Marcadores

Mostrando postagens com marcador Parashá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parashá. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de julho de 2026

ACONTECE: AMOR, AMAR, o sentimento que garante a longevidade

ACONTECE: AMOR, AMAR, o sentimento que garante a longevidade



Israel em São Paulo, Posts FB

Por Regina Pekelmann Markus

Esta foi uma semana de LUA CHEIA. Calor, vento, chuvas acontecendo em pleno inverno paulista. No calendário judaico, um calendário lunar, a lua cheia ocorre no dia 15 de cada mês. No sábado seguinte ao dia 15 de Av, sempre coincide com a leitura da parashá ÉKEV (עֵקֶב). No hemisfério norte é verão. Noites quentes que antecedem Rosh HaShaná (Cabeça do Ano), o início do calendário civil judaico. O dia 15 de Av é muito especial porque é o dia do AMOR, o dia da continuidade, o dia em que somar 1+1 com AMOR resulta em 3. E esta matemática especial, que foge à aritmética comum, encontra eco na Torá, entre sábios como Rashi (1040-1105) e Ramban (Nachmanides, 1194-1270), e também na ciência física (Albert Einstein, 1879-1955). Em 2026, presenciamos o funeral e sepultamento do senador republicano americano Lindsey Graham (28 e 29 de julho de 2026), após morte súbita em 11 de julho de 2026 aos 71 anos. E o Estado de Israel segue em direção à longevidade, batendo recordes em esportes, educação e em um padrão de convivência único. 

1+1 = 3 na Torá 

O início da Parashat Ékev descreve um pacto entre HaShem e um ser humano. O esforço humano (1) será abençoado (1) e o resultado será infinito (3). Nesta leitura, escutaremos Moshé relatar o recebimento dos Dez Mandamentos 40 anos depois. As primeiras tábuas foram feitas por HaShem (1); as segundas, uma obra conjunta. O material foi esculpido por Moshé e a escrita foi feita por HaShem. Os sábios chegam à conclusão de que unir o esforço humano ao divino é mais produtivo e nós comprovamos que é mais duradouro. A longevidade deste texto, aliada ao fato de manter uma ligação precisa com os dias de hoje, confere à Torá a dimensão do infinito, da eternidade. 

1+1 = 3 para os Sábios
(fonte: IA - texto RPM)
Rashi (Rabi Schlomo Yitzchaki)
Rashi nasceu em 1040 e faleceu em 1105 em Troyes, na França. Estudou durante a juventude na academias talmúdicas de Worms e Mainz, na Alemanha. Retornou a Troyes para fundar sua própria academia. 
Há muitos comentários de Rashi sobre esta parashá, mas no dia do AMOR, escolho a metáfora do contrato de casamento. As primeiras tábuas foram esculpidas e escritas por HaShem. O povo passivo. União pouco duradoura, sem futuro! Nas segundas tábuas, Moshé suou a camisa e trabalhou de fato, pois, após esculpir, subiu a montanha. A soma dos esforços de cada parceiro, recheada de AMOR, faz com que 1+1 resulte em 3. Notem que cada um colabora com o que sabe e com o que pode. O AMOR é o amálgama que une sem apagar a individualidade.   
Ramban (Rabi Moshe Ben Narrman, Narrmanides)
Ramban nasceu em Girona, na Catalunha, Espanha, 89 anos após a morte de Rashi (1194), e morreu na cidade de Akko (Acre, 1270), após ter ajudado a reconstruir a comunidade judaica de Jerusalém. Um dos trechos mais bonitos é o Kli Yakar - o valor do suor versus o presente. Ao ganhar as primeiras "Tábuas",  o homem não soube dar o devido valor ao presente. Mas, quando ocorre o trabalho conjunto, cria-se o conceito de Teshuvá. Um preparo para o dia de Yom Kipur. Teshuvá: saber olhar para o passado para construir um futuro infinito. A imperfeição é capaz de abrir espaço para o novo, para o imprevisto. 

1+1 = 3 para Albert Einstein

Hoje vou considerar que Albert Einstein dispensa apresentações! Vamos direto ao tema.
O conceito de que o todo é maior que as partes decorre do fato de que elementos básicos podem interagir, gerando um resultado inesperado. Duas partículas têm uma massa. Quando unidas, as partes da massa liberam uma quantidade colossal de energia. 
Einstein usou o mesmo conceito básico de Ékev na chamada "curvatura do espaço-tempo". Dizia que a luz das estrelas atrás do Sol chegaria à Terra mais lentamente quando o Sol estivesse à sua frente. A massa do Sol afetaria a trajetória da Luz. A comprovação deste fato ocorreu em Sobral, no Ceará, durante um eclipse total do Sol em 29 de maio de 1919. Comparando a luz destas estrelas à noite e no momento do eclipse, obtida por meio de fotografias de alta precisão feitas por astrônomos ingleses, comprovou-se que o desvio seguia a equação de Einstein. Há muitos artigos sobre o tema. Deixo alguns links [1, 2].

ESTA SEMANA em 2026

Um fato marcante foi o enterro do senador Lindsey Graham nos Estados Unidos da América. Amigo declarado e atuante de Israel e importante articulador internacional. Em 28 de julho, foi homenageado no Capitólio, antes do serviço fúnebre na Catedral Nacional de Washington. O primeiro-ministro de Israel e o presidente ucraniano viajaram aos Estados Unidos para prestar homenagem. O fato fala mais do que mil palavras.

No dia seguinte, foram feitas as homenagens póstumas no estado da Carolina do Sul, que Graham representou por mais de 20 anos. A última viagem oficial de Graham a Israel ocorreu em fevereiro de 2026. Esteve com o primeiro-ministro e o ministro das Relações Exteriores. Vale lembrar que, de Israel, voou diretamente para os Emirados Árabes Unidos e para a Arábia Saudita.

Incidentes durante o cortejo fúnebre mostram que há grupos organizados que querem eliminar o AMOR do futuro, assim como fizeram no passado recente. Mas, o nascimento de crianças ao redor do mundo, de pais que estiveram reféns e que sofreram meses e anos de tortura a partir de 7 de outubro de 2023, comprova que o AMOR cria o futuro!!!

E a revoada de pássaros no Vale do Hulle, no norte de Israel, mostra que migrações mantendo identidade são verdades da VIDA!







Shabat Shalom😍😍😍💞💞

Regina


  





quinta-feira, 2 de abril de 2026

ACONTECE: Pessach, Passagem Liberdade, Responsabilidade

Regina P. Markus

04 de abril de 2026

O jantar de Pessach é chamado de Seder. Pode ser traduzido como Ceia ou como Ordem. É uma noite que segue um ritual estabelecido há milênios: judeus do mundo inteiro, de todas as raças e cores, sentam-se à mesa e seguem um ritual que se assemelha. Mas não é igual. Existem diferenças entre o que é feito pelos judeus das mais diferentes origens. No entanto, as diferenças são superadas por um fio condutor comum. Podemos aqui lembrar que para ter ordem é necessário definir a desordem e que o ritmo entre as duas fases de um ciclo torna estes opostos parceiros. A vida necessita do alerta e do sono. Em todos os locais o Seder começa com a leitura da Hagadá. O livro que contém uma ordem baseada em perguntas e respostas e na constatação das diferenças entre as pessoas e as histórias. Como dizem, quem conta um conto aumenta um ponto. E a cada ano, em cada família e em cada comunidade há sempre algo especial e diferente, que faz com que lembremos de fatos pontuais que caracterizam o momento. Ao mesmo tempo, participamos da corrente do tempo, que nos dá a certeza de que contar a história da saída do Egito e da formação do povo judeu é o nosso legado para as próximas gerações. As crianças e jovens que estão à mesa se lembram com carinho de cada ano.

