovada pelo parlamento israelense (Knesset) em 23 de março de 1988. Antes de 1967, a cidade era dividida e judeus não podiam chegar à cidade do Leste, onde estão toda a história, os locais citados no Tanach, a alma judaica. Dados arqueológicos revelam que no início da Idade do Bronze (3000 a 3200 AEC) havia um pequeno vilarejo, chamado Jebus, habitado pelos jebuseus. Estes formavam um dos ramos dos cananeus. Os nomes foram mudando ao longo da história. Ainda da época cananita, Jerusalém também era conhecida por Tizion (Sião), Salém e ao redor do ano 1000 AEC por Cidade de David. Lá estava localizado o Har Moriá (Monte Moriá) que foi palco de diferentes momentos na história do Povo Judeu.

Ainda curiosa sobre as relações entre Jerusalém e o Povo de Israel fiz a seguinte pergunta à IA: “O patriarca Abrão esteve em Jerusalém?”. A resposta foi direta: “Sim, segundo os relatos bíblicos e a tradição teológica, o patriarca Abraão (inicialmente chamado de Abrão) esteve na região de Jerusalém em pelo menos duas ocasiões marcantes.” Foi em Salem que Abrão encontrou-se com מַלְכִּי־צֶדֶק (malkei tzedek) Melquisedeque, um governante muito especial de Salém (Gênesis 14). A tradução mais fidedigna de Malkei Tzedek é "Meu Rei Justo". Este rei foi ao encontro de Abrão e sua gente após lutar contra uma coalizão de reis da região para resgatar o sobrinho Lot. Malkei Tsdek ofereceu pão e vinho a Abrão e abençoou o primeiro patriarca em nome de El Elyon (D’us altíssimo). Imediatamente Abrão reconheceu a autoridade de Malkei Tzedek e entregou um décimo dos bens recuperados após a guerra (dizem que este é um dos momentos em que o dízimo de cooperação foi criado).

Quando li e conferi esta passagem ficou um gosto de quero mais. Porque temos tão pouco conhecimento desta passagem. Certamente porque tanta coisa acontece na vida de Abrão, que esta ligação com um rei especial que vem recebê-lo na cidade que seria mais tarde Jerusalém deixa de ser considerado pelos céticos. No entanto, ao continuar as indagações, consultando fontes arqueológicas me deparei com os achados do arqueólogo Shukron, especialista em Jerusalém. Trabalhou por décadas no subsolo da Cidade de David e em 2010 desenterrou uma Matsevah esculpida diretamente na rocha nativa e uma prensa para produção de azeite e grãos. Também localizou fragmentos de cerâmica que permitiram datar o local que foi chamado de Templo Zero na Idade do Bronze Médio (séculos XVIII a XVII A.E.C). Exatamente o período em que Abrão teria estado no local. Há outras coincidências que apontam ser este um momento em que o primeiro patriarca chega ao que seria a cidade de Jersusalém.

Este caminho de Abrão pode ainda ser seguido ao lembrarmos da Akeidá Itzhak. O local em que é suspenso o sacrifício de Isaac, filho de Abrão. O Monte Moriá, exatamente onde foi construído o Templo de Salomão.

O Rei de Salém, Malkei Tzedek, aparece também em um Salmo de David. O salmo 110, que é lido por soldados quando vão e voltam da guerra. Esta é a indicação de David, que é seguida nos dias de hoje. É um salmo que precisa ser lido por cada um. Hoje deixarei a dica, para voltarmos ao tema se houver repercussão.

Apenas para completar os tempos bíblicos, este salmo pode ser interpretado considerando a necessidade da presença Divina na Guerra e na Paz. E deixa evidente que a posição pode ser alterada entre proteger e auxiliar. E que sempre se refere a muitos seres humanos, lembrando da individualidade e da especificidade de cada um. Na Torah encontramos que David conquistou Jerusalém, mas quem construiu o Templo em Har Moriah foi o Rei Salomão.

Cada um na sua tarefa e cada tarefa no seu tempo.

Jerusalém é reconhecida como a capital de Israel no Corão. E por que tantas dúvidas são levantadas nos dias de hoje? O marco deixado pelos romanos, que destruíram o Templo de Jerusalém e que trocaram o seu nome para Aélia Capitolina, transforma o imaginário ocidental. O nome é composto de duas partes: Aelia — vem do nome de família (gens) de Adriano: Publius Aelius Hadrianus. Ou seja, a cidade foi, na prática, renomeada em homenagem ao próprio imperador. Capitolina — refere-se ao deus romano Júpiter Capitolino (Jupiter Capitolinus), principal divindade de Roma, cujo grande templo ficava no Monte Capitólio, em Roma.

