Marcadores

quinta-feira, 5 de março de 2020

EDITORIAL: INCLUSÃO - ontem e hoje - visando o amanhã.


INCLUSÃO é a temática do século XXI. Criar condições e oportunidades para todos. Em muitas culturas, esta ação é confundida com igualar; eliminar as diferenças ou dar aos que são diferentes algumas vantagens para evitar que partam de patamares diferentes.
Acabar com as diferenças, apesar de parecer algo bom à primeira vista, a longo prazo causa estagnação. Aprender desde cedo a lidar com as diferenças e admitir que estas muitas vezes apenas aguçam os sentidos seria uma forma interessante de incluir.

Mas como incluir os diferentes mantendo as suas características? Teoricamente a democracia seria a melhor forma. Sabemos ser isto verdade, quando não acontecem intensas polarizações que dividem o todo. Outra forma, é quando algum objetivo comum, muito específico e que seja de interesse de todos pode ser executado a partir de competências diferentes.

Entre o Povo Judeu saindo do Egito, na antiguidade, e as eleições que ocorreram em Israel na última segunda feira podemos ver exemplos de como a unidade pode ser formada sem descaracterizar os indivíduos.

Primeiro vamos lembrar da Parashat (capítulo da Torá lido semanalmente nas sinagogas) da semana que passou. TERUMÁ (DOAÇÃO) (Exodus 25:1 a 27:19). E lá estava o Povo Judeu no Deserto e D'us pediu para que fosse construído o Tabernáculo, tenda onde para abrigar a Arca que continha as Tábuas da Lei. Eram necessários recursos para a realização de uma obra cheia de detalhes e, para tanto foi solicitado que o povo doasse recursos. Havia sempre o dilema dos ricos e pobres, dos que queriam ou não queriam doar - e a partir daquele momento ficou estabelecido que a doação seria anônima, e que cada um doaria o que fosse possível levando em conta suas prioridades. Conta a parashat que as doações superaram em muito o necessário e que, naquele momento, estava estabelecidoa a principal forma de sobrevivência. Cada um deve doar o que considerar viável, e a soma poderá resolver diferentes situações. Sim, todos foram doadores, todos foram incluídos no ato de dar, porque o importante não era o quanto cada um doou, mas sim o próprio ato de doar. Todos foram INCLUíDOS porque todos foram RESPONSÁVEIS.

E o sábado acabou e chegou a segunda-feira, quando os israelenses foram às urnas pela quarta vez em um ano. O Estado de Israel é um estado democrático, parlamentarista. O partido que tem o maior número de cadeiras no parlamento forma o governo. Nas três eleições anteriores, nenhum partido conseguiu a maioria, ou conseguiu formar coalizões que permitissem montar um governo e então novas eleições foram chamadas.

O tema da semana é INCLUSÃO - e, nestes episódios nacionais é que podemos apreciar o quanto este é um conceito importante para o único Estado Judeu. Todos os cidadãos israelenses votam, e com igual direito, independentemente de religião, etnia ou outras características que possam separar indivíduos. Nestas eleições, nos tempos de corona vírus, foram montados cenários de ficção científica para que os que estão em quarentena pudessem votar. Mas o principal fator que destaca a inclusão é o resultado das eleições: os partidos árabes (isto mesmo, árabes), que incluem os árabes cristãos e muçulmanos, formaram a terceira maior bancada da Knesset, o parlamento israelense. Oops - mas como é possível em um país que é diariamente acusado de praticar "apartheid". Sim, é possível porque são acusações falsas, que podem ser facilmente contestadas pelas ações.

INCLUIR é permitir que o todo seja formado pela soma dos diferentes. O único Estado Judeu no mundo, o Estado de Israel é um estado inclusivo porque todos os seus cidadãos têm direito a opinar sobre os destinos do país, votando para ter representantes na mais alta instância.

