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quinta-feira, 24 de outubro de 2024

ACONTECE: A Espiral do Tempo - Iniciando a Leitura da Torah

A Espiral da Tempo - Iniciando a Leitura da Torah


Iniciando um novo ciclo de Leitura da Torah


O ano de 5784 foi um ano inominável para todos, principalmente para os que nasceram a partir do final da década de 1940 em diante. Muito tem sido escrito, comentado e falado. Hoje quero abraçar cada um de vocês e conversar sobre esta semana em que comemoramos Sucot, encerramos e iniciamos a leitura da Torah. Continuamos nos dias de Sucot a manter os canais abertos para que as sentenças possam ser seladas.

Ao longo dos milênios foram muitos os rituais e as datas com significado maior, que ganham outra perspectiva em 5785. 

A última parashá da Torah - "Ve zot ha Brachá"  começa com a seguinte frase: "E esta é a benção com que Moshé, homem de Elochim, proferiu antes de sua morte". A leitura continua e no último versículo é descrita a morte de Moshé aos 120 anos. "Estava Moshé na planície de Moab e foi convidado a subir o Monte Nebó e lá morreu". "O Eterno sepultou Moshé lá mesmo, e segundo a Torah, o local da sepultura de Moshé não é conhecido até os dias de hoje". 

Nesta última frase o fato de O Eterno enterrar Moshé está no passado, e o fato de o local ter permanecido desconhecido por todos os milênios está no presente. Este jogo de concordâncias verbais permite unir fatos que ocorreram há milênios ao presente. A corrente do tempo, que se repete e sobe em espiral. Mas onde está o futuro?  

Em outra passagem,  está descrito que ao subir no pico de Pisgá, localizado no monte de Nebó, Moshé avista a Terra Prometida. Hoje podemos ver o pico de Pisgá que fica diante da cidade de Jericó. A Terra Prometida; o sonho dos patriarcas sendo revelado.

O sonho dos patriarcas que seria conquistado, naquele tempo longínquo por Josué. E em diferentes partes da Torah e Talmud encontramos as delimitações da Terra de Israel ao longo dos séculos passados. Dos tempos que vão de Moshé até os Romanos. E hoje, nos vemos novamente conquistando a Terra de Israel. Nós à distância, colaborando de várias maneiras e nossos amigos, filhos, netos e bisnetos lutando para que a única pátria judaica continue a existir e produzir frutos fantásticos. Usei o português tradicional, porque estar incluída e fazer a diferença é o mais importante. E Israel moderno é o exemplo de que isto vem acontecendo em todos os cantos!

Voltando às festividades da semana encontramos Shemini Atzeret, quando é rezado um Izkor (lembrança dos que se foram) por todas as comunidades. Este ano ganha aspectos muito especiais. Muito diferente do que foi em 5784. Este ano 5785 temos que parar e lembrar de todos os que conhecemos, dos que foram importantes para elevar o mundo, mas também daqueles que a exemplo do que ocorreu na época de Josué deram o que tinham de mais precioso para garantir o futuro.

Dançar, Alegrar é o que segue após chorar. Assim, em Simchat Torá iniciamos novamente a leitura da Torá, em Bereishit (Genesis) é lido: "Breishit Bará Elochim et ha Shamaim ve et ha Aretz". No começo, Elochim criou os Céus e a Terra. E segue e contando que a Terra era algo muito confuso, será algo relacionado com o BigBang? E a escuridão cercava tudo. E assim começa a primeira descrição da criação do mundo. Em seguida o mundo clareou, a Terra foi iluminada. Para podermos entender o passar do tempo, a luz era seguida do escuro e assim sucessivamente. Foi criada a noção do tempo. 

Exemplo de mães que dançam e rezam pelo filhos e filhas que estão lutando

E, ao longo da história muitos pontos de interrupção foram adicionados. Na história dos judeus foram períodos de sofrimento e períodos de alegria. Períodos de olhar para o pessoal e a comunidade e períodos em que eram feitas novas descobertas e a introdução de hábitos importantes que permitiram singrar os milênios.

Os momentos de tristeza têm que dar espaço para os momentos de júbilo. Muitas vezes é quase impossível se alegrar, sair do sofrimento que abala as mais importantes convicções, e é neste contexto que olhar os momentos em que se deve dançar e alegrar, é como procurar o sonho onde ele parece ter sido extinto.

Este ano, levando os nossos pensamentos para Israel, ou para o forte antissemitismo encontrado no mundo ocidental, o mundo em que vivemos, há a necessidade de segurar a mão do outro e dançar. E desta necessidade virão encontros que possam permitir que cheguemos ao amanhã.

Nestas últimas semanas, Israel de uma forma inesperada eliminou a maioria dos líderes dos movimentos que dispararam o processo de 7 de outubro (Simchat Torá) e o ataque às cidades do Norte (dia 8 de outubro). 

Há mais de 90 mil deslocados dentro de Israel. Pessoas que perderam os lares, famílias e, muito mais. Uma alta percentagem da população jovem e de meia idade está servindo ativamente as Forças Armadas de Israel. Uma alta porcentagem de voluntários está auxiliando o exército, e um contingente difícil de quantificar está substituindo os que servem o exército. Reféns e mortos... 

Após um ano surgem informações sobre traidores e espiões. A imprensa interessada em desacreditar o Estado de Israel amplia estas informações e negligencia, ou metamorfoseia, as demais. Aqui no Brasil presenciamos uma imprensa que vem denegrindo de forma importante, mas que em determinadas ocasiões abre espaço para judeus brasileiros com visibilidade para analisarem os processos. Todos estes movimentos ao redor do mundo para difamar judeus, judaísmo e Israel requerem um financiamento. Recentemente, foi mostrado que os movimentos internacionais são financiados pelos próprios grupos que atacam diariamente Israel há anos, fizeram as invasões de 7 de outubro a partir da Faixa de Gaza e de 8 de outubro a partir do Sul do Líbano.  Assista o video abaixo no Instagram. E entendam porque o mundo recusa dar a Israel o direito de reagir e mesmo de existir.

https://www.instagram.com/reel/DBcM2b3JYA-/?igsh=MTNuM2o3MjN0dDFwcQ==


Uma semana é muito tempo, nestes momentos em que o presente é fluído. O que estará acontecendo quando estivermos lendo este texto, quais as informações que cada um receberá? São perguntas que não querem calar! 

