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quinta-feira, 1 de outubro de 2020
EDITORIAL: Cultura & Lei - Saberes que Inovam e Transformamhttps://1.bp.blogspot.com/-WSHPgui9C1c/X3QwrJdJoXI/AAAAAAAACOQ/B3rbmHdjduMBCP5NEiFlsTvVUKbeBFI5QCPcBGAYYCw/s1204/Screen%2BShot%2B2020-09-30%2Bat%2B04.05.20.png
VOCÊ SABIA? - Moshé Ben Maimon - Maimônides - Ha Rambam
Moshé Ben Maimon Maimônides Ha Rambam
“De Moisés a Moisés não houve outro igual a Moisés.”
1135-1204 (4895-4965)
Por Itanira Heineberg
VOCÊ SABIA que Maimônides, o grande sábio Rabi Moshé Ben MaiMon, também conhecido por RAMBAM, respeitado filósofo medieval, ao chegar o momento de prover sua própria subsistência não quis depender da comunidade para alimentá-lo enquanto estudava? Formou-se em medicina e foi muito respeitado como médico no Cairo, atendendo nobres e sendo nomeado médico particular do vizir al-Ḳaḍi al-Faḍil al-Baisami de Saladino, que o recomendou à família real.
O menino Moisés nasceu em 1135 na cidade de Córdoba,
grande centro cultural onde muçulmanos, judeus e cristãos viviam e conviviam em
harmonia, participando ativamente da vida pública. Tendo perdido a mãe logo ao nascer,
habituou-se à meditação profunda sobre a vida e a morte e a confiar-se sozinho a D’us.[RM1]
Foi seu pai, um importante erudito, que o iniciou nos
estudos rabínicos, e na mais tenra idade recebeu orientação de
distintos professores que o iniciaram em todos os ramos da Sabedoria.
Quando Moisés bem Maimon completou treze anos, Córdoba caiu
nas mãos dos fanáticos Almohades e Moisés e sua família foram obrigados a escolher
entre o Islã e o exílio. Optaram por deixar o país e por doze anos levaram uma
vida itinerante. Vagaram pelo sul da Espanha e chegaram à cidade de
Acre, às margens do Mediterrâneo, ao lado da atual cidade de Haifa. Depois
passaram por Jerusalém e se estabeleceram no Cairo, que naquela época era
conhecida como Fostat.
“Durante os primeiros anos de sua residência no Egito, Maimônides experimentou muitos infortúnios. Com a morte do pai, seu irmão David herdou a cabeça da família, sustentando-a negociando com pedras preciosas[RM2]. Mas quando David pereceu no mar, com ele não só a sua própria fortuna pereceu, mas, também grandes somas que lhe haviam sido confiadas por outros comerciantes. Todos esses eventos afetaram a saúde de Maimônides e ele passou por um longo tempo enfermo. Compelido agora a trabalhar, Maimônides considerando ser um pecado ganhar a vida com assuntos religiosos, adotou a profissão de médico.”
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Guia dos Perplexos – o caminho certo para o indivíduo,
uma orientação para a vida.
Maimônides estava bem preparado para sua missão. Aos 23 anos iniciou sua carreira literária com um tratado sobre o calendário judaico, um assunto desconhecido que envolvia um profundo conhecimento de matemática.
A Bíblia denomina Moisés, o «mais humilde do que todos os
homens que havia sobre a face da terra» (Números 12:3).
“Maimônides escreveu dez trabalhos de medicina em árabe e vários trabalhos de teor religioso, onde reflete sua visão filosófica sobre o judaísmo.”
“O método adotado por Maimônides na prática profissional era de começar com um tratamento simples, procurando curas por meio de dietas prescritas antes de administrar drogas. Falando de sua carreira médica em uma carta dirigida a seu aluno Joseph ibn 'Ainin, Maimônides diz:
Você sabe o quão difícil é essa profissão
para alguém que é consciencioso e exato, que declara apenas aquilo que ele pode
apoiar por argumentação ou autoridade.”