O jantar de Pessach também é ritual. E este começa a ser preparado muitos dias antes. O grande toque é a limpeza do “chametz”. A retirada da casa dos alimentos que contêm farinha de trigo e fermento. Isso nos lembra que na saída do Egito não havia farinha de trigo e que a saída tinha que ser tão rápida que não deu tempo de fermentar o pão. Foram levados suprimentos de pão não fermentado, a matzá. 

E como fica o Shabat da semana de Pessach, Shabat Chol ha Moed, isto é, o Shabat que cai nos dias intermediários da festa? Este também é especial e vale lembrar que as leituras da Torá e da Haftará (profetas) saem do seu ritmo e buscam passagens que “falam” com a mensagem de Pessach. São lidos os textos de Êxodo 33:12 – 34:26. Esta passagem aborda os pedidos de Moisés após o episódio do Bezerro de Ouro e a renovação das Tábuas da Lei, mencionando também as três festas de peregrinação. Moisés intempestivamente impede que Adonai destrua o povo. Não foi uma súplica, foi uma chamada à razão. E HaShem volta atrás, criando caminhos para superar o medo e a desconfiança. Na última leitura, chamada Maftir (Números 28:19-25), são enumeradas as oferendas específicas para os dias de Pessach. 

A leitura dos Profetas (Haftará) encaixa sob medida no espírito de Pessach (Ezequiel 37: 1-14). O profeta é levado a um vale com ossos secos e Adonai pergunta se aqueles ossos podem voltar a viver. E diz a profecia que os ossos são cobertos com tendões, carne e pele. Quando a brisa (vento) entra por suas narinas, todo um exército se põe de pé. Em hebraico, Ruach (ch com som de r) é a palavra para vento, sopro e alma. E é neste texto que Adonai explica que os ossos representam os descendentes de Israel, que se sentiam sem esperança, serem acordados e estarem prontos para voltar e lutar por sua terra. Um pequeno território a ser deixado como legado para as futuras gerações.

E este é o espírito de Pessach:

Acordar todos para transmitir um legado importante às gerações futuras.

UMA NAÇÃO ENTRE AS NAÇÕES 

A Deputada Carla Dickson e o Senador Carlos Viana convidam para celebrar, na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 15 de abril, a Frente Parlamentar Brasil-Israel. Esta frente é composta por 212 parlamentares que reconhecem o direito do povo judeu por sua terra ancestral. Nesta semana também seguimos na expectativa dos desdobramentos da Guerra. Os israelenses seguem com a vida sendo perturbada por objetos voadores de diferentes classes. Hezbollah, o grupo que atua no sul do Líbano, está muito ativo e causando vítimas entre israelenses e libaneses. O espírito de resiliência segue e nesta semana ouvir sobre os preparativos para o Seder e para a Páscoa traz esperança.

Desejo um Chag Sameach para todos que estão comemorando e o Legado da Vida para a humanidade.

Regina P Markus 











quinta-feira, 10 de abril de 2025

ACONTECE: SHABAT HA GADOL - 18 meses - E Pessach Chegou


Por Regina P. Markus



Celebrar Pessach - a Festa da Liberdade, a Festa da Hagadah (História), a Festa das Famílias, a Festa das Comidas, a Festa das Reuniões. Em Israel é a chegada da Primavera! Esta data tem um significado importante também na Babilônia e na Europa, no Japão e na Índia. Chega a estação das flores, e é com flores que enfeitamos nossas mesas. Aqui no Brasil, aqui em São Paulo, são muitas as flores tradicionais desta época de outono. 

Seder quer dizer ordem. E Seder é o nome do jantar em que celebramos Pessach. Em família, em comunidade, com amigos. Um jantar ritual. As rezas, as comidas e os muitos detalhes que fazem esta noite tão especial.

MAS - MAS - MAS - este ano carregamos junto uma grande incógnita. Este ano sentimos no coração e alguns dos nossos na pele o que significa perder a liberdade. O que significa estar sob o regime do desconhecido e do medo. 

Chegamos nesta semana ao marco de ANO e MEIO - 18 meses. O dia 7 de outubro de 2023 está no calendário! E, este é o segundo Pessach de muitos reféns ainda nos túneis em Gaza. Cada dia sabemos algo novo e cada dia ficamos mais estarrecidos. E o que vemos entre os judeus é a incerteza trazer a separação. Podemos apontar pessoas, mas não devemos nunca fazer com que estes dedos apontados desqualifiquem o povo. O Povo Judeu que foi libertado do Egito e que chega a Canaã guiado por Moshé. Moshé o gago, o humilde. Moshé o que foi escolhido e o que dialogou com HaShem. E quando lemos a Hagadá, fica muito claro que a história e os rituais trazem Moshé o tempo todo em nossa presença, mas o nome Moshé não é pronunciado!

Nesta semana cheia de simbolismo, este é para mim o mais significativo. Aquele que guia e que orienta. Aquele que faz a diferença por gerações está nos corações e na mente. Não necessariamente nas palavras e nos comentários. 

Por que esta noite é diferente de todas as outras noites? Muitas são as respostas e a resposta tradicional, magnífica está na Hagadah - OLHEM! E aqui distingo algo que é o mais importante deste momento tradicional em todos os Sedarim - POR QUE? Perguntar! Esta é a base do judaísmo. Perguntar e obter diferentes respostas. Respostas que podem ser conflitantes, mas que merecem ser registradas para poderem ser discutidas ao longo dos séculos. Aqui, encontramos outra fonte muito importante, o Talmud, que é uma coletânea impressionante de perguntas e respostas.

Na Hagadah, fica evidente que por trás de Moshé e junto com HaShem fazem parte do Povo de Israel, do Povo Judeu, todos os tipos de pessoas, e todos são chamados de filhos  - o sábio (Chacham), o malvado (Rashá), o ingênuo (Tam) e aquele que não sabe perguntar (She'einó Yodea Lishol). 

Hoje assistimos ao conflito desencadeado pelo Hamas e pelas irmandades mulçumanas que professam um ódio declarado e alastrante ao Povo de Israel, ao Povo Judeu. Digo o conflito entre os judeus. Em Israel e na diáspora. Abrimos os jornais do dia-a-dia e vemos muitos judeus destilando gota a gota ou derrubando aos borborões pseudo fatos, ou fatos engenheirados de forma a difamar os judeus. Pois é, na Hagadá já encontramos este tipo de personalidade, o Rashá, aquele que desdenha da história e das tradições com uma atitude negativa e questionadora. 

Um bom exemplo é dado pela resposta que a ex-refém Liri Albag recebe ao culpar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por 7 de outubro. Não entro no mérito de sua opinião política. Todos têm direito a ter sua opinião e aqui não expresso a minha. Mas a resposta bem define o que vem acontecendo quando a História é Desdenhada. 

