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quinta-feira, 3 de abril de 2025

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Perseverança

 


Perseverança

         No mundo da literatura tem uma lenda tão asquerosa que me arrepia sempre que penso nela. Camões sofreu um naufrágio (na verdade, ele tripulava um barco que foi devorado pelo mar)...

Naquele clima de barata-voa, no corre-corre do “deusnosacuda”, ele correu para salvar “Os Lusíadas”, e deixou sua “amada” Dinamene, uma Alfonsina ancestral, ter como tumba a pacífica imensidão azul...

         Se essa história torta sobreviveu a todos os cataclismas, ainda hoje sendo contada de boca em boca, é que muita gente acredita que essa incivilidade traiçoeira seja um ato de heroísmo travestido.

Eu, tão ufanista como qualquer Policarpo, sempre admiro as vantagens brasileiras, desde suas raízes também lusitanas. Admirar Camões já é pedir demais!

         Sabe, não me importa que o cidadão escreva os maiores tesouros da última flor... Ele é um lixo de ser humano! Pelo menos ele perdeu um olho na confusão... Camões, o caolho d’Os Lusíadas, que deixou a covardia vencer e perdeu o mais valioso tesouro...

         Mas a gente nunca pode desistir de buscar o entendimento... Lixo também aduba!

Ao que parece, ele se arrependeu. A partir daquilo, sua pena começou a homenagear o Amor. Igual um lobo, uivando para a Lua, ele parece, nos versos dos sonetos, procurar o olhar de sua Dinamene... Olhar submerso, salgado... Lágrimas e mar... Quanto do sal que tempera o mar são lágrimas portuguesas?

         Se pelo menos o tempo voltasse... Mas ele é implacável! Tão grande Amor para tão curta vida! Séculos depois, um outro poeta português, esse sim, enorme em honra e sensibilidade, parecia dialogar com Camões, perguntando:  “Valeu a pena?”...

         Soneto 29 de Camões. De verdade! Nunca li nada tão lindo! O tema é conhecido... Jacó trabalhava para Labão. Amava Raquel. Depois de sete anos, Labão o fez casar com Lia... E Jacó perseverou por outros 7 anos buscando os favores de Raquel, e dizendo que, feliz, ainda trabalharia mais sete se “Para tão longo amor, (não fora) tão curta a vida!”

         Camões, o caolho arrependido! Daria tudo para voltar no dia fatal. Lá seria perdido o maior poema épico ocidental desde a Antiguidade! Os argonautas se perderiam nas brumas do olvido... O velho do Restelo se calaria... O gigante Adamastor ruiria...

         Nesse dia, Dinamene, como uma Raquel, como uma matriarca amorosa e bela, perdoaria... O perdão de quem enxerga.

         No fim, ela teria essa beleza da mulher...

Perseverança e perdão!

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University.  Comendador Cultural. Escritor e Professor.

www.andrenaves.com 

Instagram: @andrenaves.def

 


ACONTECE: Hillel

 



Antes de visitarmos os fatos e discussões mais recentes em Israel, abaixo, quero falar brevemente do que faz a diferença aqui fora do país: ontem foi lançado o ramo São Paulo da Fundação internacional HILLEL, organização universitária judaica. Estabelecida em 1923 em Illinois por Benjamim Frankel, ela cresceu e se expandiu para 80 localidades nos Estados Unidos e mais 16 países em 4 continentes no mundo. No Brasil, há 20 anos está no Rio de Janeiro e, agora (só agora!), chegou a São Paulo. O que ela promove? Informação e oportunidades de estudo incluindo bolsas, viagens guiadas a Israel, eventos de intercâmbio e comemorações das festas judaicas… mas, em resumo, e sobretudo, CONEXÃO de jovens judeus com o judaísmo, com Israel e entre eles e elas. Fiquei impressionada com a “vibração” que senti nesta instituição que afinal é canal fundamental de entrada, de alimentação das nossas instituições que há muito, eu sinto, carecem desta energia para se manterem vivas e atuantes. Nestes tempos de antissemitismo crescente e complexo isto se torna mais importante ainda. E, com isto em mente, a fundação convidou para o lançamento ontem seu xará, Hillel Neuer. 



Este é um obstinado e brilhante ativista que comanda o UN Watch, ONG que monitora a Comissão de Direitos Humanos da ONU, e seus movimentos. Há 30 anos ele vem denunciando ações, resoluções e informações antissemitas em tribunas sempre hostis que tentam continuamente, mas com pouco sucesso,  calá-lo. Eu já escrevi sobre ele aqui, e na Internet há muito material sobre sua luta, seus discursos e ações. A atual difícil batalha - expressa no abaixo-assinado neste link - é contra a reeleição, para a presidência da Comissão, da Francesca Albanese, que é expressa e publicamente antissemita. 

O que ele trouxe de novo agora é que eles tiveram acesso a documentos de  comunicação interna do Hamas, da Jihad Islâmica e da UNRWA - Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente - surpreendentes mas reais, material explosivo a ser denunciado na imprensa global… ele disse: “já estamos sendo acusados de inventar calúnias junto com o governo americano e o Mossad, mas agora temos como mostrar a fonte que são de autoria desses mesmos! “. Vamos aguardar alguns dias para o lançamento desta divulgação, vou trazer informações aqui neste espaço…

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Enquanto ressoam sirenes e bombardeios, Israel se debate com o dilema estratégico: o que vem a seguir em Gaza? Abaixo um podcast que analisa as opções a serem avaliadas das medidas que Israel pode tomar e suas respectivas consequências. Clicando duas vezes e indo para o YouTube, você pode selecionar a legenda que preferir.




Ainda sobre as notícias em Israel, ou melhor, em Gaza, as manifestações sem precedentes já duram dias, e mesmo sofrendo perseguições e tendo um dos líderes assassinado, os manifestantes são  barulhentos. Hamas, é claro, alega que Israel é quem está sendo criticado mas é fácil ouvir o que eles gritam… eles não absolvem Israel mas muitos pedem que “Israel mate o Hamas e não a eles…”. Manifestantes de várias idades declaram que o regime do Hamas deve terminar. Há notícias e imagens (pesadas) de membros do Hamas sendo executados mas a triste imagem é a do líder dos manifestantes de apenas 22 anos, Oday Nasser Al Rabay, que foi torturado e morto na terça feira. Aparentemente mais alguns caíram hoje, mas está ficando difícil ao movimento terrorista se manter firme.


