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quinta-feira, 18 de junho de 2026

ACONTECE: Poder X Influência: Onde está a bola?

 

Israel vencendo a Copa de 1964 da Confederação Asiática de Futebol


Há uma explicação preguiçosa que as pessoas repetem: Israel simplesmente “não pode se qualificar” para a Copa do Mundo.

Isso é tecnicamente verdade da mesma forma que dizer que um lutador “perdeu porque foi nocauteado” é verdade. Descreve o resultado, não o sistema que o produziu.

A história real é mais desconfortável — e muito mais reveladora sobre como o esporte internacional realmente funciona quando a política entra em campo. Apropriadamente, nossa história começa com o Irã.

A ascensão do futebol iraniano nas décadas de 1950 e 1960 acompanhou de perto a modernização mais ampla do Irã sob o Xá. Na década de 1950, a seleção nacional ainda era inconsistente e regionalmente menor, mas sua participação nas primeiras competições asiáticas marcou uma mudança: o esporte estava se tornando parte de como o Irã se apresentava internacionalmente, mesmo antes de ter a infraestrutura ou consistência de um poder de futebol.

No início da década de 1960, os resultados melhoraram o suficiente para tornar o futebol politicamente visível. Vitórias e derrotas contra rivais regionais como Iraque, Índia e Paquistão começaram a atrair a atenção da principal liderança política, incluindo críticas diretas quando os resultados decepcionaram. Em meados da década de 1960, o futebol havia ultrapassado o wrestling como o esporte mais popular do Irã.

As relações Irã-Israel nesta fase eram estruturalmente contraditórias. Oficialmente, não havia laços diplomáticos formais, e Teerã evitou cuidadosamente o reconhecimento aberto. Mas, na prática, as relações eram extensas: cooperação de inteligência, exportações de petróleo, comércio, rotas aéreas e trocas técnicas continuaram. Israel manteve uma presença em Teerã, enquanto o Irã simultaneamente se alinhou (pelo menos retoricamente) com posições árabes em fóruns internacionais, especialmente nas Nações Unidas.

Esse relacionamento de pista dupla criou uma tensão política que acabaria se espalhando para o esporte. Após a Guerra dos Seis Dias de 1967, o sentimento público dentro do Irã mudou mais fortemente em favor das posições árabes e palestinas. A retórica anti-Israel aumentou na imprensa e no discurso público, enquanto o estado tentou equilibrar a opinião doméstica com seus laços estratégicos silenciosos com Israel. O futebol, agora uma obsessão nacional de massa, tornou-se uma das poucas arenas onde essa contradição poderia surgir indiretamente.

Essa contradição tornou-se visível na Copa da Ásia de 1968 em Teerã, onde Irã e Israel se encontraram em uma final que tinha um significado muito além do esporte. A partida se desenrolou em um clima moldado pela raiva regional pós-1967, pela simpatia pública iraniana pelos árabes e pelo crescente desconforto com a proximidade percebida do Xá com Israel.

Embora o Irã e Israel ainda cooperassem nos bastidores, a atmosfera pública havia mudado. A partida foi acompanhada por expressões nacionalistas e anti-Israel nas arquibancadas, e depois a violência teve como alvo partes da comunidade judaica do Irã. A mudança chave não foi apenas o jogo em si, mas a percepção de que o futebol havia se tornado um recipiente para conflitos de identidade política dentro do Irã—não apenas uma rivalidade esportiva.

Esse evento também desencadeou um efeito a longo prazo: crescente insegurança entre os judeus iranianos e o início de pressões de emigração mais visíveis, mesmo que a cooperação oficial Irã-Israel continuasse.

Nos anos que se seguiram, o futebol iraniano entrou em sua “idade de ouro”, vencendo várias Copas da Ásia e não se classificando para as primeiras Copas do Mundo. Isso culminou na decisão do Irã de sediar os Jogos Asiáticos de 1974 em Teerã, uma vitrine elaborada projetada para projetar uma imagem de um estado moderno, voltado para o exterior e cada vez mais influente sob Shah Mohammad Reza Pahlavi.

