No dia 17 de novembro começou o mês de Kislev: o mês das luzes, o mês em que comemoramos Chanucá, a festa das luzes. Uma festa que mostra o poder da defesa. Esta é a festa que lembra a vitória dos Macabeus sobre os gregos, 63 anos antes era comum. A conquista de Jerusalém que não aconteceu, a conquista do Templo de Jerusalém que não aconteceu, e a comemoração lembra uma luz interior que era mantida com óleo que ficou acesa por 8 dias, quando havia luz para apenas 1 dia. E o fato da energia, a priori insuficiente, continuar iluminando enquanto era gerada mais energia é o que é comemorado no Chanucá. Vamos voltar a este tema durante o mês, há muito o que aprender a partir das discussões talmúdicas geradas pela vitória de Yehuda, o Macabeu e sua família.
Hoje vamos aproveitar os acontecimentos incríveis destas duas últimas semanas para traçar um paralelo sobre perspectivas de futuro em tempo de lutas armadas e em tempo de pandemia. A desorganização é grande e o mundo dos detalhes, do aqui e agora pode ser visto como algo que nunca deveria ter ocorrido. Algo totalmente imprevisível. Certamente para a grande maioria isto é verdade e para um pequeno grupo de cientistas, o poder do “mundo dos pequenos” (microorganismos) nunca deve ser menosprezado, nem para o mal e nem para o bem!
Hoje vamos extrapolar a pandemia e olhar a energia que poderá alimentar o nosso futuro, uma energia ainda desconhecida e que está sendo apresentada pela imprensa e pelas mídias sociais. No dia 19 de novembro de 2020 o Estado de São Paulo (A3 Notas & Informações), na página de responsabilidade do Editor de Opinião, Antonio Carlos Pereira, analisa o acordo firmado entre países da Ásia e Oceania sob o nome de Parceria Regional Econômica Abrangente (Rcep, em inglês). Este acordo envolve 1/3 da população mundial e países com alta capacidade de inovação tecnológica e geração de conhecimentos. Por outro lado, no dia de ontem Israel recebeu o Ministro do Exterior de Bahrein – Abdullatif bin Rashid Al-Zayani. Esta visita tem por objetivo concretizar acordos de cooperação e viabilizar vários intercâmbios. Entre estes, não foi esquecido o fomento de turismo, que permitiria um real encontro entre pessoas. Nestes tempos de evolução das políticas dos Estados Unidos e da Europa, a possibilidade de interações bilaterais sempre amplia o encontro de pontos de contatos positivos.
Entrando no mês das luzes, que sempre é temperado com sombras para não cegar os que a olham diretamente, podemos ver que esperanças começam a mostrar novos horizontes. E estes só serão encontrados se conseguirmos nos despir de objetivos que se provaram ser baseados em premissas erradas. As bonitas palavras, como paz e amizade, perdem consistência quando os fatos pregressos são distorcidos, e ganham nova dimensão quando buscam-se novos caminhos para encontra-las em um futuro próximo.
Com muita esperança – desejo uma boa semana a todos!
Você sabia
que o primeiro cidadão judeu na América do Norte foi também o primeiro açougueiro
kosher nos Estados Unidos?
Em seu
livro “The Diary of Asser Levy”, Daniela Weil, grande protetora e admiradora dos
refugiados no mundo, relata a odisseia dos judeus fugitivos de Pernambuco
quando da expulsão dos holandeses do Brasil em 1654.
Durante 24
anos os judeus encontraram um porto seguro na “Colonial Jerusalem”, capital da
colônia holandesa no Brasil. No entanto, ao reconquistarem o território os
portugueses trouxeram de volta a abominável Inquisição, da qual todos os judeus
europeus tentavam se proteger. Quinze caravelas chegaram a salvo em Amsterdã,
mas nosso herói e seus amigos refugiados viveram aventuras incríveis e
inesperadas em sua caravela, felizmente com sucesso ao final de tantas agruras,
carências e apreensões.
Viajemos
com Daniela “por mares nunca dantes navegados”, conhecendo a vida deste intrépido
jovem que foi o primeiro a preparar a carne kosher em terras da América do
Norte.
Após uma
pesquisa detalhada baseada em documentos da época, mapas e fotos, Daniela
relata os acontecimentos no diário de nosso real personagem.
Em entrevista
com Dany ela fala de seu trabalho, de sua compaixão pelos refugiados,
verdadeiros heróis de nosso mundo, de sua inspiração para este livro e sua
necessidade de trazer à luz fatos históricos relevantes esquecidos nas névoas
do passado.