Há uma consciência de que a responsabilidade pelos destinos do mundo está novamente focada em Israel. E nestes momentos, há uma consciência dos crentes e dos que não creem que toda a ajuda que se possa receber depende de decisões corretas dos homens e mulheres envolvidos. Do cuidar e do acalentar, assim como da capacidade de reagir sem ódio. 

E foram muitos os que disseram que para reagir sem ódio é preciso saber DANÇAR! A dois e em grupo!!!! E eu termino admirando a forma como o Talmud encontrou para que a cada ano pudéssemos estar no Izkor de Shmini Atzeret e em seguida DANÇANDO! Rodopiando com a Torah.

Assim cresce e floresce a ÁRVORE da VIDA - 

Chag Sameach

Regina P Markus









quarta-feira, 11 de maio de 2022

Israel - uma nação entre as nações

Israel - uma nação entre as nações


Ser uma nação entre as muitas nações do mundo parece ser algo natural. No entanto, há muitos povos e muitas culturas e religiões que se consideram superiores e de forma sistemática buscam trazer todo o mundo para as suas fileiras, ou tentam eliminar ou subjugar os demais. Exemplos existem aos milhares. O raro é encontrar grupamentos humanos que mantêm sua identidade e respeitam a identidade dos demais.























Israel, ao longo de sua história milenar, tem mantido a sua cultura e costumes em mais de 2 mil anos de diáspora. Os costumes básicos são muito semelhantes na India, Etiópia, Lituânia, Alemanha, Estados Unidos, Argentina e Brasil - e em todos os demais países que queiramos nominar. 


Alguns identificam estes costumes com a religião judaica, outros com a forma de organizar a comunidade, seja ela religiosa ou laica. Com a criação do Estado de Israel, este passou a manter uma ligação especial com todas as comunidades judaicas no mundo. E a sua inserção entre as nações em muito se assemelha à inserção dos judeus nos diferentes países do mundo. Admirado por sua capacidade de trabalho e de conquistas nos campos da ciência, tecnologia e cultura, Israel sofre um processo de difamação e ataques embasados em construtos que têm pouca aderência com a verdade.



Repetir uma estória por milhares de vezes faz com que nos acostumemos com a narrativa e transforma imaginações em verdades. Apenas a sobrevivência do homem ou da nação que sofreu este tipo de difamação pode ao longo dos anos dar espaço aos fatos.

O Estado de Israel é um estado multiétnico e democrático. O Povo Judeu é um povo multiétnico regido por uma coleção de hábitos, costumes e leis passíveis de adaptação e análise.  

Atualmente, o Povo Judeu e o Estado de Israel têm sido alvos de um processo de desconstrução baseado em narrativas ligadas à religião e à ancestralidade judaica nas terras de Israel. Um foco importante é a cidade de Jerusalém e o Monte Moriah - conhecido desde os tempos bíblicos. Neste local foi descrito que um anjo trouxe um cordeiro para ser ofertado por Abraham no lugar de seu filho Isaac, e neste local foram construídos os dois Templos de Jerusalém. Contos e recontos sobre a relação árabe-israelense feitos por grupos específicos com o objetivo de eliminar o Estado de Israel se acumulam ao longo dos anos. Israel tem sido um país que tem sofrido mais sanções de organismos das Nações Unidas do que qualquer outra nação. 

HOJE - maio de 2022 - quando o mundo assiste a invasão russa em terras ucranianas, quando Israel sofre uma sucessão de atentados dentro de seu território, encontramos algumas histórias que nos enchem de esperança, e é esta esperança que quero compartilhar com vocês.

Fatos novos estão acontecendo dentro das Nações Unidas que mostram o quanto muitos dos documentos gerados por especialistas ditos independentes e isentos são enviesados. O professor canadense de direito Michael Lynk publicou em abril de 2022 um relatório apontando práticas de apartheid em Israel. Este relatório omite todos os atentados que Israel vem sofrendo e reflete posições políticas pessoais. Estas posições foram confirmadas hoje, quando o Presidente da Autoridade Palestina, Mouhamoud Abbas, faz a entrega de uma comenda denominada "Ordem da Estrela de Jerusalém". Onde fica a isenção? Até o nome da comenda é peculiar!

Vale lembrar que em 2016, quando Michael Lynk foi nomeado para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, sua falta de imparcialidade foi denunciada pela organização UN WATCH e encontrou objeções no governo canadense. Desta vez, a proximidade entre o relatório e a distinção evidenciaram a falta total de imparcialidade.

Em Israel árabes, judeus, drusos, beduínos, cristãos, mulçumanos e ateus não só convivem nas ruas como são representados no parlamento.


Em muitos serviços encontramos judeus e mulçumanos trabalhando e rezando lado a lado, como na foto acima. Olhando cada um para o seu lugar sagrado. O judeu para Jerusalém e o mulçumano para Meca.

E é do leste que vem acontecendo a maior mudança. Temos nos referido com frequência às grandes mudanças nas relações entre Israel e os Países Árabes que se iniciaram com o Acordo de Abrahão e seguem com trocas comerciais, tecnológicas, culturais e muito mais.

Esta semana Mario Fleck, dirigente comunitário brasileiro e Presidente dos Amigos do Instituto Weizmann Brasil e da Congregação Israelita Paulista, enviou um relato muito interessante da visita que está fazendo em Bahrein. Aqui está o link para acompanhar o relato, que mostra que os laços entre Israel e os Países do Golfo estão mudando o discurso que ocultava a verdade.

Países parceiros e povos com longos laços de relacionamento. Agora, as boas práticas começam a ser reveladas e temos a certeza que destes momentos de lusco-fusco conseguiremos novamente trilhar caminhos de amizade e interação. Israel - Uma Nação Entre as Nações - um povo entre os povos - um povo que se distingue porque admite que todos os outros devem existir.

