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quinta-feira, 6 de junho de 2024

‘Mitzvá Legal’ - O Dever de Resgatar os Sequestrados

 

Por Angelina Mariz de Oliveira


O Dever de Resgatar os Sequestrados 

A Torá estabelece a mitzvá de resgatar os sequestrados – Pidyon Shvuim. Este comando é encontrado na leitura conjunta de quatro comandos: “Não seja indiferente quando o teu próximo está em perigo” (Vaicrá 19:16); “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Vaicrá 19:18); “Não endurecerá seu coração e não fechará a sua mão a seu irmão” (Devarim 15:7); e “Lhe abrirás a tua mão” (Devarim, 15:8). 

No Talmude está declarado: “O resgate dos cativos é uma grande mitzvá” (Bava Batra 8b). Em seguida, Rabbi Yohanan vai explicar que o cativeiro é uma situação pior do que a fome, a espada (a violência), e a morte. Isso porque o refém está submetido a todas essas condições e ameaças simultaneamente. Por isso a qualificação do resgate de sequestrados como ‘Mitzvá Rabá’. 

Nesse mesmo sentido, Maimônides afirma na sua obra Mishnê Torá que o resgate de cativos é mais importante do que sustentar os pobres, ou vesti los, porque o cativeiro inclui a fome, sede, falta de roupas e constante risco de vida. Parte de nossos Sábios chegam a afirmar que para obter recursos para libertar um refém, se a comunidade precisar, deve vender seu Sêfer Torá, ou mesmo sua sinagoga (Rabbi Shabtai HaKohen – Shaz e Rabbi David ben Shmuel HaLevi – Taz). 

O Tratado de Gittin do Talmude, porém, vai estabelecer na Mishná que “os cativos não podem ser resgatados por mais do que seu valor monetário real, para o melhoramento do mundo – tikun haolam” (Gittin 45a). O objetivo era não incentivar sequestradores a capturarem judeus, e evitar um grande encargo sobre as comunidades. Assim quando a Mishná proíbe o pagamento de um resgate por um preço abusivo para a libertação de um judeu, está promovendo a proteção da comunidade maior, dos outros judeus, procurando trazer segurança para o mundo. 

Essa restrição vai receber algumas exceções. Qualquer valor de resgate pode ser pago se o refém for um sábio, uma criança, a esposa, ou o próprio sequestrado estiver efetuando o pagamento com seus recursos. No moderno Estado de Israel vai ser instituída outra exceção à Mishná de Gittin: no caso de negociações para libertação de soldados sequestrados por organizações terroristas. 

Essas negociações são criticadas por alguns rabinos (por exemplo, R. Shlomo Goren; R. David Golinkin). O motivo é que a libertação de milhares de terroristas (no caso discutido em 1985 foram 1150 terroristas por 3 soldados) traria enorme perigo para todos os israelenses. Isso porque incentivaria novos raptos, e porque centenas de terroristas estariam livres para voltar a atacar Israel. 

Após os sequestros de 7 de outubro de 2023, de cidadãos e soldados, crianças e idosos, esse debate voltou a ser intenso. O ‘resgate’ pedido pelos terroristas sequestradores dessa vez não é apenas a libertação de milhares de terroristas presos em Israel, mas que Israel deixe de defender seu território a partir de Gaza, retirando suas tropas e liberando o Hamas para voltar a agir. 

Entre os não militares sequestrados estava um brasileiro: Michel Nisenbaum. O governo brasileiro não fez nenhum movimento oficial para tentar negociar a libertação de seu cidadão, ao contrário de outras situações do passado de sequestro por terroristas. 

Durante o período da Ditadura Militar, o governo federal lidou com vários casos de sequestros por atos terroristas. Entre 1969 e 1979 quatro diplomatas estrangeiros foram capturados por movimentos guerrilheiros: os embaixadores dos Estados Unidos, da Alemanha e da Suíça, e o cônsul geral do Japão. Em todos esses casos a libertação dos estrangeiros foi negociada com a libertação de prisioneiros políticos. 

Em 1971 o cônsul brasileiro Aloysio Gomide foi sequestrado no Uruguai pelo grupo guerrilheiro Tupamaros. O resgate pedido era no valor de 1 milhão de dólares. O governo brasileiro oficialmente não negociava o pagamento de resgates, sob a mesma lógica da Mishná de Gittin: evitar outros sequestros. 