Como um dos principais parceiros regionais do Xá na época, Israel foi convidado a participar da competição. Quatro anos antes, o então estado judeu de 22 anos se classificou para a Copa do Mundo realizada no México (como parte da Confederação Asiática de Futebol), a primeira e única participação de Israel no evento global de futebol.

Mas os Jogos de 1974 também expuseram até que ponto o esporte se tornou politizado na Ásia. O conflito árabe-israelense moldou cada vez mais a participação esportiva, e a presença de Israel no esporte asiático já estava sob pressão de boicotes e oposição diplomática. Durante os Jogos, várias delegações se recusaram a competir contra atletas israelenses em diferentes esportes, transformando o evento em um palco para protestos políticos coordenados, em vez de uma competição unificada.

No futebol, Israel entrou no torneio considerado um dos times mais fortes na disputa pela medalha de ouro, uma visão também mantida pelo técnico do Irã, Frank O'Farrell. No entanto, seu caminho para a final foi incomum: avançou em parte porque tanto a Coreia do Norte quanto o Kuwait se recusaram a enfrentá-lo por razões políticas. Como um jornalista egípcio baseado no Kuwait colocou para seu colega israelense:

“Eu só posso tomar café com você, mas jogar futebol — não podemos. Temos instruções, há um governo, tomamos a decisão de não comparecer contra Israel. É proibido, é proibido.” ¹

Para Israel, este foi um ponto de virada: mesmo quando estava fisicamente presente no esporte asiático, estava sendo sistematicamente excluído da própria competição. Para o Irã, revelou uma contradição que o regime não podia mais controlar totalmente - hospedar Israel em Teerã enquanto operava simultaneamente em um ambiente esportivo asiático, onde a política de boicote estava se tornando a norma.

No momento em que o torneio de futebol chegou à sua etapa final, o Irã e Israel novamente se viram posicionados para um confronto que não era mais acidental. Relatórios e decisões sobre agendamento, atribuições de arbitragem e colocações em grupo criaram a percepção de que o estabelecimento esportivo do Irã não era neutro. O simbolismo do Irã como anfitrião, Israel como participante e o contexto político árabe mais amplo fizeram com que a sensação final fosse predeterminada em seu significado, mesmo antes do início.

“Os judeus iranianos nos ofereceram sua hospitalidade, nos presentearam e até nos encorajaram durante todo o torneio”, disse Shiyeh Feigenboym, que jogou pela seleção israelense de futebol. “No entanto, antes da final, eles nos notificaram que não poderiam comparecer. Eles marcaram casas judaicas e, consequentemente, estavam ausentes da final.” ²

A final de 1974 tornou-se assim o clímax de uma longa escalada: da modernização do Irã e da ascensão do futebol, à cooperação secreta Irã-Israel, à polarização política pós-1967, à ruptura de 1968 e, finalmente, aos Jogos Asiáticos, onde o próprio esporte se tornou uma arena proxy para o alinhamento regional.

Jogadores e jornalistas descreveram a final Irã-Israel não como um jogo, mas como um ambiente saturado de significado político.

“Cinco minutos após o jogo, Shalom Schwarz fez uma pausa no lado esquerdo e me passou a bola a cerca de 20 metros do gol. Eu dei um tiro poderoso, e a bola atingiu a barra transversal”, contou Feigenboym. “Em última análise, perdemos por 1 a 0 devido a um gol contra de Yitzhak Shum. Depois do jogo, os jogadores me disseram: 'Ouça, se seu chute tivesse entrado no início, eles teriam nos linchado.' Esse foi o sentimento predominante.”

Duas semanas depois, em 14 de setembro de 1974, assim como os Jogos Asiáticos estavam chegando ao fim, a Confederação Asiática de Futebol expulsou o futebol israelense. A mudança impediu Israel de participar de competições oficiais da Confederação de Futebol Asiático e a impediu de sediar partidas sob a estrutura da organização, incluindo o cancelamento das eliminatórias da Copa das Nações Asiáticas programadas para serem realizadas em Israel em 1975.

Isso seguiu uma tendência familiar durante grande parte do período pós-1948, depois que Israel humilhou os cinco exércitos árabes atacantes em sua Guerra de Independência naquele ano. Muitos estados árabes e muçulmanos se recusaram a reconhecer Israel diplomaticamente, o que estabeleceu a linha de base para seu isolamento regional. Isso se traduziu em um boicote mais amplo da Liga Árabe que restringiu os laços comerciais e de investimento, incluindo pressão secundária e terciária sobre as empresas que fazem negócios com Israel.

