Marcadores

sexta-feira, 19 de julho de 2024

ACONTECE: Quebra de Rotinas


da antiquidade aos dias de hoje,
a gentileza e o cuidar adornam o futuro


Quando foi proposto trocar o nome desta sessão de Editorial para Acontece, achei interessante o desafio proposto por Juliana e embarquei no dia a dia. Novidades a cada momento que saltavam aos olhos e mereciam uma reflexão. Hoje é dia 19 de julho de 2024. Fatos como o atentado contra Trump e a convenção republicana nos Estados Unidos, a morte de dirigentes do Hamas, o acirramento da guerra no norte de Israel, manifestações climáticas extremas ao redor do planeta, manisfestação dos familiares dos reféns presos há mais de 9 meses em Gaza... E a lista vai se transformando em uma rotina e a reação da imprensa cada vez mais segmentada. UMA ROTINA. Nada a ver com a ritmicidade da vida, que inclui rotinas geológicas, biológicas, sociais e pessoais. Aqui menciono a rotina de horrores que estamos vivendo e que gostaríamos de ver o fim. Mas, hoje entra um fato novo dentro da rotina de guerra. Um drone disparado pelos Houtis a partir do Iêmen atinge Tel Aviv. Li a notícia no i24 News e o texto sobre ROTINA tem que incluir um PONTO DE INFLEXÃO, um fato novo que pode ou não alterar a rotina.

Iniciamos por um fato que não pode ser rotina! Não podemos deixar que as pessoas que estão em GAZA presas pelo HAMAS, independente de serem homens, mulheres ou crianças, independente de sua nacionalidade e de qualquer outra forma de classificação, continuem sob o jugo de um grupo que ganhou visibilidade oprimindo a população que deveria liderar. 

REFÉNS EM GAZA

Este é um ponto que não pode ser uma rotina. O fato de Israel ter sido atacado em 7 de outubro e que a morte de 1200 ou mais pessoas inocentes que estavam em suas casas dormindo ou celebrando a alegria em uma RAVE jamais pode virar rotina. A Praça dos Reféns em Tel Aviv é um dos palcos. Este dia é transformado num marco da estupidez humana quando líderes que pouco se importam com a população sob sua responsabilidade transformam o gosto do sangue em momentos de vitória. OS REFÉNS DE GAZA serão uma mantra para lembrar que a VIDA é o nosso bem maior. Vamos mantê-los vivos.

TEL AVIV ATINGIDA...



Olhar a foto de um míssel caído em Tel Aviv postada pelo jornalista Ariel Oseran (@ariel_oseram) do i24 News, TAV. Um veículo aéreo não tripulado que caiu na rua Ben Yehuda, esquina com a Shalom Aleichem. Matou um morador do prédio atingido e feriu outros; eram três horas da manhã em Israel. Segundo a Revista Brasil IL, a partir de notícias do Jerusalem Post, N12, The Yeshiva World e Comunidade Plus a vítima fatal foi um homem de 50 anos ferido por estilhaços que entraram em um apartamento próximo. 

A Magen David Adom chegou ao local e encaminhou os feridos para os hospitais próximos. Dos 4 objetos voadores lançados, um não foi intereceptado na região de Eilat.

Aqui saímos da rotina. Os mísseis do HOUTIS - um outro braço armado do Irã -  sobre Israel, estavam apontados para Tel Aviv. 

A pergunta que não quer calar: Por que às três horas da manhã? Mísseis que atingissem aquele endereço às três horas da tarde matariam centenas de pessoas! E aqui vai a minha opinião, seguindo o título deste texto: assim atuam os terroristas iranianos. Injetar MEDO, injetar DESCONFORTO, injetrar INCERTEZA é uma forma muito eficaz de gerar Doença do Pânico e com isso criar mais desarmonia e desconfiança. Dentro da sociedade israelense serão abertos debates para entender por que o míssel atravessou as barreiras de segurança, serão buscados culpados para esta falha e será iniciada mais uma rotina de desunião.

Isto tornará mais fácil deixar de focar no real inimigo: o antissemitismo, que vem floreado de palavras como sionismo! 

Agora é a hora de UNIÃO e de busca dos pontos comuns para podermos o mais rápido possível quebrar a rotina iniciada em 7 de outubro de 2023!

AM ISRAEL CHAI!

Regina P. Markus


terça-feira, 16 de julho de 2024

VOCÊ SABIA? - Nazismo e Racismo no Brasil

 

Por Itanira Heineberg


Objetos apreendidos durante investigação contra célula nazista em SC no ano de 2022 — Foto: Polícia Civil/ Divulgação/Arquivo


Você Sabia que o Brasil tem mais de 300 células nazistas em funcionamento?