Como
a trajetória de tua família, Europa, Israel, América do Sul, Estados Unidos,
influenciou teu interesse pela história?
Todos
os Judeus têm uma história de diáspora. Minha família, como muitos judeus no
Brasil, sobreviveu ao holocausto. Mas a história dos judeus que sobreviveram à
Inquisição e permaceram judeus é particularmente interessante para mim. Quando
comecei a pesquisar essa história que ouvi quando ainda morava no Brasil, não
tinha ideia de como o Caribe e as Américas eram os lugares perfeitos para os
judeus se "esconderem" durante a Inquisição. Havia milhares de Judeus
no Novo Mundo. É incrível para mim que em Recife houvesse total liberdade
religiosa durante o domínio Holandês, e não uma, mas 2 sinagogas naquela
pequena cidade! E era completamente rodeada pela Inquisição Portuguesa por
todos os lados. Quando o Kahal Zur Israel foi construído em Recife, ainda não
havia uma sinagoga construída nem em Amsterdam! Ao estudar a odisseia dos
judeus de Recife para chegar a Nova York, não pude deixar de pensar em como
Nova York um dia seria o ponto de entrada de tantos outros Judeus. E da minha
própria jornada do Brasil para a América como imigrante, e como foi diferente
da jornada deles. Os 23 Judeus de Recife abriram as portas para muitos que
vieram depois.
Daniela
e família em frente à Sinagoga Kahal Zur, Recife, Pernambuco
Como
foi nascer no Brasil, morar e estudar nos EUA, convivendo com grupos humanos
diferentes e diversidades de religião, língua, culturas e níveis de educação?
Nasci
em São Paulo, mas morei nos Estados Unidos por 2 anos quando meu pai foi
transferido por trabalho. Eu tinha 8 anos. Morar no exterior muda as pessoas.
As visões do mundo expandem automaticamente, você entende o mundo melhor.
Quando estudei na Escola Graduada em São Paulo, era uma escola muito
internacional. Eu tinha amigos da Suécia, Dinamarca, Holanda, América, Japão,
Alemanha e Suíça. Eu me tornei muito mais internacional por causa dessa
experiência. Quando fui morar em Houston, fiquei surpresa com o quão
internacional aquela cidade era. Há pessoas lá de todo o mundo, onde quer que
você vá, há diferentes línguas sendo faladas, pessoas praticando diferentes
religiões, muitas culturas... Minha filha estuda em uma escola pública, então
há pessoas pobres e ricas, culturas diferentes, necessidades diferentes. Estar
exposto a isso e ter um melhor entendimento de toda a diversidade do mundo é a
educação mais importante que existe na minha opinião. Quando minha filha tinha
9 anos, fomos morar na Bahia por um semestre pelo mesmo motivo. Queria que ela
conhecesse uma cultura completamente diferente, diferente até de São Paulo.
Quais
são teus sentimentos em relação aos refugiados através da história?
Para
mim, os refugiados são as pessoas mais corajosas do mundo. Eles sacrificam tudo
por um futuro melhor para seus filhos. Todos os refugiados passam por jornadas
incrivelmente difíceis. Eles são sobreviventes, embora muitos não sobrevivam. E
quando conseguem chegar ao seu destino, ainda é incrivelmente difícil começar
do zero. Sem dinheiro. Nenhuma ajuda. Não falando a língua. Antagonismo de seu
novo país. Leis e culturas anti-imigrantes. Imigrantes, em muitos casos
refugiados, construíram este país e o Brasil também. Deveríamos sempre
tratá-los bem e com muito respeito.
Conta
um pouco sobre tua evolução profissional da Ciência à Arte e à Literatura?
Sempre
adorei a ciência, a natureza e a arte. Eu costumava desenhar plantas e insetos
e o que via na natureza quando era pequena. Também escrevia histórias em meus
livros de desenho. Eventualmente, me tornei bióloga. Eu estudava baleias. Mas
acabei sendo contratada para fazer ilustrações para livros de ciências e guias
de identificação de baleias. Também escrevi um livro e ilustrei um infantil
chamado A Minhoca Dorminhoca (Paulinas) sobre os benefícios das minhocas para a
terra. Estagiei numa firma de animação 3D em São Paulo e encontrei uma empresa
em Houston que fazia animação 3D e ilustração para ciência e medicina- uma
combinação perfeita para mim! Fiquei 7 anos naquela empresa, consegui meu green
card e depois minha autonomia no trabalho. Fazia design gráfico em casa. Depois
de adotar minha filha da Etiópia, voltei à minha paixão original por livros
infantis e ilustração. Amo escrever sobre ciência e história.