Paralelamente, Israel foi amplamente excluído das estruturas regionais - econômicas, de transporte, culturais e acadêmicas - porque a participação em tais sistemas dependia do reconhecimento político que a maioria dos estados detinha.

Israel acabou sendo colocado na União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) na década de 1990. Isso muitas vezes é mal interpretado como geografia. Não é. É governança. As confederações da FIFA não são continentes. São ecossistemas administrativos projetados para garantir dispositivos previsíveis, ciclos de qualificação funcionais e estruturas de competição politicamente sobreviventes.

Israel se moveu não porque a Europa estava “mais próxima”, mas porque a Europa era estável o suficiente para hospedar sua participação sem colapsos constantes. Essa solução veio com um custo oculto que quase nunca é declarado claramente.

Uma vez que Israel entrou na UEFA, não mudou apenas os oponentes. Isso mudou a probabilidade. Na qualificação para a Copa do Mundo da UEFA, Israel agora compete na mais densa concentração de seleções nacionais de elite do mundo: França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália, Portugal, Holanda, Croácia e Bélgica. E abaixo deles, há um segundo nível de nações que seria dominante em qualquer outra confederação.

Na maioria das regiões, uma equipe pode construir um caminho de qualificação através de oponentes de classificação inferior, equilíbrio regional e transtornos ocasionais. Na Europa, não há um “nível inferior” estável para confiar. Cada grupo é uma luta de faca. Uma única janela ruim pode acabar com tudo.

Então, quando as pessoas perguntam por que Israel não está na Copa do Mundo, muitas vezes estão fazendo a pergunta errada. A verdadeira questão é: Por que a rota de Israel foi colocada no sistema mais competitivo do esporte?

O futebol internacional é construído sobre uma contradição: trata a identidade nacional como fixa (você representa seu país), mas trata a estrutura competitiva como ajustável (você joga onde a governança permite). Portanto, os resultados não são apenas sobre talento; eles são sobre colocação. E a colocação é história.

É por isso que o futebol israelense é bom considerando todas as coisas (é o esporte mais popular em Israel), mas países como Iraque, Catar, Jordânia, Cabo Verde, Costa do Marfim e Haiti se qualificam para a Copa do Mundo, enquanto o estado judeu não.

A mudança de Israel da Confederação Asiática de Futebol para a União das Associações Europeias de Futebol resolveu um problema, mas criou outro: a ausência aparentemente eterna de Israel na Copa do Mundo.

Pode-se argumentar que isso é efetivamente um boicote sem a declaração formal.


Juliana Rehfeld


Análise a partir do artigo "The Real Reason Israel Doesn't Go to the World Cup", de Vanessa Berg, publicado hoje, 18/06, no The Future of Jewish.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

VOCÊ SABIA? - Judeus de cores diferentes?

 

Por Itanira Heineberg


Você Sabia que a Índia abriga comunidades judaicas antigas que foram historicamente divididas em "judeus pretos" e "judeus brancos"? E essa distinção não se baseia necessariamente na raça, mas sim na época de chegada e na miscigenação local?

Os anais dos judeus na Índia remontam à História Antiga.

O judaísmo foi uma das primeiras religiões estrangeiras a chegar à Índia na história, segundo registros. Os judeus indianos são uma minoria religiosa da Índia, mas, ao contrário de muitas partes do mundo, têm vivido historicamente no país sem qualquer exemplo de antissemitismo por parte da população local.

A República da Índia é a segunda nação mais populosa do mundo, com mais de 1,2 bilhão de habitantes. O país possui um rico legado histórico de distintos grupos judaicos antigos. Hoje, a população judaica da Índia é de aproximadamente 4.500 pessoas.

Judeus de Cochin, ou Judeus Pretos/Nativos, estabelecidos na costa do Malabar há mais de mil anos, eram chamados de "pretos" devido à sua pele mais escura e maior integração com as populações locais.



 Kochi, Cochin, ao sul do país.


