Por Regina P Markus
Na noite de 26 de novembro de
2025, no auditório Marc Chagal da Hebraica, tive a oportunidade de estar com o
ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett. A atividade foi patrocinada também
pelo Beit Halocheim, Universidade de Haifa e as lideranças judaicas no Brasil e
em São Paulo. Avi Gelberg apresentou ambas as instituições. Acompanharam toda a
sessão dois israelenses que são atendidos pelo Beit Halocheim: uma moça nos
seus 20 e poucos anos que fez reconhecimento de corpos - as marcas foram
deixadas e ela busca as melhores formas para encarar o futuro, sem ter imagens
vívidas e desconcertantes do passado; e um rapaz, que assim chamo por ser muito
jovem e ter uma atuação entusiasmada. Foi comandante em Gaza, muito jovem viu
seus companheiros serem mortos e feridos. Voltou ao local de batalha várias
vezes, até que foi ferido a tiros e agredido. Foi tratado no Beit Halochem, mas
com sua personalidade pró-ativa, assim que se sentiu melhor, e mesmo sem alta,
fugiu e voltou à batalha. O rosto é sereno, mas disse que naquele momento era
muito necessário estar com os companheiros. Um comandante. A reunião continuou
e quando Bennett falava dos dois presentes, que ele havia encontrado aqui no
Brasil, pediu uma salva de palmas. Comentou que não ia contar nada que eles já
tivessem falado, mas acrescentou algo importante. O comandante jovem estava
cursando a Universidade de Haifa quando foi chamado. Seu interesse era em
inovação e inteligência artificial. No ano passado, pediu uma entrevista com
Bennett e este, ao ver o seu CV, apressou-se em atender. Qual não foi sua
surpresa quando, em vez de solicitar fundos ou auxílio para continuar sua
carreira como inovador, disse que estava redirecionando sua vida, ao menos por
agora, para melhorar e percepção do mundo sobre Israel. Queria entrar em
contato com judeus e não judeus de outros países para melhorar a percepção do
que é o Estado de Israel. Neste momento, Bennett inicia a sua fala com o mote: “em
2023, 2024 dizia que venceríamos e em 2025 digo que vencemos”.
A vitória militar é evidente, mas
disse que as guerras não são vencidas pelas vitórias militares, estas muitas
vezes podem ser um tiro pela culatra! O que aconteceu? Fez parte dos muitos que
apontaram a lentidão com que as autoridades e forças armadas responderam ao
ataque de 7 de outubro. Neste dia ocorreram 4 “pogroms”. Kibutz Kfar Aza,
kibutz Be’eri, kibutz Nir Oz e o Festival Nova. Houve uma falha muito grande e
não foi pior porque o país reagiu de forma rápida e decisiva.
Jovens, dos 20 aos 60, do norte
ao sul, cidadãos israelenses (judeus, árabes, drusos, etc.) foram os
responsáveis pela vitória. Conforme começou a relatar aquela manhã (6h25min) em
que o alerta foi dado no país inteiro, lembrei do que aconteceu à minha volta.
Mas, quero relatar o que escutei de Bennett e que não foi diferente do que vivi
naquela manhã. Em todo o país, soldados que estavam de folga, ou reserva (miluim),
ou pessoas que teriam alguma possibilidade de ajudar organizaram-se
rapidamente. Seguir para a frente de batalha, organizar formas de enviar
suprimentos para as regiões atingidas, iniciar um processo de recepção para os
desabrigados, órfãos, feridos etc. Vi no nicho do movimento de escoteiros todo
um processo de fazer acolhimento com reuniões, brincadeiras e ... Bennett disse
que no dia 8 de outubro tinha a certeza de que venceríamos e que hoje tem a
certeza de que vencemos.
E lá estava o
ex-Primeiro-Ministro, Naftali Bennett, que renunciou ao gabinete quando foi
rompida a união de partidos que sustentava o seu governo. Críticas à parte,
hoje estamos no momento propício para uma nova era, em que será possível olhar
o Estado de Israel e não apenas cada nicho. Olhar o coletivo sem desprezar o
indivíduo.
Recebemos esta semana os restos
mortais de Dror Or z’l, responsável pela cozinha e queijeiro do kibutz Be’eri. Morto
no próprio 7 de outubro, junto com sua esposa. Seu corpo foi levado para
Nuseirat, em Gaza, pela Jihad islâmica palestina e sua morte informada em 2 de
maio de 2024. Lendo com atenção a frase fica evidente o que Bennett analisou
com muita ênfase: os grupos que querem a destruição da atual nação judaica se
prepararam com afinco para obter o êxito. O preparo envolveu não apenas ações
de sabotagem militar, como também o preparo da opinião pública internacional para
calar-se frente ao pogrom de 7 de outubro de 2023.
Como dizia Rav Kook a
respeito da Parashá Vaietzei (Ele saiu) que representa sair no sentido de mudar.
Mudar fisicamente, mudar de atitude ou mesmo ir atravessando os tempos e os
dias. De acordo com o Talmud (Berachot 26b), os Avot (antepassados) instituíram
as três orações diárias: Abraão — Shacharit,
a oração da manhã, iniciando o processo. O primeiro patricarca. Isaac — Minchah,
a oração da tarde. Escolhendo, com o auxílio de sua esposa, Rivka (Rebeca) quem
seria o próximo patriarca. Jacob — Ma'ariv, a oração da noite,
encerrando o ciclo dos patriarcas. Um ciclo composto por 3 estágios!
Falando em ciclos, a história registra três ciclos em que Jerusalém foi
capital de nações soberanas. Os dois primeiros foram na época do primeiro e segundo Templos e seu fim estava
ligado com desentendimento na Casa de Israel. O terceiro período é o que
estamos vivendo. Observamos que desentendimentos internos podem ser a causa de
derrotas, e que união do povo é a razão de vitórias. Como bem enfatizou Bennet,
foi o povo que, independente de autoridades atuais, desencadeou um processo de
resiliência e soberania. Juntando o ciclo dos patriarcas, com o ciclo dos
reinados, podemos deduzir que estamos entrando em uma nova era. Em uma era em
que o Povo Judeu e o Povo de Israel seguirão de forma conjunta a busca da
eternidade.
Para subsidiar esta afirmação que faz parte de uma previsão
ou de um sonho, hoje está acontecendo o repatriamento de um grupo de habitantes
da Índia conhecidos como Bnei Menashe. A publicação online de responsabilidade da Revista
Brasil.Il relata que:
“O governo de Israel aprovou um plano para trazer os
últimos 6.000 membros da “tribo perdida” de Menashe para Israel em cinco anos.
Embora cerca de 5.000 Bnei Menashe vivam atualmente em Israel, tendo chegado
aos poucos nos últimos 20 anos, eles têm tido grande dificuldade em trazer o
restante da comunidade, que está nos estados indianos de Mizoram e Manipur. O
plano permitirá que cerca de 1.200 imigrantes cheguem até o final de 2026.”
Serão alocados em regiões onde já existem conterrâneos e o projeto prevê cursos
de hebraico em ulpans bem como a integração ao judaísmo.
A volta de muitos dos que se perderam em tempos remotos e
durante a inquisição é a demonstração que estamos unidos por ideias que podem
sobreviver e brotar porque pertencem a uma árvore de raízes fortes.
AM ISRAEL CHAI VEKAIAM. Povo de Israel vive eternamente.
Regina P. Markus
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