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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Acontece: Israel, que pulsa forte apesar de…

 Por Juliana Rehfeld



Já marcamos, na semana passada, Yom HaShoah, no qual lembramos o pior crime contra a humanidade, o Holocausto. O crime que de jamais imaginável, passou a inesquecível embora tantos tentem negar e apagar do calendário. O crime que tem seus perpetradores diretos apontados, julgados pelas leis humanas, já há décadas auto declarados, penitentes e compensadores, mas jamais perdoados, por todos os herdeiros tanto das perdas como da culpa. Mas é principalmente o crime que torna a humanidade toda culpada mas impune porque os sinais de que poderia vir ou mesmo os sinais de que estava ocorrendo foram ignorados, escondidos para debaixo dos tapetes em que as nações pisavam. As pessoas e os países se omitiram e quando se deram conta de que não se podiam mais calar, a humanidade como espécie sangrou. Os que viveram isto pessoalmente já quase todos morreram, deixando como herança a obrigação de não se deixar cair no esquecimento para que aquilo jamais se possa repetir… mas, mesmo com tantos mecanismos criados para prevenir ou impedir que crimes contra a humanidade se repitam, eles continuam a ocorrer. E o silêncio que os encobre também se reconstruiu, e ele se sobrepõe às gritarias que desviam atenção e enganam, desinformam, permitem que os crimes se acumulem…

Nesta semana, Yom HaZikaron e Yom Ha’atzmaut, dia da lembrança pelos tombados nas guerras e pelo terrorismo, e dia da Independência do Estado de Israel. A semana em que esses dias imensos se seguem é sempre uma “montanha russa” de emoções misturadas, desencontradas mas que se encontram no nosso coração humano. A sirene para o país na véspera. Mergulhamos no luto da perda de tantos e tantas que trazemos no coração e na mente para que suas pegadas e a chama intensa de suas vidas não se apaguem, permanecemos firmes no propósito de testemunhar que estiveram presentes, construíram obras e laços, e deixaram legados. A sirene toca por dois minutos, paralisa o país inteiro, envolve tudo e todos em um silêncio proposital, imposto mas consensuado, tácito e cúmplice, pois compartilhado. O dia segue, triste. Mas, logo no momento seguinte da véspera da data de independência, começamos a comemorar aqueles legados, o bastão passado na corrida de revezamento de gerações que é esta vida neste mundo, e celebramos a construção que sucedeu as perdas, a dificílima construção de um país, a realização de tantos sonhos nacionais e pessoais, a “volta por cima enquanto sacudimos a poeira das quedas”, o lugar de encontro de tantas culturas e raizes diversas, Israel, que pulsa forte apesar de… 

Diminuto mas dividido Estado, que sangra e canta ao mesmo tempo, produz maravilhas enquanto gera más notícias, provoca orgulho enquanto pede reflexão, é um milagre mas exige explicação, uma potência que no entanto precisa de defesa e apoio, um lar nacional no qual a família briga incessantemente. Mas sim, sangra e canta ao mesmo tempo. Por dentro e por fora, na comunidade expandida, na diáspora comprometida, no povo compartilhado pela história e destino comuns.

Nossa construção coletiva desde a saída do Egito à formação do povo no recebimento da Torá no deserto. A jornada marcada pela contagem de 7 semanas do Omer, que se repete enquanto continuarmos a mantê-la significativa. escreveu Jonathan Sacks z’l : “ O tempo não é uma série de eternas recorrências na qual nada finalmente muda. O tempo cíclico é profundamente conservador enquanto o tempo com aliança, compromissado, é profundamente revolucionário; e ambos têm expressão na contagem do Omer”

O conservador e o revolucionário convivem na nossa história, nos nossos lutos e nas nossas celebrações.

Israel. Difícil para céticos ou cardíacos, um desafio para a torcida crítica, uma convocação ao alistamento de argumentos, um paciente em permanente emergência, um jovem sobrevivente e por cuja sobrevivência sangramos e cantamos ao mesmo tempo. 

Shabat Shalom

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