ACONTECE: A Vida surpreende - Emoções Novas neste 2026
Regina P Markus - 30 de abril de 2026
| Salus Loch - que maneira maravilhosa de contar uma história da SHOÁ! A foto é original e acompanhou Hannah Chevalier (82 anos) ao longo de sua vida! |
Poucas vezes me lembro de chorar. Chorar de forma silenciosa e copiosa. Lágrimas que escorriam pelo rosto, comemorando a VIDA — Le Chaim. Foi no dia 26 de abril, no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto (MIJH), em São Paulo. Fui convidada por Hannah Chevalier , filha e genro, que são queridos amigos da Sinagoga Hebraica, para a tarde de autógrafos do livro PITZI, a testemunha de pano , escrito por Salus Loch . Uma charmosa boneca que acompanhou a vida de Hannah, sobrevivente da Shoá, nascida em 1944. Nesses dias que separam a "comemoração" da liberdade da "comemoração" da responsabilidade, e em que há momentos de expectativa em Israel, resolvi compartilhar o porquê de tanta emoção. A vida é o caminho que escolhemos para viver, é a sorte de sermos distinguidas com forças para superar e alegria para criar. Entre no Blogger e leia um "aperitivo" do livro mais fascinante que li nos últimos anos.
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O MIJH é um prédio especial localizado na Rua da Graça 160, Bom Retiro. Em 1900, era um edifício modesto que recebia imigrantes que desembarcavam no Porto de Santos, subiam de trem até a Estação da Luz, em São Paulo, e encontravam camas para descansar e passar os primeiros dias. Em 1912, foi fundada a primeira sinagoga do Estado de São Paulo, Kehilat Israel.
A imigração judaica estava presente neste edifício, que abrigava a todos. Não era necessário pagar. Com o estabelecimento da comunidade judaica, os que tinham passado os primeiros dias naquele espaço passaram a contribuir com doações de diferentes tipos. E as lembranças pessoais foram se transformando em material histórico de grande importância. Em 2016/2017 é aberta uma exposição permanente sobre a imigração resultante da Shoá. Espaço muito ativo, com cursos para todas as idades e classes sociais, com o propósito de divulgar a comunidade judaica a todos, inclusive a judeus.
A sessão começa com as boas-vindas da Coordenadora Educacional do MIJH, Ilana I. palavras que introduzem o autor, o livro e a Hannah Chevalier. Evitando o spoiler, comenta que foi o MIHJ que abriu espaço para Hannah contar sua história e inspirar grupos de crianças, jovens e adultos a viverem sem barreiras, mantendo a sua identidade.
Busco na internet informações sobre Saulus Loch que registram o que foi narrado. É um jornalista gaúcho não judeu, escritor, advogado e pesquisador brasileiro reconhecido mundialmente por seu trabalho na cobertura e no estudo da memória da Shoá. Percorreu o mundo ocidental e oriental em busca de fatos que confirmassem histórias do Holocausto e, mais ainda, iniciou a escrita de livros que contam, em forma de romance, a vida de um sobrevivente. PITZIL é o segundo.
A seguir, Ilana dá a palavra a Dona Hanna Chevalier. Hoje, aos 82 anos, uma senhora elegante, com voz firme e olhos atentos. Eu a conheço de longa data. Fui ao lançamento do livro a convite de sua filha e já havia ouvido a história em outras ocasiões. Hannah aparecia pouco entre os sobreviventes porque não viveu a Shoá; nasceu ao final da Shoá, na Bélgica.
Nasceu em uma prisão e foi levada nas costas de sua mãe, como um embrulho, para enfrentar um pelotão de fuzilamento. Qual a idade? Quando nasceu? Como foi resgatada? Entra no jogo da vida o comandante alemão que pressentiu vida no embrulho nas costas da partizã belga. Ela não conheceu os pais, mas teve a sorte de que conseguiram resgatar seus nomes porque pertenciam ao Maquis. Estes eram grupos de resistência belgas, que operavam de forma isolada, com apenas um homem conhecendo todos os grupos. Desta forma, não havia possibilidade de cruzamento de informações.
E o suspense foi aberto – para que pudéssemos ouvir a voz da boneca de pano, Pitzi, contar, passo a passo, o que “mamãe” viveu. E assim era como Hannah escutava a voz de Pitzi. Ela, muito cedo, tornou-se mãe zelosa da boneca que foi um presente do oficial alemão que a salvou. Sim, é como estão imaginando, este homem acompanhou Hannah por muitos anos em um orfanato no Mosteiro Jesuíta em Charlesroi. Père Joseph Valentier, o comendador do mosteiro, dirigia também um orfanato, criado durante a guerra, para abrigar crianças de todas as origens que foram deixadas sozinhas ou ficaram órfãs por causa do nazismo.
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