Qual
é teu trabalho na Pelican? Teus hobbies, tua família? Projetos?
Pelican
é minha editora. Eles me permitiram a minha visão para o livro, que é uma
mistura de não-ficção e ficção, bastante rara nos livros. Então fiz o layout do
livro e a capa também.
Adoro
nadar, fazer caminhadas e atividades ao ar livre, meditar e aquarelas.
Meu
próximo projeto é escrever sobre a experiência de minha filha como uma criança
negra em uma escola judaica. Atualmente minha paixão é trabalhar com pessoas
brancas em antirracismo. Criei um projeto educacional na minha sinagoga e
gostaria de expandir para outras sinagogas e organizações.
Daniela
Weil nasceu no Brasil, de refugiados da Europa escapando do Holocausto, estudou
na Escola Graduada de São Paulo, e desde muito jovem demonstrou grande paixão
pela natureza, arte e literatura.
Daniela,
de óculos, e seus colegas na Escola Graduada de São Paulo
Frequentou
a Universidade de Brandeis, em Boston, de onde saiu com certificado de BA em
Biologia.
Tornou-se
pesquisadora no campo da Biologia, especializando-se em baleias e golfinhos
também ilustrando seus próprios trabalhos.
Após
produzir vários artigos em ciência e história, Daniela iniciou a criação de
seus primeiros livros especializando-se em material literário para jovens
alunos adolescentes.
Daniela
vive em Austin, Texas, com seu esposo Erik e sua filha Lucy.
FONTES:
ENTREVISTA
VIA E-MAIL COM A AUTORA DANIELA WEIL
The Diary of Asser Levy, First Jewish Citizen of New York
– A novel based on real events by DANIELA WEIL
12 de novembro de 2020 - Semana de Contrastes, Conflitos e Reflexões
Esta foi uma semana de muitos contrastes. Foi a semana em que Lord Jonathan Sacks Z'L transferiu o seu enorme legado para a humanidade. E este legado requer continuidade e muita ação. Todos os que trabalharam diretamente com Rabbi Sacks Z'L e todos que com ele conviveram rendem suas homenagens e mostram que este legado não será estático: será ampliado e aperfeiçoado ao longo de muitos futuros, pois seus objetivos eram claros e os caminhos eram múltiplos, permitindo acomodação dos diferentes. A continuidade do Povo Judeu, em um período em que os dispersos pelo globo têm um certo grau de segurança e a continuidade do Estado de Israel, que é a realização de um sonho de quase 2000 anos, eram seus objetivos. Falava com todos e com cada um, presencialmente ou por suas muitas atividades na BITNET - e depois na INTERNET, via diferentes mídias sociais.
Esta também foi uma semana em que continuaram repercutindo as eleições americanas enquanto aproximavam-se as eleições brasileiras. Neste contexto, todos percebem a polarização que inclui demonização e alinhamento total. Elogios têm que ser evitados quando se conversa sobre o lado oposto, e a tônica é mostrar porque A versus B. Nos últimos anos, acompanhamos esta postura na maioria dos países e este plano de ação chega a ser transferido de forma irresponsável para o enfrentamento do atual combate ao vírus que recebe o nome pomposo de corona - e que vem ceifando vidas por todo o planeta. Há muitos anos a comunidade científica internacional tem conseguido conversar no mundo do conhecimento básico, e tem encontrado dilemas no mundo do desenvolvimento prático - e desta vez não é diferente. Mas, mesmo assim, aos trancos e barrancos, vemos que a razão consegue caminhar. Por quê? Porque durante anos a sociedade científica brasileira criou legislações e entidades de controle não totalmente acopladas a dirigentes de curta permanência. Assim, vimos conflitos de interesses espúrios terem que ser deixados de lado. Teremos várias vacinas que permitirão uma cobertura mais eficiente.