Na diversidade encontramos a força do povo judeu e na diversidade encontraremos a força humana que habita este planeta.

Saudações,

Regina P. Markus


 

terça-feira, 3 de maio de 2022

Yom Haatzmaut - Yom Hazikaron - Ser Livre é Ter Memória


74 ANOS - ISRAEL é UMA REALIDADE! 

                                              EU LEMBRO - EU SEI - EU TENHO!




                    "Israel é um povo milenar" 

Poucos são os que duvidam desta afirmação, mas muitas são as formas de identificar o povo de Israel! 

FILHOS DE ISRAEL - POVO DE ISRAEL - e quem é Israel? O segundo nome de Jacob - o nome que lembra a luta com o anjo e a busca da identidade! No Egito - quando é formado o Povo de Israel, depois conhecido como Povo Judeu, ao lado do leito de morte de Jacob/Israel - seus filhos dizem "Ouve Israel, o Senhor é nosso D'us, o Senhor é UM! Shema Israel, Adonai Eloheinu, Adonai Echad. Estes versos estão na Torá e foram recitados ao longo de milênios como forma de identificação e como a reza noturna, quando alma e corpo descansam. Religiosos, místicos e ateus têm diferentes interpretações para esta frase, mas todos a conhecem.

ISRAEL - o povo - os filhos de Jacob! Dispersos nos quatro cantos do mundo, sempre tiveram um sonho: o sonho de retornar à Terra de Israel, à Terra ancestral, a Terra localizada na encruzilhada entre oriente e ocidente. 

No final do século XIX, na Europa Oriental, começa o movimento sionista moderno que visa o estabelecimento de um Lar Nacional Judaico nas terras que abrigaram os reinos  bíblicos. Nesta época, as terras de Israel faziam parte do Império Otomano. Rabinos de linhas ortodoxas como Yehuda Alkalai (Sérvia, 1878-1978), Naftali Zvi Yehuda Berlin - Netziv (Bielorrúsia, 1816 - 1893), Tzvi Hirsch Kalischer (Prússia, 1795-1874) e vários outros. Rabi  Kalischer publicou em 1862 o livro Drishat Tzion (Caminho de Sion) que preconizava a compra e o cultivo de terras em Israel, a fundação de escolas de agricultura em Israel e em outros países e a formação de um sistema de defesa para as novas colônias. O olhar para Sion incluía Jerusalém, a cidade aonde devem ser levadas as oferendas. (Aqui abro um parênteses para lembrar que Corbán, como está na Torá, significa OFERENDA e não sacrifício como foi traduzido do grego). E, ao final do livro convida os leitores a tomarem parte ativa nas sociedades sionistas que se formavam na época.

É no século XIX que encontramos as histórias de Moïse Crémieux, Moses Montefiore, Edmond James de Rothschild e Albert Cohn. Envolvimento de muitos e um entendimento que este seria um ponto de inflexão no futuro fez com que a  "Alliance Israelite Universalle" criasse a Escola de Agricultura Mikve Israel nas terras do Império Otomano em 1870. Há ainda muitos pontos a serem explorados destas épocas em que o antissemitismo ganhava força.

Fora do contexto judaico, ou melhor, do antissemitismo dirigido a populações judaicas não assimiladas ao mundo ocidental, acontece o Caso Dreyfus. Um oficial do exército francês é acusado e condenado injustamente. Theodor Herzl (1860-1904), um jornalista austríaco, um judeu não praticante, integrado à sociedade civil da época, fica impactado com as muitas injustiças praticadas e lança seu livro "O Estado Judeu - Uma Solução Moderna para o Problema Judaico" (1895) e propõe a criação de um Congresso Sionista Mundial visando o estabelecimento de um Lar Nacional Judaico. EshTáNaMída apresentou o tema. O primeiro Congresso Sionista (Basiléia, 1897), presidido por Theodor Herzl lança as bases do movimento sionista moderno, introduz o hino dos Hovevei Tzion (Amantes de Tzion) que mais tarde recebe o nome de Hatikva (Esperança) e hoje é o hino do Estado de Israel. 

Contar a história do sionismo desde 1897 até 1948, ano da Declaração da Independência de Israel, é uma tarefa a ser feita com detalhes. Por isso convidamos o leitor a dar um salto de 51 anos (1948-1987), e em seguida de 74 anos (2022-1948)! Sim! fechem os olhos e imaginem - 121 anos! E neste intervalo está a primeira guerra mundial, quando se encerra o Império Otomano e se inicia o Mandato Britânico da Palestina. A seguir vem a segunda guerra mundial e a Shoá - quando 6 milhões de judeus são mortos; a luta pela terra e a Declaração de Independência de Israel (1948). E durante 74 anos o Estado de Israel tem várias conquistas militares, que garantem sua existência, mas as conquistas mais impressionantes estão no campo social e no campo do saber.

Israel é hoje um estado democrático que tem um parlamento composto de representantes árabes, judeus, cristão, drusos. Representantes de várias matizes políticas. A instabilidade resultante das formas diferentes de pensar, muitas vezes de formas mutuamente exclusivas é compensada pela importância que é dada à diversidade humana. Assim como o povo judeu é formado de pessoas de todas as cores e abriga pensadores das mais diferentes correntes, o mundo político israelense, tem que conviver com o contraditório. Nem sempre fácil, mas segue e segue e segue... 

Israel é hoje um estado que possui importantes universidades e institutos de pesquisa que são capazes de explorar as fronteiras do saber. O que mais impressiona é a forma que encontrou para romper com o tão falado "vale da morte", onde muitos dos conhecimentos não conseguem ser transformados em serviços ou produtos. 

E agora, em tempos recentes está sendo incrementada uma colaboração baseada em relações humanas e interesse comum com vários países árabes. 

Chegamos então ao momento de falar de Iom Ha-Atzmaut (dia de independência - 5 de Iar, noite de 4 de maio até o anoitecer de 5 de maio de 2022). EU LEMBRO - EU SEI - EU TENHO.