🧿 Liri Albag responde aos ataques contra ela:

“Li os comentários, li as ameaças que recebi, os xingamentos. E estou com medo. Não tenho medo dos comentários em si, nem de conhecer as pessoas que escreveram essas coisas para mim. Tenho medo do que nos tornamos”, disse ela. “Desejar que alguém seja preso? Eu não desejaria isso aos meus inimigos. Zombar do meu peso? Isso me lembra os terroristas que riam de mim, que faziam questão de me lembrar que eu era gorda. Me prometer morte e vingança? Deseje isso ao Hamas e aos nossos inimigos, não a mim”. Albag acrescentou: “Sim, todo o establishment de defesa, o Shin Bet, a inteligência militar, todos são culpados. Não se preocupe, eu disse isso diretamente a eles!”. Sobre a responsabilidade do Hamas, ela enfatizou. “É claro que, antes de tudo, o Hamas é o culpado pelo pesadelo que este país está vivendo. Não me esqueço dessa organização terrorista por um momento sequer, e eu, pessoalmente, quero me vingar dela. O Hamas é o inimigo! Não imaginei que receberia tais comentários das pessoas da nação de Israel. E sabe qual é a parte mais difícil? Essa divisão é pior que nossos inimigos. Não é assim que vencemos! Temos guerras mais importantes para lutar, há vidas humanas em jogo”. Fonte: Revista Bras.il a partir de Israel National News


PESSACH - HAGADAH

Contar a mesma história há milênios - e a cada ano introduzir uma modernidade! Há muitas pessoas que acharam necessário reescrever a Hagadah para que ela falasse ao seu tempo. E, a cada ano volto a Hagadot tradicionais, algumas sefaradis, outras ashkenazis, algumas mizrachis e outras etíopes. Apesar das diferentes origens e das separações destas populações ao longo dos milênios, a base da Hagadah é muito semelhante. E aí fica a dica para pesquisarem qual a origem deste livro de contos que singra os tempos.

Ter um passado é poder construir o futuro. E hoje, quando vamos mais uma vez ao cemitério levar para a sua última morada uma amiga de 95 anos que foi quem me trouxe para o nosso grupo há algumas décadas, sinto que todos os movimentos que aconteceram e que ainda vão acontecer servirão de tempero para o magnífico ato de estarmos juntos no Seder de Pessach.

Neste SHABAT ha GADOL - quando lermos a Parashat TSAV -  HaShem COMANDOU - e quando ao encerrarmos o serviço ao invés de separarmos o Sagrado do Profano, separaremos os Sagrado do Sagrado - O Shabat pelo Seder de Pessach!

Encerrando - contaremos os dois tempos que eternizam o Povo Judeu, o Povo de Israel. O tempo recorrente do Shabat - a nossa vida neste planeta Terra - e o tempo Eterno de Pessach - a vida do Povo Judeu ao longo dos milênios.

CHAG SAMEACH - Regina P Markus


FATOS E FITAS



Sebastián Basso, the lead prosecutor in the AMIA bombing case, has requested a national and international arrest warrant against Iranian Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei due to his direct involvement in the bombing of the Jewish community center in Buenos Aires in 1994, according to Argentinian daily Clarín on Wednesday.

In 1994, the Asociación Mutual Israelita Argentina Jewish community center was bombed, killing 85 and wounding 300. Hezbollah is believed to be behind the attack, with Iranian backing and support.

According to Basso, Khamenei “led the decision to carry out a bomb attack in Buenos Aires in July 1994 and issued executive order (fatwa) 39 to carry it out.”





quinta-feira, 24 de outubro de 2024

ACONTECE: A Espiral do Tempo - Iniciando a Leitura da Torah

A Espiral da Tempo - Iniciando a Leitura da Torah


Iniciando um novo ciclo de Leitura da Torah


O ano de 5784 foi um ano inominável para todos, principalmente para os que nasceram a partir do final da década de 1940 em diante. Muito tem sido escrito, comentado e falado. Hoje quero abraçar cada um de vocês e conversar sobre esta semana em que comemoramos Sucot, encerramos e iniciamos a leitura da Torah. Continuamos nos dias de Sucot a manter os canais abertos para que as sentenças possam ser seladas.

Ao longo dos milênios foram muitos os rituais e as datas com significado maior, que ganham outra perspectiva em 5785. 

A última parashá da Torah - "Ve zot ha Brachá"  começa com a seguinte frase: "E esta é a benção com que Moshé, homem de Elochim, proferiu antes de sua morte". A leitura continua e no último versículo é descrita a morte de Moshé aos 120 anos. "Estava Moshé na planície de Moab e foi convidado a subir o Monte Nebó e lá morreu". "O Eterno sepultou Moshé lá mesmo, e segundo a Torah, o local da sepultura de Moshé não é conhecido até os dias de hoje". 

Nesta última frase o fato de O Eterno enterrar Moshé está no passado, e o fato de o local ter permanecido desconhecido por todos os milênios está no presente. Este jogo de concordâncias verbais permite unir fatos que ocorreram há milênios ao presente. A corrente do tempo, que se repete e sobe em espiral. Mas onde está o futuro?  

Em outra passagem,  está descrito que ao subir no pico de Pisgá, localizado no monte de Nebó, Moshé avista a Terra Prometida. Hoje podemos ver o pico de Pisgá que fica diante da cidade de Jericó. A Terra Prometida; o sonho dos patriarcas sendo revelado.

O sonho dos patriarcas que seria conquistado, naquele tempo longínquo por Josué. E em diferentes partes da Torah e Talmud encontramos as delimitações da Terra de Israel ao longo dos séculos passados. Dos tempos que vão de Moshé até os Romanos. E hoje, nos vemos novamente conquistando a Terra de Israel. Nós à distância, colaborando de várias maneiras e nossos amigos, filhos, netos e bisnetos lutando para que a única pátria judaica continue a existir e produzir frutos fantásticos. Usei o português tradicional, porque estar incluída e fazer a diferença é o mais importante. E Israel moderno é o exemplo de que isto vem acontecendo em todos os cantos!

Voltando às festividades da semana encontramos Shemini Atzeret, quando é rezado um Izkor (lembrança dos que se foram) por todas as comunidades. Este ano ganha aspectos muito especiais. Muito diferente do que foi em 5784. Este ano 5785 temos que parar e lembrar de todos os que conhecemos, dos que foram importantes para elevar o mundo, mas também daqueles que a exemplo do que ocorreu na época de Josué deram o que tinham de mais precioso para garantir o futuro.

Dançar, Alegrar é o que segue após chorar. Assim, em Simchat Torá iniciamos novamente a leitura da Torá, em Bereishit (Genesis) é lido: "Breishit Bará Elochim et ha Shamaim ve et ha Aretz". No começo, Elochim criou os Céus e a Terra. E segue e contando que a Terra era algo muito confuso, será algo relacionado com o BigBang? E a escuridão cercava tudo. E assim começa a primeira descrição da criação do mundo. Em seguida o mundo clareou, a Terra foi iluminada. Para podermos entender o passar do tempo, a luz era seguida do escuro e assim sucessivamente. Foi criada a noção do tempo. 

Exemplo de mães que dançam e rezam pelo filhos e filhas que estão lutando

E, ao longo da história muitos pontos de interrupção foram adicionados. Na história dos judeus foram períodos de sofrimento e períodos de alegria. Períodos de olhar para o pessoal e a comunidade e períodos em que eram feitas novas descobertas e a introdução de hábitos importantes que permitiram singrar os milênios.

