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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

ACONTECE: A Vida em Uma Semana

A VIDA EM UMA SEMANA



Regina P. Markus - 8 de outubro de 2026

Neste ano, a festa de Simchat Torá e o dia 7 de outubro ficaram muito próximos.  No ano de 2023, coincidiram. Terminar a leitura da Torá, dançar e expressar toda a alegria de estar pronto para recomeçar, e, ao mesmo tempo, lembrar o que aconteceu em 2023 foi muito forte. O presidente de Israel, Isaac Herzog, discursou na cerimônia da Tribo da Nova. O "Jerusalem Post" relata: "Enquanto estamos aqui juntos, neste lugar terrível onde a dança se transformou em luto, um lugar onde lindas e livres meninas e meninos que dançavam – mesmo depois de três anos ainda é difícil compreender como nos foram tirados com maldade e barbárie". O sobrevivente Elchana Bohbot rezou o Yizkor. "Que o povo de Israel se lembre das almas puras de seus filhos e filhas, vítimas do festival de 7 de outubro." "Lembraremos nossos irmãos e irmãs, crianças inocentes, jovens e adultos, que foram sequestrados e assassinados em cativeiro. Lembraremos a coragem dos civis e dos membros das forças de segurança e de resgate que arriscaram suas vidas. Continuaremos a obra dos anjos e vocês estarão sempre em nossos corações. Que fiquem gravados no coração de Israel pelas gerações futuras."


Em Israel, um minuto de silêncio e todos em pé


Em Berlim, o Arco de Brandenburgo 

No Brasil, muitas cerimônias, de Norte a Sul, lembraram o 7 de outubro. Há ainda muita desinformação e atos de vandalismo. Estive no ato organizado pela vereadora Cristina Monteiro e por Gerson Pires na Câmara Municipal de São Paulo (6/10), que homenageou o Major Rafael Rozenszajn. Um momento de lembrança, reflexão e oração. A cerimônia foi interrompida por alguns minutos por 4 pessoas que exibiram bandeiras. A ação efetiva da guarda municipal permitiu que a cerimônia continuasse, agora com um alerta de que a ameaça persiste em todo o mundo. No dia 7/10, os Amigos do Instituto Weizmann do Brasil receberam o presidente, Prof. Alon Chen, para um café da manhã. Escutar de viva voz os muitos danos causados no dia 15 de junho de 2025, em um ataque realizado pelo Irã, e como, em pouco mais de um ano, laboratórios de ponta foram reconstruídos, foi impressionante. O impacto direto destruiu completamente o Ullmann Building of Life Sciences (Prédio Ullmann de Ciências da Vida) e afetou gravemente o Wolfson Building for Biological Research, além de outras estruturas em construção. O ataque causou incêndios que duraram horas e destruiu cerca de 45 a 50 laboratórios de ponta, pulverizando décadas de amostras biológicas e pesquisas críticas sobre o câncer, neurociência e cardiologia. Rapidamente foi iniciado um projeto de reconstrução, e uma proposta que permitisse tirar o positivo de uma situação calamitosa. As equipes desalojadas foram recebidas por equipes que não haviam sido atingidas, independentemente das linhas de pesquisa e das áreas de interesse. Hoje já estão sendo colhidos os frutos desta rápida integração. Avanços de grande relevância em Inteligência Artificial, Ecologia, Ciências Biomédicas, Fisiologia e Neurociências foram alcançados ao colocar jovens brilhantes, com formações diferentes, a trabalhar lado a lado em espaços muito apertados. Doenças, Agricultura, Astronomia foram algumas das grandes áreas destacadas. 

Memória e História são as bases da sobrevivência do Povo Judeu. Declarar que o futuro é um espaço temporal em que a esperança, a criatividade e a alegria serão construídas com trabalho conjunto e com o reconhecimento dos momentos de grandes descobertas é uma das principais razões da longa sobrevivência. Nesta mesma semana, a Assembleia Nobel no Instituto Karolinska anunciou os vencedores nas categorias de Medicina e Fisiologia (4/10),  Física (6/10) e Química (7/10). Os nomes anunciados comprovam que a busca do conhecimento é uma característica dos judeus, onde quer que estejam, e que, atualmente, o Estado de Israel tem um lugar importante e destacado. 

Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia

Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel

Karl Deisseroth transformou proteínas sensíveis à luz em interruptores para controlar células nervosas e mapear circuitos cerebrais. Peter Hegemann descobriu a proteína canal rodopsina em uma alga unicelular. Georg Nagel participou da descoberta da rodopsina e do entendimento dos canais iônicos fotossensíveis. Mudando a linguagem: descobriram moléculas que se localizam nas membranas celulares e respondem diretamente à luz. Não é apenas a luz que sinaliza pelos olhos e pela pele, mas também a que consegue penetrar os ossos da cabeça e controlar a vida e a morte de neurônios específicos. Estes trabalhos contaram com a colaboração de institutos de pesquisa e universidades israelenses. 

Karl Deisseroth colabora diretamente com o Instituto Weizmann, em Israel. O Prof. Ofer Yitzhar realizou seu pós-doutorado em Michigan sobre esta temática inovadora. Peter Hagemann dividiu o Prêmio Harvey (2016) concedido pelo Technion de Haifa na área de Saúde Humana com Karl Deisseroth. Ao aceitar o prêmio em Israel, Hegemann fez um discurso de forte impacto institucional, relembrando o papel histórico de Berlim (sua base na Universidade Humboldt) como antigo centro científico global onde Einstein trabalhou, lamentando formalmente o subsequente desastre do regime nazista e os severos danos causados ao povo judeu e à própria ciência alemã. Embora mais focado na bancada de pesquisa e biofísica pura do que na neuropsiquiatria clínica, Nagel participa ativamente de redes de pesquisa que integram cientistas de Israel no desenvolvimento de novas ferramentas optogenéticas para aplicação em biomedicina, Nagel é um biofísico que estudou com afinco a mecânica de canais iônicos fotossensíveis presentes em óvulos de sapos e como algas fotossensíveis poderiam inserir estes canais iônicos naturalmente. Ao ler a frase, todos pensam em ficção. Mas, estes estudos abrem a porta para aplicações muito importantes.