Uma semana antes de Iom Ha-Atzmaut tem o dia de Iom Ha-Shoá ve Guevurá (Dia do Holocausto e do Heroísmo), um dia antes é Iom Ha-Zikaron (Dia da Lembrança). 

Manter viva a imagem do Holocausto, da Shoá, é uma forma de dizer nunca mais! Juntar a este dia a lembrança dos heróis nominados e anônimos, judeus e não judeus, que salvaram vidas e amenizaram sofrimento no meio de um dos períodos mais terríveis da humanidade é uma forma de lembrar que sempre há o bem e o bom em tudo o que acontece. A constatação destes fatos empodera as futuras gerações, dando a certeza que nós, seres humanos TEMOS a possibilidade de escolha. 

Manter viva a memória dos combatentes que lutaram e lutam para que Israel continue existindo como o Lar Nacional Judaico é uma forma de honrar a todos que dão suas vidas e que vivem o dia a dia de uma nação vibrante.

E terminar, com alegria, comemorando o dia da Independência é a maneira judaica de mostrar que sempre há esperança. E este é o nome do Hino Nacional do Estado de Israel, Hatikva - Esperança.

O sonho sionista do século XIX tornou-se realidade.

Comemoremos a VIDA e não percamos a ESPERANÇA,


Regina P. Markus

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

HOJE - o dia mais importante de nossas vidas.


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Estamos na segunda quinzena do mês de Tishrei - acaba de começar o ano de 5782. Entre o primeiro dia do ano, Rosh Hashana, e o décimo dia, Iom Kipur, ficam 10 dias de introspecção, de meditação, que terminam com as famílias reunidas. Um período em que o passado e o futuro se encontram no presente, quando somos chamados para o dia mais importante do ano no judaísmo com a seguinte mensagem, colocada aqui de forma livre: 

"Juntos, a Comunidade dos Céus (de cima) e a Comunidade da Terra (de baixo), sob o julgamento do “LUGAR” e sob o julgamento da comunidade, nós pedimos permissão para rezar junto aos pecadores”. 

Assim começa o Iom Kipur, quando cada um pede por si e por seus queridos, e que seja selada a nossa inscrição no Livro da Vida para 5782. Este pedido é feito de forma comunitária, reunindo todo o Povo Judeu, dos que estiveram no Monte Sinai até os que estarão nesta Terra no futuro próximo e longínquo. Assim que a noite de Kipur se encerra, após um jejum de 25 horas, é colocada na terra a primeira estaca de uma cabana (Sucá) que é o centro da festa de Sucot, quando se recorda o que é dormir sob as estrelas e se lembra  os 40 anos no deserto antes da chegada à Terra Prometida.

É nesta toada que ao redor dos 365 dias do ano vamos contando a história, estudando as leis e pesquisado o futuro junto com nossos professores e filhos. A rotina, para muitos, é uma forma de segurança - e para outros uma forma de passar pela vida sem viver!

Assim, como nesta semana escutamos tanto sobre os 20 anos do dia 11 de setembro de 2001, e tantos perguntaram o que você estava fazendo naquele dia, resolvi pegar outros dias nestes Iamim Noraim e ver o que podíamos destacar sobre o HOJE. Sim, HOJE, considerado por muitos como algo quase inexistente que fica comprimido entre muitos ontens e muitos amanhãs, mas que é o momento que temos para unir o passado ao futuro. PRESENTE - uma dádiva - PRESENTE!

Olhei para os dias 13 e 14 de setembro e fiquei surpresa! Quero dividir esta surpresa com todos vocês, e se quiserem comentar algo sobre o que fizeram nestes dias. Desta vez vemos algumas imagens para ajudar a lembrar e para mostrar o que aconteceu em 2021.



Foi no dia 13 de setembro de 2020 que os Acordos de Abraão foram assinados na Casa Branca. Este não foi um fato que comoveu de forma importante a grande comunidade. Foi noticiado na imprensa judaica, na imprensa árabe, mas o impacto na imprensa internacional foi relativo.

No dia 13 de setembro de 2021 - as imagens continuam falando!


Em Nova York, os embaixadores na ONU de Israel, Gilad Erdan; dos Emirados Árabes Unidos, Lana Nusseibah; dos Estados Unidos, Linda Thomas-Greenfield; do Marrocos, Omar Hilale e do Bahrein, Jamal Al Rowaiei reunidos para comemorar um ano da assinatura do convênio. Todos estes países mantém relações diplomáticas com embaixadas estabelecidas e atuantes.

Na realidade, o embaixador de Bahrein em Israel apresentou suas credenciais ao Presidente de Israel, Isaac Herzok,  no dia 14 de setembro. 


Chega a Israel o primeiro embaixador de Bahrein, Kahled Al-Jahama, que acompanhado de sua esposa cumpre os protocolos necessários para iniciar suas funções. Mais uma porta que se abre para o entendimento. Um dia a ser lembrado.

Não só o Presidente de Israel esteve envolvido na construção de um futuro de paz neste dia 14 de setembro. O Primeiro Ministro de Israel, Naftali Bennet, teve uma reunião com o Presidente do Egito, Abdal Fattah Al Sisi.




O tratado de Paz com o Egito assinado em 1977 ganha nova vida, agora com vôo direto entre TelAviv e Sharm El Sheik, uma região turística muito apreciada por israelenses. 

É num HOJE - dia 14 de setembro de 2021- que pode ser testemunhada a força da paz. Sim, há antissemitismo no mundo, sim, há muitas dificuldades, mas os fatos expostos são mais do que alvissareiros, são fatos que mostram que o HOJE de 2020 está sendo comemorado com fatos novos!

E também foi no dia 14 de setembro que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anuncia a sua última viagem a Israel como líder de um país que, assim como o Egito, tem um passado que pode e vem sendo superado. Colaborações no âmbito das artes, da ciência e da educação são constantes na atual relação Israel-Alemanha. Nem tudo são flores, mas o dia 14 de setembro foi marcado por esta foto.