E que há mais de 6.500 endereços eletrônicos de organizações nazistas somente em língua portuguesa e dezenas de milhares de neonazistas brasileiros em fóruns internacionais?




Um professor de História, em uma escola no Rio de Janeiro, foi dar aula sobre nazismo. Ele mostrou para seus alunos a suástica e disse que aquele era o símbolo dos nazistas. Uma aluna levantou a mão e disse que já havia visto no sítio da sua família um tijolo com aquele mesmo símbolo.



Isso despertou a curiosidade no professor, que procurou saber mais sobre o assunto. Aquele tijolo pertencia a uma construção demolida no sítio que era um casebre.



 

 Até as vacas da fazenda recebiam a suástica  - BBC

Sidney Aguilar (o professor) não sabia que em sua pesquisa iria descobrir uma história tão bizarra que iria se transformar no documentário chamado "Menino 23".

 

Esse sítio pertence à família Rocha Miranda, uma das famílias mais importantes da História do Rio de Janeiro de origem escravocrata. Em sua pesquisa, Sidney descobriu que a família Rocha Miranda tinha um integrante que era MEMBRO do partido nazista aqui no Brasil, que era o MAIOR partido nazista fora da Alemanha e que outras pessoas da família eram ligadas ao Partido Integralista Brasileiro, que era um "fascismo tupiniquim".

Achando bizarro? Calma que vai ficar ainda mais. Em sua pesquisa, Sidney descobriu que a família Rocha Miranda adotou 50 crianças de um orfanato para escravizá-las, todas negras. No documentário, um homem conhecido como Seu Aloísio, que foi uma das vítimas, disse que as crianças não eram chamadas por nomes, mas sim por números e o seu era 23.


BBC WORLD SERVICE

Aloysio Silva era conhecido apenas pelo número 23


Os meninos só foram libertados do cárcere quando o governo Vargas rompeu de vez as relações com o Eixo. Daí, os nazistas, assim como o Partido Integralista, foram perseguidos e a família Rocha Miranda perdeu o status que tinha.

Hoje isso parece algo extremamente absurdo, mas para época não era. Segue uma frase de um Deputado Federal chamado Alfredo da Matta em discurso no ano de 1933: "A eugenia, senhor presidente, visa a aplicação de conhecimentos úteis e indispensáveis para reprodução e melhoria da raça."

No tempo em que os garotos foram feitos de escravos, o Brasil vivia o ápice da política de superioridade racial e de "branqueamento", impulsionadas pelo darwinismo social. Isso não faz 200 ou 100 anos: isso faz apenas 89 anos. Como que em tão pouco tempo o nosso país deixou de ser racista? Aos que dizem que o Brasil não é um país racista: será mesmo?

Hoje, o nome da família Rocha Miranda carrega o nome de um importante bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. 


Pesquisa do professor Sydney Aguilar


Fontes:

https://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/documentario-menino-23-infancias-perdidas-no-brasil-e-exibido-em-sorocaba.ghtml

https://www.metropoles.com/sao-paulo/suastica-armas-e-fardas-policia-identifica-celulas-neonazistas-em-sp

https://piaui.folha.uol.com.br/as-novas-caras-do-neonazismo-no-brasil/

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2024-04/conselho-leva-onu-alerta-sobre-avanco-do-neonazismo-no-brasil

https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/em-2003-tijolos-com-suasticas-revelaram-fazenda-de-trabalho-forcado-no-brasil.phtml

 


quinta-feira, 11 de julho de 2024

Acontece - Qual a primeira coisa que se diz a um prisioneiro que retorna?

 

Itai Pessach, diretor do Hospital Infantil Edmond e Lily Safra do Sheba Medical Center e chefe da equipe especial de Sheba para o retorno de reféns


Há ainda muita guerra no front e muitas discordâncias nos “back-offices”, nos bastidores. Notícias chegam de discussões entre os seniores do Hamas sobre a necessidade de  exercer pressão sobre a liderança da organização, o que reflete um desacordo fundamental dentro do grupo sobre a vontade de continuar a lutar ou de chegar rapidamente a um acordo. 

Do lado de cá um membro haredi (ultra ortodoxo) do Knesset reclama em alto e bom som do fato de Netanyahu “desnecessariamente profanar o Shabat” quando no sábado o primeiro ministro divulga resultados das negociações entre o chefe do Mossad e o Hamas para libertação dos reféns. E ainda este parlamentar, em outra discordância, ironizou a fraqueza de sua bancada ao que seus adversários do partido Iesh Atid de Yair Lapid reagiram sugerindo que se retirem… 

Debates políticos são importantes e desejáveis quando tratam de como solucionar problemas, como melhor construir algo para a população; mas quando se alastram de maneira totalmente impotente para trazer uma luz no fim de um túnel de 9 meses de guerra são inócuos e deprimentes. E não são muitos os que se mantém firmes nas manifestações semanais para gritar que esta situação é sufocante e precisa parar!

