Por Regina P Markus – 13/05/2026
Esta semana no dia 28 de Iyar é comemorado o dia de Jerusalém. Inicia no dia 14 de maio ao por do sol e termina no dia 15, também ao por do sol. É sempre bom lembrar que no calendário judaico é o por do sol que determina o início e o fim de um dia. Uma data comemorada em Israel com muita dança e canções. Povo lotando as ruas da cidade antiga, da cidade milenar. Para nós, chama a atenção que esta data é muito recente, faz parte de Israel moderna. Celebra a reunificação de Jerusalém em 7 de junho de 1967. Este é o dia da Dança com Bandeiras - rikudei galim em hebraico. Este foi o primeiro dia em que Jerusalém antiga, o Monte Moriá, também conhecido como Monte do Templo, e o Muro Ocidental, que data do Templo de Jerusalém, passaram a pertencer a Israel. Este é o momento ideal para voltar os olhos para Tzion e pesquisar sobre a história desta cidade milenar. Uma cidade que tem os olhos voltados para o futuro e um dos maiores parques de inovação do mundo.
O Dia de Jerusalém foi estabelecido por lei aprovada pelo parlamento israelense (Knesset) em 23 de março de 1988. Antes de 1967, a cidade era dividida e judeus não podiam chegar à cidade do Leste, onde estão toda a história, os locais citados no Tanach, a alma judaica. Dados arqueológicos revelam que no início da Idade do Bronze (3000 a 3200 AEC) havia um pequeno vilarejo, chamado Jebus, habitado pelos jebuseus. Estes formavam um dos ramos dos cananeus. Os nomes foram mudando ao longo da história. Ainda da época cananita, Jerusalém também era conhecida por Tizion (Sião), Salém e ao redor do ano 1000 AEC por Cidade de David. Lá estava localizado o Har Moriá (Monte Moriá) que foi palco de diferentes momentos na história do Povo Judeu.
Ainda curiosa sobre as relações entre Jerusalém e o Povo de Israel fiz a seguinte pergunta à IA: “O patriarca Abrão esteve em Jerusalém?”. A resposta foi direta: “Sim, segundo os relatos bíblicos e a tradição teológica, o patriarca Abraão (inicialmente chamado de Abrão) esteve na região de Jerusalém em pelo menos duas ocasiões marcantes.” Foi em Salem que Abrão encontrou-se com מַלְכִּי־צֶדֶק (malkei tzedek) Melquisedeque, um governante muito especial de Salém (Gênesis 14). A tradução mais fidedigna de Malkei Tzedek é "Meu Rei Justo". Este rei foi ao encontro de Abrão e sua gente após lutar contra uma coalizão de reis da região para resgatar o sobrinho Lot. Malkei Tsdek ofereceu pão e vinho a Abrão e abençoou o primeiro patriarca em nome de El Elyon (D’us altíssimo). Imediatamente Abrão reconheceu a autoridade de Malkei Tzedek e entregou um décimo dos bens recuperados após a guerra (dizem que este é um dos momentos em que o dízimo de cooperação foi criado).
Quando li e conferi esta passagem ficou um gosto de quero mais. Porque temos tão pouco conhecimento desta passagem. Certamente porque tanta coisa acontece na vida de Abrão, que esta ligação com um rei especial que vem recebê-lo na cidade que seria mais tarde Jerusalém deixa de ser considerado pelos céticos. No entanto, ao continuar as indagações, consultando fontes arqueológicas me deparei com os achados do arqueólogo Shukron, especialista em Jerusalém. Trabalhou por décadas no subsolo da Cidade de David e em 2010 desenterrou uma Matsevah esculpida diretamente na rocha nativa e uma prensa para produção de azeite e grãos. Também localizou fragmentos de cerâmica que permitiram datar o local que foi chamado de Templo Zero na Idade do Bronze Médio (séculos XVIII a XVII A.E.C). Exatamente o período em que Abrão teria estado no local. Há outras coincidências que apontam ser este um momento em que o primeiro patriarca chega ao que seria a cidade de Jersusalém.