INCLUIR é assumir a responsabilidade pelos que estão ainda sem recursos para aproveitar suas potencialidades também - o que nos leva ao vídeo que compartilhamos esta semana.


Boa Semana!

Regina, Marcela e Juliana



segunda-feira, 2 de março de 2020

VOCÊ SABIA? - קַבָּלָה Cabalá = Receber


Cabalá Judaica, Alma do Judaismo     72 NOMES de D’US
Por Itanira Heineberg







VOCÊ SABIA que a artista plástica israelense Ofra Grinfeder lançou recentemente um site ilustrando com imagens e palavras os 72 Nomes de D’us, ferramentas indispensáveis ao cruzarmos o Mar Vermelho de nossas vidas?




Ilustração de Ofra
Nome de D’us  #  4 - AIN - LAMED – SAMECH  -  ELIMINANDO PENSAMENTOS NEGATIVOS


“Luz versus Escuridão.
Embate... bem... mal...
Pensamentos negativos têm o poder de destruição, arrasam mentes, dilaceram corações, vidas...
Constantes miríades de pensamentos, das mais diversas tonalidades, nos invadem...
Temos o poder de banir os mais escuros e de deixar que a Luz prevaleça e nos ilumine com pensamentos positivos.”   Itanira



Ofra trouxe em sua bagagem cultural um extenso e variado currículo artístico. Fez exposições individuais em museus e galerias pelos tantos países onde habitou e, ao chegar ao Brasil, deslumbrou-se com a diversidade de culturas, credos, culinária, vegetação, cores e aromas, dedicando-se com afinco a tudo absorver, entender e retratar. Cerâmica, telas, arte indígena, tecelagem, instalações, trabalhos de agulhas ...
Mas num determinado momento de sua trajetória, sentiu necessidade de falar sobre seu povo, o povo judeu. Aproximou-se dos menos privilegiados, aqueles que ao chegarem à idade de colher os louros de seus trabalhos na terra encontravam-se pobres, destituídos, abandonados e sem esperanças.
Foi conhecê-los de perto, ouvir suas histórias, ampará-los com abraços e sorrisos.
Enquanto ela os fotografava e pintava, recorreu à sua amiga de várias décadas, Itanira, para que redigisse seus textos biográficos.



Itanira e Ofra à direita, anos 80.

Assim, em 2013, após três anos de intenso trabalho, trocas e amizade, aconteceu a exposição “Bom Retiro, Relatos e Retratos” no Museu de Energia de São Paulo.


Ofra com Rabino David Weitman, nosso veículo de acesso aos beneficiários do Ten Yad, instituição caritativa por ele dirigida, que apoia os judeus necessitados de São Paulo.



Alfabetizada em hebraico em sua infância, Ofra sempre teve fascínio pelo alfabeto de sua terra natal. As letras, escritas da direita para a esquerda, e seus arabescos em movimento, já inspiravam a genuína artista na menina que observava o mundo, as cores e os elementos que a rodeavam.
Ao ser apresentada aos Nomes de D’us na Cabalá, Ofra encantou-se, envolveu-se e devotou-se a representá-los seguindo sua inspiração.


Ilustração de Ofra

Nome de D’us   # 5 -       CURA      -     MEM - HEY - SHIN

“Curar o corpo físico, a alma imaterial, conquistar a saúde de nossas relações e empreendimentos.
Sem ressentimentos, sem ódios, com a alma pura, atingimos um grande poder espiritual: o Poder da Cura.
Isto faz parte da batalha pela vida.
E ao intercedermos pelos doentes, redobramos nossa energia, chegamos mais perto da Luz e usufruímos deste Poder.”    Itanira

Mais uma vez sua amiga traduziu em palavras os pensamentos para orientar a meditação sobre os mesmos.



Rabino Weitman aprecia o trabalho dos 72 Nomes de D’us em exposição de Ofra Grinfeder na Galeria Art 57 em São Paulo.