Prêmio Nobel de Física



O Prêmio Nobel de Física de 2026 foi concedido ao físico de partículas belga-americano Francis Halzen, professor da Universidade de Wisconsin-Madison. Diferentemente da maioria das edições recentes, Halzen recebeu a láurea sozinho — algo que não ocorria na categoria de Física desde 1992. A honraria foi entregue em reconhecimento às suas contribuições fundamentais para o desenvolvimento do Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. Halzen é um caçador de “partículas fantasmas”. Os neutrinos são partículas subatômicas fundamentais presentes em todo o Universo, mas são conhecidos como "partículas fantasmas". Como quase não possuem massa e não têm carga elétrica, eles conseguem atravessar planetas inteiros, galáxias e até os nossos corpos sem colidir com a matéria nem mudar de rota. 

O grande trunfo de Halzen foi idealizar e liderar um projeto ousado que muitos cientistas consideravam improvável: transformar o Polo Sul em um detector gigante. O Observatório IceCube: Construído na Antártida, o observatório consiste em um quilômetro cúbico de gelo glacial perfeitamente transparente, equipado com milhares de sensores de luz altamente sensíveis enterrados a profundidades extremas.

O Clarão de Luz: Muito raramente, um neutrino de altíssima energia colide com o núcleo de um átomo no gelo, gerando uma partícula carregada secundária que emite um minúsculo rastro de luz azul (conhecido como radiação Cherenkov). Os sensores capturam esse brilho e permitem rastrear exatamente de onde a partícula veio. 

Por que isso revoluciona a Astronomia?

Ao contrário da luz ou dos raios cósmicos normais, que podem ser bloqueados por poeira cósmica ou desviados por campos magnéticos ao longo do caminho, os neutrinos de alta energia viajam em linha reta a partir de seus pontos de origem.

Eles funcionam como "mensageiros diretos" dos eventos mais violentos e misteriosos do cosmos fora do nosso Sistema Solar, como as vizinhanças de buracos negros supermassivos e as explosões de estrelas distantes, inaugurando uma era totalmente nova na astrofísica.


Prêmio Nobel de Química



O Prêmio Nobel de Química 2026 foi concedido ao francês Henri B. Kagan (95 anos) e ao japonês Kenso Soai (76 anos). Solucionaram um mistério científico de mais de 100 anos. Por que moléculas "idênticas", como duas mãos de uma mesma pessoa, poderiam promover efeitos opostos, ou mesmo uma bloquear o efeito da outra? 

As mãos são apenas imagens especulares, e como as luvas são feitas para cada uma das mãos, estas moléculas combinam com as receptoras biológicas de forma diferente. Henri Kagan (1986): Deu o primeiro passo decisivo ao descobrir os chamados efeitos não lineares na síntese orgânica assimétrica. Ele demonstrou, matematicamente e na prática, que uma quantidade muito pequena e impura de um catalisador assimétrico poderia gerar um produto final com altíssima pureza de um único lado, rompendo o "empate" esperado nas reações de laboratório. Kenso Soai (1995–2003): Desenvolveu a famosa Reação de Soai. Ele criou um sistema de autocatálise, no qual o próprio produto da reação atua como catalisador de si mesmo. Partindo do zero absoluto (sem nenhuma preferência molecular inicial), pequenas flutuações estatísticas do acaso criavam uma vantagem microscópica para um dos lados; a molécula então passava a fazer cópias de si mesma, amplificando o resultado até atingir quase 100% de pureza quiral, exatamente como aconteceu na evolução da vida na Terra. Imaginem as muitas aplicações nas indústrias químicas e farmacêuticas e na agricultura!!

Nascido em dezembro de 1930 em Boulogne-Billancourt (perto de Paris), Kagan tinha apenas 9 anos de idade quando a guerra estourou. Para escapar do envio aos campos de concentração e do Holocausto, a família Kagan fugiu em direção ao sul do país. Eles conseguiram sobreviver escondendo-se em um pequeno vilarejo na Zona Livre (no sul da França) sob nomes falsos e identidades assumidas durante os anos de ocupação alemã. Com o fim do conflito e a libertação da França, a família pôde retomar a vida normal, permitindo que Henri prosseguisse com seus estudos em Paris, vindo a se graduar na Sorbonne e na École Nationale Supérieure de Chimie de Paris na década de 1950.


CONCLUINDO

Como aconteceram coisas esta semana! Estarei eu preparada para iniciar a Leitura de Bereishit - o primeiro trecho de Gênesis? Como tudo começa! Como um fato pode levar a muitos outros e como os fantasmas podem estar presentes no nosso mundo! Em alguns trechos, imagino que o Sopro de HaShem e todos os anjos, seguidos de luz, seriam as partículas visíveis. E agora vou procurar, com mais afinco, trechos que representem a luz fantasma, que é muito fraquinha, mas consegue atravessar as muitas muralhas e paredes que se interpõem na nossa vida! 

A Ciência, como atividade humana, e a Espiritualidade ficaram mais próximas esta semana!