Juliana Rehfeld

quinta-feira, 27 de março de 2025

ACONTECE: 7/10/23 - 27/03/25 - O que aprendemos sobre o HAMAS?


Por Regina P Markus

De 2023 a 2025 - entendendo o que ACONTECE
                     

538 dias transcorridos desde a invasão da região fronteira à Faixa de Gaza e do Festival de Música NOVA no deserto do Neguev. Reféns ainda estão sendo mantidos em condições xyz. Histórias de terror são relatadas pelas pessoas que voltaram. Relatos impressionantes que mostram uma resiliência psicológica e biológica. Superaram o que parece ser impossível e passam a desenvolver atividades de rotina que dignificam a humanidade e também reportar o que passou com o propósito imediato de que os demais sejam liberados.

E uma guerra tão longa, com tantas fake news, parece ir perdendo o interesse da grande mídia. 

E.... ACONTECE UM FATO NOVO! - 

                                  UM FATO QUE VAI ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

A figura acima procura ilustrar! Na faixa de Gaza estão ocorrendo passeatas de muçulmanos que NÃO apoiam o HAMAS. Ao contrário das manifestações anteriores, onde todos vinham com rostos cobertos e com faixas para fácil identificação política. AGORA todos os rostos estão à mostra e os líderes falam diretamente à mídia. As falas são em árabe, e já vêm traduzidas para o hebraico. 

CONVERSANDO hoje, quinta-feira, com pessoas em Israel, todos diziam que além dos ataques dos HOUTIS (Iêmen), que estão sendo divulgados por todas as mídias, inclusive pelos jornais, rádios, TVs e mídias eletrônicas brasileiras, aconteceram ataques vindos da Faixa de Gaza. Enviam mísseis, drones e outros mortíferos para as cidades ao sul de Israel e também miram Tel Aviv. A pergunta trivial seria: como ainda têm tantos armamentos? Mas, ao ficar sabendo de onde partiram os ataques, perguntei - o que têm estas localidades de especial para servirem de plataforma de lançamento? E a resposta foi surpreendente. Estão lançando ataques a partir de localidades em que seriam feitas as próximas passeatas contra o HAMAS. 

Quero deixar claro que este é um papo - e uma conjectura. Mas, em vista de tudo que ocorreu a partir do 7 de outubro, não posso deixar de acatar a lógica. Israel tem o objetivo de acabar com a capacidade bélica do Hamas. E, se as passeatas saíssem... 

O outro lado do mundo... Brasil! Ontem uma comissão de avaliação entrevistou alunos na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia para selecionar participantes do Curso de Verão do Instituto Weizmann de Israel na cidade de Rehovot. A qualidade dos trabalhos e a capacidade de jovens (18-19 anos) de se expressarem em inglês e debaterem temas de ponta dá uma enorme satisfação. Fica evidente que o trabalho realizado por mais de cem anos, quando foram introduzidas as bases para a pesquisa científica, estão presentes. Muitos destes jovens já receberam prêmios internacionais e têm um "drive" para a busca de conhecimento que vale acompanhar. A divulgação dos resultados será na semana que vem, quando disponibilizaremos para os nossos leitores os dados dos premiados.

FECHANDO... esta semana  saiu uma outra informação bombástica publicada na Newsweek: "Columbia Activists Had Prior Knowledge of Oct. 7, Bombshell Lawsuit Claims". A noticia foi divulgada a seguir por vários meios de comunicação, inclusive a Globo News. 

Um dos pontos-chave a ser avaliados em Israel é como os preparativos de 7 de outubro passaram despercebidos. Agora são levantados vários indícios que poderiam ter sido levados em consideração. Mas havia na população israelense que vive na fronteira de Gaza um legítimo e efetivo "querer" acolher a todos. Assim, o número de trabalhadores que cruzavam a fronteira era importante, assim como o de doentes que recebiam tratamento em Israel. Um outro contingente era de alunos que estudavam em Universidades e Colégios Técnicos israelenses. Ouvir a voz dos sobreviventes  é um testemunho desta realidade. Por outro lado, para que o fato pudesse ser internacionalizado, era necessário ter cidadãos de outros países envolvidos - e aí surge a NOVA.

Ao iniciarmos a leitura de Vaicrá, o terceiro livro da Torá, e tendo percorrido quase 540 dias deste embate de Israel com grupos terroristas que vêm sendo desmascarados inclusive pelos seus conterrâneos, temos grande confiança nos ensinamentos que levamos de geração em geração - Dór va Dór.

Am Israel Chai



quarta-feira, 26 de março de 2025

Você Sabia? - O Talmud

 

TALMUD, תַּלְמוּד,

 'Se a Torá é a pedra fundamental do judaísmo, o Talmud é seu pilar..."

Por Itanira Heineberg



Você sabia que o Talmud (Estudo), a base da existência judaica, por esta razão queimado na praça Campo dei Fiori em Roma, a mesma onde queimaram Giordano Bruno em 1600, é lido em muitas partes do mundo, e estudado com reverência e entusiasmo nas escolas da Coreia do Sul?




Além de pessoas, livros e Torás, o Santo Ofício queimou o Talmud no Campo de Fiori em 9 de setembro de 1553, o primeiro dia do feriado do ano novo judaico, Rosh Hashanah.

 

Como aconteceu a coletânea do Talmud:

Os textos da Tradição Oral começaram a ser compilados aos poucos. Primeiro, reuniu-se uma coletânea de estudos concisos, escritos em hebraico, sobre inúmeras leis e sobre a sabedoria judaica, a Mishnah.

A Mishnah evoluiu, os dados aumentaram muito e finalmente compilou-se o Talmud propriamente dito.