No entanto, existem indícios de que o governo federal ajudou na entrega do resgate, ou mesmo complementou a quantia, sendo que outra parte foi arrecadada por uma campanha conduzida pela esposa do cônsul Aloysio, Maria Apparecida Gomide, com a ajuda de apresentadores de televisão no Brasil. O cônsul foi libertado em 1971, após o pagamento de 250.000 dólares e da suspensão do estado de sítio. 

Na Constituição Federal de 1988 o terrorismo é definido como crime inafiançável, que não pode ser beneficiado com qualquer tipo de anistia, indulto ou graça (art. 5º, XLIII). Para regular esse comando, e em decorrência de diversos tratados internacionais assinados pelo Brasil, às vésperas das Olimpíadas do Rio de Janeiro foi publicada a Lei nº 13.260/2016, a qual define em seu art. 2º: 


“O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública. 

§ 1º São atos de terrorismo: (...) V - atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa: 

Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência”. 


O sequestro de Michel Nisenbaum se adequa perfeitamente a esta previsão legal. Cabe à Polícia Federal a investigação criminal, e à Justiça Federal brasileira o processamento e julgamento (Lei 13.260/2016, art. 11; Constituição Federal, art. 109, V-A, §5º). Mesmo o crime tendo ocorrido no exterior, como Michel era brasileiro é possível a aplicação da lei brasileira a crime praticado por estrangeiro contra cidadão brasileiro fora do país (Código Penal, art. 7º). Uma das condições para isso, porém, é serem identificados os autores do sequestro, mandantes, cúmplices e colaboradores. Outra condição que dificulta a punição pela legislação brasileira é que estes devem estar em território nacional. 

Os mandantes para os ataques que culminaram com o sequestro e assassinato de Michel Nisenbaum são conhecidos, pois existem confissões expressas em diversos meios de comunicação. Caberia assim o seu indiciamento e persecução penal, havendo a possibilidade de o juiz determinar a apreensão de bens, direitos e valores desses mandantes (Lei 13.260/2016, art. 12), que venham a ser localizados em outros países, bem como requerer sua prisão pela Interpol e outras organizações que atuam em convênio com a polícia federal brasileira.

Infelizmente, apesar da ‘notitia criminis’ amplamente divulgada, do conhecimento por todas as autoridades brasileiras dos fatos criminosos de terrorismo, sequestro e assassinato do cidadão brasileiro pelos terroristas de Gaza, nada foi feito. Mesmo que sejam grandes as chances de nenhuma dessas medidas serem eficazes - de não ser possível a prisão, ou a apreensão de bens e valores dos mandantes dos ataques de 7 de outubro de 2023 - a aplicação da lei brasileira em defesa de outros cidadãos brasileiros e da família de Michel Nisenbaum seria emblemática.

Acontece: De deserto em deserto







Por Juliana Rehfeld

Esta semana aconteceram juntas duas celebrações em 5 de junho: Iom Ierushalaim - dia de Jerusalém (que é móvel com o calendário lunissolar judaico) - e o dia Internacional do Meio Ambiente. Coincidência. São esses encontros no tempo que nos instigam, pelo menos a mim, a explorar o significado e dar um novo sentido… e mais: este encontro acontece no 45o dia da contagem do Omer, 1o dia do mês de Sivan, na semana em que lemos, neste ano de 5784, a 1a parashá - Bamidbar- de um novo livro da Torá, o 4o, chamado Números… o que significa esta coincidência ? Ela significa mesmo alguma coisa? Sinaliza algo especial? E, mais importante, o que fazemos com isso, que sentido damos a isso?