Este caminho de Abrão pode ainda ser seguido ao lembrarmos da Akeidá Itzhak. O local em que é suspenso o sacrifício de Isaac, filho de Abrão. O Monte Moriá, exatamente onde foi construído o Templo de Salomão.
O Rei de Salém, Malkei Tzedek, aparece também em um Salmo de David. O salmo 110, que é lido por soldados quando vão e voltam da guerra. Esta é a indicação de David, que é seguida nos dias de hoje. É um salmo que precisa ser lido por cada um. Hoje deixarei a dica, para voltarmos ao tema se houver repercussão.
Apenas
para completar os tempos bíblicos, este salmo pode ser interpretado
considerando a necessidade da presença Divina na Guerra e na Paz. E deixa
evidente que a posição pode ser alterada entre proteger e auxiliar. E que
sempre se refere a muitos seres humanos, lembrando da individualidade e da
especificidade de cada um. Na Torah encontramos que David conquistou Jerusalém,
mas quem construiu o Templo em Har Moriah foi o Rei Salomão.
Cada um na sua tarefa e cada tarefa no seu tempo.
Jerusalém
é reconhecida como a capital de Israel no Corão. E por que tantas dúvidas são
levantadas nos dias de hoje? O marco deixado pelos romanos, que destruíram o
Templo de Jerusalém e que trocaram o seu nome para Aélia Capitolina, transforma
o imaginário ocidental. O nome é composto de duas partes: Aelia — vem do nome
de família (gens) de Adriano: Publius Aelius Hadrianus. Ou seja, a cidade foi,
na prática, renomeada em homenagem ao próprio imperador. Capitolina — refere-se
ao deus romano Júpiter Capitolino (Jupiter Capitolinus), principal divindade de
Roma, cujo grande templo ficava no Monte Capitólio, em Roma.
Na mesma época, também o nome da província foi alterado de “Judeia” para “Síria Palestina”, provavelmente como tentativa de enfraquecer a associação histórica entre o povo judeu e a terra.
Como o nome foi mantido por dois milênios? Porque olhar para Jerusalém ao rezar é uma prática judaica ao redor do Globo. Tzion continuou sendo um local a ser lembrado. E esta semana comemoramos com danças e bandeiras a Jerusalém unificada.
Vamos
saltar para os séculos XX-XXI. Vamos saltar para Israel de hoje. O que lembra
Jerusalém? Há algo mais que Jersualém antiga?
Esta é uma cidade que pulsa forte nas áreas de educação ciência e tecnologia.
A Universidade Hebraica de Jerusalém e todo o complexo de desenvolvimento e inovação científicos são polos de pesquisa e inovação. São polos de reflexão e interpretação.
Quanto nos repetimos ao escrever sobre os grandes desenvolvimentos realizados por muitas equipes de experts apoiados financeiramente por doadores e investidores do mundo inteiro.
Yerushalaim shel Zahav. Jerusalém de ouro. É a cidade que eterniza a nossa capacidade de criar e de conviver de forma harmônica seguindo caminhos que levam ao futuro, sem deixar de prezar e reconhecer o passado.
Seguindo
a semana teremos a entrada no mês de Sivan e os preparativos para Shavuot, que
está chegando!
Desejo
a todos uma excelente semana!
Shabat
Shalom
Regina
Vale buscar conhecer a importância do Instituto Weizmann de Pesquisa ao resgatar Pesquisadores Judeus Alemães antes, durante e depois da 2a Guerra Mundial e Pesquisadores Alemães não judeus durante de depois da 2a Guerra Mundial. Esta relação entre pessoas mostra a nossa capacidade de julgar e unir os diferentes.

D
ResponderExcluirMais do que nunca de olho no futuro sem jamais esquecer de
nosso rico passado.