Marcadores

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

EDITORIAL - MOSAICO: uma palavra com muitos significados



Mosaico – quando os diferentes se unem e formam um conjunto harmônico.


Fish swallowing soldier, Parting of the Red Sea mosaic, Huqoq. Credit: Jim Haberman. http://sumo.ly/ZXBq

ALEA Mosaic - Kit de mosaico, tema Delfín, 20 x 20 cm (204004) Juegos de mesa para divertirse en compañía. Descúbrelos

Conhecer o significado das palavras é uma forma simples de manter uma boa comunicação e também entender alguns pontos ocultos em nossas próprias culturas.
Em um tempo em que as diferenças parecem separar, sempre é preciso buscar equilíbrios que permitam acomodar os desiguais para formar um todo maior. Neste Brasil de tantas pessoas com opiniões monolíticas e de tantas outras sem opiniões, muitos têm a sensação que o futuro está por um fio. Tentando montar imagens mentais que permitissem circular entre os diferentes mundos, sem aviltar a minha opinião e sem desqualificar de forma irreversível a opinião de amigos, lembrei do MOSAICO. Pedrinhas pequeninas, com formas únicas. Verdadeiros cacos de entulho que quando organizados e vistos à distância formam maravilhosas imagens.

Aqui ilustramos com dois momentos muitos diferentes, mas os dois ligados à água:  um trabalho de escavação exemplar dirigido pela Universidade de North Carolina (Estados Unidos) em conjunto com a Autoridade de Antiguidade de Israel, e o outro uma imagem de um golfinho que é vendida pela Amazon para que muitas pessoas possam juntas fazer um mosaico.

Buscando a palavra MOSAICO no dicionário, encontro a seguinte sinonímia: reunião, peça, pedra, placa, judeu, semita, hebraico. Eu diria, derivado de Moisés.
E então? Temos aqui um tema extremamente complexo, e como tudo que é complexo, precisa ser avaliado no seu conjunto. Ainda bem que hoje contamos com muitas ferramentas matemáticas para isso, mas a validade delas está no limite de nossa capacidade de compreender.

Assim, hoje a palavra MOSAICO parece poder definir nossas atitudes. Cada pequena peça é de grande relevância para o conjunto, por mais disforme ou imprecisa que possa parecer quando de forma isolada. E, no caso do povo judeu, podemos dizer que um povo que não tem identidade racial - visto que há judeus de todas as raças, desde os tempos bíblicos, não tem identidade de idiomas - visto que o idioma que falam é composto pelos mais diferentes idiomas do mundo, não há identidade de rito ou mesmo de enfoque religioso, mas há uma linha mestra comum que é a educação da geração seguinte. Esta enorme responsabilidade em passar para a próxima geração os conhecimentos das responsabilidades anteriores e dar a elas também a liberdade de inovar compõem um mosaico que vem sobrevivendo aos séculos.

E Moisés? Este é a súmula personificada das diferenças. Um menino judeu que se torna Príncipe do Egito e que depois vem a ser o líder formador do Povo de Israel. Um homem gago que fala para as multidões, usando para isso a habilidade de seu irmão. E, um líder que soube passar para a próxima geração uma tarefa de grande relevância para a continuidade de sua obra. Ao invés de conduzir o povo para Israel, ele passou a Josué esta tarefa e ficou olhando a terra à distância. Uma distância que permitia, talvez, admirar o MOSAICO da VIDA e com isto criar um futuro para muitas gerações.

Assim, na certeza que hoje apenas estamos conseguindo ver peças e não conjuntos, desejamos a todos um excelente domingo.

Boa Semana!

Regina

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Você Sabia? - Simchat Torah

SIMCHAT TORAH             ALEGRIA DA TORAH




Você sabia que os judeus israelenses, após celebrarem os dias sagrados das Grandes Festas de Rosh Hashanah e Yom Kipur, os festejos em cabanas da semana de Sukkot, e a felicidade de receber a Torah e suas instruções para mais um novo ano, ainda encontram entusiasmo e energia para a Hakafat Shnyiot!

Como os judeus da diáspora só festejam a festa da Torah um dia após a celebração em Israel, os israelenses, em sintonia com seus irmãos distantes, celebram uma segunda Hakafot, saindo às ruas com os rolos da Torah, e dançando mais uma vez.

“Esta segunda dança coincide com a celebração da Simchat Torah na Diáspora e uma vez que o feriado já acabou em Israel, esta Hakafot Shnyiot transforma-se mais em um concerto de música judaica do que um serviço religioso de sinagoga. Surgem assim instrumentos musicais, microfones e mestres de cerimônias, elementos todos proibidos em sinagogas ortodoxas em Shabbats e festivais.”

Hakafot, plural de Hakafah, significa andar em círculos, e é o termo usado para o ritual de andar ao redor do púlpito com as 4 espécies de plantas em Sukkot ou com os rolos da Torah em Simchat Torah.
O costume da Hakafah em Simchat Torah surgiu aproximadamente no século XV quando as pessoas caminham e dançam em geral em um cenário religioso.

No vídeo abaixo, a Simchat Torah no Kotel:






Este texto é uma colaboração de Itanira Heineberg para o EshTá na Mídia.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

EDITORIAL: USHPIZIN - SUCOT - SIMCHAT TORAH

Crianças montando a Sucá


USHPIZIN?

Uma palavra estranha para nós judeus brasileiros. Uma palavra mais estranha ainda para os que não são judeus. Uma palavra em aramaico, o idioma falado em Israel na Antiguidade. O significado desta palavra é CONVIDADO. Nesta semana que se segue ao começo do ano, em que todos se preparam para uma data muito importante, o recebimento da Torah, é comemorada a festa de Sucot - a festa das cabanas.

A EshTáNa Mídia tem como propósito básico criar material que permita rebater e combater o anti-semitismo e a difamação do Estado de Israel, mas quando chega esta época do ano, as bases do judaísmo que são fundamentais para a sobrevivência do Povo Judeu falam tão alto e trazem tantos simbolismos e informações que é quase impossível deixar de compartilhar com todos os nossos leitores alguns dos hábitos e costumes que regem este período.

Ao acabar o jejum de Iom Kipur, começa a construção de uma cabana, que entre as muitas regras deve ter um teto feito de folhas que permita ver as estrelas e dentro desta cabana todos devem comer durante 8 dias. Se por um lado é lembrado o tempo em que o Povo Judeu ficou no Deserto após a saída do Egito, por outro, é nesta época que se preza de forma explícita um costume muito importante. Receber convidados - e esta é a palavra USHPIZIN. Os convidados, ou os que aparecem, sentam-se à mesa e apreciam a refeição ritual. Conta a lenda que também chegam convidados de outra dimensão e cada um por um dia, os patriarcas, sacerdotes, reis e Moisés. O lado místico da vida se encontra com o lado prático do dia a dia em um local que fica ao lado da casa e que é construído de forma precária, com tábuas e folhas. Uma cabana enfeitada onde se pode comer com familiares e amigos, com colegas e professores e com isto lembrar que juntos podemos mais.

Mas estes dias em que a união é feita com alegria servem de preparativo para a data do recebimento da Torah - quando é enfatizada a importândia do  estudo. A Torah escrita - recebida em forma de rolos - é lida semanalmente. A Leitura começa e termina no dia de Simchat Torah - Alegria pela Torah. Da morte de Moisés - no final do livro de Dvarim (Deuteronômio) - à criação do mundo no primeiro capítulo de Bereishit (Gênesis), passam-se poucos minutos e é dado o recado que todos os tempos podem se encontrar. E que apesar da leitura ser cíclica e cada um dos ciclos terem muitos pontos semelhantes, eles não se sobrepõem. A cada passo da história podemos acrescentar fatos novos e podemos achar novos caminhos.

Nossos tempos são ricos em mostrar que novos conhecimentos científicos não apenas atestam que sempre há mais para descobrir, como também mostram que novas oportunidades ocorrem para os que são capazes de avaliar de forma crítica e metódica conhecimentos e fatos que parecem já ser de total domínio.

Se começamos o texto com CONVIDADOS, quero terminar com um conceito: TALMUD TORAH - estudo da Torah - ESTUDO. Neste período fica muito clara a importância do estudo. Não do saber, não do lembrar, não do seguir dogmas prontos: o que é relevante é buscar junto com convidados, junto com outros, estudar e criar.

Lembrando que a morte é um fato - a Criação que segue a morte a cada ano pressupõe que haja estudo e busca do novo através do conhecimento. Não há nenhuma incompatibilidade entre a Ciência e o Judaísmo. O Estado de Israel moderno é a prova viva desta afirmativa. Duas forças focadas no estudo capazes de gerar conhecimentos novos que vêm revolucionando nossa forma de viver e que mesmo os que querem tirar Israel do mapa não conseguem mais sobreviver sem usar os novos conhecimentos gerados nas áreas de medicina, agricultura, energia e o maravilhoso mundo das grandes bases de dados.

Boa Semana

Regina P Markus

Simchat Torah - Foto Jewish Life CT

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

VOCÊ SABIA? - Shoah





Você sabia que a palavra SHOAH foi introduzida na língua do mundo pelo famoso cineasta Claude Lanzmann, ao adotá-la para o filme de mais de 9 horas de duração e mais de 7 anos de produção que ele finalmente lançou em 1985?




Claude Lanzmann, filho de uma família de tradição judaica oriunda da Belorússia, jornalista francês, escritor e diretor de cinema, foi procurar esta palavra no judaísmo fazendo dela o título para seu filme, uma palavra tétrica, com o significado de tragédia, hecatombe, infortúnio.



Shoah, um vocábulo forte e carregado de emoções, foi entendido por todos e instantaneamente adotado pelo mundo. A partir de seu filme Shoah, o massacre de 6 milhões de judeus cometido atrozmente por Adolf Hitler passou a ser conhecido em todos os continentes.

“O mundo ficou incrédulo. A “solução final”, um dos momentos mais ignóbeis da história humana, de sua vergonha e de sua loucura, embora continuasse opaco e inconciliável, era por fim representado.”


Claude Lanzmann nasceu perto de Paris em 1925.

“Foi no Liceu Henry IV, antes da 2ª Guerra, que o judeu agnóstico encontrou o antissemitismo. Ele ficou estupefato ao ver como as salas de aula da burguesia francesa estavam infectadas por um ódio pegajoso. Foi um choque, mas Lanzmann permaneceu passivo. Após a guerra, ele leu A Questão Judaica, de Jean-Paul Sartre. “Sartre me curou, me livrou da vergonha de ser judeu. A cada linha, eu renascia.”


Sartre, então no auge da glória, dirigia uma revista, Les Temps Modernes. Lanzmann enviou alguns artigos. Sartre publicou e convidou-o a participar das reuniões de pauta. Ali, ele conheceu intelectuais – Deleuze, Merleau-Ponty, Rezvani – e a companheira de Sartre, Simone de Beauvoir. “Adorei sua voz velada, seus olhos azuis, a pureza de seu rosto e, acima de tudo, suas narinas”, contava Lazmann.

Militante anticolonialista, grande admirador de Franz Fanon, dos terceiro-mundistas e dos anarquistas, impetuoso, rabugento, caloroso, defensor entusiasta do Exército israelense, seus caminhos às vezes são confusos, quase incompreensíveis.”

Shoah foi um filme que causou um grande impacto no mundo, chocou as plateias e trouxe à tona uma verdade sangrenta da história da humanidade. Tornou concreta uma memória que muitos tentaram e ainda tentam apagar.
Lanzmann ficou conhecido como o titã do cinema, todavia não podemos esquecer que seu trabalho não parou por aí. Em sua vida longeva de mais de 90 anos, produziu outras significativas obras como “O Último dos Injustos”,” Napalm”, “Tsahal” e livros como “A Lebre da Patagônia – Memórias”.


Lanzmann e Simone de Beauvoir


“É pura obra-prima”, disse Simone de Beauvoir. “O filme tem magia, e magia não se explica.“

Mais de 70 anos se passaram desde o Holocausto – Shoah - e parece que o mundo não quer  refletir  sobre esta tragédia nem  aprender com o passado.
Assim sendo e em tempos de vívidas demonstrações neonazistas na Berlim do século XXI, é hora de  preservar e evocar a memória de Claude Lanzmann e de seu filme.



Últimas cartas do Holocausto


Este texto é uma colaboração especial de Itanira Heineberg para o EshTá na Mídia.

FONTES:




sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Editorial: O Dia do Julgamento




Esta semana foi celebrado o Iom Kipur, por muitos considerado o dia mais importante no calendário judaico. Iom Kipur, também conhecido como Iom haDIN - o dia do julgamento. Diz a liturgia que em Rosh Hashana, cada pessoa é inscrita e em Iom Kipur, confirmada, no Livro da Vida. Este é um dia voltado para pedidos de desculpas e para perdão. Na liturgia judaica, uma pessoa deve pedir desculpas à outra e também o perdão deve ser concedido entre as pessoas. 

Há, no entanto, desvios ou quebras de promessas necessários que são feitas de forma involuntária. Para estes casos, existe uma fórmula muito bizarra de solução. Ao iniciar os serviços de Iom Kipur, ao por do sol,  quando o número de judeus em sinagogas é recorde, é lida e cantada a principal reza - o Kol Nidrei- Todos os Votos. Este lindo poema pede que todos os pecados cometidos daquele momento até o ano seguinte de forma involuntária ou quando for impossível não cometê-los sejam perdoados previamente. Esta "conversa" entre cada um, a comunidade e D'us estabelece a responsabilidade de nossos atos no campo do possível e dá a dimensão que a vida está acima de qualquer preceito ou regra que possam ter sido criadas em nome da religião e da vida em sociedade.


Então, neste dia do Julgamento, todos entram sabendo que o livre arbítrio é o foco de cada vida. A responsabilidade pessoal é de suma importância, mas quando não puder ser exercida existe um crédito: o crédito da boa vontade. O crédito de que o julgamento de cada pessoa sobre o certo e o errado são uma base muito importante para o convívio e a possibilidade de fazer com que a eternidade possa ser alcançada pela corrente que une as gerações.


Neste mesmo dia, a vida continua a fluir de forma normal no resto do mundo. Mas todos sabemos que os mundos estão interligados e que neste momento o Povo Judeu e o Estado de Israel estão sob ameaça contínua e constante. Assim, foi muito interessante quando, ao sair das sinagogas chegou a notícia que em um Tribunal de Porto Alegre, a juíza Cristiane Busatto Zard condenou os três skinheads pertencentes a um grupo neonazista gaúcho que atacaram com facas judeus. A notícia dada nos jornais de grande circulação, alguns em primeira página no Iom ha Din, Dia do Julgamento, foi uma coincidência interessante e mostra uma dimensão do Brasil que orgulha a todos. Um país que sabe viver além de seus erros.


Regina P Markus

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

VOCÊ SABIA? - Jejum





Você sabia que o jejum, prática milenar de religiosos dos mais diversos credos e de civilizações ao longo da história do mundo, faz as células “se comerem”, assim renovando o corpo e aumentando a longevidade humana? Quem afirma é o Dr. Yoshinori Ohsumi, recebedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2016.




Jejum:
“Em hebraico: cobrir (a boca), como em jejum;
Em grego: abster-se de comer voluntariamente como um exercício religioso, particular, em conjunto para único propósito ou público;

Dicionário Aurélio: abstinência ou abstenção total de alimentação em determinados dias por penitencia ou prescrição religiosa ou médica.”




Yoshinori Ohsumi, biólogo celular, professor da Universidade de Tóquio, afirma que o jejum é uma poderosa ferramenta a favor da saúde.
Segundo o ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 2016, a autofagia, processo de autodestruição de substâncias do próprio corpo, é essencial para o funcionamento satisfatório das células. A descoberta sobre esta reação, autofagia, criou polêmica nos centros médicos, ao comprovar que “ficar algum tempo sem ingerir alimentos elimina as células deterioradas do organismo, cria outras novas, sadias e mais eficientes para o bom funcionamento de nosso corpo, além de ser eficaz no combate aos malefícios do envelhecimento e na cura de doenças degenerativas.”




Onde fica agora a sábia recomendação de sempre comer um pouco de 3 em 3 horas?
Presentemente os estudos confirmam que tanto o jejum como a restrição calórica esgotam as células contribuindo para estimular a autofagia nas mesmas, impelindo-as a uma faxina interior no corpo além de paralelamente esticar a tão desejada longevidade. Vale lembrar que na autofagia o organismo detecta células doentes e elas morrem sem causar os danos que ocorrem quando as células morrem por necrose decorrente de injúrias físicas, químicas ou induzidas por bactérias, vírus, fungos, enfim, agentes biológicos.
E aí mais uma vez desponta a pergunta: e a alimentação equilibrada e nutricional tão fundamental para a boa saúde?
 Yoshinori Ohsumi responde: “O jejum faz tuas células se comerem – autofagia – e isto te renova.”




Resta ainda uma pesquisa que informe sobre a frequência de um jejum eficiente e seguro.
 “O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz à longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”, explicou Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina.

Os judeus do mundo inteiro celebrarão no próximo dia 19 de setembro a festa de Yom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico, e seguindo o mandamento (Levítico 23:26-32) jejuarão incluindo a abstinência de líquidos por 24 horas, de acordo com suas idades, saúde e condições físicas.
Este não é o único jejum praticado no judaísmo. Outros permeiam as celebrações do ano religioso dos judeus, assim como 10 de Tevet (cerco a Jerusalém – 1º Templo), 13 de Adar (dia que precede o Purim, quando Aman decretou morte aos judeus) e outros.

Em um diálogo sincero com Avinu Malkenu, Nosso Pai, Nosso Deus, o povo judeu praticará a Teshuvá, a penitência por seus erros e omissões, uma introspecção seguida por um exame de consciência, arrependendo-se de suas falhas e prometendo não mais repeti-las. É o momento de pedir perdão ao outro, pedir perdão pelas ofensas cometidas.

E assim, ao final da celebração, com a alma limpa e o coração tranquilo, a congregação rejubilar-se-á em vista de um novo ano e do perdão concedido.
O jejum de Yom Kipur produz a limpeza celular associada à purificação espiritual sugerida para os 10 dias de reflexão que nos permitem solicitar a D’us a inscrição no Livro da Vida para 5779.

Agora sabemos que o santo jejum, além de afastar-nos das preocupações terrenas, elevando-nos às alturas celestiais, está ao nosso lado, regenerando nossas células ruins ao mesmo tempo em que retarda nosso envelhecimento.





Este texto é uma colaboração de Itanira Heineberg para o EshTá na Mídia.

FONTES:

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Editorial: Um pouco da Liturgia Judaica





Kedushá, Kidush, Kadish - Ao ler estas três palavras, aqueles que não conhecem a liturgia judaica podem imaginar que é a mesma palavra apenas com pronúncias diferentes. Na realidade, são três palavras e três rezas diferentes, ditas em momentos diferentes. Contextos diferentes para um mesmo texto. Cenários diferentes para adequar a mensagem a um momento específico. Mas, é no encontro entre estes diferentes cenários que encontramos a unicidade da diferença.

K(ק) –D (ד)-SH (ש) é a raiz da palavra sagrado. E as três rezas acima são textos
de santificação.

KEDUSHÁ faz parte da AMIDÁ – da reza central nas liturgias da sinagoga e
que também é chamada de Grande Oração. Na semana que se encerrou, no
primeiro dia de Rosh Hashaná, ao ver e ouvir o chazan (lê-se razan – e é o
cantor que dirige a oração) fazendo a Kedushá, com toda a reverência e
proclamando a frase do Profeta Isaías que dizia que o Santo dos Santos está na
multidão, pensei nas outras três rezas. E pensei que, assim como na Biologia, o que vale é a diversidade - assim na vida as repetições têm que ser diversas.
Na Kedushá fala-se do Senhor nas Multidões.

O KIDUSH é rezado em família, abençoando a fruta da vinha, que alegre e
entristece, que une e separa, que é santificado na forma de vinho, unindo o
processo do homem e a dádiva da natureza.

Mas a forma mais interessante de santificação para mim sempre foi o
KADISH. A reza é falada em aramaico, o idioma das ruas nas épocas dos
Templos de Jerusalém; dita muitas vezes e que separa cada uma das
partes da liturgia. A reza dita em homenagem aos mortos e que santifica a
VIDA. Como vemos, uma forma muito especial de dizer a cada um de nós que
os mortos e os vivos caminham juntos no mundo da KEDUSHÁ – no mundo
do sagrado.

Esta é a semana dos Iamim Noraim. A semana que une Rosh Hashaná a
Iom Kipur. O momento em que somos inscritos no Livro da Vida e o
momento em que esta sentença é Selada. Mas, para não tornar a vida
estéril e passível de ser apagada, há um momento na liturgia de Iom
Kipur – o momento da lembrança (Izkor) - dedicado aos que já foram. É o
momento que através do KADISH lembramos das conexões entre os
vários mundos, o momento em que as sinagogas do mundo inteiro estão
com um enorme número de pessoas e o momento em que muitas pessoas
que não vão às sinagogas lembram dos seus. Este é o momento em que o
Povo Judeu em 2018 deixa de ser composto por apenas 14,3 milhões de
pessoas e incorpora todos os que já se foram e mantém viva a sua
história.

K-D-SH – representam os três cenários importantes na vida humana – a
multidão (todos os povos, todos os homens e mulheres, o outro) – a família e
os amigos (com quem brindamos os momentos alegres) – e a eternidade,
representada por um momento único no ano em que os vivos e os mortos se
encontram nos portões abertos em Iom Kipur.

Shaná Tová u Metuká


 Regina P. Markus