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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ACONTECE: Pesos e Medidas

 Por Juliana Rehfeld


A semana passada foi relatada pela Regina num texto sensível sobre Sucot e o evento da 81a Assembleia da ONU que, mais uma vez, não traria - e não trouxe- novidades sobretudo em termos de solucionar os problemas mundiais… Aliás, a ONU tem se transformado em palco para governantes se apresentarem e ganharem pontos em seus países, a preocupação tem sido eleitoral e “eleitoreira” mais do que voltada a buscar diálogos e conciliações para construir paz… E a mídia relata seletivamente o que acha que “venderá mais”. Aliás, o palco ali é justamente preparado para seguir e confirmar narrativas… e aparecer. Todos reportaram a grande retirada de delegações quando Benjamin Netaniahu iniciou. Ele mesmo pediu aos que chamou de “covardes morais” que saíssem, já é praxe esse boicote à sua fala. Mas este ano foi evidente o espetáculo midiático, a encenação que se produziu: durante o discurso imediatamente anterior, da Colômbia, o plenário medianamente ocupado foi sendo preenchido com delegados e - confirmou-se depois - com estagiários “figurantes” para que a “debandada” de público parecesse enorme. Encenação para confirmação da narrativa contra Israel… Netaniahu estava lá para tentar não perder a próxima eleição em casa? SIM! Ele merece protesto? As ruas de Israel e muitos de nós temos dito que SIM, mas contra qual outro mau ou tirano governante no mundo - e não há poucos -  se faz tal encenação? É notória a discriminação. 

Sucot começou na sexta, e assim também a Festa dos Tabernáculos, organizada anualmente pela International Christian Embassy Jerusalem (ICEJ), teve início na sexta e foi até ontem em Israel. O evento deste ano carregou o tema bíblico "The Lord Roars from Zion" (O Senhor Ruge de Sião). A celebração começou com uma abertura marcante no deserto, no oásis de Kfar HaNokdim, antes dos peregrinos subirem para as principais noites de adoração no International Convention Center (ICC) em Jerusalém. Mesmo diante do cenário desafiador e dos anos de conflito na região, a resposta dos delegados internacionais foi expressiva: mais de 3.000 participantes presenciais, cristãos locais e estrangeiros vindos de mais de 70 a 90 nações. Houve uma forte mobilização de delegações vindas de países que adotaram posturas críticas ou sanções recentes contra Israel — como Reino Unido, Irlanda, Holanda e Noruega — cujo propósito explícito foi demonstrar solidariedade direta com a população israelense. Outros grupos expressivos vieram de locais como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, África do Sul e nações do Pacífico como Fiji e Tonga. 

A mensagem de abertura do festival foi ministrada pelo apóstolo brasileiro Renê Terra Nova (Diretor Nacional da ICEJ no Brasil).

Muitas orações focadas na paz de Israel e no apoio às comunidades afetadas na fronteira de Gaza (com projetos de reconstrução em kibutzim como Nir Oz). Os momentos mais marcantes foram o tradicional "chamado das nações", onde os delegados lotaram o ICC de Jerusalém carregando as bandeiras e cores de seus respectivos países em um ato de adoração conjunta e a tradicional marcha pelas ruas de Jerusalém, onde os peregrinos estrangeiros caminham para abençoar e demonstrar afeto diretamente aos moradores locais. 

Mas isso, com exceção da especificamente religiosa, a mídia, a grande imprensa, não considera notícia, você ouviu falar?

Já em 30 de setembro só se falou de um acontecimento: o ataque do co-piloto da FlyDubai ao piloto indiano que mesmo muito ferido permitiu a entrada na cabine de passageiros e tripulantes que afinal, evitaram sua iminente queda. Atacar o piloto e tentar destruir os equipamentos são sinais evidentes de tentativa de derrubar o avião. Mas a mídia continua a se referir ao fato como briga entre pilotos, num avião em que 160 dos 174 passageiros eram israelenses… será? Claro que tudo deve ser investigado, mas porque um cidadão de Omã resolve se suicidar ou acertar as contas com seu colega justo num avião lotado de israelenses!! Coincidência. Graças a Deus essa coincidência “coincidiu” com a percepção dos ruídos na cabine, e a presença de outros pilotos a bordo! Esta pergunta a mídia não faz…

E,  finalmente, em 1/10 estreiou no Brasil, e logo no mundo todo, o documentário “Naza”, já famoso por ter sido aplaudido longamente no Festival de Veneza em 10/09. A apresentação é ambiciosa, pretende que ele “traz a verdade” sobre “a guerra em Gaza” incluindo depoimentos de autoridades e militares. Depoimentos anônimos. A direção é de um ativista e jornalista israelense que já fez um documentário anterior, polêmico e premiado com Oscar, de nome Yuval Abraham. Ele certamente sabe cair no gosto da grande narrativa mundial sobre os conflitos em, e de, Israel. Aquela guerra de narrativas que Israel repetidamente perde… São depoimentos que acabam levando o público a concluir que Israel usou IA e “matou civis sistematicamente, inclusive crianças” - o nome NaZa vem de “Nezek Agavi” que significa “dano colateral”. A apresentação do filme afirma que o dano colateral foi “aceito e usado para ampliar ataque a civis” quando especialistas nesta área - que ouvi essa semana- explicam que são pessoas, e não IA, que avaliam o que há em volta de um alvo, calculam o dano colateral possível - para evitá-lo no modo de ataque -  entregam os dados a analistas jurídicos e só se decidir-se de fato atacar o alvo, avisa-se a população “colateral” a evacuar! Que exército faz isso? E isso é necessário porque o Hamas e a Jihad Islâmica usam hospitais, bairros residenciais e escolas como escudos para se defender. Os militares israelenses, em qualquer parte dessas operações, são verificados e sujeitos a julgamento e possível prisão em caso de conduta errada… li e acompanhei tudo isso esta semana, o que faço? Vou assistir ou boicoto como acho que deveríamos todos?

Por que esse filme é tão falado? 

Porque não se falou quase nada de filmes como: “Gritos antes do Silêncio”, 2024, sobre as mulheres estupradas e mortas em 7 de outubro; “Crianças de 7/10”, 2025; “Vamos dançar de novo”, 2024, e #Nova, 2024/2025 sobre o festival Nova, e o brasileiro “Ainda é 7 de Outubro”, de Sabrina Abreu, 2024 sobre a experiência de brasileiros afetados pelo massacre…. São todos filmes difíceis, precisamos de estômago para assistir, não são populares e, com certeza, na contramão das narrativas conhecidas. Esses, diferentes de Fauda do qual já falamos aqui, não são ficção, são documentários sobre danos reais, centrais, físicos e morais, irreversíveis… que não foram prevenidos ou evitados, que o mundo está preferindo que sejam esquecidos, mas que todos devemos assistir. 

Fim

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