O Talmud tem dois componentes principais: a Mishná, um livro sobre a lei judaica, escrito em hebraico, e a Guemará, comentário e elucidação do primeiro, escrita no jargão hebraico-aramaico.

Seus ensinamentos foram reunidos em duas grandes coleções, o Talmud de Jerusalém, que contém os ensinamentos dos rabinos na Terra de Israel, e o Talmud da Babilônia, que apresenta os ensinamentos dos rabinos da Babilônia.

Essas duas obras estão escritas no dialeto aramaico, com letras do alfabeto hebraico e, geralmente, não trazem vogais, pontos de interrogação, pontos finais ou exclamação.



As tradições do Talmud foram passadas de geração em geração. Assim, de Moisés à Josué, e, de lá para os líderes e sábios de cada geração.



 

Senti grande alegria e surpresa ao descobrir que escolas da Coreia do Sul incluem o estudo do Talmud em seus currículos. Embora o Talmud seja um texto sagrado do judaísmo, os coreanos têm demonstrado um grande interesse pelo seu conteúdo e pela sua abordagem única de ensino.


Biblioteca Coex Starfield em Seul inexplicavelmente decorou suas prateleiras com cópias do Talmud Babilônico.


E quais são as razões para o ensino do Talmud aos alunos da Coreia do Sul?

1. *Desenvolvimento crítico do pensamento*: O Talmud é conhecido por sua abordagem dialética e questionadora, que encoraja os estudantes a pensar de forma crítica e a desenvolver suas habilidades de resolução de problemas.

2. *Aprendizado baseado em discussões*: O Talmud é estudado em grupos, com os estudantes discutindo e debatendo os textos. Essa abordagem promove a colaboração, a comunicação eficaz e a resolução de conflitos.




3. *Desenvolvimento da ética e da moral*: O Talmud contém ensinamentos sobre ética, moral e valores que são essenciais para o desenvolvimento de cidadãos responsáveis e éticos.

4. *Preparação para os exames*: O estudo do Talmud ajuda os estudantes a desenvolver habilidades de análise, crítica e resolução de problemas, que são essenciais para os exames coreanos.

Algumas escolas da Coreia do Sul têm incluído o Talmud em seus currículos como uma forma de:

- *Aulas de ética*: O Talmud é usado para ensinar ética, moral e valores.

- *Aulas de pensamento crítico*: O Talmud é usado para desenvolver habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas.

- *Aulas de estudos judaicos*: O Talmud é usado para ensinar sobre a história, a cultura e a religião judaica.

É importante notar que o estudo do Talmud nas escolas da Coreia do Sul não é necessariamente relacionado à religião, mas sim à sua abordagem única de ensino e ao seu conteúdo ético e moral.




Por que a Tradição Oral foi escrita?

O povo judeu sofreu muitas perseguições, físicas e espirituais. Muitos foram aqueles que não somente quiseram aniquilar o povo judeu fisicamente, mas, também procuraram destruir toda a sua cultura.

Os sábios viram que era arriscado manter este conhecimento como uma tradição exclusivamente oral. Portanto, para evitar a perda deste conteúdo, eles compilaram todos os ensinamentos em escritos.

A tradução do Talmud para o coreano, um projeto ambicioso iniciado na década de 1990, foi liderada pelo rabino coreano, Rabbi David Kim, um especialista em estudos judaicos e hebraicos.

Este trabalho foi realizado em colaboração com a Universidade de Seul e a Universidade Hebraica de Jerusalém.

 

A tradução do Talmud para o coreano tem sido muito bem recebida na Coreia do Sul, onde há um grande interesse pelo judaísmo e pela cultura judaica. A tradução tem sido usada em escolas, universidades e comunidades judaicas em todo o país.

Clique aqui para assistir a um pequeno vídeo sobre o Talmud e apreciação dos jovens coreanos ao estudo desta Obra.


FONTES:

 

Meta AI

https://www.ihu.unisinos.br/categorias/171-noticias-2013/517114-estudo-iluminado-sobre-o-humano

https://ensina.rtp.pt/artigo/condenacao-a-morte-de-giordano-bruno-em-roma/

https://www.morasha.com.br/historia-judaica-na-antiguidade/a-queima-do-talmud.html

https://blog.sejacontraste.com/talmud/#Algumas_historias_Talmudicas

https://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/o-que-e-o-talmud.html


sexta-feira, 21 de março de 2025

ACONTECE: Felicidade?

 

Por Juliana Rehfeld


Esta foi uma semana de retrocessos que não queríamos ter que presenciar. Depois de nos alegrarmos e celebrarmos em Purim, e enquanto relíamos a parashá Ki Tissá e relembrávamos o compromisso que fizemos com as dez leis básicas e a conquista da condução de Deus a caminho da Terra prometida, estava voltando a se definir um desacordo entre os negociadores por Israel e pelo Hamas. O sonho que vínhamos sonhando nas semanas passadas, de retorno dos reféns que não nos devolveram e de uma merecida calmaria na terra prometida, desenhava-se um novo desacordo, um encontro de políticas espúrias e ódio continuado; Israel e Hamas voltaram à guerra, voltaram os bombardeios, não teremos ninguém devolvido, e voltou a extrema direita ao governo. 

Situação essa que se anunciava mas, mesmo assim, uma “ducha de água fria” na esperança da grande maioria do mundo, que veio, aos poucos, ouvindo relatos aterradores… Há também uma guerra de versões na mídia sobre isso, mas prevalece em mim esta sensação de misto de profunda tristeza e preocupação com quem ainda não está em casa e sobre como estará quando, e se, voltar, com ao mesmo tempo, uma profunda decepção e vergonha pela complicada engrenagem política a que seres humanos chegaram. Essa engrenagem que os impede cada vez mais de voltarem a ser humanos, de voltarem a ter empatia com o sofrimento e voltarem a buscar a paz.

Minha sensação inclui ao mesmo tempo um enorme cansaço e falta de energia de ler e ouvir as inúmeras notícias sobre o assunto que trocam acusações, reaprofundam as diferenças, desconstroem pontes levantadas a duras penas e fazem esperanças desabarem no abismo que existe no meio do caminho.  