Na mesma época, também o nome da província foi alterado de “Judeia” para “Síria Palestina”, provavelmente como tentativa de enfraquecer a associação histórica entre o povo judeu e a terra.

Como o nome foi mantido por dois milênios? Porque olhar para Jerusalém ao rezar é uma prática judaica ao redor do Globo. Tzion continuou sendo um local a ser lembrado. E esta semana comemoramos com danças e bandeiras a Jerusalém unificada.

Vamos saltar para os séculos XX-XXI. Vamos saltar para Israel de hoje. O que lembra Jerusalém? Há algo mais que Jersualém antiga?

Esta é uma cidade que pulsa forte nas áreas de educação ciência e tecnologia.

A Universidade Hebraica de Jerusalém e todo o complexo de desenvolvimento e inovação científicos são polos de pesquisa e inovação. São polos de reflexão e interpretação.

Quanto nos repetimos ao escrever sobre os grandes desenvolvimentos realizados por muitas equipes de experts apoiados financeiramente por doadores e investidores do mundo inteiro.

Yerushalaim shel Zahav. Jerusalém de ouro. É a cidade que eterniza a nossa capacidade de criar e de conviver de forma harmônica seguindo caminhos que levam ao futuro, sem deixar de prezar e reconhecer o passado.

Seguindo a semana teremos a entrada no mês de Sivan e os preparativos para Shavuot, que está chegando!

 

Desejo a todos uma excelente semana!

Shabat Shalom

 

Regina

 

 


Vale buscar conhecer a importância do Instituto Weizmann de Pesquisa ao resgatar Pesquisadores Judeus Alemães antes, durante e depois da 2a Guerra Mundial e Pesquisadores Alemães não judeus durante de depois da 2a Guerra Mundial. Esta relação entre pessoas mostra a nossa capacidade de julgar e unir os diferentes.


quinta-feira, 7 de maio de 2026

ACONTECE: A luz e a escuridão

 

Por Juliana Rehfeld




Neste 5 de maio celebramos o Lag BaOmer, 18 do mês de Iyar. A palavra "Lag" é composta pelas letras hebraicas lamed (ל) e gimel (ג), que juntas possuem o valor numérico de 33. "Baomer" significa "do Omer", que é o período de contagem diária entre o segundo dia de Pêssach e e o feriado de Shavuot, ou seja, conecta a libertação física do Egito com a revelação espiritual da Torá no Monte Sinai. Contar é um mandamento, e uma preparação do espírito para, uma vez liberto, consolidar-se como povo e escolher tornar-se o povo da Torá. 

Mas, ao longo da história esse período ganhou características de luto por causa de tragédias que, segundo a tradição, aconteceram nessa época, sendo a principal razão, vinda do Talmud: os 24 mil alunos de Rabbi Akiva teriam morrido numa epidemia “porque não demonstravam respeito uns pelos outros” 

Ao longo dos séculos, especialmente em épocas de catástrofes judaicas, o Ômer foi sendo reinterpretado como o período de guerras, perseguições, massacres das Cruzadas, pogroms e até reflexões modernas após o Holocausto.

No entanto, Lag Ba Omer é uma pausa neste período de luto, que comemora a interrupção da morte dos discípulos de Rabbi Akiva, mas principalmente relembra Rabi Shimon bar Yochai. Ele viveu no segundo século da Era Comum, debruçou-se e ensinou principalmente sobre o versículo 19:18 do Levítico, da parashá Kedoshim - “… e amarás teu próximo como a ti mesmo” - que lemos há duas semanas… Ele foi o primeiro a ensinar publicamente a dimensão mística da Torá conhecida como a Cabala, e é o autor do texto clássico da Cabala, o Zohar. No dia de sua morte, Rabi Shimon instruiu seus discípulos a marcar a data como "o dia da minha alegria".

Esta alegria tem sido marcada tradicionalmente com fogueiras, passeios ao ar livre, muita música e dança, além de casamentos que são restritos no período do luto. As fogueiras representam a luz dos ensinamentos da Cabala e foram ficando tão grandiosas ao longo do tempo que chegaram a criar uma grande tragédia com um incêndio no monte Meron em 2021 . Desde então há restrições a essa celebração nesse local. 