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

ACONTECE: Sucot e os caminhos do momento

 

Fonte da imagem


Por Regina P Markus - 24/09/2025 - 13 Tishrei 5787


Sucot, lembrando os 40 anos no deserto. Caminhando sem conhecer o rumo, mas com  determinação e sem parar. Recebendo comida e sendo guiados ao longo do tempo. Chegar a um ponto em que tudo vai mudar e o futuro será uma promessa em forma de Leite e Mel. Na última segunda-feira foi Iom Kipur, e ao pôr do sol de amanhã, dia 25 de setembro, começa Sucot. Saímos de momentos muito pessoais para momentos coletivos. Deixamos de ser apenas indivíduos para sentir que pertencemos a um grupo, a um povo. E ao fazer esta transição, em muitos estudos ao longo dos séculos, encontramos o conceito de "povo entre as nações". 

A construção da Sucá já começou. Uma cabana decorada com frutos e bandeirinhas coloridas. Teto de palmas e três paredes. Uma mesa onde todos são convidados e são servidas comidas para todos os gostos, com respeito especial para quem não pode comer determinados alimentos. Sucot é uma festa inclusiva! 

Saltando para esta semana, fica a sensação de que estamos atravessando tempos tão nebulosos quanto os de tempestades no deserto. A areia sobe escondendo os fatos e criando imagens que acabam sendo confundidas com a realidade. A mídia controlada por grupos interessados cria versões incorretas dos fatos. A cada dia fica mais evidente que as pessoas de Gaza não encontram apoio dos dirigentes. Apesar dos milhões gastos, não há dinheiro para construir abrigos ou moradias temporárias, e estes foram incentivados a ocupar prédios danificados e inseguros. 

Esta semana também está em curso a 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU. O encerramento será dia 28 de setembro e para apimentar o encontro, em janeiro de 2027 deverá tomar posse um novo "Secretário Geral". Discorrer hoje sobre os discursos e reuniões paralelas seria parcial. Os discursos dos chefes de estado até hoje seguem o esperado, quer no que se refere aos problemas gerais de clima e economia e ao que se refere aos pontos específicos envolvendo o Oriente Médio e os Países do Golfo. Será que falar leva a ações? Entre no Blogger para ler o texto de Alex Pipkin, gaúcho, formado em administração e marketing pela UFRGS, empresário, que apresenta um dos melhores textos sobre o tema do antissemitismo. "O antissemitismo moderno dispensou a necessidade de inventar o crime do judeu. Basta-lhe apagar a atrocidade cometida contra ele, converter seu direito de defesa em culpa e transformar sua sobrevivência em acusação. É sempre a guerra dos verbos.".  Vale conferir o texto integral no nosso Blogger. 

Estando dentro de nossa suká sempre aberta para todos e para o futuro, termino mencionando um avanço muito importante na arte de navegar. A Marinha Israelense inicia operações com navios robóticos. Dispensam o pessoal embarcado e poderão agilizar as rotas comerciais. Não deixem de ler a matéria do Jerusalem Post.

Os 40 anos no deserto, há mais de 3000 anos, fizeram e continuam fazendo história.

Chag Sameach

Regina


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A GUERRA DOS VERBOS



Por Alex Pipkin, doutor em Administração e Consultor Empresarial

Israel combate duas guerras. Uma contra seus inimigos terroristas; outra contra quem conta a primeira.

7 de outubro. A fronteira violada, civis massacrados, famílias sequestradas, reféns arrastados para Gaza. Só então veio a guerra. A cronologia deveria ser banal, mas os fatos têm um defeito terrível quando se pretende fabricar uma narrativa. Eles preservam a autoria.

Descobriu-se, então, um método eficiente de mentir sem necessariamente falsificar fatos. Basta editar a causalidade.

Israel bombardeia, Israel mata, Israel destrói. Do outro lado, palestinos morrem, crianças sofrem, famílias fogem. O Hamas vai perdendo seus verbos até evaporar do texto. Sem sujeito, extingue-se a culpa.

A engrenagem informativa ajuda. Relatos produzidos dentro de Gaza atravessam fontes locais, organizações internacionais e redações até chegar ao público com uma assepsia que sua origem jamais autorizaria. Em junho de 2026, o USAID OIG, órgão independente de fiscalização da agência americana, informou que sua investigação já havia resultado no encaminhamento de 108 funcionários ou ex-funcionários da UNRWA por participação no 7 de outubro e/ou vínculos com a ala militar do Hamas.

A BBC exibiu um documentário sem informar que seu jovem narrador era filho de uma autoridade da administração do Hamas, omissão considerada materialmente enganosa pelo regulador britânico Ofcom. O New York Times colocou Mohammed al-Mutawaq na primeira página de 25 de julho de 2025 como o rosto da fome em Gaza. Posteriormente, acrescentou que o menino tinha problemas preexistentes que afetavam o cérebro e o desenvolvimento muscular. A informação capaz de alterar a leitura da fotografia chegou depois da fotografia.

A manchete chega hoje. O contexto amanhã. A correção depois. A indignação jamais se corrige.

Quando a omissão deixa de ser episódica, o problema já não cabe na desculpa do erro de edição. Quem escolhe o sujeito distribui responsabilidade. Quem o retira da frase distribui inocência.

António Guterres acaba de afirmar que jamais testemunhou, como secretário-geral da ONU, uma escala de mortes e destruição como em Gaza. Sob seu mandato, o mundo assistiu a pilhas de corpos, fome e desespero no Iêmen, na Etiópia, no Sudão e na Ucrânia, tragédias documentadas pela própria organização que ele comanda, (imagem acima). 

Não se trata de contabilidade de cadáveres, mas de contabilidade moral. Por que a memória do mundo adquire precisão cirúrgica e comoção seletiva quando Israel ocupa o banco dos réus?

Pode-se criticar Israel. Pode-se defender a autodeterminação e um Estado palestino. Mas desejar que Israel desapareça e batizar isso de “crítica” é o velho antissemitismo submetido a um banho semântico.