Você que leu até aqui deve estar se perguntando o porquê do título "Povo Judeu @ AM ISRAEL" - Povo Judeu como um componente de AM ISRAEL. Traduzindo: AM (Povo) ISRAEL (o segundo nome do patriarca Jacob). O primeiro nome é usado por todos os idiomas e o segundo é usado em hebraico. Este também é o fruto de um conflito que se mantém por milênios. Ao longo de todos estes anos, a legitimidade do Povo Judeu vem sendo contestada, e hoje não é diferente. Ao longo de milênios a unicidade de Am Israel vem sendo reafirmada apesar das grandes ondas de difamação e demonização que ocorreram ao longo da história. Se de um lado o povo judeu refere-se aos descendentes de um dos filhos de Jacob, Yehudá (Judá), por outro lado Am Israel refere-se aos descendentes de todos os filhos que formaram as tribos (10 em nome dos filhos e 2 em nome dos filhos de José). Se por um lado, o povo judeu foi sendo referenciado por características físicas e de personalidade, por outro AM ISRAEL é composto por pessoas de muitas etnias e que por milênios mantiveram uma cultura baseada na corrente entre as gerações. A base de longevidade que pode ser comprovada não apenas pela arqueologia, mas por costumes semelhantes de americanos, europeus ou etíopes é contraste, conflito e reflexões. O fato de ser diferente e de ter opiniões diferentes gera um debate intenso que vai sendo registrado de diferentes formas. Os mais antigos foram registrados como o Talmude - tratados que debatem a lei rabínica, Mishná sobre diferentes pontos de vista. Este aprendizado contínuo baseado no contraste de idéias e de padrões de ação é amplamente conhecido, e o Príncipe Charles da Inglaterra, ao saudar o Rabino Jonathan Sacks Z'L quando este assumiu a posição de Rabino Chefe do Reino Unido, jocosamente se referiu à sua capacidade de lidar com opiniões convergentes e divergentes porque: quando 10 judeus se encontram é comum ter que avaliar 11 opiniões.
É neste mundo da diversidade que esta semana o Fórum Econômico Mundial anunciou os países que mais mais investem em ciência e tecnologia. Israel foi apontado como o número 1! E deve-se ressaltar que além da geração de riqueza, também existe um importante investimento na área social, na inclusão pessoal ou das populações vivendo em condições limítrofes.
Fechando a semana com uma notícia que mostra que o futuro mostra importantes luzes de PAZ, esta noite os controladores de Vôo da Arábia Saudita permitiram que um avião israelense de carreira que estava transportando passageiros desviasse de sua rota sobre o Mar Vermelho. A tormenta que acontecia naquela área não poderia ser enfrentada, e a rota sobre MECA estava limpa. Salvando vidas, encurtando tempo e mostrando boa vontade. É desta forma que Israel e Ismael estão cruzando os céus do século XXI.
Assim como
seus ancestrais, os judeus DE HOJE encontram o caminho para
Myanmar.
Por Itanira Heineberg
Sinagoga
Mesmuah Yeshuah em Yangon, Myanmar, decorada para o casamento de Sammy Samuel.
VOCÊ SABIA que, aos poucos, os judeus retornam a Myanmar, trazendo grande alegria ao patriarca da comunidade, Moses Samuel, e a seu filho
Sammy, que criou recentemente uma agência de viagens chamada Myanmar Shalom?
Há tempos
houve uma comunidade judaica no território de Burma, Birmânia ou Myanmar, com a
chegada do primeiro colono em 1752-60, na área do Rei Alaungpaya.
“O
primeiro colono judeu na Birmânia pode ter sido Solomon Gabirol, um Bene Israel
de língua marata da região de Bombaim, no oeste da Índia. Gabirol serviu como
comissário no exército birmanês do rei Alaungpaya, que governou de 1752 a 1760
e fundou a dinastia Konbaung.
Azariah
Samuel, de Bushir na Mesopotâmia, pode ter sido o primeiro colono judeu
Baghdadi na Birmânia. Em 1841 ele chegou ao porto de Akyab.”
O reino
caiu nas mãos dos britânicos que fizeram então da Birmânia uma parte da Índia
até 1853. Em 1937, aquela
região virou uma colônia inglesa - até 1947, quando recebeu sua independência.
Em 1989, o
país mudou seu nome para “República da União de Myanmar.
Hoje, na
rua Mahabandoola, uma das principais da cidade, encontra-se a bela e antiga
sinagoga sefardita do país, Mesmuah Yeshuah, onde nenhum serviço religioso foi
oficiado nos últimos 50 anos.
Mesmo
assim, todas as manhãs o patriarca da comunidade, Moses Samuel, 63 anos, abre
as portas do templo e aguarda qualquer passante, de qualquer religião, que
queira nela entrar.
Recentemente
Moses foi atacado por um câncer de garganta, levando seu filho Sammy, 32 anos,
o mais jovem dos judeus da Birmânia, a substitui-lo, tornando-se o rapaz a voz
de seu povo.
A história
conturbada do pequeno país, de 2.500 judeus nas épocas prósperas, levou à
migração dos mesmos para diferentes e mais seguros lugares.
