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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O KKL - KEREN KAYEMET LE ISRAEL (Fundo Nacional Judaico)




Você sabia que o KKL - KEREN KAYEMET LE ISRAEL (Fundo Nacional Judaico) já plantou mais de 240 milhões de árvores em 900 mil hectares de terras em Israel desde sua fundação em 1901, transformando uma terra desolada em um país inteiramente verde?




É assim que “o KKL vem desenvolvendo a terra de Israel com um toque de amor, fortalecendo o vínculo entre o povo judeu e sua terra ancestral, respondendo às necessidades do país e preservando a sua herança natural e cultural.”

Assista agora a este curto vídeo onde 2000 jovens judeus e beduínos trabalham juntos ao comemorar o aniversário de 70 anos de Israel.
Ao plantarem o futuro do deserto, eles estabelecem uma atitude de coexistência, criando uma ponte de respeito mútuo entre suas comunidades, aprendendo a se conectar com o diferente e a viver bem.




“A verdade é que em mais de 110 anos de história, o KKL adaptou suas prioridades de acordo com as necessidades de cada época. Da energia dispendida na aquisição de terras e na transformação de pântanos e desertos em campos férteis, bosques e lugares para o desenvolvimento comunitário e industrial, nasceu a inspiração para transformar a educação em um ideal sempre vivo. Com isso, conseguiu se destacar no movimento em prol de um Israel com maior orientação ambiental e de ser, também, a maior organização não governamental daquele país a ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas.”

Israel refloresta o Negev.




PUSHKE, o cofrinho da KKL.

Você já deve ter visto este cofrinho ou até colaborado com ele!


“O tradicional cofrinho do KKL teve participação fundamental na arrecadação para compra das primeiras terras do futuro Estado de Israel. Hoje é muito mais um símbolo do que um modelo de arrecadação eficiente, mas em momentos de crise, o número de cofrinhos que recebemos aumenta muito.

Você sabe que apenas na cidade de São Paulo devemos ter mais de 1500 cofrinhos na casa dos amigos do KKL Brasil, e muitos destes estão cheios e esquecem de nos devolver.

Se você tem um cofrinho cheio ligue para 3083-2214.”


E para finalizar um tema infindável como o KKL, neste TuBiShvat, a festa judaica que comemora o Ano Novo das Árvores, prestamos aqui nossa homenagem a estas criaturas silenciosas, que tanto colaboram com nosso planeta, ao purificar o ar que respiramos e do qual dependemos definitivamente.
Árvore é sinônimo de ar!
E é deste ar que queremos falar, o ar que Israel agora transforma em água potável e a oferece ao mundo através de suas miraculosas máquinas ao alcance de todos!



Este texto é uma colaboração de Itanira Heineberg para os canais do EshTá na Mídia.

FONTES:

i kkl.org.br/wordpress/quem-somos/kkl-no-mundo/

https://www.google.com.br/search?source=hp&ei=FQx_WqGhOsyuwgTz955A&q=kkl+israel+imagens&oq=kkl+israel+imagens&gs_l=psy-ab.3..35i39k1.2912.13326.0.13697.19.18.0.0.0.0.181.2441.0j18.18.0....0...1c.1.64.p

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

EDITORIAL - O ano novo das árvores



Viver, sobreviver, voltar a nascer e continuar neste planeta por gerações e gerações é um sonho do homem e da humanidade. Nos tempos modernos, temos plena consciência de que é esta uma das nossas mais importantes missões: fazer com que o nosso planeta possa ser deixado para as próximas gerações. Uns acham que ele deveria ficar de forma intocada – que o homem é a causa de todas as tragédias e transformações negativas do planeta. Já outros veem os recursos naturais como um dádiva para permitir vidas idealizadas. 
Usar recursos naturais é algo que o homem faz há milênios; o homem e todos os seres vivos do planeta. A vida é um ato de grande movimento e de transformação, e a vida de uma esponja, de uma formiga ou de um homem deixam suas marcas no planeta, transformando alimento em energia e depois em adubo, que novamente vai gerar alimentos.