Estou cansado. E preocupado. Sou defensor da liberdade de expressão, inclusive quando ela protege ideias que desprezo. Mas liberdade não é salvo-conduto para incitar a eliminação violenta de Israel, perseguir ou expulsar judeus. Quando a retórica ultrapassa a opinião e entra no terreno do crime, não basta reprovar moralmente. A lei precisa ser aplicada.

Mudaram as redações, as universidades, os organismos internacionais e o vocabulário. O velho preconceito apenas contratou uma nova agência de relações públicas.

O antissemitismo moderno dispensou a necessidade de inventar o crime do judeu. Basta-lhe apagar a atrocidade cometida contra ele, converter seu direito de defesa em culpa e transformar sua sobrevivência em acusação. É sempre a guerra dos verbos.

O problema é que o verbo adulterado na manchete não termina na manchete.

Mais cedo ou mais tarde, encontra um judeu para culpar.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

ACONTECE: Shaná Tová 5787

por Regina P. Markus


ANO DOCE, ANO do AMOR, ANO da AMIZADE


Estamos a poucos dias de Rosh HaShaná. Estes são dias de preparo para entrar em um Novo Ano. De acordo com a tradição judaica, a Criação do Mundo começou no dia 25 de Elul. O conceito é que "Do Nada começou algo". Os dias que precedem o Ano Novo que se inicia na noite de 11 de setembro (1 Tishrei) são dias de preparação. Dias de lembrar e de programar. Dias em que o Shofar toca para acordar e recordar. Muitos vão pensar que errei a forma verbal da frase anterior. Deixo o recado, o Shofar é algo acima do tocador e daqueles que escutam. É o símbolo da continuidade. E só pode haver continuidade quando todos escutam o chamado!

No dia de Rosh HaShaná em Israel e nos dois dias de Rosh HaShaná fora de Israel aprendemos formas especiais de buscar dentro de cada um a sua verdade e ajustar com os muitos coletivos os nossos desejos e esperanças. É um período de grande simbolismo. O fato da comemoração ser feita em um único dia em Israel e em dois dias no resto do mundo indica algo especial. O calendário judaico é lunar e o dia 1 de Tishrei é determinado pela chegada da Lua Nova em Jerusalém. A notícia pode demorar a chegar, mas quando é importante, deve atingir a todos.

Dez dias após Rosh HaShaná chega o dia de Iom Kipur. Traduzido por muitos como "O Dia da Espiação". É um dia de "Esperança". O dia em que as relações pessoais são avaliadas e retomadas. Um dia de meditação e de limpeza interior.

Todos estes eventos são milenares, e a cada ano, buscamos identificar o que os torna únicos. Este ano de 5787 é único porque pela primeira vez desde 2014 não há r4f4ns isra4l4ns4s em G4z4.  

"Por que tantos 4s? Para lembrar que a nossa responsabilidade cresce em etapas: começa em nós (1), expande-se para o casal (2), estende-se aos filhos (3) e se completa com nossa comunidade (4)." Este ano agradeceremos a esta condição única e almejaremos que não mais se repita.

Em 5786 ocorreu um outro fato que não poderia ser imaginado anos atrás. A companhia israelense Rafael assinou um acordo preliminar para transformar a fábrica da Volkswagen localizada em Osnabrück, na Alemanha, em um centro de produção do Iron Dome. Um equipamento que protege contra ataques aéreos. Este é um equipamento usado para proteger vidas.


E vamos terminando o último ACONTECE do ano com a saudação tradicional.

Saudação que almeja o Doce, o Amor e a Esperança

Shaná Tová u Metuká.


                                    שָׁנָה טוֹבָה וּמְתוּקָה 



 


quinta-feira, 30 de julho de 2026

ACONTECE: AMOR, AMAR, o sentimento que garante a longevidade

ACONTECE: AMOR, AMAR, o sentimento que garante a longevidade



Israel em São Paulo, Posts FB

Por Regina Pekelmann Markus

Esta foi uma semana de LUA CHEIA. Calor, vento, chuvas acontecendo em pleno inverno paulista. No calendário judaico, um calendário lunar, a lua cheia ocorre no dia 15 de cada mês. No sábado seguinte ao dia 15 de Av, sempre coincide com a leitura da parashá ÉKEV (עֵקֶב). No hemisfério norte é verão. Noites quentes que antecedem Rosh HaShaná (Cabeça do Ano), o início do calendário civil judaico. O dia 15 de Av é muito especial porque é o dia do AMOR, o dia da continuidade, o dia em que somar 1+1 com AMOR resulta em 3. E esta matemática especial, que foge à aritmética comum, encontra eco na Torá, entre sábios como Rashi (1040-1105) e Ramban (Nachmanides, 1194-1270), e também na ciência física (Albert Einstein, 1879-1955). Em 2026, presenciamos o funeral e sepultamento do senador republicano americano Lindsey Graham (28 e 29 de julho de 2026), após morte súbita em 11 de julho de 2026 aos 71 anos. E o Estado de Israel segue em direção à longevidade, batendo recordes em esportes, educação e em um padrão de convivência único. 

1+1 = 3 na Torá 

O início da Parashat Ékev descreve um pacto entre HaShem e um ser humano. O esforço humano (1) será abençoado (1) e o resultado será infinito (3). Nesta leitura, escutaremos Moshé relatar o recebimento dos Dez Mandamentos 40 anos depois. As primeiras tábuas foram feitas por HaShem (1); as segundas, uma obra conjunta. O material foi esculpido por Moshé e a escrita foi feita por HaShem. Os sábios chegam à conclusão de que unir o esforço humano ao divino é mais produtivo e nós comprovamos que é mais duradouro. A longevidade deste texto, aliada ao fato de manter uma ligação precisa com os dias de hoje, confere à Torá a dimensão do infinito, da eternidade. 