 

Iom Ierushalaim celebra a conquista da parte oriental da cidade na Guerra dos 6 dias de 5 a 10 junho de 1967. Ou seja, a reunificação de Jerusalém. Esta guerra, que foi iniciada pelo grito dos países árabes e seguiu com um ataque relâmpago de Israel, é conhecida pela contagem de dias que durou - apenas seis - e pela quantidade de aviões destruídos no solo no próprio dia 5 de junho: 240 egípcios (de um total de 450), 45 sírios (dentre 142). Números. E é fundamental lembrar que também conquistamos nessa guerra o deserto de Sinai! E Gaza e a Cisjordânia. Foi um dos feitos militares mais comentados da história das guerras, considerado uma façanha impressionantemente bem sucedida, e pelas conquistas, uma nova fase, auspiciosa, um “turning point”, um ponto de inflexão (copiando o termo que Regina usou na semana passada) para Israel. O crescimento econômico e populacional e o desenvolvimento tecnológico surfaram em altas ondas a partir daí… mas sabemos que também aí foram iniciados grandes problemas com os quais nos debatemos até agora: a sequência de dificuldades para administrar os territórios conquistados e a progressiva construção da narrativa palestina que hoje nos “devora” na mídia e nas universidades. Em 1982, para fazermos a paz com o Egito, devolvemos o deserto do Sinai! E em 2004 nos retiramos de Gaza. E mesmo assim tudo continua difícil para nós… ontem houve muita cantoria e bandeiras no Muro, basicamente eleitores dos partidos de direita celebraram ruidosamente. Já para grande parte da população atual do país que é pacifista e após esses 8 meses pós 7 de outubro, a comemoração deste dia foi pesada. 


Já o dia Internacional do Meio Ambiente foi criado pela ONU em 5 de junho de 1972 durante a Conferência de Estocolmo que, por sinal, cunhou o termo “desenvolvimento sustentável" e foi registrado em um relatório intitulado “Our Common Future” - nosso futuro comum. Um evento que, sim, iniciou um ponto de virada no modo de viver da humanidade no planeta e que “explodiu” vinte anos depois na Eco-92, em junho de 1992 aqui no Brasil. Muita coisa mudou a partir daí: nosso vocabulário incorporou termos como preservar, reutilizar, reciclar, reduzir, emissão de carbono, gestão de resíduos sólidos, etc… mas o que realmente fará diferença na sobrevivência da humanidade neste planeta, que é o nosso comportamento, as nossas escolhas do que comprar, o que guardar e o que e como descartar, estes ainda precisam mudar muito! O que acontece se não fizermos a lição de casa em tempo de não aumentar a temperatura em mais de 2 graus Celsius? Muitos cantos desta Terra esgotarão sua capacidade de resistir e se tornarão desertos, onde nos desacostumamos a viver há muitos séculos. Este dia de 5 de junho de 2024, cujo tema é “restauração do solo, desertificação e resiliência à seca”, é um alerta, um despertador que toca todo ano lembrando-nos do quanto estamos atrasados neste cuidado com nossa “casa”.




Como escrevi acima estamos no 45o dia da anual contagem do Omer que se inicia em Pessach com a saída dos nossos antepassados do Egito, justamente para o deserto, e completa 49 - sete semanas, daqui 4 dias com a lembrança da entrega da Torá. Precisamos naquele tempo de todos esses dias para o nosso “rito de passagem”, para estarmos prontos para receber coletivamente as leis, os valores e a responsabilidade que nos foram atribuídos para, assim, nos tornarmos um povo e merecermos a terra Prometida. Há interpretações deste período como sendo aquela fase de estarmos mais próximos de Deus, ou na ventania silenciosa do deserto, mais próximos de nós mesmos, como comunidade, vivendo igualitariamente, sem a hierarquia (com exceção dos Levitas) e as brigas por poder que logo mais virão e nos levarão a guerras…

Lemos justamente nesta última das sete semanas do Omer a parashá Bamidbar - que significa, em hebraico, no deserto. E nela Deus ordena a Moisés que faça um censo para saber-se de quantos homens era composto esse novo povo. Sim, só interessavam homens aptos, acima de 20 anos, porque alegadamente seriam apenas eles os chamados para as guerras que se seguiriam. Esse argumento é muito discutido nos nossos dias de equidade de gêneros, mas na minha opinião faz todo o sentido para aquele momento. Israel independente em 1948 resolveu esta questão alistando mulheres junto aos homens, e a partir dos 18 anos de idade, já que precisou, e precisa até hoje, de todos em condições de combater nas tantas guerras de defesa que enfrentou desde o início. Neste início do mês de Sivan de 5784 estamos justamente em meio a uma guerra que se iniciou como defesa da barbárie, como solução para erradicar o mais vil dos inimigos, mas, longe de façanha militar de um exército poderoso… enfrenta uma dificílima guerra urbana e não parece ter chance de fato de nos defender . 

