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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

EDITORIAL: Cultura & Lei - Saberes que Inovam e Transformamhttps://1.bp.blogspot.com/-WSHPgui9C1c/X3QwrJdJoXI/AAAAAAAACOQ/B3rbmHdjduMBCP5NEiFlsTvVUKbeBFI5QCPcBGAYYCw/s1204/Screen%2BShot%2B2020-09-30%2Bat%2B04.05.20.png



SUCOT - a festa do tabernáculo.

Após a saída do Egito (Pessach), o episódio do bezerro de ouro (9 de Av) e o recebimento dos Dez Mandamentos (Iom Kipur), chega a hora de construir o tabernáculo (SUCOT). Nossos canais do EshTá na Mídia - Blog e página no Facebook - têm por objetivo "combater a intolerância, discriminação e desiformação, alertando contra movimentos e atitudes antissemitas". Relendo esta frase que foi escrita a muitas mãos após vários meses e anos, percebo que temos cumprido esta missão não apenas alertando para fake news e desinformações, mas também destacando características pouco divulgadas sobre o Estado de Israel, visto que um dos importantes focos do antissemitismo no século XXI é o Estado Judeu. 

Hoje, ao ler a FOLHA DE SÃO PAULO (30 de setembro de 2020), decidi tomar a liberdade de conduzir os leitores pelo mundo da ciência e da legalidade, comentando sobre o uso medicinal da maconha e seus derivados. Em uma série de reportagens disponibilizadas ao público é mostrado "como diferentes países lidam com os desafios impostos pela produção, distribuição e consumo de entorpecentes; do policiamento intenso e tolerância zero a diferentes tipos de descriminalização e legalização". Estão publicadas análises sobre Estados Unidos, Uruguai, Bolívia, Europa e Indonésia. Hoje foram publicadas três páginas sobre Israel. O texto escrito por Fernanda Mena e Lalo de Almeida relata com detalhes o ciclo científico e o ciclo inovador. Guiados pelos jornalistas, vestimos todos os paramentos necessários para entrar em uma zona estéril onde estão as plântulas e também visitamos fazendas em que se planta Cannabis sp. O texto ressalta a forma com que o Ministério da Saúde, e depois as áreas de segurança, compreenderam já nos anos 1960 que era preciso liberar material para a pesquisa, e hoje o uso medicinal é permitido em vários países do mundo. Mas ainda há regiões em que a criminalização é total. Uma das personagens centrais no desenvolvimento desta área de pesquisa é o Professor Rafael Mechoulam da Universidade Hebraica de Jerusalém, que identificou várias das moléculas da Cannabis. Os diversos princípios ativos e suas combinações são prescritos para aumentar a vontade de se alimentar em pacientes de AIDS e câncer, no tratamento de várias doenças neurológicas e inflamatórias. O tratamento da dor inflamatória encontrou um importante aliado nos derivados do haxixe. Estes compostos agem de forma seletiva combinando-se com receptores específicos. 

Israel, que foi pioneiro no descobrimento do princípio ativo da planta, continuou liderando e participando das pesquisas em todos os campos - na botânica e agricultura, na química e bioquímica, na farmacologia e na terapêutica. As leis acompanharam e permitiram este desenvolvimento. 

Prof. Rafael Meshoulam - 2020 - A reportagem também dá um destaque para a IMPORTÂNCIA do BRASIL neste campo. O primeiro trabalho que mostrou aplicações clínicas através de estudos controlados - e que estava acoplado a estudos pré-clínicos que deram suporte foram feitos no Brasil - na Escola Paulista de Medicina, hoje UNIFESP, orientada pelo Prof. Elisaldo Carlini (1930 - 2020). A publicação foi feita no Journal of Clinical Pharmacology em 1961. Prof. Mechoulan nunca deixa de citar a colaboração e no dia 10 de agosto de 2020, ao participar do seminário de lançamento do Medical Cannabis Summit, envia uma mensagem para o amigo que estava internado no Hospital Albert Einstein e viria a falecer no dia 16 de setembro. Carlini, aluno do Prof. José Ribeiro do Valle, que o iniciou na temática da maconha, deixa uma centena de pesquisadores, inovadores e empreendedores brasileiros no campo dos canabinóides.