Durante a
Segunda Guerra o Japão invadiu o país e os judeus passaram a ser considerados
espiões britânicos, ocasionando a fuga da maioria deles.
Muitos voltaram
após a guerra e, em 1948, com a independência, a Birmânia tornou-se amiga de
outro novo país, o Estado de Israel.
Em 1962 os
militares derrubaram o governo birmanês e nacionalizaram as empresas. Quase
todos os judeus abandonaram o país mas a família Samuel resistiu e ficou.
Samuel diz que nunca pensou em deixar o país. Ele e seus familiares amam a
terra de origem e acreditam que é importante ficar para sempre poder receber os
turistas judeus na Birmânia. Eles acrescentam que não queriam que “os
visitantes judeus ficassem sozinhos”.
“Em
2002, Sammy conseguiu uma bolsa integral para cursar a faculdade nos Estados
Unidos. Ele se mudou permanentemente para Nova York, mas todo verão viaja de volta para Yangon, a capital.
FEIRA EM YANGON
Numa
sexta-feira à noite no verão, Moisés foi sozinho à sinagoga. Sammy não estava
se sentindo bem, mas 45 minutos depois Sammy recebeu um telefonema de seu pai
implorando para que ele viesse. “Ele parecia ter ganho na loteria”, diz Sammy.
Antes
mesmo de chegar lá naquela noite, ele ouviu a cantoria. Cerca de 40 turistas
americanos compareceram aos cultos de sexta à noite.
“Meu
pai ficou tão feliz que abriu todos os vinhos kosher que tinha”, diz Sammy.
Em
2011, a Birmânia se tornou nominalmente democrática e os turistas começaram a
chegar, relativamente falando. E Myanmar Shalom, que faz viagens em grupo e
pessoais para judeus e não judeus, passou de dois funcionários para vinte.”
“O
Instituto do Conselho Empresarial EUA-ASEAN (USABCI) acabou de restaurar partes
da sinagoga, e Frances Zwenig, chefe do projeto, diz que sempre há turistas na
sinagoga quando ela a visita.
E agora
que Myanmar Shalom pode cobrir os custos, a USABCI devolveu a manutenção da
sinagoga à família Samuels.
Myanmar
Shalom não está apenas facilitando o caminho para os turistas; Sammy também
administra uma empresa de consultoria para empresas da Fortune 100 que tentam
explorar os mercados intocados de Myanmar. Esses negócios muitas vezes trazem
judeus para Yangon em busca de oportunidades de trabalho - assim como seus
ancestrais faziam.
À
medida que mais judeus seguem para Yangon, uma coisa é certa: a família Samuels
estará na sinagoga, esperando para recebê-los de braços abertos.”
Sinagoga
preservada com mais de 100 anos de história.
Foi Rabino-Chefe das Comunidades Ortodoxas Reino Unido (1991-2013) e membro da Câmara dos Lordes. Filósofo e Rabino, foi um autor e um mestre que há décadas fez da INTERNET uma de suas salas de aula e locais de conferência. Um mestre generoso que ensinou aos que estavam perto e aos que estavam longe. Tendo conhecimento e profundidade em conhecimentos judaicos, greco-romanos e da era moderna, era capaz navegar entre mundos e linhas de pensamento.
Estudar e iluminar com conhecimento foi a sua tônica, e esta permanecerá vibrando em harmonia com diferentes formas de pensamento, pois era a capacidade de enxergar que a diversidade é feita pelos diferentes e não por um igualar via um denominador comum que fez com que seus ensinamentos fossem apreciados e pudessem ecoar a união dos diferentes.
Este contexto foi sentido no mundo das várias correntes do judaísmo, das diferentes religiões, de diferentes linhas políticas e também nos mundos da filosofia e da ciência.
Zirchonó le Brachá – Baruch Dayan Haemet (BDH).
"Chokhmah is the truth we discover; Torah is the truth we inherit. Chokhmah is the universal language of humankind; Torah is the specific heritage of Israel. Chokhmah is what we attain by being in the image of God; Torah is what guides Jews as the people of God. Chokhmah is acquired by seeing and reasoning; Torah is received by listening and responding. Chokhmah tells us what is; Torah tells us what ought to be."[41]
Jonathan Sacks, Future Tense (London: Hodder and Stoughton, 2009), p.221
"I am a Jew", por Rabbi Sacks.
"Intellectual giant": leia o obituário da Jewish Telegraphic Agency clicando aqui.