1+1 = 3 para os Sábios
(fonte: IA - texto RPM)
Rashi (Rabi Schlomo Yitzchaki)
Rashi nasceu em 1040 e faleceu em 1105 em Troyes, na França. Estudou durante a juventude na academias talmúdicas de Worms e Mainz, na Alemanha. Retornou a Troyes para fundar sua própria academia. 
Há muitos comentários de Rashi sobre esta parashá, mas no dia do AMOR, escolho a metáfora do contrato de casamento. As primeiras tábuas foram esculpidas e escritas por HaShem. O povo passivo. União pouco duradoura, sem futuro! Nas segundas tábuas, Moshé suou a camisa e trabalhou de fato, pois, após esculpir, subiu a montanha. A soma dos esforços de cada parceiro, recheada de AMOR, faz com que 1+1 resulte em 3. Notem que cada um colabora com o que sabe e com o que pode. O AMOR é o amálgama que une sem apagar a individualidade.   
Ramban (Rabi Moshe Ben Narrman, Narrmanides)
Ramban nasceu em Girona, na Catalunha, Espanha, 89 anos após a morte de Rashi (1194), e morreu na cidade de Akko (Acre, 1270), após ter ajudado a reconstruir a comunidade judaica de Jerusalém. Um dos trechos mais bonitos é o Kli Yakar - o valor do suor versus o presente. Ao ganhar as primeiras "Tábuas",  o homem não soube dar o devido valor ao presente. Mas, quando ocorre o trabalho conjunto, cria-se o conceito de Teshuvá. Um preparo para o dia de Yom Kipur. Teshuvá: saber olhar para o passado para construir um futuro infinito. A imperfeição é capaz de abrir espaço para o novo, para o imprevisto. 

1+1 = 3 para Albert Einstein

Hoje vou considerar que Albert Einstein dispensa apresentações! Vamos direto ao tema.
O conceito de que o todo é maior que as partes decorre do fato de que elementos básicos podem interagir, gerando um resultado inesperado. Duas partículas têm uma massa. Quando unidas, as partes da massa liberam uma quantidade colossal de energia. 
Einstein usou o mesmo conceito básico de Ékev na chamada "curvatura do espaço-tempo". Dizia que a luz das estrelas atrás do Sol chegaria à Terra mais lentamente quando o Sol estivesse à sua frente. A massa do Sol afetaria a trajetória da Luz. A comprovação deste fato ocorreu em Sobral, no Ceará, durante um eclipse total do Sol em 29 de maio de 1919. Comparando a luz destas estrelas à noite e no momento do eclipse, obtida por meio de fotografias de alta precisão feitas por astrônomos ingleses, comprovou-se que o desvio seguia a equação de Einstein. Há muitos artigos sobre o tema. Deixo alguns links [1, 2].

ESTA SEMANA em 2026

Um fato marcante foi o enterro do senador Lindsey Graham nos Estados Unidos da América. Amigo declarado e atuante de Israel e importante articulador internacional. Em 28 de julho, foi homenageado no Capitólio, antes do serviço fúnebre na Catedral Nacional de Washington. O primeiro-ministro de Israel e o presidente ucraniano viajaram aos Estados Unidos para prestar homenagem. O fato fala mais do que mil palavras.

No dia seguinte, foram feitas as homenagens póstumas no estado da Carolina do Sul, que Graham representou por mais de 20 anos. A última viagem oficial de Graham a Israel ocorreu em fevereiro de 2026. Esteve com o primeiro-ministro e o ministro das Relações Exteriores. Vale lembrar que, de Israel, voou diretamente para os Emirados Árabes Unidos e para a Arábia Saudita.

Incidentes durante o cortejo fúnebre mostram que há grupos organizados que querem eliminar o AMOR do futuro, assim como fizeram no passado recente. Mas, o nascimento de crianças ao redor do mundo, de pais que estiveram reféns e que sofreram meses e anos de tortura a partir de 7 de outubro de 2023, comprova que o AMOR cria o futuro!!!

E a revoada de pássaros no Vale do Hulle, no norte de Israel, mostra que migrações mantendo identidade são verdades da VIDA!







Shabat Shalom😍😍😍💞💞

Regina


  





quarta-feira, 1 de julho de 2026

ACONTECE: Os caminhos do Passado e do Futuro

Por Regina Pekelman Markus - 1/07/2026 - 16/Tamuz/5786 





O calendário judaico aponta a data de 17 de Tamuz com determinação. Muitos eventos ocorreram nesta data e nas datas vizinhas. 

No passado bíblico e mishnaico:

1 - Tempos de Moisés: é reportado como o dia em que foram quebradas as primeiras "Tábuas da Lei". Parte dos que esperavam, incomodados pela demora e incentivados por uma liderança interessada em voltar ao Egito, construiu o Bezerro de Ouro. 

2 - Cerco a Jerusalém pelos Assírios (Babilônicos): As oferendas diárias, chamadas de Tamid, foram interrompidas por falta de ovelhas. A palavra Tamid é normalmente traduzida como "eterno". Algo que se repete ao longo dos tempos e garante que muitas gerações presenciarão o mesmo fato.

3 - Tempo dos Romanos: Em 70, Tito ordenou a queda das muralhas de defesa de Jerusalém, iniciando o processo de conquista da capital do Estado Judeu.

4 - Um oficial romano chamado Apostomos queimou publicamente um rolo da Torá.

5 - Uma estátua idólatra foi colocada no recinto sagrado do Templo. 