Se no século passado o objetivo era conseguir aumentar a eficiência da extração e do uso dos recursos naturais, neste século há uma consciência de que estes recursos devem ser preservados. Não de forma imutável e intocada, mas de forma sustentável e reutilizável.

A base desta transformação é o direcionamento que fazemos das nossas buscas tecnológicas e da educação que propiciamos a nossos filhos. O Estado de Israel tem sido um diferencial na criação de inovações que nos auxiliam a manter nosso planeta: melhora da utilização da energia, uso sustentável da água, agricultura diversificada e utilização de recursos do deserto. Somado ao 'usar consciente', houve também um desenvolvimento disruptivo em informática e inteligência artificial que permitiu condições de otimização do uso da água - de tal forma que tornou Israel, um país totalmente dependente de água doce proveniente do vizinho do norte, a Síria, em um país que utiliza a água do Mar Mediterrâneo através de um processo inédito de dessalinização. Mas será que isto é ao acaso? Será que acontece apenas porque o século XXI é o século das grandes oportunidades?

Na realidade, este grande interesse pelo verde e pelo mundo que nos cerca tem raízes históricas que se inicia na Torá. No dia 15 do mês de Shvat, é comemorado o ANO NOVO DAS ÁRVORES – este é o início de um novo ciclo de vida e marca o final do inverno e o início da primavera, com o sol iluminando o mundo e as árvores iniciando um novo ciclo. Regras que foram transformadas em leis religiosas e que buscam não apenas a preservação, mas também permitem a evolução e a mudança.

E, sabendo como é bom poder mudar baseado em uma tradição, entramos na semana de Carnaval, a grande festa brasileira, que é uma forma autêntica de expressão popular. Cantar e dançar ao som de histórias e enredos. Sabendo que encontramos formas especiais de unir aos diferentes de forma alegre e criativa.

Boa semana!

Comitê Editorial

Em Israel, futebol promove coexistência entre crianças


Reprodução de artigo da Folha - original aqui.
DANIELA KRESCH
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE TEL AVIV (ISRAEL)


Crianças de time misto de árabes e judeus se abraçam em competição da ONG Gol da Igualdade em Jerusalém. Crédito: Daniela Feldman/ Folhapress


Com uniformes coloridos, as crianças chegam correndo ao gramado artificial do campo de treinamento do clube Beitar Jerusalém, da primeira divisão do futebol israelense. O frio de janeiro não abala as 200 crianças de 10 a 12 anos, de 12 escolas da região, que querem jogar bola e, quem sabe, levantar o troféu de campeão no final do dia.

O campeonato foi promovido pela ONG israelense "Gol da Igualdade", que trabalha com crianças de baixa renda para difundir valores de respeito e tolerância por meio do futebol.
Em Jerusalém, há um objetivo a mais: melhorar a convivência entre árabes e judeus numa cidade virtualmente dividida, onde a realidade de conflito entre israelenses e palestinos causa tensão constante.

Para fomentar essa coexistência, a ONG decidiu, pela primeira vez, criar times mistos entre crianças árabes e judias no campeonato de 18 de janeiro. As quatro equipes –com jogadores de quatro escolas de Jerusalém, duas judias e duas árabes– competiram contra equipes "não mistas", de escolas locais. Jogaram bem, mas não subiram no pódio. A experiência alegrou crianças e treinadores.

