Por Itanira Heineberg
A ALBÂNIA, um dos países mais pobres da Europa, uma democracia de pouco mais de 30 anos de existência, guarda em seu território uma joia judaica arqueológica de valor inestimável, bem zelada e preservada - mas de pouco conhecimento por parte de seus cidadãos.
Você Sabia que a Sinagoga-Basílica de Sarandë é um dos
sítios arqueológicos mais fascinantes da Albânia, documentando a transição
religiosa e cultural da região entre os séculos IV e VI?
Muito importante ressaltar que este complexo localizado
no coração da cidade costeira de Sarandë (antiga Onchesmos) representa a
primeira evidência arqueológica de uma comunidade judaica antiga na Albânia.
A história dos judeus no país remonta a cerca de 2.000 anos.
De acordo com o historiador Apostol Kotani (Albânia e os judeus), "Os judeus podem ter chegado pela primeira vez à Albânia já em 70 d.C. como prisioneiros em navios romanos que foram arrastados para a costa sul do país. Descendentes desses cativos construiriam a primeira sinagoga na cidade portuária do sul de Sarandë no século V.”
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As maravilhas arqueológicas de Sarandë |
Descoberta na década de 1980, escavada e restaurada no início dos anos 2000, a sinagoga de Sarandë data do século V e pertencia a uma comunidade próspera e proeminente, como indica sua localização no coração da cidade velha. Os visitantes podem agora admirar os mosaicos, incluindo uma menorá e o que parece ser a Arca da Aliança.
No século VI, a sinagoga foi transformada em basílica.
Os visitantes podem encontrar informações mais detalhadas
e fotografias no Museu Arqueológico da cidade.
Vejamos
agora o histórico do Sítio Arqueológico:
O monumento
passou por fases distintas ao longo de sua existência:
Séculos II
a IV (Origens): O local inicialmente abrigava residências privadas romanas,
identificadas por fundações de vilas e mosaicos primitivos.
Século V (A
Sinagoga): Uma próspera comunidade de judeus (que teriam chegado à costa
albanesa por volta de 70 d.C.) construiu uma grande sinagoga. Esta fase
continha várias salas decoradas com mosaicos que exibiam símbolos puramente
judaicos, como a Menorá (candelabro de sete braços), o Shofar (chifre de
carneiro) e o Etrog (fruta cítrica).
Século VI
(Conversão em Basílica Cristã): Durante o Império Bizantino, a estrutura foi
expandida e convertida em uma Basílica Paleocristã (igreja cristã primitiva).
Novos mosaicos foram sobrepostos, retratando animais, árvores, vasos e
representações bíblicas sem referências estritamente judaicas.
Destruição:
Estima-se que o complexo foi totalmente destruído por invasões eslavas e
bávaras entre os anos de 580 e 585 d.C.
Em 2003, uma cooperação
internacional entre o Instituto de Arqueologia de Tirana e o Instituto de
Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém retomou os trabalhos no
local. Foi essa escavação conjunta que confirmou a identidade judaica do templo
primitivo ao limpar os mosaicos enterrados.
Ao preparar nossa recente viagem à Albânia descobri a
existência das ruínas desta sinagoga e estava ansiosa por visitar o sítio.
Mas desde o primeiro contato em terra firme, ouvia dizer
que não havia sinagogas ou ruínas no país. O motorista de táxi, as moças e
moços da recepção dos hotéis, nosso maravilhoso guia que nos acompanhou durante
6 dias, todos negavam a minha história.
Já no penúltimo dia, ou melhor, penúltima noite de nosso
périplo pelo país, num momento de quase fúria, após um dia cansativo de muitas
caminhadas e visitas a castelos e temperaturas de 42 graus, arrisquei a IA e
descobri que estávamos perto do lugar sagrado, Sarandë, uma linda cidade.
Com muito sol, calor e alegria percorremos as ruas das ruínas,
imaginando onde estaria a bimah, onde ficariam as pessoas durante as orações. Enfim,
havíamos chegado ao lugar por nós tão esperado.
Queríamos desfrutar desta oportunidade de ver um pouco
mais deste país,
Desta Albânia que protegeu seus judeus durante a Segunda
Guerra Mundial com base no código de honra tradicional chamado besa.
O país foi um dos raros lugares na Europa onde a
população judaica aumentou durante o Holocausto devido aos refugiados
abrigados.
Hoje a população judaica no país reduziu-se a cem pessoas
pois, com o fim do regime comunista, os judeus albaneses emigraram para Israel.
FONTES:
https://jguideeurope.org/en/region/albania/sarande/
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq5y9nr3n79o
https://blog.ehri-project.eu/2024/01/24/the-rescue-of-jews-in-albania/
IA














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