Estes eventos estão listados no Talmud Taanit 28b. Caminhando pela estrada do tempo, encontramos outros eventos que ocorreram nesta data.

Na Idade Média, este também foi um dia negativo entre os judeus.

1242: Após uma farsa jurídica orquestrada pela Igreja Católica sob o comando do Rei Luís IX, mais tarde conhecido como São Luís, 24 carroças contendo milhares de manuscritos e volumes do Talmud foram queimados em praça pública em Paris.

Séc. XV - Início da Inquisição na Espanha (1478) e em Portugal (1496) - Os dias de jejum eram de grande perigo para os cristãos-novos. Uma interessante herança da época são as mesas com gavetas, das quais costumavam sair pratos prontos quando pessoas de fora das famílias chegavam.

Séc. XVII -  Em 1666, Sabbatai Tsvi causou uma comoção mundial, atraindo seguidores que viajaram até ele de toda a Europa, Ásia e África. Em um ato ousado, Zevi declarou que o dia 17 de Tamuz e o 9 de Av (seu aniversário) deixariam de ser dias de jejum e passariam a ser datas de grandes celebrações e festividades. Shabbatai Tsvi é obrigado pelo sultão otomano a converter-se ao islamismo. Há muitas lendas atrás desse nome, e as datas colaboram para os mitos.

Séc. XX - 1944: O Gueto de Kovno, na Lituânia, foi completamente destruído. Os nazistas ocuparam o Gueto, deportaram sua população, incluindo crianças, para campos de concentração e de extermínio. Queimaram e destruíram prédios para eliminar os judeus restantes. E, quando o Exército Vermelho chegou à região, encontrou cerca de 3.000 judeus. A população antes da guerra era de 40.000 adultos!

Séc. XX - 1970: O regime líbio confiscou todos os bens dos judeus que viviam no país.


2026

O Povo Judeu e o Estado de Israel adotam o conceito de que o homem é um parceiro importante na sustentação e na evolução do mundo em que vivemos. Ser parceiro é ter uma parte relevante a cumprir na construção do mundo (Tikun Olam). O Estado de Israel foi o primeiro a enviar uma equipe de resgate para a Venezuela. Equipe treinada e que já atuou em outros terremotos ao redor do mundo. Como acontece há milênios, o que importa é salvar uma vida. "Quem Salva UMA Vida Salva a Humanidade".

As comunidades judaicas no Brasil também se organizaram para participar do processo. Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pará já estão dentro, e vários outros vão chegando.



E chegamos ao evento mais importante entre Pessach e 17 Tamuz - a assinatura de um documento que visa orientar o caminho a ser seguido por Israel e Líbano para chegarem a uma relação de BOA VIZINHANÇA. Estavam presentes na reunião Nada Hamadech Moawad, embaixadora do Líbano nos EUA; Yechiel Leiter, embaixador de Israel nos EUA; Marcelo Rubio, secretário de Estado dos EUA, que atuou como mediador direto e anfitrião do encontro; e Daniel Holler, conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, que assinou o documento. O Presidente do Líbano, Joseph Aun, e o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acompanharam a reunião pela internet, sem direito a voz e voto.

O resultado foi surpreendente. Deixaram registrado que no Líbano apenas o exército oficial terá direito a posse de armas. Não serão tolerados grupos armados de cidadãos não libaneses ou de pessoas pertencentes a grupos estruturados. Todos os nomes relevantes foram mencionados. Também ficou acordado que os exércitos de Israel e Líbano estarão presentes em zonas tampão. Estas zonas foram redefinidas, de modo que haverá uma faixa importante em que cidadãos armados não serão admitidos.

Israel dará apoio logístico ao Líbano, e já se retirou de zonas que o exército libanês tem condição de assumir. 

Como disse a embaixadora Nada Hamadech Moawad, esta é uma oportunidade para que Israel e Líbano tenham uma relação de vizinhos.

No último fim de semana foram desarmadas importantes milícias e eliminados túneis que continham grande quantidade de armamentos e outros suprimentos importantes para manter o estado bélico.

Será tudo flores? Claro que não! As relações entre os EUA e a Arábia Saudita foram alteradas de forma significativa nas últimas semanas. O espaço aéreo saudita foi fechado para aviões americanos. Teremos que acompanhar o desdobramento do alinhamento entre a Arábia Saudita e o Irã.

A VIDA EM ISRAEL

Este é um tema muito difícil de tratar em poucas palavras ou de apresentar um panorama geral. Vamos fechar o ACONTECE, ACONTECENDO com o fato de HOJE.

Linhas Regulares Civis que estão operando Israel:

  • Lufthansa: Voltou a operar em 1 de julho com duas frequências diárias a partir de Frankfurt. Os voos de Munique estão programados para retornar em 1 de agosto. 
  • ITA Airways: Retomou em 1 de julho com dois voos diários partindo de Roma. 
  • airBaltic: Reiniciou, em 1 de julho, sua rota saindo de Riga, com três voos semanais. 
  • Austrian Airlines: Já havia retomado o serviço a partir de Viena no início de junho e ampliou as frequências em julho. 
  • Air Europa: Renovou suas operações diretas de Madri no final de junho. 
  • LOT Polish Airlines: Retomou as rotas para Israel em 31 de maio. 
  • Empresas do Golfo: Companhias como Etihad Airways e flydubai restabeleceram voos regulares (com restrições a voos noturnos em alguns períodos).
  • Outras operadoras internacionais: Ethiopian Airlines, Hainan Airlines, TUS Airways, Smartwings e Bluebird Airways já voltaram a voar para o destino há mais tempo.
  • Companhias israelenses: El Al, Israir e Arkia estão operando com horários ampliados. 