Os judeus de Cochin, uma pequena e singular comunidade no sudoeste da Índia, têm sua identidade e época de chegada ao país desconhecidas: algumas lendas especulam que marinheiros que traziam suprimentos de Malabar para o Rei Salomão, há quase 3.000 anos, podem ter fundado o primeiro assentamento judaico ali, enquanto outras sugerem que judeus da terra de Israel vieram para a Índia após a destruição do primeiro (século VI a.C.) ou segundo (século I d.C.).

A primeira evidência de uma comunidade judaica em Malabar é muito mais recente e data dos séculos IX e XI d.C., na forma de inscrições em placas de cobre que concediam diversos privilégios às comunidades judaicas e cristãs locais por governantes locais.

Uma comunidade significativa de judeus viveu em Cranganore até 1341 d.C., quando uma enchente devastadora assoreou o porto da cidade, e, durante os séculos seguintes, muitos deles se mudaram para Cochin (atual Kochi) e cidades próximas.

No início do século XVI d.C., judeus sefarditas exilados da Península Ibérica (Espanha e Portugal) se estabeleceram em Cochin, chegando diretamente de suas terras natais ou após residirem na Turquia e na Síria, onde muitos outros judeus sefarditas exilados também se estabeleceram.

Com o aumento do número desses judeus estrangeiros, eles formaram sua própria comunidade de judeus Paradesi (“estrangeiros”), separada da comunidade judaica local.

Essa distinção entre judeus Paradesi (também chamados de judeus “brancos” de Cochin) e judeus nativos de Malabar (chamados por pessoas de fora de judeus “negros” de Cochin) foi mantida por centenas de anos, e os judeus Paradesi geralmente se casavam apenas dentro de sua própria comunidade ou com outros judeus estrangeiros que se estabeleceram na Índia, como os judeus iraquianos (“bagdadis”).

Além disso, os judeus de Cochin mantiveram relações com os judeus iemenitas, e alguns judeus iemenitas também se juntaram às comunidades de Kerala.

A comunidade judaica de Cochin tem sido pequena durante séculos, com cerca de 2400 membros na Índia por volta de 1954 d.C., pouco antes da maioria deles imigrar para Israel.

Dentro dos judeus de Cochin, os judeus Paradesi sempre foram uma pequena minoria, representando aproximadamente menos de 10% dessa comunidade em 1948 d.C., e sua migração mais gradual para Israel começou principalmente na década de 1970.


Sinagoga Paradesi (Kochi): Fundada em 1568, é a sinagoga mais antiga em atividade na Commonwealth (Comunidade das Nações).

Situada em Jew Town (Mattancherry), destaca-se por seus pisos de azulejos chineses pintados à mão e lustres belgas. Atualmente, é o único templo da comunidade ainda com culto ativo em Kerala.




A estrutura consiste em um edifício retangular de paredes brancas com telhado de telhas e portões de ferro forjado decorados com a Estrela de Davi. Uma torre do relógio em estilo holandês, com quatro relógios apresentando quatro estilos numéricos diferentes — hebraico, romano, malaiala e arábico — foi adicionada pelo principal comerciante da Companhia Holandesa das Índias Orientais na Índia, Ezekiel Rahabi, em meados do século XVIII.

Muita informação até agora, mas isto não é nada em comparação com tudo o que podemos encontrar sobre estes judeus da Índia em livros de história, revistas, jornais, sites, etc.

Até onde contar esta história milenar?

Assim, para finalizar este infindável tema, com um pouco de charme e imagens mais atuais, abaixo segue um vídeo interessante sobre estes judeus que em busca de liberdade e segurança percorreram terras e mares até chegarem ao sul da Ásia num atraente país localizado no subcontinente indiano. Clique para assistir:

 

https://www.instagram.com/reel/DXjvu-3DL-c/?igsh=MmI1cWZsenZlazQ2

 

 

FONTES:

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5020127/

https://www.reddit.com/r/Judaism/comments/1q1kkjd/sixteenth_century_drawing_of_cochin_jews_from/?tl=pt-br

https://jewishvirtuallibrary.org/india-virtual-jewish-history-tour

https://www.britannica.com/topic/Paradesi-Synagogue

https://revista.brasil-europa.eu/131/Cochim-Judeus_do_Malabar.html

 


quinta-feira, 11 de junho de 2026

ACONTECE: Uma Semana na Gangorra

 Por Regina P. Markus

11 de junho de 2026


Para resgatar as noticias da semana foi feita busca via Inteligência Artificial do Chrome e acesso a grupos que transmitem notícias de Israel @a.krok. e jornais de grande circulação.


