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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

ACONTECE: Quais são os antônimos para a palavra milagre?

Por Juliana Rehfeld




Nos últimos dias houve uma sobreposição interessante: uma tempestade de rara magnitude derrubou milhares de árvores e deixou mais de um milhão de imóveis de São Paulo sem energia; após a agora demonizada concessionária responsável ampliar a falta de luz de um dia para oito dias em muitas residências, no domingo iniciamos a celebração de Chanuka lembrando o malsucedido cerco do Império Selêucida aos Macabeus no segundo Templo de Jerusalém em  165 A.E.C., quando se deu o milagre do óleo - suficiente para um dia - que durou oito dias… Conosco hoje aconteceu o oposto de um milagre! Achei 13 antônimos para a palavra milagre, todos na linha da banalidade, normalidade chegando a desgraça e calamidade. 

Quando em Bondi, na Austrália, se comemorava o milagre de 165 A.E.C, em 2025 pai e filho terroristas trouxeram a calamidade de - até agora - 16 mortos e mais de 40 feridos.

Vivemos cada vez mais tempos de desgraças do que de milagres…

As adversidades nos impedem de ver os milagres à nossa volta, se é que acontecem…

E tem sido em tempos de desgraças, de crises, que floresce o ódio, o culpar alguém pelo próprio infortúnio. Mas também tem havido ódio e cobiça em tempos de paz e prosperidade, a ambição e competição continuam alimentando almas pequenas mesmo que elas estejam se dando bem… é possível, e tem acontecido continuamente, criar-se em qualquer época e situação, teorias conspiratórias das quais dificilmente se escapa.

Como conta a Parashá desta semana, Mikets, já em tempos de “vacas gordas” quem tem sucesso, lidera, influencia, acaba incomodando por exercer esse controle, por “se sobressair”, como o fez José no Egito após interpretar os sonhos do faraó e propor estratégias de “poupança”, de prevenção contra os tempos de “vacas magras”, a fome e a escassez. Quando, após a morte do faraó amigo, um novo líder subiu ao trono, os hebreus já haviam se multiplicado e viviam bem em terras egípcias e temendo a força desta presença o novo faraó escravizou-os, perseguiu-os, levando-os a empreender o Êxodo…

Já mais recentemente na história, sofisticaram-se o ódio e a perseguição, travestindo-se de desprezo pela diferença, ímpeto de destruir o inferior, o impuro… 

O que é único em todos os tempos e circunstâncias, é que o povo judeu seja ao mesmo tempo alvo de todas as teorias conspiratórias - a de sobressair-se e dominar, controlar, portanto, oprimir, como a de ser diferente, menor, não merecedor, justificando, no extremo, a sua própria eliminação. 

Há tantos abrangentes e excelentes estudos sobre as bases do antissemitismo que nos ajudam a refletir e entender porque e como acontece e precisamos cada vez mais disso.

No nível não acadêmico uma ótima e interessante leitura é a potente provocação do comediante inglês David Baddiel - já escrevi aqui sobre ele - “Judeus não contam”, traduzido em 2022. Em tempos de grandes movimentos contra discriminação, contra o racismo, o antissemitismo não só não é incluído pelos “militantes” como, ao contrário, é reforçado, recrudesce! 

É frustrante perceber que mesmo que expliquemos e entendamos o fenômeno, estamos sempre aquém dos instrumentos que nos defendam das desgraças, dos ataques que nos alcançam em todos os lugares e de todas as maneiras… não dá para descansar, para deixar de se preparar, de ficar alerta. Não dá para esperar milagres…

Shabat Shalom.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Escarlate

 



Eu adoro a Sabedoria de nossa gente! Vocês sabem, né? Os conhecimentos que vão sendo legados, como preciosidades sublimes, por uma oralidade popular. A gente ouve um dito e toda a ciência do nosso cérebro começa a fazer sentido... Como eu nunca pensei nisso antes?

Camarão que dorme a onda leva! Dia da caça, dia do caçador! Passarinho que voa com morcego dorme de cabeça pra baixo! Tanta filosofia que vai sendo transmitida... Tradição! É o saber coletivo que ganha temperos individuais e volta para a brasa de um banquete popular.

Eu sempre ouvia que o sangue pretejava feito a terra. Em Jacareí a terra é escura, quase preta. Não é igual aquela do Oeste, vermelha na cor e roxa no nome... Dizem que os italianos, quando chegaram, chamaram aquela terra de “rossa”, e o caboclo brasileiro ouviu, adaptou e, mesmo vendo a vermelhidão que tudo ficava, acabou chamando-a de terra roxa...