Prof. Elisaldo Carlini (1930-2020)

Se criticamos em outras ocasiões omissões sobre a contribuição de Israel, hoje tenho a satisfação de elogiar e indicar a leitura desta interessante série na Folha de São Paulo, e concluir sabendo que ter a oportunidade de conhecer fatos e relações humanas é o que faz acabar com preconceitos. A ciência tem propiciado a Israel interação com muitos países e um lugar de destaque em varias áreas.

SUCOT - a festa do Tabernáculo, a festa em que se junta ramos de diferentes plantas (palmeira, murta salgueiro e uma cidra) representando as diferentes pessoas encontradas nos quatro cantos do mundo, é também um momento para inovar. A temática de hoje, que oscila entre o crime e a cura, é um bom exemplo de como devemos entender as diferenças e realinhar nossos hábitos e costumes a partir dos conhecimentos adquiridos.  

Uma boa semana de Sucot para todos!

Regina P. Markus



VOCÊ SABIA? - Moshé Ben Maimon - Maimônides - Ha Rambam

 

Moshé Ben Maimon             Maimônides             Ha Rambam

“De Moisés a Moisés não houve outro igual a Moisés.”

1135-1204 (4895-4965)

Por Itanira Heineberg



VOCÊ SABIA que Maimônides, o grande sábio Rabi Moshé Ben MaiMon, também conhecido por RAMBAM, respeitado filósofo medieval, ao chegar o momento de prover sua própria subsistência não quis depender da comunidade para alimentá-lo enquanto estudava? Formou-se em medicina e foi muito respeitado como médico no Cairo, atendendo nobres e sendo nomeado médico particular do vizir al-Ḳaḍi al-Faḍil al-Baisami de Saladino, que o recomendou à família real.

O menino Moisés nasceu em 1135 na cidade de Córdoba, grande centro cultural onde muçulmanos, judeus e cristãos viviam e conviviam em harmonia, participando ativamente da vida pública. Tendo perdido a mãe logo ao nascer, habituou-se à meditação profunda sobre a vida e a morte e a confiar-se sozinho a D’us.[RM1] 

Foi seu pai, um importante erudito, que o iniciou nos estudos rabínicos, e na mais tenra idade recebeu orientação de distintos professores que o iniciaram em todos os ramos da Sabedoria.

Quando Moisés bem Maimon completou treze anos, Córdoba caiu nas mãos dos fanáticos Almohades e Moisés e sua família foram obrigados a escolher entre o Islã e o exílio. Optaram por deixar o país e por doze anos levaram uma vida itinerante. Vagaram pelo sul da Espanha e chegaram à cidade de Acre, às margens do Mediterrâneo, ao lado da atual cidade de Haifa. Depois passaram por Jerusalém e se estabeleceram no Cairo, que naquela época era conhecida como Fostat.

“Durante os primeiros anos de sua residência no Egito, Maimônides experimentou muitos infortúnios. Com a morte do pai, seu irmão David herdou a cabeça da família, sustentando-a negociando com pedras preciosas[RM2]. Mas quando David pereceu no mar, com ele não só a sua própria fortuna pereceu, mas, também grandes somas que lhe haviam sido confiadas por outros comerciantes. Todos esses eventos afetaram a saúde de Maimônides e ele passou por um longo tempo enfermo. Compelido agora a trabalhar, Maimônides considerando ser um pecado ganhar a vida com assuntos religiosos, adotou a profissão de médico.”


 [RM1]não entendi – quer dizer confiar apenas em D’us?

 [RM2]não entendi – o irmão também morreu?

Guia dos Perplexos – o caminho certo para o indivíduo, uma orientação para a vida.


Maimônides estava bem preparado para sua missão. Aos 23 anos iniciou sua carreira literária com um tratado sobre o calendário judaico, um assunto desconhecido que envolvia um profundo conhecimento de matemática.

Como profissional da saúde, Maimônides relata que seus árduos deveres tomavam seu tempo dia e noite, mas apesar desta tarefa de dedicação e amor ao próximo, ele nos legou obras monumentais, sendo considerado o grande legislador da lei judaica, logo após Moisés, o levita, líder do povo judeu à Canaã.


A Bíblia denomina Moisés, o «mais humilde do que todos os homens que havia sobre a face da terra» (Números 12:3).