Voltaram os números de vítimas declaradas pelo famoso Ministério da Saúde de Gaza, voltaram as sirenes, a corrida aos abrigos por toda Israel e mísseis ao centro do país, voltando Ben Gvir. Todo o circo de horrores.

Ontem, como uma triste ironia, foi divulgado o relatório sobre a Felicidade Mundial em 2024. Na semana passada mostramos um ranking errado mas demos a fonte. Hoje, direto do relatório de quem coleta os dados e produz as análises e o ranking, o Centro de Pesquisas sobre Bem Estar da Universidade de Oxford, incluímos o ranking certo de Israel e o que melhorou e piorou




Parece estranho falar em felicidade em um mundo tão machucado por desentendimentos, guerras e violência de maneira geral, e especialmente em Israel, país tão cercado por inimigos, em alerta constante e recentemente, ferido nas entranhas desde 7 de outubro de 2023. Imaginei a princípio que os sorrisos “fake” ou a crescente alienação das redes sociais fossem participar das conclusões de tal pesquisa, mas não!

O quesito no qual a avaliação do Centro focou este ano para atribuir “felicidade” é o impacto do cuidado e compartilhamento na felicidade das pessoas - o cuidado é “duplamente abençoado”, abençoa tanto quem oferece como quem recebe. E o relatório foi investigar isso! E analisou o compartilhamento de refeições, o compartilhamento do lar, a importância das conexões sociais, do apoio ao outro, da confiança mútua e finalmente, do ato de doar dinheiro ou de ser voluntário … como tudo isso traz e proporciona felicidade… 

Acho que no nível de desconfiança e descrença que muitos de nós pelo mundo estamos, apenas conhecer este relatório já traz felicidade..

Uma percepção clara que nós temos disso é nossa atividade comunitária, ela, de maneira geral nos faz bem e, com certeza, compartilharmos momentos muito tristes, como os que estamos passando esta semana, nos ajuda a enfrentá-los, torna-os mais leves para cada um de nós.  

É possível ser feliz em um mundo difícil, em retrocesso, cheio de violência? Parece, dizem análises acadêmicas, que sim - se não nos isolarmos, se cuidarmos uns dos outros, se compartilharmos alegrias e, sobretudo, as tristezas…as pesquisas confirmam.

Shabat Shalom!

quinta-feira, 20 de março de 2025

‘Mitzvá Legal’ - Beber até cair

 

Beber até Cair

Por Angelina Mariz de Oliveira


Uma famosa marchinha de Carnaval de 1959 já anunciava a ameaça de beber até não conseguir continuar em pé. Várias outras canções brasileiras têm a famosa frase ‘beber até cair’, normalmente por desilusão amorosa.

A ingestão de álcool é vista na cultura ocidental como algo necessário à alegria, ou para consolar. É elemento indispensável para festas, casamentos, jantares, churrascos etc. No Judaísmo também é essencial o álcool – vinho, vodca etc. - no brit milá, no bar mitzvá, no kidush, e, principalmente, em Purim.

Mas nem sempre o consumo regular de álcool fez parte da cultura Judaica. O texto “Drinking on Purim”, de Josh Finkelstein, traz diversas fontes judaicas, que debatem sobre essa questão (publicado pelo site Sefaria https://www.sefaria.org/sheets/470604.41?lang=bi). A Torá é rica em exemplos de situações reprováveis decorrentes da embriaguez.

Logo no Capítulo 9 de Bereshit lemos sobre um Noah desgostoso com a destruição do mundo, embriagado e nú perante sua família. Algumas gerações depois, as filhas de Lot vão embriagá-lo para ter relações sexuais e engravidar do pai (Bereshit 19:33).

Itzchak também é levado à embriaguez por seu filho Iaacov. Com isso, não consegue diferenciar o filho caçula de Esaú, seu irmão mais velho (Bereshit 27:25).

Séculos depois, após a fuga do Faraó, os hebreus estão aos pés do Monte Sinai, onde contribuíram e trabalharam para construir o Mishcan. Logo no serviço de inauguração, os dois filhos mais velhos de Aharon, recém-ungidos como cohanim, são fulminados por um raio Divino.

Após o choque, Deus ensina diretamente a Aharon que durante os serviços no Mishcan não deve ser tomado vinho, nem qualquer tipo de ‘bebida forte’, com teor alcoólico (Vaikrá 10:9).

Desde então, o vinho seria usado apenas para ser derramado nas oferendas.

A repreensão ao uso abusivo de álcool também é condenada em diversos trechos do Tanach. Por exemplo, quando o profeta Eli repreende Channah, pensando que ela estava embriagada (Samuel I 1:14); e as advertências de Isaías contra o “orgulho dos bêbados de Efraim” (Isaías 28:1-8):

“Estes também erraram por causa do vinho e se desviaram por causa do vinho forte; sacerdotes e profetas erraram por causa do vinho forte, eles se corromperam por causa do vinho; eles se desviaram por causa do vinho forte, eles erraram contra o vidente, eles fizeram a justiça tropeçar”.

Com tantas advertências, recriminações e tristes consequências, de onde vem a ideia de que o vinho e outras bebidas alcoólicas são necessárias e recomendáveis para as comemorações?

Moisés, na própria Torá, estabelece que anualmente os hebreus deveriam ir ao Mishcan com suas famílias, para celebrar a produção agropecuária (Devarim 14:26):

“Comerás os dízimos do teu cereal novo, do teu vinho novo, do teu azeite, e das primícias dos teus rebanhos, na presença do teu Deus, no lugar que [Deus] escolher para estabelecer o nome divino, para que aprendas a reverenciar o teu Deus para sempre.

Se a distância for muito grande para você, se você não puder transportá-los, porque o lugar onde seu Deus escolheu para estabelecer o nome divino está longe de você e porque seu Deus o abençoou você pode convertê los em dinheiro. Embrulhe o dinheiro e leve-o com você para o lugar que seu Deus escolheu, e gaste o dinheiro em qualquer coisa que você queira — gado, ovelhas, vinho ou outra bebida inebriante, ou qualquer coisa que você desejar. E você festejará ali, na presença do seu Deus, e se alegrará com a sua casa”.