Os momentos de tristeza têm que dar espaço para os momentos de júbilo. Muitas vezes é quase impossível se alegrar, sair do sofrimento que abala as mais importantes convicções, e é neste contexto que olhar os momentos em que se deve dançar e alegrar, é como procurar o sonho onde ele parece ter sido extinto.

Este ano, levando os nossos pensamentos para Israel, ou para o forte antissemitismo encontrado no mundo ocidental, o mundo em que vivemos, há a necessidade de segurar a mão do outro e dançar. E desta necessidade virão encontros que possam permitir que cheguemos ao amanhã.

Nestas últimas semanas, Israel de uma forma inesperada eliminou a maioria dos líderes dos movimentos que dispararam o processo de 7 de outubro (Simchat Torá) e o ataque às cidades do Norte (dia 8 de outubro). 

Há mais de 90 mil deslocados dentro de Israel. Pessoas que perderam os lares, famílias e, muito mais. Uma alta percentagem da população jovem e de meia idade está servindo ativamente as Forças Armadas de Israel. Uma alta porcentagem de voluntários está auxiliando o exército, e um contingente difícil de quantificar está substituindo os que servem o exército. Reféns e mortos... 

Após um ano surgem informações sobre traidores e espiões. A imprensa interessada em desacreditar o Estado de Israel amplia estas informações e negligencia, ou metamorfoseia, as demais. Aqui no Brasil presenciamos uma imprensa que vem denegrindo de forma importante, mas que em determinadas ocasiões abre espaço para judeus brasileiros com visibilidade para analisarem os processos. Todos estes movimentos ao redor do mundo para difamar judeus, judaísmo e Israel requerem um financiamento. Recentemente, foi mostrado que os movimentos internacionais são financiados pelos próprios grupos que atacam diariamente Israel há anos, fizeram as invasões de 7 de outubro a partir da Faixa de Gaza e de 8 de outubro a partir do Sul do Líbano.  Assista o video abaixo no Instagram. E entendam porque o mundo recusa dar a Israel o direito de reagir e mesmo de existir.

https://www.instagram.com/reel/DBcM2b3JYA-/?igsh=MTNuM2o3MjN0dDFwcQ==


Uma semana é muito tempo, nestes momentos em que o presente é fluído. O que estará acontecendo quando estivermos lendo este texto, quais as informações que cada um receberá? São perguntas que não querem calar! 

Há uma consciência de que a responsabilidade pelos destinos do mundo está novamente focada em Israel. E nestes momentos, há uma consciência dos crentes e dos que não creem que toda a ajuda que se possa receber depende de decisões corretas dos homens e mulheres envolvidos. Do cuidar e do acalentar, assim como da capacidade de reagir sem ódio. 

E foram muitos os que disseram que para reagir sem ódio é preciso saber DANÇAR! A dois e em grupo!!!! E eu termino admirando a forma como o Talmud encontrou para que a cada ano pudéssemos estar no Izkor de Shmini Atzeret e em seguida DANÇANDO! Rodopiando com a Torah.

Assim cresce e floresce a ÁRVORE da VIDA - 

Chag Sameach

Regina P Markus









quinta-feira, 4 de abril de 2024

Acontece: Oitavo Dia - Iom Shemini

IOM SHEMINI - The Day After


Vivemos tempos em que a esperança muitas vezes é confundida com um desejo quase impossível. 

Vivemos tempos em que a realidade beira à ficção. Filme de terror e filme de suspense com algumas pitadas de amor e compaixão e uma dose dupla de falsas notícias.

"SHEMINI" é o nome da Parashá desta semana. Faz parte do Livro de Êxodus (Shemot).  Neste texto está descrito o que D'us disse a Moisés no "Oitavo Dia". Por que "oitavo dia", se a semana tem sete dias e o último é o Shabat? O "oitavo dia" é o primeiro dia da semana, mas como estes versículos narram episódios de grande impacto, muitos sábios interpretam o não encerramento do ciclo semanal, como um alerta. Muitas vezes os fatos recém vivídos são tão marcantes que é preciso iniciar um ciclo maior. Um ciclo que possa superar um cataclisma. COMO SOA ADEQUADO PARA OS DIAS DE HOJE... Confira!


ATÉ QUANDO?

Durante 180 dias o mundo segue a Guerra em Israel. Estamos mais acostumados a ler a Guerra em Gaza, onde está acontecendo o conflito. O foco principal é em Gaza, porque de lá partiram os ataques de 7 de outubro que feriram de modo indelével o Estado de Israel e também o Povo Judeu. Mas o palco de guerra estende-se para outras fronteiras e também acontece dentro do Estado de Israel que vem sendo submetido diariamente a atentados terroristas e ataque com mísseis e drones. Parece lugar comum dizer que em Israel a preocupação maior é proteger cada cidadão e que em Gaza a população civil é usada como escudo. A população civil e os reféns sequestrados há 180 dias. Quantos que ainda estão vivos? O que estão passando? Os relatos verbais e as marcas corporais dos reféns libertados não deixa margem a dúvida. São condições inomináveis.

Com o passar dos meses vem sendo divulgado que árabes israelenses que moravam na região e não israelenses que vieram para o festival de música, NOVA, também são reféns. Pensando no Shemini - no dia que ao invés de ser apenas o primeiro dia da semana torna-se uma continuação de um período que precisa de atenção especial para ser superado sem ser esquecido chama atenção um jantar realizado na casa do Presidente de Israel, Isaac Herzokg.


IFTAR oferecido pelo Presidente Itzrak Herzog

Durante o mês do Ramadã nenhuma comida ou bebida é consumida pelos mulçumanos entre o nascer e o pôr do sol. O jantar que inicia a noite é chamado de Iftar. Um jantar ritual em que o jejum é quebrado com tâmaras. Entre os convidados estavam familiares dos enlutados e dos reféns que pertencem à comunidade árabe, representantes do Forum das Vítimas na comunidade árabe e embaixadores da União Árabe Unida, Uzbetistão, Kasakistão e Estados Unidos. 

Ao mesmo tempo, a população de Gaza vem sofrendo a consequência da Guerra. As Forças de Defesa de Israel têm por princípio avisar quando será feito um ataque. É dado um prazo para evacuação, mas após 180 dias está evidente a cidade subterrânea de túneis onde estão as forças do Hamas, incluindo locais para produzir armas, salas de comunicação e vigilância sofisticadas, armazenamento de medicamentos, víveres e armas. Até locais para disparos de dispositivos aéreos têm sido encontrados no subsolo. 

Nestas últimas duas semanas, a ocupação do Hospital Shifa ao norte da Faixa de Gaza seguiu inicialmente o protocolo de evitar a surpresa. Nos últimos dias este protocolo foi abandonado e o resultado foi:

  1. evacuaram 6000 civis para áreas seguras. 
  2. 200 terroristas do Hamas foram mortos e 500 capturados
  3. Nenhum civil foi morto! 