“Maimônides escreveu dez trabalhos de medicina em árabe e vários trabalhos de teor religioso, onde reflete sua visão filosófica sobre o judaísmo.”

 


“O método adotado por Maimônides na prática profissional era de começar com um tratamento simples, procurando curas por meio de dietas prescritas antes de administrar drogas. Falando de sua carreira médica em uma carta dirigida a seu aluno Joseph ibn 'Ainin, Maimônides diz:

Você sabe o quão difícil é essa profissão para alguém que é consciencioso e exato, que declara apenas aquilo que ele pode apoiar por argumentação ou autoridade.”


Maimônides foi convidado a se mudar para Marrocos para lá ser o médico particular de Saladino, o chefe militar muçulmano.

Era a Medicina, através de um de seus grandes nomes, ultrapassando diferenças culturais e religiosas. Nesse ambiente, produziu a preciosidade abaixo, a Oração de Maimônides, o modelo de compromisso pessoal do Médico.

 

ORAÇÃO DO MÉDICO

 

 "Ó Deus, Tu formaste o corpo do homem com infinita bondade; Tu reuniste nele inumeráveis forças que trabalham incessantemente como tantos instrumentos, de modo a preservar em sua integridade esta linda casa que contém sua alma imortal, e estas forças agem com toda a ordem, concordância e harmonia imagináveis. Porém se a fraqueza ou paixão violenta perturba essa harmonia, estas forças agem uma contra as outras e o corpo retorna ao pó de onde veio. Tu enviaste ao homem Teus mensageiros, as doenças que anunciam a aproximação do perigo, e ordenas que ele se prepare para superá-las.

 

A Eterna Providência designou-me para cuidar da vida e da saúde de Tuas criaturas. Que o amor à minha arte aja em mim o tempo todo, que nunca a avareza, a mesquinhez, nem a sede pela glória ou por uma grande reputação estejam em minha mente; pois, inimigos da verdade e da filantropia, eles poderiam facilmente enganar-me e fazer-me esquecer meu elevado objetivo de fazer o bem a teus filhos.

 

Concede-me força de coração e de mente, para que ambos possam estar prontos a servir os ricos e os pobres, os bons e os perversos, amigos e inimigos, e que eu jamais enxergue num paciente algo além de um irmão que sofre. Se médicos mais instruídos que eu desejarem me aconselhar, inspira-me com confiança e obediência para reconhecê-los, pois notável é o estudo da ciência. A ninguém é dado ver por si mesmo tudo aquilo que os outros veem.

 

Que eu seja moderado em tudo, exceto no conhecimento desta ciência; quanto a isso, que eu seja insaciável; concede-me a força e a oportunidade de sempre corrigir o que já adquiri, sempre para ampliar seu domínio; pois o conhecimento é ilimitado e o espírito do homem também pode se ampliar infinitamente, todos os dias, para enriquecer- se com novas aquisições. Hoje ele pode descobrir seus erros de ontem, e amanhã pode obter nova luz sobre aquilo que pensa hoje sobre si mesmo.

 

Deus, Tu me designaste para cuidar da vida e da morte de Tua criatura; aqui estou, pronto para minha vocação."

(Moses Ben Maimon- 1.135-1.204)


Esta oração justifica o porquê de um médico que viveu e trabalhou na Idade Média continuar presente no coração e no espírito dos médicos da atualidade.



Selo israelense emitido em 1953 em homenagem a Maimônides



Em 1204 Maimônides faleceu no Cairo, cansado fisicamente e com o sentimento de que não havia escrito tudo o que ainda queria ensinar.

Seu corpo repousa em Tiberíades, Israel.



Túmulo de Maimônides, o grande filósofo, médico, poeta humanista, sábio da Idade Média que com seus estudos, pesquisas e tratados enriqueceu o período áureo da Medicina Arabesca.