Também encontramos inúmeras passagens do Tanach que exaltam a alegria e a benção de ter vinho. No Salmo 104 lemos: “(...) o vinho que alegra os corações dos homens”.

Mas a elevação do vinho ao centro destacado das comemorações vai aparecer no exílio na Babilônia, durante o domínio persa de Achashverosh. Este imperador tinha em sua rotina os famosos e típicos ‘banquetes de vinho’ – mishtê haiain, como lemos na Meguilá Esther.

A palavra hebraica ‘mishtê’ costuma ser traduzida como ‘banquete’, mas também significa ‘bebida forte’, com teor alcoólico. Ela tem a mesma raiz do verbo beber (lishtot). Ou seja, é uma celebração essencialmente relacionada à ingestão de álcool.

E esse hábito será adotado pelos judeus. Após a vitória contra Haman, Mordechai envia cartas para todas as comunidades judaicas espalhadas pelo império persa, determinando que Purim seja comemorado por todos, anualmente, e que “deveriam observá-los como dias de festa (iemei mishtê) e alegria (vesimshá), e como uma ocasião para enviar presentes uns aos outros e presentes aos pobres”.

Surgiu então a vinculação de Purim ao consumo de álcool como elemento provocador da alegria. Foram criados rituais e celebrações, que acabaram se transformando em tradição.

Assim, as regras da Torá e Profetas que restringem o uso do álcool foram mitigadas em Purim, para incluir os banquetes de vinho persas. O Talmude, no Tratado de Meguilá, nos conta que Rava, rabino que viveu na Babilônia no século IV da EC, disse: “Uma pessoa é obrigada a ficar embriagada em Purim até que esteja tão embriagada que não saiba distinguir entre o amaldiçoado Haman e o abençoado Mordechai” (Talmud Bavli, Meguilah, 7b).

Existem diversas explicações dos motivos teológicos e místicos para a pessoa ficar tão embriagada, a ponto de não conseguir raciocinar em Purim. Mas vamos dirigir nosso estudo, inspirados pela Torá, pelas consequências na busca de tamanho descontrole.

O Judaísmo do Templo não admitia ingestão de vinho e outras bebidas durante os serviços religiosos, por ser um mandamento de Deus, para evitar atos impensados e inapropriados, que podiam levar à morte. No Judaísmo rabínico o álcool também não será admitido nas tefilot, nas rezas. Porém, no Kidush e na Havdalá, nas celebrações, e em Purim, o vinho e outras bebidas passam a ser elemento central, com forte teor simbólico.

Contudo, sempre esteve presente a preocupação com o uso abusivo do álcool e suas consequências. Nesse mesmo Tratado de Meguilá, logo depois da forte e polêmica afirmação de Rava (Rabino Abba ben Iossef bar Hama), lemos:

“Rabba (bar Nahmani) e Rabi Zeira prepararam uma festa de Purim um com o outro, e ficaram embriagados a ponto de Rabba se levantar e massacrar Rabi Zeira. No dia seguinte, quando ele ficou sóbrio e percebeu o que tinha feito, Rabba pediu misericórdia a Deus e o reanimou. No ano seguinte, Rabba disse a Rabi Zeira: Que o Mestre venha e preparemos a festa de Purim um com o outro. Ele disse a ele: Milagres não acontecem a cada hora, e eu não quero passar por essa experiência novamente”.

Na Idade Média, de modo geral Maimônides será crítico ao alcoolismo. Ele escreveu na Mishnê Torá (1180):

“Quem se embriaga é um pecador, é vergonhoso e perderá sua sabedoria. Se ele se embriaga diante das pessoas comuns, ele profana o Nome de Deus. É proibido beber até mesmo uma pequena quantidade de vinho nas horas da tarde, a menos que seja tomado junto com comida. Bebida que é tomada junto com comida não é intoxicante. Somente vinho que é tomado após a refeição deve ser evitado (...) Ele deve beber vinho até ficar embriagado e adormecer em estupor”.

Porém, quando se trata de Purim, Rambam vai comentar a Meguilá Esther, e conclui que se embriagar em Purim é uma mitzvá, mas que está restrita ao contexto das refeições diurnas de 14 de Adar. E mesmo assim, em acompanhamento das refeições, seguidas de um breve sono.

No século XVI, Rosh vai escrever sobre a obrigação de se embriagar em Purim: “não significa ficar bêbado, pois a embriaguez é uma proibição definitiva, e não há pecado maior do que ela, pois leva ao adultério, assassinato e outros pecados. Em vez disso, deve-se beber um pouco mais do que o normal” (Orach Chaim 695 1:1).

Na mesma época, Rabbi Meiri segui a mesma linha de pensamento, defendendo o uso responsável do álcool em Purim; ao comentar a Meguilá 7b ele defende que “A pessoa é obrigada a aumentar sua alegria neste dia por meio de comida e bebida até que não lhe falte nada. No entanto, não somos ordenados a ficar bêbados e nos degradar devido a essa alegria, pois não fomos ordenados na "alegria" da devassidão e do absurdo, mas sim na alegria do prazer que leva a amar a Deus e a agradecer a Ele pelos milagres que ele fez por nós”.

Também em nossos dias encontramos orientações rabínicas de consumo moderado de álcool em Purim. Por exemplo:

“Se alguém sabe que beber muito vinho faz com que chore e fique deprimido, ou causa dores de cabeça, é preferível que cumpra a mitzvá bebendo um pouco mais do que o normal. Isso ocorre porque o objetivo principal da mitzvá é ser feliz, e se beber deixa alguém triste, ele prejudica a mitzvá... Se alguém sabe que quando fica bêbado fica selvagem e machuca os outros, ou acaba chafurdando em seu próprio vômito e se degradando em público, ele não deve ficar bêbado. Em vez disso, ele deve cumprir a mitzvá bebendo mais do que o normal [...]” (Peninei Halakhah, Zemanim 16:11:4).