Hospitalidade! Preferiu chamar de roxo aquilo que sabia vermelho, ao invés de chamar seus convivas de ignorantes...

E sabe o mais legal? Tem coisas que só o Altíssimo explica! O sangue, quando envelhece, quando perde oxigênio e frescor, vai roxiando... Vai pretejando! A terra que é escarlate, mas tem nome de roxa é quase o sangue do mundo... Dependendo do lugar, é vermelha! Dependendo do lugar, é roxa!

Aliás, dizem os sábios que mal conhecem o alfabeto, que sempre que o sangue derrama na terra, ela nunca esquece... Ela não esquece a morte e sempre celebra a vida! E sangue na terra é o que? MORTE! ASSASSINATO!

A terra se lembra. E a Humanidade, que no fim é terra, também. Ela morre um pouquinho...

Mas será que não tem jeito de um assassinato cair no esquecimento? Se banhar no Lete... Dizem que tem um ritual misterioso, indecifrável, que nem o rei Salomão, em toda sua Sabedoria, pôde desvendar...

Imagine uma novilha vermelha, com a pureza do alabastro. Suas cinzas, misturadas com água limpa e cristalina, purificam aquele que tocou a morte. Uma impureza profunda, a mais grave de todas, é lavada.

É daquelas coisas que mal se explicam, apenas se sentem. Sabe um sonho? A gente acaba de acordar, está tudo ali, na ponta da língua... Mas nenhuma palavra vem. Nada. E o sonho, igual um rodamoinho de saci, vai desaparecendo...

É que o sagrado não grita, ele sussurra seus segredos nos paradoxos. Lembra do mestre Ioda? Do Mestre dos Magos? A charada pra eles era o ponto e a vírgula pra gente!  E aqui que dá xeque-mate na gente: o sacerdote, o homem puro que conduz o ritual para purificar o impuro, torna-se, ele mesmo, impuro.

A pureza de um, para existir, depende da impureza voluntária do outro. Que coisa mais linda! Que coisa mais trágica!

Ligo a TV: mais um assassinato. Uma jovem. Um nome, uma história, sonhos interrompidos a faca ou a bala. Longe de mim. Não conhecia a vítima, nem o covarde assassino. Mas a verdade da nossa unidade invisível, me bateu no peito: aquele sangue, derramado a quilômetros de distância, também manchou as minhas mãos.

O assassinato nunca é um ato individual. Ele é um rasgo no tecido da coletividade. Cada vida amputada é uma profanação no corpo do povo. Pensa no ritual da vaca vermelha: a mancha nunca desaparece; ela só é transferida.

O celebrante se contamina para que o outro se purifique, mas a impureza da morte continua circulando entre nós, o sangue que passamos de mão em mão. A comunidade nunca sai ilesa. A humanidade nunca se limpa por completo de um mal tão profundo.

A lição da vaca vermelha, penso eu, é a lição da responsabilidade coletiva!

Não existe problema delas. A violência que atinge a periferia escurece o sol do bairro nobre. A bala que cala uma voz empobrece o debate na universidade. O ato de matar não cria apenas um morto e um assassino. Cria um povo de luto, uma terra que se lembra, uma comunidade inteira que se torna, de certa forma, celebrante daquele ritual sombrio.

A vida só se realiza na convivência, na unidade coletiva. E a morte violenta, da mesma forma, é uma ferida que só se sente na coletividade.

O que fazer, então, se a mancha é indelével?

Nós nos tornamos os celebrantes. Assumimos a impureza como nossa. Não nos isentamos, não apontamos o dedo, não nos trancamos em nossas bolhas de pureza artificial. Pelo contrário.

Aceitamos que, para purificar o mundo, precisamos estar dispostos a nos "sujar" com a realidade dele. Precisamos carregar um pouco da cinza, um pouco da dor, um pouco da responsabilidade. É o nosso fardo e a nossa honra.

A vida é sagrada. A esperança é sagrada. E a pureza não é um estado de ausência de manchas. É a decisão diária e corajosa de segurar a mão do impuro e sussurrar: "Estamos juntos nisso. Sua dor também é minha."

Que não nos enganemos. A terra sempre se lembrará. Mas que ela se lembre não apenas do sangue derramado, mas também dos celebrantes que, com as mãos marcadas pela cinza, ousaram plantar uma semente de esperança em seu solo.

Sejamos puros. Não pela isenção, mas pelo compromisso. JUNTOS!