Há um contraste simbólico forte entre o luto do Ômer e a fogueira/luz de Lag BaOmer como se a tradição dissesse que mesmo dentro de uma época escura existem momentos de respiração, esperança e reconstrução. Em Israel hoje, muita gente associa isso à necessidade de reencontrar coesão nacional depois de trauma, guerra e polarização. Não necessariamente como “fim instantâneo” do conflito, mas como começo de recuperação.

O símbolo da luz em meio à escuridão é fortíssimo, podemos associá-lo ao próprio nascer de cada dia trazendo a perspectiva da continuidade da vida como na benção matinal se agradece a Deus que “Yotzer or u’vore choshech” -  “Que forma a luz e cria a escuridão.” Nos dois momentos Deus está presente mas nem sempre o vemos… ao formar a luz Deus cria a escuridão, ou seja, um nos faz ver o outro, a percepção se dá em meio ao que estava escondido, o “insight”, a “caída da ficha” numa expressão antiga, do tempo do telefone público, se dá e nos dá a dimensão da escuridão que o envolvia. 

A educação, o estudo, nos levam a um patamar a partir do qual entendemos que éramos ignorantes. E isso tudo nos permite e mais, nos impõe, a escolha: buscar continuamente a luz, ou organização, em meio ao desconhecido ou incompreensível. 

E Lag BaOmer nos permite celebrar em meio ao luto, nos dá fôlego em meio ao desespero, nos permite reconhecer no mundo, e em nós, o que é bom e convive com o que é ruim, reconhecer que somos um só, em permanente movimento.

Shabat Shalom

terça-feira, 5 de maio de 2026

VOCÊ SABIA? - Será esta a Arca de Noé?

 

Arqueólogos anunciam grandes novidades e descobertas bombásticas se aprofundam com as novas pesquisas: será esta a Arca de Noé?

Por Itanira Heineberg



Um mistério que navega há séculos e permanece indecifrável...

Mito simbólico de purificação?

Obediência a D’us? Significado espiritual? Ou a Salvação, uma prova física?

Você Sabia que novas descobertas em um sítio montanhoso turco — incluindo formações de túneis subterrâneos, vestígios do que podem ser vigas estruturais e solo contendo três vezes mais matéria orgânica do terreno ao redor — estão alimentando afirmações ousadas de que os restos da arca bíblica estão logo abaixo da superfície?

Pesquisadores turcos e dos EUA investigam uma formação rochosa que possui o formato de um navio. Amostras de solo e rocha sugerem que a área pode ter abrigado uma estrutura construída, indicando atividade humana no local da formação Durpinar, Monte Ararat.

A Arca de Noé, descrita no Gênesis como um refúgio contra o Dilúvio, permanece um mistério entre fé e arqueologia. Busca-se sua localização no Monte Ararat (Turquia) e a viabilidade técnica de abrigar animais. Embora pesquisadores encontrem formações rochosas intrigantes, procuram-se provas definitivas, com muitos historiadores considerando a narrativa um relato de eventos geológicos reais.

O Monte Ararat, na Turquia, é o local bíblico, mas expedições ao longo de décadas não produziram evidências arqueológicas inquestionáveis.

Fotos de satélite e pesquisadores identificaram formações em forma de barco que alguns acreditam ser a arca, mas estudos geológicos geralmente indicam formações naturais.

A Bíblia detalha um navio de proporções gigantescas (140 metros). Especialistas debatem como uma embarcação de madeira dessa magnitude suportaria o peso e a movimentação em mar revolto.

Apesar de estimar-se que poderiam caber milhares de espécies, fica o mistério na logística de alimentação, limpeza e sobrevivência de pares de todos os animais terrestres por meses.



Em 1959 geologistas encontraram uma formação na montanha que lembraria  a base de uma embarcação incrustada na rocha na região da Turquia, Monte Ararat.

Andrew Jones, um dos pesquisadores no sítio, afirmou recentemente aos jornalistas da Fox News que acredita ter finalmente encontrado os restos mortais decadentes da Arca de Noé.

Jones afirma que não se trata uma formação natural, pois revela a dimensão da arca conforme a Bíblia, a localização está correta e a parte interna apresenta três vezes mais solo orgânico do que o exterior. Ele acredita que realmente tenham encontrado a Arca de Noé - um objeto distinto e com certeza não uma parte da montanha.