4 de novembro de 2020, uma quarta-feira que poderia ser igual a tantas outras. Um dia da semana em que costumo escrever para o Eshtá na Mídia, uma corruptela de Esh Tamid – que pode ser simplesmente traduzido por Luz Eterna, mas que requer um tempo longo e muitos toques (ou será muita tinta?) para debater os conceitos de luz e de eterno. Mas, neste ano tão atípico, em que vemos a humanidade se defrontar com a força do muito pequeno, estamos nos deparando com fatos inéditos e já esperados para alguns, mas completamente inesperados para outros.
Neste mês presenciamos uma série de atentados terroristas na Europa. Paris, Nice e Viena sofreram atentados sem sentido. Se a imprensa e alguns políticos têm dificuldade de dizer que são ataques terroristas, ou que estão sendo praticados sob a égide de grupos terroristas islâmicos, os alvos tornam clara a intenção de amedrontar a Europa. Por outro lado, todos os dias chegam notícias de mais e mais ações consolidando os tratados de coexistência e cooperação entre países mulçumanos da África e Ásia com Israel.
Neste lado positivo, vemos ser formado um caminho que poderá gerar uma história positiva. Uma paz baseada na convivência entre os diferentes. Países árabes instituindo restaurantes kasher, e o hallal já é bastante conhecido em Israel. Também chama atenção a dispensa de vistos e a liberação de espaços aéreos.
E o mundo continua dando as suas voltas. Hoje, dia 4 de novembro, foram iniciadas as falas da promotoria no julgamento de Carlos Telleldín, acusado de ter participado do atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita Argentia), entregando o caminhão usado como carro-bomba. Para quem não lembra, afinal já se passaram 26 anos, conto um pouco no próximo parágrafo. Em razão da pandemia gerada pelo SarsCov-2, o julgamento está sendo feito ON LINE e transmitido pelo youtube. Iniciou às 10 horas da manhã, e chegou a registrar 150.000 pessoas assistindo. Ainda está disponível (clique aqui).
4/11/2020 - em julgamento - 26 anos depois
Buenos Aires – Argentina – America Latina: foi lá que no dia 18 de julho de 1994 um carro-bomba explodiu em frente a AMIA, um centro da vida judaica portenha, um local que tinha uma escola para crianças. 85 vidas e centenas de feridos em nome da luta armada pelo islamismo. A impunidade já dura 26 anos, relações políticas com governos que usam de táticas terroristas para intimidar o mundo e que encontram eco em pessoas que têm dificuldade de entender a coexistência. Coexistência é mais do que paz. Coexistência é o que muçulmanos e judeus, árabes e israelenses, estão começando a fazer no ano de 2020. Seria espetacular que coroássemos este ano com a coexistência baseada no diálogo e na cooperação. Baseada na divergências e diferenças, pois são estas que garantem a liberdade de expressão.
4 de novembro de 2020: 25 anos da morte de Itzhak Rabin – na época primeiro-ministro de Israel que havia assinado o tratado de paz com Iasser Arafat, patrocinado por Bill Clinton. Morto por um judeu, dia em que cenas bíblicas foram revividas e que a paz parecia mais longe do que nunca. Hoje, todos estes eventos foram lembrados com intensidade em um Estado de Israel que tem dificuldades em criar diálogos entre os diferentes – e que precisa rever Shamai e Hillel. Entre os que estudam as razões e as verdades absolutas, e, portanto não têm como escutar o próximo, e aqueles que para estudar em profundidade, creem ser importante registrar também pensamento discordantes.
Neste dia quero ir um pouco além. Hoje li um texto que o Rabino Jonathan Sacks disponibilizou há 5 anos que ele havia escrito ao voltar do enterro de Itzhak Rabin e que mostra de forma factual os percalços da “paz” sem coexistência. Escreve Rabbi Sacks: “Em setembro deste ano (1995) escrevi um artigo na imprensa dando a ele (Itzhak Rabin) meu apoio pessoal. Ao mesmo tempo, escrevi uma carta pessoal a Rabin sobre a minha mais profunda preocupação sobre a oposição aos planos, tanto por parte de sionistas religiosos, quanto de palestinos. Eu não recebi resposta.”
Continua Rabi Sacks contando que ao voltar de Israel, logo após o funeral, foi conversar com o embaixador israelense que havia ficado em Londres. E este entregou-lhe uma carta que havia chegado no último malote. Era a resposta de Rabin (a tradução completa está no final do texto). E, nesta resposta, Rabin deixa claro que aquele momento solene poderia se transformar em nada, caso o terrorismo continuasse.