André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social e em Economia Política.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: O passeio

 



         Sexta-feira. Calor de dezembro. O Sol já buscava abrigo para deixar a Lua e as estrelas reinarem. Moyse pediu licença para seus amigos e começou a se aprontar. Era um passeio que tinha sido meticulosamente planejado.

Lembrou do que sua avó sempre falava: “Quando o Homem faz planos, D´us ri!”.

Será que vai dar certo? Será que a gente deve? Será que não tem problema? Sua esposa, Chaya, ia se questionando em voz alta enquanto arrumava o comboio.

Daniel ainda queria terminar a partida de videogame. Moyse ralhou. Você nem devia ter ligado isso! Vá para o carro, já!

O pequeno Benny, coitado, ainda estava na idade de ser só conduzido, nunca conduzir.

A dona Rivka, avó de Chaya, estava receosa... Será? Por outro lado, tudo é tão lindo, tão mágico... O Altíssimo não ia permitir tanta Beleza se não fosse boa... Muito boa...

Todos no carro. Dúvidas e expectativas. Moyse afirmava que ia ser muito bom. Ele era a animação em pessoa. Comerciante da Santa Efigênia, já tinha vislumbrado alguns daqueles enfeites... Queria, muito, mostrar aquele deleite para os seus!

Quem quer compartilhar a Beleza deve entender que ela está no coração de quem vê! Ela não é externa, está dentro de nós.

Seu avô sempre contava de um rabi, há milênios, que andava pela Terra Santa. Na beira do caminho, a carcaça em decomposição de um cachorro. Todos os seus companheiros de viagem se enojavam. Terror! Que cena horrível! Ele apenas olhou... Nunca se viram dentes tão alvos e lindos em todo o Reino!

As saudades perfumaram suas memórias... Pensou na avó e no avô uma vez mais... Será que eles gostariam do passeio? O que falariam?

Moyse entendeu, como seu pai sempre ensinava, que se ele quisesse que todos gostassem, deveria, ele mesmo, gostar antes e dar o exemplo! A vida é assim! Quem quer iluminar deve ser Luz, e aí, ver o milagre acontecer... Um... Dois... Três... Oito...

No carro, ainda na Brigadeiro, rumo à Paulista, dona Rivka olhou para os carros presos em um engarrafamento e exclamou com a Beleza iluminada da cidade nessa época. Luzes por todos os cantos! Um turma de médicos e enfermeiros vinha descendo... Jalecos brancos lembravam a neve da Bessarábia!

Uma lágrima escorreu... Ela pensou em como Aram a fizera feliz naqueles bosques gélidos como algodão... Depois, o cinza e o vermelho emporcalharam a paisagem e causaram tanta dor, tanto sofrimento...

Mas a memória de Aram continuava limpa e pura...

Muito obrigado, Moyse! Amo você! Amo todos vocês, minha família!

Paulista iluminada! Beleza enorme! Gente na rua! Gente cantando! Benny chora! É a fome! Será que não teria sido melhor ficar em casa? Eles não estariam presos num carro congestionado por tanto tempo... Chaya estava feliz mas receosa... Ela abriu a bolsa... Serviu umas bolachas e um pouco de água para Benny.

Prefeitura iluminada. Praça da Sé irreconhecível de tão linda... A família estava feliz mas com um pé atrás... Sempre uma pulga atrás da orelha ficava... Será que poderiam gostar de tudo o que viram? Será que era lícito, justo, se esbaldar com as Luzes?

Voltando para casa ainda passaram pelo Higienópolis. Brilhava como um diamante entalhado a ouro por mãos de fadas e duendes.

Moyse olhou pelo retrovisor. Seu olhar se demorou em Chaya. Sorriram e souberam: aquela era a Liberdade. Nada mais importava. As dúvidas foram embora. Estavam juntos.

Daniel, Benny e d. Rivka dormiam...

Sonhavam...

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

 

ACONTECE: As Luzes de Chanuka - 164 anos AEC (antes da era comum)

 AS LUZES DE CHANUKÁ - uma viagem por milênios

 Por Regina P. Markus - 11/12/2025 - 21 de Kislev de 5786


Dezembro 2025 - Réplica da Chanukiá do 2o Templo colocada no Kotel haMaaravi. As famílias dos reféns estarão comemorando a celebração de Chanuká 

Por que Chanuká este ano (5786) é diferente de todas as comemorações feitas nos últimos 2.188 anos (2025+163)? Esta é uma pergunta que vem reverberando em muitos judeus ao redor do mundo e muitos israelenses não judeus. Hoje (11/12/2025), ainda não está de volta o policial Ran Gvili, uma das 251 pessoas levadas para Gaza pelos invasores em 7 de outubro de 2023. A Chanukiá de 2 metros de altura e 2 metros de largura feita em bronze pesa aproximadamente uma tonelada. A Fundação do Patrimônio do Kotel haMaharavi doou a Chanukiá e este ano haverá uma comemorção em todos os dias com a participação das famílias enlutadas e dos feridos das Forças de Defesa de Israel (IDF). 

