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quinta-feira, 4 de junho de 2026

VOCÊ SABIA? - O único país com mais judeus depois do que antes da guerra é muçulmano

 

Conheça a história da Albânia, do seu código de honra e dos muçulmanos que salvaram milhares de judeus do Holocausto.

Por Itanira Heineberg


Famílias albanesas, em sua maioria muçulmanas, acolheram em suas casas e protegeram milhares de refugiados de países como Alemanha e Áustria que fugiam da perseguição durante o Holocausto.

Você Sabia que a Albânia foi o país que apresentou o maior número de judeus em seu território ao final do Holocausto, ao contrário dos outros? Foi o único país em que isso aconteceu.

Hoje, seus cidadãos figuram entre os Justos entre as Nações no Jardim do Yad Vashem, o Centro Mundial da Memória do Holocausto em Jerusalém, Israel.

"Justos entre as Nações" é o título concedido pelo Museu do Holocausto - Yad Vashem - a não judeus que arriscaram suas vidas para salvar judeus durante o Holocausto. A Albânia é mundialmente reconhecida por este feito histórico, abrigando dezenas de homenageados e sendo o único país europeu com mais judeus após a guerra do que antes dela.


Berat, Albânia - família Frasheri, que salvou judeus da Iugoslávia.

Em 1945, a Albânia chegou ao fim da guerra com mais de 3 mil refugiados judeus em seu território. Como explicar este elevado número de sobreviventes ao final da guerra?

O que salvou estes indivíduos foi o código de honra denominado Besa, associado à tradicional solidariedade dos cidadãos albaneses.

Até então eu nunca havia ouvido falar deste código quase mágico, uma força potente que desafiou a intransigência, a dureza e a crueldade nazista.

Há anos convivo com famílias muçulmanas em nosso carinhoso grupo Família Abraâmica em São Paulo e nunca, em nenhuma apresentação, explicação ou aula este assunto foi aventado.

Nem nos livros de História, nem na literatura, nem no cinema.

Descobri com prazer o auspicioso conceito Besa.

Quem sabe ainda possamos reavivá-lo, difundí-lo, ensiná-lo ao mundo nestes tempos que vivemos, tempos de dor, ódio, guerras? Uma esperança brilha ao longe e hoje li que este código ainda está sendo observado na pobre e pequena Albânia de nossos dias. Recentemente, a Albânia recebeu e acolheu quatro mil afegãos fugindo das atrocidades do Talibã.

Falemos deste fenômeno Besa. Acredito que todos queiram conhecê-lo e talvez praticá-lo em suas vidas agora.

Besa é um código de honra cultural e ético tradicional albanês que dita que a casa de um homem pertence a um hóspede e a Deus, e que a hospitalidade sagrada exige a proteção da vida de qualquer pessoa que busque refúgio.

A maioria da população salvadora era muçulmana, mas o esforço envolveu cristãos e autoridades de todo o país. A Albânia não apenas protegeu sua pequena população de judeus nativos, como também acolheu centenas de refugiados que fugiram da Alemanha, Áustria e Iugoslávia.

Mais de 70 cidadãos albaneses foram oficialmente reconhecidos como "Justos entre as Nações" pelo Yad Vashem.




Este pequeno país montanhoso na costa sudeste da península balcânica tinha uma população de 803.000 habitantes. Destes, apenas duzentos eram judeus. Após a ascensão de Hitler ao poder em 1933, muitos judeus encontraram refúgio na Albânia. Não existem números exatos sobre a quantidade de judeus; no entanto, diferentes fontes estimam que entre 600 e 1.800 refugiados judeus entraram no país vindos da Alemanha, Áustria, Sérvia, Grécia e Iugoslávia, na esperança de seguir para a Terra de Israel ou outros locais de refúgio.

Existe uma lenda urbana que relata a passagem de Albert Einstein pelo país antes de se dirigir à Palestina, hoje Israel.

Após a ocupação alemã em 1943, a população albanesa, num ato extraordinário, recusou-se a cumprir as ordens dos ocupantes para entregar as listas de judeus residentes no país. Além disso, diversas agências governamentais forneceram a muitas famílias judias documentos falsos que lhes permitiram misturar-se com o resto da população. Os albaneses não só protegeram os seus cidadãos judeus, como também deram refúgio a refugiados judeus que tinham chegado à Albânia quando esta ainda estava sob domínio italiano, e que agora se viam ameaçados de deportação para campos de concentração.

A notável assistência prestada aos judeus baseava-se na Besa, um código de honra que ainda hoje serve como o mais alto código ético do país. Besa significa literalmente "cumprir a promessa". Quem age de acordo com a Besa é alguém que cumpre sua palavra, alguém em quem se pode confiar a própria vida e a de sua família.

A ajuda prestada tanto a judeus quanto a não judeus deve ser entendida como uma questão de honra nacional. Os albaneses se esforçavam para prestar auxílio; além disso, competiam entre si pelo privilégio de salvar judeus. Esses atos originavam-se da compaixão, da bondade e do desejo de ajudar os necessitados, mesmo aqueles de outra fé ou origem.

A Albânia, o único país europeu com maioria muçulmana, obteve sucesso onde outras nações europeias falharam. Quase todos os judeus que viviam dentro das fronteiras albanesas durante a ocupação alemã, tanto os de origem albanesa quanto os refugiados, foram salvos, com exceção de membros de uma única família. Impressionantemente, havia mais judeus na Albânia no final da guerra do que antes.


 Memorial do Holocausto no Grand Park da capital Tirana - 2020



FONTES:

https://wwv.yadvashem.org/yv/en/exhibitions/besa/index.asp

https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2023/07/5109352-os-muculmanos-que-salvaram-milhares-de-judeus-do-holocausto-por-um-codigo-de-honra.html


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