Confira abaixo o link do trabalho realizado por Ofra e Itanira nos últimos 5 anos:

https://sites.google.com/view/kabbalah-cabala/home





“A Cabalá não é um ensinamento sagrado.
 É o ensinamento de um segredo.”



FONTES:

BIBLIOGRAFIA do trabalho da confecção do Site:
The 72 Names of God, Technology for the Soul, Yehuda Berg
First Edition /  May 2003

Segredos do Zohar, Histórias e Meditações para Despertar o Coração, Michael Berg
Primeira Edição /  Versão de Bolso
Agosto de 2014

Nano -  Tecnologia da Mente Sobre a Matéria , Kabbalista Rav Berg
Primeira Edição / 2011
Segunda Edição / 2015

O Caminho, Michael Berg
Imago Editora  /  2003

La Kabbale Vivante, Daniel Beresniak
Éditions Poche Véga / 2009

O Poder da Kabbalah – baseado nos estudos de Rav Berg
Best Seller International – Edição Pocket / 2015

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

EDITORIAL: Uma Nova Era? - Israel e os Estados Árabes



Quando começa ADAR, chega a alegria.


Ao imaginar um projeto, dependendo do tipo de atividade que exercemos, temos expectativas diferentes do final. Ser mãe - o grande projeto da vida de muitas de nós - tem começo, mas nunca sabemos o que realmente serão nossos filhos e filhas. Já ao apresentar um projeto científico, são levantadas hipóteses que podem ser ou não rejeitadas, e é o resultado que aponta as direções futuras da investigação. Enfim, estas são atividades onde o caminho, o processo, é mais importante que o resultado final. O que vale a pena é realizar!

Há outras atividades em que os projetos devem ser executados de forma a atingir o resultado proposto inicialmente. Arquitetos, engenheiros, cozinheiros e todos os que lidam com moda. Imaginam algo e há muitos que conseguem, como magos, executar o que propuseram. E hoje, para felicidade de muitas de nós, esta frase deve ser lida com total independência de gênero, e outros tipos de classificadores.

Hoje escrevo em uma semana em que constatamos que um desejo, um projeto, uma esperança parece ter tomado um novo rumo. Há anos a relação entre o Estado de Israel e os Países Árabes, um grande número de países que vão do Oceano Atlântico (África Ocidental) até a Ásia não muda de tom. Sai ano, entra ano, há algumas propostas que mais parecem piadas dos dirigentes do momento. Sai ano, entra ano, encontramos o velho antissemitismo clamar pela morte do Estado Judeu, assim como continua clamando pela morte do Povo Judeu. Mas, sai ano, entra ano a caminhada continua e muitos procuram criar formas de permitir o encontro de pessoas do povo para criar vínculos e, mais ainda, criar condições de promover o encontro entre dirigentes e representantes que possam abrir novos caminhos para o entendimento.

Esta semana o noticiário internacional trouxe dois fatos que não podem passar despercebidos neste ano de 2020, e há um terceiro processo que merece nossa atenção. Todos eles envolvem o Estado de Israel e Países Árabes.

























1 - Arábia Saudita - O Rei Salman recebeu no mês de fevereiro de 2020, em Riad, uma delegação que visa a convivência inter-religiosa. Entre os participantes estava o Rabino David Rosen, nascido na Inglaterra e há anos residente em Israel. Vale ressaltar que está em processo a concessão de vistos para israelenses e para sauditas poderem viajar diretamente entre os dois países.



2 - Emirados Árabes Unidos - Está sendo realizado um tradicional Circuito Ciclista - percorrer 148 km por sete Emirados Árabes. Pela primeira vez, um time israelense - todos com passaportes israelenses - chamado "THE STARTUP NATION" participa deste circuito. Não há restrição ou censura. 













O ciclista israelense Omer Goldstein resume o espírito do momento: "é um sonho que se torna realidade". Ao entrar no site, o time israelense é um entre os 20 times que participam da prova. Muitas etapas, muitos países e os amantes do ciclismo estão curtindo muito esta novidade. Neste caso, competir é um vitória.


