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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

VOCÊ SABIA? - Uma gota, uma criança salva da assustadora poliomielite no século XX.

 

Por Itanira Heineberg





Você Sabia que Albert Sabin (1906–1993) foi um médico e pesquisador judeu que desenvolveu a vacina oral contra a poliomielite (paralisia infantil) na década de 1950, lançada nos anos 1960? E que, diferente da vacina injetável de Salk, a VOP (Vacina Oral Poliomielite), conhecida como "gotinha", é feita com vírus atenuado, facilitando a imunização em massa e erradicando a doença em quase todo o mundo?

No Brasil a versão oral contribuiu para a extinção total da doença.


Albert Sabin, médico judeu que erradicou a poliomielite com uma gota.


Sabin nasceu em uma família de judeus em 1906, na cidade de Białystok, então parte da Rússia (atualmente Polônia), e emigrou em 1921 para os Estados Unidos com sua família. Sabin estudou medicina na Universidade de Nova Iorque e desenvolveu um intenso interesse em pesquisa, especialmente na área de doenças infecciosas. Em 1931, completou o doutorado em medicina. Passou uma temporada trabalhando em Londres em 1934, como representante do Conselho Americano de Pesquisas. De volta aos Estados Unidos, tornou-se pesquisador do Instituto Rockfeller de Pesquisas Médicas. Nesse instituto, demonstrou o crescimento do vírus da poliomielite em tecidos humanos.

De posse de tantos conhecimentos e pesquisas e do trabalho de Jonas Salk em busca da cura para a poliomielite, Sabin dedicou-se com entusiasmo ao estudo da doença que assustava o século. E assim ele chegou a uma nova vacina, uma vacina oral, usando vírus enfraquecidos - o que permitiu criar imunidade intestinal e impedir a circulação do vírus. Como seu colega, Sabin procurou salvar vidas e melhorar os resultados na área de saúde nas comunidades do mundo.

A vacina oral de Sabin foi fundamental para reduzir drasticamente os casos de poliomielite, que em 1988 ainda somavam cerca de 350.000 casos anuais no mundo.

No Brasil, centenas de escolas, hospitais, clínicas e instituições brasileiras levam o seu nome. O cientista recebeu do governo brasileiro, em 1967, a Grã-Cruz do Mérito Nacional.

Abaixo temos o médico Albert Sabin em palestra no Instituto Fernandes Figueira – IFF/Fiocruz, durante visita ao Brasil no dia 28 de junho de 1961 — Foto: Arquivo Nacional



A ligação de Sabin com o Brasil vinha de duas décadas antes e havia sido coroada por um casamento. Desde que desenvolveu, em 1960, sua famosa vacina para combater a paralisia infantil, aplicada oralmente e por isso chamada popularmente de "gotinha", o cientista esteve no Brasil por diversas vezes ministrando palestras, oferecendo consultorias e contribuindo para os esforços de erradicação da doença. Em 1971, em uma festa em sua homenagem realizada no Rio, conheceu a brasileira Heloisa Dunshee de Abranches (1917-2016). Um ano depois, estavam casados.

Sabin faleceu em 1993, mas seu legado persiste como um dos pilares da saúde pública moderna e da erradicação de doenças.


Unidade Hospitalar Albert Sabin em Atibaia


Mais uma vez o Judaísmo se fez presente em sua constante preservação e apreço pela vida humana. Tanto Salk como Sabin, cientistas dedicados e desprendidos, abriram mão de lucros para que a vacina descoberta e eficaz, não patenteada, fosse produzida de forma econômica e distribuída de graça, mundialmente.

Assim como aconteceu no Brasil, tanto a vacina inativada de Jonas Salk como a atenuada de Albert Sabin contribuíram e seguem contribuindo para a erradicação do vírus causador da paralisia infantil em todo o mundo. Graças à vacinação, os casos de pólio reduziram 99% em todo o globo, caindo de 350 mil em 1988 para apenas 29 notificações em 2018.

Atualmente a doença permanece endêmica apenas no Afeganistão e no Paquistão. 



Em novembro de 2024, o Ministério da Saúde do Brasil oficializou a substituição da vacina oral poliomielite (VOP), conhecida popularmente como a "gotinha, pela Vacina Inativada Poliomielite (VIP), que é exclusivamente injetável.

Essa mudança marca o fim do uso da gotinha no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para reforços e visa tornar a vacinação ainda mais segura e alinhada com as recomendações internacionais.

Aqui estão os detalhes principais da mudança:

O que mudou no esquema vacinal (2024)

Fim da Gotinha: A vacina VOP (atenuada) não é mais utilizada.

Apenas Injeção (VIP): A vacina utilizada agora é a VIP (inativada), composta por vírus mortos, sendo mais segura.

Novo Esquema: A vacinação contra a paralisia infantil é realizada apenas com a vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses de vida, com um reforço injetável aos 15 meses.

Reforço de 4 anos: A dose de reforço que era aplicada aos 4 anos de idade com a gotinha foi retirada do calendário, pois o esquema de 3 doses + 1 reforço aos 15 meses é suficiente.

 

FONTES:

https://butantan.gov.br/butantan-educa/salk-x-sabin-conheca-a-corrida-cientifica-por-tras-das-duas-vacinas-que-derrotaram-a-paralisia-infantil

https://www.scielo.br/j/hcsm/a/9tFSfwSZjFX6NpSvxq9NZws/?format=html&lang=pt

https://bvsms.saude.gov.br/26-8-dia-do-nascimento-de-albert-sabin/

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8888238/

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/07/10/como-sabin-foi-colaborar-na-erradicacao-da-polio-no-brasil-e-acabou-saindo-pela-porta-dos-fundos.ghtml

https://butantan.gov.br/butantan-educa/salk-x-sabin-conheca-a-corrida-cientifica-por-tras-das-duas-vacinas-que-derrotaram-a-paralisia-infantil


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