E o HOJE nunca deixará de ser um hiato entre o passado e o futuro. Neste HOJE, dia 14 de setembro de 2021, quase véspera de Iom Kipur, partiu para a Ieshiva shel Malah - a Comunidade de Cima, Ida Nudel Z’L. 
Uma das muitas judias que foi prisioneira na Sibéria e que lutou por Tzion - que imigrou para Israel, foi recebida pelo então Presidente de Israel, Chaim Herzog, pai do atual Presidente, Itzhak Herzog, e que lutou para integração de sua gente e de todos imigrantes que vieram chegando nas últimas décadas.



HOJE - um dia a ser lembrado! Que possamos lembrar os HOJES das nossas vidas e trazer para cada HOJE os acontecimentos transformadores que acontecem no mundo. Que também possamos plantar em cada HOJE nossas sementes que serão colhidas em HOJES futuros e com isto construir nossas CABANAS fincadas por firmes estacas no solo da terra, mas que tenham aberturas suficientes para podermos apreciar as estrelas! 


Boa Semana a Todos!

Regina P. Markus
















quinta-feira, 26 de agosto de 2021

ESH TAMID – UMA CHAVURÁ REFORMISTA






ESH TAMID – UMA CHAVURÁ REFORMISTA


O Judaísmo se manteve vivo através dos milênios por não ser monolítico, pelo contrário: por possuir diversas linhas religiosas e por possuir uma ampla cultura milenar mantidas ao longo dos milênios por incontáveis comunidades ao redor do mundo.

Na religião, o judaísmo possui duas linhas principais: a ortodoxa e a não ortodoxa - ou em outras palavras, liberal.

Tanto a ortodoxa como a liberal também possuem diversas divisões baseadas na origem de seus congregantes, nos seus rituais, nas elaborações das tradições religiosas e na interpretação da Halachá, que é a legislação judaica.

A Chavurah Esh Tamid se identifica e pratica a linha liberal progressista, assim chamada Judaísmo Reformista, que é uma das maiores linhas religiosas do Judaísmo no globo.

Esta linha Reformista possui o foco de manter as tradições, a cultura e a nossa religião milenar adaptando-as ao mundo moderno e à sociedade atual na qual está inserida.

A Esh Tamid possui também uma importante atividade de divulgação semanal de notícias contra o antissemitismo e em prol de Israel que é a EshTá na Mídia.  

A Esh Tamid se filiou recentemente à UJR - União Judaísmo Reformista, o braço latino-americano da World Union for Progressive Judaism, com o intuito de divulgar nossas atividades e de acompanhar os diversos cursos e atividades que a UJR promove.

UJR terá, por seu lado na Esh Tamid, um exemplo de Chavurah que poderá ser divulgado e replicado em outras partes da América Latina onde existem pequenas comunidades judaicas.

Convidamos todos que se interessarem em se aprofundar nos conhecimentos do judaísmo reformista a acessar o site da UJR – AMLAT.ORG e acompanhar as atividades da Esh Tamid, e da EshTá na Mídia.

 

Shalom

Raul Meyer

 

 

ESH TAMID – UNA JAVURÁ REFORMISTA

 

El judaísmo se ha mantenido vivo a través de los milenios, por no ser monolítico y al contrario por tener varias líneas religiosas, por tener una amplia cultura milenaria mantenida a lo largo de los milenios por innumerables comunidades alrededor del mundo.

En cuanto a la religión, el judaísmo tiene dos líneas principales: la ortodoxa y la no ortodoxa, o en otras palabras, la línea liberal.

Tanto los ortodoxos como los liberales tienen varias divisiones basadas en el origen de sus feligreses, sus rituales, las elaboraciones de tradiciones religiosas y la interpretación de la Halajá que es la legislación judía.

La Javurá Esh Tamid se identifica y practica la línea progresista liberal, el llamado judaísmo reformista, que es una de las principales líneas religiosas del judaísmo en el mundo.

Esta línea reformista tiene un enfoque en mantener las tradiciones, la cultura y nuestra religión ancestral, adaptándolas al mundo moderno y a la sociedad actual en la que opera.

Esh Tamid también tiene una importante actividad informativa semanal dedicada contra el antisemitismo y a favor de Israel, que se denomina  Esh Ta Na Media (Está En Los Medios).

Esh Tamid se incorporó recientemente a la UJR-Unión de Judaísmo Reformista, el brazo latinoamericano de la Unión Mundial por el Judaísmo Progresista, con el objetivo de dar a conocer nuestras actividades y acompañar diversos cursos y actividades que promueve la UJR.

La UJR tendrá, por su parte en Esh Tamid, un ejemplo de Javurá que podría ser difundido y replicado en otras partes de Latinoamérica donde existan pequeñas comunidades judías.

Invitamos a todos los interesados ​​en profundizar en su conocimiento del judaísmo reformista a acceder al sitio web de la UJR - AMLAT.ORG, y seguir las actividades de Esh Tamid y Esh Ta Na Midia.

 

Shalom

Raul Meyer 

quinta-feira, 25 de março de 2021

EDITORIAL: Chag Pessach/ Chag Herut -

Chag Pessach - Chag Herut




Há mais de 3300 anos os judeus comemoram a Festa da Passagem - Pessach, que CONTA a passagem da escravidão para a liberdade. Este texto reflete a longevidade da festa e também a sabedoria contida na Torah, quando HaShem diferencia LIBERDADE de LIBERTAÇÃO! A diferença entre Escravos Libertados e Homens Livres! Escravas Libertadas! e Mulheres Livres! Escravidão e Liberdade. 

Observem que a palavra de destaque na frase acima é CONTAR ... no sentido de contar um história. Não é usada a palavra ensinar. CONTAR - é lúdico, divertido e pode ser feito falando, cantando, brincando! O jantar de Pessach, chamado de Seder (Ordem) porque tem uma sequência muito bem determinada, reúne a grande família ao redor de uma mesa para que todos escutem a história que está sendo contada. As crianças perguntam: "Por que esta noite é diferente de todas as outras noites?" e segue-se a narrativa, as músicas, as brincadeiras, o jantar e o fechamento super alegre. Lembro que aos 5 anos, adorava experimentar o vinho e fazer as perguntas. Com o passar dos anos as funções foram mudando, mas o ritual continua. E como foi revigorante em um ano que estávamos em Dubrovnik seguir o mesmo ritual em outras paragens - e notar todas as semelhanças e as pequenas diferenças! Sobreviver 3.300 anos requer a cumplicidade de muitas gerações, em muitos locais diferentes deste planeta, e com variações sobre o mesmo tema mantendo, no entanto, o tema central. 