O mistério aparece agora como realidade, com a presença de vigas de suporte de parede, túneis ocultos com 4 metros de profundidade e dois metros de altura, uma arquitetura realizada por homens, versus a probabilidade de ser uma formação natural.



 

Profissionais da Turquia e dos Estados Unidos vão criar robôs com a finalidade de explorarem os túneis e tirarem fotos de seus interiores.

Mais um passo em busca da descoberta final deste grande mistério bíblico!

Abaixo apresentamos um vídeo contando as descobertas do grupo de pesquisadores de Jones para o canal Fox News. É possível assistir em português também.



Quando o mundo parece estar inevitavelmente condenado a um trágico fim, o último verso da primeira leitura da Torá revela a existência de um homem que asseguraria a sobrevivência dos habitantes da terra: “Mas Noé encontrou favor aos olhos de D’us" (Gênese 6:8). O cataclisma estava sendo preparado, porém, como ensina o Talmud, “o remédio para o mal sempre precede o próprio mal”. A esperança renasce no horizonte quando D’us concentra Seu amor sobre um homem, Noé, e sua família. É a partir deles que o Todo Poderoso decide reconstruir o futuro de Seu mundo. Mas quem era Noé? Sua história, relatada no livro Gênese, da Torá, serve como prova explícita de que um único homem justo e bondoso pode salvar toda a humanidade.




FONTES:

https://unitedwithisrael.org/watch-scientists-say-they-may-have-finally-found-noahs-ark/

https://www.clickideia.com.br/portal/conteudos/c/64/28260

https://www.morasha.com.br/curiosidades/no-dia-17-de-sivan-a-arca-de-noach-noe-parou-sobre-o-pico-do-monte-ararat-isto-ocorreu-sete-meses.html

https://www.morasha.com.br/profetas-e-sabios/noe-o-pai-da-humanidade.html


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Iachad (juntos - יחד) - Chaverim e a Revolução pela Amizade e pela Convivência



Imagine um chaveiro...

Sabe? Daqueles que a gente carrega e às vezes perde?

Cada chave com um desenho diferente, cada uma abrindo uma porta do mundo e, às vezes, do coração...

O Chaverim, para mim, sempre foi isso... De certa forma, um chaveiro de gente. Um chaveiro da gente! Gente que abre... Que destranca... Gente que constrói pertencimento!

Quando eu tomei conhecimento dele, ali, naquela primeira vez... Eu achava que ia ser só uma palestra... Mais uma! Era só mais um convite... Bem... Essa “palestra” em que eu mais escuto que falo, já dura mais de década!

Cheguei lá meio à toa. Ganhei uma família. Várias! Eu tava lá, assistindo a um laboratório de amizade, acolhimento e humanidade.

É uma revolução pela convivência. Pela amizade!

Sim... Em hebraico, “Chaverim” significa “amigos”. Mas O Chaverim significa muito mais... É o canto pela união daquilo que o mundo insiste em separar!

É curioso como, para enfrentar o antissemitismo, muita gente pensa que basta ensinar história, denunciar o ódio, explicar contextos. Sempre tive minhas dúvidas... Não me entenda mal, por favor! Claro que isso é necessário! É que não basta...

O antissemitismo — como todo preconceito — se dissolve é na convivência. Odiar de longe é sempre mais fácil; é no encontro que o erro se desmancha.

E é isso que o Chaverim faz, há mais de trinta anos... 30 anos! Não são 30 dias. Não é uma iniciativa de agora. Quando o mundo nem sonhava com pertencer, acolher e conviver, ele já tava lá...

Criando encontros. Laços. Vínculos tão verdadeiros que nenhuma desinformação consegue romper!

Sabe o mais legal? É muito divertido perceber como essa caminhada — tão judaica e tão brasileira — acaba por ressaltar uma obviedade: a gente é muito igual!

Quem tem mãe ou avó mineira sabe do que eu tô falando... Ela sempre manda levar um casaquinho, uma matulinha... Toda vez! Ela fala que a gente precisa comer mais... Sabe uma Yiddish Momme?

Quem já viu mesa grande em Minas, Goiás ou no sertão paulista reconhece de longe aquelas conversas paralelas, aquele falatório... Tá todo mundo em uma estação diferente, mas ninguém perde o fio da meada. E nas reuniões?

E os temperos? A abundância asquenazi convivendo, sem conflito, com o calor dos sabores sefaradis — tudo isso fala ao Brasil profundo.