Então, estas lembranças, celebrações, releituras e os fatos que coincidem nesta semana têm algo em comum? Faz sentido olhar para todos juntos e tirar alguma lição, uma direção? 

As engrenagens do passar do tempo, a matemática que faz a contagem do tempo trazer toda a humanidade junta, fizeram o calendário lunossolar judaico juntar neste ano o dia de Jerusalém ao dia do Meio Ambiente. 2024 é ano bissexto, ganhou um dia mais. 5784 é um שנה מעוברת - “ano grávido” , e tem um desses a cada 3 que ganham um mês a mais - Adar 2. 

Nós, os ex-escravos fugidos do Egito, sem condições de trazer pão fermentado para comer, ganhamos um período de sete semanas no qual recebemos maná do céu, e convivemos conosco e nosso Deus, no qual nos fortalecemos para assumir as responsabilidades por conquistar uma terra nova, uma vida nova com leis e valores novos. 

Nós, humanos, judeus, israelenses, contemporâneos, ganhamos em 2024 - simultaneamente em 5784, um mês e um dia a mais, para sair melhor de um deserto inóspito, buscar a paz e harmonia equitativa em um país merecido e ao mesmo tempo, a oportunidade de perseguir um modo de vida mais sustentável para deixar aos nossos filhos e filhas uma possibilidade de não voltar a um deserto inóspito causado pelas mudanças climáticas e sem dúvida, por más escolhas.

Shabat Shalom

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: O nome

 

O Nome: Moisés




         Moisés era O Nome! É!

         Era no tempo das calças curtas, quando as lembranças ganham o manto amarelado da névoa de ouro. Eu mal tinha saído da casca do ovo... Acho que fraldas ainda me acompanhavam.

         Trapacinha era o nome da escolinha pré-primária. Tudo tão gostoso. Lembro bem da hora da merenda, com musiquinhas, filas e bisnaguinhas... O símbolo da escola era um mico fazendo traquinagens e segurando um diplomazinho. Será que ele usava chapeuzinho de doutor?

         Às vezes o esquecimento esconde tesouros da gente que acabam se perdendo nos ventos do tempo. Depois, topamos com ele de repente, do nada mesmo, e a gente percebe que aquele ouro imaginário não era nem tão reluzente... Devia ser só latão...

         O valioso é lembrado. Sempre.

         Mas... E o mico do Trapacinha? Usava quepe de formatura? Melhor preservar minhas memórias: esse chapéu era tipo um gato de Schrödinger – existia e não existia!

         É por isso que gosto das lembranças. Elas são os mosaicos da alma, e sempre que falta uma pedrinha, a gente completa na base do instinto, sem perceber, sem maldade... Na raça! No fim todos nós somos os poetas de passado.

         Escrevemos a Beleza a partir dos fragmentos lembrados... E essa poesia vira a nossa realidade! Tão genuína quanto individual.

         E quem abria as portas “praquele” mar de crianças entrar? Tio Moisés. Sempre usando um cabo de vassoura para destravar os ferrolhos de cima... E conhecia todos pelo nome! Como pode?

         Perguntava da nossa mãe, do nosso pai, da “avozada”, dos irmãos... Nome por nome, tintim por tintim. Naquele tempo, aula era só pintar o sete. Com molejo dá até pra ouvir as brincadeiras de criança... Como é bom! Como é bom!

         Tio Moisés ensinava a lavar as mãos, agradecer ao Papai do Céu, ficar de bem com os amiguinhos. E no meio de tanta zoeira saborosa, ia saindo a arte da vida. Criançada apronta! Vai ter energia assim na casa do chapéu! Mas a nossa arte ia sendo guiada por ele. Como viver? Acho que foi ele que ensinou...

         Sexta-feira. Ia ele com aquele cabo de vassoura, parecendo um cajado velho. O portão era o obstáculo que impedia nossa passagem. E ele levantava o cabo e destravava as trancas de cima.

         Ainda murmurava umas coisas que ninguém nunca ouviu... Acho que essas palavras se perderam...

         E, finalmente, abria as comportas. A criançada, “liberta”, corria para o colo das mães. Toda vez uns riam, uns cantavam e outros choravam! Parecia que tinha gente com medo do novo, do ar, do vento...