Maimônides foi convidado a se mudar para Marrocos para lá
ser o médico particular de Saladino, o chefe militar muçulmano.
Era a Medicina, através de um de seus grandes nomes, ultrapassando
diferenças culturais e religiosas. Nesse ambiente, produziu a preciosidade
abaixo, a Oração de Maimônides, o modelo de compromisso pessoal do Médico.
ORAÇÃO DO MÉDICO
"Ó Deus, Tu formaste o corpo do homem com
infinita bondade; Tu reuniste nele inumeráveis forças que trabalham
incessantemente como tantos instrumentos, de modo a preservar em sua
integridade esta linda casa que contém sua alma imortal, e estas forças agem
com toda a ordem, concordância e harmonia imagináveis. Porém se a fraqueza ou
paixão violenta perturba essa harmonia, estas forças agem uma contra as outras
e o corpo retorna ao pó de onde veio. Tu enviaste ao homem Teus mensageiros, as
doenças que anunciam a aproximação do perigo, e ordenas que ele se prepare para
superá-las.
A Eterna Providência designou-me para
cuidar da vida e da saúde de Tuas criaturas. Que o amor à minha arte aja em mim
o tempo todo, que nunca a avareza, a mesquinhez, nem a sede pela glória ou por
uma grande reputação estejam em minha mente; pois, inimigos da verdade e da
filantropia, eles poderiam facilmente enganar-me e fazer-me esquecer meu
elevado objetivo de fazer o bem a teus filhos.
Concede-me força de coração e de mente, para
que ambos possam estar prontos a servir os ricos e os pobres, os bons e os
perversos, amigos e inimigos, e que eu jamais enxergue num paciente algo além
de um irmão que sofre. Se médicos mais instruídos que eu desejarem me
aconselhar, inspira-me com confiança e obediência para reconhecê-los, pois
notável é o estudo da ciência. A ninguém é dado ver por si mesmo tudo aquilo
que os outros veem.
Que eu seja moderado em tudo, exceto no
conhecimento desta ciência; quanto a isso, que eu seja insaciável; concede-me a
força e a oportunidade de sempre corrigir o que já adquiri, sempre para ampliar
seu domínio; pois o conhecimento é ilimitado e o espírito do homem também pode
se ampliar infinitamente, todos os dias, para enriquecer- se com novas
aquisições. Hoje ele pode descobrir seus erros de ontem, e amanhã pode obter
nova luz sobre aquilo que pensa hoje sobre si mesmo.
Deus, Tu me designaste para cuidar da vida e
da morte de Tua criatura; aqui estou, pronto para minha vocação."
(Moses Ben Maimon- 1.135-1.204)
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Selo israelense emitido em 1953 em homenagem a Maimônides
Em 1204 Maimônides faleceu no Cairo, cansado fisicamente
e com o sentimento de que não havia escrito tudo o que ainda queria ensinar.
Seu corpo repousa em Tiberíades, Israel.
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Túmulo de Maimônides, o grande filósofo, médico, poeta humanista, sábio da Idade Média que com seus estudos, pesquisas e tratados enriqueceu o período áureo da Medicina Arabesca. FONTES: Livro Maimônides – 0s 613 Mandamentos (Tariag
Há-Mitzvoth) Moshé bem Maimon, Tradução de Giuseppe Nahaissi https://kdfrases.com/frase/164779 https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/2423984/jewish/Comentrio-final.htm http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html |
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
EDITORIAL: KOL NIDRE - TODAS AS PROMESSAS
5780 --> 5781--> 5782
Entre Rosh Hashana e Iom Kipur - nos chamados dias de temíveis, dias de expiação, dias de cuidado. Há várias interpretações para esta espera, entre o dia que lembra a criação do mundo e a entrega das Tábuas da Lei. Entre o início da vida e o início da fase de responsabilidade.
Um período em que o dia a dia continua, mas de uma forma diferente, com momentos de introspecção e com tempo para conversar com amigos e inimigos, um tempo para atravessar pontes e planejar o futuro. Um tempo para pedir e dar perdão, desculpas ou mesmo reatar laços rompidos ou interrompidos.