Mas no front, Israel e Hamas acabaram de concordar que não governarão em Gaza durante o cessar fogo que estão em vias de assinar. “O cessar-fogo seria implementado em três fases, com a primeira a durar seis semanas e a ver o Hamas libertar 33 reféns, incluindo todas as mulheres soldados, os feridos e aqueles com mais de 50 anos. Israel libertaria centenas de terroristas palestinianos detidos nas suas prisões. A libertação dos restantes reféns israelitas raptados em 7 de Outubro ocorreria em fases posteriores”, informa a agência  I24. Mais uma tentativa!

Enquanto este triste cenário se desenrola, os médicos e os hospitais em Israel vêm se preparando e aprendendo a tratar de reféns que ficaram tanto tempo sequestrados, e cujo retorno traz questões inéditas: 

Qual é a primeira coisa que você diz a um prisioneiro que sai de um helicóptero? Que tom de voz você usa? Você os abraça? Você os toca? O que você diz quando ele pergunta "Por que minha mãe não está aqui para me encontrar?"




Das 251 pessoas levadas pelo Hamas em 7 de outubro, 120 foram libertadas ao longo de 9 meses e todas foram encaminhadas para hospitais. 

O hospital Sheba, que recebeu 36 deles, conta que criaram uma equipe dedicada, composta por psiquiatras especializados no trauma de soldados e prisioneiros de guerra, especialistas no tratamento de mulheres que foram vítimas de violência sexual e aqueles com experiência no trabalho com crianças vítimas de violência, e eles até procuraram a opinião de especialistas em trauma que lidaram com meninas sequestradas pelo Boko Haram na Nigéria, crianças sequestradas por cartéis de drogas no México e crianças em zonas de guerra como a Bósnia e a Ucrânia. Como não se conhecia as condições em que os reféns chegariam, o Hospital infantil Safra preparou uma ala especial - trocou móveis e equipamentos para parecer um hotel-butique com iluminação reduzida - mas por trás toda uma infraestrutura para pronto atendimento. O histórico médico de cada um foi estudado, receitas para os respectivos remédios foram aviadas e novos aparelhos disponibilizados. Há chefs para cozinhar os pratos que eles pedirem e salões de beleza para as mulheres para ajudá-las a “voltarem a se sentir seres humanos”… 

Mas talvez a tarefa mais difícil foi, pelo menos em relação aos reféns soltos nos primeiros acordos, contar as muitas más notícias sobre tudo que ocorreu. Tinha que ser sob medida para cada um, em colaboração com cada família. 

Todos esses aprendizados, ainda em curso, criaram protocolos de conduta que são intercambiados por todos os hospitais. 

O pessoal do Sheba conta que a equipe presumiu que os reféns que retornavam não gostariam de falar ou ser tocados, como é típico das vítimas de violência. Eles presumiram que inicialmente os reféns só desejariam ter contato com pessoas selecionadas e deveriam ser protegidos de outras pessoas. Mas foi o contrário: “eles ansiavam pelo contato físico conosco e com as suas famílias e queriam partilhar as suas experiências e a sua dor. Eles queriam conversar e ver os amigos o mais rápido possível, para experimentar alegria e felicidade. Eles não queriam ficar sozinhos”. 

“Agora sabemos que ainda precisamos protegê-los até certo ponto, mas também precisamos dar-lhes muitas opções de escolha. Os últimos quatro reféns que voltaram queriam muito interagir com seus amigos e familiares, então permitimos isso desde o início”, comentou o pediatra de tratamento intensivo Itai Pessach. “Este é um processo contínuo de aprendizagem da solução exata apropriada para cada refém que retorna. Cada experiência é única, depende do local e condições do cativeiro, mas todos sofreram significativo trauma psicológico e físico. De maneira geral as crianças são mais resilientes que os adultos"…

E continua: “Há pelo menos mais 120 reféns ainda em Gaza, não podemos simplesmente sentar e esperar que eles voltem. A cada segundo, suas vidas estão em risco e sua saúde é afetada. Nós, em Israel e em todo o mundo, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que eles voltarão.”

“Estamos prontos a qualquer momento para recebê-los e dar-lhes o melhor atendimento possível, mas isso não é suficiente. Só precisamos deles aqui!”

Essas famílias e comunidades estão impactados para sempre. Mas e para o resto da população, para o governo, como isso impactou? E para nós na diáspora que, apesar de vítimas, temos enfrentado antissemitismo crescente nas mais inesperadas circunstâncias, como isso nos tem impactado? 

