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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

ACONTECE: Esperança e construção falam mais alto que barulho autoritário

 

Esperança e construção falam mais alto que barulho autoritário 




Esta semana foi mais uma repleta de acontecimentos, globais e locais. Foi histórica (diferente, não mais do mesmo) a votação na reunião de segunda-feira do Conselho de Segurança da ONU quando foi aprovada a resolução americana para estabilização de Gaza por 13 votos a favor e duas abstenções: Rússia e China. O poder de veto não foi utilizado. 

Ou seja, foi endossado o “abrangente plano para o fim do conflito em Gaza”, foi acolhido o estabelecimento do Conselho de Paz, e este foi autorizado, junto com os países-membros, a trabalhar para criar, em Gaza, uma Força Internacional de Estabilização. Foi autorizada também a criação de um Comitê Executivo Palestino para gerir a governança cotidiana da Faixa de Gaza. 

De maneira inédita, esta resolução fornece uma estrutura e um mecanismo para uma possível paz, mas é claro que sua eficácia depende fortemente do compromisso e da cooperação de várias partes interessadas, o que permanece altamente incerto.

Quem não estava lá? O Hamas que até agora não só não entregou suas armas como garante que não irá fazê-lo. Há notícias contraditórias sobre a posição da população de Gaza: há muitos relatos na imprensa israelense, quase nada na mídia geral e, menos ainda, aqui no Brasil, de numerosas e visíveis execuções, pelo Hamas, de civis “por terem sido informantes ou colaboradores do inimigo”; mas há estatísticas produzidas por um tal de “Centro Palestino de Pesquisa Política e de Opinião Pública” que afirma que ”mais de 50% dos gazenses apoiam a condução do Hamas na guerra e se opõem a qualquer tentativa de desmantelar ou desarmar a organização.” 

Mais que isso, diz que “44% dos gazenses e 59% dos árabes de Judéia e Samaria afirmam que a decisão do Hamas de lançar o ataque de 7 de outubro foi a correta”. 

E um veículo como o Wall Street Journal replica esta pesquisa, isto é, a legitima. Assim como a própria ONU tantas vezes reproduziu números de mortos na guerra criados pelo Ministério da Saúde de Gaza, números repetidos continuamente pela mídia, gravados na mente de tantos, e que ela própria, ONU, teve de corrigir e justificar porque eram falhos. Falhas quantidades e classificação civis X terroristas, mulheres e crianças X combatentes, falhas fontes de bombardeios IDF X mísseis palestinos errados, e assim por diante… Mesmo assim, mesmo que técnica e juridicamente a etiqueta de genocídio absolutamente não se aplique, são números assustadores de mortos, feridos, desabrigados, famintos, registros que nunca se apagarão da história de Israel. E, tenho certeza, terão impactos no próprio comportamento futuro das forças de defesa de Israel, nas responsabilizações, nas próximas gerações de soldados. E, espero, otimista que estou à luz da nova resolução n. 2803 da ONU, números que já têm impacto nos próximos passos a caminho da construção de uma paz na região. 

Apesar desta mancha no seu diário, o Estado de Israel deve, e acredito que vai, “sanear o terreno, descartar resíduos contaminantes, lamber as feridas”, e seguir em frente para esta tão esperada paz. 

Foi com esta perspectiva que André Lajst, diretor do StandWithUs Brasil iniciou sua fala na Conversa sobre o Mundo na Faculdade de Direito da USP, ao mesmo tempo que o Conselho de Segurança da ONU votava para esta paz. 

Mas André praticamente não mais conseguiu se fazer ouvir até que a “conversa” fosse encerrada por impossibilidade de continuar: manifestantes ruidosos, de diferentes idades, “estudantes” e ativistas, com bandeiras e cartazes, brutal e autoritariamente, se revezaram emitindo slogans como “genocidas”, “nazistas” e declamaram o já batido “Palestina livre, do Rio ao mar”. Há um vídeo do dia seguinte, no qual André diz, e eu concordo, que “foi mais uma prova de que estas pessoas não estão interessadas em ouvir, debater, buscar soluções” para o futuro. Estive lá e a sensação de frustração por não conseguir impedir que atrapalhassem, por não ser ouvida em tentativa de conversa lateral, e finalmente, pelo fato de que não havia segurança para a continuidade da conversa, única forma legítima de seguir em frente. Como cidadãos que se dizem democráticos, progressistas, pela liberdade de expressão, podem defender este comportamento? Quem, numa Universidade decente pode defender este tipo de comportamento? 

E no entanto manchetes posteriores, maliciosa e mentirosamente construídas, enganam o leitor desavisado e apressado, como o são a maioria dos leitores de já há algum tempo…

Concluindo: é fundamental fazer o dever de casa, assumir erros de modo transparente, e assumir compromisso de construção de um futuro compartilhado. MAS, é missão contínua explicar, educar, denunciar à sociedade desinformada, a manipulação e deturpação de fatos, fazendo-se ouvir por cima do barulho e do desrespeito. 

E, é muito importante dar uma chance à esperança nas novas participações de países árabes no plano de paz, na nova resolução, nas novas gerações! 

Bom feriado e Shabat Shalom.

Juliana Rehfeld



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