Ao juntar as informações que parecem caóticas, fica evidente que elas devem ser analisadas no contexto do caos determinista. Eventos que apontam para muitas direções, mas que têm um objetivo que aflora e afunda. Não posso esquecer que a Copa da Mundo está começando e que o Irã está na disputa. Será que os elementos podem ser conectados?

Além de atacar Israel, no transcorrer da semana o Irã atacou bases americanas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos e atacou com um drone especial um helicóptero americano Boeing AH-64 Apache (3h30 dia 9/06/2026). Esta aeronave tem a capacidade de criar uma redoma à sua volta “cegando” aeronaves de ataque teleguiadas. Os dois tripulantes saltaram no estreito de Ormuz e foram resgatados com segurança em uma operação inédita do Comando Central America usando uma embarcação autônoma guiada por inteligência artificial. Os Estados Unidos da América (EUA) já venderam a aeronave para Israel, Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Arábia Saudita, Catar, Egito e Reino Unido.

Isaac Herzog – Wikipédia, a enciclopédia livre

No dia 10 de junho o Presidente de Israel, o Presidente Isaac Herzog visitou o norte de Israel. O porta voz da Presidência comunicou que durante sua visita, o Presidente Herzog enviou uma mensagem ao Presidente e ao povo do Líbano. Falando em árabe, o Presidente Isaac Herzog dirigiu-se ao Presidente e ao povo libanês:

“Da fronteira norte de Israel, estendo uma mão de paz ao Presidente do Líbano e ao povo libanês. Mas o Líbano deve permanecer livre da influência do Irã, do Hezbollah e das organizações terroristas, como uma nação independente e soberana.”

“Meu sonho é viajar para Beirute, e esse sonho ainda está vivo, mas somente se o futuro do Líbano for decidido em Beirute, e não em Teerã.”

Falando em inglês, o Presidente Herzog acrescentou:

“Foi o Hezbollah que violou a Resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2006. Foi o Hezbollah que violou o acordo de cessar-fogo de 2024. Israel não pode aceitar nenhum ataque contra os nossos cidadãos, nenhum ataque que cruze as nossas fronteiras, nenhum ataque terrorista. Temos todo o direito de nos defender e, enquanto não houver um acordo claro que proteja a nossa nação, será impossível avançar. Portanto, está nas vossas mãos, lutem por isso.”

Em muitos jornais que deram esta notícia claramente, inclusive no O GLOBO, há sempre comentários sobre ações de Israel no sul do Líbano, em território ocupado pelo Hesbollah e por forças da ONU. E, neste caso vemos novamente a criação do caos do lado dos informantes. Importante mencionar que nesta corrente encontramos muitos jornalistas, inclusive jornalistas judeus ou filhos de judeus.

Este tema foi explorado pela jornalista Nira Broner Worcman no Estadão (6/06/2026) e no Times of Israel (10/06/2026). Sob o título “O Pulitzer consagrou uma narrativa distorcida” é mostrado como “uma premiação de grande relevância pode validar atividades jornalísticas que nem sempre resistem a uma análise rigorosa dos fatos.” Nira revela que a foto do jornalista Saher Alghorra, colaborador do The New York Times, em que um menino esquelético é carregado por sua mãe não resistiu a uma análise criteriosa da imagem. Esta imagem com mais de dois anos, que parecia caracterizar uma deficiência alimentar extrema. Uma foto do mesmo menino publicada no Times of Israel, ao lado dos irmãos, mostrava um garoto saudável com peso e estatura compatível com a idade. A reportagem continua citando e comparando outros casos. (https://blogs.timesofisrael.com/the-pulitzer-and-the-triumph-of-narrative-over-fact/). Coloco apenas o texto em inglês porque para acessar o Estadao tem que ser assinante.