Passaram-se 25 anos de muita dificuldade, quando o terrorismo tentou impor sua forma de ser em todos os cantos deste planeta, desde a demonização do Estado de Israel, até a perda completa da qualidade de vida em muitos países árabes e islâmicos, ataques sem sentido na Europa e América – e coloco aqui o continente americano de norte a sul, sem esquecer dos atentados que ocorreram na Ásia. Esta face está exposta. Não há mais tempo para discursos que dificultem a coexistência. Chega de melhor ou pior, vamos uma vez mais lembrar que na base do Monte Sinai, quando sem nenhuma luz nem pompa Moisés entregou as Tábuas da Lei, que ele havia gravado com as próprias mãos, o fez para todo o povo, homem, mulheres e crianças, e como retorno recebeu a promessa que a herança da educação seria passada de geração em geração.
Que 4 de novembro de 2020 seja um dia a mais quando, no futuro, nossos bisnetos e bisnetas contarão como foi dada a largada para a Era da Coexistência – a era em que a humanodiversidade passou a ser uma das mais respeitadas conquistas da humanidade.
A
pobreza leva à insegurança alimentar... ou a insegurança alimentar leva à
pobreza?
Como
eliminar a escassez de alimentos no mundo?
Por Itanira Heineberg
Moshav
Shdema - planície costeira de Israel
Você
sabia que a empresa israelense Start-up Nation pode ajudar a fornecer uma
solução para aplacar a fome de cerca de atuais 736 milhões de pessoas no mundo?
As
comunidades agrícolas autossustentáveis de Israel podem ajudar a acabar com o
ciclo de pobreza e insegurança alimentar funcionando como grupos de eficiência
levando aos necessitados a experiência e o trabalho da terra em comunidade.
Em
1990, um terço da população mundial vivia em “extrema pobreza”, isto é, sobreviviam
com insignificantes 1,90 dólares por dia ou menos. Em 2015, esse número decresceu
para 10% da população - a menor já registrada na história. De acordo com o
relatório de 2018 do Banco Mundial “Piecing Together the Poverty Puzzle”, o
progresso está se concretizando.
E
aí aparece a Start-up Nation que oferece a possibilidade de amainar ou solver o
problema.
“Afinal,
Israel quase aperfeiçoou um modelo que permite que os alimentos sejam
facilmente distribuídos e cultivados de forma sustentável.
Em
grande parte devido ao tamanho menor do país, a maioria dos moshavim (vilas)
tem apenas 7,5 acres de terra por família, além de estradas e espaços públicos.
Mas essa pequena área de terra tem um impacto significativo: as casas são
organizadas em uma estrutura de vila de 40 a 300 famílias, tornando mais fácil
e mais econômico fornecer educação e outros serviços sociais para essas
famílias. Moshavs são então organizados em clusters (agrupamentos), o que
permite a prestação de serviços entregues de maneira econômica, a uma maior
população.
Embora
esse modelo possa não atender a todas as necessidades agrícolas, a concentração
de agricultores em um formato de aldeia é a base para um sistema agrícola que é
autossustentável e apoia os centros urbanos circundantes. Permite compras
coletivas de insumos e venda de produtos. Este método fornece uma provisão
econômica de serviços sociais como educação e assistência médica, bem como
interação social. Também permite o desenvolvimento dentro da comunidade de
habilidades além da agricultura - e ao contrário do socialismo mais rígido do
kibutz - a acumulação de ativos pessoais que podem então ser passados para a próxima
geração também.
Esse
método certamente vale a pena ser considerado no Dia Mundial da Alimentação, em
16 de outubro, que também coincide com o aniversário da criação da Organização
das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), cujo objetivo é
eliminar a fome no mundo. Infelizmente, 75 anos após sua fundação, a escassez
de alimentos ainda é um problema global muito real.
As
pessoas que passam fome rotineiramente não estão recebendo nutrientes
suficientes e, portanto, não são capazes de trabalhar e se sustentar. Ao mesmo
tempo, aqueles que são pobres provavelmente não alcançarão a autossuficiência
alimentar por conta própria.
Até
o momento, a abordagem popular dos países mais ricos de transferir alguns de
seus excedentes agrícolas para os países em desenvolvimento mais pobres não é
suficiente. Embora a transferência dos excedentes os remova dos mercados
ocidentais, apoie os agricultores nesses países e permita que o Ocidente se
sinta bem em apoiar os pobres em outros lugares, esta solução apenas arranha a
superfície do problema - fornece a alguém um peixe, em vez da própria vara de
pescar.
