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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

ACONTECE: Distorção

 

Por Juliana Rehfeld




Há um fenômeno, ou prática, comum, que abunda na comunicação no nosso cotidiano, estejamos nós em momento eleitoral ou não. Isso já está incorporado em todos os meios de comunicar e contamina praticamente todas as pautas. Refiro-me à DISTORÇÃO.

A origem da palavra é o latim distortio, (dis- que indica separação ou afastamento — e torquere — torcer ou retorcer) que significava "ato de torcer para lados opostos" ou virar algo para direções diferentes.

Sabem, esse termo é usado em muitas áreas, sempre com o sentido de alteração, desvio, deformação do original. Em medicina ou psicologia quer dizer deformação na percepção das coisas, em rádio, tecnologia e música quer dizer deformação desproporcional de onda, com ampliação sonora.

Minha questão aqui é a distorção de fatos justamente para amplificar notícias, criar percepções opostas à ideia original e reverberar…

Falamos hoje, na língua das redes sociais, em “desinformação”, “fake news”, “pós verdade”. Mas isso parece invenção, mentira e assim, a maioria descarta como lixo produzido por quem quer vender produto, algo “que não me atinge”…

Já a distorção parte de um fato, “uma verdade”, e tem suas “feições”, formas, significados, alterados para algo diferente, distante, chegando a seus opostos.

Mais um pouco de conceito, o Google diz: pós-verdade é um conceito que descreve um contexto no qual os fatos objetivos e as evidências perdem relevância na formação da opinião pública, sendo substituídos por apelos emocionais e crenças pessoais.

Principais Características

* Supremacia da emoção: Mensagens que geram forte impacto sentimental (como medo, raiva ou indignação) são aceitas mais facilmente do que dados comprovados.

* Relevância da crença: As pessoas tendem a acreditar e compartilhar informações que confirmam o que elas já pensam (viés de confirmação), ignorando provas em contrário.

* Descarte de especialistas: Há uma desconfiança generalizada em relação a fontes oficiais, à imprensa tradicional e ao método científico.

Bem, há mais de 20 anos se fala na “guerra assimétrica” entre Israel e Hezbollah, ou Hamas, e outros movimentos extremistas antissemitas que preferem ser vistos como Resistência, e que consiste na ensurdecedora disseminação de pós verdades pela mídia, todas as mídias. E aí, lembramos prontamente de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, chamado pela mídia brasileira (ironicamente justamente pela mídia de esquerda) de genocida, antissemita mestre da lavagem cerebral, que em 1934 disse “A propaganda jamais apela à razão, mas sempre à emoção e ao instinto.” E disse mais: “depois que a propaganda conscientizou todo um povo a respeito de uma ideia, a organização pode obter o máximo de benefícios com a ajuda apenas de um punhado de pessoas”.

Pois é, os políticos bebem nessa fonte, os antissemitas bebem nessa fonte, e nós, cidadãos do mundo contemporâneo, somos afogados numa crescente tsunami de distorções e pós-verdades para as quais não temos bóias ou barcos adequados ou suficientes… Israel tem fragorosamente perdido essa guerra assimétrica e, em tempos de guerra real, e dramática, pós 7 de outubro, pergunto-me se essa derrota tem alguma possibilidade de “virada”, de superação, de sobrevivência… tenho que, quero acreditar que temos alguma chance!

Então, na situação complexa em que vive Israel, social e geopoliticamente, há muitos fatos e verdades inconvenientes, de difícil digestão para nós judeus e para os cidadãos israelenses… mas, sem escondê-los debaixo do tapete, ou fingir que não existem, precisamos investigá-los, entendê-los de forma realista, e lidar com eles como “merecem” - criticando ou justificando - e isso, é claro, é muito cansativo… mas cabe-nos, de maneira transparente e responsável, defender o que este oceano de pós-verdades vem tentando, sorrateira e mal intencionadamente, alcançar: a destruição do Estado. E nem tão sorrateiramente mais, cada vez mais de modo eloquente. O que está em risco é muito precioso, então não dá pra descansar, ou deixar pra lá… pra depois…

Exemplos de distorções, de pós verdades, de inversões e mesmo de invenções não faltam. E eles têm sido cada vez mais populares e seu poder de enganar os incautos, os que não conhecem Israel e os judeus reais, apenas os "imaginários" formam a crescente massa de manobra a nos empurrar para um mar que não promete se abrir desta vez…

Já comentei aqui a distorção que o super aplaudido documentário Naza faz com o conceito preventivo de “dano colateral”… Israel por um lado respondeu querendo retirar a cidadania dos cineastas (medida que não faz jus à democracia lá vigente) mas, de outro lado, divulgou um vídeo com fatos e depoimentos reais sobre isso. 

Na sexta-feira passada cometeu- se, na minha opinião e na de muitos outros, um “atentado à justiça”, ou, nas palavras do Estadão, “a desmoralização do prêmio Nobel da Paz”: foi escolhida para o prêmio Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, mas também conhecida ativista contra Israel há muitos anos e que deveria, por isso, ter sido impossibilitada de atuar como juíza nessa causa. O filho do prêmio Nobel Elie Wiesel, Elisha, declarou que “o Prêmio Nobel da Paz foi morto” com essa premiação.

Podia ter sido pior, caso ganhasse outra candidata ao prêmio, Francesca Albanese, ainda Relatora Especial das Nações Unidas (ONU) para os Territórios Palestinos Ocupados, apesar de inúmeros pedidos de destituição e acusações de parcialidade e antissemitismo. E muitos, muitos outros eventos da ONU, posturas de países europeus, etc..etc..

Tenho encontrado mensagens cada vez mais assustadoras contra judeus e Israel, e são assustadoras pela profusão e pelo volume, temos muito trabalho pela frente: cada um/uma de nós no nosso entorno, onde for possível… as manifestações distorcidas vem crescendo até porque nós silenciamos! Existem hoje muitas fontes de fatos, no Brasil e fora, nas quais podemos buscar fatos para podermos contar verdades, não fiquemos parados. Parafraseando um ditado popular: “se você dormir a tsunami te leva”.

Shabat Shalom


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