E nesta volta por vários temas lembro da UNRWA, Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos. *By@Krok*

“Mais de 100 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) foram encaminhados para suspensão ou exclusão do recebimento de recursos dos contribuintes americanos após um órgão federal de fiscalização concluir que eles ajudaram o Hamas a executar o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Entre os indivíduos citados estão diretores e vice-diretores de escolas da UNRWA, professores, agentes de segurança, auxiliares, conselheiros psicossociais e profissionais da área médica.

O desfecho ainda não aconteceu... ou melhor, o desfecho que levaria em conta as revelações do relatório especial do governo americano. Até o momento continua-se tratando palestinos como refugiados, mesmo quando moram em mansões em países ocidentais.

Esta semana, ao ler a parashá Shelach Lecha (Bamidbar) 13:1 a 15:41 fiquei com a sensação de que a história se repete. Não necessariamente como uma espiral, mas também com a forma como os fatos são relatados. Havia pouco que Moisés e o Povo de Israel haviam saído do Egito e a localização geográfica permitiria que atingissem a Terra Prometida rapidamente. Moisés envia representantes das 12 tribos de Israel para detectar quais seriam os empecilhos. Dez voltam informando que esta seria uma missão impossível e dois voltam com fatos positivos. O desenrolar da longa parashá mostra a ira de HaShem e sua decisão que apenas as gerações seguintes entrariam na Terra Prometida. Há então um desdobramento sobre a organização das tribos e as responsabilidades individuais. A Parashá Shelach termina com o terceiro parágrafo da prece do Shemá, contendo a mitsvá de colocar tsitsit, que serve como um constante lembrete para nós, de HaShem e Seus mandamentos.

Encontramos neste momento o conflito interno entre os judeus israelenses chamados ortodoxos. Estes não serviam as Forças de Defesa de Israel (IDF) alegando ter que abandonar as suas práticas religiosas. A partir de 7 de outubro de 2026 este contingente importante da população judaica de Israel é necessário para a sobrevivência. É importante distinguir dois grupos de ortodoxos em Israel. Os Dati Leumi (sionistas ortodoxos) que sempre estiveram integrados nas FD e exercem cargos de elite nas Forças Aéreas de Israel (IAF). Encontramos mulheres pilotas e pesquisadoras de destaque. Os Haredim, que são conhecidos como ultraortodoxos, passaram a ser obrigados a prestar serviço militar por decisão da Suprema Corte. Este ano a IAF criou duas unidades que permitem aos haredim manterem suas práticas religiosas. São unidades técnicas que abrigam de forma separada homens e mulheres. O último versículo da parashá, mencionado acima, tem sido usado por rabinos e mestres para incentivar o alistamento.

Muito temos para contar, analisar e ESPERAR. Mas para terminar é importante lembrar que o AMOR junto com o RESPEITO forma uma união entre indivíduos. E estes são todos únicos! A evolução dos fatos mostra que sempre há esperança e uma forte vontade de encontrar caminhos que superem os impasses.

 

Regina 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ACONTECE: Behaalotecha - a hora de sair e o período de ficar

 



“Nada de novo no front”, ou, nos fronts… uso aqui a mesma ironia do escritor alemão Erich Maria Remarque, autor do livro de 1929 de mesmo nome: ele trazia essa frase que era do sistema de comunicação da fronteira na primeira guerra mundial para lembrar que apesar desta informação na realidade muitos soldados eram feridos ou mortos… já então era comum apenas mencionar se houvesse algum fato muito relevante mas costumava-se banalizar as baixas, mortes eram números nem dignos de nota fora do dia-a-dia local…

Os fronts mudam, a tecnologia das batalhas evolui e, sim, felizmente há menos feridos ou mortes quando se trocam as baionetas nas trincheiras e artilharia da época pelos drones mesmo que explosivos, mas a nossa banalização das baixas à distância permanece, cansamo-nos de acompanhá-las. Elas continuam e não há nada de relevante nas frentes de negociação que as faça parar. 

Há negociações de todos os lados mas os combates continuam firmes…

Os dias estão particularmente difíceis para Netanyahu: pressão militar para debilitar o Hezbollah, pressão americana e de parte da população para cessar-fogo, pressão interna à coalizão devido à questão do alistamento dos ortodoxos, com provável antecipação das eleições, e pressão, ainda e sempre, pela investigação sobre as falhas de 7 de outubro. “Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come”.