"Não importa com quem jogamos, o importante é jogar!", disse à Folhao atacante Muhammad Anan, 11, do bairro árabe de Bait Safafa, de Jerusalém Oriental, que jogou com alunos da escola judaica do bairro de Bait Vagan. "Às vezes, quando tomamos um gol, a gente briga. Mas isso é normal no futebol."
"No começo não gostei da ideia porque pensei que ia ser difícil", corroborou o goleiro Eliá Ben Gur, 11, da escola de Bait Vagan. "Mas agora está legal. Podemos ser amigos. Se eles soubessem um pouco de hebraico, seria melhor".
A língua é realmente uma barreira. Em Jerusalém, 34% da população de 900 mil pessoas é formada por palestinos que, em geral, moram na parte oriental da cidade, anexada por Israel em 1967. A grande maioria tem status de "residente permanente". Não são cidadãos israelenses, mas gozam de educação e seguro de saúde gratuitos e podem trabalhar e circular livremente por Israel.
Apesar dessa convivência geográfica, a maioria das crianças árabes estuda em escolas com currículo palestino, nas quais o hebraico não é ensinado. A maioria das crianças judias tampouco aprende árabe, disciplina obrigatória só a partir do secundário.

Segundo o brasileiro Gabriel Holzhacker, "gol", no entanto, é uma palavra universal. Vice-diretor da ONG, Holzhacker, que chegou a Israel aos 11 anos, se emocionou ao ver crianças dos dois lados de Jerusalém torcendo juntas num mesmo time durante o torneio da semana passada.
Foi ele quem teve a ideia de formar equipes mistas em Jerusalém. O pensamento surgiu nas Olimpíadas do Rio, em 2016, quando a "Gol da Igualdade" foi convidada pela CBF, a Federação Paulista de Futebol e instituições judaicas e árabes paulistas para levar ao Brasil 22 crianças de Jerusalém –11 judias e 11 árabes– para participar de eventos beneficentes. Durante a viagem, ele notou que as crianças se uniram além das barreiras da etnia e da língua.
"A certo ponto, começaram a joga bola entre si, sem times. Se misturaram. Não teve judeus contra árabes. Foi lindo porque foi algo totalmente autêntico", conta. "Até hoje, as crianças jogavam nas competições da ONG representando suas escolas. Com essa nova iniciativa, estamos tentando que as crianças se conheçam, se respeitem e criem laços de amizade".

O fundador da ONG, o economista israelense Liran Girassi, começou o projeto em 2009 com outros estudantes na Universidade Hebraica de Jerusalém. Fanáticos por futebol, o sonho era aplicar o esporte como um instrumento de transformação social. Hoje, a ONG tem 70 funcionários trabalhando com 220 escolas em todo o país.

São mais de 3.500 crianças de 9 a 16 anos da periferia de Israel, entre elas, judeus religiosos e seculares, árabes muçulmanos e cristãos, drusos e beduínos. Os pais dos alunos selecionados pagam 300 shekels (R$ 300).
"Misturar as crianças em times mistos não era parte do objetivo inicial. Mas, lentamente, surgiu a oportunidade de unir os jogadores em torneios", diz Gerassi."Em casa, as crianças vem os outros como inimigos. Mas, no campo, percebem que são iguais a ele, se alegram com gols, ajudam quem caiu em campo, dão passes. Jerusalém precisa de iniciativas assim".

O educador Shadi Jaber, diretor da ONG "Abrindo o futuro", em Jerusalém Oriental, concorda: "As crianças judias e árabes não têm muita oportunidade de se encontrar, no dia a dia, em Jerusalém. As novas gerações precisam se conhecer enquanto pessoas, não como 'soldados' versus 'jogadores de pedras'. No bairro onde moro, as crianças nunca entrariam em contato com israelenses se não fosse a 'Gol da Igualdade'. Hoje, elas contam os dias para as competições".


A arquitetura surpreendente de Israel


Do Israel 21C extraímos esta seleção de sete obras arquitetônicas de Israel que farão você parar tudo para admirar: de inusitadas a ousadas, passando por algumas estranhamente atraentes, são obras que mostram um lado peculiar da genialidade arquitetônica israelense.