Até o trânsito...

Acho que por isso o Chaverim seja tão importante no combate ao antissemitismo. Ele aproxima. Ele mostra a Humanidade... Ele destrói a lógica do “outro” e inaugura a lógica do “nós”.

Janusz Korczak dizia que educar é acordar almas adormecidas. E, por muito tempo, nossa sociedade — estruturada num capacitismo quase inconsciente — tentou manter muitas almas dormindo.

O Chaverim é o som do shofar que desperta. Acorda talentos, acorda habilidades, acorda autoestima. E acorda também a sociedade para uma obviedade: a inclusão não é favor; é ética e inovadora!

A gente nunca tenta “consertar” ninguém... Ia ser o cúmulo da arrogância, né? Quem sou eu na fila do pão pra achar que sei consertar alguém (seja lá o que isso signifique...). A gente luta pra remover barreiras.

Ali se constrói pertencimento. Ali se dá as mãos — e quando a gente se dá as mãos, as limitações de uns são sempre complementadas pelas forças de outros.

É por isso que eu digo que o Chaverim é um chaveiro... De pérolas!

Cada pessoa que chega ali é uma chave. E cada chave abre uma pérola escondida, que tá lá dentro da nossa alma, quietinha, só esperando um ambiente de sorriso e acolhimento pra brilhar.

Sabe o som do shofar que desperta as almas?

Esse é o pulo do gato! Pra mim, o Chaverim deveria ser conhecido por toda a sociedade. Deveria ser abraçado por escolas públicas, universidades, empresas, órgãos privados e públicos... Em tempos de ódio, o Chaverim também é um antídoto!

Uma revolução da Amizade!

A comunidade judaica não só está no Brasil. Ela é parte do Brasil! E o Chaverim é a prova disso: judaico, brasileiro e universal, comunitário e acolhedor, identitário e aberto!

No fim das contas, o antissemitismo — assim como qualquer preconceito — não resiste ao encontro. E o Chaverim é encontro puro. Encontro como método. Encontro como cura.

Ali, cada chave abre um peito. Cada peito revela uma pérola. E cada pérola reacende nossa fé na humanidade.

Eu disse uma vez, e repito agora: hoje, sou um pouco o Chaverim.
E o Chaverim é um pouco da minha essência. É impossível passar por lá e sair o mesmo...

Muito obrigado, Chaverim...

Realmente... Pra iluminar o mundo, basta despertar uma alma...

Só uma...

De cada vez!

André Naves, vice-presidente do Chaverim.

 


quarta-feira, 29 de abril de 2026

ACONTECE: A Vida surpreende - Emoções Novas neste 2026

Por Regina P Markus - 30 de abril de 2026


Salus Loch - que maneira maravilhosa de contar uma história da SHOÁ!
A foto é original e acompanhou Hannah Chevalier (82 anos) ao longo de sua vida!

Poucas vezes me lembro de chorar. Chorar de forma silenciosa e copiosa. Lágrimas que escorriam pelo rosto, comemorando a VIDA — Le Chaim. Foi no dia 26 de abril, no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto (MIJH), em São Paulo. Fui convidada por Hannah Chevalier, filha e genro, que são queridos amigos da Sinagoga Hebraica, para a tarde de autógrafos do livro PITZI, a testemunha de pano, escrito por  Salus LochUma charmosa boneca que acompanhou a vida de Hannah, sobrevivente da Shoá, nascida em 1944. Nesses dias que separam a "comemoração" da liberdade da "comemoração" da responsabilidade, e em que há momentos de expectativa em Israel, resolvi compartilhar o porquê de tanta emoção. A vida é o caminho que escolhemos para viver, é a sorte de sermos distinguidas com forças para superar e alegria para criar. Entre no Blogger e leia um "aperitivo" do livro mais fascinante que li nos últimos anos. 

O MIJH é um prédio especial localizado na Rua da Graça 160, no Bom Retiro. Em 1900, era um edifício modesto que recebia imigrantes que desembarcavam no Porto de Santos, subiam de trem até a Estação da Luz, em São Paulo, e encontravam camas para descansar e passar os primeiros dias. Em 1912, foi fundada a primeira sinagoga do Estado de São Paulo, Kehilat Israel.

