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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Refletindo sobre "Os Tempos"

Por Regina P. Markus

05/02/2026



Esta semana comemoramos Tu B'Shvat (15 de Shvat), o Ano Novo das Árvores. Esta data no calendário judaico é citada na Mishná (Tratado Rosh Hahaná 1:1). É um momento em que se contam os anos para os dízimos dos frutos e as leis que proíbem de comer frutos nos três primeiros anos de produção de uma árvore. Por que esperar 3 anos antes de colher os frutos? Assim como nós humanos, as árvores precisam desenvolver mecanismos de defesa quando uma parte do corpo é cortada. Qualquer um que já seguiu o desenvolvimento de uma árvore percebeu que leva vários anos para que frutos comecem a ser produzidos. E se estes forem colhidos assim que aparecerem, surge uma seiva no local de retirada. Parece que a árvore está sangrando. Anos depois, o fruto pode ser colhido sem nenhuma manifestação da árvore. É o sistema de coagulação sendo desenvolvido. Assim como em humanos, leva anos!

Consultando a IA, temos a informação clássica de que a Mishná, compilação das leis orais, foi escrita no ano 200 da Era Comum (E.C.) pelo Rabino Yehudá haNassi. É formada por seis volumes, conhecidos como ordens, e é a base do Talmud. Cada livro dedica-se a um aspecto das regras do judaísmo: (1) leis agrícolas e orações; (2) Shabat e feriados; (3) casamento, divórcio e contratos; (4) leis civis e penais; (5) doações e Templo; (6) leis de pureza e rituais. Poderia também ter apenas escrito com o que estudamos nas escolas judaicas, mas fica o registro do conhecimento universal do sistema.

Plantar árvores, comer refeições saudáveis e apresentar lindos arranjos de frutas e vegetais para que todos, inclusive as crianças, apreciem estes alimentos é uma antiga tradição. E fica sempre o destaque que estas regras não entram nas leis de cashrut, apresentadas no livro 6, porque devem pertencer a toda a humanidade. 

Ao ler com mais cuidado a Torá, encontramos em Dvarim (Deuteronômio 8:7-9) as seguintes palavras "Porque o Eterno, teu D'us, te traz a uma boa terra... terra de trigo e cevada, de figueira e de romeira; terra de oliveira que dá azeite, e de tamareira. E seguindo a leitura, encontramos as regras do plantio e da colheita e entre elas a regra do Sétimo Ano "Shemitá" no qual a terra deve descansar.

7 espécies - Shivat Haminin

Aqui, faço um retorno aos nossos dias, com o olhar voltado para Eretz Israel. 

O dia 7 de outubro de 2023 entrou para a história do 3º Estado de Israel como um momento de grande vulnerabilidade. Uma invasão feita pelo Hamas a partir de pessoas que já estavam dentro de Israel e aquelas que vieram da Faixa de Gaza. Kibutzim, moshavim e cidades foram invadidos. E também entraram no Festival Nova. Nova é um festival de música que reúne fãs do mundo inteiro. No verão de 2023 este festival ocorreu em Israel. Aquele foi um dia em que atrocidades foram cometidas e reféns foram levados de Israel. Os cidadãos israelenses após o choque inicial reagiram de forma a acolher os sobreviventes, deslocar pessoas para lugares seguros e muito mais. 

A seguir vieram os ataques do Hezbollah, da Jirad Islâmica e dos Houtis. Combater as várias frentes, prover vida segura aos atingidos. Iniciar reconstrução e desenhar um futuro que superasse estes momentos foi de grande importância. Paralelamente, era necessário recuperar os vivos e os mortos de todas as nacionalidades que haviam sido levados para Gaza. "Bring Them Home" foi um mote nacional e internacional. Uniu judeus e justos de todo o planeta. Finalmente, no dia 26 de janeiro de 2026, após 843 dias, os restos mortais de Ran Givili Z'L foram recuperados pelo Exército de Defesa de Israel (IDF). Encerra-se um capítulo da história.

O Irã, governado por ayatolás desde 1979, declarado inimigo de Israel, atacou com drones de longa distância durante 12 dias (12 a 24 de junho de 2025). A maioria dos drones foi abatida antes de chegar em território israelense. Os danos materiais que ocorreram foram importantes, mas minimizados pela capacidade de defesa. 

Chegamos então ao período em que comemoramos a volta de todos os reféns, inclusive de dois que estiveram em Gaza desde 2014. Mas ainda há a ameaça do Irã continuar atacando. 

E como chegarmos à PAZ? Na última reunião do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça, concentrada no tema "Um Espírito de Diálogo", o presidente dos EUA, Donald Trump, oficializou a criação do Conselho da Paz, um órgão internacional desenhado para supervisionar a reconstrução e a segurança da Faixa de Gaza e as fronteiras israelenses e egípcias. Na oportunidade Jared Kushner apresentou um projeto de longo prazo para reconstrução de Gaza. A grande imprensa focou na proposta de construção de uma infraestrutura hoteleira de alto luxo para dar sustentabilidade econômica, aproveitando as belezas naturais da região. Destaco aqui que a linha do tempo para a reconstrução inicia-se com a construção de habitações, escolas, hospitais e equipamentos sociais e de recreação nas áreas em que o Hamas não mais atua. Assim, inicialmente é proposto criar condições de vida e reativar a agricultura local para prover autosustentabilidade básica. É importante lembrar que esta zona era o pomar de Israel antes de 2005, quando lá habitavam árabes e judeus. Oxalá, estes projetos possam ser discutidos e implementados de forma harmônica, permitindo que as populações possam ter uma vida livre do ódio fomentado.

O FUTURO

Ao chegar em Israel pelo Aeroporto Ben Gurion, vemos fotos aclamando a vida dos que voltaram. Recuperação, família, integração! Estas são palavras do momento.

Israel está sendo integrado na sociedade e as comunidades judaicas ao redor do mundo encontrando os pontos de união com a sociedade israelense. 

Fica cada dia mais evidente que a sociedade israelense é formada por várias etnias. Algo que salta aos olhos é a quantidade de judeus israelenses de todas as idades que estão aprendendo árabe. Tive a oportunidade de interagir com árabes israelenses que estavam muito orgulhosos de ver seu idioma sendo entendido e apreciado por pessoas do dia a dia. 

Israel continuará sendo um "melting pot". Um conglomerado de pessoas que mantém a sua própria identidade ao mesmo tempo que ganham pertencimento em uma nação que sabe ser um diferencial na humanidade.

Ser um povo entre as nações é uma característica antiga do Povo Judeu. Ser uma nação que congrega povos é uma forma nova de encarar o único Estado Judeu no mundo. 


Le Dor va Dor - de geração em geração


Boa Semana!








3 comentários:

  1. Reflexões maravilhosas! Lindo acompanhar o texto na íntegra com as imagens! Parabéns Re!

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  2. Reflexões maravilhosas! Lindo acompanhar o texto na íntegra com as imagens! Parabéns Re!

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  3. Regina reflexões que se integram ao contexto de Tu Bishvat

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