  1. ‘BUBBLE HOUSE,’ NEVE DANIEL














  1. ‘BEEHIVES,’ RAMOT POLIN, JERUSALEM






















  1. SPIRAL HOUSE, RAMAT GAN




































  1. ‘THE CRAZY HOUSE,’ TEL AVIV




































  1. ‘HOUSE ON THE BOARDWALK,’ TEL AVIV




































  1. SAIL TOWER (MIGDAL HAMIFRAS), HAIFA


























  1. HERODS EILAT HOTELS
























Deu vontade de conhecer mais detalhes sobre cada uma delas?

Leia a matéria original do Israel 21C, em inglês, aqui.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

VOCÊ SABIA? - Coco Schumann


Você sabia que há menos de um mês, mais precisamente no dia 29 de janeiro de 2018, o  mundo perdeu um grande guitarrista de jazz, o músico alemão “COCO”  SCHUMANN -  Heinz Jakob Schumann,  sobrevivente de 3 campos nazistas de extermínio?
Coco Schumann- sobrevivente do Holocausto
Foto de Daniel Bockwoldt / AFP

Segundo sua gravadora Trikont, ele faleceu domingo em Berlim “após uma vida digna de romance”.
"Não apenas seu talento musical, mas também seu senso de humor e calor humano animavam e encantavam as plateias vez após vez" afirmou o selo Trikont em comunicado nesta segunda.

“Ele se distinguiu musicalmente por ter sido um dos primeiros a introduzir a guitarra elétrica na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, bem como por uma infinidade de concertos com seu Quarteto Coco Schumann. Mas foi especialmente por seu percurso e história pessoal dramática que ficou conhecido em seu país e no exterior.
Filho de um alemão cristão convertido ao judaísmo e uma mãe alemã judia, foi preso em 1943 e enviado ao campo de concentração de Théresienstadt, nos Sudetes, anexado pelo Terceiro Reich para tocar para os SS. Seu grupo recebeu o nome de Ghetto Swingers.
Em setembro de 1944, foi internado no campo de extermínio de Auschwitz. Com outros músicos, era obrigado a tocar quando os novos deportados chegavam, para os kapos ou quando os prisioneiros deixavam o campo de trabalho.
‘Quando eu tocava, esquecia tudo. Esquecia a estrela amarela costurada no meu peito, as paredes do gueto, a fome’, disse ele ao jornal francês Le Monde há uma década.“
O musical Der Ghetto Swinger, que retrata a vida do guitarrista Coco Schumann

Ao ser libertado pelas tropas americanas, já portador de uma doença muito grave, ele resolveu ficar na Alemanha e ali começar a trabalhar, não abandonando a música que o acompanhara durante todo seu tempo de prisioneiro. Jazz e swing foram o seu pão de cada dia.
Mais tarde tentou a Austrália, e após 4 anos naquele país, ele e sua família retornaram à Alemanha sem lá ter obtido sucesso.
Após um longo silêncio sobre sua traumatizante vivência de guerra, relatou em entrevista ao Le Monde: "De qualquer forma, ninguém entenderia. Estava um pouco envergonhado de ter sobrevivido e queria ser reconhecido como músico, não como um sobrevivente de Auschwitz".
- Primeiro campo - Theresienstadt – membro de uma banda denominada Ghetto Swingers.
- Segundo campo - Auschwitz, Polônia ocupada – tocava para os prisioneiros recém-chegados para executar trabalhos forçados.
- Terceiro campo - Dachau e uma das marchas da morte, fugindo das forças aliadas.
Como ele próprio uma vez declarou, sua vida foi salva pela música!
Uma vida que durou 93 anos!

Este texto é uma colaboração de Itanira Heineberg para os canais do EshTá na Mídia.
Fontes – Estadão e Deutsche Welle

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

EDITORIAL - Israel, a Nação Startup



Ciência, Tecnologia e... EDUCAÇÃO

Pensar o Estado de Israel nos tempos bíblicos pode estar ligado a religiões, mas não necessariamente. Na base do Estado de Israel dos tempos bíblicos está o conceito de uma sociedade organizada e preocupada com a aplicação do direito de cada indivíduo e do direito coletivo. O pagamento de um trabalhador não podia ser deixado para o dia seguinte. Todo o povo tinha o direito a um dia de descanso, e para que este fosse observado, independente da classe social ou das posses, este dia foi considerado sagrado. Do ponto de vista coletivo, foram introduzidas leis de respeito ao próximo e uma clara separação entre a religião e o estado. O Estado de Israel dos tempos bíblicos é a primeira nação no mundo em que os Reis e suas famílias são completamente separados dos sacerdotes e suas famílias.

Pensar Israel nos tempos modernos, um Estado que completa agora 70 anos de existência, é pensar numa nação paradoxal. Uma nação que é constantemente ameaçada por vizinhos e também por organismos como a ONU, composta por países que vêm destruindo patrimônios da humanidade. É também a nação que cria no presente as avançadas tecnologias do futuro. Uma nação Startup.

Esta semana, antes de entrar no tema programado, é imperioso relatar a destruição de um Templo Hitita de mais de 3.000 anos pelo exército turco que invadiu o norte da Síria visando atacar os Curdos. Isto não é um dano colateral – isto é a destruição da história, visto que os hititas não mais existem há milênios.

Ser o povo que sobreviveu aos tempos e conta a sua história é um dos pilares do povo judeu. Um segundo pilar é a transmissão do conhecimento e o terceiro, a criação do conhecimento.

No mundo da Ciência e Tecnologia, são conhecidos dois tipos de inovação: as chamadas incrementais, que consistem em melhorar algo que já é bastante conhecido – como eletrodomésticos que poupam energia - e as inovações disruptivas,  aquelas que parecem nos acercar da ficção científica.

Israel, um país com 7,5 milhões de habitantes, vem criando novos conceitos e com isto revolucionando o mundo. Telefone celular, Waze, Pen Drive, visão eletrônica, novos tratamentos de doenças e muito mais surgem de laboratórios de pesquisa básica. Um professor de botânica que estuda a clorofila almoça com outros da área de oncologia e química. Conversa vai, conversa vem... e o papo gira em torno das plantas que precisam de luz para ativarem uma série de reações químicas. No escuro, a fotossíntese não acontece. E se estas moléculas fossem endereçadas para células cancerígenas... O papo começou a cruzar fronteiras. Das plantas para os Animais – o Prof. Yoram Salomon, do Departamento de Regulação Biológica, e o Prof. Avigdor Scherz, do Departamento de Botânica e Ciências Ambientais, criaram um novo paradigma para o tratamento do câncer, a terapia fotodinâmica. O Tookad é injetado na veia e após algumas horas a próstata é iluminada. Esta nova tecnologia tem permitido a eliminação de tumores de próstata com uma sessão de irradiação. Este tratamento foi recém aprovado na Europa e está em vias de aprovação nos Estados Unidos.

Prof. Avigdor Scherz & Prof. Yoram Salomon


Romper fronteiras – transformar o futuro e chegar em limites só imaginados pela ficção é o que vem sendo realizado com grande competência pelo Estado de Israel. Competência baseada na educação e no avanço científico básico.

Comitê Editorial 

Quem criou o Waze?



