Por Juliana Rehfeld
26/02/2026
Esta semana continua o tenso impasse político e militar entre EUA e Irã com um alerta geral em Israel para o que pode ser um forte ataque a seu território. O atual Irã, dos extremistas aiatolás desde 1979, de um governo duro e fanático que restringe os direitos da população e mantém sua fraca condição econômica a ponto de levar, mesmo apavorados, milhares de cidadãos às ruas… este Irã, inimigo ferrenho dos valores e Estados do Ocidente e com potencial de desenvolver devastadoras armas nucleares… este Irã nada tem a ver com o grande e poderoso império persa do século V A.E.C quando lá reinava Achashverosh (Xerxes?) e onde moravam judeus expulsos de Jerusalém no século anterior por Nabucodonosor. Naquele império persa em cuja capital, Susa, segundo diz o Tanach em Ketuvim (Escritos), morava Esther com sua família, Mordechai, e também Haman… e onde se passou a história de Purim que comemoramos no início da próxima semana.
Aquele império Persa era o maior do mundo até então, estendia-se da Índia até a Grécia, incluindo Mesopotâmia, Egito, Anatólia (hoje a parte asiática da Turquia) e o Levante (hoje Israel, Líbano, Jordânia, Síria e territórios).
Escavações arqueológicas mostram luxo impressionante, em um império multicultural, multilíngue e multirreligioso. Havia palácios monumentais, jardins reais, administração imperial, arquivos oficiais.
Era um império próspero com agricultura irrigada, comércio internacional intenso, uso de moeda padronizada (dárico de ouro) e grandes obras públicas. A religião dominante da elite era o Zoroastrismo (associado a Zaratustra) que durou até meados do século VII D.E.C. quando entrou o islamismo.
Mas o império era relativamente tolerante. Ciro o Grande, sucessor dos assírios e babilônios, fundador desta grande Pérsia, até teria permitido que os judeus retornassem a Jerusalém e reconstruíssem o Templo. Os judeus na Pérsia viviam como minoria étnica espalhada pelo império, mas com liberdade religiosa.
A corte real era marcada por protocolo rígido, banquetes luxuosos, um harém real e muitas conspirações políticas.
A meguilá (livro) de Ester descreve um banquete de 180 dias — isso combina com o estilo grandioso de Xerxes, conhecido por ostentação e poder imperial.
Fiz esse mergulho na história para pensar se houve evolução do passado até o presente, ou somos contemporâneos a tristes retrocessos… Este entre vários outros exemplos.
A celebração de Purim, como até uma comediante israelense informa enquanto pede a Trump para não atacar justo neste dia, é a única que traz apenas elementos lúdicos e alegria, “sem choro, rememoração, rezas e súplicas, ou longas refeições “. De fato é o dia em que, fantasiados, comemoramos a vitória da coragem de Esther que influenciou seu marido, o rei, contra o plano do ministro Haman de destruir a comunidade judaica que, na pessoa do primo Mordechai, se recusou a se curvar para o ministro e ainda desbaratou uma conspiração para matar Achashverosh.
É claro que celebramos isso de maneira leve e festiva mas sempre é bom falar sobre a importância de manter-se alerta para os sinais de risco de genocídio. Porque em tempos de crescentes e concomitantes antissemitismo e ignorância histórica às vezes basta acenderem um fósforo onde o retrocesso cultural impera para que a nossa paz seja interrompida e na maioria das vezes não poderemos contar com a esposa do rei…
No mais, esta semana traz um raro alinhamento de 6 planetas (Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), com destaque próximo a 28 de fevereiro. Vênus e Júpiter serão visíveis a olho nu, enquanto outros podem exigir binóculos ou telescópios. O melhor momento é logo após o pôr do sol, olhando para a direção do horizonte onde o sol se pôs.
A natureza nos dá um lindo e raro exemplo de alinhamento e harmonia como que para dizer aproveite, celebre e busque estes momentos. Celebremos, fantasiados, inebriados pelas maravilhas a nossa volta mas sem nos despir da percepção de que é necessário batalhar pela harmonia entre os humanos…
Shabat Shalom

Vivendo e aprendendo - ou relembrando o que nossos mestres sempre nos ensinaram. Obrigado !
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