A imigração judaica estava presente neste edifício, que abrigava a todos. Não era necessário pagar. Com o estabelecimento da comunidade judaica, os que tinham passado os primeiros dias naquele espaço passaram a contribuir com doações de diferentes tipos. E as lembranças pessoais foram se transformando em material histórico de grande importância. Em 2016/2017 é aberta uma exposição permanente sobre a imigração resultante da Shoá. Espaço muito ativo, com cursos para todas as idades e classes sociais, com o propósito de divulgar a comunidade judaica a todos, inclusive a judeus.

A sessão começa com as boas-vindas da Coordenadora Educacional do MIJH, Ilana, com palavras que introduzem o autor, o livro e a Hannah Chevalier. Evitando o spoiler, comenta que foi o MIHJ que abriu espaço para Hannah contar sua história e inspirar grupos de crianças, jovens e adultos a viverem sem barreiras, mantendo a sua identidade.

Busco na internet informações sobre Saulus Loch que registram o que foi narrado. É um jornalista gaúcho não judeu, escritor, advogado e pesquisador brasileiro reconhecido mundialmente por seu trabalho na cobertura e no estudo da memória da Shoá. Percorreu o mundo ocidental e oriental em busca de fatos que confirmassem histórias do Holocausto e, mais ainda, iniciou a escrita de livros que contam, em forma de romance, a vida de sobreviventes. PITZIL é o segundo.

A seguir, Ilana dá a palavra a Dona Hannah Chevalier. Hoje, aos 82 anos, uma senhora elegante, com voz firme e olhos atentos. Eu a conheço de longa data. Fui ao lançamento do livro a convite de sua filha e já havia ouvido a história em outras ocasiões. Hannah aparecia pouco entre os sobreviventes porque não viveu a Shoá; nasceu ao final da Shoá, na Bélgica.

Nasceu em uma prisão e foi levada nas costas de sua mãe, como um embrulho, para enfrentar um pelotão de fuzilamento. Qual a idade? Quando nasceu? Como foi resgatada? Entra no jogo da vida o comandante alemão que pressentiu vida no embrulho nas costas da partizã belga. Ela não conheceu os pais, mas teve a sorte de que conseguiram resgatar seus nomes porque pertenciam ao Maquis. Estes eram grupos de resistência belgas, que operavam de forma isolada, com apenas um homem conhecendo todos os grupos. Desta forma, não havia possibilidade de cruzamento de informações.

E o suspense foi aberto – para que pudéssemos ouvir a voz da boneca de pano, Pitzi, contar, passo a passo, o que “mamãe” viveu. E assim era como Hannah escutava a voz de Pitzi. Ela, muito cedo, tornou-se mãe zelosa da boneca que foi um presente do oficial alemão que a salvou. Sim, é como estão imaginando, este homem acompanhou Hannah por muitos anos em um orfanato no Mosteiro Jesuíta em Charlesroi. Père Joseph Valentier, o comendador do mosteiro, dirigia também um orfanato, criado durante a guerra, para abrigar crianças de todas as origens que foram deixadas sozinhas ou ficaram órfãs por causa do nazismo.

Hannah era especial; foi levada ao mosteiro pela Sra. Ivonne Nèvejean, uma belga cristã que salvou mais de 4.000 crianças e cujo legado hoje está registrado no Yad haShem, em Israel. A forma como o oficial alemão burlou toda a segurança para entregar a bebê salva da lama à senhora Yvone precisa ser ouvida, lida e sentida através das palavras da boneca Pitzi. 

E os milagres continuam. Vamos manter à disposição dos nossos leitores as chamadas para as próximas falas de Hannah.
Encerro por hoje com a citação que aparece no livro:





Seguimos atentos neste momento de espera em Israel e acompanhando as muitas manifestações de apoio.


1 - ATUALIZAÇÃO DE NOTÍCIAS 🚨🇬🇧 O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou o ataque a faca no bairro de Golders Green, em Londres, afirmando durante um discurso no Parlamento que a onda de esfaqueamentos foi "muito perturbadora". Ele observou: "Há agora uma investigação policial em andamento e acredito que todos precisamos fazer tudo o que pudermos para apoiar essa investigação e estar absolutamente determinados em nossa intenção de combater todos esses crimes, do tipo que temos visto com muita frequência recentemente". De acordo com a BBC, o estado de saúde das duas vítimas judias feridas é descrito como grave.


2 -JERUSALEM POST - 28 de abril de 2026 
As negociações entre os EUA e Israel devem discutir transferências de verbas da ajuda militar para uma parceria conjunta de defesa. Conversas começam em maio.