         E a gente ia saindo. Aos poucos. Mas antes da gente sair e cair na vida, ele sempre falava:

         “Pessoal, ninguém se esqueça de descansar amanhã!”

 

André Naves

Defensor Público Federal com mais de 15 anos de atuação Previdenciária. Membro do Fórum Interinstitucional Previdenciário do TRF3. Diretor Adjunto dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário. Membro do Fórum Paulista para a Acessibilidade e a Inclusão da Pessoa com Deficiência. Especialista em Direitos Humanos, Inclusão Social e Economia Política. Escritor. Professor. Comendador Cultural. Ganhador do Prêmio Best Seller, pelo livro "Caminho - a Beleza é Enxergar", da Editora UICLAP. Colunista do “Esh tá na Mídia”, além de diversas outras mídias de comunicação. Conselheiro do grupo Chaverim. Embaixador do Instituto FEFIG. Amigo da Turma do Jiló. Membro do comitê de inclusão do LIDE.

www.andrenaves.com

Instagram: @andrenaves.def


O Hamas NÃO é uma insurgência

 

O Hamas NÃO é uma insurgência

Por John Spencer - Cátedra de Estudos de Guerra Urbana

Pesquisa, tradução e adaptação: By@Krok


É o poder governante de Gaza que tinha controle total de uma área geográfica, de uma população, de todas as instituições e de um vasto exército (40.000 combatentes, 15-20 mil foguetes, 400 milhas de túneis militares até 200 pés abaixo do solo e uma enorme variedade de armas pequenas, morteiros, mísseis antitanque, armas antiaéreas, minas terrestres, dispositivos explosivos improvisados ​​e outros suprimentos de armas dispostos em uma postura defensiva preparada por 15 anos) com o objetivo declarado e escrito de destruir Israel e todos os judeus do mundo.

Israel NÃO está conduzindo uma campanha de contra-insurgência ou contraterrorismo. Israel está conduzindo uma guerra para remover um regime (que também é uma organização terrorista) do poder e desmantelar as suas forças armadas.

Dizer que Israel não pode “destruir o Hamas” através da força militar, que aumenta o “apoio” do Hamas ou “você não pode destruir uma ideia ou terrorismo como este” é uma falácia. O primeiro passo da guerra de Israel contra o Hamas é removê-los do poder e desmantelar a sua capacidade militar. 

Após o primeiro passo, muitos elementos da fase pós-conflito de uma guerra, incluindo a reconciliação e a desradicilização, serão o foco.

A linha de pensamento da contrainsurgência ou do contraterrorismo aplicada até mesmo às guerras não convencionais, onde o objetivo é remover um poder/regime e destruir/desmantelar/derrotar as suas forças armadas, é o mesmo que dizer que não se pode remover Hitler do poder ou destruir as forças armadas nazis na Alemanha pela preocupação em endurecer ainda mais as crenças e sentimentos da parcela da população alemã que apoiava os nazistas.


John Spencer é um premiado acadêmico, professor, autor, veterano de combate, analista militar e de segurança nacional, além de especialista e consultor reconhecido internacionalmente em guerra urbana, estratégia militar, táticas e outros tópicos relacionados.

https://x.com/SpencerGuard/status/1797863727221403686?t=EtoLlSHs1buIPr9fYASuag&s=08


quinta-feira, 30 de maio de 2024

ACONTECE: Israel entre as nações

Israel e o Ponto de Inflexão




E a guerra continua. Estamos nos aproximando de 8 meses de conflito e as sensações e sentimentos afloram junto com as vivências que podem resultar em momentos de ação em diferentes fronts. Os judeus do mundo e o cidadãos de Israel enfrentam realidade não previstas. O grande sofrimento que acompanha a incerteza das centenas de reféns abduzidos de Israel no dia 7 de outubro. A tristeza e a desesperança pelos que foram mortos, toturados. Faltam palavras para traduzir o que as imagens daquele dia despertam. Ao mesmo tempo aprender que amigos se tornam inimigos e que os milênios de isolamento e mentiras sobre o povo judeu afloraram com toda a força. 