É
aqui que entra em jogo a gestão do sistema agrícola e o modelo moshav de
distribuição de terras bem-sucedido de Israel. Ou seja, as terras agrícolas nos
países em desenvolvimento precisam ser distribuídas de uma forma que incentive
alguma aglomeração ou concentração de agricultores em uma comunidade que
permita a distribuição econômica de ativos sociais, como educação e assistência
médica, enquanto permite que agricultores individuais acumulem riquezas
pessoais que irão então contribuir para a sua segurança alimentar. Isso, por
sua vez, permitirá que forneçam às comunidades vizinhas alimentos produzidos a
um preço razoável em relação à sua renda. Isso geraria a renda necessária para
tirar essas áreas da pobreza.
Claro,
o modelo moshav praticado em Israel pode precisar ser modificado para ser
aplicado em outros lugares, mas é um modelo que vale a pena considerar em
conjunto com uma abordagem de cima para baixo que prevalece na maioria das
instituições internacionais que lidam com segurança alimentar. O modelo moshav
fornece aos participantes as habilidades e infraestrutura para serem
autossuficientes e autossustentáveis.
Moshav
Burgata na planície de Sharon, campo de trigo
Dito
isso, o modelo moshav ainda pode ser uma forma viável de fornecer aos pobres as
tão necessárias varas de pescar para gerar um estilo de vida autossustentável
que os tornará independentes e seguros em relação à alimentação.
Michael
Humphries leciona marketing e gerenciamento no Jerusalem College of Technology
e é vice-presidente do Departamento de Administração de Negócios do Touro
College Israel, onde leciona finanças.”
É
evidente que esta ideia de aglutinar as pessoas aos poucos e ensiná-las a
cultivarem sua própria alimentação enquanto cuidando de sua própria saúde é um
passo grande para solucionar o problema da fome.
Em
outros lugares do mundo estes pequenos grupos já estão acontecendo, visando
ainda atingir uma produção que não destrua o meio ambiente e proporcione o bem
estar e a saúde a seus membros.
Não
precisamos ir muito longe, aqui no estado do Paraná, uma pequena comunidade
nestes moldes está se formando e trabalhando com sucesso em prol de seus participantes
e vizinhos mais carentes.
COLETIVO DE
CONVIVÊNCIAS AGROECOLÓGICAS - CCA
Meu
neto e seus colegas do curso de Agroecologia da Federal de Matinhos, UFPR
Litoral, criaram uma pequena comunidade onde plantam com sabedoria respeitando
o meio ambiente, vivendo em harmonia e disciplina, valorizando equitativamente todos
os membros do grupo.
Em
entrevista por e-mail com estes dois jovens integrantes do grupo, obtivemos as
seguintes respostas às nossas perguntas:
“Somos
o Coletivo de Convivências Agroecológicas (CCA), um grupo auto coordenado que
desde 2017 atua no litoral do Paraná, promovendo a agroecologia através da
troca de saberes, plantio agroecológico rural e urbano, oficinas, ações
culturais, educação ambiental, soberania alimentar e nutricional, contribuindo
para o desenvolvimento local no âmbito social, ambiental e econômico.”
Diogo
Heineberg Cohenca e Luiza Corrêa Eloi carregando seus bebês junto ao corpo
durante o plantio da terra.
“Atualmente
convivemos 11 adultos e 5 crianças em uma comunidade Peri urbana na cidade de Matinhos-PARANÁ,
cocriando diariamente um novo mundo pelos princípios da sustentabilidade
ecológica e de uma vida em harmonia com a natureza.”
Manejando
a composteira termofílica, a maneira utilizada para transformar resíduos
orgânicos em adubo para as plantas.
Esta
vivência afetuosa e de cooperação entre os integrantes da comunidade cria uma
atmosfera de desempenho, energia e plenitude em termos de realização pessoal o
que os leva à inspiração e criatividade. Quando chove trabalham a madeira e
extravasam seus sentimentos sob forma de música e literatura.
Aqui
vai o poema:
“Eu
peço a meu Pai
Saúde
aos meus irmãos
Pra
toda comunidade
Vibrar
com amor
A
força nos dá a luz
Para
podermos brilhar
Somos
Filhos dessa luz
Sob
a divina proteção”
E
no link abaixo temos a interpretação musical do texto supra citado, nas vozes
de moradores do CCA:
Assistamos
agora ao vídeo onde aparecem mais componentes do grupo CCA no Paraná em meio às
suas atividades diárias: