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sexta-feira, 13 de março de 2026

Acontece: Guerra, Paz e Futuro

 

Por Juliana Rehfeld

13/03/2026




Há uma escalada evidente na guerra com o Irã, embora de um lado Trump faça de conta que há uma óbvia e breve vitória dos EUA e Israel e de outro, Netanyahu anuncie novas etapas de ataques precisos a líderes e importantes fortalezas bélicas iranianas, para o que estão usando agentes infiltrados em Teerã, debaixo de enorme risco. 

No que concerne à outra frente de guerra, o Hezbollah abriu fogo direto e Israel diz que já que o governo do Líbano, embora queira declaradamente, não tem condições de controlar o grupo terrorista, é ele mesmo quem tem que garantir território vizinho seguro. 

Em termos geopolíticos, muitos analistas dizem que é a maior crise militar regional desde a guerra do Iraque, em 2011… e alguns dizem que o Oriente Médio está no momento mais perigoso desde 1973.

Uma análise sensata que li e que Trump e Netanyahu deveriam considerar, vem de Eil Zir Cohen, ex-chefe do departamento "Tevel" do Mossad: “Não precisamos de uma imagem de vitória no Irã, mas sim de uma nova realidade de segurança. Regimes não entram em colapso apenas por causa de bombardeios aéreos, mas sim quando perdem a capacidade de controlar as pessoas e pagar seus apoiadores. Como comprovado na Síria, a queda de um regime é um processo longo e não um evento "repentino". Israel e os EUA devem criar uma realidade na qual, mesmo que o regime iraniano sobreviva à guerra, permaneça empobrecido e incapaz de financiar o terrorismo.” 

Apesar do enfraquecimento notório do poderio militar iraniano o que não parece diminuir é o poder interno - tanto da Guarda revolucionária Islâmica como da divisão Forças Basij - de esmagar ou eliminar opositores ao regime como os quase 50 mil apenas no ano passado estimados por ativistas e ONGs…  e com o filho de Khamenei no poder, isto só piora. Em Teerã hoje, um grande contingente das Forças Basij é visível nas ruas e nos postos de controle. O regime também está recrutando crianças. A imprensa israelense traz evidências que revelam que o regime está recrutando civis pagos para preencher as ruas com marchas de apoio.

De qualquer forma é de dentro que virá a mudança efetiva… um dado que me surpreendeu é que o Irã apresenta hoje a maior taxa de conversão de muçulmanos ao cristianismo (pela evangelização), tendo alcançado 1 milhão de convertidos desde 2011 - sendo que especialistas estimam que existam cerca de 10 milhões de cristãos em todo o mundo que vieram de origem muçulmana, e o número continua crescendo. 

Ainda haverá muita luta e sacrifícios até que a tranquilidade envolva esta sofrida população… 

E enquanto eu pensava nisso recebi mais uma reportagem extremamente triste neste mesmo sentido de como os conflitos armados afetam jovens que dificilmente conseguem reconstruir uma vida em paz. A guerra em Gaza ainda não acabou totalmente, não só no campo, não só pelos milhares de feridos, mas também porque persistem suicídios de jovens soldados israelenses que lá lutaram o que continua a me mostrar que a humanidade ainda sacrifica futuros ao tentar consertar passados pela beligerância… e para nós, judeus, este tema é ainda mais complexo: 

Há um princípio ético central da doutrina militar israelense que se chama “Tohar ha Neshek - Pureza das armas”. Ele entrelaça as demandas de usar força apenas quando necessário, não ferir civis intencionalmente e manter responsabilidade moral mesmo durante a guerra. Esse conceito foi desenvolvido no movimento sionista e incorporado ao código ético das IDF.

O filósofo israelense Asa Kasher, que ajudou a escrever o código de ética militar israelense, define o princípio assim: Um soldado deve usar sua arma apenas para cumprir a missão e preservar a dignidade humana, mesmo em guerra. 

A guerra em Gaza exacerbou dilemas éticos extremos porque os combatentes operaram dentro de áreas civis, usaram hospitais, escolas e túneis e misturaram-se com a população.

Como manter “pureza das armas” em guerra urbana densa?

Psicólogos militares israelenses dizem que muitos soldados não sofrem apenas de PTSD - Síndrome Pós Traumática. Eles sofrem algo chamado “Moral Injury - ferimento moral”, que acontece quando um soldado participa de situações moralmente ambíguas ou testemunha sofrimento de civis e/ou sente que violou valores pessoais ou religiosos. 

E atualmente uma frase do filósofo Yeshayahu Leibowitz voltou a circular no profundo debate que se trava na sociedade israelense: “O verdadeiro teste moral de um povo não é em tempos de paz, mas em tempos de guerra.”

Tomara que não demorem os dias em que governos autoritários sejam depostos antes que massacrem o futuro de seus cidadãos, e governos mesmo democráticos consigam soluções que permitam a seus cidadãos que vivam em paz com os valores éticos e tenham preservados sua sanidade e seu sorriso… 

Shabat Shalom

3 comentários:

  1. Uma reflexão muito boa,olhando para varios pontos de vista e com um desejo final totalmente compartilhado

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  2. Ita Hei - Aprendi mais uma bela lição “ A pureza das Armas”.
    Novamente Israel
    Se destaca por seus princípios em relação aos cidadãos do mundo, sem diferenciar credos, religiões, cor da pele e tradições.

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  3. Estudo e perspectiva muito bons !!!
    Parabens Juliana

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