A foto que ilustra esta matéria mostra o quanto o Estado de Israel é pequeno quando comparado com as demais nações do mundo. Mostra também a face de duas mulheres. A foto foi feita diretamente da tela de uma televisão israelense que fazia a transmissão ON LINE de uma das muitas manifestações feitas em Jerusalém exigindo uma ação positiva para a volta dos reféns. Para a volta dos soldados e soldadas que ficaram nos campos de batalha.

Poderíamos hoje desmistificar muitas das falas contra as forças de Defesa de Israel, que têm conduzido uma guerra em que avisa e protege civis de ambos os lados. Do lado israelense, menos divulgado pela mídia, sabemos que mais de 100 mil pessoas estão deslocadas. Toda a população de cidades de Israel localizadas no Norte, ao sul do Líbano, migrou para as regiões centrais. Estas cidades foram bombardeadas e muitas arrasadas. O esforço de reconstrução será enorme. Regiões com grande significado histórico, o que será que ficou? Aos poucos vamos sabendo. Em Gaza sabemos que não há confiança nos números apresentados e que a população civil não encontra proteção interna. A quantidade de alimentos que foram enviados daria para saciar a fome, mas onde foram parar? Os Estados Unidos construiram um porto para permitir a entrada de carretas, e esta semana o porto foi destruído; afundou. Os que ocupam o território de Gaza e que deveriam estar protegendo os seus não conseguem evidenciar atitudes de proteção, muito pelo contrário, a cada recontar das "notícias" aparecem fatos que não condizem com as acusações contra os soldados e soldadas israelenses.

No meio desta guerra de falsas informações e de uma desconfiança dos israelenses sobre o governo instalado surgiu a desesperança. A octagenéria de cabelos brancos, Zilda Kotzer, é minha prima-irmã que fez aliah (imigrou para Israel) na década de 1960. Queria saber o que motivou a sair com a multidão e no dia respondeu que Israel precisava dela em algum front. Este era o front que as mulheres idosas assumiram em busca da volta de todos e de soluções. O falar era de desesperança e ao mesmo tempo de uma votade de que tudo pudesse mudar.

A semana passada, as conversas privadas que tinha com as pessoas que moram em Israel e são muito sionistas, algumas religiosas mais ortodoxas, outras mais reformistas e outras sem apego ao aspecto religioso do judaísmo, mas muito ligadas a toda a nossa cultura, deixava um gosto não muito bom. O isolamento internacional cada vez mais evidente e a posição tomada pelo governo brasileiro eram os pontos principais da conversa.

Hoje, após uma quantidade importante de países da Europa terem condenado Israel, do Brasil ter retirado o seu Embaixador, que foi sumariamente transferido para a Suíça, e de vermos uma tendência de isolamente muito maior do que ocorria quando da passeata há uma semana, ela fez os comentários abaixo:

1 - O resultado desta guerra foi a união do Povo de Israel;

2 - Sinto isto no dia a dia, no trem, no ônibus. As pessoas estão mais preocupadas umas com as outras. Pequenas conversas e sorrisos acontecem;

3 - Ficamos mais condescedentes. Sentei ao lado de uma religiosa e trocamos sorrisos. Foi bom olhar nos olhos da "outra" e sentir que ambas éramos do mesmo povo.

Eu segurava o telefone e quase juntas comentamos que este era o ponto de inflexão necessário para que o governo mudasse e para que Israel pudesse assumir novos rumos. O PONTO DE INFLEXÃO. O momento da virada!

Nesta quinta-feira dia 30 de maio de 2024, Beny Gantz, líder do partido centrista União Nacional, propôs uma votação para a dissolução do atual governo. E no início da semana o Líder da Oposição Iair Lapid já havia previsto que Benny Gantz e Einsenkot estariam saindo do Gabinete de Emergêcia instalado após 7 de outubro. Fontes: 1, 2.

Este ACONTECE deveria chamar ACONTECENDO porque as notícias vão se sucedendo e mostando que estamos chegando a SHAVUOT - Oxalá possamos rapidamente passar a contagem do OMER e os tempos que separam a LIBERTAÇÃO da ESCRAVIDÃO e a instituição da LEIS, REGRAS e CULTURA do SABER.