Entrar e sair de Israel é possível e os atletas internacionais estão lá. Inclusive os brasileiros. 25.ª Macabíada!



 


















Um dos momentos mais emocionantes foi protagonizado pelo veterano das Forças de Defesa de Israel (IDF), Evyatar Zeituni, ferido nos ataques de 7 de outubro de 2023. Ele passou a chama para o campeão paralímpico Asaf Yasur e para a judoca olímpica Inbar Lanir, que acenderam a pira juntos.

A delegação brasileira desfilou com uma pegada muito especial e todos estão encantados com o alojamento! Que tal colocarem nos comentários o que estão seguindo nas Macabíadas!

E se quiser assistir, entre na TV JUDAICA! 

E assim, vamos atravessando o dia 17 de Tamuz, passaremos por 9 de Av e chegaremos em Rosh Hashaná.

Uma sequência que, todo ano, nos surpreende, mas que, este ano, foi especialmente chocante!

Uma boa semana para todos.

Regina P Markus



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

ACONTECE: MÊS de ADAR - HAVÁ - ALEGRIA - MAZAL TOV

ADAR - O MÊS DA ALEGRIA e da BOA SORTE - MAZAL TOV

Regina Pekelman Markus - 18/02/2026 - 1/Adar/5786


MISHENCHNAS ADAR MARBIM BE SIMCHA
QUANDO ENTRA ADAR multiplicam-se as ALEGRIAS
https://www.enlacejudio.com/2019/02/12/por-que-en-el-mes-de-adar-la-alegria-se-incrementa/


A entrada de um novo mês, na tradição judaica, é sempre comemorada com grande júbilo. Nissan é o primeiro mês do ano e Adar o 12º. Do 15º ao 22º dia do mês de Nissan é comemorada a saída do Egito, o início da história do Povo Judeu como um coletivo organizado e com um objetivo comum. O caminho percorrido por meio das festas e recordações destacadas a cada mês simboliza a migração da era dos patriarcas, ou dos tempos da grande família, para uma comunidade organizada. Ao longo dos séculos vem sendo frisado que o primeiro patriarca, Abrão, informava de onde vinha. Os demais patriarcas, Isaac e Jacob, voltaram para esta terra ao longo de suas vidas. Todos os patriarcas e seus descendentes tinham relação com o Egito. E "sair do Egito" é uma simbologia muito especial, que marca o início de um novo tempo. Nissan em hebraico, נִיסָן, vem do  acádio nisānu e do sumério "nisag" que significa "primeiros frutos". 

Hoje começa o último mês do calendário judaico. O mês de ADAR  é considerado um ponto de ruptura que permite definir, ao longo da história, momentos específicos de grande virada. Neste mês é comemorada a festa de PURIM. A GRANDE VIRADA! De 474 a 473 aEC, até 2026 são inúmeros os exemplos que o mês da ALEGRIA continua trazendo a toda a humanidade. São momentos de decisão e de VIRADA. Lembro que PURIM ocorreu na Pérsia no reinado de Achashverosh, também conhecido como Xerxes I. 

Apreciem o caminho que iniciamos hoje e anexem comentário no Blogger sobre os acontecimentos deste mês de ADAR. 

Ao acabar o mês, faremos um BALANÇO e entraremos em Nissan com olhos mais abertos. _________________________________________________________________


A minha criança interna encara PURIM como um momento de redefinição. A leitura da Meguilá Ester reforça vários tipos de conduta. Mordechai, como líder comunitário judaico, soube calibrar a sua relação com a corte e, ao mesmo tempo, zelar pela comunidade. Ester também tem momentos de silêncio e obediência, e de brilho e decisão. Escolher o momento certo para agir ou observar é uma premissa importante para chegarmos a momentos de MAZAL TOV. Boa Sorte. 

A boa intenção de um soberano, a astúcia e sabedoria de um líder comunitário e a beleza, conhecimento, sabedoria e noção da oportunidade de cada momento de uma mulher somados fizeram com que uma sentença de extermínio ao povo judeu fosse transformada em uma sentença de proteção e em uma promessa de restauração de um Estado Judeu. Este édito dava proteção a judeus que moravam na vasta extensão territorial desde a Índia até a China. Um momento de inversão que impediu o holocausto programado por HAMAN e trouxe todo o povo para as ruas, dançando e cantando. Externando a ALEGRIA da virada!!! Este é o contexto da Festa de Purim e o espírito do mês da ALEGRIA. Lembrar que os piores momentos podem ser revertidos e até invertidos. 

A Rainha Ester, ciente do que poderia estar chegando e sabedora de que precisava recolher energia de todo o povo, pediu ao seu tio, Mordechai, que solicitasse que o povo jejuasse e rezasse para encaminhar energia necessária para ser bem recebida pelo Rei Achasshverosh e ser bem-sucedida na missão de anular éditos que autorizassem o extermínio do Povo Judeu. O Jejum de Ester hoje é realizado no dia 13 de Adar. Assim aconteceu a VIRADA RADICAL.

A escolha deste momento requer uma dose de conhecimento e uma dose de sorte. Purim, a comemoração de um final feliz, de um momento de virada. Esta semana entramos no mês de ADAR. O mês da Alegria!