Os capturados foram levados para Israel e interrogados. Fica evidente que há uma estratégia montada para que o desejo expresso do Hamas de eliminar os judeus de sua terra ancestral e, se possível de todo o planeta venha ser cumprido. Documentos encontrados no dia 30 de março revelados pelo porta-voz da IDF, Avichai Andraee, mostram o número importante de mortes na Faixa de Gaza causada pelo Hamas. São duas formas, o uso de escudos humanos e a falha no lançamento de drones e foguetes que acabam explodindo antes de sair da Faixa de Gaza. O relatório é extenso e revela interação entre grupos islâmicos, religiosos ou não. Para mais informações clique aqui.

Erros acontecem dos dois lados. Esta semana foi atingido um carro da World Central Kitchens que fornece alimento para os habitantes de GAZA. Escândalo montado, Israel acusado em diferentes instâncias. Mas, mantendo a "cultura" das Forças de Defesa de Israel, veio a público assumir a responsabilidade. Uso o termo "cultura" porque seus traços definem atitudes em momentos imprevistos.

 


Há mais para descrever nestes dias em que Shemini - o oitavo dia - vem a definir ações que devem ultrapassar o passado, permitir seguir em frente, sem apagá-lo. E é claro que sem repercutir falsas verdades!

Estas podem ocorrer de forma consciente, como vem sendo obervados no mundo inteiro, quando, seguindo falsas verdades massas humanas saem à rua para mostrar sua herança antissemita. Os protestos não ficaram apenas restritos a atos contra o Estado de Israel, ou os que pediam a eliminação de Tel Aviv. Invadiram a Catedral de Saint Patrick durante a Missa Pascal (3 de abril de 2024). Nesse contexto voltou a circular um discurso feito pelo Prefeito de Nova York, Eric Adams a respeito do 7 de outubro.

E muito mais vem acontecendo. Hoje de manhã, quinta-feira dia 4 de abril, há uma enorme ameaça sobre Israel, e um alerta especial. Pouco é trazido pelos jornais que circulam no Brasil. Enfim, aqui a desinformação é criada! Hoje tive a surpresa de uma funcionária comentar que não tinha idéia que a população de Gaza era maior que de Israel. Moça simples, mas muito inteligente e que tem uma memória própria dos que anotam pouco. Eu olhei para o papo matinal, sem saber o que responder. E ela disse que em Gaza moravam mais de 12 milhões de pessoas e que sabia que em Israel era entre 7 e 9 milhões. Uma conversa trivial... Sei de onde vem a informação sobre Israel, afinal estando conosco há mais de 20 anos é um pouco avó de meus netos. Mas e a outra informação? Bem, podemos ver que quando um líder político fala, suas palavras são escutadas e elaboradas. E assim, voltamos ao tema das "Fake News". 

Ao inaugurar o Tabernáculo no Deserto, onde seria o lar móvel para os Dez Madamentos e a Tora muitas eventos acontecem. Muitas regras sobre como proceder e o que fazer. Oitavo Dia, é uma forma de dizer que tantos detalhes e regras têm que ser conhecidos. Nos detalhes dos fatos e também nas sutilezas do espírito. Na rigidez dos dados e também na fluidez da cultura. O que observamos a olho nú é diferente do que observamos com uma lupa, microscópio ótico, microscópio eletrônico, microscópio confocal, quântico e quantos outros surgirem para aumentarmos nossa capacidade de detalhar. Mas, se não tivermos a perspectiva do todo e se não tivermos a flexibilidade de integrar os novos fatos e conhecimentos tudo estará perdido.

Assim, esta é a semana ou o período em que vamos considerar o Iom Rishon (domingo) não o primeiro dia de uma semana, mas o oitavo dia de uma semana que precisa ser muito bem analisada e criar novos rumos.

Shabat Shalom e Shavua Tov

Regina P. Markus








quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Acontece: Ser ou Estar?/ Pertencer & Possuir / Doar & Construir

Ser ou Estar? Pertencer & Possuir -> DOAR -> CONSTRUIR


Parashá Exodus 25: 1-16


Os muitos acontecimentos da semana em Israel e no Mundo parecem querer revelar algo mais. Mantendo os pés no solo vimos a libertação de 2 reféns - Fernando Simon Marman (60) e Louis Har (70). Também presenciamos o desprezo do mundo pelo fato e o apreço dos dirigentes brasileiros pelos que criaram uma máquina de guerra altamente sofisticada. Se o antissemitismo aflora de forma jamais vista, contra Israel, judeus e sua História, também muitos foram os apoios recebidos. De artistas e atores, políticos e dirigentes de nações de pessoas simples e lideranças. Ser judeu, estar com os judeus! Pertencer a uma comunidade pluralista que preza pela singularidade, preza o que cada um possui de especial. Como tudo o que ACONTECE soma de forma perfeita com a Parashá da Semana - TERUMÁ - DOAR! Uma das cinco porções da Torá em que é relatado com minúcias a construição de um Tabernáculo e de uma Arca que abrigará temporariamente as Os Dez Comandos - ou Dez Dizeres - recebidos no Monte Sinai! E, o nome desta parashá é doar... doando para que se pudesse construir algo temporário no espaço físico, mas que deveria ser trazido no coração e na mente do Povo Judeu por todos os tempos!

Esta foi uma semana em que "o dia seguinte" assume muitas facetas. Ações de antissemitismo seguem acontecendo em todo o mundo. Uma onda de ódio e desprezo aos judeus avança nos meios de comunicação. Do outro lado, as comunidades judaicas ao redor do mundo passam a atuar de forma pró-ativa tanto no combate ao antissemitismo como aos ataques irracionais ao Estado de Israel. 

Um resgate espetacular trouxe de volta dois moradores de Nir Itzhak, Fernando Simon Marman (60) e Louis Har (70), levados como reféns no dia 7 de outubro após 129 dias de cativeiro. Em menos de 2 minutos os reféns foram localizados e colocados em um helicóptero rumo ao hospital Sheba Tel Hashomer. Esta foi uma operação planejada e realizada de forma integrada pelo Shin Bet (serviço secreto que opera dentro de Israel) e unidades de elite do Exército de Defesa de Israel. Os reféns estavam no segundo andar de um edifício, a porta do edifício teve que ser arrombada e houve muita troca de tiros. Um grupo pequeno, em silêncio, entrou no apartamento onde estavam os reféns e em menos de dois minutos carregou os dois homens para um helicóptero. Chegando no Hospital Sheba, Tel Hashomer, encontraram a família, inclusive alguns presentes tinham sido libertados semanas antes. Estes homens têm doenças crônicas e necessitavam de remédios. Os remédios cruzaram a fronteira, mas nunca foram entregues. Como curiosidade, vale lembrar que apenas fiquei sabendo que os dois eram argentinos pelas manchetes dos jornais brasileiros.








No dia seguinte, o Hezbollah atacou um complexo militar na cidade de Tzfat (Safed). Lá está o centro da Cabalá atual e é uma cidade com muitas sinagogas, resorts e vistas maravilhosas. Uma garota de 20 anos, que servia o exército de Israel, foi morta. Houve feridos e muita destruição. Os equipamentos que realizaram a operação são de alto nível de tecnologia e o Hezbollah é a organização terrorista ligada ao Irã, localizada no Líbano. 

Hoje, foi informado que foram localizados corpos de reféns. E assim, voltamos nossas mentes para os que ainda estão vivendo em condições subhumanas em Gaza. Muitos podem perguntar: e os mulçumanos habitantes de Gaza, como estarão? Não dividirei em civil e militar, porque no nosso inconsciente coletivo os militares são aqueles que buscam a morte e os civis são os que não tem como defender-se. Neste mundo cruel, vemos o Presidente Lula falando no Egito sobre a população que habita Gaza. Falando para os que não querem acolher esta população de forma alguma. E... nenhuma menção ao refém que também tem nacionalidade brasileira! Apesar dos vários pedidos feitos pela família... o vazio.

