Por Itanira Heineberg
Você Sabia que Albert Sabin (1906–1993) foi um médico e
pesquisador judeu que desenvolveu a vacina oral contra a poliomielite
(paralisia infantil) na década de 1950, lançada nos anos 1960? E que, diferente
da vacina injetável de Salk, a VOP (Vacina Oral Poliomielite), conhecida como
"gotinha", é feita com vírus atenuado, facilitando a imunização em
massa e erradicando a doença em quase todo o mundo?
No Brasil a versão oral contribuiu para a extinção total
da doença.
![]() |
Albert Sabin, médico judeu que erradicou a poliomielite com uma gota. |
Sabin nasceu em uma família de judeus em 1906, na cidade
de Białystok, então parte da Rússia (atualmente Polônia), e emigrou em 1921
para os Estados Unidos com sua família. Sabin estudou medicina na Universidade
de Nova Iorque e desenvolveu um intenso interesse em pesquisa, especialmente na
área de doenças infecciosas. Em 1931, completou o doutorado em medicina. Passou
uma temporada trabalhando em Londres em 1934, como representante do Conselho
Americano de Pesquisas. De volta aos Estados Unidos, tornou-se pesquisador do
Instituto Rockfeller de Pesquisas Médicas. Nesse instituto, demonstrou o
crescimento do vírus da poliomielite em tecidos humanos.
De posse de tantos conhecimentos e pesquisas e do
trabalho de Jonas Salk em busca da cura para a poliomielite, Sabin dedicou-se
com entusiasmo ao estudo da doença que assustava o século. E assim ele chegou a
uma nova vacina, uma vacina oral, usando vírus enfraquecidos - o que permitiu
criar imunidade intestinal e impedir a circulação do vírus. Como seu colega,
Sabin procurou salvar vidas e melhorar os resultados na área de saúde nas
comunidades do mundo.
A vacina oral de Sabin foi fundamental para reduzir
drasticamente os casos de poliomielite, que em 1988 ainda somavam cerca de
350.000 casos anuais no mundo.
No Brasil, centenas de escolas, hospitais, clínicas e
instituições brasileiras levam o seu nome. O cientista recebeu do governo
brasileiro, em 1967, a Grã-Cruz do Mérito Nacional.
Abaixo temos o médico Albert Sabin em
palestra no Instituto Fernandes Figueira – IFF/Fiocruz, durante visita ao
Brasil no dia 28 de junho de 1961 — Foto: Arquivo Nacional
A ligação de Sabin com o Brasil vinha de duas décadas antes e havia sido coroada por um casamento. Desde que desenvolveu, em 1960, sua famosa vacina para combater a paralisia infantil, aplicada oralmente e por isso chamada popularmente de "gotinha", o cientista esteve no Brasil por diversas vezes ministrando palestras, oferecendo consultorias e contribuindo para os esforços de erradicação da doença. Em 1971, em uma festa em sua homenagem realizada no Rio, conheceu a brasileira Heloisa Dunshee de Abranches (1917-2016). Um ano depois, estavam casados.
Sabin faleceu em 1993, mas seu legado persiste como um
dos pilares da saúde pública moderna e da erradicação de doenças.
![]() |
Unidade Hospitalar Albert Sabin em Atibaia |
Mais uma vez o Judaísmo se fez presente em sua constante
preservação e apreço pela vida humana. Tanto Salk como Sabin, cientistas
dedicados e desprendidos, abriram mão de lucros para que a vacina descoberta e
eficaz, não patenteada, fosse produzida de forma econômica e distribuída de
graça, mundialmente.
Assim como aconteceu no Brasil, tanto a vacina inativada
de Jonas Salk como a atenuada de Albert Sabin contribuíram e seguem
contribuindo para a erradicação do vírus causador da paralisia infantil em todo
o mundo. Graças à vacinação, os casos de pólio reduziram 99% em todo o globo,
caindo de 350 mil em 1988 para apenas 29 notificações em 2018.
Atualmente a doença permanece endêmica apenas no
Afeganistão e no Paquistão.
Em novembro de 2024, o Ministério da Saúde do Brasil
oficializou a substituição da vacina oral poliomielite (VOP), conhecida
popularmente como a "gotinha, pela Vacina Inativada Poliomielite (VIP),
que é exclusivamente injetável.
Essa mudança marca o fim do uso da gotinha no Programa
Nacional de Imunizações (PNI) para reforços e visa tornar a vacinação ainda
mais segura e alinhada com as recomendações internacionais.
Aqui estão os detalhes principais da mudança:
O que mudou no esquema vacinal (2024)
Fim da Gotinha: A vacina VOP (atenuada) não é mais
utilizada.
Apenas Injeção (VIP): A vacina utilizada agora é a VIP
(inativada), composta por vírus mortos, sendo mais segura.
Novo Esquema: A vacinação contra a paralisia infantil é
realizada apenas com a vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses de vida, com um
reforço injetável aos 15 meses.
Reforço de 4 anos: A dose de reforço que era aplicada aos
4 anos de idade com a gotinha foi retirada do calendário, pois o esquema de 3
doses + 1 reforço aos 15 meses é suficiente.
FONTES:
https://www.scielo.br/j/hcsm/a/9tFSfwSZjFX6NpSvxq9NZws/?format=html&lang=pt
https://bvsms.saude.gov.br/26-8-dia-do-nascimento-de-albert-sabin/
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8888238/






Nenhum comentário:
Postar um comentário