E ainda:

“Assim, mesmo de acordo com o Shulchan Aruch, esta mitzvá não se aplica em casos de perigo de vida. De fato, Rav Mordechai Eliyahu e Rav Avigdor Neventzall (citados em Mikra'ei Kodesh, Hilchot Purim, Milu'im, cap. 13, n. 5, de Rav Moshe Harari) proíbem soldados israelenses de ficarem bêbados se tiverem acesso a armas de fogo. É óbvio que, da mesma forma, quem estiver dirigindo após o Seudat Purim deve se abster de beber. Além disso, também é óbvio que é proibido oferecer bebidas alcoólicas a alguém que planeja dirigir em Purim” (Gray Matter IV, Family and Community Matters, The Orthodox Union's Policy Statement on Adolescents Drinking on Purim 7).

Apesar desse debate milenar, e das prudentes recomendações, são comuns na noite de Purim, ou em datas próximas, comemorações com bebidas alcoólicas à vontade, o conhecido ‘open bar’. Em todas as linhas judaicas serão encontrados grupos celebrando Purim de acordo com as palavras talmúdicas de Rava, de 17 séculos atrás.

Essas práticas de uso abusivo das bebidas fortes podem ser fonte de acidentes, violência e abusos. Exatamente como descrito na Torá.

Por isso existem diversas normas no Sistema Jurídico Brasileiro punindo a embriaguez. As normas preveem punição mesmo para um consumo pequeno ou baixo de bebida alcoólica:

Código Penal/1940: “Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (...) II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos”. Por essa norma, o fato da pessoa estar alcoolizada não é justificativa para a prática de crimes e violências.

Estatuto da Criança e do Adolescente/1990: “Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adolescente de: (...) II - bebidas alcoólicas; Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica: Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave”. Com esse comando busca-se proteger os menores de idade, inclusive para casos de acesso de menores a bebidas alcoólicas em festas familiares.

Código de Trânsito Brasileiro/1997: “Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: Infração - gravíssima; Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses. Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses. Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de reincidência no período de até 12 (doze) meses; Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor. Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência: Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor”.

A legislação brasileira não é rigorosa nas punições de violências relacionadas ao uso de álcool, mesmo que em pequenas quantidades. O que de certa forma contribui para a sensação de impunidade.

Já que o legislador é leniente, cabe á sociedade civil, e às comunidades judaicas, se perguntarem que tipo de educação estímulo e exemplo estamos dando para os jovens. Será que a famosa frase de Rava, sempre lembrada e citada, é a forma judaica mais adequada de comemorar Purim? E a crítica à Rava trazida pelo Talmude logo após sua polêmica fala, seguida de inúmeras orientações rabínicas ao longo dos séculos?

Além dessas questões, o Judaísmo Liberal reconhece o perigo da ingestão abusiva de álcool, que pode levar a um quadro de descontrole, o alcoolismo. Nesse sentido, apesar de ser uma doença, ainda assim existem as responsabilidades da pessoa afetada, a primeira delas é a de procurar tratamento e cuidados.

Talvez desde já possamos iniciar campanhas, atividades e arrecadações para que as próximas celebrações de Purim tenham menos influências dos persas de Achashverosh, e mais consciência das advertências da Torá, e das recomendações de nossos Sábios.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Milagres

 



          Eu já contei pra vocês, mas não custa repetir, que as caminhadas são parte da minha vida. Nelas que eu proseio com D´us, penso, organizo as minhas pendengas da mente... É caminhando que eu me entendo comigo mesmo e com Ele!

          Dia desses, lá na esquina da Diana com a Palestra Itália, eu reparei em algo que sempre esteve lá, mas eu nunca tinha enxergado! Sabe quando a gente se acostuma com a paisagem, e em vez de descobrir o extraordinário no ordinário, a gente faz justo o contrário? A gente se acostuma... Vira rotina... A gente diminui tudo de mais extraordinário em algo simplesmente comum... Ordinário!

          Pois bem... Eu tava lá: esquina da Diana com a Palestra, esperando o sinalzinho verde para atravessar... Olhei para o lado e pronto! SESC Pompeia em toda sua solidez modernista. Eu fiquei até com vergonha...

          É que eu adoro o Sesc. Sempre vou lá. Teatro, exposições, shows... Tem vez que eu vou até lá só para dar uma volta... Fiquei envergonhado mesmo: como que eu sempre via mas nunca enxergava? Aquele edifício da Lina é um marco modernista. Como eu podia ignorar? Que caminhada era essa que fechava meu entendimento?

          Justo eu que admirava tanto aqueles traços, tão brutais e humanos? Tão imprevisíveis como a gente? O concreto era a carne! O vermelho, o sangue! O povo, o espírito!

          E enquanto no passo a passo de pura reflexão, percebi os milagres da vida que passam escondidos no batidão do corre! A tradição que, de geração em geração, foi sendo construída, não sem obstáculos e dificuldades, até se materializar no gênio de uma imigrante, de uma pessoa extremamente humana como todos nós, cheia de acertos e defeitos!

Ela fugiu pra cá, veio beber da Luz, estava enojada com as trevas miseráveis do Velho Mundo! Veio para cá, contra todos os dramas da vida, e aqui construiu Beleza! A Beleza!

E, para trás, somos frutos de gerações... Não somente um “eu”, mas sim um “nós”! Sorrisos, contentamentos e bençãos!

Esse, os Milagres cotidianos!

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política - PUC/SP. Cientista Político - Hillsdale College. Doutor em Economia - Princeton University.  Comendador Cultural. Escritor e Professor.

www.andrenaves.com 

Instagram: @andrenaves.def

 

 

quinta-feira, 13 de março de 2025

ACONTECE: Purim - Dia 523


PURIM SAMEACH
523 dias 

Olhando as fotos dos bebês fantasiados de verduras e hortaliças vem em mente os bebês Bibas de laranja, e também o grande canteiro de vegetais e frutas que foi a fértil terra da Faixa de Gaza até 2005. E em seguida, como que girando a sorte - PURIM - PUR (sorte) - focamos na festa de hoje - a festa simbolizada por uma Rainha, uma Mulher, uma Pessoa com capacidade de decisão e de busca de seus objetivos.