Há várias conexões e paralelos entre o nosso momento e a parashá desta semana, Behaalotecha. Deus pede a Moisés que instrua o sacerdote Aarão a apontar para frente ao acender as luzes da Menorá, e nós precisamos que na escuridão das guerras sem fim as lideranças acendam luzes que acenem para um futuro de paz à nossa frente…

Parte fundamental da parashá é a nuvem divina que paira sobre o tabernáculo e que dita o ritmo da jornada pelo deserto. Esse ritmo é irregular e imprevisível e, para adequar-se, o povo precisa ficar alerta, preparado para sair ou para ficar por um tempo… nós precisamos, ao longo da nossa jornada, entender e prepararmo-nos para a hora de sair e para o período de ficar.

Na Parashá, apesar dos milagres, o povo reclama da alimentação e sente saudade do Egito. Entendemos que em momentos de pressão prolongada, as pessoas frequentemente se concentram no que falta e idealizam o passado. A parashá mostra que mesmo uma geração que presenciou eventos extraordinários não estava imune ao desânimo. Temos vivido décadas com avanços incríveis em todos os campos mas hoje frequentemente parecemos encurralados no que chamávamos de evolução ou progresso…

Na parashá, com as reclamações do povo e com críticas por parte de seus irmãos, Miriam e Aarão, Moisés fica sobrecarregado e pede ajuda a Deus, que então lhe ordena que escolha 70 anciãos para dividir consigo as responsabilidades da liderança… esta instância é a precursora do Sinédrio (o Sanhedrin), que só será estabelecido durante o período do Segundo Templo e dos Congressos e Parlamentos atuais... estas instituições que, se não ajudam e muitas vezes atrapalham os líderes na governança de seus países, são no entanto poderes fundamentais para buscar o equilíbrio de nossas frágeis democracias.

Por fim, em casa ou nas sinagogas estamos acendendo velas para mais um Cabalat Shabat, o recebimento do Shabat. Nesta ocasião acendemos apenas 2 velas. E por que 2? Para simbolizar os dois momentos em que são apresentados os dez mandamentos e que fazem referência ao Shabat: Zachor e Shamor.

Zachor (זכור) — “Lembra-te do dia de Shabat para santificá-lo” (Êxodo 20:8).

Shamor (שמור) — “Guarda o dia de Shabat para santificá-lo” (Deuteronômio 5:12).

Esta evolução é significativa - lembrar é importante mas é essencial agir, celebrar o Shabat parando as atividades sobretudo para refletir sobre a semana e se preparar para a próxima. 


Shabat Shalom

Juliana Rehfeld

VOCÊ SABIA? - O único país com mais judeus depois do que antes da guerra é muçulmano

 

Conheça a história da Albânia, do seu código de honra e dos muçulmanos que salvaram milhares de judeus do Holocausto.

Por Itanira Heineberg


Famílias albanesas, em sua maioria muçulmanas, acolheram em suas casas e protegeram milhares de refugiados de países como Alemanha e Áustria que fugiam da perseguição durante o Holocausto.

Você Sabia que a Albânia foi o país que apresentou o maior número de judeus em seu território ao final do Holocausto, ao contrário dos outros? Foi o único país em que isso aconteceu.

Hoje, seus cidadãos figuram entre os Justos entre as Nações no Jardim do Yad Vashem, o Centro Mundial da Memória do Holocausto em Jerusalém, Israel.

"Justos entre as Nações" é o título concedido pelo Museu do Holocausto - Yad Vashem - a não judeus que arriscaram suas vidas para salvar judeus durante o Holocausto. A Albânia é mundialmente reconhecida por este feito histórico, abrigando dezenas de homenageados e sendo o único país europeu com mais judeus após a guerra do que antes dela.


Berat, Albânia - família Frasheri, que salvou judeus da Iugoslávia.

Em 1945, a Albânia chegou ao fim da guerra com mais de 3 mil refugiados judeus em seu território. Como explicar este elevado número de sobreviventes ao final da guerra?

O que salvou estes indivíduos foi o código de honra denominado Besa, associado à tradicional solidariedade dos cidadãos albaneses.