Conta-se a saída do Egito sem mencionar o nome de Moshé. A explicação mais tocante que escutei é porque sobre isto, todos deveriam ter sido ensinados - e portanto estava sendo lembrado nas mentes de cada um dos presentes. Cantar as músicas de sua irmã, Miriam, reverenciar sua mãe, Yocheved e a filha do Faraó, cujo nome não chega a ser mencionado, é uma forma de falarmos de mulheres únicas que se destacaram pelas suas ações. Falar das parteiras, Sifrá e Puá, mencionando os seus nomes, é reverenciar as mulheres profissionais. Lembrar da esposa de Moshé, Tsiporah, que era cushi (negra), e cujo pai, um líder de seu povo, segue e aconselha Moshé, mostra que o Povo de Israel é diverso desde suas origens. Lembro que nada disto é ensinado e analisado - mas sim é CONTADO - e a cada geração as análises vão variando e formando uma base bibliográfica para muitos estudos.

Na Torah, que foi entregue no deserto muito depois que o povo foi libertado, estão estipuladas as formas como será celebrada a Festa da Passagem - Chag Pessach, Chag Herut. Também chamada de Chag Aviv (festa da primavera) que chega no hemisfério norte nesta época. Em editoriais anteriores comentei sobre os vários aspectos históricos e rituais e no ano passado sobre o SederZOOM! Até isto este ano se repete! 

Você podem seguir os 4 anos de história da ETNM (EshTánaMídia) relendo os editoriais anteriores (links no final deste texto). Hoje quero apresentar algo que ainda não mencionei e que foi inspirado em um texto de Jayme Fucs, publicado em 2014.

Escravizar era uma prática comum e aceita em toda a Antiguidade. Tão comum que nem mesmo Platão, o filósofo grego que lança as bases para a República, ou Sócrates deitam seus olhos sobre os escravos; eles não contavam. Com o passar dos séculos esta prática foi sendo abolida, mas em todos os casos que tenho lembrança, e por favor, escrevam os que tenham outras informações, falamos de Libertação dos Escravos. Aqui no Brasil é comemorada a Abolição da Escravatura e a Libertação dos Escravos. 

Pessach, no entanto, não é Chag Shchrur (Festa da Libertação), é Chag Herut, a Festa da Liberdade. Como foi possível passar da escravidão para a liberdade, sem sofrer um processo longo de adaptação e de busca de identidade?

Encontramos a resposta na própria Torah, e na criação da Festa de Pessach. Na mesma parashat em que D'us menciona comemorar Chag Herut é lembrado que esta festa também pode se chamar "Chag Herut Tenai". Amigos, a tradução literal seria "Festa da Liberdade Condicional"! Soa estranho aos meus ouvidos! Vou tomar a liberdade de traduzir por Festa da Liberdade Responsável - e isto porque logo em seguida seria entregue no Monte Sinai a Torah - as Leis - e para que a liberdade pudesse ser conservada havia a necessidade de seguir um código legal. Lembrar e Atuar - lembrar com alegria e da forma possível para cada um e atuar dentro de um código legal que admita a inclusão. 

Será preciso ser judeu para seguir regras gerais de conduta? Quero aqui lembrar um dos pontos cruciais da linguagem dos antissemitas - "Povo Eleito!". Traduzir nem sempre é fácil e nem sempre é livre de consequências maiores. Nós hoje sabemos que quando um homem "traduz" a mensagem de um vírus, cria muito mais vírus e fica mortalmente doente (um pouquinho de biologês). Os homens que não traduzem a mensagem do vírus podem nem sintomas ter! Povo Eleito não está escrito na Torah - mas sim, aqueles que estavam ao pé do monte Sinai recebiam as leis que deveriam ser passadas para seus filhos e também disponibilizadas para todos os outros povos da terra. O espírito da lei deveria ser disseminado. E não aquela lei em particular.

E podemos ver que em todos os rincões da Terra em que há respeito por todos e pela diversidade, a liberdade impera. Vamos a mais um Seder no Zoom - escolham entre os muitos sedarim comunitários e os que são feitos em família e comemorem com um deliciosa refeição cujas regras foram ditadas há mais de 3.300 anos. 

CHAG PESSACH KASHER ve SAMEACH - E como acabam todas as Hagadot de Pessach:

Le Shana habá B' Irushalaim - O ano que vem em Jerusalém!


Regina P. Markus


CHAG HERUT - Clique para ler:

Editorial de Pessach de 2017

Editorial de Pessach de 2018


Editorial de Pessach de 2019


Editorial de Pessach de 2020



sexta-feira, 12 de março de 2021

EDITORIAL: História do Judaísmo – uma narrativa de continuidade


A busca de material para escrever a cada semana é um jogo excitante. Um jogo que ocupa alguma região oculta do cérebro que vai prestando atenção em tudo que acontece e, de repente, resolve abrir um caminho para que possa ser escutado.

Nestes tempos de pandemia há tantas coisas super interessantes acontecendo que facilita muito este processo, mas esta semana o Dia Internacional da Mulher trouxe uma perspectiva nova. Não deixa de ser uma perspectiva parcial, pois tenta olhar o mundo através das mulheres. Na maioria dos relatos apenas os "muitos lados negativos" são enfatizados. Em outros relatos também separatistas são cantadas as vitórias dos movimentos feministas. Nestes dois contextos o que se projeta para o futuro é a continuidade da luta. Uma luta permanente... Será esta a mensagem que queremos? Um balanço, um acerto de contas? 