Apesar de exaustos disso, precisamos justamente chorar, abraçar, falar, escrever, buscar colaboração mundo afora para preparar futuras gerações para enfrentar situações assim. Mesmo que muito melhor empregados são os esforços, dentro do nosso contexto, espaço e poder, no sentido de prevenir que isso se repita. 

Shabat Shalom.


Juliana Rehfeld

VOCÊ SABIA? - Casamenteiros

 

Por Itanira Heineberg


O casamento Judaico é a união de duas pessoas que se comprometem 100% no sucesso da relação de D’us com a criação.

E até hoje existem pessoas experts em colaborar para o êxito desta união: os Matchmakers, ou Casamenteiros(as).



Você sabia que encontrar um parceiro através de um casamenteiro, ou shadchan, foi uma prática milenar nas famílias judias através dos séculos e ainda hoje é uma tradição em algumas comunidades judaicas de nossos dias?




A arte de Matchmaking faz parte da vida judaica desde o Livro do Gênesis.

Qual a importância do casamento para os judeus? E por que a obrigação de sucesso total?

Nesta união sagrada, duas almas se abstêm de suas necessidades individuais na conquista absoluta de um relacionamento pleno, buscam a devoção de um para com o outro e se empenham no compromisso com a divindade: a continuação do povo judeu.

 

“Assim, o casamento tem como objetivo a efetivação do plano divino que gerou toda a criação. D’eus queria um lar, e é nossa missão santificar o mundo, tornando-o uma morada acolhedora para seu Criador. As munições que nós temos para cumprir esta tarefa são a Torá e seus mandamentos; e o lar é a primeira fronteira. Homem e mulher são o time perfeito para implementar este plano. Quando trabalham em harmonia eles têm a habilidade de fazer do lar um epicentro de santidade cujas ondas afetam a vizinhança, o país, o mundo e o cosmos.”




Esta prática de “casamenteiros” existe em algumas comunidades judaicas, inexiste em outras e apresenta diferenças em outras tantas.

Estas distinções aparecem com frequência como consequência dos costumes e interpretações da lei judaica de cada grupo. E o aspecto importante é a seriedade e eficiência do shadchan, o casamenteiro. Confiabilidade em sua pessoa é uma exigência indiscutível.

“Ser um shadchan de sucesso é considerado especialmente meritório — de acordo com a tradição oral judaica, a introdução de três casais que finalmente se casam garante ao shadchan um lugar no reino celestial da vida após a morte .“

 

O primeiro modelo de casamento judaico foi, sem dúvida, a convivência dos dois primeiros humanos na terra; D’us criou Eva para que Adão não ficasse sozinho.

E nos templos bíblicos os casamentos eram em geral planejados e negociados pelas famílias de cada jovem casal.

A descoberta do bashert - a alma gêmea - é uma tarefa de grande responsabilidade e conhecimento do ser humano, o que levou e leva até hoje muitas famílias a recorrerem a um casamenteiro de confiança.

Esta investigação e procura pela alma gêmea está baseada em uma antiga lei judaica que reza “D’us é o shadchan final por trás de cada união. De acordo com o Talmud (Sotá 2a), 40 dias antes de um embrião ser formado, uma voz divina declara: “A filha de fulano está destinada a se casar com beltrano”.

 

Documentos legais judaicos da Idade Média revelam que embora o uso do shadchan fosse difundido nas comunidades judaicas alemãs e francesas, o papel era quase inexistente entre os judeus sefarditas. Em Histórias Enredadas: Conhecimento, Autoridade e Cultura Judaica no Século XIII, Ephraim Kanarfogel explica que as famílias agiam como casamenteiras:

 

“As autoridades rabínicas espanholas, remontando ao período muçulmano e também a pelo menos vários Geonim no leste, sustentaram que o papel divino em unir marido e mulher era o fator predominante na determinação da existência de um casamento. A tarefa dos pais e avós era arranjar o casamento no âmbito terreno, do qual eles eram perfeitamente capazes. No entanto, em última análise, foi a agência divina que permitia que o casamento avançasse.”

 

Usar um shadchan continuou a ser a norma nas comunidades judaicas Ashkenazi por centenas de anos, independentemente da religiosidade. De acordo com Shaul Stampfer, o sistema shidduch era usado principalmente por famílias mais ricas que estavam preocupadas principalmente em manter sua riqueza e status social. Um par comum era um jovem e promissor estudioso da Torá emparelhado com uma jovem rica. Esta prática garantiu que o estudo da Torá e os estudiosos da Torá fossem adequadamente financiados.

 

Hoje, nas comunidades Haredi, o shidduchin é praticamente o único caminho para o casamento, pois todas as interações entre homens e mulheres são altamente circunscritas.

 

Assim que alguém decide que está pronto para começar a procurar seu par, ele se encontra com o shadchan para explicar o que está procurando em termos de hashkafa (filosofia religiosa), personalidade e construção de uma futura família. Os possíveis namorados geralmente criam um currículo que descreve sua altura e peso, sua formação educacional, as origens e costumes de sua família, suas afiliações à sinagoga e outras informações básicas. Um shadchan pode ter centenas de currículos arquivados a qualquer momento.

 

Fora do mundo Haredi, o matchmaking profissionalizado é menos comum. Mas a Internet criou novos caminhos para encontros judaicos em muitas comunidades.

Saw You At Sinai, um site de encontros lançado em 2003, une casais depois de preencherem um perfil abrangente. Embora a maioria dos sites de namoro use um algoritmo para mostrar os perfis uns dos outros aos usuários, Saw You at Sinai tem casamenteiros reais que analisam os perfis dos usuários e sugerem shidduchs. Outros sites, como Yismach e FindYourBashert, funcionam de forma semelhante para judeus ortodoxos.



 

O processo tradicional de matchmaking - shidduchim - foi apresentado ao mundo através do musical de grande sucesso do século 20, Fiddler on the Roof, e, mais recentemente, também apareceu com destaque na série de TV israelense Shtisel e no filme Jewish Matchmaking da Netflix.




FONTES:

https://www.myjewishlearning.com/article/how-does-jewish-matchmaking-work/

https://www.myjewishlearning.com/article/jewish-weddings-101/

https://chabadcuritiba.com/index.php/services/bat-mitzva?view=article&id=349&catid=58


Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Quem fala demais dá bom dia a cavalo

 

“Quem fala demais dá bom dia a cavalo!”


          “Pixinguinha e os Batutas estão denegrindo a música brasileira perante Paris! Quem aquela corja pensa que é para destruir a imagem cultural brasileira perante a sociedade europeia? Precisamos fazer algo, reagir, urgentemente!”

          Infelizmente essas palavras carregadas do mais fétido odor do chorume preconceituoso e do ódio racial estão grafadas e eternizadas nos anais da Câmara dos Deputados brasileira... Pelo menos esse inculto ignorante não se esconderá sob os mantos covardes do anonimato...

          Arthur Rubinstein falava que era melhor ser surdo do que ouvir certas nojeiras. No nosso caso, ler... É que ele ficou sabendo dessa burrice colossal pela boca de seu grande amigo, Villa Lobos, num sarau, na cidade Luz. Villa ria de como o cipó de aroeira costuma cantar no lombo de quem tenta açoitar.

          É que para “reparar” a imagem da música brasileira, depois do “estrago” feito por Pixinguinha, os deputados mandaram Villa Lobos para uma série de concertos parisienses.

Nunca se deram ao trabalho de, ao menos, pesquisar minimamente a obra e as influências dele: se o fizessem saberiam da centralidade do popular, do chorinho, da brasilidade amazônica, em sua obra... Teriam noção da admiração de Villa por Pixinguinha!

          “A música clássica, no Brasil, é o Amazonas no Mar! É rir e chorar!”, sempre gostava de brincar, explicando que o Chorinho, nesse diminutivo tão brasileiro, era a Erudição Tropical!

          O Chorinho era um Bach adubado: influências de uma Europa oriental ainda pouco conhecida misturadas com a brasilidade mestiça e alegre... Das Bachianas para os Choros é beleza e força. É completude! Paz!

          Rubinstein também era, como Villa, um forasteiro. Acho que foi por isso que essa amizade entre os dois deu tão certo. Enquanto Villa gostava do barulho da floresta, Rubinstein apreciava o silêncio da neve...

          “Nada como os sons do silêncio”, repetia. Entre uma nota e outra há um silêncio que faz parte da melodia. Mais do que notas se sucedendo, não seria a música os silêncios entre os sons? Um rio nunca seria como é se não fossem as margens...

          No fim era isso: entre a fúria do som e a paz do silêncio, nasce a música... E, com ela, os sentimentos humanos: o sorriso, a lágrima, a beleza, a repulsa, a rosa... A música nos faz imortais...

          Todo mundo conhece o Pixinguinha, o Villa, o Rubinstein e vários outros. Ninguém lembra quem foi o boçal que falou demais, no plenário da Câmara dos Deputados e terminou dando bom dia para o cavalo!

André Naves

Defensor Público Federal com mais de 15 anos de atuação Previdenciária. Membro do Fórum Interinstitucional Previdenciário do TRF3. Diretor Adjunto dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário. Membro do Fórum Paulista para a Acessibilidade e a Inclusão da Pessoa com Deficiência. Especialista em Direitos Humanos, Inclusão Social e Economia Política. Escritor. Professor. Comendador Cultural. Ganhador do Prêmio Best Seller, pelo livro "Caminho - a Beleza é Enxergar", da Editora UICLAP. Colunista do “Esh tá na Mídia”, além de diversas outras mídias de comunicação. Conselheiro do grupo Chaverim. Embaixador do Instituto FEFIG. Amigo da Turma do Jiló. Membro do comitê de inclusão do LIDE.

www.andrenaves.com

Instagram: @andrenaves.def


 

sexta-feira, 5 de julho de 2024

‘Mitzvá Legal’ - Maioridade penal e suas consequências

MAIORIDADE PENAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Por Angelina Mariz de Oliveira



Na maioria das culturas humanas bebês e crianças são compreendidos

como pessoas indefesas, dependentes, ingênuas, incapazes de compreender

a vida, as relações humanas e a sociedade. Por isso são definidos como

‘inocentes’, aqueles que são vulneráveis e sem conhecimento suficiente

para entender o sentido de ‘prejudicar’ ou ‘machucar’. Consequentemente

não é reconhecido o direito dos chamados ‘Menores de Idade’ de decidirem

plenamente sobre a realização de suas vontades e o destino de sua vida.


Até que a sociedade na qual vivem reconheça que adquiriram conhecimento

das regras comunitárias e a capacidade de compreenderem as

consequências de seus atos, os Menores serão cuidados por pessoas

consideradas adultas, preferencialmente pais e familiares. Mas como definir

quando uma pessoa atinge esse nível de ‘amadurecimento’?


As legislações costumam definir expressamente as idades para casar,

realizar contratos, integrar os exércitos, responder por crimes. Atualmente

também existem definições de idades a partir das quais é possível votar,

dirigir veículos, beber e fumar etc. Quando analisamos as leis de diversos

países vamos encontrar uma grande variedade de definições sobre a idade

em que é alcançada a ‘Maioridade’.


A Maioridade civil no Brasil é de 16 anos para votar (Constituição Federal,

art. 14, §1º, II, alínea c) e de 18 anos para todos os demais atos (Código

Civil, art. 5º), lembrando que existe a possibilidade de emancipação para

casamento e exercício de atos contratuais a partir dos 16 anos. No Estado

de Israel atualmente a maioridade plena é alcançada aos 21 anos.


O Talmude já considerava que a idade mínima para uma menina casar seria

de 12 anos, declarando expressamente ser proibido casar meninas menores

de idade (Tratado Kidushim, 41a): “É proibido uma pessoa noivar sua filha

com um homem quando ela é menor, até ela crescer e dizer: Eu quero me

casar assim e assim”. Para os meninos, o Tratado de Pirkei Avot (5:21)

define que a idade mínima para casamento seria de 13 anos, sendo a idade

ideal entre 16 e 18 anos, no máximo até 20 anos.


A definição de idade a partir da qual a pessoa adquire a capacidade de

responder por atos ilegais, a Maioridade Penal, é uma questão mais

complexa, pois envolve punições, restrições de direitos, prisão. As

legislações preveem condenações inclusive para ‘Menores de idade’,

demonstrando como a prática de crimes é vista como um sinal de que a

pessoa perdeu aquela inocência e vulnerabilidade da infância, que adquiriu

maturidade.


Nesse sentido, a maioridade penal na Austrália é a partir dos 7 anos de

idade. Na Escócia é aos 8 anos, mas a Inglaterra adota a idade de 10 anos.

No Irã, meninas a partir de 9 anos de idade são penalmente responsáveis,

mas os meninos atingem essa maioridade aos 15 anos. Em Israel os jovens

são considerados menores de idade para fins penais até os 14 anos; no

entanto, se estiverem envolvidos em atos terroristas, a maioridade é

considerada a partir dos 12 anos.


No Brasil a Constituição Federal de 1988 estabelece em seu artigo 228 que

“são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos”, o que significa

que até essa idade os jovens não podem ser processados, julgados e

condenados pelos crimes e penas previstas no Código Penal e nas demais

leis penais. Esse artigo 228, porém, em sua segunda parte estabelece que

menores de 18 anos que praticarem atos criminosos serão submetidos a

uma legislação especial. Essa legislação é encontrada na parte do Estatuto

da Criança de do Adolescente que trata sobre os Atos Infracionais.


Nesses casos o ECA (Lei nº 8.069/1990) define como criança as pessoas até

12 anos incompletos, e como adolescentes aqueles que tenham entre 12 e

18 anos. Assim, no Brasil, crianças e jovens também respondem por seus

atos criminosos, mesmo que seja por uma legislação especial para eles, que

busca sua proteção, educação e amparo social e estatal.


As várias definições legais sobre a idade da Maioridade procuram

estabelecer a partir de qual momento uma pessoa pode assumir

compromissos sociais. Sabemos, no entanto, que apenas com a experiência

concreta de contratar, casar, votar, empreender, dirigir veículos etc. é que

as pessoas compreendem realmente as consequências concretas dos

compromissos assumidos e de suas decisões.


A questão se torna mais complexa quando é preciso definir uma idade a

partir da qual a pessoa seja capaz de compreender que determinados atos

não devem ser praticados, como fraudes, infrações, crimes. Mas podemos

dizer com segurança que um escocês de 8 anos de idade é plenamente

capaz de entender as consequências das práticas de atos errados? E que

uma brasileira de 17 anos não tem essa condição de maturidade?


Na estipulação de direitos de ‘Menores’, e responsabilidades de ‘Maiores’ as

sociedades tentam lidar com o dilema de como devem ser julgados crianças

e jovens envolvidos em atos criminosos. Como aquele ser inocente se

transformou em uma pessoa indesejada, perigosa, e o que fazer com essa

situação?


O que o Judaísmo nos diz sobre esse desafio social?


Na Torá existe o célebre caso do filho rebelde e contumaz, que deveria ser

apedrejado (Devarim 21:18 a 21:21). O crime seria desrespeito à

autoridade do pai e da mãe. A Torá não define a idade desse filho, mas nos

traz duas pistas: é homem (‘ben’) e já ingere bebidas alcoólicas (‘beberrão’,

‘ébrio’). Não é apenas uma criança birrenta, é uma pessoa que tem

capacidade de decidir e fazer por si só.


Por isso o Talmude definiu no Tratado de Sanhedrin (71a:14) que essa

pessoa teria no mínimo 13 anos de idade, o que seria uma definição de

maioridade penal. Porém, a maioria dos sábios concluiu que esse seria um

caso hipotético, que nunca existiu.


Outra hipótese é de que a Maioridade penal na Torá seja a partir dos 20

anos. Isso porque quando os hebreus se desesperam com o relato dos dez

exploradores enviados por Moisés a Canaã, que concluíram serem fracos

demais para enfrentar a conquista da Terra Prometida, Deus condena todos

os maiores de 20 anos a morrerem no deserto (Bamidbar, 14:29).


Com isso, as crianças e jovens não seriam responsáveis por seus erros,

pecados e crimes. Responsáveis eram seus pais, por não terem educado

adequadamente o filho. No caso das mulheres, sempre eram tuteladas pelo

pai, irmão, ou marido.


Ao longo de mais de três mil anos a Tradição Judaica vai desenvolver um

sistema de interpretação da Torá e formulação de halachot sempre

buscando evitar que as pessoas cometam crimes e que sejam condenadas a

punições, buscando-se sempre evitar especialmente a pena de morte.

Através do caminho do estudo semanal da Torá deve ser dada a

oportunidade de que todos possam conhecer seus deveres, as

consequências pelos descumprimentos, e o aprendizado de profissões e de

como tratar com respeito a esposa, os pais, e as autoridades. Mas não

deixemos de lembrar que essa é uma proposta de uma sociedade ideal, que

ainda não foi estabelecida por nenhuma comunidade judaica.


Atualmente, em nível internacional, 196 países da Assembleia Geral da ONU

assinaram em 20 de novembro de 1989 a Convenção sobre os Direitos da

Criança. Nesta norma é proibida a condenação às penas de prisão perpétua

ou de morte para menores de 18 anos de idade (Artigo 37). É prevista,

porém, a responsabilização por crimes praticados por menores de idade,

punível com pena de prisão, conforme a legislação de cada país. O Artigo 40

vai estabelecer o dever dos países signatários de ”buscar promover o

estabelecimento de leis, procedimentos, autoridades e instituições

especificamente aplicáveis a crianças, que alegadamente, teriam infringido

a legislação penal ou que sejam acusadas ou declaradas culpadas de ter

infringido a legislação penal”. Também é determinado que deve ser

estabelecida “uma idade mínima antes da qual se presumirá que a criança

não tem capacidade para infringir a legislação penal”.


No Brasil, em cumprimento a esse Artigo 40, como vimos, foi promulgado

em 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente. Como sabemos, é uma

regulamentação que não impede o constante aumento da criminalidade de

crianças e jovens, e o consequente crescimento das mortes violentas nessa

camada social. E isso ocorre porque o cuidado com a educação, formação

profissional, e oportunidades de trabalho – aquelas condições que a

Sabedoria Judaica estabeleceu como essenciais para evitar a criminalidade – infelizmente não são acessíveis a todos os brasileiros.


Por isso, a discussão sobre redução da idade de ‘Maioridade’ penal e de

instituição de condenações mais duras, ou mesmo a existência de aplicação

concreta de penas ilegais de tortura e de morte, não são soluções para a

obtenção de segurança. Enquanto a sociedade brasileira não for capaz de

eleger representantes que tenham real comprometimento com a formação

educacional das crianças, ela será responsabilizada como aqueles pais

bíblicos que não educaram os filhos, e sofrerá coletivamente pelos atos de

jovens que crescem sem perspectivas de integração social. 

quinta-feira, 4 de julho de 2024

ACONTECE: Nove Meses


https://i.pinimg.com/originals/66/73/5e/66735e22d50ebf117ef7b04ba54abdf7.jpg

7 de outubro de 2023 - 22 Tishrei 5784 - sábado

E foi naquela madrugada que a virada aconteceu. Havia sinais e sintomas difíceis de reconhecer. Um acomodar a situações difíceis e uma falta de atenção ao que acontecia no subsolo. Literalmente foi no subterrâneo que tudo vinha sendo feito. Algumas coisas poderiam ser reconhecidas. Alguns habitantes da Faixa de Gaza e do West Bank faziam denúncias. Já foram publicados vários artigos sobre o Filho do Hamas - Mossab Hassam Youssef. Estes tempos circulou a mensagem de Dalia Zalida, uma ativista egípcia que denuncia as atitudes atuais do Hamas: estarem escondidos em escolas, hospitais e muito mais - hoje ela está refugiada nos Estados Unidos. Nove meses que REFÉNS estão ainda em mãos dos sequestradores. Quantos vivos? O terror foi mostrado... Videos que nem podem ser nominados. Os que voltaram contam e alertam. E, olhando o futuro, vamos comentar sobre o NOVA HEALING CONCERT em Tel Aviv (27/06/2024). Finalmente, se temos um futuro é porque construímos uma história. E nada melhor para 9 meses do que olhar os primórdios da criação, ou melhor, do Descobrimento. O descobrimento das Américas, a aventura de Cristóvão Colombo. Misturando de tudo um pouco, chegamos aos 9 meses de uma Guerra de Resiliência. 

A história oficial nem sempre relata os fatos. Nós, judeus, estamos muito acostumados a ver a história do mundo acontecer sem que o Povo Judeu seja mencionado. Recentemente, recebi um curto video que está baseado nos documentos disponibilizados pelo Papa João Paulo II. Será esta história baseada em fatos? Difícil comprovar. Conta que judeus de diferentes nacionalidades vieram nas caravelas Santa Maria, Pinta e Nina que zarparam de Espanha em 3 de agosto de 1492. Um dia após o encerramento do prazo de 4 meses dado pelo inquisidor Tomaz de Torquemada para que 100.000 judeus saissem da Espanha ou se convertessem ao cristianismo. Sabemos que após a conversão ficavam à mercê do tribunal da Inquisição. 

Como será contada a história dos dias que estamos vivendo? Destes 9 meses em que as deturpações dos fatos são notórias? A coletânea de vídeos feita pelos próprios sequestradores e algozes e divulgados recentemente mostram fatos que muitos negam, apenas porque não se enquadram no que querem acreditar e propagar. 

Poderíamos juntar muitas imagens de passeatas pró-palestina feitas em todo mundo. Reúnem parte da comunidade LGBT e muitas pessoas expondo partes íntimas. Agora até fica difícil ver mulheres com o corpo coberto. E fica no ar a pergunta: o que move estes grupos optarem por apreciar grupos que negam o seu direito de existir e viver?

Estas são respostas que não vamos ter e que muito provavelmente não são importantes, visto que não traduzem fatos, mas apenas criações de falsas verdades. Nosso maior problema é como projetar os fatos reais. Tentar mais uma vez entender porque os judeus voltam a ser colocados no papel de bode expiatório.

Por outro lado, divergências no mundo judaico e no Estado de Israel têm que ser elencadas, conversadas e polidas. A palavra polir pode parecer um pouco forte, pois a polia acaba com arestas através do nivelamento. Se há necessidade de criar vales em que o convívio diário possa ser agradável, é preciso aprender a apreciar os picos.

Neste sentido as muitas atividades que vêm acontecendo em Israel unindo milhares de pessoas de todas as religiões e etnias, de todas as nominações e culturas possa a chegar a um novo patamar. Entre planíces e planaltos seguimos na expectativa de que os reféns vivos e os mortos sejam trazidos de volta para o solo judeu.

E, voltando ao Brasil, esta semana encontramos vários textos e vídeos sobre "O Homem que Perfumou o Brasil" - Miguel Kirgzner - O Boticário. Uma longa reportagem conta sobre a vida do empresário em um livro que escreveu com um toque pessoal. O mesmo Miguel Kirgzner que criou o Museu do Holocausto de Curitiba. Vale muito ler o texto de Geraldo Samor e Pedro Arbex publicado no Brazil Journal. No final vem o conceito de Tikun Olam.

Tikun Olam - consertar o mundo - fazer a sua parte. Esta tem sido uma das principais razões de sobrevivência ao longo de milênios.

Am Israel Chai


Regina P Markus.