"Outro dia, estava dirigindo com a família num horário de trânsito e o Waze, aplicativo que motoristas de cidades repletas de carros como as nossas capitais conhecem, ofereceu um caminho que geralmente estaria super congestionado. Minha esposa duvidou ao que respondi brincando “para mim, é Deus no céu e Waze na Terra – tenho muita fé nele” (é claro que conhecemos casos que o aplicativo levou pessoas a lugares ermos ou perigosos, mas não havia nenhum risco neste caso). Brincadeiras à parte, o Waze é um aplicativo sensacional, que foi vendido para a Google em junho de 2011 por 1,3 bilhão de dólares. Afinal, quem criou o Waze?
A resposta simplista é que foram Uri Levine, Ehud Shabtai e Amir Shinari, três empreendedores israelenses financiados por alguns “rounds” de investimento e suportados por uma equipe de 80 pessoas. Mas se olharmos com mais cuidado, vamos perceber que o Waze é fruto não apenas destes empreendedores visionários, mas de todo um ecossistema de inovação.
No mês passado tive o privilégio de participar de um programa em Israel, chamado “Inovação tecnológica na nação das start-ups”. Organizado por um amigo em parceria com a Universidade de Tel Aviv, um grupo de 25 brasileiros passou três dias em Israel visitando desde o ministério da economia até start-ups, da Universidade de Tel Aviv a Venture Capitals, aceleradoras e espaços de co-working. Ou seja, entendemos como vários atores se coordenam para tornar a capital israelense a segunda cidade mais inovadora do mundo (só atrás do Vale do Silício). É impressionante! Em cada reunião que participamos, ao início, todos com orgulho explicavam porque Israel é um país onde se gera tanta inovação tecnológica e tantas start-ups. Alguns insights que ficaram para mim:
• A vocação do país: É a dificuldade que o país viveu e vive, em constante ameaça de guerra, que gera uma base para a inovação. Mas como isto funciona? Todos os jovens israelenses fazem 3 anos de treinamento no exército, logo ao sair do colégio. Isto gera na juventude comportamentos como “eu consigo” e “precisamos confiar uns nos outros”, e assim toda uma cultura empreendedora no país. Vários destes jovens servem numa unidade de desenvolvimento tecnológico do exército e, portanto, já estão aprendendo o que há de mais moderno em termos de tecnologia. E além disto, vários dos próprios desenvolvimentos tecnológicos criados para a defesa depois são transportados para a vida civil. Ou seja, o jovem sai treinado tecnologicamente, com uma atitude persistente e com ideias que servirão de base para novos desenvolvimentos.
• O poder de uma metáfora: Dan Senor e Saul Singer perceberam que o país estava gerando muitas start-ups e escreveram um livro chamado Start-up Nation em 2009. O livro não criou o que estava acontecendo, mas sintetizou a situação e o contexto de forma brilhante, servindo como uma metáfora positiva que todos os atores do ecossistema e a população em geral repetem. Isto está acelerando a realidade.
• Sua limitação pode ser sua fortaleza: Israel é um país de pequenas dimensões, em especial se comparamos com o Brasil. São 8 milhões de habitantes e assim um mercado interno bem reduzido. Mas, curiosamente, isto é mais uma das suas fortalezas: “todos” se conhecem por lá e isto torna as interações frequentes e vibrantes, elemento básico para a inovação. E o mercado é o mundo todo, não apenas o mercado local.
• A coordenação dos atores: Foi surpreendente visitar mais de 15 atores diferentes do ecossistema (incluindo o governo) e perceber que todos passavam a mesma mensagem no início de sua apresentação e estavam alinhados na direção: que Israel é um polo de desenvolvimento tecnológico, que gera muitas start-ups e que a maioria das empresas de tecnologia como Intel, Microsoft e Google estão criando uma base por lá. Por exemplo, o primeiro site de pesquisa da Apple fora de Cupertino foi aberto este ano em Israel. Todos atuando juntos numa mesma direção.
Resumindo, a partir do reconhecimento das condições sócio-geo-políticas do país (que alguns poderiam ler como limitações), emergiu uma vocação e os atores se coordenaram para fazê-la florescer.
E na volta, fiquei pensando então qual é a vocação do nosso Brasil? Lembrei muito do nosso povo alegre e acolhedor, das nossas belezas naturais, da diversidade de gostos e sabores que oferecemos. Eu pessoalmente acredito fortemente no potencial turístico brasileiro. Você talvez tenha outras vocações em mente, que também podem funcionar bem. Mas, o nosso principal desafio é encontrarmos vários atores de um ecossistema com a disponibilidade, a confiança e o desejo de se coordenarem em prol de uma construção maior. Que passo podemos dar, cada um de nós no nosso pequeno ecossistema, nesta direção? Qual é o Waze que queremos criar?"