Imagina na Copa!
Tô aqui de volta! Que honra. Escrever
para o Iachad é a minha alegria. Sabe um drible? Um gol? É minha obra. Ouço
bem, tintim por tintim, tudo o que é falado nos nossos encontros. Estudo
bastante. Reflito mais ainda. Quando vejo, zaz! Ela tá lá: minha crônica,
minhas palavras... Meus pensamentos no “papel”! Sou feliz com isso... Contente!
Mas hoje... Honestidade, mesmo? Tá
difícil escrever... Meus pensamentos só voltam pro mesmo lugar. É um beco sem
saída. Estou preso num deserto sem bússola... Quando me dou por mim, voltei pro
mesmo lugar. Perambulando em círculos... Círculos... Perdido... Deserto... Noruega,
2 a 1. A gente não perdeu. Perder é normal. Todo mundo perde! Tenho uma teoria,
até: no fundo, no fundo mesmo, todo mundo gosta de perder às vezes... A vitória
é mais doce quando temperada pela derrota...
Mas ontem, não! Não foi apenas uma
derrota. Foi uma derrota sem dignidade. A gente desistiu de ganhar! A gente
perdeu de WO mesmo estando em campo... Sem dignidade... Estrutura interior! Aquele
brio que faz a gente ficar de pé mesmo depois de cada tropicão! O Brasil não
caiu lutando. Caiu sem raça, sem luta!
Mas, foi o time que perdeu... Será que
a gente, enquanto sociedade, comunidade, coletividade, não pode aprender nada? Só
cai sem dignidade, quem não tem disciplina, quem não se esforça, quem constrói
“nas coxas”... A disciplina, na medida em que gera o trabalho, é essencial ao
progresso. Ela que nos livra dos vícios, das paixões...
Não tem atalho, nem conversa... Não tem
choro nem vela! Não tem dom que resista à falta de treino. Nenhum talento
sobrevive na preguiça. A disciplina é o que determina a Liberdade de cada um de
nós — liberdade pra gente avançar, progredir, vencer e perder com dignidade.
A verdade é que perder com dignidade é
uma forma de vitória. É a vitória de quem continua com Esperança quando tudo vira
desesperança. É a vitória de quem olha nos olhos do adversário e sabe que,
apesar de derrotado, ainda continua de pé! O Brasil de ontem não conseguiu nem
isso. Perdeu em todos os sentidos... É nessas horas que eu olho pra Cabo Verde.
Eles sim, perderam dignamente. Lutando! De pé! Altivos!
A vida precisa de Dignidade! De Sal!
Mas, cuidado! Sal demais deixa tudo intragável! Sal demais é soberba, é
presunção, é achar que o mundo deve algo pra gente! Esse exagero estraga tudo.
A humildade não. Ela é o sal na medida! Quem aprende a vencer com os pés no
chão, quando chega a hora, cai de pé. Quem vive de joelhos, quando tropeça, não
levanta mais!
Um verdadeiro líder se preocupa com
gerações. Não com o próximo jogo, não com a próxima eleição, não com o próximo
contrato. Com gerações! O Brasil acumula derrotas... Humilhações... Isso não é
azar, não é coincidência, não é injustiça divina. É falta de projeto. É falta
de quem olhe para além do próprio umbigo.
Um líder sabe que um plano pode ser
aquele plantio enfadonho e impopular, mas que traz uma colheita de glórias,
vitórias e louros. Em outras palavras: a recompensa de fazer o que deve ser
feito é o fato de que você fez o que devia ser feito. Não tem troféu nem aplauso!
O ato justo já é, em si mesmo, sua própria recompensa. É por isso que aqueles
que só fazem quando estão no palco falham quando as luzes se apagam.
O Brasil de ontem parecia um time que
jogava pra câmera, não pra camisa. O Brasil queria fazer “stories”... Passou
longe de fazer história! Cadê o trabalho duro, o treino sem testemunhas, a
disciplina? Faça o seu melhor! Faça! Não vai ter aplauso. Não vai ter holofote.
Ninguém tá olhando. Faça! Faça porque deve ser feito. Faça porque a obra é a
oração do homem que trabalha. Faça porque amar a D'us não é da boca pra fora! É
verbo conjugado com mãos, com pés, com suor.
Eu podia terminar aqui com algum lugar
comum... Dizendo que o Brasil vai se levantar, que a esperança é a última que
morre, que amanhã vai ser outro dia... Mas, não! Já passou a época da ingenuidade.
A vitória só virá quando entendermos que Disciplina não é prisão — é Liberdade.
A vida, como dizem, é para quem levanta...
E levanta trabalhando!
André Naves é Defensor Público Federal, especialista em
Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador
Cultural e autor dos livros "Caminho: A beleza é enxergar" e
"Beethoven enxergou o Luar". Presidente do “Chaverim” www.chaverim.org.br
www.andrenaves.com @andrenaves.def

Le Chaim - a forma judaica de brindar! Um brinde à VIDA. Muito bom ter a André de volta
ResponderExcluirParabéns André! Sentimos saudades de suas palavras exatas, contundentes, verdadeiras. Disciplina faz parte de sua trilogia de sucesso e é exatamente o que nos está faltando no país.
ResponderExcluirMazal Tov e welcome back ao nosso grupo sério e batalhador. Ita Heine
Um PROFESSOR de "percepção de vida" !!!! Kol Hakavot André !!!!Tudas a Honras!!!
ResponderExcluirÉ assim que se cresce, como Naçao e como povo! Esperança-Hatikva é o que nos permite olhar para o futuro acreditando que sempre podemos fazer mais e melhor! Que bom que vocé voltou!!!
ResponderExcluirEster Rosenberg Tarandach
ResponderExcluirAndré atrás de cada derrota, temos que parar e apreender o que nos incomodou, pq é o que vamos fazer com este incômodo e encontrar caminhos. Parabéns pelo seu texto .