Um tempo dedicado ao ser humano e sua relação com outros seres humanos. Todos os inúmeros costumes gerados ao longo de milênios pelos diferentes grupos de judeus espalhados pelo mundo focam no dia de Iom Kipur, quando há a oportunidade de olhar para dentro. Olhar este que é sempre feito em sinagogas repletas. Este é o dia em que judeus de qualquer nominação e muitos dos que se consideram ateus se encontram.
Dia especial que começa com uma das rezas mais solenes do judaísmo. Quando publicamente, solenemente, a comunidade com todos os cantores declara três vezes que todas as promessas, juramentos e compromissos assumidos deste Iom Kipur até o próximo sejam declarados nulos.
Que estranho! Precisamos andar um parágrafo atrás no livro de rezas. Quando, antes de cantar o Kol Nidre o "chazan" (lê-se razan) declara:
AL DAAT - Com a permissão de D'us e com o consentimento desta congregação; com a autoridade do Tribunal Celeste e com a aprovação do tribunal terrestre, que nos seja permitido orar junto com os transgressores.
E é com esta permissão que se inicia o dia de Kipur.
É neste contexto que me permito este ano não falar dos milhões de judeus ao longo dos milênios que tiveram que jurar falso para manter a vida e que tiveram que transgredir para que os outros também sobrevivessem.
Hoje, falo do que estaria sentado ao meu lado e que está acompanhando o serviço pela mesma tela de computador. Este é o momento que sabemos que todos transgrediram e que o continuarão fazendo e que ter consciência deste fato aumenta a responsabilidade pelas decisões que forem tomadas no ano que acabou de entrar.
E neste momento solene é admitido o maior bem do povo judeu: a diversidade. Um povo que não é caracterizado nem pela riqueza, nem pela igualdade de cor ou mesmo idioma. O idioma comum não é necessariamente conhecido por todos. Mas é caracterizado por se permitir sentar junto e ser um responsável pelo outro, independente das transgressões.
Um responsável pelo outro e responsável por guardar a vida.
Cada um responsável não apenas por seu vizinho ou país, mas também por toda a humanidade. É quando sabemos que podemos fazer a diferença.
Gmar Hatimá Tova

Um ano de vida plena. Uma boa assinatura - é o que deseja toda a equipe ESH TÁ NA MÍDIA
Regina P. Markus
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Yom Kipur: o dia do perdão.
O dia mais
sagrado no calendário judaico.
Dia de jejum,
introspecção e autoanálise, dia auspicioso.
Confessamos
nossos pecados, vivemos o arrependimento e oramos por um ano bom e doce!
Você Sabia
que o Yom Kipur, dia de muita alegria, é considerado o mais auspicioso do ano
por oferecer a oportunidade de obtermos o tão valorado perdão Divino?
Auspicioso – Promissor
– Próspero – Favorável - De bom agouro
Auspício, do latim
AUSPICUM, “a função de um AUSPEX”. Estes eram sacerdotes que observavam o voo
dos pássaros no céu para prever o futuro. Essa palavra vem do Indo-Europeu
AWI-SPEK, “observador de aves”, de AWI, “ave”, mais SPEK, “ver”.
Auspicium.ii
de auspex, literalmente "o que observa os pássaros" em busca de
presságios.
Na Roma antiga
era um sinal dos deuses que os áugures tiravam do céu.
Yom Kipur, o
10º dia do mês de Tishrei, também é dia de júbilo, pois foi quando Moshé
entregou ao Povo Judeu o segundo conjunto de Tábuas com os Dez Mandamentos.
Assim sendo,
Yom Kipur nos remete à entrega da Torá.
“Yom Kipur é o Shabat dos Shabatot e, portanto, todo trabalho profano deve
cessar e todas as leis do Shabat devem ser respeitadas tanto por homens como
por mulheres.