3 - Em processo - "Start Up Nation", antes de ser o nome de uma equipe de ciclismo, é o espírito de uma nação. E no início de 2020, exatamente no dia primeiro de janeiro, a Cia. de Eletricidade da Jordânia recebeu o primeiro suprimento de gás natural de Israel. Esta já é uma realidade no Egito. Ainda estamos no processo, que começou há 10 anos. Há na Jordânia alguns parlamentares, como Yahya Saud, que são contra a normalização das relações com Israel. Mas a busca de energia e de água potável tem sido uma excelente fonte de boas relações.



Mas, Israel, fornecendo gás? De onde? Há dez anos foi descoberta uma enorme jazida de gás natural no Mar Mediterrâneo em frente à Costa de Haifa. Israel criou tecnologia para alcançar estas fontes e retirá-las do mar de forma segura. Atualmente já foram estabelecidas quatro plataformas: Leviatan, Tamar, Tanin e Dalit. Só a plataforma de Leviatan, nome que lembra a baleia que engoliu Jonas, tem a previsão de fornecer 60 bilhões de metros cúbicos de gás em 15 anos. Esta descoberta e a capacidade tecnológica coloca Israel entre os importantes fornecedores de energia do Oriente Médio. 
Dos campos da religião, esporte, tecnologia e economia, esta foi uma semana de muito bons momentos.
Estamos entrando em ADAR o mês judaico da alegria! O mês de superação.



Boa Semana!
Regina P. Markus

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Editorial - DIVERSIDADE: a base da LONGEVIDADE?




Nesta última década, o mundo vem acompanhando uma preocupação crescente das populações com a biodiversidade como uma forma de aumentar a sobrevivência dos seres humanos neste nosso planeta azul e ao mesmo tempo, um recrudescimento pela igualdade entre os homens.


Em muitos discursos políticos ou de religiosos encontramos frases que definem a igualdade dos diferentes. No caso de cor de pele ou raça, há pressões para definir igualdades daquilo que nossos olhos veem que é diferente. No caso de pessoas que se distinguem da normalidade, encontramos um discurso que enaltece que todos devem ser considerados iguais - que se não forem, devem receber alguma compensação para serem incluídos no grupo maior, e se forem muito acima da média, devem contribuir de alguma forma, reduzindo sua diferença e favorecendo os demais. Em resumo, a biodiversidade é desejada quando se trata de plantas e animais, mas a humanodiversidade nunca é premiada.


Não encontramos preocupação em querer manter as diferenças, o diferente é "estranho", "estrangeiro", "imperfeito", "incapaz"..... Manter as diferenças seria injusto! Mas, muitas vezes, a existência das diferenças é muito importante, porque as grandes tarefas só podem ser feitas se cada parte for realizada por especialistas competentes.


O mesmo deveria ser verdade para um Povo - e quanto mais diverso for este povo, maiores serão as chances de que tenha alta resiliência, alta capacidade de adaptação e, principalmente, alta capacidade de busca de novas soluções e de criação de fatos que permitam a sobrevivência.


Nós, brasileiros, somos um Povo muito jovem; mas temos esta capacidade de sempre saber criar novas oportunidades e de reinventar a cada geração, ou mesmo década, atividades econômicas que já permitiram vencer situações inacreditáveis e então chegar neste final da segunda década do século XXI com jovens que são campeões em Olimpíadas Internacionais e outros que emprestam seus nomes para asteróides, tal é o desempenho que tiveram em feiras internacionais de Ciências e Engenharia.


Nós, judeus, somos um Povo milenar. Vivemos espalhados pelos 5 continentes e adquirimos hábitos e costumes ao longo desta caminhada. Adquirimos também formas físicas muito diferentes. Ao longo da história da Europa, o judeus já foi definido como aquele sujeito narigudo, barrigudo e que tinha uma pele muito branca. Esta forma de identificação fica completamente perdida quando olhamos para os judeus africanos e os judeus asiáticos. Também é difícil comparar os filhos dos judeus romanos, que se orgulham de serem descendentes dos que foram expulsos de Jerusalém e muitos dos poloneses, que têm cabelos vermelhos e olhos claros.