Sim, esta Festa de Chanuká é diferente de todas as outras. É uma Festa em que a alegria será redobrada pela expectativa de tempos iluminados. Assistir aos vídeos em que famílias se reúnem. Feridos superam os traumas visíveis e um enorme contingente de pessoas se envolve no acolhimento e acompanhamento - é realmente edificante e merece ser comemorado com alegria. Mas, em tempos muito próximos, por exemplo, 2022, apesar reconhecermos as dificuldades e as tensões jamais imaginamos o que viria a acontecer. Neste ACONTECE vamos dar uma volta no tempo e entender por que Alexandre o Grande, o famoso imperador grego, não destruiu Jerusalém quando lá esteve em 332 AEC. Uma viagem usando Inteligência Artificial! Leiam e Comentem...

O Segundo Templo de Jerusalém foi consagrado por volta de 516 a.C., após o retorno dos  judeus do exílio babilônico, com as fundações lançadas por volta de 535 a.C. e a construção retomada em 521 AEC sob o reinado de Dario I da Pérsia. A estrutura do Templo foi ampliada por Herodes. A destruição aconteceu no ano 70, quando Roma já era o grande império conquistador. Entre o Império Persa e o Império Romano, os gregos avançaram e conquistaram o mundo. Mas uma das importantes características dos gregos foi não destruir culturas e civilizações. Incorporaram vários dos conhecimentos e procedimentos de muitos povos na sua forma de atuar. No caso de Israel não foi diferente. Conta a inteligência artificial que Alexandre, o Grande, esteve em Jerusalém por volta de 332 a.C., após conquistar Tiro, sendo recebido pacificamente pelo Sumo Sacerdote Iado, que lhe mostrou profecias do livro de Daniel sobre seu império, levando Alexandre a respeitar a cidade e seus costumes. 

IADO é a abreviatura de "ao lado de Dús". Jerusalém e o Monte do Templo enfeitaram-se para receber o Imperador Grego. O profeta Daniel conta que IADO colocou suas melhores vestes, as que usava para entrar uma vez por ano no local mais sagrado do Templo, onde eram guardados os rolos de Torah que chegaram com Moisés. Alexandre o imperador sentiu-se honrado, reverenciou IADO e HaSHEM (O NOME). E foi neste momento que IADO sugere que todo o menino que nascer naquele ano em Israel deveria chamar ALEXANDER. Até hoje é tradição em muitas comunidades judaicas dar o nome de Alexandre ou Alexander a um de seus filhos. 

Quando o Imperador Alexandre falece aos 32 anos na Babilônia, não deixa herdeiros. Seu filho com Roxana era um bebê e foi morto. O vasto império foi dividido entre seus generais (Ptolomeu, Seleuco, Lisímaco e Cassadro) e surgem os Reinos Helenísticos (Egito, Síria e Macedônia). O Reino da Síria invade Judá e Shomron e conquista Jerusalém. O Templo é transformado em um local de adoração a Zeus. E é neste contexto que os irmãos Macabeus organizam a retomada do Templo. Yehudá ha Macabi - entra no Templo, levanta a luminária e havia óleo para apenas 1 dia. No entanto, este óleo dura 8 dias, até que fosse terminada a prensa de mais óleo de oliveira. Este é o milagre de Chanuká. 

Enquanto trabalhamos com afinco para ligar o passado ao futuro, também conseguimos sobreviver ao presente!

CHAG SAMEACH!

E aqui vão alguns detalhes do presente que não podem ser esquecidos.

Neste período de trégua foi muito grande o número de refugiados palestinos acolhidos em países europeus e nas américas. Enfim, no mundo ocidental. Muitos indicam mudanças relevantes nas populações ocidentais. Sem repetir estatísticas, que não temos como validar, podemos avaliar esta transformações observando os políticos eleitos nos grandes centros como Londres e Nova York. Impossível ligar de forma generalizada este fato com antissemitismo, porque entre os cidadãos de origem árabe ou de fé mulçumana e cristã há aqueles que não cultivam o ódio aos judeus. Mas... é sempre preciso estar alerta.

Vejam a foto distribuída nas últimas semanas, onde foi identificado um dos que atacaram Israel no dia 7 de outubro de 2023 em um bazar de Natal na Bélgica. 

E o contraponto vem de Israel moderno. Terceiro Estado Livre de Israel. OLHEM COM CUIDADO A FOTO ABAIXO:


Árabes-israelenses cumprindo seu dever com o Estado de Israel, como nunca antes!

"O alistamento de Drusos nas Forças de Defesa de Israel (IDF) atingiu 85%. O serviço militar entre Beduínos ultrapassa 60%. O alistamento de árabes-cristãos triplicou no último ano. Lembrando que árabes israelenses não são obrigados a prestar serviço militar. Alistam-se como voluntários."

Judeus, cristãos, drusos e muçulmanos não lutam entre si em Israel. Todos lutam juntos para proteger Israel.

O que acontece na GALUT?
Estamos sempre olhando para os prováveis inimigos externos - e os amigos?

No dia 10 de dezembro de 2025 em uma reunião da "Israel Allies Foundation, IAF" em Washington, foi assinada por 35 países uma resolução denominada "Standing United for Thruth, Justice, and the only Jewish State". O Brasil também foi um dos signatários desta resolução.

Encerrando este texto da mesma maneira que comecei. Ao contar a história da construção do 2o Templo é mandatório falar de Dario I (521 AEC) da Pérsia. E agora, um dos signatórios desta resolução foi o Xá Reza Pahlevi da Pérsia que tem uma importante liderança em seu país! AO FUTURO 💝💝💝💝💝💝💝💙💙💙💚💚💚🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌

Xá Reza Pahlevi (esquerda); Ric (direita)



CHAG SAMEACH - AM ISRAEL CHAI
Regina P Markus.






quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

ACONTECE: Imagens que fascinam





Por Juliana Rehfeld


Vivemos em um tempo de imensa disponibilidade de informações, tanto em forma de texto como de imagens. Na verdade, há um excesso disso, uma profusão que nos sobrecarrega, nos invade e nos ofusca. Não só é difícil distinguir entre as palavras ou as fotos e vídeos, como se torna quase impossível processar e entender seu significado. Como, portanto, perceber o que é fato, o que é verdade, o que é significativo? 

Se tivéssemos mais tempo e vontade de refletir no que aparece poderíamos ir segmentando, organizando e alinhando o que lemos e vemos em uma sequência que trouxesse o “fio da meada” e desenrolasse as causas e efeitos que se amontoam produzindo a história em que vivemos… mas não temos tempo e, muitas vezes, nem a vontade de nos debruçarmos sobre esta enorme “pilha” de dados, e fatos, e relatos, e opiniões, e tantos outros pedaços de informação, então, eles e elas vão se acumulando à nossa volta, captamos e consumimos e combinamos as mais marcantes, mais chamativas e impactantes, e as digerimos ao molho do dia, sob o sol de mais de 30 graus, o ar condicionado do carro ou metrô, ou, cada vez mais, abrigados de chuvas torrenciais ou ciclones cada vez mais velozes. E aí, estamos prontos para a próxima avalanche. Prontos? 

Que imagem combina com isso? Pensei em pedir à inteligência artificial que montasse uma imagem para expressar esta nossa sobrecarga, mas antes que eu o fizesse me apareceram as imagens da semana! O que poderia ser mais significativo? 

Ontem foi publicada uma fotografia do espaço cheio de linhas retas, desencontradas, parecendo um “pega-varetas” (lembra?) sideral, ilustrando a “proliferação de satélites que ameaça a observação do céu com telescópios“.  “As luzes geradas pelo meio milhão de satélites previstos para entrar em órbita nos próximos anos podem ameaçar no futuro as imagens captadas pelos telescópios espaciais, alertaram astrônomos da Nasa”. O que primeiro chamou minha atenção foi a grande semelhança desta imagem com o desenho que meu neto de 10 anos fez este mês no meu IPad - parece que isto já naturalmente passeia pela mente das crianças, muito melhor “equipadas” do que nós para o consumo, sem indigestão, desta parafernália de imagens. 



Mas pensei um pouco mais e achei incrível a mensagem que isto traz, a horrível mensagem: a busca e transmissão de tanta informação cada vez mais nos impede de observar, “a olho nu”, isto é, por nós mesmos, sozinhos, o céu! Aquilo que sempre nos fascinou, os poetas, os seresteiros e os amantes, como diz uma música popular, para onde os olhos e a inspiração nos levam a sonhar na grandeza do universo, na possibilidade de não estarmos sozinhos, nós e nosso planeta… este grande espaço vazio está cada vez mais cheio de equipamentos, acessórios, robôs, e, porque não dizer, lixo tecnológico que nós mesmos colocamos lá. 

É por causa destes objetos, na verdade impressionantes, que somos capazes de receber tantas informações em velocidade cósmica, conseguimos saber o que está acontecendo, em tempo real em qualquer canto deste mundo sem cantos, mas é isso, também, que está nos cegando, ensurdecendo, enlouquecendo?

Não, não nos rendemos, vocês e eu, e perseguimos, incansável e inexoravelmente, o sentido disso tudo, porque só assim funcionamos direito, ressignificando, continuamente, e muitas vezes, coletivamente, o que se nos apresenta. 

Mas, por fim, não só o raciocínio ou a memória e a estatística nos ajudam nesta avaliação do que está por aí. A imaginação e a poesia nos proporcionam no meio desse turbilhão momentos de rara beleza. Também ontem, olha só a coincidência, (será que existe?) foi publicada uma outra imagem do espaço - “Telescópio no Chile registra imagem inédita de “borboleta cósmica”! E informa que o registro revela detalhes do fim violento de uma estrela que colapsou e espalhou gás quente pelo espaço ao seu redor. Pobre estrela, azar… a imagem é lindíssima, colorida e etérea, assim como são muitas imagens de sonhos que temos, quando conseguimos nos lembrar deles. Lindos, brilhantes, tantas vezes nos enchem de esperança, nos inspiram, e aí respiramos fundo para encarar a próxima semana!



 

Shabat Shalom!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Dalila e Sansão

 



          Sentado. Cadeira numerada. Lima. É... Dalila ficou lá... Eu aqui! O show do início ia terminando. A barba coçava. O cabelo incomodava.

Ele pensou na promessa...

Só mais um sacrificiozinho até o Fla ser Tetra! E Dalila, como será que tava? Como ela pôde cometer tanta traição? Jogar fora meu manto da sorte? A camisa com que o maestro Júnior regeu aquela vitória...

          Tetra de novo...

          Lembrou daquela televisãozinha preto e branco de Caraguá... Era só chuvisco... Ele e o pai... Tantos anos... E a camisa da vitória... Era o tio que tava lá no Maraca! Ele tinha me dado no fim daquele ano...

          Saudades... Tempo bom!

          Ela casou comigo já sabendo da minha paixão pelo Fla! Doença rubro-negra! Não tinha o direito de ficar fula com minha promessa... Eram só uns mesezinhos até o Fla ser tetra! Que custava aceitar que eu não ia cortá o cabelo nem fazê a barba? E Lima então? Só um pulinho pra ver a final! Precisava ficá sem falá comigo? Quanta ignorância...

          Saudades... Queria ela ali, do lado!

          Mas a camisa era demais! Tá certo que nem cabia! Tava desbotada, desbeiçada mesmo. E daí? Precisava jogar? Agora, sem o amuleto, sem a minha força, é capaz do Fla perdê... Num quero nem vê...

          Apita o juiz! Jogo que começa!

***

Sentada. Sofá. TV ligada em Lima. É... Sansão tava lá... O show do início ia terminando. Será que tá tudo bem? Aquela barba? Aquele cabelo? Onde já se viu? Um juiz se portando assim! Que vergonha!

Ainda bem que o seu Manoá não tava mais aqui... Imagina ele vendo essa depravação do filho? Barbudo? Cabeludo? Falando tudo errado? Beberrão? Seu Manoá que era boa gente. Tá certo... Gostava do flamengo... Metade do Brasil também gosta. Normal...

Eu era pequenininha mas lembro do sacrifício que foi pra colocar o Sansão no Colégio Militar...

Que vergonha!

E agora ele tirou férias... Achei que ia ficar comigo... Era nosso aniversário! Todo mundo sabe! Até a dona Hazel trouxe um bolo pra gente! Mas ele foi pra Lima... Não devia estar aqui, do meu lado? Cadê o foco?

E aquela camisetinha? Pra que tanto drama? Tava toda desbotada... Desbeiçada... Como eu ia saber do valor sentimental? O menininho que ganhou tratou ela com tanto luxo, tanta emoção! Era um troféu! Ele vibrava! Deu tanto gosto de ver...

Sansão devia ter visto... Sansão... Saudades...

***

Num falam que a vida é uma caixa de chocolates? Tô aqui, sozinho, com a cabeça a mil, sabe? Dalila... ah, Dalila. Ela é a Luz! A minha Luz! Quando chega, ilumina tudo! Mais até que o gol do Danilo!

E agora, aqui... Sozinho... Presepada!

Tudo tem limite, sim. Não é só município, não! O sacrifício tem que ter propósito, objetivo. Não é um poço sem fundo. E o sagrado? Não era minha força, o meu poder. Tava no amor dela, na pureza, e eu troquei isso por uma superstição boba. Eu nunca devia ter gritado! Ter vindo! O amuleto era só um pedaço de pano...

Agora, aqui, nessa solidão que dói... Eu queria tá lá com ela...

O bom é que agora, aqui a gente começa a enxergar... A Luz, a verdadeira Luz, só aparece depois que a gente passa pelas trevas. É como se a gente precisasse de uma faxina interna, sabe? Tirar a poeira, o ego, as bobagens que a gente acumula. É preciso se esvaziar pra poder se encher de novo. E aí, a gente percebe a diferença entre ter a Luz e não ter... Entre a presença dela, o carinho, o riso, e esse vazio que me consome.

A bênção verdadeira não é ganhar tudo, não é ter a força de um touro. É ter paz, é ter amor, é ter a consciência tranquila. É saber que você fez o certo, mesmo que doa.

E a música... ah, a música do estádio, a torcida cantando, aquilo é um louvor a D'us, sim! É a alegria, a paixão, a união de milhares de corações batendo juntos. É a manifestação do divino no cotidiano, na paixão!

Eu não soube o tempo certo de cada coisa. O tempo de amar, o tempo de lutar, o tempo de refletir. Eu misturei tudo, e deu no que deu. Mas agora, a ficha caiu. Amanhã cedinho a cabeça vai tá raspada, a barba feita...

É hora de recomeçar, de mostrar que a força não tá no cabelo! A gente ganhou na raça, no coração!

***

Aeroporto lotado! Que ideia de gerico viajar nessa época!

Vozes, mala... Eu sabia que ela jamais ia tá lá... Mas não custa nada ter Esperança! Eu já era outro, sim. Sansão tá de volta pra sua Dalila! O cabelo já tava bem curto, quase raspado. A barba tinha sumido. Eu voltei mais... eu.

Nas mãos, flores. Um presentinho de saudades...

Inacreditável! Ela tava lá! Dalila. Minha Dalila! Linda! Mas ela não tava sozinha...

Do lado dela, em cima da mesinha, uma réplica da taça Libertadores e uma camisa retrô do Flamengo, autografada pelo Júnior. Eu não acreditava! Ela sabia. Ela sempre soube.

Nossos olhos dançaram e o mundo parou. Éramos só nós. E fui... Ela riu!

Perdão! Esperança! Tudo!

***

E foi ali, exatamente ali, que eu soube. Não é um raio nem um trovão! É energia! É a Força Divina, sim! Mas ela não tá lá fora, não tá em nenhum amuleto ou ídolo! Era a Força do Perdão. A força que brota quando dois corações se abrem, se reconhecem, se aceitam.

Era a centelha de D'us! Sempre ali, dentro de nós! Não no meu cabelo, não na taça, não na camisa autografada, mas na capacidade de amar, de errar e de recomeçar.

Nossos lábios se encontraram em um beijo que era promessa, que era recomeço, que era a certeza de que, juntos, a gente podia ser mais forte, mais sábio! A verdadeira força estava ali, no amor que renascia, purificado e eterno.

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

 


VOCÊ SABIA? - Charlie Kirk

 

Por Itanira Heineberg


Charlie Kirk, Universidade de Utah Valley, Orem, USA, 10 de setembro 2025


Você Sabia que um palestrante, ao ser convidado para expor suas ideias, mesmo em um país democrático, nunca poderá ter certeza de que suas vozes serão ouvidas?

Infelizmente foi isso o que aconteceu com Kirk em setembro de 2025, ao se dirigir a um grupo de estudantes na Universidade de Utah.

Chegou ao evento acompanhado de sua esposa e dois filhos, cheio de energia e vontade de iluminar e inspirar os jovens de sua nação - mas não foi muito adiante.

Logo no início, uma pessoa na plateia perguntou a Kirk: "Você sabe quantos atiradores em massa existiram nos Estados Unidos nos últimos 10 anos?"

 Kirk respondeu: "Contando ou não a violência de gangues?"

Foi quando um forte tiro foi ouvido e Kirk caiu em seu assento, sangue já escorrendo pelo pescoço...  e a multidão de 3 mil pessoas correu em desabalada carreira, sem entender o momento que viviam, sem saber para onde deveriam fugir em busca de sua própria proteção...



Kirk era conhecido por conduzir debates ao ar livre em universidades dos EUA.

Ele liderava o grupo de estudantes conservadores Turning Point USA e tinha um podcast, além de milhões de seguidores nas redes sociais.

A organização afirma que sua missão é "identificar, educar, treinar e organizar estudantes para promover os princípios da liberdade, do livre mercado e do governo limitado". A TPUSA possui núcleos em mais de 850 campi universitários que cadastram estudantes para votar, além de milhões de seguidores nas redes sociais.

Charlie Kirk, cristão evangélico, 14/10/1993  -  10/09/2025, é considerado um ícone do conservadorismo contemporâneo.

Nasceu em Arlington Heights, Illinois, e cresceu em Prospect Heights.

Sua mãe é conselheira de saúde mental, enquanto seu pai é arquiteto.

 Kirk foi membro dos Escoteiros da América e alcançou o posto de Escoteiro Águia. Em 2010, durante seu terceiro ano na Wheeling High School, ele foi voluntário na bem-sucedida campanha para o Senado dos Estados Unidos do republicano Mark Kirk (sem parentesco), de Illinois. Em seu último ano do ensino médio, Kirk criou uma campanha para reverter um aumento no preço dos biscoitos em sua escola. Ele também escreveu um artigo para o Breitbart News alegando parcialidade liberal nos livros didáticos do ensino médio, o que levou a uma aparição na Fox Business.

Sempre ativo e inquisidor em suas atividades, sempre em busca de uma vida melhor e mais justa para todos.


Kirk e sua esposa Erika



Parece-me impossível que se possa ceifar uma vida jovem, cheia de entusiasmo e envolvimento com o outro e seu país, com um simples capricho de uma mente desinformada.

O assassino, Tyler Robinson, de 22 anos, indiciado dois dias após o crime pela Justiça dos EUA, simplesmente escreveu para sua namorada:

 “Tenho a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitá-la.”

Isto demonstra quão frágeis somos, suscetíveis a maníacos, lobos solitários, ou simplesmente egoístas que povoam nossa sociedade.

Caso Tyler seja condenado, ele pode enfrentar a pena de morte. O jovem também foi acusado de lesão corporal gravíssima, obstrução da Justiça, coação no curso do processo e agressão violenta cometida na presença de uma criança.

Um disparo, um único disparo que parece ter sido feito de uma "posição elevada em um prédio acadêmico", a cerca de 90 a 180 metros de distância, calou a voz de Kirk diante de sua esposa e filhos.

Como julgar esta situação?

Como sobreviver a este atentado fatal?

Devemos expor nossas ideias e pensamentos? Nossas aspirações para um mundo melhor? Que segurança nos oferece a democracia?

Quantos mais serão vítimas de seres ignorantes e desequilibrados?

Quantas famílias chorarão a dor da perda de um membro querido eliminado por  um terrorista?

Aqui fica um alerta para todos os sonhadores por um mundo mais digno, altruísta e humano.

Este jovem visionário de fé cristã, sempre disposto a conquistar a verdade e a justiça, apoiava muito Israel.

Durante uma visita a Jerusalém em 2019, ele disse a uma audiência: "Sou muito pró-Israel ... e defendi Israel durante toda a minha vida". Em agosto de 2025, ele disse: "Tenho um currículo à prova de balas mostrando minha defesa de Israel... Acredito nos direitos de terra bíblicos dados a Israel. Acredito no cumprimento da profecia ", e acrescentou que "lutaria por" Israel.

Kirk frequentemente repetia pontos de discussão pró-Israel sobre a guerra de Gaza. Contrário à mídia dominante ele culpou o Hamas pelas mortes de civis em Gaza e negou que Israel esteja matando os palestinos de fome.


Kirk com Simone Gold, fundadora da America’s Frontline Doctors – fórum da TPUSA em 2020


 

 

FONTES:

 

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/turning-point-criada-por-charlie-kirk/

https://unitedwithisrael.org/jerusalem-memorial-for-charlie-kirk-becomes-call-to-defend-israel/

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp8wk54nx0go

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/09/16/tyler-robinson-principal-suspeito-de-assassinar-charlie-kirk-e-indiciado-por-homicidio-e-outros-crimes.ghtml