Com estas dúvidas em mente, leio o "Você Sabia" novamente, e percebo que no final está resumido o que quero desenvolver. Leiam com atenção a história de como se deve buscar os muitos lados da própria história - e que ao contar sobre o holocausto, nesta oportunidade foram dadas cores e vida ao grande número de pessoas comuns ou com poder, que auxiliaram a impedir que o desejo de extinguir o povo judeu no século XX fosse levado a termo. Mais que isso, lá podemos sentir como o que cada um faz é importante para moldar o futuro.

Este gancho leva à reflexão sobre "narrativa de continuidade". Como poderemos dissecar esta narrativa, chegar ao seu âmago, conhecer o esqueleto, o coração, a sua fonte de energia e como é coordenada. Como cada um de seus elementos operam.

Sim, podemos levantar muitas questões para chegar a um conjunto de fatores que permitam entender como um grupo tão pequeno e diverso de pessoas pode percorrer milênios de história contínua sem perder algumas características básicas.

Nesta semana da mulher em que tanto se fala de diversidade e de oportunidades, uma das primeiras respostas que podem ser dadas é o conviver com a diversidade. Hoje já não há dúvida que existem judeus de todas as raças e que todos mantém um fio condutor. Será ele a religião? Certamente não é a religião como pensada pela maioria das pessoas que vivem neste Brasil. É algo mais que seguir rituais e frequentar casas de oração.

Se olharmos os detalhes de comandos e leis é fácil identificar prescrições e  demandas.  Mas,  quando comparamos um judeu europeu do leste e do oeste, judeus africanos, iemenitas, iraquianos ou persas, com judeus da China e do Brasil, certamente muitos costumes e  demandas são diferentes.

"Narrativa de continuidade" é algo que deve transcender o tempo e as culturas. O meio ambiente e o meio cultural. É algo que deve focar na união entre o passado e o futuro, de forma a permitir que o presente possa servir de aprendizado e não de perda da vontade. E chegamos ao ponto chave: a EDUCAÇÃO e a FORMAÇÃO de mentes livres é uma das mais preciosas heranças que deixamos para as gerações seguintes.

O Talmud, um conjunto de livros escritos por 11 séculos, é uma coletânea de perguntas que foram sendo respondidas ao longo do tempo. É organizado de acordo com as questões e não de acordo com os muitos períodos que cobre.

Sinagoga em íidish é Schule (Schil) - escola! - Este é um espaço de estudo! E para se estudar o comum é escutar as questões levantadas pelos alunos. É conhecida a contribuição dos judeus para as ciências. Perguntar e responder faz parte deste contexto e, de uma forma muito clara, ser responsável um pelo outro. 

A última foto da imagem acima mostra uma jovem etíope fazendo Bat Mitsvá em Israel. Uma forma de integração das mulheres que há mais de 100 anos ocorre entre os judeus reformistas e conservadores. Mas, se olharmos entre os ortodoxos, já vemos uma quantidade muito grande de grupos que integram as mulheres nas áreas de estudo.

Lidar com a humanodiversidade e ser capaz de debater e discutir, estudar por toda a vida e considerar esta uma atividade de grande relevância não apenas para a formação dos jovens: esta, na minha opinião, é uma atividade diferencial que ao ser prestigiada por milênios vem permitindo a "narrativa da continuidade".


Boa semana!


Regina P. Markus




quinta-feira, 14 de maio de 2020

EDITORIAL: Coexistência




E o SarsCov2, vulgo coronavírus, continua passeando entre a pessoas deste Brasil. Poupando muitas, mas causando um número crescente de mortes. Nós, judeus, costumamos dizer aos enlutados: Baruch Dayan haEmet. Abençoado o Juiz Verdadeiro. 

Há um rito que foi sendo refinado ao longo dos séculos e que tem uma grande preocupação com o acolhimento da família. É um momento de coexistir entre dois mundos, é o momento da mudança de estado. Tanto os que têm crença religiosa quanto os que têm crença na humanidade encontram ritos para passar este momento. São muito diferentes do ponto de vista das rezas, mas a maioria conserva o hábito ancestral de visitar os enlutados e com eles relembrar momentos marcantes na vida de todos. 

Posso utilizar as últimas frases do parágrafo para qualquer grupamento de humanos, quer seja regido por religião ou por outro tipo de convivência. Assim, como a figura que ilustra este texto, há momentos que são estruturantes. Assim como temos cinco sons bem definidos, conjunto a que nos referimos como vogais. As vogais são estruturantes. Aqui vamos dar um salto em nossa imaginação, e entender que o mesmo ocorre quando grupos de pessoas diferentes coexistem em uma mesma nação. 

Há um motivo estruturante, mas este só será completo e poderá ser entendido se cada um dos blocos formadores deste conjunto tiver sua própria identidade. Coexistir não é converter. Coexistir não é ser melhor ou pior. Coexistir é ser diferente e ter a capacidade de entender no que o outro é melhor e no que é pior, de forma a melhorar o conjunto.

O Estado de Israel nos seus 72 anos de vida reconhecida pelas outras nações vem buscando tanto no âmbito interno quanto no externo processos de coexistência. A população, de maioria judaica, é formada por grupos de diferentes religiões, etnias, orientações sexuais, etc. Existe uma obrigatoriedade inconteste de educar os jovens, e a recusa dos pais em enviarem os filhos à escola é punida pela lei. Mas as escolas têm diferentes orientações e, apesar de todas serem públicas, o currículo pode ser de responsabilidade de cada comunidade. Já a educação superior é eletiva e todas as principais Universidades aceitam a todos. 

Ainda comentando sobre o ensino, nestes tempos de corona, o "Davidson Education Institute", que é o braço educacional do Instituto Weizmann, produziu materiais e programas para que crianças de diferentes grupos sociais pudessem participar dos cursos à distância. 

Coexistir além das fronteiras: este tem sido um grande objetivo. Se é um problema para o judeu cidadão de outros países, no caso do Estado de Israel também não tem sido muito fácil. Mas a segunda década do século XXI e estes tempos de corona vêm trazendo novos horizontes. Esta semana, publicamos fatos novos e muito promissores que vêm acontecendo no países árabes, que passam a buscar laços com a cultura judaica e com o Estado de Israel. 