FONTES:

 

Livro Maimônides – 0s 613 Mandamentos (Tariag Há-Mitzvoth) Moshé bem Maimon, Tradução de Giuseppe Nahaissi

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732019000500171&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

https://kdfrases.com/frase/164779

https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/2423984/jewish/Comentrio-final.htm

http://www.morasha.com.br/leis-costumes-e-tradicoes/a-tora-oral.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

EDITORIAL: KOL NIDRE - TODAS AS PROMESSAS


      5780  -->  5781-->  5782

Entre Rosh Hashana e Iom Kipur - nos chamados dias de temíveis, dias de expiação, dias de cuidado. Há várias interpretações para esta espera, entre o dia que lembra a criação do mundo e a entrega das Tábuas da Lei. Entre o início da vida e o início da fase de responsabilidade. 

Um período em que o dia a dia continua, mas de uma forma diferente, com momentos de introspecção e com tempo para conversar com amigos e inimigos, um tempo para atravessar pontes e planejar o futuro. Um tempo para pedir e dar perdão, desculpas ou mesmo reatar laços rompidos ou interrompidos.

Um tempo dedicado ao ser humano e sua relação com outros seres humanos. Todos os inúmeros costumes gerados ao longo de milênios pelos diferentes grupos de judeus espalhados pelo mundo focam no dia de Iom Kipur, quando há a oportunidade de olhar para dentro. Olhar este que é sempre feito em sinagogas repletas. Este é o dia em que judeus de qualquer nominação e muitos dos que se consideram ateus se encontram.

Dia especial que começa com uma das rezas mais solenes do judaísmo. Quando publicamente, solenemente, a comunidade com todos os cantores declara três vezes que todas as promessas, juramentos e compromissos assumidos deste Iom Kipur até o próximo sejam declarados nulos.

Que estranho! Precisamos andar um parágrafo atrás no livro de rezas. Quando, antes de cantar o Kol Nidre o "chazan"  (lê-se razan) declara:


AL DAAT - Com a permissão de D'us e com o consentimento desta congregação; com a autoridade do Tribunal Celeste e com a aprovação do tribunal terrestre, que nos seja permitido orar junto com os transgressores.


E é com esta permissão que se inicia o dia de Kipur.

É neste contexto que me permito este ano não falar dos milhões de judeus ao longo dos milênios que tiveram que jurar falso para manter a vida e que tiveram que transgredir para que os outros também sobrevivessem.

Hoje, falo do que estaria sentado ao meu lado e que está acompanhando o serviço pela mesma tela de computador. Este é o momento que sabemos que todos transgrediram e que o continuarão fazendo e que ter consciência deste fato aumenta a responsabilidade pelas decisões que forem tomadas no ano que acabou de entrar.

E neste momento solene é admitido o maior bem do povo judeu: a diversidade. Um povo que não é caracterizado nem pela riqueza, nem pela igualdade de cor ou mesmo idioma. O idioma comum não é necessariamente conhecido por todos. Mas é caracterizado por se permitir sentar junto e ser um responsável pelo outro, independente das transgressões.

Um responsável pelo outro e responsável por guardar a vida. 

Cada um responsável não apenas por seu vizinho ou país, mas também por toda a humanidade. É quando sabemos que podemos fazer a diferença.


Gmar Hatimá Tova

         


Um ano de vida plena. Uma boa assinatura - é o que deseja toda a equipe ESH TÁ NA MÍDIA

Regina P. Markus

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Yom Kipur: o dia do perdão.

 

O dia mais sagrado no calendário judaico.

Por Itanira Heineberg



Dia de jejum, introspecção e autoanálise, dia auspicioso.

Confessamos nossos pecados, vivemos o arrependimento e oramos por um ano bom e doce!




Você Sabia que o Yom Kipur, dia de muita alegria, é considerado o mais auspicioso do ano por oferecer a oportunidade de obtermos o tão valorado perdão Divino?

 

Auspicioso – Promissor – Próspero – Favorável - De bom agouro

Auspício, do latim AUSPICUM, “a função de um AUSPEX”. Estes eram sacerdotes que observavam o voo dos pássaros no céu para prever o futuro. Essa palavra vem do Indo-Europeu AWI-SPEK, “observador de aves”, de AWI, “ave”, mais SPEK, “ver”.

Auspicium.ii de auspex, literalmente "o que observa os pássaros" em busca de presságios.

Na Roma antiga era um sinal dos deuses que os áugures tiravam do céu.

 

 

Yom Kipur, o 10º dia do mês de Tishrei, também é dia de júbilo, pois foi quando Moshé entregou ao Povo Judeu o segundo conjunto de Tábuas com os Dez Mandamentos.