Até então eu nunca havia ouvido falar deste código quase mágico, uma força potente que desafiou a intransigência, a dureza e a crueldade nazista.

Há anos convivo com famílias muçulmanas em nosso carinhoso grupo Família Abraâmica em São Paulo e nunca, em nenhuma apresentação, explicação ou aula este assunto foi aventado.

Nem nos livros de História, nem na literatura, nem no cinema.

Descobri com prazer o auspicioso conceito Besa.

Quem sabe ainda possamos reavivá-lo, difundí-lo, ensiná-lo ao mundo nestes tempos que vivemos, tempos de dor, ódio, guerras? Uma esperança brilha ao longe e hoje li que este código ainda está sendo observado na pobre e pequena Albânia de nossos dias. Recentemente, a Albânia recebeu e acolheu quatro mil afegãos fugindo das atrocidades do Talibã.

Falemos deste fenômeno Besa. Acredito que todos queiram conhecê-lo e talvez praticá-lo em suas vidas agora.

Besa é um código de honra cultural e ético tradicional albanês que dita que a casa de um homem pertence a um hóspede e a Deus, e que a hospitalidade sagrada exige a proteção da vida de qualquer pessoa que busque refúgio.

A maioria da população salvadora era muçulmana, mas o esforço envolveu cristãos e autoridades de todo o país. A Albânia não apenas protegeu sua pequena população de judeus nativos, como também acolheu centenas de refugiados que fugiram da Alemanha, Áustria e Iugoslávia.

Mais de 70 cidadãos albaneses foram oficialmente reconhecidos como "Justos entre as Nações" pelo Yad Vashem.




Este pequeno país montanhoso na costa sudeste da península balcânica tinha uma população de 803.000 habitantes. Destes, apenas duzentos eram judeus. Após a ascensão de Hitler ao poder em 1933, muitos judeus encontraram refúgio na Albânia. Não existem números exatos sobre a quantidade de judeus; no entanto, diferentes fontes estimam que entre 600 e 1.800 refugiados judeus entraram no país vindos da Alemanha, Áustria, Sérvia, Grécia e Iugoslávia, na esperança de seguir para a Terra de Israel ou outros locais de refúgio.

Existe uma lenda urbana que relata a passagem de Albert Einstein pelo país antes de se dirigir à Palestina, hoje Israel.

Após a ocupação alemã em 1943, a população albanesa, num ato extraordinário, recusou-se a cumprir as ordens dos ocupantes para entregar as listas de judeus residentes no país. Além disso, diversas agências governamentais forneceram a muitas famílias judias documentos falsos que lhes permitiram misturar-se com o resto da população. Os albaneses não só protegeram os seus cidadãos judeus, como também deram refúgio a refugiados judeus que tinham chegado à Albânia quando esta ainda estava sob domínio italiano, e que agora se viam ameaçados de deportação para campos de concentração.

A notável assistência prestada aos judeus baseava-se na Besa, um código de honra que ainda hoje serve como o mais alto código ético do país. Besa significa literalmente "cumprir a promessa". Quem age de acordo com a Besa é alguém que cumpre sua palavra, alguém em quem se pode confiar a própria vida e a de sua família.

A ajuda prestada tanto a judeus quanto a não judeus deve ser entendida como uma questão de honra nacional. Os albaneses se esforçavam para prestar auxílio; além disso, competiam entre si pelo privilégio de salvar judeus. Esses atos originavam-se da compaixão, da bondade e do desejo de ajudar os necessitados, mesmo aqueles de outra fé ou origem.

A Albânia, o único país europeu com maioria muçulmana, obteve sucesso onde outras nações europeias falharam. Quase todos os judeus que viviam dentro das fronteiras albanesas durante a ocupação alemã, tanto os de origem albanesa quanto os refugiados, foram salvos, com exceção de membros de uma única família. Impressionantemente, havia mais judeus na Albânia no final da guerra do que antes.


 Memorial do Holocausto no Grand Park da capital Tirana - 2020



FONTES:

https://wwv.yadvashem.org/yv/en/exhibitions/besa/index.asp

https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2023/07/5109352-os-muculmanos-que-salvaram-milhares-de-judeus-do-holocausto-por-um-codigo-de-honra.html