O deserto do Sinai (onde não está localizado o Har Sinai) não pode ser invadido por estes refugiados eternos. Mas, é importante lembrar SER & ESTAR - os dirigentes egípcios têm buscado soluções, que ou são propostas irreais porque exigem a liberação de presos que mataram dentro do território de Israel pessoas que estavam em bares, em casamentos, e crianças dentro de ônibus escolares circulando por caminhos seguros. Ah - ontem mesmo na estrada 2 perto de Herzelia, na cidade de Ramat ha Sharon, um árabe-israelense iniciou um atentado com um trator. Ele atacava os carros que passavam. Foi contido, e a polícia levou. 

O OUTRO LADO - os que estão reagindo e mostrando que O Povo de Israel é Um Povo entre os Povos.

Presenciamos um crescer do apoio ao redor do mundo. Como exemplo hoje circulou A declaração do Teatro Soho em Londres após o ocorrido no Show SHTOOM de Paul Currie. 


O anúncio Kraft no Super Bowl (escrevo depois e poderia ser linkado ao site apresentado na NL).

Ou ainda... como o Estado de Israel está ajudando a população de Gaza, que não recebe os alimentos e roupas que cruzam a fronteira e os milhões de dólares encaminhados ao longo de todos estes anos! Hoje sabemos que este dinheiro é revertido em túneis, armas, e equipamento de inteligência, comunicação, etc. É convertido em um arsenal material e humano que temo o objetivo de tirar o Estado de Israel do mapa, e dizer que nossa cultura e civilização foram erros de percurso!

VAMOS APRENDER COM A PARASHÁ DA SEMANA

Parasha Terumá:  Exodus 25: 1-16

1: E disse HaShem a Moisés

בדַּבֵּר֙ אֶל־בְּנֵ֣י יִשְׂרָאֵ֔ל וְיִקְחוּ־לִ֖י תְּרוּמָ֑ה מֵאֵ֤ת כָּל־אִישׁ֙ אֲשֶׁ֣ר יִדְּבֶ֣נּוּ לִבּ֔וֹ תִּקְח֖וּ אֶת־תְּרֽוּמָתִֽי:

2: Fale aos Filhos de Israel que separem DOAÇÕES para MIM; de todos os homens que estiverem atuando com o coração, aceitarás a  DOAÇÃO que estiverem fazendo para MIM.
3: E esta é a oferenda que tomareis deles: ouro, prata e cobre; 
4: tecidos de lã azul-celeste, púrpura, carmesin, linho e pêlo de cabra, couros de carneiros tingidos de vermelho; 
5: couros de Táchash e madeira de acácia; 
6: azeite para iluminação, especiarias para azeite de unção e para incenso; 
7: pedras de ônix e pedras para incrustar o efod e o peitoral.
                                    חוְעָ֥שׂוּ לִ֖י מִקְדָּ֑שׁ וְשָֽׁכַנְתִּ֖י בְּתוֹכָֽם:
8: E construirão UM SANTUÁRIO e Morarei entre eles. 


Este é o início da primeira das cinco parashiot que falam sobre o tabernáculo. São cinco semanas que nas sinagogas são lidas as instruções de como a tenda  móvel (Tabernáculo) que abrigará durante os 40 anos do deserto as tábuas que contém os DEZ COMANDOS - ou DIZERES.  Uma pergunta feita por vários rabinos e que sempre me encantou é por que descrever com tanta minúcia a construção de algo que terá vida efêmera. 

PAREM e REFLITAM!

Como posso considerar efêmera uma construção que é lembrada até hoje? Qual o segredo de perpetrar o conhecimento além da construção física? O que é mais conhecido no mundo: 1 - o porquê a piramides do Egito foram construídas e o que significava cada aposento? ou 2- o conteúdo da Arca Sagrada e o que significa a Torah, Tanach, Talmud e todas as contribuições do Povo Judeu intra e extra muros?
A resposta que mais gosto é que todas as descrições visam instruir os artistas e construtores, os usuários, sejam eles sacerdotes ou povo. Portanto, os que construíram e os que usarão são mais importantes que todas as joias.... e objetos caros.

E aqui chegamos ao conceito de doação - TERUMÁ - No versículo 2 está dito com todas as letras que é para Moisés aceitar apenas as doações que vêm do íntimo do ser, do Lev, do coração. Seguem então uma lista do que seria para receber como doação. Tanto o rico quanto o pobre encontram o que é preciso doar. E, portanto, uma distinção que é base em muitas civilizações é eliminada pela raiz. Ah - falando em raiz - olho para a doação de madeira de acácia. Por que tão específico? E para que será usada a madeira? A madeira é algo vivo, e será usada para construir a Arca Sagrada. Os pergaminhos precisam respirar, e precisam cheirar muito bem. HaShem sempre lembra que temos cinco sentidos e odores e perfumes são um componente importante para a comunicação entre os homens, animais, plantas. A natureza se comunica de forma perfumada. A Acácia é perfumada e exala por anos um óleo essencial que também tem propriedades  antimicrobianas. Uma leitura atenta dos versículos é uma fonte importante de conhecimento científico.

O último versículo que fecha com chave de ouro este primeiro contato com a construção do tabernáculo é que HaShem morará entre os construtores do tabernáculo! São tão importantes os que doam e os que trabalham. A construção é apenas um veículo para que os construtores, doadores e dirigentes possam criar o clima e a cultura necessária para sobreviver e transmitir seus conhecimentos, falhas e acertos de geração em geração.

É essa certeza que mostra que AM ISRAEL CHAI VEKAIAM.

Regina P Markus

 




quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Acontece: Um Povo Entre os Povos - Cultura X Ideologias

Um Povo Entre os Povos - Cultura X Ideologias




Estamos a 11 semanas do dia 7 de outubro de 2023. O dia em que Israel foi invadido e que moradores dos arredores da Faixa de Gaza foram assassinados, torturados e sequestrados. Dia que foi um chamamento para a guerra. E, bastaram dois ou três dias, mas certamente 10 dias após o início governos do mundo e a ONU se voltam contra o Estado de Israel e emerge uma reação antissemita que não estava no radar da maioria das pessoas. Hoje vamos acontecer como POVO, como Povo Entre os Povos que tem desde seu estabelecimento uma missão. Esta pode ser traduzida e interpretada de mil maneiras. Hoje vamos conversar sobre como sobrevivem CULTURAS, apesar de IDEOLOGIAS esterelizantes.

Dois meses e meio de um conflito que traz surpresas e confirma suspeitas. O Hamas ter a capacidade de invadir Israel com a eficiência e crueldade constatadas estava além da imaginação de muitos. As reações heróicas do dia de civis e militares que chegaram ao local continuam nos surpreendendo a cada dia. Os depoimentos dos que estavam nos kibutzim, nas cidades, vilarejos e na grande festa que acontecia no Deserto do Neguev são impressionantes. Vejam o que aconteceu com a cidade de Sderot, que tinha 35.000 habitantes. Judeus, árabes, beduínos e também muitos estrangeiros que vieram para a grande festa. Muita música, comida e alegria. O mundo noticiou de forma parcial e Israel ficou estarrecido. Este dia presenciei "in loco" a surpresa, a falta de notícias... 