A Alegria de estar nas ruas. Esta foi comemorada em todos os locais onde estavam os judeus. Fantasias, máscaras e muitos risos. Veneza, na Itália, que tem um Carnaval muito conhecido e caracterizado por máscaras e fantasias especiais, também tem uma história especial sobre a comemoração de Purim. Desde 1516, data da Fundação do Gueto de Veneza, foram iniciadas as comemorações de Purim. O Carnaval no Gueto, comemorado sempre em 15 de Adar. Como Veneza era uma cidade que admitia o intercâmbio cultural, cristãos e nobres venezianos também se juntavam na Folia e Alegria. Veneza, conhecida por suas produções teatrais, tinha neste dia exibições chamadas de Purim Shpiels. Um homem "cavalgando" um jegue lembrava que Mordechai foi honrado pelo "Rei Achashverosh" através de um cortejo. E o mais tocante, que dura até os dias de hoje, foi esconder-se atrás de máscaras e fantasias que lembram o Carnaval de Veneza. Estas comemorações originais chegaram ao fim em 1797, quando Napoleão conquistou Veneza e acabou com as muralhas do Gueto.


PURIM NO CASAQUISTÃO

O Casaquistão está localizado na Ásia Central. Nono maior país em extensão territorial. 12 a 15% de seu território, a leste do Rio Ural, está localizado na Europa Oriental. Os judeus chegaram ao Cazaquistão na Idade Média. Ruínas de uma sinagoga e um antigo rolo da Torá na cidade do Turquistão datam do século XV. Entre 1941 e 1942, 100.000 judeus foram evacuados das partes europeias da URSS, escapando do Holocausto. Também existem comunidades de judeus de Bukharim, das montanhas e da Geórgia.

As comemorações incluem a leitura de Meguilá Esther e também um banquete festivo com muita alegria, dança e cantos. Mishloach Manot, o costume de dar cestas de alimentos para amigos e familiares, e Matanot le Evonyim, presentes aos necessitados.

No mês de ADAR a VIRADA é preparada. A grande virada no calendário judaico é que logo após ADAR inicia NISSAN e chega a Primavera e Pessach.

NOS DIAS DE HOJE, FEVEREIRO DE 2026, Adar chega após a soltura de todos os reféns que estavam em posse do HAMAS. Também abre espaço para a análise dos acontecimentos que levaram a 7 de outubro de 2023 e à Guerra dos 12 Dias em 2025 (13 a 24 de junho). 

O Irã está localizado no território da Pérsia. O Império Persa perde sua soberania em 16 de janeiro de 1979 quando o Xá Mohammad Reza Pahlevi e sua esposa, a Imperatriz Farah Diba, partem do Aeroporto de Mehrabad em Teerã. Iniciam-se então os tempos da República Islâmica do Irã que é governada pelos Ayatolás. 47 anos! E até hoje este é um inimigo importante que atua nas terras de HAMAN. Um dos principais próxis do Irã é o HAMAS. Hoje os dois ainda estão ativos, assim como o Hezbollah e a Jirad Islâmica.

Esta semana as redes sociais intensificaram as publicações que contestavam os números divulgados pelo Hamas e pela Jihad islâmica. Para mim, mais que a manipulação dos números, impressionam os métodos pedagógicos. Crianças e jovens recebem material que estimula a morte de judeus. Veja o post abaixo. Não há necessidade de comentários.




Como podemos mostrar isso no primeiro dia do mês da ALEGRIA? Seguindo o espírito da Meguilá Esther, A VIRADA só pode vir do conhecimento! E conhecer os métodos dos inimigos permitiu que a forca erguida para encerrar a vida de Mordechai tirasse HAMAN de nosso convívio. 

Cantamos ao longo dos anos - "Hava Narisha, Rash, Rash, Rash! Barashanim" - Ao ouvir o nome de Haman, o reco-reco é girado com força para que este nome possa deixar de ser ouvido. E, com outras letras e em outros idiomas, vão surgindo nomes que querem eliminar o povo judeu. Ao longo dos milênios continuamos aqui, nos alegrando em Adar e nos preparando para os novos dias que chegarão com Nissan, Pessach.

E eu que escrevo, e imagino que muitos leitores devem estar pensando - que chatice... que tédio... reduzir a um ato único é quase ter a certeza de que milagres acontecem. Isto tira de mim e de todos os meus contemporâneos a responsabilidade quanto ao futuro.

Isto não é verdade!!! Estamos frente a várias escolhas e frente a posicionamento e tomadas de decisão. Além disso, nesta época em que a nuvem pode armazenar informações que apenas estão fantasiadas de fatos, temos que ser atentos e saber discernir, levando em consideração o passado e o legado que deixaremos para as próximas gerações. 

Esta é a semana em que vimos o Irã, através de seus proxies, atuando em hospitais, cadeias e zonas de turismo no Brasil. Vimos a ONU pedindo desculpas e depois negando o pedido de desculpas referente ao modo de atuar a representação junto à faixa de Gaza. Idas e vindas sem fim, seguindo um script antissemita e antissionista.

Mas é muito importante lembrar que Israel, a Nação Start Up, continua se destacando em vários ramos da ciência, inovação, saúde e comunicação. Os importantes avanços em mecanismos de defesa não existiriam sem estes conhecimentos holísticos e a forma como estes chegam ao público em geral. Outro destaque de grande importância é o papel da mulher nos diferentes setores.

Ciência não tem gênero. Isto vale para o Brasil e para Israel. Tema fascinante que mostra ser a divulgação o principal empecilho para conhecermos as mulheres que são destaque no mundo científico. Israel foge desta regra. E não é dizer que é com mais ALEGRIA que isto ocorre. Muitas mulheres na ciência impõem um perfil que busca a seriedade como fonte de valorização. Israel foge da regra geral que esconde suas mulheres de destaque porque segue os exemplos estabelecidos nos tempos Bíblicos e Talmúdicos. Em sua longa história vem abrindo espaço para mulheres nos diferentes segmentos da vida.

ESPERO que todos se sintam inspirados para aproveitar o mês de Adar, o mês da Alegria, para construir e criar fatos que possam girar a espiral do tempo de forma positiva.

Rosh Chodesh Sameach




Regina Pekelmann Markus - 18/02/2026