Assim como no Shabat, é proibido carregar sobre si qualquer objeto durante
Yom Kipur. Além de observar as leis do Shabat, em Yom Kipur outras cinco
restrições são acrescidas: “Não comer, não beber, não trabalhar, não se lavar e
nem massagear a pele (perfumes, cremes etc.), não calçar couro, não ter
relações conjugais”.
Yom Kipur e os cinco níveis da alma:
“Ensina a Cabalá que são cinco os níveis da alma: Nefesh, Ruach, Neshamá,
Chayá e Yechidá. Os três primeiros residem dentro de nosso corpo; os dois
últimos o transcendem.
Na maioria dos dias do ano, podemos acessar apenas os primeiros três – uma
das razões para orarmos três vezes ao dia: Shacharit, Minchá e Arvit.
Em certos dias, como o Shabat e Rosh Chodesh (o novo mês judaico), podemos
acessar o quarto nível da alma, Chayá, razão pela qual temos uma oração
adicional no dia – Mussaf.
O único dia no ano em que temos livre acesso ao quinto nível da alma,
Yechidá, é Yom Kipur. Por essa razão, Yom Kipur é o único dia no ano em que
recitamos uma quinta prece – a Neilá –, a última oração do dia.
1) Nefesh -"alma animal", é a alma humana em seu nível mais
primário. Anima a existência dando-lhe força de vida, de movimento e propagação
das espécies, também capacitando o homem a pensar, divagar e sonhar. A palavra
deriva da raiz Nafash, que significa repouso, como no verso, "No sétimo
dia, (D'us) cessou o trabalho e descansou (Nafash)" (Êxodo, 31:17).
2) Ruach - que significa vento, é o Espírito, a "alma divina".
3) Neshamá, literalmente "sopro", é a Respiração, a "alma
superior", mais pura ainda.
4) Chayá, a Essência vivente.
5) Yechidá, a Essência única, pode ser considerada o ponto de contato
entre a alma e a própria essência do Divino. Esta alma só se manifesta ao
término do Yom Kipur, durante a Neilá.
Essas almas mais elevadas referem-se à verdadeira essência humana e sua
associação com D'us, Raiz Suprema, e com os mundos espirituais. Este conceito
inclui também a alma adicional, que chega no início do Shabat e se vai, ao seu
término.”
Agora entendemos a razão pela qual muitas pessoas fazem questão de
assistir à reza de Neilá, a única chance do ano de um contato com a essência do
Divino.
É uma aspiração compreensível, sentir a presença espiritual da Luz!
É a confiança de sermos inscritos no Livro da Vida, corpo leve, alma
limpa, pedidos de perdão oferecidos e um ano novo, novinho, promissor aos
nossos pés!
Ao término do serviço a oração de Havdalá é recitada sobre um copo de
vinho kosher:
“Barukh atah Adonai Eloheinu melekh ha’olam, bo’re m’orei ha’esh”
E a chama é extinta no resto do vinho reservado na taça.
Ao término de Yom Kipur, a Havdalá deve ser feita sem bessamim (especiarias)
e a Bênção da Luz deve ser feita sobre uma vela trançada que permaneceu acesa
desde o dia anterior.
Em Yom Kipur a Havdalá - a separação entre a luz e as trevas, a separação
do sagrado do mundano - marca o final da festa sagrada, iniciando uma nova
página na vida de cada um!
“Para os Judeus houve Luz, felicidade, júbilo e honra – assim seja para
nós”
Shavua Tov
FONTES:
http://www.morasha.com.br/yom-kipur/algumas-leis-relacionadas-a-yom-kipur-3.html
http://www.morasha.com.br/nossas-festas/yom-kipur.html
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
EDITORIAL: ACORDOS - ANO NOVO - PAZ
EDITORIAL: ACORDOS - ANO NOVO - PAZ
5780 é o ano que será lembrado pela pandemia, pela importância da ciência e da busca pelo conhecimento. O ano em que nós, cientistas, passamos a valorizar ainda mais a informação qualificada e avaliada por pares ao mesmo tempo em que foram abertas portas que permitem o compartilhamento universal de dados. Ano em que todos passamos a compreender que cada grupo de pessoas utiliza linguagens próprias e que as traduções devem ser muito bem feitas para não gerar reações incoerentes. Ao mesmo tempo, neste ano, as mil possibilidades de comunicação, com suas vantagens e desvantagens, tornam os homens mais iguais e mais diferentes, dependendo da sua cultura de base e da sua vontade de colaboração.
É neste período que vemos aflorar os Tratados de Paz entre Israel e dois países do Golfo Pérsico, os Emirados Árabes Unidos e Barein. Envolvimentos políticos à parte, este é sim um momento histórico, porque nações que já se relacionavam em diferentes campos por milênios encontraram um caminho para estabelecer relações regulares e assinar acordos de paz. A paz é desenhada nas muralhas de Jerusalém e a pomba da Paz é um cartoon nos Emirados Árabes Unidos.
Para não esquecermos que estamos em um caminho, mas que ainda há muitos que continuam fazendo válidas as palavras da Primeira Ministra de Israel, Golda Meir, proferidas em 1957: "A Paz virá quando líderes árabes forem corajosos o suficiente para desejá-la". Este momento vem aos poucos, é um caminho que precisa ser construído, mas ainda falta. Há esperança que outros países venham se juntar à comunidade dos descendentes de Abrão.
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| Romã - a fruta símbolo deste dias - lembra a multiplicidade de comandos e de responsabilidades dos judeus. |
O Tratado de Paz ontem assinado vai revelando entendimentos prévios e pavimentando entendimentos futuros que muito alegram a comunidade judaica de Barein, hoje composta por 50 pessoas que comemorarão de forma especial estas Grandes Festas.
Regina P. Markus
Shaná Tová uMetuká são os votos de toda a equipe EshTáNaMídia.
Um ano doce que reflita o aprendizado do ano que se encerra - paz e saúde para todos.
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
NOTICIA EXTRA: O Último Shabat do Ano

Às vésperas de iniciar o último Shabat antes de Rosh ha Shaná recebemos a notícia que Israel e Bahrein reatam relações. Ano conturbado e cheio de transformações, abrindo novas possibilidades para o Oriente Médio e para o Mundo!!!
VOCÊ SABIA? - Lasar Segall
Lasar Segall:
pintor, gravador, escultor, desenhista.
Lituânia,
1889 - Brasil, 1957
Por Itanira Heineberg
Você sabia
que o artista judeu Lasar Segall, um dos fundadores da Sociedade Pró-Arte
Moderna – SPAM - em 1932, foi um artista completo que introduziu o Modernismo
no Brasil transformando-se num símbolo para toda uma geração?
O artista
lituano, considerado um representante das vanguardas europeias em São Paulo,
executou a decoração para o Baile Futurista do Automóvel e para o Pavilhão
Modernista de Olívia Guedes Penteado (1872-1934), filantropa e patronesse das
artes na cidade.
Lasar Segall
nasceu em Vilna, parte do Império Russo, em 1889, filho de um escriba da Torah,
o Pentateuco, e desde os primeiros anos encantava-se ao observar o pai copiando
o texto sagrado. Assim ele relata:
“Com tinta
profundamente preta, do negror do piche, por ele próprio preparada, formava
sobre o pergaminho branco ou amarelado, também preparado por ele, os
monumentais caracteres hebraicos. Também eu tentava desenhar essas letras,
pintá-las, enriquecê-las com ornamentos de minha invenção”.
Demonstrando
desde cedo o gosto e inclinação pelas tintas e lápis, em 1905 inicia suas
lições de arte na Academia de Desenho do
mestre Antokolski, em Vilna, e ainda muito jovem, em 1906, vai para Berlim,
ingressando na Academia Imperial de Belas Artes - um mundo totalmente estranho
para ele, com outra outra língua e outros costumes. Conta o artista ter tido a
impressão de ter aterrissado em um planeta desconhecido, nada em comum com as
vivências de sua criação.