Ainda no dia anterior o país estava dividido, ou melhor, rachado. Dividido por motivos políticos / ideológicos, o país voltou para suas origens culturais. Toda a população se mobilizou como uma grande família. Toda a população incluindo judeus, mulçumanos, cristãos, laicos e as várias minorias. Os reservistas apresentaram-se e os demais assumiram como voluntários diferentes papéis. Há vários exemplos de ajuda a desabrigados e pessoas deslocadas. O mundo mal percebeu como estes foram tratados não apenas com dignidade, mas com amor, com fraternidade, com mimos. Hoje não vou tratar de números, mas é importante lembrar que a maioria dos habitantes das cidades, vilarejos e kibutzim atingidos pelo terrorismo foram evacuados, ao menos temporariamente. A zona atingida é a grande produtora agrícola de Israel. Lá nasceu o tomate cereja, que correu o mundo. A vida flui em meio ao caos. 

O tema "cultura e ideologia" pode ser tratado por vários ângulos. A cultura se forma ao longo dos anos e de gerações que transmitem de pais para filhos conhecimentos e hábitos de vida. A ideologia é baseada em ideias ditas revolucionários, inclusivas, distributivas, e que visam tirar de uns para dar para outros. Seguindo o princípio que aquele que é privado de suas conquistas vive às custas dos demais. 

A cultura judaica, desde seus primórdios, tem sido baseada na contagem das gerações e no estabelecimento de hábitos que vão sendo transmitidos ao longo de gerações. Esta semana a porção da Torá chama-se Vaigash (ויגש) (Aproximou-se). É a última das Parashiot que contam a história de José. Nas anteriores foi contado como José, filho de Raquel e Jacob (Israel) nasceu, foi vendido pelos irmãos para ser servo no Egito, chega à casa de Potifar, é preso, interpreta sonhos na prisão e é chamado pelo Faraó para interpretar o sonho das 7 vacas magras e das 7 vacas gordas, seguido pelas 7 espigas de trigo maravilhosas e das 7 que não mais serviam para alimentação. Ao interpretar os sonhos e dar uma solução de estadista ao problema que iria chegar, torna-se o segundo homem do Egito, abaixo apenas do Faraó. Chegamos então à parashá desta semana. Vaigash - Aproximou-se.

A palavra solta tem um tom conciliador. Aproximar é uma forma de partilhar, unir... será? A frase mostra algo completamente diferente. No final da última parashá, Benjamin, o irmão mais novo de José e o segundo filho de Raquel, o filho caçula de Jacob, é preso e todos os irmãos estão em frente ao Vice-Rei do Egito. Judá se aproxima e diz que ele quer ficar preso e ser punido no lugar de seu irmão. Após idas e vindas e contando o que passaria com Jacob - um pai idoso - se o filho predileto não voltasse, o único filho de Raquel, pois o irmão mais velho estava morto, José decide se revelar aos irmãos. Jacob é trazido para o Egito, com todo o seu gado e seu povo e, encurtando muito, chegamos ao final quando são compradas as terras de Goshen onde se instala o clã de Jacob. Este é um texto muito longo e contém a descrição de todos os descendentes dos filhos de Jacob. É nesta cadeia de gerações que são vislumbradas gerações futuras.

Fazer parte de uma grande família que passa da condição de estar ligado ao Vice-Rei do Egito para alguns séculos depois virar uma população escrava é parte da história judaica ao longo dos milênios e em todos os confins da Terra.

Chegando aos dias de hoje o Povo Judeu continua sendo diverso e continua sendo um povo entre os povos. Se na diáspora é sempre minoria, em Israel constatamos que há cidadãos israelenses de todas as matizes e que estes estão integrados à sociedade em geral. Mantém seus hábitos e costumes, não sendo obrigados e nem mesmo tentados a integrar o Povo Judeu. A cultura de ser um Povo entre os Povos permite que seja gerada uma convivência que não rouba a identidade dos diferentes. Frente às atrocidades que vêm sendo cometidas pelo Hamas, aos mísseis diários que são detonados de Gaza, do Líbano e de alguns outros pontos vizinhos, encontramos uma população com grande resiliência. Uma população que estava dividida pela política e se juntou na adversidade. Uma população dividida entre reservistas e voluntários. Voluntários que cobrem os trabalhos dos que estão no exército. Uma voz corrente - a adversidade fortalece! Isto faz parte da cultura. 

No dia 20/12 a mãe de um dos 3 reféns, mortos por soldados israelenses ao confundirem com pessoas do Hamas, escreveu uma mensagem emocionante aos soldados: 

"Queria que soubessem que amo vocês, e abraço a cada um à distância. Sei que o acontecido não foi por culpa de vocês, mas sim do Hamas. Quero que lembrem que estão fazendo a coisa certa, aquilo que nós, Povo de Israel, precisamos. Vocês têm que proteger-se. Esta é a única forma com que podem nos proteger. Nós não estamos julgando e não estamos bravos, assim que tiverem chance são muito bem vindos à nossa casa. É muito difícil falar isso, mas vocês fizeram aquilo que era certo no momento."


SIM - uma mãe em Israel, é mãe do seu filho e de todos os outros. Este sentimento de pertencimento é único e dá a força necessária para resistir às adversidades. 

O antissemitismo atinge o mundo de forma não prevista. Sempre sabemos que existe um antissemitismo de base, mas agora... Sim, todos têm visto, até na mídia nacional e no Brasil. Na França, este aumento foi exponencial e a resposta foi um aumento significativo da imigração para Israel a partir de outubro de 2023.


StandWithUs Brasil


Olhando pelo lado da ideologia, surgem mitos transformados em verdades e que voltam a ser mitos e que hoje criam a base para condenar Israel. Esta é uma esteira cheia de mercadorias, mas, como toda mercadoria que exala um odor desagradável, o melhor é não publicizar! Assim, vamos deixar de trazer fatos e boatos. Apenas deixar registrado que o número dos que se intitulam palestinos aumentou exponencialmente desde 1967. Oops, por que 1967? 

Durante o Mandato Britânico da Palestina, que se encerrou em 1948 com a criação do Estado de Israel, todos os habitantes da área eram palestinos. Os judeus que nasceram até aquela data tinha certidão de nascimento e passaporte palestinos. Entre 1948 e 1967 os territórios que hoje são considerados palestinos eram parte integrante do Egito e da Jordânia. No ano de 1964, Iasser Arafat em uma reunião na Cidade Antiga de Jerusalém, que ainda era parte da Jordânia, cria a Organização de Liberação da Palestina. Segundo a Wikepédia o estatuto original da OLP, promulgado em 28 de maior de 1964 declara que:"A Palestina com as fronteiras que existiam no tempo do Mandato Britânico é uma unidade regional integral e o objetivo da organização é proibir a existência e a atividade do sionismo." 

Início de um mito!

O Estado de Israel já era uma realidade política desde 1948, e esta realidade política é a continuação do Estado de Israel que foi varrido do mapa pelos romanos - no ano 70. O Povo Judeu disperso continuou tendo a sua vista voltada para Jerusalém! 

