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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Transformando o ar em água

Uma empresa israelense está vendendo máquinas que podem transformar o ar em água potável. 

As máquinas podem produzir até 25 mil litros de água por dia, dependendo de seu tamanho, e já funcionam em países como Índia, Vietnam, Tailândia e Filipinas, além de também serem enviadas a zonas de catástrofes para assistir às vitimas que perdem o acesso à água.

Os fabricantes esperam iniciar a produção em massa no ano que vem e têm um sonho: acabar com as guerras que acontecem em todo o mundo pela água.



Empresas de tecnologia israelenses contratam palestinos


Quando Dan Leubitz precisou contratar um fornecedor para um projeto da sua empresa israelense de tecnologia, um endereço entre as propostas chamou atenção: Gaza. 
A empresa de Leubitz, em rápido crescimento, estava procurando um fornecedor em centros de tecnologia de baixo custo e altamente qualificados como a Europa Oriental e a Índia, mas nunca havia considerado olhar em um território a menos de 100km de distância.
As empresas israelenses e de Gaza formaram a partir de então uma aliança improvável, fazendo negócios envolvendo milhares de dólares por mês.
"Agora meus amigos e outras empresas me pedem o contato deles", diz Leubitz, cuja companhia fornece softwares para call centers na nuvem.
O Hamas executa habitantes de Gaza por "colaborar" com Israel enquanto o Estado Judeu mantém um bloqueio no enclave costeiro para evitar que materiais que entrem na Faixa sejam desviados pelas organizações terroristas. 
Apesar das restrições impostas, a natureza virtual da indústria de tecnologia evita as regras que limitam outros setores. 
Empreendedores palestinos fazem brainstorm de ideias enquanto concorrem para ser aceitos na terceira edição do Projeto Mobaderoon, realizado pela incubadora de negócios e tecnologia da Universidade Islâmica em Gaza. Foto de novembro de 2015. (Khalil Hamra/AP Photo)


Leia a notícia completa, do Times of Israel, clicando aqui.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

VOCÊ SABIA? - As crianças judias enviadas para a ilha de São Tomé


Você sabia que em 1493 ocorreu em Portugal uma triste deportação de 2000 crianças judias, com idades de 2 a 10 anos, batizadas à revelia, separadas dos inconsoláveis pais, e colocadas em um navio juntamente com outros degredados, rumo à Ilha de São Tomé, a ilha dos ferozes lagartos?



Este foi o castigo que o rei de Portugal encontrou para punir os judeus provenientes da Espanha, de lá expulsos em 1492, e em condições ilegais no novo reino.
Para Portugal na época dos grandes descobrimentos, era mais interessante colonizar novas terras inabitadas.
Por outro lado, era preciso povoá-las. Os cristãos novos eram uma solução. Uma outra maneira econômica era doá-las aos nobres da corte e encarregá-los da dispendiosa tarefa.
Os donatários eram encarregados de colonizar seus novos domínios, governar, explorar os territórios e enviar ao rei uma percentagem dos produtos obtidos com seu trabalho bem como das riquezas naturais descobertas.
Assim, as colônias portuguesas foram se desenvolvendo: Madeira, Açores, São Tomé, Príncipe... Brasil...


São Tomé, devido às feras que ali habitavam e à insalubridade do terreno, mostrou-se de difícil povoação.

Esta ilha foi doada três vezes e somente na última, o donatário, obrigado a lá se estabelecer, teve algum sucesso e prosperou.
“Que os resultados alcançados por estes pioneiros foram pouco animadores prova-o o facto de a capitania de toda a ilha nos aparecer de novo a ser doada ao fidalgo João Pereira, em 3 de fevereiro de 1490, o qual viu igualmente frustrados os intentos de atrair e fixar gente naquela ilha do meio do mundo. Aliás, nem João de Paiva e sua filha Mécia de Paiva, nem João Pereira se terão transferido para São Tomé, porquanto o povoamento e colonização da ilha só arrancou verdadeiramente com a doação da capitania, em 29 de julho de 1493, ao cavaleiro Álvaro de Caminha, na qual o rei lhe impõe a obrigação de nela estar e morar "continuadamente".

Com este capitão terão ido alguns casais de moradores e, segundo Valentim Fernandes, D. João II mandou muitos degredados e 2.000 crianças judias de ambos os sexos, com menos de oito anos de idade, baptizadas antes de embarcar, filhas dos judeus castelhanos entrados em Portugal, em 1492, das quais, em 1506, apenas 600 sobreviviam. E acrescenta que "o dito capitã os casou por poucas dellas par dos hom s alvos, muyto mais par as alvas dos negros e as negras dos hom s alvos". Por aqui se vê que os brancos (colonizadores, a maior parte dos quais degredados), preferiam unir-se às negras africanas que às brancas judias. Eis o peso da origem religiosa a ser mais impeditiva das relações sexuais por parte dos colonizadores que a cor da pele.”

Ao encontrar esta matéria no livro de Anita Novinski, e em outras páginas da Wikipedia, senti o mesmo  frêmito que, aos 8 anos ou 9,  então senti, ao ouvir  de minha professora, a triste história dos navios negreiros e da escravidão.
Aquela noite, não consegui dormir, aterrorizava-me a idéia de filhos separados de pais, famílias destruídas; o trabalho que teriam de enfrentar a partir daquela data era o que menos me preocupava. Mas, como podiam separar mães e pais de seus filhos?
Como afastar irmãos? E os bebês? Quem os amamentaria?
Corri ao quarto de minha mãe, em lágrimas, e somente um bom copo de água com duas colheres de açúcar, e a promessa que a escravidão não voltaria, que éramos agora todos livres no Brasil, acalmaram-me, e segurando com firmeza a mão de minha mãe, finalmente conciliei no sono!

E agora, adulta, ainda incrédula com esta impiedosa notícia, continuei pesquisando, e a cada novo texto me vinha a certeza de que realmente a expulsão daqueles pobres inocentes havia acontecido.

“Para São Tomé o rei enviava marginais, condenados à morte e judeus do Reino. Ha-Cohen desabafa dizendo que “naqueles dias não havia ninguém - nem sequer D´us – que pudesse redimir os desditosos judeus (iehudim umlalim), e todas as mulheres choravam aos prantos, quando seus filhos lhes eram arrancados dos braços, enquanto seus maridos, amargados e desesperados, arrancavam suas barbas à força”.
Mulheres judias se curvavam diante do rei de Portugal implorando misericórdia. Outras clamavam: “Permita que zarpemos junto a nossos filhos!”. Porém, o monarca ignorou as súplicas e sequer olhou para seus semblantes.
Yosef Ha-Cohen destaca a crueldade dos ibéricos com os deportados. As represálias não foram tomadas somente contra os judeus lusos, mas contra todos aqueles judeus hispânicos que não obtiveram um acordo de permanência no país. Estes foram degredados à ilha. O cronista caracterizou os portugueses com o adjetivo “cães” (klavim), por embarcarem pela força crianças, provocando desespero entre os pais. O rei não autorizou a saída dos pais, aumentando a tristeza, a dor e o sofrimento.
Já em São Tomé, alguns judeus viraram presa fácil dos lagartos, e a maioria acabou morrendo por falta de água, comida e moradia segura. Somente um pequeno número conseguiu sobreviver às adversidades do lugar.”.



Cenas desumanas foram retratadas pelos cronistas da época:

“Samuel Usque, como Rabi Yosef Ha-Cohen, retrata as doídas despedidas entre pais e filhos. Pela força, os portugueses puxavam os filhos dos braços das mães desconsoladas, enquanto as barbas dos “velhos honrados” eram arrancadas com violência. Os judeus gritavam de sofrimento ao ver o acontecido. Alguns desterrados se ajoelhavam diante do monarca, implorando-lhe para zarparem junto a seus filhos queridos. Uma das mães emocionou o próprio cronista:
“... entre estas mães [h]ouve uma que considerada a horrenda e nova crueza sem mistura de alguma misericórdia a seus clamores; arrebatando seu filho nos braços d´alta nau, [a]dentrou no tempestuoso mar, se lançou e fundiu com sua única criatura abraçada”.

O prolixo e premiado escritor português, Rui Manoel Pinto Barbot Costa, conhecido no mundo literário como Mario Claudio, nascido no Porto em 1941, inspirou-se neste fato histórico ao escrever o romance Orion.
Retratando os tempos coloniais, num misto de ficção e realidade, ele conta a história de sete crianças judias embarcadas naquele navio, Abel, Raquel, Débora, Caim, Benjamin, Séfora e Jairo.
Assim como as sete estrelas de Orion, cada criança em sua trajetória naquela ilha inóspita procura uma luz, algumas com sucesso, outras não, desafiando a determinação de D.João II de expulsar  os judeus e os cristãos novos de suas terras continentais, expô-los às feras  tropicais, e  desta forma acabar definitivamente com o povo hebreu.



 “Em Oríon, a cena inicial do exílio de 1493 merece atenção por sua carga de realismo que desmistifica o seu cenário omisso e celebrativo apresentado nas crônicas oficiais. Primeiramente, expõe-se a mensagem do bispo de Lisboa proferida no evento criado para a partida das crianças: “Ide pois, ide e que a culpa de toda uma raça sirva de exemplo a vossos irmãos . . .” (Cláudio, Oríon 20). Na sequência, descreve-se o evento, que se revela aparentemente alegre e festivo, sendo desconstruído de forma crítica pelo narrador-personagem Abel, uma das crianças judias deportadas que mostra o sofrimento e a opressão suscitados por tal ocorrido, retirando o véu oficioso e a gloriosa memória de cena: Daniel Vecchio Alves / Exílio e imaginário │ 203 Quem poderá descrever aquela Praça da Ribeira no dia nefasto em que ali se reuniam as crianças? Originárias das mais distantes regiões do Reino de Portugal, juntavam-se elas em magotes que os grandes fiscalizavam . . . Era uma manhã de Abril, tão suave que mais parecia um agouro de acontecimentos festivos do que o limiar de um holocausto que se preparasse. E os gritos das judias, descabeladas diante da tragédia do furto dos seus rebentos, apegavam-se aos guinchos das gaivotas na luz da beiraTejo. (15) Durante a comprida viagem limitaram-se as crianças “a roer alguma côdea de pão, a beber água salobra, a repousar os músculos e os ossos num estrado emporcalhado pelo vómito” (Cláudio 15). Já na dita ilha, Abel não enfrentou maiores problemas para se habituar, aprendeu “a designar as árvores, os arbustos e as ervas, [estudar] a sua utilidade e a sua reprodução, [debruçar] para a ilha como quem se dobra para um livro, munido da lente que lhe amplia os caracteres” (46). Abel mostra-se na condição de um exilado maravilhado, amando a ilha como um éden sem limites, mesmo sendo arrebatado dos braços dos pais. Mas é principalmente através do sentimento de desterro formado no crescimento das crianças deportadas que tal ilha servirá de palco de prodígios e lendas várias, alimentando a índole imaginária desses hebreus que sempre imaginavam se aproximar do reino de onde foram retirados ou mesmo da lendária terra prometida que desejavam alcançar: “Não se extirpara a fé desvairada do povo. A cada instante se disseminavam atoardas extraordinárias . . .” (120). Em Oríon, degredados, fugitivos e exilados viviam presos nesse tipo de imaginário. Distanciados da metrópole inquisitorial e conscientes das preferências da coroa na colonização com base nas tarefas missionárias, alguns faziam questão de, na medida do possível, retornar aos seus hábitos e suas crenças religiosas. A existência de criptojudeus em São Tomé, observada veementemente nessa obra literária, pode ser averiguada historicamente pelas proibições da presença de cristãos-novos na ilha, expedidas por D. Manuel e novamente pelo bisneto desse monarca, o Rei D. Sebastião (1554–1578): Com efeito, por alvará de 21 de novembro de 1569, determinou D. Sebastião que “daqui em diante não possa ir à ilha de São Tomé para nela residir, nem viver, pessoa alguma da nação de cristãos-novos, salvo indo à dita ilha ida por vinda”. Prossegue o alvará dizendo: “E assim hei por bem que pessoa alguma da dita nação, não possa na dita ilha servir ofício algum de justiça”. (Lipiner 33) No romance em questão, o criptojudaísmo está claramente exposto através do narrador-personagem Abel, que se responsabiliza pela autoria da narrativa presente no livro. Ele diz que originalmente sua escrita atravessa “as páginas da Tora, com letras apertadinhas umas de encontro às outras”, e acrescenta que se “não conservasse na memória o que lá se diz, não alcançaria ler os versículos sagrados” (Oríon 12). Agradece ele ao franciscano que lhe ensinou as letras na sua infância longe dos pais, relembrando o que o frade insistia em dizer: “cuida de a exercer [a escrita] que nela é que acharás os portões de saída do exílio” (12). 204 │ InterDISCIPLINARY Journal of Portuguese Diaspora Studies Vol. 3.1 (2014) Tais circunstâncias existenciais e históricas fizeram o judeu considerar a escrita e o livro como uma espécie de pátria que podia ser transladada para onde quer que fosse. “Nessa pátria portátil, encontrava os legados da memória ancestral, a razão de ser e, principalmente, de teimosamente continuar a existir num tempo que, muitas vezes, negou-lhe dignidade humana” (Roani 76). A leitura da Tora, bem como a própria escrita, eram para Abel a criação de um espaço de reencontro da integridade do seu mundo, um lugar que complementava o desterro, onde um povo disperso pelos exílios encontrava a cada palavra sua redenção. Diante das proibições religiosas, o oculto exercício de Abel, de escrita e leitura na e da Tora, assume o caráter de um ato socialmente simbólico, admitindo-se, assim, no romance de Mário Cláudio em análise, uma forte presença de criptojudaísmo, posicionando-se o escritor portuense perante as polêmicas teses relacionadas à existência ou não desse aspecto cultural em tal época histórica: Um dia veio ter comigo um freizinho picado das bexigas, com o qual encetara na travessia extensa conversação. [. . .]. Vai o santo, e interpela-me nestes termos, “Eu bem sei, Abel, meu filho, que nunca haverás de te converter em bom cristão, e
nisso, podes crer, residia o meu anseio, mas apegaste-te às falsas doutrinas da tua raça, julgarás tu que não percebo que lês às escondidas o livro nefando?, mas é a vontade de Deus”. (Oríon 37) O criptojudaísmo consiste no que exatamente faz o narrador-personagem Abel: pratica escondido os costumes de sua religião antiga, mesmo sendo essa prática reduzida a escrita ou a uma mera leitura usual da Tora. Para Elias Lipiner, “à imposição violenta da nova religião, responderam os ex-judeus, ou grande parte deles, com simulação, adotando apenas as formas externas da crença imposta, mas conservando na intimidade o judaísmo” (395). Para ele, esses “pseudocrístãos” não aceitaram a crença imposta senão com profunda reserva mental. Para António José Saraiva, em contrapartida, lhe parece inteiramente inadequada a expressão “criptojudeus”, pois para ele judeus e cristão-novos eram “entidades inteiramente existentes e distintas, embora haja entre elas uma ligação histórica” (Saraiva 24). Reforça o estudioso português que, em pouco tempo, devido à intensa pressão exercida no reino, os cristãos-novos deixaram quase por completo sua velha lei. No entanto, não é isso que vemos na história e mesmo na construção dos personagens judeus de Mário Cláudio, sejam convertidos ou não, como nos casos de Abel e Barnabé respectivamente. Suas mentalidades são embasadas nas crenças e nos imaginários da religião de origem que, intensificados pelos desterros, os tornam eternas crianças: “[. . .] o meu único encantamento consistia em fixar por horas perdidas o maravilhoso de estrelas a que chamam Oríon” (Oríon 154). Esse sintoma pode ser claramente percebido no fato de que Abel, ao herdar o governo do engenho que antes pertencia ao seu antigo chefe Daniel Vecchio Alves / Exílio e imaginário │ 205 e um dos descobridores da ilha, João de Santarém, pouco dedica a vida aos trabalhos diários: Se dantes avaliava a alegria pelo número de fardos de açúcar produzidos e negociados, calculava agora que só a descoberta do segredo da figura que na abóbada se estampava me obteria a paz de que tanto carecia...“

FONTES

Texto do Professor José Manuel Azevedo e Silva “ A importância dos espaços insulares na construção do mundo atlântico.”  Universidade de Coimbra

A História dos Judeus – 1º. Volume – Simon Schama ( historiador  britânico atualmente trabalhando no 2º. Volume )

Os Judeus que Construíram o Brasil – Anita Novinsky



Este texto é uma colaboração de Itanira Heineberg para o grupo Esh Tamid. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A imagem da mídia e a verdadeira - Gaza

Qual é a imagem que você tem de Gaza? Provavelmente é diferente das fotos que o site de turismo Tripadvisor mostra em sua galeria. 

Ramallah, outra cidade árabe colada a Israel, precisava ser apontada da fronteira alguns anos atrás. Hoje chega a poucos metros da estrada, tendo tido um crescimento impressionante com palácios e hotéis luxuosos. Confira as fotos e pense junto conosco: será que você está ouvindo a história verdadeira?




Veja todas as imagens do Tripadvisor clicando aqui.

EDITORIAL - Avaliando fatos para poder entender os boatos

Iom Kipur se foi e estamos chegando em Sucot, quando os judeus moram em cabanas para lembrar os 40 anos que ficaram no deserto. Ao final do dia do Perdão, é fincada a primeira estaca de uma cabana que tem como principal atributo ser feito de um teto de folhas, a fim que as estrelas possam ser vistas. Lembrar, recordar e pautar a vida através das marcações do tempo é uma das principais características judaicas. Em Iom Kipur há vários momentos importantes. No início, à noite, Raul Meyer falou sobre a importância de estarmos presentes, “Hineini”, aqui estou. No Izkor, o momento em que foram lembrados aqueles que não mais estavam fisicamente conosco, Regina P. Markus passeou pelo tempo e criou uma atmosfera para juntar as gerações passadas com as futuras de forma a mostrar que a força do Povo de Israel vai além do presente. E estes momentos que unem o “Aqui e Agora” com o “Sempre” é possível porque é baseado em fatos. Um dos fatos marcantes do dia foi a reunião de vários membros da comunidade para conversar sobre o Projeto EshTá Na Mídia, iniciado com o objetivo de mostrar ao mundo fatos sobre Israel.

Israel, um país desértico cercado de inimigos, que mantém um alto padrão de educação e que é um dos países que mais produz conhecimento, tecnologia e inovações tecnológicas, vem sofrendo nos últimos anos uma demonização pela mídia. Um dos pontos neurálgicos na construção desta imagem é a forma como a vida dos árabes que moram na faixa de Gaza e na Cisjordânia é relatada pela imprensa. São sempre apresentadas zonas pobres que muito se assemelham a favelas brasileiras para acentuar as diferenças sem entrar no mérito de por que isto acontece. A verdade não é bem assim; nesta semana apresentamos alguns destes locais com seus luxuosos hotéis nas praias de Gaza. Estes fatos podem ser comprovados no site da “Trip Advisor”. 

Imagem recente de Gaza (Tripadvisor)


Por outro lado, entre os países árabes começam a surgir alguns sinais que os ventos estão mudando. Contrariando alguns líderes islâmicos que vieram a público de forma insistente para negar o Holocausto judeu durante a IIa Guerra Mundial, vimos recentemente que o Príncipe de Bahrein declarou nas dependências do Centro Simon Wiesenthal em Los Angeles que os judeus e os israelenses são bem-vindos a Bahrein. Na oportunidade, dia 13 de setembro, o Príncipe Nasser bin Hamad al Khalipha assinou a “Declaração do Bahrein para a Tolerância Religiosa” onde está escrito: “Todo o indivíduo tem liberdade para praticar a sua religião, desde que não prejudique os outros, respeite as leis do país e aceite a responsabilidade espiritual e material das suas escolhas”. Na oportunidade participaram o Rabino Mervin Heir do Centro Simon Wiesenthal, o Pastor Johnie Moore da Associação Nacional (americana) de evangélicos e embaixadores da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel. Como dito na ocasião “a declaração foi redigida dentro do mundo árabe e não de fora para dentro”.

O mundo está repleto de notícias negativas, o terrorismo e a ignorância prosperam em todos os continentes. Mas há um fundo de esperança quando presenciamos a construção de pontes e a criação de narrativas que possam permitir vislumbrar momentos de entendimento e colaboração.

FATOS como base para relações e CONHECIMENTO como alavanca para bons relacionamentos é o que pode fazer com que deixemos um mundo com esperança para a próxima geração. E ... este ano Raul Meyer propôs e toda a Chavurá Esh Tamid cantar “Hatikva”, o hino “A Esperança”, ao se fecharem os Portões na noite de Iom Kipur. E envolvidos nessa esperança, iniciamos a semana de Sucot, a caminho de importantes conquistas e do compartilhamento de fatos para poder VER um mundo melhor.

Boa Semana!
Comitê Editorial EshTá na Mídia

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Rei do Bahrein condena boicote árabe a Israel, remove proibição de viagem

Rei anuncia fim da restrição a viagem de cidadãos do Bahrein a Israel, condena boicote árabe a Israel; Rei redige e assina documento em favor da liberdade religiosa e proteção de todos os credos no Oriente Médio (Photo: CC), 18 de setembro de 2017.



O rei do Bahrein condenou abertamente o boicote árabe a Israel e anunciou que seu povo é livre para visitar o Estado Judeu.
Ele fez o anúncio histórico durante o fim de semana ao falar com Rabi Abraham Cooper do Centro Simon Wiesenthal em Los Angeles em um evento multi-fé em Los Angeles. Relatou-se que o rei falou em "mudar as relações" entre os estados árabes e Israel, anunciando a suspensão da proibição de viagem a Israel pela primeira vez na história do Bahrein e condenando oficialmente o boicote árabe ao Estado Judeu.
O rei não só fez história rompendo a proibição de viagem a Israel, mas também foi o primeiro Chefe de Estado árabe a compor, escrever e patrocinar um documento que pedisse liberdade religiosa e proteção para todas as afiliações religiosas no Oriente Médio. O documento, intitulado "A Declaração de Bahrein sobre Tolerância Religiosa", exige que "pessoas de todas as religiões demonstrem respeito e proteção dos direitos de todos para praticar suas afiliações religiosas com dignidade e paz".
Representantes do evento do Egito, do Azerbaijão, dos Emirados Árabes Unidos e da Malásia, todos ficaram de pé quando o hino nacional de Israel "Hatikva" foi tocado, representantes das nações árabes até agora, normalmente, se recusavam a prestigiar o hino de Israel.
A mudança histórica para o Bahrein vem após os relatos de que o ministro da Defesa da Arábia Saudita teria visitado Israel e se encontrado com autoridades israelenses em segredo há duas semanas. Os relatórios iniciais dos meios de comunicação árabes surgiram de um príncipe saudita que visitou Israel em segredo há duas semanas, informou na semana passada, alegando que o príncipe saudita Mohammed bin Salman, que é o atual ministro da Defesa e futuro herdeiro do trono, estava em Israel para uma reunião ( s) com funcionários israelenses.
A reunião foi centrada nas iniciativas árabes para retomar o processo de paz entre Israel e os palestinos, e a reunião provavelmente também se concentrará na ameaça que o Irã representa para a região. De acordo com relatos da mídia "Um príncipe da Corte Real visitou Israel em segredo nos últimos dias e discutiu a ideia de promover a paz regional com vários altos funcionários israelenses. O primeiro ministro e os gabinetes do Ministério das Relações Exteriores se recusaram a comentar sobre este assunto ".
O primeiro-ministro Netanyahu exprimiu-se livremente sobre a mudança nas relações dos estados árabes com Israel, destacando este desenvolvimento durante cada visita com os chefes de estados durante sua turnê na América Latina. Após uma reunião com o presidente colombiano Santos na semana passada, ele afirmou que "Israel criou novas relações entre Israel e os estados árabes, que já não veem Israel como um inimigo, mas como um aliado essencial contra essas forças que procuram retirar a humanidade de um brilhante futuro para um bárbaro", referindo-se ao Irã e ao Islamismo radical.
Em consonância com todas as reuniões realizadas com os chefes de estado nos últimos quatro meses, o primeiro-ministro dirigiu-se ao Irã e ao terrorismo global Islâmico, referindo-se ao "envio de suas alas terroristas em todas as direções, incluindo a América Latina", e acrescentando que "acreditamos que todos os países devem se unir, assim como Israel coopera com os Estados árabes para evitar a propagação da agressão e terrorismo iranianos para outros continentes ".
Na mesma semana, o príncipe saudita Mohammed bin Salman visitou Israel, e Netanyahu afirmou: "O que realmente acontece com os estados árabes nunca aconteceu em nossa história, mesmo quando assinamos acordos. A cooperação entre Israel e estados árabes existe de várias maneiras e níveis diferentes, embora ainda não seja visível acima da superfície. Há muito mais do que durante qualquer outro período da história de Israel. Esta é uma tremenda mudança. O mundo inteiro está mudando".

O documento chamado “Declaração de Tolerância Religiosa do Bahrain” possui cinco capítulos principais:

1 - Fé e expressão religiosa: Nós celebramos que a religião esteve entre as maiores forças do bem em nosso mundo, e inspirou principalmente as pessoas a compartilhar o mesmo bem com seus semelhantes.

2. Liberdade de escolha: Reconhecemos que Deus nos instrui a exercer o dom divino da liberdade de escolha e, portanto, declaramos que a religião imposta não pode conduzir uma pessoa a um relacionamento significativo com Deus.

3. A Determinação da Vontade de Deus: Reconhecemos que as religiões podem discordar entre si para interpretar a vontade de Deus, mas todas as religiões iluminadas rejeitam a invocação de Seu nome para legitimar a violência contra pessoas inocentes. É uma profanação clara de Seu nome, em vez de um cumprimento de Sua vontade.

4. Direitos e responsabilidades religiosas: Reconhecemos que Deus espera mais dos que estão em posição de autoridade espiritual e temporal. As pessoas de todas as religiões devem ter o direito de se reunir para adorar, educar, celebrar e praticar os requisitos de suas respectivas crenças.

5. A Esperança da Fé: Prometemos ensinar nossos filhos e demonstrar-lhes pelo exemplo que, ao realizar simples atos de bondade e compaixão, agimos segundo o mandamento de Deus e que invocamos o Seu bem no mundo.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

VOCÊ SABIA? - A Rota da Seda e os judeus de Kaifeng


Você sabia que durante o intrigante e misterioso período histórico da Rota da Seda, em 1163, um grupo de mercadores judeus construiu a primeira sinagoga da região na cidade de Kaifeng, China?
Sempre senti um fascínio por este capítulo da História do mundo, apesar do pouco conhecimento que tinha.

Talvez meu primeiro encantamento tenha sido a música “Silk Road”, de Kitarõ.


Assim, tentei ver como os judeus haviam se posicionado neste momento pitoresco e arrebatador de descobertas, viagens, trocas e negociações.
E foi desta forma que, após várias leituras, cheguei a Kaifeng:

"A presença judaica na China, hoje em reorganização, tem raízes bastante profundas, começando no século 8. Comerciantes judeus viajaram pela Rota da Seda para chegar à cidade de Kaifeng, onde, em 1163, surgiu a primeira sinagoga da região. A comunidade chegou a contabilizar 5 mil integrantes no século 17, para entrar em um período de dificuldades, como a morte do último rabino em meados do século 19. Por volta de 1860, a sinagoga de Kaifeng, depois de enfrentar as enchentes frequentes na região, foi finalmente demolida."

清真寺, Qīngzhēn Sì
Sinagoga de Kaifeng, Henan, 1163

Durante a Rebelião de Taiping, na década de 1850, como em muitas outras ocasiões em sua história de perseguições e fugas, os judeus dispersaram-se para mais tarde retornar à cidade de Kaifeng.
Lá foram encontradas três estelas, placas de pedra com inscrições, registradas e estudadas no livro "The Kaifeng Stone inscriptions: The Legacy of the Jewish Community in Ancient China" de Tiberiu Weisz, professor de História dos Hebreus e Religião Chinesa.
A estela mais antiga, de 1489, registra a construção de uma sinagoga em 1163, Qingzhen Si, que acabou servindo de mesquita, em repetidas ocasiões.
A segunda pedra, 1512, encontrada na sinagoga de Xuanzhang Daojing Si (fechada em 1512) relata, entre outras ocorrências, as práticas religiosas judaicas.
A última, de 1663, celebra a reconstrução da antiga e primeira sinagoga de Qingzhen Si, de 1163.

Judios de Kaifeng
NATIONAL GEOGRAPHIC, 1907

Judios de Kaifeng
NATIONAL GEOGRAPHIC, 1907


Em seu livro, Tiberiu apresenta sua tradução e interpretação das estelas, ali deixadas com o intuito de preservar a religião e as origens do povo judeu de Kaifeng.
Continuando a história dos judeus de Kaifeng ...
"Durante a dinastia Ming (século 14 a 17), um imperador chinês deu aos judeus sobrenomes locais, como Ai, Gao, Jin, Li, Zhang, Shi e Zhau. Atualmente, estima-se que entre 500 e mil habitantes de Kaifeng, cidade com 4,8 milhões de habitantes, apontam suas ligações com antepassados judeus. O museu municipal de Kaifeng apresenta algumas peças do século 15 que eram da comunidade judaica, enquanto outros objetos estão no Museu Britânico, em Londres, e no Museu Real de Ontário, no Canadá."
Atualmente quase mil habitantes de Kaifeng possuem ascendência judaica.
A partir de contatos com turistas judeus, os judeus de Kaifeng vêm recuperando seus laços com o judaísmo global. Através de organizações judaicas, alguns membros até já emigraram para Israel.
Além de Kaifeng, há vários outros vestígios de passagem de judeus pela China, além dos grupos ali atualmente estabelecidos em Shanghai, Beijing, Hong Kong, Harbin...

"Apreciar passagens da vida judaica no Extremo Oriente também é possível em Harbin, cidade localizada no nordeste da China e onde uma sinagoga construída em 1917 transformou-se em museu. Os dois andares do prédio, segundo relato publicado no ano passado pelo Haaretz, trazem fotos em preto e branco de uma colorida vida comunitária, com atividades assistenciais, movimento sionista e iniciativas culturais que atingiram seu momento mais intensos entre 1917 e 1930."

E agora, se você, como eu, sente-se atraído (a) pela Rota da Seda, aqui vão algumas pinceladas sobre o assunto!

Rota Da Seda: Ligando o Ocidente Ao Oriente
"O percurso de Istambul, na Turquia, até Xi-an, na China é conhecido como Rota da Seda. Para se ter uma ideia, antigamente essa rota era feita por caravanas de camelos que atravessavam os desertos, montanhas e rios em busca do oriente. O objetivo dessa longa e cansativa viagem era buscar uma riqueza do oriente, a seda.
Os mercadores europeus se aventuravam no Extremo Oriente do mundo para ter acesso a seda. Dentre esses mercadores podemos citar o nome do ilustre Marco Polo. A viagem passava por um total de seis países: Turquia, Irão, Turquemenistão, Uzbequistão, Quirguistão e China."




"O geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen foi o primeiro a utilizar o termo Rota da Seda (tradução da expressão alemã Seidenstraße) no século XIX. Basicamente esse trajeto corresponde a um conjunto de rotas comerciais que se interligavam através da Europa, Oriente e Ásia. A maior e mais importante rede comercial do mundo antigo.
Os chineses aprenderam e dominaram a técnica de fabricação da seda durante milênios. A seda chinesa era feita a partir da fibra branca dos casulos dos bichos-da-seda. Dessa forma a seda foi durante muito tempo um produto exclusivo da sociedade chinesa."




E ... o sonho de consumo das mulheres do Ocidente, após a chegada deste tecido diáfano e sedutor às cortes europeias.


Este texto é uma colaboração de Itanira Heineberg para o grupo Esh Tamid.

FONTES

Os Judeus, o dinheiro e o mundo - de Jacques Attali

Judeus e suas extraordinárias histórias e contribuições - de Marcelo Szpillman