Assim sendo, Yom Kipur nos remete à entrega da Torá.




“Yom Kipur é o Shabat dos Shabatot e, portanto, todo trabalho profano deve cessar e todas as leis do Shabat devem ser respeitadas tanto por homens como por mulheres.

Assim como no Shabat, é proibido carregar sobre si qualquer objeto durante Yom Kipur. Além de observar as leis do Shabat, em Yom Kipur outras cinco restrições são acrescidas: “Não comer, não beber, não trabalhar, não se lavar e nem massagear a pele (perfumes, cremes etc.), não calçar couro, não ter relações conjugais”.

 

 Yom Kipur e os cinco níveis da alma:

 

“Ensina a Cabalá que são cinco os níveis da alma: Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá. Os três primeiros residem dentro de nosso corpo; os dois últimos o transcendem.

Na maioria dos dias do ano, podemos acessar apenas os primeiros três – uma das razões para orarmos três vezes ao dia: Shacharit, Minchá e Arvit.

Em certos dias, como o Shabat e Rosh Chodesh (o novo mês judaico), podemos acessar o quarto nível da alma, Chayá, razão pela qual temos uma oração adicional no dia – Mussaf.

O único dia no ano em que temos livre acesso ao quinto nível da alma, Yechidá, é Yom Kipur. Por essa razão, Yom Kipur é o único dia no ano em que recitamos uma quinta prece – a Neilá –, a última oração do dia.

 

 

1) Nefesh -"alma animal", é a alma humana em seu nível mais primário. Anima a existência dando-lhe força de vida, de movimento e propagação das espécies, também capacitando o homem a pensar, divagar e sonhar. A palavra deriva da raiz Nafash, que significa repouso, como no verso, "No sétimo dia, (D'us) cessou o trabalho e descansou (Nafash)" (Êxodo, 31:17).

 

2) Ruach - que significa vento, é o Espírito, a "alma divina".

 

3) Neshamá, literalmente "sopro", é a Respiração, a "alma superior", mais pura ainda.

 

4) Chayá, a Essência vivente.

 

5) Yechidá, a Essência única, pode ser considerada o ponto de contato entre a alma e a própria essência do Divino. Esta alma só se manifesta ao término do Yom Kipur, durante a Neilá.

 

Essas almas mais elevadas referem-se à verdadeira essência humana e sua associação com D'us, Raiz Suprema, e com os mundos espirituais. Este conceito inclui também a alma adicional, que chega no início do Shabat e se vai, ao seu término.”

 

Agora entendemos a razão pela qual muitas pessoas fazem questão de assistir à reza de Neilá, a única chance do ano de um contato com a essência do Divino.

É uma aspiração compreensível, sentir a presença espiritual da Luz!

É a confiança de sermos inscritos no Livro da Vida, corpo leve, alma limpa, pedidos de perdão oferecidos e um ano novo, novinho, promissor aos nossos pés!

Ao término do serviço a oração de Havdalá é recitada sobre um copo de vinho kosher:       

 

“Barukh atah Adonai Eloheinu melekh ha’olam, bo’re m’orei ha’esh”

E a chama é extinta no resto do vinho reservado na taça.

 

Ao término de Yom Kipur, a Havdalá deve ser feita sem bessamim (especiarias) e a Bênção da Luz deve ser feita sobre uma vela trançada que permaneceu acesa desde o dia anterior.




Em Yom Kipur a Havdalá - a separação entre a luz e as trevas, a separação do sagrado do mundano - marca o final da festa sagrada, iniciando uma nova página na vida de cada um!

“Para os Judeus houve Luz, felicidade, júbilo e honra – assim seja para nós”

 

Shavua Tov

 

 

 

FONTES:

http://www.morasha.com.br/yom-kipur/algumas-leis-relacionadas-a-yom-kipur-3.html

http://www.morasha.com.br/nossas-festas/yom-kipur.html

https://origemdapalavra.com.br/pergunta/origem-230/

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

EDITORIAL: ACORDOS - ANO NOVO - PAZ

 EDITORIAL: ACORDOS - ANO NOVO - PAZ


Às vésperas de Rosh Hashaná, Iamim Noraim, Yom Kipur - 10 dias dedicados a qualificar nossas vidas com reflexões que permitam aprimorar nosso relacionamento com o outro e ao mesmo tempo buscar forças interiores para promover mudanças necessárias na vida de cada um de nós - presenciamos importantes eventos globais.

5780 é o ano que será lembrado pela pandemia, pela importância da ciência e da busca pelo conhecimento. O ano em que nós, cientistas, passamos a valorizar ainda mais a informação qualificada e avaliada por pares ao mesmo tempo em que foram abertas portas que permitem o compartilhamento universal de dados. Ano em que todos passamos a compreender que cada grupo de pessoas utiliza linguagens próprias e que as traduções devem ser muito bem feitas para não gerar reações  incoerentes. Ao mesmo tempo, neste ano, as mil possibilidades de comunicação, com suas vantagens e desvantagens, tornam os homens mais iguais e mais diferentes, dependendo da sua cultura de base e da sua vontade de colaboração.

A Universidade Mohamed bin Zayed, nos Emirados Árabes Unidos, e o Weizmann Institute of Science assinam acordo - clique para ler.

É neste período que vemos aflorar os Tratados de Paz entre Israel e dois países do Golfo Pérsico, os Emirados Árabes Unidos e Barein. Envolvimentos políticos à parte, este é sim um momento histórico, porque nações que já se relacionavam em diferentes campos por milênios encontraram um caminho para estabelecer relações regulares e assinar acordos de paz. A paz é desenhada nas muralhas de Jerusalém e a pomba da Paz é um cartoon nos Emirados Árabes Unidos.

Para não esquecermos que estamos em um caminho, mas que ainda há muitos que continuam fazendo válidas as palavras da Primeira Ministra de Israel, Golda Meir, proferidas em 1957: "A Paz virá quando líderes árabes forem corajosos o suficiente para desejá-la". Este momento vem aos poucos, é um caminho que precisa ser construído, mas ainda falta. Há esperança que outros países venham se juntar à comunidade dos descendentes de Abrão. 

Romã - a fruta símbolo deste dias -
lembra a multiplicidade de comandos e de responsabilidades dos judeus. 



O Tratado de Paz ontem assinado vai revelando entendimentos prévios e pavimentando entendimentos futuros que muito alegram a comunidade judaica de Barein, hoje composta por 50 pessoas que comemorarão de forma especial estas Grandes Festas.

Regina P. Markus

Shaná Tová uMetuká são os votos de toda a equipe EshTáNaMídia.

Um ano doce que reflita o aprendizado do ano que se encerra - paz e saúde para todos.









sexta-feira, 11 de setembro de 2020

NOTICIA EXTRA: O Último Shabat do Ano


 Noticia Extra: O último Shabat de 5780


Às vésperas de iniciar o último Shabat antes de Rosh ha Shaná recebemos a notícia que Israel e Bahrein reatam relações. Ano conturbado e cheio de transformações, abrindo novas possibilidades para o Oriente Médio e para o Mundo!!!







VOCÊ SABIA? - Lasar Segall

 

Lasar Segall: pintor, gravador, escultor, desenhista.

Lituânia, 1889 - Brasil, 1957


Por Itanira Heineberg






Você sabia que o artista judeu Lasar Segall, um dos fundadores da Sociedade Pró-Arte Moderna – SPAM - em 1932, foi um artista completo que introduziu o Modernismo no Brasil transformando-se num símbolo para toda uma geração?

O artista lituano, considerado um representante das vanguardas europeias em São Paulo, executou a decoração para o Baile Futurista do Automóvel e para o Pavilhão Modernista de Olívia Guedes Penteado (1872-1934), filantropa e patronesse das artes na cidade.

Lasar Segall nasceu em Vilna, parte do Império Russo, em 1889, filho de um escriba da Torah, o Pentateuco, e desde os primeiros anos encantava-se ao observar o pai copiando o texto sagrado. Assim ele relata:

 

“Com tinta profundamente preta, do negror do piche, por ele próprio preparada, formava sobre o pergaminho branco ou amarelado, também preparado por ele, os monumentais caracteres hebraicos. Também eu tentava desenhar essas letras, pintá-las, enriquecê-las com ornamentos de minha invenção”.

 

Demonstrando desde cedo o gosto e inclinação pelas tintas e lápis, em 1905 inicia suas lições de arte  na Academia de Desenho do mestre Antokolski, em Vilna, e ainda muito jovem, em 1906, vai para Berlim, ingressando na Academia Imperial de Belas Artes - um mundo totalmente estranho para ele, com outra outra língua e outros costumes. Conta o artista ter tido a impressão de ter aterrissado em um planeta desconhecido, nada em comum com as vivências de sua criação.

Quatro anos mais tarde muda-se para Dresden, Alemanha:

 

“Em 1910, muda-se para Dresden, Alemanha, onde frequenta a Academia de Belas Artes. Este é um dos principais períodos na vida de Segall, durante o qual aperfeiçoa sua técnica, participa ativamente do movimento expressionista e convive com inúmeras personalidades do mundo das artes. Em 1912, viaja para a Holanda.”

 

Em 1913 viaja para o Brasil, expondo seus trabalhos em São Paulo e Campinas.

Retorna então a Dresden mas em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial e o conflito Alemanha/Rússia, Segall é expulso da Academia e estabelece-se em Meissen, próximo à Dresden.

Voltando a Vilna em 1916, depara-se com sua cidade destruída pelos combates e produz uma série de gravuras e desenhos inspirado pelo cenário que o esperava antes de retornar a Dresden.


 

“Em 1923, volta ao Brasil onde fixa residência em São Paulo. Conhece o Rio de Janeiro e se encanta com sua geografia e sua população. Nesse período, executa vários desenhos e gravuras de negros e favelas e concebe a série “Mangue”, a qual finaliza mais tarde em Paris. Inicia sua série denominada “Fase Brasileira”, substituindo temporariamente os ocres, cinzas e pretos pelos vermelhos, verdes e amarelos.”


FAVELA
BANANAL


“Em 1928, viagem a Paris onde permanece até 1932. Nessa fase, começa a produzir suas primeiras esculturas. Em 1929, visita Kandinsky, Lyonel Feininger, Marcel Breuer e Moholy-Nagy, na Bauhaus de Dessau, Alemanha.”





ENCONTROS 

Ao retornar ao Brasil, cheio de inspiração e novas ideias, Segall instalou-se na Rua Afonso Celso, Vila Mariana, naturalizou-se brasileiro, casou-se com Jenny e ali viveu com a família até o fim de sua vida.

Em 1967 a residência transformou-se no Museu Lasar Segall, iniciativa de sua viúva Jenny Klabin Segall e seus filhos Maurício e Oscar.

 

Uma vivência rica em viagens, escolas, mudanças, relações com artistas contemporâneos europeus refletiu-se na arte criativa e múltipla de Segall.

Sua relação com os jovens modernistas brasileiros, Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, entre outros, acrescenta sua visão de mundo e das artes.



Lasar Segall pinta Mário de Andrade



Das pinceladas rápidas do impressionismo às pinturas de derivação do expressionismo; das técnicas da gravura às águas fortes da litografia; do mono cromatismo às cores vivas e alegres dos trópicos; da atmosfera sombria de tons escuros aos espaços abertos, amplos da floresta e dos campos.

Um artista dotado de um olhar abrangente e agregador, Segall encontrou em seu novo país uma terra de diversidade de climas, população, línguas e sabores culinários, o lugar ideal para criar sua vida, sua família e sua arte.






“O humanismo, revelado pela preocupação com a violência, a miséria e as injustiças sociais, e certo caráter lírico estão presentes em toda a sua carreira. Segall aborda temas universais, expressando-os com emoção, por meio da cor em sua pintura ou pelo jogo entre linha e vazio em suas produções gráficas.”


CAMINHOS NA FLORESTA



Em 1935, entre São Paulo e as altitudes de Campos de Jordão (SP), o artista executa grandes séries, como as suas “Florestas”, fortemente inspiradas na natureza local.

 Mário de Andrade, seu crítico mais importante, destaca essa fase como “sensação de uma serenidade grave, de uma vida silenciosa”.

 

 

FONTES:

http://www.mls.gov.br/exposicoes/longaduracao/mls_550/

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8580/lasar-segall

https://www.guiadasartes.com.br/lasar-segall/exposicao

https://fazerpedagogia2.webnode.com.br/news/lasar-segall/