A Meguilat Esther é um dos rolos que compõem o Tanach - e será cantada e contada hoje e nos próximos dias. Vale ouvir a leitura e ver como, toda vez que o nome de Haman é mencionado, são girados reco-recos para se fazer muito barulho e para que este nome não precise ser mais lembrado no futuro! 

Hoje olho o nome e me ocorre - trocamos um "n" por um "s" e chegamos ao Hamas! A outra grande coincidência é que naqueles dias os judeus foram liberados da Pérsia (hoje Irã). Deixe a mente fluir - e tem mais coincidências. Naqueles dias, foi permitido aos judeus saírem da Pérsia e voltarem a Jerusalém, enquanto hoje encontramos os iranianos ao redor do mundo que foram expulsos de suas terras há 52 anos (1979). Comunidades que refizeram suas vidas em outras terras, mas que guardam na memória a terra ancestral. 

Olhando para a Faixa de Gaza, ontem dia 12 de março de 2025 apareceu nas redes sociais a foto de uma criança de 4 anos sentada na zona de fronteira e sendo encaminhada para o lado de Gaza por um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF). A legenda conta que a criança fora enviada pelos grupos do Hamas - e, como vem acontecendo há anos, foi recebida com o carinho que uma criança merece e devolvida aos seus. Vejam a foto!



Segue abaixo o texto divulgado pela IDF - deixo no idioma de divulgação.



ACONTECE - hoje fala sobre Purim e sobre os momentos de expectativa que vivemos! Os momentos em que parecemos estar sob a pressão da sorte que está sendo lançada.

Entrem no BLOGGER - e Vejam o todo - e não esqueçam de deixar seu like. Comentários são sempre bem vindos. 

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Conversando com amigos em Israel, esta madrugada, para saber como está sendo comemorado Purim, um comentário foi constante. A mão de Emily Damary está presente em todo país. E hoje a Revista Brasil-IL traz uma reportagem em que Emily revela como foi tratada por um médico que se identificou como Dr. Hamas. Emily foi baleada em 7 de outubro de 2023 e voltou a Israel em Janeiro. Suportou amputação dos dedos e recebeu pontos na perna. Virou-se com chás e sem água limpa para cuidar das feridas por mais de um ano. E se quiserem saber mais sobre o cativeiro de Emily, cliquem aqui. Hoje é uma embaixadora de Israel, já viajou a diferentes países e falou em organismos internacionais. Comunicativa e alegre! Assim, no século XXI a importância de recriar e transformar, suportar e superar é valorizada ainda mais na alegria de PURIM!!


Emily Damari e sua mãe Mandy


ALEGRIA - uma sensação maravilhosa que nasce em nosso mais profundo e gera algumas substâncias muito importantes que comunicam a todo o corpo que estamos bem. Esta comunicação biológica pode ocorrer no passo a passo, seguindo o caminho de nervos que se conectam. Ou pode ocorrer de forma genérica, banhando todos os órgãos através de substâncias liberadas no sangue. PURIM - sorte! E com ALEGRIA e SORTE superamos muitos obstáculos.

Olhando para o Leste, para as regiões da Ásia e Leste Europeu, fico impressionada com o muito que nos escapa. Chego ao Arzebaijão, capital BAKU, que foi fundada no século XII, e este é um país que fica no Cáucaso entre a Europa e a Ásia. Tem muitos habitantes judeus que vivem com liberdade e mantém relações diplomáticas com Israel. Bom lembrar que há espaços para convivência e Paz.

Em honra ao espirito de Purim, vamos ver um filme do Arzebaijão de HOJE!!! 

E vale ler o texto publicado pela Brasil.IL a partir de reportagem no Jerusalem Post:

“Azerbaijão deveria aderir aos Acordos de Abraão”

    O Azerbaijão deveria aderir aos Acordos de Abraão para servir de modelo de coexistência e levar outros estados de maioria muçulmana a aderirem ao tratado, disse o rabino-chefe sefaradita do Azerbaijão, Zamir Isayev. O rabino, um dos 150 delegados de um fórum para resolver os problemas mais urgentes do povo judeu, explicou que outros países poderiam “aprender com o Azerbaijão como negociar e se relacionar com Israel”. “O relacionamento do Azerbaijão com Israel é um modelo de coexistência entre judeus e muçulmanos. O Azerbaijão pode compartilhar sua experiência”, disse ele. “O modelo do Azerbaijão está nos mostrando que há uma possibilidade de viver de outra maneira, de viver juntos, crescer e se desenvolver”. Segundo o Canal Knesset, o Gabinete do Primeiro-Ministro respondeu que estava fazendo de tudo para aumentar os laços trilaterais com o Azerbaijão e os EUA. Isayev afirmou que o Azerbaijão pode servir de modelo para outras nações porque “não há nenhum antissemitismo”. Os 25.000 a 30.000 judeus que vivem no país “podem andar pela rua de kipá e podem andar livremente com símbolos judaicos. Os turistas israelenses gostam de visitar Baku, por se sentirem seguros e, por isso é um lugar único. Os judeus do Azerbaijão são uma parte muito ativa da sociedade azerbaijana”, disse o rabino.  Fonte: Revista Bras.il a partir de The Jerusalem Post

 

Muito a conversar, sem andar pelo "mais do mesmo". MAS não poderia terminar o ACONTECE de hoje sem lembrar do que deixou de acontecer. O Relatório da ONU sobre crianças que estão sob perigo no mundo omitiu:


BR-IL - clique

E - a ALEGRIA segue intermeando a realidade para que possamos continuar seguindo de geração em geração.