Será a diversidade a base da longevidade? Hoje vou extrapolar! Sou cientista e a Teoria da Evolução é uma das mais contestadas e por isso mais testadas no mundo científico. Hipóteses de contestação atrás de hipóteses de contestação vão sendo rejeitadas, e a teoria da evolução segue seu rumo escorada na seleção natural. Há processos que exercem o mesmo papel dos seres mais simples aos mais complexos, tanto no reino animal quanto no reino vegetal, e há processos que alteram seua função ou mesmo são desativados - ou se transformam em base para doenças de alta relevância.


Será que conseguimos aqui também criar um paralelo entre a biodiversidade e a humanodiversidade? Uma linha mestra que, apesar de muitas diferenças superficiais, guarda alguns conceitos básicos que quando transmitidos de geração em geração, garantem a sobrevivência de um povo - isto é, um grupo de pessoas que apesar da distância geográfica e étnica, carregam semelhanças capazes de serem identificadas.


Nesta semana, o EshTá na Mídia publicou três posts (clique em cada um para ler) que ressaltam estes atributos. Os judeus da Etiópia começaram a chegar ao Estado de Israel no início dos anos 1970 e as autorizações de imigração continuam até hoje. Os imigrantes que vieram diretamente de aldeias do interior da Etiópia tinham pouco ou nenhum conhecimento da cultura ocidental. Choque de milênios! Mas eram judeus, sabiam ler e escrever e estudavam... estudavam os textos sagrados antigos. Estes textos incluíam a Tora, Profetas e Escritos - o que se convenciona no mundo cristão a chamar de Velho Testamento. O Talmud não faz parte destes estudos. Mas, como estudar era uma prática incorporada por milênios, a imigração repentina para o então século XX foi difícil mas não impossível. Hoje, vários filhos de imigrantes são cidadãos israelenses de destaque no campo da cultura, ciência, empreendedorismo, e nos comandos militares. O comando do Sul de Israel hoje é de um descendente etíope, assim como a representante israelense no Eurovision de 2020.


E o que falar do mundo asiático? Nesta semana também publicamos um artigo que mostra a celebração do Bat Mitzvah da neta do Rei Monivong, que reinou no Camboja até sua morte em 1941. A educação das mulheres é uma característica muitas vezes esquecida; mas ainda na Ásia temos um caso muito especial que já comentamos de forma rápida. A Coréia do Sul, país que tem o maior índice de inovação e de desenvolvimento científico no mundo, há anos adotou o sistema Talmúdico para o ensino.


No que este tipo de ensino se diferencia dos demais? Se quiserem, podemos nos aprofundar no tema - mas rapidamente, os temas são tão complexos e tão atuais que nunca devem ser estudados por uma única pessoa. Não há o que decorar, ou aprender! Os alunos são organizados em duplas, e devem revisar e debater a opinião dos vários rabinos sobre tópicos específicos. Depois, as classes são unidas e as discussões e diversidade de opiniões aumentam. O importante não é a opinião do Professor, ou de algum ser superior! O importante é os caminhos dos debates.


Imagina estudar ciências destas forma? E matemática?


Bem, por hoje ficamos com a HUMANODIVERSIDADE.


Boa semana!


Regina P. Markus

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

VOCÊ SABIA? - Gino Bartali


“ESTAS COISAS SE FAZEM, MAS NÃO SE CONTAM”

Por Itanira Heineber para o EshTá na Mídia




Gino Bartali (1914-2000), ciclista italiano vencedor do Giro d’Italia, Grã-Oficial da Ordem do Mérito da República Italiana, Cavaleiro Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana, Um Justo entre as Nações!