O que acontecerá após esta guerra acabar? Esta é um equação complexa com muitas incógnitas. Esperamos recuperar os entendimentos que levaram aos Acordos de Abraão e que vinham integrando Israel com os países árabes. Vamos voltar a cantar A ESPERANÇA juntos. 

Apenas uma das constantes da equação já pode ser adiantada. O Povo Judeu segue pelos próximos milênios.

Am Israel Chai

Regina P. Markus


quinta-feira, 26 de outubro de 2023

O Leão e o cordeiro - parashá Noé.

Noé. Noach.

Conto a história e deixo perguntas. A Parashá tem praticamente 2 partes. 

Na primeira conta que Deus, desaprovando a corrupção da humanidade que criou, decide destruí-lá ou, mais acuradamente, trocá-la. Procura Noé que, aos olhos de Deus, é o único homem justo e íntegro e lhe comanda que construa uma arca, dá as medidas e tudo, e nela embarca sua família inteira e lhe diz que virão até ele pares de todos os animais da terra e do céu, todos os seres “que têm sangue vivo”.  E então faz chover por sete meses ininterruptos até que toda a superfície fica submersa e tudo que habitava a terra, e todos e tudo “em cujas narinas tem sopro de vida”, morre. 

Então, diz a Torá, que num certo dia Ele "Se lembrou de Noé e das espécies que estavam na arca e faz as águas baixarem. Noé manda um corvo e depois uma pomba, que vai e vem várias vezes, e quando ela traz no bico uma folha seca, ele se certifica de que é seguro desembarcar. Deus então comanda que desembarquem todas as espécies, inclusive a humana, para repovoar a terra. 

Logo, para celebrar a vida preservada, Noé constrói um altar e oferece em sacrifício um filhote de cada espécie, consumido pelo fogo. Mas Deus se arrepende desta destruição e faz uma aliança com Noé, prometendo que nunca mais a água alagará a terra e matará. Aí segue um extenso relato da genealogia a partir de Noé e seus três filhos, e netos nascidos pós dilúvio. Desta parte da Parashá há muitos comentários, inclusive do magnífico Jonathan Sacks, z’l, de que há uma mensagem importante aí, de que o leão pode conviver em paz com o cordeiro como também consta de uma visão do profeta Isaías. 

E, para a pergunta que vem - mas, como isso seria possível? - vem a resposta: “porque se não, ambos morrerão afogados”. Isso me soa tão atual, me remete à situação da extrema divisão da sociedade israelense, nas ruas há quase um ano e que infelizmente se uniu pela horrível ação do Hamas em 7 de abril, hoje lutarão lado a lado dentro de Gaza todos os jovens soldados independentemente de em quem votaram, se protestaram na rua ou não, mas todos jovens saudáveis e motivados. 

E ainda na Aliança que faz com Noé Deus profere: 

Quem quer que derrame sangue humano, por mãos humanas terá seu sangue derramado, porque a humanidade foi feita à imagem de Deus. Estamos literalmente reencenando as palavras de Deus?

E para mim ainda fica a perniciosa pergunta: se Deus se lembrou de Noé após 150 dias, antes disso com o que estava ocupado? Onde está Deus e o que faz quando não se ocupa de nós, não se lembra de nós? E nós, onde estamos quando não nos lembramos dele? Chaguim ou crises como a de agora nos tiram deste tipo de distração e nos fazem lembrar de Deus? 

A segunda parte desta Parashá conta que todos na Terra falavam a mesma língua e as mesmas palavras. Conta que se estabeleceram na região de Shinar, lá decidiram fazer tijolos e construir uma cidade e uma torre para “se fazerem um nome” e desta forma se protegerem de ser espalhados pela terra. E quando, aparentemente em nova lembrança, Deus desceu para checar como a humanidade estava indo, deparou-se com esta cidade e a torre já alta. Diante disso exclamou: “se este povo falando uma só língua e as mesmas palavras conseguiu fazer isso, então nada a que se proponham fazer lhes será impossível!” E então decidiu confundi-los para que não mais entendessem um ao outro. Entendo que ele se surpreendeu. Mas teria ficado com medo ou com ciúmes? Será que Deus, ameaçado, quis mesmo punir os homens com a confusão de Babel? Podemos antropomorfizá-ló a este ponto? 

Evidentemente há muitos comentários e análises sobre isso. 

J. Sacks explica que Babel era um templo em forma de pirâmide em degraus e que de fato existiram 31 cidades com estes templos na Babilônia e a maioria tinha na porta a inscrição: “Porta para o Ceu” ou “O topo alcança o céu”…; o que Sacks diz é que se há algo que faz Deus rir é perceber os homens levando-se a sério, dando-se importância… e completa constatando que justamente na Mesopotâmia começaram os impérios da história…

Vimos na nossa discussão semanal no Grupo da Parashá que Yeshayahu Leibowitz, cientista e filósofo israelense, ortodoxo, parece "que não foi punição, mas ao contrário, uma ação em benefício da humanidade” porque ao impedir a intenção daquela geração de garantir uma só língua e uma só fala para não serem espalhados ou divididos, Deus impede ou dificulta "a tendência à centralização ou totalitarismo" - embora pareça a muitos que a concordância, a unanimidade ou a ausência de conflitos seja ideal, na verdade está é uma situação estéril, não há diferença de opinião e portanto, não há luta pelos diferentes pontos de vista, não há propósito. Só em uma sociedade plural, resumindo nas minhas palavras, é possível insurgir-se e criar algo novo, evoluir… diz Leibowitz: o propósito que podemos discernir na existência consiste justamente na diferenciação em pontos de vista contrastantes e diferenças sobre as quais as pessoas lutam e é por isso que a sua existência adquire valor moral”

Ainda, similar, uma importante contribuição sobre este pedacinho da Torá, a do filósofo franco argelino judeu Jacques Derrida que escreveu o livro Torres de Babel. Lá ele também se pergunta se Deus, ao estabelecer a confusão, ou confundir criando diferentes línguas e impedindo os homens de entenderem, o fez para os punir, talvez por ciúme? E também conclui que não; o nome de Babel dado após este episódio, vimos que foi comum, e significaria Bavel, Ba é pai e El é Deus, Deus fez prevalecer seu nome como o primeiro, o principal, acima de qualquer nome dado pelos homens, acima de qualquer nação. Ao constatar que a humanidade faria qualquer coisa confundiu-os, deu-lhes a incompletude, o impossível e a necessidade de batalhar por ele. Tornou imperiosa a necessidade de tradução, mas também a tornou impossível… Como assim?  Construir sem tradução é impossível. Babel quer dizer confusão mas é intraduzível, o nome do pai Deus é intraduzível, e é impronunciável…ele, e também Sacks, ressaltam a poesia deste pequeno trecho, rico em termos literários. Derrida finalmente propõe que “o sagrado não seria nada sem uma tradução, e a tradução não aconteceria sem o sagrado.” 

Eu reproduziria, em meus termos, e com o amor que tenho pela tradução, que além de criar e recriar uma mensagem ao traduzi-la, a tornamos mais sagrada e o que há de sagrado nela, nos permite torná-la compreensível pela tradução. A repetida leitura e tradução coletiva da Torá a torna cada vez mais sagrada e a nós também….

E que o leão e o cordeiro possam algum dia ler juntos…

Shabat Shalom.

Juliana Rehfeld