Quatro anos
mais tarde muda-se para Dresden, Alemanha:
“Em 1910,
muda-se para Dresden, Alemanha, onde frequenta a Academia de Belas Artes. Este
é um dos principais períodos na vida de Segall, durante o qual aperfeiçoa sua
técnica, participa ativamente do movimento expressionista e convive com
inúmeras personalidades do mundo das artes. Em 1912, viaja para a Holanda.”
Em 1913 viaja
para o Brasil, expondo seus trabalhos em São Paulo e Campinas.
Retorna então
a Dresden mas em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial e o conflito
Alemanha/Rússia, Segall é expulso da Academia e estabelece-se em Meissen,
próximo à Dresden.
Voltando a
Vilna em 1916, depara-se com sua cidade destruída pelos combates e produz uma
série de gravuras e desenhos inspirado pelo cenário que o esperava antes de
retornar a Dresden.
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“Em 1923,
volta ao Brasil onde fixa residência em São Paulo. Conhece o Rio de Janeiro e
se encanta com sua geografia e sua população. Nesse período, executa vários
desenhos e gravuras de negros e favelas e concebe a série “Mangue”, a qual
finaliza mais tarde em Paris. Inicia sua série denominada “Fase Brasileira”,
substituindo temporariamente os ocres, cinzas e pretos pelos vermelhos, verdes
e amarelos.”
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FAVELA
|
“Em 1928,
viagem a Paris onde permanece até 1932. Nessa fase, começa a produzir suas
primeiras esculturas. Em 1929, visita Kandinsky, Lyonel Feininger, Marcel
Breuer e Moholy-Nagy, na Bauhaus de Dessau, Alemanha.”
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| ENCONTROS |
Ao retornar ao Brasil, cheio de inspiração e novas ideias, Segall instalou-se na Rua Afonso Celso, Vila Mariana, naturalizou-se brasileiro, casou-se com Jenny e ali viveu com a família até o fim de sua vida.
Em 1967 a residência transformou-se no Museu Lasar Segall, iniciativa de sua viúva Jenny Klabin Segall e seus filhos Maurício e Oscar.
Uma vivência rica em viagens, escolas, mudanças, relações com artistas contemporâneos europeus refletiu-se na arte criativa e múltipla de Segall.
Sua relação com os jovens modernistas brasileiros, Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, entre outros, acrescenta sua visão de mundo e das artes.
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Lasar Segall
pinta Mário de Andrade |
Das
pinceladas rápidas do impressionismo às pinturas de derivação do expressionismo;
das técnicas da gravura às águas fortes da litografia; do mono cromatismo às
cores vivas e alegres dos trópicos; da atmosfera sombria de tons escuros aos
espaços abertos, amplos da floresta e dos campos.
Um artista dotado de um olhar abrangente e agregador, Segall encontrou em seu novo país uma terra de diversidade de climas, população, línguas e sabores culinários, o lugar ideal para criar sua vida, sua família e sua arte.
“O
humanismo, revelado pela preocupação com a violência, a miséria e as injustiças
sociais, e certo caráter lírico estão presentes em toda a sua carreira. Segall
aborda temas universais, expressando-os com emoção, por meio da cor em sua
pintura ou pelo jogo entre linha e vazio em suas produções gráficas.”
CAMINHOS NA FLORESTA
Em 1935,
entre São Paulo e as altitudes de Campos de Jordão (SP), o artista executa
grandes séries, como as suas “Florestas”, fortemente inspiradas na natureza
local.
Mário de Andrade, seu crítico mais importante,
destaca essa fase como “sensação de uma serenidade grave,
de uma vida silenciosa”.
FONTES:
http://www.mls.gov.br/exposicoes/longaduracao/mls_550/
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8580/lasar-segall
https://www.guiadasartes.com.br/lasar-segall/exposicao
https://fazerpedagogia2.webnode.com.br/news/lasar-segall/





