AM ISRAEL CHAI veKAIAM - 

Regina P. Markus

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Iachad (juntos - יחד) - por André Naves: Chutzpah

 


Chutzpah

          Vários idiomas têm suas peculiaridades, seus lirismos. O Português, por exemplo, tem a palavra saudade... Essa palavra, sem similar em outras línguas, vale como uma poesia. Tá certo que é até possível traduzir para outros idiomas, mas o essencial, a alma do verbo, acaba se perdendo...

          “Eu sinto falta” só é igual a “eu tenho saudades” para quem nunca enxerga com o coração... Aliás, enxergar com o coração...

Acho que gosto tanto dessa língua portuguesa tão abrasileirada pelo tamanho do lirismo que ela sopra. É uma linguagem adubada pela diversidade. Temperada pelo diferente. Com suas curvas e rococós que obrigam todo literato, se quiser se comunicar, a sair de suas limpas celas de alabastro para se lambuzar com o melaço popular!

          Língua Portuguesa do Brasil! LÍNGUA BRASILEIRA!

          Chutzpah não é português. Vocês já devem ter desconfiado, claro. Na verdade, nem se fala como se lê. É assim, Rrutzpá! Pra gente, brasileiro, ela também não tem exata tradução...

          Audácia, ousadia... É o mais perto que eu consigo chegar. A gente precisa abrir o entendimento da alma para beber desse significado. Ela é uma palavra que vale uma poesia inteira!

Talvez com arte, com literatura, seja mais fácil levar esse entendimento ao sentimento...

Yayoi Kusama! Artista japonesa das mais vibrantes e criativas. Ela traduz as alucinações que ela vê em imagens... O que ela tem? Não faz diferença... A verdade é que ela mora numa ala psiquiátrica de um hospital, e a dificuldade dela virou sua facilidade!

Ela só se expressa por ter essa condição mental!

Mas, cadê a chutzpah? Bem, ela nem sempre foi tão conhecida e famosa. Por volta dos anos 60 ela ainda era uma anônima, uma aspirante a artista... Deu 5 minutos nela, e saiu a vender tudo que tinha.

Estava com uma ideia fixa! Ia expor na Bienal de Veneza, mesmo sem ter sido convidada... Depois de tudo vendido, ela conseguiu comprar uma única passagem de ida até La Serenissima de São Marcos.

Ganhou fama!

Virou Yayoi Kusama! Sua mensagem ganhou o mundo!

Foi e fez!

Vamos sair da Terra do Sol Nascente, e voltar para o Brasil?

Ruy Barbosa era daqui. Bahiano arretado! Ficou indignado com a injustiça do caso Dreyfus, e mesmo sendo de uma terra exótica, distante e caricata, pôs a boca no trombone! Vestiu as sandálias de dreyfusard e foi um dos primeiros a escrever sobre isso.

Antes até do J´accuse do Zola!

Foi e fez!

Ainda falando de uma brasileira, mas em terras alemãs, que tal lembrar da “Justa entre as Nações” Aracy Guimarães Rosa, o “Anjo de Hamburgo”? Ela, esposa de Guimarães Rosa, chefiava o serviço de passaportes do Brasil na Alemanha. Era época de trevas. Perseguições. Injustiças. Extermínio.

Ela, Luz que aniquilava a escuridão imperante, salvou milhares de judeus concedendo-os vistos para que entrassem no Brasil.

Foi e fez!

Seu marido até se inspirou nela e na chutzpah para escrever que “o que a vida quer da gente é coragem!”.

Que coisa! As lágrimas descem dos meus olhos sempre que penso nas violências cometidas, nas fogueiras das iniquidades! Mas, ao mesmo tempo, sinto um pingo de esperança com todos esses seres humanos iluminados...

Só um pingo, infelizmente...

André Naves

Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos, Inclusão Social e Economia Política. Escritor e Comendador Cultural. Conselheiro do grupo Chaverim. Embaixador do Instituto FEFIG. Amigo da Turma do Jiló. Membro do comitê de inclusão do LIDE.


terça-feira, 28 de maio de 2024

VOCÊ SABIA? - Novos tempos - Novas vozes não judias a favor de Israel


Por Itanira Heineberg


Wilders: “Eu apoio o Estado de Israel!”.

E considera a transferência da embaixada de seu país para Jerusalém!


Você sabia que o governo holandês - uma coligação de partidos, agricultores, liberais e anticorrupção - anunciou um acordo de coligação para se autoexcluir das regras da UE, apoiar a Ucrânia e considerar a possibilidade de transferir a sua embaixada para Jerusalém?