Gino Bartali (1914-2000), ciclista italiano vencedor do Giro d’Italia, Grã-Oficial da Ordem do Mérito da República Italiana, Cavaleiro Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana, Um Justo entre as Nações!



VOCÊ SABIA que o grande Bartali, três vezes vencedor do Giro d'Italia e duas do Tour de France, tem entre suas conquistas a proeza humanitária de salvar 800 judeus na iminência de serem deportados para as câmaras de gás dos nazistas?

Este herói da Resistência salvou centenas de judeus dos campos de Auschwitz através de uma rede secreta comandada pelo Cardeal Elia Della Costa, confessor e guia espiritual do destemido ciclista que desafiou os nazistas com sua bicicleta recheada de documentos falsos e dinheiro.

Segundo Bartali sua ação foi simplesmente uma questão de Humanidade, obedecendo um valioso ensinamento bíblico: ”Não serás omisso”.

Assistamos agora a um breve vídeo com a história deste feito magnífico, um exemplo de valores para inspirar a raça humana:







“Entre o outono de 1943 e a primavera de 1944, Bartali ajudou a evitar que centenas de judeus italianos fossem deportados e enviados para os campos de extermínio alemães.

A vitória no Tour de 1938 foi usada por Mussolini como forma de fazer propaganda ao regime. O ciclista tinha caído nas boas graças do líder italiano, e Elia Dalla Costa, um cardeal amigo da família de Bartali pensou que este prestígio poderia ser vantajoso para a missão em que tinha pensado.”



“O cardeal tinha criado uma rede clandestina formada por freiras, frades franciscanos e monges, com o objetivo de impedir que judeus fossem deportados pelas forças alemãs que se encontravam em território italiano. Faltava apenas alguém que servisse de correio e levasse os documentos falsos que permitissem aos judeus sair de Itália.”




A silenciosa missão consistia em pedalar até Assis onde um socialista devoto imprimia os documentos em uma máquina antiga e barulhenta. Durante o trabalho ruidoso da prensa as freiras Clarissas do Convento de San Quirico que mantinham em segredo dezenas de judeus em seus porões, escancaravam as janelas e em coro entoavam santas melodias para abafar o som de trovão da velha e ultrapassada impressora.



“Bartali foi o escolhido. Fez pelo menos 45 vezes os quase 200 quilómetros que separam Florença (onde vivia) de Assis. Levava os documentos e dinheiro escondidos na bicicleta pelas estradas secundárias e caminhos de ciprestes da região da Toscânia. A viagem de ida e volta era feita toda no mesmo dia e nem a própria família sabia aquilo que ele fazia. Bartali era católico mas não foi isso que o moveu, diz o filho, citado pelo El País:

Ele considerava que essas coisas se fazem mas não se contam. Vinha de uma família muito humilde. Estavam habituados a ajudar-se para seguir em frente e ele aprendeu a ser uma pessoa generosa. O que o moveu não foi a fé católica. Foi a humanidade”




Só dez anos após a morte do ciclista esta história veio à tona, graças aos esforços que dois jornalistas italianos empreenderam para que Bartali viesse a ser reconhecido como “Justo entre as Nações”, título conferido a todos que ajudaram judeus durante o Holocausto. Tiveram acesso a Giorgio Goldenberg, um judeu que permaneceu escondido durante dez meses, com os pais e com o avô, numa casa da propriedade de Gino Bartali.

Este passo foi decisivo para que o Estado de Israel reconhecesse as ações abnegadas do ciclista.


“Agora, no dia em que começa a 101.ª edição do Giro, Bartali volta a ser recordado.

As três primeiras etapas vão ser corridas em solo israelita e a primeira, um contra-relógio de 9,7 quilómetros em Jerusalém, vai ser dedicada ao italiano.

Na quarta-feira, aliás, foi-lhe atribuído o título de Cidadão Honorário de Israel. A neta Gioia recebeu o certificado durante a cerimónia realizada no Jardim dos Justos entre as Nações.”