Vejam que maravilha:







Chad Purim Sameach

Regina P Markus


quarta-feira, 12 de março de 2025

Morangos florescem mais uma vez perto da fronteira com Gaza

 

Tradução por Juliana Rehfeld a partir do original do Israel 21C



O proprietário da fazenda Uri Tutim diz que a agricultura da região levará muito tempo para se recuperar, mas sua própria existência é nada menos que um milagre.
Por Yulia Karra


Deixe-me levá-lo para baixo porque estou indo para os campos de morangos.” Este verso de “Strawberry Fields Forever” dos Beatles estava ecoando em meus ouvidos enquanto eu me dirigia para a fazenda Uri Tutim (Morangos de Uri) em Moshav Yesha, perto da fronteira com Gaza.
Os campos de morangos sobre os quais os Beatles cantavam eram, na verdade, uma referência às Casas do Exército da Salvação. Enquanto isso, eu estava indo para uma fazenda localizada no Negev Ocidental que estava entre muitas outras que foram devastadas pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
“Mesmo antes de 7 de outubro, houve ataques de foguetes em nossas estufas; uma mulher americana foi morta dentro do moshav por um foguete uma vez”, disse o dono da fazenda, Uri Patkin, ao ISRAEL21c.

Da alta tecnologia à agricultura

Patkin, 55, cresceu em Yesha, ajudando seu pai a administrar a fazenda da família. Eventualmente, ele se mudou para o centro do país, onde trabalhou em alta tecnologia por quase uma década. 


Uri Patkin falando com jornalistas na entrada de sua fazenda. Foto de Natalie Selvin



“Aos 35 anos, deixei meu emprego e disse aos meus pais que voltaria para o Negev para me tornar um fazendeiro. Meu pai me disse que eu era louco”, ele diz rindo.
“Mas naquela época eu já era casado e tinha filhos. Pensei que seria melhor criar uma família em um moshav do que na cidade, mais perto da terra e da natureza.”
No começo, ele trabalhou na famosa fazenda de flores de seu pai. Pouco depois, no entanto, ele decidiu começar a cultivar morangos e o negócio decolou.
Por anos, a Uri’s Strawberries exportou a maior parte de seus produtos para as maiores redes de supermercados da Europa. Quando se tornou mais lucrativo financeiramente para os europeus importar produtos de países como Egito e Marrocos, Patkin não reduziu; ele apenas redirecionou os produtos para o mercado local.

Técnica especial

Uma das principais razões para o sucesso de Patkin foi a introdução de uma técnica especial de cultivo que poucas fazendas israelenses usavam na época: plantar em recipientes ou cestos suspensos no topo da estufa.


Morangos pendurados em plataformas de madeira na fazenda Uri Tutim. Foto de Natalie Selvin



“Os resultados do método são frutas de alta qualidade com uma vida útil mais longa do que a habitual para morangos”, observa Patkin
Evitar o contato direto com o solo leva a menos fungos e mofo, requer menos pesticidas e torna a colheita mais fácil para os trabalhadores da fazenda.

“Nós também arrancamos as folhas inferiores, para que o morango esteja sempre ventilado por ar seco, livre de invasores.”

Embora esse método exija infraestrutura e maiores investimentos por unidade de área, ele diz, ele também rende muito mais produtos por unidade.

‘O pior dia da minha vida’

Patkin diz que mesmo antes dos ataques de 7 de outubro, havia constantes “rodadas de violência” lançadas por grupos terroristas de Gaza contra Israel.
“Isso costumava desencorajar as pessoas de virem trabalhar ou morar aqui porque a cada poucas semanas, às vezes a cada poucos dias, mísseis podem começar a cair do céu”, observa Patkin.
Mas nada poderia ter preparado Patkin ou outros moradores da área para aquele Sábado Negro. “Foi o pior dia da minha vida; pessoas estavam sendo mortas ao meu redor”, ele lembra.
Yesha estava entre as poucas comunidades na área que conseguiram lutar contra os terroristas invasores graças a seis membros do esquadrão de emergência do moshav. No entanto, cinco dos seis foram mortos na luta: Lior Ben Yaakov, Gil Avital, Itai Nachmias, Tal Maban e Dan Assulin. E enquanto recuavam do moshav, os terroristas sobreviventes sequestraram ou mataram trabalhadores estrangeiros da Tailândia.
“Os trabalhadores estrangeiros não fazem parte deste conflito entre palestinos e Israel, e eles se encontraram no campo de batalha. Sinto muita responsabilidade pessoal sobre isso”, Patkin disse ao ISRAEL21c.
O próprio Patkin estava ajudando os poucos soldados da IDF que finalmente chegaram ao moshav nas horas da tarde.
“Eu tive que acompanhar o exército, enquanto cuidava dos mortos e feridos, algo que não recomendo que ninguém passe na vida”, ele diz.

Um longo tempo para reabilitação completa

Em 8 de outubro, quase todos os moradores de Yesha foram evacuados, exceto o esquadrão de emergência substituto. Um dia depois, todos os trabalhadores estrangeiros seguiram.

Patkin estava entre os poucos moradores que nunca deixaram o moshav, mesmo quando toda a sua família foi evacuada.

“Estávamos prontos para desistir da agricultura. Pensamos: ‘Pelo menos estamos vivos e saudáveis’. Mas três dias depois, ondas e ondas de voluntários de todo o país apareceram, nos dizendo que estavam aqui para salvar a agricultura”, lembra Patkin.
Ele diz que durante os primeiros três a quatro meses após o ataque, a agricultura no moshav foi mantida por voluntários, que acabaram salvando-a.
“Nosso tipo de agricultura é intenso; não é como o trigo que você planta e ele simplesmente cresce. Todos os dias você tem que fazer trabalho agrotécnico e supervisão.”
Por fim, Israel começou a recrutar novos trabalhadores agrícolas de todo o mundo para ajudar a reabilitar a região.
“Foi isso que fez as fazendas se recuperarem, mas ainda não na escala que tinham antes de 7 de outubro”, ele diz. “Eu pessoalmente ressuscitei apenas cerca de 50% da minha fazenda; levará muito tempo para que ela se reabilite completamente.”
Até agora, 90 por cento dos moradores de Yesha retornaram ao moshav.

Uri Tutim recebe turistas para visitar e colher morangos à mão por uma pequena taxa de admissão. Essas visitas ajudam a apoiar não apenas a fazenda, mas toda a região que ainda está sofrendo com o que sofreu.