Geert Wilders, líder da direita holandesa, proferiu um discurso fervoroso em apoio a Israel na quarta-feira, dia 23 de maio, no parlamento holandês. Wilders, famoso por suas opiniões sobre o Islã, reiterou seu apoio inabalável ao Estado de Israel.

Ele morou em Israel por dois anos durante sua juventude e visitou o país mais de 40 vezes. Depois de se formar na escola secundária, passou um ano como voluntário em Moshav Tomer, no Vale do Jordão.

Ele relata em palavras apaixonadas, sua experiência no país:

 

“Eu vivi em Israel por um tempo, há muito tempo. Eu também vi”.

“Naquela época, os terroristas entravam da Jordânia. Eu experimentei o que é quando esses terroristas atravessam a fronteira e como você tem que se proteger em abrigos antiaéreos. E como então o exército, com helicópteros e bombas de magnésio, procurava onde as pessoas estavam, para proteger sua população”.

 

Segundo Wilders, a oposição de grupos radicais islâmicos tais como Hamas, Jihad Islâmica e Hezbollah tem origem no ódio e na condenação da existência do Estado Judeu. Estes grupos terroristas não aceitam que um país e seu povo existam. Israel age de maneira oposta, elege árabes ao Knesset, parlamento, e lhes dá plenos direitos de cidadão. Em Israel os árabes vivem em melhores condições do que em territórios palestinos.

Em novembro último Wilders e seu Partido Para a Liberdade (PVV) venceram as eleições mas por vários meses não conseguiram formar um governo. Agora em maio 2024 Wilders divulgou “um acordo para formar um novo governo em coalizão com o VVD, partido de centro-direita do primeiro-ministro Mark Rutte, o novo partido NSC e o partido dos agricultores BBB, conquistando uma maioria forte de 88 assentos na Câmara Baixa de 150 lugares.”

Seu plano de governo publicado em 16 de maio 2024, a coalizão de quatro partidos, anuncia  que buscará o “regime de asilo mais rigoroso de todos os tempos”, com controles de fronteira mais fortes e regras mais severas para os solicitantes de asilo que chegam à Holanda.

O projeto de acordo de 26 páginas também exige que a educação sobre o Holocausto seja incluída no teste de naturalização holandesa.

Wilders, defensor fervoroso de Israel, também é conhecido por suas opiniões duras sobre o Islã, tendo prometido anteriormente fechar mesquitas e “banir o Alcorão” em seu manifesto partidário. Suas posições já causaram indignação no mundo muçulmano e ameaças de morte que o obrigaram a viver sob proteção 24 horas por dia. Em seu próprio país!



Quanta diferença entre Holanda e o trio Espanha, Noruega e África do Sul!

É preciso um mínimo de clareza moral para perceber a diferença entre estas duas posições!

 

FONTES:

https://unitedwithisrael.org/netherlands-mulls-date-for-relocating-embassy-to-jerusalem/?utm_source=MadMimi&utm_medium=email&utm_content=Dictator+Says+Israel+will+Come+for+His+Country+After+Beating+Hamas%3B+Police+Shoot%2C+Kill+Man+for+Setting+Synagogue+on+Fire%3B+Demand+Harvard+Suspend+Violent+Anti-Israeli+Protesters&utm_campaign=20240517_m181343043_Dictator+Says+Israel+will+Come+for+His+Country+After+Beating+Hamas%3B+Police+Shoot%2C+Kill+Man+for+Setting+Synagogue+on+Fire%3B+Demand+Harvard+Suspend+Violent+Anti-Israeli+Protesters&utm_term=Netherlands+Mulls+Date+for+Relocating+Embassy+to+Jerusalem

https://www.lemonde.fr/en/international/article/2024/05/16/new-dutch-coalition-government-announces-strictest-ever-asylum-policy_6671630_4.html

https://www.lemonde.fr/en/international/article/2024/04/22/dutch-party-leader-geert-wilders-denounces-opposition-s-call-to-violence_6669144_4.html

https://oantagonista.com.br/mundo/lider-holandes-declara-apoio-incondicional-a-israel/#google_vignette

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/novo-governo-da-holanda-pretende-abandonar-regime-de-asilo-da-ue/