FONTES:

https://observador.pt/2018/05/04/gino-bartali-o-ciclista-que-ajudou-a-salvar-judeus-durante-o-holocausto/

https://www.biografiasyvidas.com/biografia/b/bartali.htm

https://zahar.com.br/livro/o-leao-da-toscana

https://elpais.com/elpais/2018/04/06/eps/1523011819_924490.html

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

EDITORIAL: Ciência & Educação


BOLSAS para o “WEIZMANN INSTITUTE of SCIENCE”
Por Regina P. Markus
Comitê EshTá na Mídia




Ciência e educação são dois temas fascinantes que movem o mundo em todas as direções. Duas atividades que permitem ir além de projetos e previsões porque geram a oportunidade de criar um futuro ainda não imaginado no presente. Mesmo as mais arrojadas previsões de um futuro utópico estavam longe de imaginar todas as facilidades que teríamos à mão. Nossa capacidade de comunicar, entender a vida, produzir alimentos e energia estavam além da ficção científica do início do século XX. Os conhecimentos que embasam todas as ações positivas podem ser usados para o bem e para o mal; assim sendo, o conhecimento é neutro. 

Como chegar ao conhecimento e como ser possível utilizá-lo depende de um fator básico: a educação. Ela é necessária tanto para criar quanto para usufruir de novos conhecimentos. Todos os povos e civilizações têm formas de educar e transmitir conhecimentos e também formas que permitem que alguns possam estar além destas fronteiras. Cada uma destas formas particulares têm pontos positivos e negativos. Alguns grupos julgam-se donos da verdade, e crêem que todos os demais apenas teriam vantagens em seguir seus métodos. O objetivo destes é igualar a todos segundo seus princípios e conceitos. Outros têm consciência de que possuem muitos conhecimentos importantes, e que muito mais está a ser descoberto. Apesar de sua excelência, têm plena consciência que a colaboração entre os diversos é a melhor forma de acelerar a busca do desconhecido. Neste caso, o encontro de seres humanos em ambientes que estimulam o estudo, a convivência e a identificação das semelhanças e diferenças é a melhor forma de imaginar um futuro utópico.

Abrir os portões das Universidades e Institutos de Pesquisa para os alunos não regulares é uma prática muito importante para transmitir conhecimento e aumentar a convivência.
Neste sentido o Instituto Weizmann de Pesquisa de Israel, que está entre os dez Institutos de pesquisa mais produtivos do mundo, abre anualmente suas portas para jovens de 18 a 20 anos que almejam seguir a carreira científica. Há 52 edições os Amigos do Weizmann do Brasil enviam estudantes brasileiros para o Curso de Verão que acontece no mês de julho. Três semanas em laboratórios desenvolvendo projetos de pesquisa e uma semana vivendo no deserto do Neguev, dormindo à luz das estrelas.

  
Turma 2017 – o mundo se encontra para festejar, aprender e criar – Jardins do Instituto Weizmann de Ciências, Rehovot, Israel


Esta semana aproveitamos este espaço para divulgar que estão abertas as inscrições para que estudantes brasileiros entre 18 e 20 anos, que queiram ser cientistas com inserção internacional, apresentem suas candidaturas. O processo requer apenas um texto em inglês contando um pouco das aventuras científicas passadas e dos sonhos futuros. Todas as informações podem ser encontradas clicando aqui. 

Uma boa semana!

Regina Pekelmann Markus
Editora EshTá na Mídia
Vice-Presidente Amigos do Weizmann Brasil
Coordenadora do Processo Seletivo – Escola Verão - Weizmann

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

VOCÊ SABIA? - Kirk Douglas




Kirk Douglas, 103 anos de existência
Por Itanira Heineberg para o EshTá na Mídia



“Uma grande salva de palmas para ele: não pelo fato biológico de chegar a um século de vida, mas pela dignidade, a bravura e a honestidade com as quais viveu cada um desses dias.” - Juan Sanguino






Você sabia que o famoso ator “casanova” de Hollywood, Kirk Douglas, um menino paupérrimo, filho de judeus oriundos da Bielorrússia, que muito lutou e trabalhou para conquistar sucesso e dignidade em sua vida, afirma que a carência e dificuldades pelas quais passou representaram uma vantagem que o ajudou a alcançar a vitória?

Confirmemos suas palavras neste curto vídeo onde é entrevistado por Terenci em 2016.





O ator americano Kirk Douglas, nascido Issur Danielovitch Demsky em 1916, Amsterdam, estado de Nova York, foi uma lenda da era de ouro de Hollywood. Também produtor, diretor, escritor, filantropo e escritor, nos premiou com muitos livros e mais de 60 anos de cinema.
O menino que falava iídiche junto à família cresceu conhecido como “Izzy Demsky” mas trocou legalmente seu nome para Kirk Douglas ainda antes de integrar a Marinha durante a Segunda Grande Guerra.
Desde cedo trabalhou fazendo biscates, conforme ele mesmo revelou, afirmando que durante sua vida teve mais de 40 empregos.

“Ao ingressar na St. Lawrance University, Douglas participou da liga de boxe. Para tentar conseguir uma bolsa de estudos, entrou para um grupo de atuação. Cedo, os seus talentos não se tornaram despercebidos - recebeu a bolsa juntamente com uma atriz que viria a ser conhecida por Lauren Bacall. Serviu na Marinha dos Estados Unidos no início da Segunda Guerra Mundial, em 1941, até o seu fim, em 1945. Depois da guerra, voltou para Nova Iorque e começou a atuar na rádio e em comerciais de televisão enquanto tentava entrar para a Broadway.

Douglas recebeu a ajuda da atriz Lauren Bacall ao obter seu primeiro papel no filme The Strange Love of Martha Ivers (1946), estrelado por Barbara Stanwyck.”

Daí para frente participou de muitas películas e atingiu sucesso total, encantando a todos com seus gestos másculos e sua irresistível covinha no queixo.





O ator recebeu 3 indicações para o Oscar, mas nunca foi escolhido.
Finalmente em 1966 recebeu um Oscar Honorário em homenagem à sua carreira.

A seguir, parte de sua extensa filmografia:

1946 - The Strange Love of Martha Ivers
1947 - Out of the Past
1948 - The Walls of Jericho
1949 - Champion
1950 - Young Man with a Horn
1951 - Along the Great Divide
1952 - The Big Trees
1953 - The Story of Three Loves
1954 - 20000 Leagues Under the Sea
1955 - The Indian Fighter
1956 - Van Gogh: Darkness Into Light





“Enganou a morte diversas vezes: um acidente de helicóptero em 1991, no qual ficou levemente ferido, um derrame em 1996 e um ataque cardíaco em 2001.

Com o tempo recuperou a fé e, no dia em que completou 83 anos, repetiu a cerimônia de Benei Mitzvah, como aos 13 anos de idade.”

“Kirk Douglas perpetuou sua carreira no cinema:

Dois filhos atores, incluindo Michael, nascido de um primeiro casamento e agora pelo menos tão famoso quanto seu pai, dois outros produtores, uma nora atriz, Catherine Zeta-Jones, e um neto, Cameron, também ator.”

Michael Douglas assim se referiu ao pai recentemente falecido:

“Para o mundo, ele era uma lenda, um ator da era de ouro dos filmes que viveu bem até aos seus anos dourados, um humanitário cujo compromisso com a justiça e as causas nas quais acreditava estabeleceram um padrão para todos almejarmos alcançar”.  Mas para mim e para os meus irmãos Joel e Peter ele era simplesmente o Pai, para Catherine um maravilhoso sogro, e para os seus netos e bisneto o seu avô adorável, e para sua esposa Anne, um marido maravilhoso”.





FONTES: