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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

ACONTECE: Naftali Bennett: Venceremos – Vencemos


Por Regina P Markus

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Na noite de 26 de novembro de 2025, no auditório Marc Chagal da Hebraica, tive a oportunidade de estar com o ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett. A atividade foi patrocinada também pelo Beit Halocheim, Universidade de Haifa e as lideranças judaicas no Brasil e em São Paulo. Avi Gelberg apresentou ambas as instituições. Acompanharam toda a sessão dois israelenses que são atendidos pelo Beit Halocheim: uma moça nos seus 20 e poucos anos que fez reconhecimento de corpos - as marcas foram deixadas e ela busca as melhores formas para encarar o futuro, sem ter imagens vívidas e desconcertantes do passado; e um rapaz, que assim chamo por ser muito jovem e ter uma atuação entusiasmada. Foi comandante em Gaza, muito jovem viu seus companheiros serem mortos e feridos. Voltou ao local de batalha várias vezes, até que foi ferido a tiros e agredido. Foi tratado no Beit Halochem, mas com sua personalidade pró-ativa, assim que se sentiu melhor, e mesmo sem alta, fugiu e voltou à batalha. O rosto é sereno, mas disse que naquele momento era muito necessário estar com os companheiros. Um comandante. A reunião continuou e quando Bennett falava dos dois presentes, que ele havia encontrado aqui no Brasil, pediu uma salva de palmas. Comentou que não ia contar nada que eles já tivessem falado, mas acrescentou algo importante. O comandante jovem estava cursando a Universidade de Haifa quando foi chamado. Seu interesse era em inovação e inteligência artificial. No ano passado, pediu uma entrevista com Bennett e este, ao ver o seu CV, apressou-se em atender. Qual não foi sua surpresa quando, em vez de solicitar fundos ou auxílio para continuar sua carreira como inovador, disse que estava redirecionando sua vida, ao menos por agora, para melhorar e percepção do mundo sobre Israel. Queria entrar em contato com judeus e não judeus de outros países para melhorar a percepção do que é o Estado de Israel. Neste momento, Bennett inicia a sua fala com o mote: “em 2023, 2024 dizia que venceríamos e em 2025 digo que vencemos”.

A vitória militar é evidente, mas disse que as guerras não são vencidas pelas vitórias militares, estas muitas vezes podem ser um tiro pela culatra! O que aconteceu? Fez parte dos muitos que apontaram a lentidão com que as autoridades e forças armadas responderam ao ataque de 7 de outubro. Neste dia ocorreram 4 “pogroms”. Kibutz Kfar Aza, kibutz Be’eri, kibutz Nir Oz e o Festival Nova. Houve uma falha muito grande e não foi pior porque o país reagiu de forma rápida e decisiva.

Jovens, dos 20 aos 60, do norte ao sul, cidadãos israelenses (judeus, árabes, drusos, etc.) foram os responsáveis pela vitória. Conforme começou a relatar aquela manhã (6h25min) em que o alerta foi dado no país inteiro, lembrei do que aconteceu à minha volta. Mas, quero relatar o que escutei de Bennett e que não foi diferente do que vivi naquela manhã. Em todo o país, soldados que estavam de folga, ou reserva (miluim), ou pessoas que teriam alguma possibilidade de ajudar organizaram-se rapidamente. Seguir para a frente de batalha, organizar formas de enviar suprimentos para as regiões atingidas, iniciar um processo de recepção para os desabrigados, órfãos, feridos etc. Vi no nicho do movimento de escoteiros todo um processo de fazer acolhimento com reuniões, brincadeiras e ... Bennett disse que no dia 8 de outubro tinha a certeza de que venceríamos e que hoje tem a certeza de que vencemos.

E lá estava o ex-Primeiro-Ministro, Naftali Bennett, que renunciou ao gabinete quando foi rompida a união de partidos que sustentava o seu governo. Críticas à parte, hoje estamos no momento propício para uma nova era, em que será possível olhar o Estado de Israel e não apenas cada nicho. Olhar o coletivo sem desprezar o indivíduo.

Recebemos esta semana os restos mortais de Dror Or z’l, responsável pela cozinha e queijeiro do kibutz Be’eri. Morto no próprio 7 de outubro, junto com sua esposa. Seu corpo foi levado para Nuseirat, em Gaza, pela Jihad islâmica palestina e sua morte informada em 2 de maio de 2024. Lendo com atenção a frase fica evidente o que Bennett analisou com muita ênfase: os grupos que querem a destruição da atual nação judaica se prepararam com afinco para obter o êxito. O preparo envolveu não apenas ações de sabotagem militar, como também o preparo da opinião pública internacional para calar-se frente ao pogrom de 7 de outubro de 2023.

Como dizia Rav Kook a respeito da Parashá Vaietzei (Ele saiu) que representa sair no sentido de mudar. Mudar fisicamente, mudar de atitude ou mesmo ir atravessando os tempos e os dias. De acordo com o Talmud (Berachot 26b), os Avot (antepassados) instituíram as três orações diárias: Abraão — Shacharit, a oração da manhã, iniciando o processo. O primeiro patricarca. Isaac — Minchah, a oração da tarde. Escolhendo, com o auxílio de sua esposa, Rivka (Rebeca) quem seria o próximo patriarca. Jacob — Ma'ariv, a oração da noite, encerrando o ciclo dos patriarcas. Um ciclo composto por 3 estágios!

Falando em ciclos, a história registra três ciclos em que Jerusalém foi capital de nações soberanas. Os dois primeiros foram na época do primeiro e segundo Templos e seu fim estava ligado com desentendimento na Casa de Israel. O terceiro período é o que estamos vivendo. Observamos que desentendimentos internos podem ser a causa de derrotas, e que união do povo é a razão de vitórias. Como bem enfatizou Bennet, foi o povo que, independente de autoridades atuais, desencadeou um processo de resiliência e soberania. Juntando o ciclo dos patriarcas, com o ciclo dos reinados, podemos deduzir que estamos entrando em uma nova era. Em uma era em que o Povo Judeu e o Povo de Israel seguirão de forma conjunta a busca da eternidade.

Para subsidiar esta afirmação que faz parte de uma previsão ou de um sonho, hoje está acontecendo o repatriamento de um grupo de habitantes da Índia conhecidos como Bnei Menashe. A publicação online de responsabilidade da Revista Brasil.Il relata que:

“O governo de Israel aprovou um plano para trazer os últimos 6.000 membros da “tribo perdida” de Menashe para Israel em cinco anos. Embora cerca de 5.000 Bnei Menashe vivam atualmente em Israel, tendo chegado aos poucos nos últimos 20 anos, eles têm tido grande dificuldade em trazer o restante da comunidade, que está nos estados indianos de Mizoram e Manipur. O plano permitirá que cerca de 1.200 imigrantes cheguem até o final de 2026.” Serão alocados em regiões onde já existem conterrâneos e o projeto prevê cursos de hebraico em ulpans bem como a integração ao judaísmo.

A volta de muitos dos que se perderam em tempos remotos e durante a inquisição é a demonstração que estamos unidos por ideias que podem sobreviver e brotar porque pertencem a uma árvore de raízes fortes.

 

AM ISRAEL CHAI VEKAIAM. Povo de Israel vive eternamente.

 

Regina P. Markus

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