Nestes tempos de corona, foi da Arábia Saudita que vieram máscaras e luvas necessárias para Israel. As brechas começam a ser abertas - e fiquem atentos que nas próximas semanas, em pequenas doses, vamos oferecer muitos exemplos destes olhos que se encontram, sem a necessidade de um abraço, ou mesmo um aperto de mão, como manda a etiqueta social dos países do oriente.

Coexistir é manter a identidade de cada um. O povo judeu, que tem mantido a sua identidade ao longo dos séculos sem infringir leis locais, agora tem soberania em um país onde a manutenção da identidade é um desejo coletivo.

Boa Semana!

Regina P. Markus

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Editorial - Festa das Luzes

Os cinco líderes religiosos na Festa das Luzes


A Festa das Luzes aconteceu, mais uma vez, no último sábado no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Trata-se de um evento anual movido pelo desejo de Paz no Mundo, entre nações, pela harmonia entre diversos. Participam corais formados por pessoas de várias religiões e representantes de cada uma delas trazem mensagens ressaltando como suas raízes são partes do todo e da essencialidade da harmonia.

Este ano, estiveram juntos Mae Rita (Ubanda), Sheik al Bukai (Islam), Monge Hernán Vilar (Budismo), Raul Meyer (Judaismo) e Cônego José Bizon (Catolicismo). 

As músicas escolhidas trazem o mesmo caleidoscópio de perspectivas e, ao cantá-las juntos, ombro a ombro, cobertos pela acústica grandiosa da basílica - e ainda com o gran finale de todos os familiares e amigos acompanhando - temos a sensação de que a esperança que todos compartilhamos só pode se realizar! 

Catarse! 

É um ápice, é a celebração do empenho diário ao longo do ano para que o desejo vá se transformando em realidade. A emoção geral da igreja absolutamente lotada e a emoção de estar irmanados vendo uma chanukiah brilhando junto à Coroa do Advento.



Chanukiah brilhando junto à Coroa do Advento


Todos os corais cantaram juntos Shir La Shalom - Canção para a Paz:



Deixe o sol se levantar
e a manhã iluminar.
A mais pura das orações
Não nos devolverá…
…Aquele cuja luz se apagou
e foi coberto pelo pó,
Nenhum choro vai acordar
e de volta não trará.
Ninguém nos devolverá,
de uma cova escura.
Nem a alegria da vitória,
nem canções tristes ajudarão !
Então cantemos a canção pela Paz !
Não murmuremos orações.
Só cantemos uma canção pela Paz !
Mais alto que os canhões !
Deixe o sol penetrar
por entre estas flores.
Não olhe mais para trás.
Deixe quem partiu repousar.
Erga o olhar com esperança.
Não pela mira de uma arma,
Cante uma canção para o amor,
e não para a batalha !
Não diga que ‘o dia chegará’.
Traga este dia !
( Pois ele não é um sonho )
E em todas as praças,
gritemos pela PAZ !
Então cantemos a canção pela Paz !
Não murmuremos orações.
Só cantemos uma canção pela Paz !
Mais alto que os canhões !…



Discurso de Raul Meyer em nome da comunidade judaica:

"Boa noite a todos, Shalom
Inicialmente quero agradecer ao Abade Mathias Tolentino, ao Prior Camilo, Don Alexandre responsável pelo coral do Mosteiro, aos meus irmãos monges beneditinos, aos meus colegas religiosos, aos coralistas e maestros e finalmente a todos vocês que vieram nos acompanhar nesta segunda Festa das Luzes.
Estamos festejando antecipadamente a Festa de Chanuká (que neste ano coincidirá com a semana do Natal).
A história desta festa está ligada ao II Templo de Jerusalém que tinha sido profanado pelos gregos com ídolos e sacrifícios de porcos.
Em 139 a.c., um pequeno exército liderado por Yehuda Macabi conseguiu expulsar os invasores e o Templo foi limpo e reinaugurado.
Na tradição Judaica, por uma semana acendemos cada dia uma vela a mais do candelabro chamado de Chanukiá que temos no altar deste templo sagrado juntamente com a coroa natalina que possui 4 velas - cada uma recordando um dia de advento.
As duas festas têm algo em comum...
Tanto a chanukiá como a árvore de natal, ou a coroa do advento, devem ficar expostas em janelas ou nos jardins - e eu pergunto: por que estas tradições e simbologias?
Uma luz deve ser vista num amplo lugar.
Uma luz que fica estrita a um espaço fechado não pode ser vista de fora, e assim luzes colocadas em janelas ou num grande ambiente podem ser vistas de longe.
Neste sentido, convido a todos nós que sejamos luzes que possam ser vistas também por quem não está perto.
Ser luz que significa trazer luminosidade aos que nos cercam, aos que encontramos em nossas atividades profissionais, às nossas atividades diárias, familiares, assistências... enfim, ao microcosmo de cada um de nós.
Uma antiga história conta que um professor pediu a um dos seus alunos que fosse ao porão e tirasse de lá a escuridão.
O aluno foi e voltou dizendo que não conseguia expulsar a escuridão de lá.
O mestre disse então ao aluno que voltasse ao porão com uma vassoura e varresse a escuridão para fora.
O aluno evidentemente foi e voltou desapontado, já que não conseguia atender as ordens do professor.
Aí o mestre deu um pedaço de pau e o enviou de novo ao porão com a ordem de açoitar a escuridão para fora.
Com o retorno do aluno pela terceira vez sem sucesso, o mestre  entregou a ele uma vela acesa para que a levasse ao porão.
O aluno, ao retornar, disse ao mestre que a pequena vela teria afugentado a escuridão.
O mundo em que vivemos lamentavelmente possui muitos lugares onde a escuridão da escravidão, da ignorância, da falta de educação prevalecem.
Que sejamos todos luzes fortes para divulgar a liberdade, ensinar aqueles que não sabem e trazer mais paz e fraternidade aos que nos cercam.
Shalom, 
Feliz Chanuka, Feliz Natal e Feliz 2020"

Um grande abraço e até o próximo ano - nossa comunicação retorna na semana de 13/01.
Comitê Editorial - Regina, Juliana e Marcela.